Arquiteturas do Parque Realengo

Por Ayako Arquitetura, Helena Meireles Arquitetura, Larissa Monteiro, messina | rivas e Zebulun Arquitetura
BRASIL – Projeto executivo
12–18 minutos

Mercado da Praça

Fotográfia: Federico Cairoli

Cobertura Multiuso

Fotográfia: Federico Cairoli

projeto básico

PROJETO BÁSICO – MERCADO DA PRAÇA
COMPLETO
06 pranchas (pdf).
3,07mb

PROJETO BÁSICO – COBERTURA MULTIUSO
COMPLETO
06 pranchas (pdf).
7,01mb


Mercado da Praça – Parque Realengo (texto fornecido pelo autor)

A Praça do Mercado integra o conjunto de arquiteturas do Parque Realengo, ainda em construção. O parque é objeto de questionamento de longa data de diversos movimentos sociais que debatem a periferia, áreas verdes e racismo ambiental. À semelhança de diversos processos de construção na cidade do Rio de Janeiro, sua dinâmica também envolve desapropriações e processos de realocação. A Praça do Mercado nasce de uma condição preexistente. Antes de seu desenho, moradores do entorno do parque ocupavam a esquina com pequenas construções de caráter comercial. O projeto de arquitetura proposto previu a realocação integral dessas construções, porém a dinâmica complexa de um processo de licitação e execução de uma obra pública fez com que se realizasse apenas parte da proposta.

O projeto é constituído por duas construções lineares e horizontais, com diferentes alturas, que se cruzam e conformam, por um lado, uma grande cobertura de entrada e, por outro, uma galeria de lojas. Antes, as lojas que constituíam a ocupação preenchiam o contorno da esquina, deixando apenas uma calçada estreita e uma via para carros em sua frente. Agora, elas se abrem para um espaço de praça que se comunica com o hall de entrada da comunidade do Ideal e o ponto de mototáxi. Implantados em formato de L, compõem uma grande praça pública que convida os moradores a vivenciarem o espaço, utilizando-o de formas diversas.

Fotográfia: Federico Cairoli

O caráter formal que diferencia as duas construções também se traduz em caráter programático. A cobertura linear tem a função principal de proporcionar sombra e marcar uma espécie de pórtico, que funciona como uma das entradas do parque. Por ser um grande vão de pouco direcionamento programático, esse espaço pode ser lido como indeterminado, abrindo possibilidade para ocupação com programas diversos e efêmeros. A segunda lâmina, em contraponto, é construída com uma escala mais próxima do corpo. Nela foram abrigadas 11 lojas que servem para realocar as lojas pré-existentes. O comércio local, além de ser de suma importância para a dinâmica de existência de diversos moradores, aqui também impulsiona a utilização desse espaço público e, mais ainda, com um programa que já existia antes de seu reordenamento. Abaixo da lâmina maior, há ainda um banheiro público que dá suporte tanto às lojas quanto ao uso do espaço. E, por fim, organizando todos esses programas, uma praça pública foi desenhada para fora dos limites do parque, possibilitando o uso e apropriação do espaço em tempo integral.

Fotografia: Federico Cairoli

A estrutura da cobertura de acesso segue um sistema construtivo com perfis metálicos de 3 metros de comprimento, que, quando articulados, formam duas treliças de 66 metros de comprimento e 3 metros de altura. Essas treliças são conectadas por perfis metálicos de 9 metros de comprimento, conformando assim uma caixa estrutural. Essa altura e esse sistema de vigamentos são justificados pela melhor eficiência estrutural, garantindo o vencimento de vãos maiores com menos apoio, além de possibilitar o uso de perfis mais esbeltos. Nas extremidades, essa caixa estrutural está apoiada em pilares de concreto de seção quadrada e rotacionados, a fim de incentivar a continuidade do fluxo. Já a galeria de lojas é construída por paredes de blocos de concreto estruturais que sustentam uma laje de steel frame.

Fotográfia: Federico Cairoli

Pode-se considerar que a inauguração antecipada do Mercado Externo teve o intuito de responder às reivindicações contra um processo de remoção que ocorreria das lojas existentes, processo esse que conta com a participação da equipe de projeto para proporcionar, dentro do desenho, áreas passíveis de realocação. E, para além disso, é prioritariamente um processo de acompanhamento e advocacy territorial, mobilizado pela Agenda Realengo 2030, dirigido por Roberta Freire.

Pensar a construção de um equipamento público é também pensar sobre a queda de uma postura da produção arquitetônica como necessariamente um êxito. Mesmo que a construção deste parque vá ao encontro da vontade dos movimentos sociais, é preciso entender o processo de implementação de arquiteturas urbanas como um processo social que vai além do desenho. Para isso, entendemos que há a necessidade de considerar as dinâmicas de construção da cidade coletivamente, não como ocupações póstumas à entrega do produto construído em espaços indeterminados, mas como constitutivas e partícipes do processo de projeto. A Praça do Mercado torna-se desta forma um importante objeto para pensar esse debate.

Fotografia: Federico Cairoli

Cobertura Multiuso – Parque Realengo (texto fornecido pelos autores)

A premissa dos projetos de arquitetura para o Parque do Realengo é de que eles sejam, antes de mais nada, equipamentos públicos oportunos para as pessoas que habitam o bairro. E, para esse propósito, procuram alcançar três fatores fundamentais que uma obra pública exige, a saber: uma consistência conceitual significativa, uma responsabilidade técnica e sustentável eficiente e uma identidade marcante.

A construção do mercado interno tem o intuito de valorizar a alta densidade e verticalidade arbórea do parque. Para isso, ele conforma uma clareira e possui uma presença horizontal que valoriza, por constraste, as ações do paisagismo. Assim, asseguramos uma maior intimidade para as arquiteturas e possibilitamos, caso necessário, um bom controle de acessos. Além disso, possui uma planta livre coberta e um pátio central que possibilita uma grande versatilidade de usos que pode sofrer adaptações com o decorrer do tempo.

Fotográfia: Federico Cairoli

A construção está disposta de forma quadrada com 30 metros de lado, sendo que um espaço de 6 metros de largura em cada lado é coberto, o que possibilita um pátio interno de 18 metros de lado. É um edifício térreo e, devido à inclinação de uma água do telhado, os pés direitos variam de 3 até 6 metros de altura.

O mercado interno pode abrigar os programas mais diversos, ele também funciona como um espaço multiuso. O conceito de sua construção é versátil e, portanto, abaixo da cobertura é possível ocupar com programas efêmeros. Já no pátio, o uso é imprevísivel, e se pode imaginar muitas atividades como de prática de yoga, ensaio de bateria, aulas de dança, parquinho e muitos outros.

Fotográfia: Federico Cairoli

A estrutura segue um sistema construtivo com perfis metálicos de 3 metros de comprimento que quando articulados conformam 4 treliças de 30×30 metros de comprimento e 3 metros de altura. Essa altura e esse sistema de vigamentos se justificam pela melhor eficiência estrutural, o que garante o vencimento de vãos maiores com menos apoio, além de possibilitar o uso de perfis mais esbeltos.

Apoiados por 8 pilares metálicos que são reforçados por concreto, essas treliças suportam um telhado de chapa metálica de inclinação interna. A inclinação de 50% é justificada por possibilitar maior vazão de água e folhas e, portanto, garantir uma melhor manutenção.

Croqui e detalhamento: Cobertura

Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Helena Meirelles Arquitetura, Juliana Ayako, Larissa Monteiro, messina | rivas e Zebulun Arquitetura

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

H.M.A. – O projeto para as arquiteturas do Parque Realengo representa uma expansão importante no contexto da prática do escritório, tendo sido o primeiro projeto público de maior escala a ser efetivamente construído, além de ter sido concebido em parceria com outros escritórios e práticas de projeto. A experiência desse processo não só enriquece a prática do escritório, mas também abre novas perspectivas para possíveis futuros projetos que dialoguem com espaços públicos e interesses sociais.

J.A. – O projeto das arquiteturas do Parque Realengo foi a primeira oportunidade de desenhar e construir um projeto de equipamento público. Pela quantidade de pessoas envolvidas no processo, pelo tempo disponível – definido por prazos políticos – e pela incerteza se participaríamos do projeto executivo e da etapa de execução, a abordagem projetual exigiu uma definição de implantação e construção dos elementos com certa margem de adaptação. Entendemos isso muito rápido. Em outros projetos, a relação com o terreno acaba sendo uma diretriz mais rígida, que amarra o projeto ao chão. Por outro lado, no que poderíamos chamar de “Coberturas do Parque Realengo”, a relação se dá mais através da sombra. E a sombra tem movimento…

L.M. – Em minhas pesquisas atuais e áreas de atuação, temas como “comuns”, periferia, estética de periferia são recorrentes. Depois que me formei, decidi não regressar instantaneamente para a academia e me envolver na prática ativista, porque após muitos anos estudando movimentos pendulares, entendi que não era um artigo ou um plano viário que mudaria relações da cidade, mas ações locais. Me engajei na criação da Agenda Realengo e em um projeto de produção de
exposições em contextos de periferia. Esses trabalhos carregam conceitos importantes de vivência em espaços urbanos subalternizados. Acredito que o parque foi uma forma de materializar tudo isso que estava na mesa no momento.

M.R. – A gente tem desenvolvido projetos em escalas maiores que ainda estão em processo. E o curioso é que a sensação que dá é que o nível de responsabilidade não muda. Muito disso acontece porque no fundo a escala é uma abstração, ou seja, um recurso criado, justamente, para poder dominar a mensura das coisas e poder responder com projeto. Com isso, em certo
sentido, somos um tanto pragmáticos, ou seja, a gente analisa as condições de um projeto, quais as relações envolvidas, os atores participantes, os recurso materiais e projetuais disponíveis, e nos perguntamos com quais procedimentos de projeto, com quais ações e decisões vamos responder, imaginando os possíveis efeitos sem abrir mão dos possíveis imprevistos. E, isso tudo, meio que independe da escala.

Z.A. – Acredito que os projetos acabam sendo parte de uma mesma pesquisa contínua, com derivações e especificidades. Mesmo nos trabalhos que são feitos em colaboração como este.
Algumas coisas que, pelo menos até agora, sinto que persistem, são a busca por pensar arquitetura a partir da estrutura, com materiais leves e em repetição, o diálogo com a paisagem e uma atenção a como a estrutura chega até o chão. Depois os usos podem se conformar com um pouco mais de liberdade.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

L.M. – O projeto surgiu por meio de um edital público de licitação, no modelo menor preço. A licitação foi ganhada pelo escritório Economimesis Soluções Ecológicas Ltda, escritório que já mantinha parceria em projetos prévios com os escritórios Ayako + Zebulun. A partir disso surgiu o convite aos escritórios de arquitetura. Como o projeto era de grande escala e em um curtíssimo período de tempo, o escritório escolheu convidar uma equipe grande para atuar
em parceria.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

L.M. – Pode-se dizer que o projeto teve dois momentos bastantes distintos. Um primeiro momento ocorreu em reuniões onde todas as equipes estavam reunidas. Essas reuniões (duas ou três) tiveram o intuito de articular um grande norteador do projeto de implantação geral do parque: características de cada área, implantação das arquiteturas, leituras de fluxos existentes e possíveis futuros, etc. Em um segundo momento, entendendo a demanda de entrega muito rápida do projeto, os escritórios de arquitetura e paisagismo se dividiram e cada um trabalhou separadamente em cima das premissas estabelecidas previamente. Com relação aos escritórios de arquitetura, o processo inicial mais amplo se deu por muitas conversas em cima de croquis conceituais após as visitas. Essas trocas deram base importante para guiar os desenhos mais aproximados, que foram também delimitados por diretrizes materiais fortes, que diziam respeito à necessidade de construção rápida, de baixo custo – e principalmente simples, uma vez que a participação no projeto executivo e no acompanhamento de obra não era garantida.

MDC Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores?

L.M. – É importante pontuar que a equipe de arquitetura não participou do projeto executivo. O projeto mais detalhado enviado à prefeitura foi o que a contratante denominou de “projeto básico”. Essa informação é importante porque disparou na equipe de arquitetura uma necessidade de criar uma estratégia de ação diante da situação colocada. Diante disso, é possível observar que o projeto é o mais estrutural possível. Poucos elementos podem ser retirados do projeto sem que
ele perca sua utilidade. Dessa forma, o próprio partido do projeto é a resolução de como ele se resolve estruturalmente. Durante as conversas com os engenheiros, os ajustes foram mínimos, focados muito mais em entender qual era o vão máximo suportado e pequenos ajustes de onde – dentro daquela modulação prevista – seria melhor posicionar os pilares;

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

L.M. – Não participamos.

MDC -Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

A.P. – Acreditamos que o maior mérito destes projetos seja a forma que eles abrem liberdade para apropriações. A parte mais curiosa, talvez, seja o “COMO” isso acontece. No Mercado da
Praça, estávamos diante de uma situação flagrante de futuras remoções. Atuamos então propondo que sob a cobertura existissem lojas para realocar os comerciantes que já tinham
construído suas lojas no local. Com isso, o projeto que se apoia no chão, sob a cobertura, tem
um caráter formal bastante rígido, cartesiano, minimalista. E a parte aberta da cobertura serve
hoje para atividades como churrasco, jogar bola e outras mais livres. Em contrapartida, se a gente olha pra Cobertura Multiuso, o escopo do programa era basicamente uma sombra para futuras feiras que ocorreriam no parque, por isso durante a concepção a gente chamava esse projeto de “mercado interno”. Após a inauguração, a prefeitura liberou o espaço para o aluguel de lojas de alimentação, tornando aquele lugar o que a gente pode chamar de “praça de alimentação”. Mas as lojas que se colocaram ali tinham outro caráter totalmente diferente do que a gente proporia: são bem mais figurativas, engraçadas e coloridas. E acho que isso fala muito sobre a prática da indeterminação. Um mundo de possibilidades se abre diante disso.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

L.M. – Acredito que não.

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

L.M. – O professor da FAU USP, Rodrigo Queiroz, fez um comentário recente sobre o projeto do mercado da praça e acho que podemos partir um pouco dele pra pensar sobre. Ele dizia algo assim:

“O partido visual da arquitetura contemporânea. A multiplicidade de linguagens, seja formal ou material, da arquitetura contemporânea é um dado e isso é inegável. Contudo, ouso dizer que é possível verificar um mesmo partido identificável em vários projetos com recorrência cada vez maior. Se o pressuposto do pilotis, pelo menos por aqui, postulou que o pesado fica em cima e o leve, embaixo, hoje vemos uma inversão desse paradigma: o pesado está embaixo e o leve, em cima. Essa relação se dá pela combinação de um low-tech artesanal agarrado à terra crua como se dela fizesse parte e um high-tech delgado, como uma fina sombra que sobrevoa e protege essa materialidade argilosa que lembra torrões de marimbondo. Quem elabora, resolve essa equação e desdobra em diversos projetos é Francis Kéré. O partido de Kéré se transformou em um modelo, em uma espécie de tipologia arquitetônica que se presta como uma bem acabada e sedutora resposta para os temas atuais como meio ambiente, economia energética, novas centralidades em contextos urbanos periféricos etc. O bombardeio das imagens nas redes e nos portais de arquitetura tornou o partido arquitetônico tão efêmero, fugidio e descartável como qualquer outro estímulo visual da sociedade de consumo. Precisamos nos reinventar em saltos cada vez mais curtos.”

Aqui eu acho que a única coisa que discordo seria a associação direta deste partido com a chamada “cultura de profusão de imagens”. Esse chamado partido visual, que estaria se aliando a temas como meio ambiente, economia energética e contextos periféricos, tem muito a gerar nesses ambientes para além da imagem que carrega. A sombra, conceito primordial para esse projeto e para esse tipo de ação projetual em todos casos citados, posso ousar dizer, é um mecanismo que torna possível características importantíssimas nesses contextos, como a
congregação de pessoas, a apropriação espacial, a possibilidade de mudança do caráter de ocupação e da própria atuação da arquitetura. Pensar projetos em contextos de vulnerabilidade é também pensar uma agência no espaço mais humana, mais próxima, mais coletiva. E acreditamos que o projeto permite isso.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

L.M. – Não.


ficha técnica

Local: Realengo – Rio de Janeiro, RJ
Ano de projeto: 2021
Ano de construção: 2023-2024
Arquitetura: Ayako Arquitetura, Helena Meirelles Arquitetura, Larissa Monteiro, messina | rivas e Zebulun Arquitetura


Coordenação de Projetos:
Ecominesis Soluções Ecológicas LTDS
Gerenciamento: Ricardo Kawamoto
Urbanismo e Paisagismo: Ecomimesis Soluções Ecológicas LTDA
Estruturas: Kleber Ribeiro (Praça do Mercado) e Ricardo Kawamoto (Cobertura Multiuso)
Saneamento: Ana Kling
Iluminação: Carlos Florido
Geométrico, Pavimentação e Terraplanagem: Leandro Vaz e Jorge Luiza da Silva
Instalações Prediais: Paulo Roberto Silva
Projeto Executivo e Execução: Cone Engenharia e Ecominesis Soluções Ecológicas LTDA



Fotos:  Federico Cairoli
Contato: info@larissamonteiro.com


Organização: Fundação Parques e Jardins


galeria Mercado da Praça

galeria Cobertura Multiuso


colaboração editorial

Aloisio Silva

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Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Parque Biblioteca San Javier

Por Javier Vera Arquitectos
COLÔMBIA – Projeto executivo
14–21 minutos

projeto executivo


EXECUTIVO COMPLETO:
14 formatos (pdf).
12,6 mb


Parque Biblioteca San Javier (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

La Alcaldía de Medellín y su programa de Educación, Cultura y Conocimiento, desarrolló el Plan Municipal de Bibliotecas “Parques Bibliotecas Públicas de Medellín”, en donde el objetivo era plantear un importante Centro Cultural de encuentro comunitario, que fortaleciera las Centralidades Barriales, complementara el paisaje natural y artificial existente y articulara los sistemas de movilidad con los equipamientos deportivos, educativos y recreativos cercanos a los Parques Biblioteca. La administración de gobierno está fundamentando la transformación de la ciudad, que hoy se resume en el eslogan “Medellín, la más educada”. El programa entiende la educación en un sentido amplio, más allá de las aulas y pretende promover además de la calidad en la formación de niños y jóvenes, la construcción de ciudadanía.

La arquitectura de Javier Vera Arquitectos se reconoce vital, motivada por los cruces, los límites, el comportamiento humano. Una arquitectura que escucha la manera de fluir del ciudadano, cargada de la sabiduría del transeúnte, cercana a los acontecimientos que vive la ciudad. Es testigo de las cosas que suceden en la calle, con los amigos, en el día a día, de los actos sencillos como ir a la escuela o desplazarse al trabajo… Contiene diferentes geografías y planos, acoge el hábito de caminar, de jugar en los espacios, de las actividades permanentes o las no definidas. Existe el deseo de descubrir, del aventurarse a otras cosas, de desarrollar la vida en nuevos territorios.

A Prefeitura de Medellín, por meio de seu programa de Educação, cultura e conhecimento, desenvolveu o plano municipal de bibliotecas “Parques Bibliotecas Públicas de Medellín”, cujo objetivo era conceber um importante centro cultural de encontro comunitário, capaz de fortalecer as centralidades dos bairros, complementar a paisagem natural e artificial existente e articular os sistemas de mobilidade com os equipamentos esportivos, educativos e recreativos próximos aos parques biblioteca. A administração municipal fundamenta a transformação da cidade, hoje sintetizada no slogan “Medellín, a mais educada”. O programa entende a educação em um sentido amplo, para além das salas de aula, e busca promover, além da qualidade na formação de crianças e jovens, a construção da cidadania.

A arquitetura de Javier Vera Arquitectos é reconhecida como vital, motivada pelos cruzamentos, pelos limites e pelo comportamento humano. Trata-se de uma arquitetura que escuta o modo de fluir do cidadão, carregada da sabedoria do transeunte e próxima dos acontecimentos cotidianos da cidade. É testemunha das coisas que ocorrem na rua, entre amigos, no dia a dia, nos atos simples como ir à escola ou deslocar-se para o trabalho. Contém diferentes geografias e planos, acolhe o hábito de caminhar, de brincar nos espaços, de realizar atividades permanentes ou não definidas. Encara o desejo de descobrir, de aventurar-se, de desenvolver a vida em novos territórios.

Imagem 3D: Frente da Biblioteca Parque San Javier

La arquitectura racional conlleva una estética precisa, guiada por el urbanismo y con elementos de la modernidad clásica. Arquitectura con elementos técnico – constructivos como punto de partida para sus creaciones. En el edificio Parque Biblioteca de San Javier en la zona Centro-Occidental de Medellín, se subraya la intención formal determinada, la definición creadora de síntesis de su arquitectura. Se relaciona artísticamente la construcción con el paisaje, integrándola en el entorno y su contexto. Continúa con la voluntad de la forma geométrica, como fuerza expresiva de la composición arquitectónica abierta. Se descubre en los paisajes urbanos un rico campo de actividad para sus expresivas construcciones urbanas, donde es permitido rehabilitar el espacio por medio del diseño de los espacios públicos. Se lee la morfología de la ciudad y se reflexiona sobre las condiciones de un urbanismo humano. El proyecto intenta reflejar la aceptación de lo propio y de lo cercano, las características, limitaciones y realidad de nuestras ciudades

A arquitetura racional envolve uma estética precisa, guiada pelo urbanismo e por elementos da modernidade clássica. Uma arquitetura que adota componentes técnico-construtivos como ponto de partida para suas criações. No edifício do Parque Biblioteca de San Javier, localizado na região Centro-Oeste de Medellín, sublinha-se a intenção formal determinada, a criação de uma síntese arquitetônica. A construção relaciona-se artisticamente com a paisagem, integrando-se ao entorno e ao contexto. Mantém-se fiel à força expressiva da forma geométrica como elemento da composição arquitetônica aberta. Nos cenários urbanos, identifica-se um campo rico de atuação para suas expressivas construções, onde se torna possível reabilitar o espaço por meio do desenho dos espaços públicos. Observa-se a morfologia da cidade e reflete-se sobre as condições de um urbanismo humano. O projeto busca repercutir a aceitação do que é próprio e próximo, das características, limitações e realidade de nossas cidades.

Fotografia: Arq. Juan Felipe Gómez e Arq. Sergio Gómez

La postura de Javier Vera Arquitectos frente al emplazamiento, distingue una especial atención a la superficie de base y su alrededor. El edificio manifiesta una implantación estudiada para aportar al lugar, donde se perciben aspectos de manera simultánea como: la escala, las proporciones, la paramentalidad, el asoleamiento, las visuales, el tratamiento del primer nivel, una combinación de componentes Arquitectónicos y Naturales. La concepción del edificio nos presenta un balance que se traduce en el equilibrio entre: interior – exterior. 

Los elementos arquitectónicos que componen la propuesta – volúmenes, patios, pérgolas y corredores – están articulados por una gran cubierta definidora de un umbral, recinto en el cual se desarrolla el programa principal del “parque biblioteca” 

A postura de Javier Vera Arquitectos diante do local destaca especial atenção à superfície de base e ao seu entorno. O edifício apresenta uma implantação estudada para contribuir com o lugar, onde se percebem simultaneamente aspectos como escala, proporções, volumetria, insolação, visuais, o tratamento do pavimento térreo e uma combinação de componentes arquitetônicos e naturais. A concepção do edifício nos revela um equilíbrio entre interior e exterior.

Os elementos arquitetônicos que compõem a proposta — volumes, pátios, pérgolas e corredores — são articulados por uma grande cobertura que define um umbral ou fronteira , recinto no qual se desenvolve o programa principal do “parque biblioteca”.

Diagrama: Isométricas

La simplicidad de la arquitectura, su relación con el entorno y su esencia de “gran contenedor” inspiran en el edificio, un recorrido de cuatro piezas que continúan la huella de la topografía, unidas por circulaciones que se extienden (rampas) entre patios vinculando cada espacio con el terreno y el paisaje. La modulación y estandarización que se proyecta a partir de los niveles de funcionamiento, son la expresión plástica de los volúmenes de fachada, lo que genera una lectura precisa de la estructura básica del proyecto – imagen que referencia el concepto de anaqueles arquitectónicos. No es un edificio, es un sistema funcional, flexible, didáctico, representativo, orgánico que da respuesta a recomendaciones concretas

A simplicidade da arquitetura, sua relação com o entorno e sua essência de “grande contêiner” inspiram no edifício um percurso de quatro peças que seguem a marca da topografia, unidas por circulações em rampa entre pátios, conectando cada espaço ao terreno e à paisagem. A modulação e a padronização projetadas a partir dos níveis funcionais são a expressão plástica dos volumes de fachada, gerando uma leitura precisa da estrutura básica do projeto — imagem que remete ao conceito de prateleiras arquitetônicas. Não é um edifício: é um sistema funcional, flexível, didático, representativo, orgânico, que responde a recomendações concretas.

Planta do térreo e corte longitudinal

La búsqueda de precisión y relaciones se convierte en una estrategia que se lee permanentemente en el edificio. De la aplicación de esta estrategia se obtiene un hecho espontáneo, natural, pero simultáneamente estructurado. La naturalidad con que se expresan las formas en el paisaje, con la búsqueda de disposiciones de máximas relaciones, engloban el entorno en su extensión. El espacio que pertenece al paisaje configura el fondo de la figura del volumen construido. El edificio, aparece imponente, abre sus fachadas y marca abiertamente la accesibilidad.

A busca por precisão e relações torna-se uma estratégia permanentemente perceptível no edifício. Da aplicação dessa estratégia surge um resultado espontâneo e natural, mas simultaneamente estruturado. A naturalidade com que as formas se inserem na paisagem, buscando o máximo de relações possíveis, integra o entorno em sua amplitude. O espaço pertencente à paisagem configura o fundo da figura do volume
construído. O edifício se mostra imponente, abre suas fachadas e marca abertamente sua acessibilidade.

Maquete

La arquitectura y la naturaleza se encuentran en armonía, en algunos casos como en el de la biblioteca utilizando patios con vegetación: la naturaleza se hace palpable, adquiere jerarquía El jardín – patio – vacío en la arquitectura, por el aspecto climático y como lugar de comunicación. De esta manera se crea la posibilidad de dar un orden a lo fragmentario. Siempre se establece conexión fluida, física y visual. La composición se establece como la relación entre formas moduladas transportando materia volumétrica, generando equilibrio de masas y proporciones. Los volúmenes nítidos, surgen de la geometría del hombre. Hacia el interior se excava el vacío para contener diversos juegos de transparencias. La envolvente de este vacío – patio, valora cualidades de la materia como la textura y la densidad, que se realzan por la luz que penetra al espacio.

El Patio, como vacío, núcleo de luz, evidencia la desmaterialización del volumen aparentemente cerrado, albergando una solución absolutamente abierta en su interior. El mismo edificio propone conducirnos naturalmente, en un sugerente recorrido, hacia los patios interiores. El patio – el vacío, tiene un aspecto bioclimático con elementos que resguardan del registro, pero al mismo tiempo permiten la ventilación. Maneja la escala proporcionada al humano. 

Arquitetura e natureza se encontram em harmonia; em alguns casos, como na biblioteca, utilizam-se pátios com vegetação: a natureza torna-se palpável, adquire hierarquia. O jardim–pátio–vazio na arquitetura cumpre função climática e de comunicação. Assim, cria-se a possibilidade de conferir ordem ao fragmentário. Sempre se estabelece uma conexão fluida, física e visual. A composição resulta da relação entre formas moduladas que carregam matéria volumétrica, gerando equilíbrio de massas e proporções. Os volumes nítidos surgem da geometria dos humanos. Para o interior, escava-se o vazio, abrigando jogos de transparências. O invólucro desse vazio–pátio valoriza qualidades da matéria como textura e densidade, realçadas pela luz que penetra no espaço.

O pátio, como vazio e núcleo de luz, evidencia a desmaterialização do volume aparentemente fechado, oferecendo uma solução absolutamente aberta em seu interior. O próprio edifício conduz naturalmente, em um percurso sugestivo, aos pátios internos. O pátio — o vazio — possui caráter bioclimático, com elementos que protegem da incidência direta, mas permitem a ventilação. Observa-se a escala proporcional ao humano.

Fotografia: Arq. Juan Felipe Gómez e Arq. Sergio Gómez

La planeación de volúmenes da forma al escalonamiento en el cual se compensan masas, se hace desaparecer la materia. Se emplean estrategias que involucran el abrir o cerrar vanos en un plano, para generar ritmos que muestran diversidad en la opacidad o en la transparencia de las fachadas. 

La imagen depurada del Parque Biblioteca San Javier, se logra al evitar masas compactas. La potencia del volumen en su aspecto exterior contrasta con la delicadeza del tratamiento de los espacios interiores. El contenedor de hormigón, metal y vidrio es un bloque con proporciones estudiadas, que ofrece visuales y referencias desde la distancia, a través de su permeabilidad.

A disposição dos volumes dá forma ao escalonamento, no qual massas se compensam e a matéria se dilui. Empregam-se estratégias que envolvem abrir ou fechar vãos em um plano, gerando ritmos que revelam a diversidade entre opacidade e transparência das fachadas.

A imagem depurada do Parque Biblioteca San Javier é alcançada ao evitar massas compactas. A força do volume em seu aspecto exterior contrasta com a delicadeza do tratamento dos espaços internos. O contêiner de concreto, metal e vidro é um bloco de proporções estudadas, que oferece visuais e referências à distância por meio de sua permeabilidade.

Maquete

Así como se superponen retículas, también se deslizan los diversos rectángulos sobre ejes, dando origen a nuevas configuraciones donde el edifico y la topografía forman un vínculo. Este recurso provee de dinámica a la creación del esquema en planta. Se proyecta con un orden geométricamente cartesiano, en el cual se suscriben juegos de adición o sustracción de espacios o masas. El juego de ritmos y pausas de lo lleno, lo vacío, muestra la fuerza compositiva de la estructura, modulada siempre con líneas horizontales y verticales.

Assim como se sobrepõem retículas, também se deslocam os diversos retângulos sobre eixos, dando origem a novas configurações em que o edifício e a topografia formam um vínculo. Esse recurso confere dinamismo à criação do esquema em planta. O projeto se organiza com base em uma ordem geometricamente cartesiana, à qual se acrescentam jogos de adição e subtração de espaços ou massas. O jogo de ritmos e pausas entre cheio e vazio evidencia a força compositiva da estrutura, sempre modulada por linhas horizontais e verticais.

Croqui: Dinâmica do cheios e vazios na planta

La arquitectura se adapta a las condiciones económicas de su entorno. Es necesario controlar los costos, lo cual favorece una gran variedad de nuevas soluciones.  Los presupuestos son ajustados y lo importante es conferir un sentido de calidad arquitectónica a una situación determinada, lo que implica una visión pragmática: función – forma.

Se utilizan materiales fácilmente disponibles y se integran en estructuras en las que se buscan símbolos de permanencia y solidez. El edificio se concibe para que sea perdurable en el tiempo: La arquitectura recibe su fuerza y su belleza de lo permanente, se recurre a formas y materiales que despiertan una impresión de orden y perdurabilidad inherente.

A arquitetura adapta-se às condições econômicas do entorno. É necessário controlar custos, o que favorece uma variedade de novas soluções. Os orçamentos são reduzidos e o essencial é conferir qualidade arquitetônica a cada situação, o que implica uma visão pragmática: função–forma.

Utilizam-se materiais facilmente disponíveis, integrados em estruturas que buscam transmitir permanência e solidez. O edifício é concebido para perdurar no tempo: a arquitetura obtém sua força e beleza da permanência, recorrendo a formas e materiais que evocam uma impressão de ordem e durabilidade inerente.

Fotografia: Arq. Juan Felipe Gómez e Arq. Sergio Gómez


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Javier Vera (J.V.)

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda sua produção?

J.V. – La práctica profesional está orientada a un resultado adaptado al medio social, el contexto urbano y la técnica desde lo esencial, ajustándose al tope presupuestal asignado por el promotor.
A prática profissional visa um resultado adaptado ao ambiente social, ao contexto urbano e à técnica, partindo do essencial e ajustando-se ao limite orçamentário definido pelo promotor.

MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

J.V. – El proyecto es el resultado de un concurso promovido por la Administración Pública y la Sociedad Colombiana de Arquitectos a nivel nacional.
O projeto é resultado de um concurso promovido pela Administração Pública e pela Sociedade Colombiana de Arquitetos em âmbito nacional.

MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

J.V. – La propuesta en su origen conceptual vincula a la naturaleza y la arquitectura en medio de anaqueles urbanos (cuatro muebles paralelos a las líneas topográficas).
A proposta, em seu conceito original, une natureza e arquitetura em meio a prateleiras urbanas (quatro peças de mobiliário paralelas às linhas topográficas).

MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderia comentar as mais importantes?

J.V. – La tipología de la arquitectura como sistema modular facilitó la lectura del equipo de los ingenieros, adaptándose de manera ordenada al proceso del diseño constructivo.
A tipologia da arquitetura como sistema modular facilitou a leitura da equipe de engenharia, adaptando-se de forma ordenada ao processo de projeto de construção.

MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

J.V. – La dirección arquitectónica hace parte de la programación de obra durante la construcción, el orden y la coordinación de los datos técnicos facilitó el cumplimiento de la fecha de terminación y el tope presupuestal.
A direção arquitetônica integra a programação da obra durante a construção; a organização e a coordenação dos dados técnicos facilitaram o cumprimento do prazo de conclusão e do limite orçamentário.

MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

J.V. – En lo fundamental, la arquitectura se conserva en el tiempo, su condición de implantación, la técnica y la flexibilidad funcional hacen que se conserve la imagen y representación.
De modo fundamental, a arquitetura se preserva ao longo do tempo; sua condição de implantação, a técnica e a flexibilidade funcional fazem com que sua imagem e representatividade se mantenham.

MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

J.V.– La arquitectura propuesta nació en el lugar, se adaptó a las condiciones de la forma urbana, las vivencias y el reconocimiento de la comunidad “se logra el sentido de apropiación de los ciudadanos”.
A arquitetura proposta nasceu no próprio lugar, adaptou-se às condições da forma urbana, às vivências e ao reconhecimento da comunidade; assim, “alcança-se o sentido de apropriação por parte dos cidadãos”.

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

J.V.– El proyecto propuesto le da lectura a la arquitectura de ladera, retoma las oquedades de los patios, incorpora la naturaleza y privilegia la sostenibilidad de los elementos del medio.
O projeto proposto interpreta a arquitetura de encosta, retoma as cavidades dos pátios, incorpora a natureza e privilegia a sustentabilidade dos elementos do entorno.

MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

J.V.– La arquitectura + la cultura han logrado activar los hábitos de confianza, el encuentro de la gente, la tolerancia y la aceptación del otro, en medio de las diferencias sociales del sector, sin duda, es un referente de oportunidad urbana que transforma la actitud de vida.
A arquitetura aliada à cultura tem conseguido ativar hábitos de confiança, o encontro entre as pessoas, a tolerância e a aceitação do outro, mesmo diante das diferenças sociais do setor. Sem dúvida, trata-se de uma referência de oportunidade urbana que transforma a atitude diante da vida.


ficha técnica

Local: Barrio San Javier – Medellín – Colombia
Ano de projeto/ Ano de finalização: 2005 – 2007
Prazo de execução da obra: 2 anos e 4 meses
Área bruta construída: 5.600m² construidos – 9.800m² urbanismo
Arquitetura: Javier Vera Arquitectos
Colaboradores: Arq. Adriana Agudelo, Arq. Alejandro Velásquez e Arq. Ana Isabel Valencia V.


Estrutural:
Ing. Gonzalo Jiménez
Estrutura Metálica: Estaco S.A
Elétrica: Giraldo Vélez Asociados
Hidráulico: Ingeniería Sanitaria S.A.
Ar Condicionado: José Tobar y Cía
Orçamento e Programa: Gestão de Projetos
Paisagismo: Arq. Luz Amparo Restrepo

Promotor: Prefeitura de Medellín, Empresa de Desenvolvimento Urbano – EDU
Empresa Construtora: A.I.A. Construtora
Fiscalização da Obra: Engenharia Estrutural


Fotos: Arq. Juan Felipe Gómez, Arq. Sergio Gómez
Imagem 3D: Arq. Cesar Correa, Arq. José David Rodas
Maquete: Arq. Carlos Rivas, Arq. Jerónimo Franco
Textos: Arq. Sandra Mesa


galeria


colaboração editorial

Aloísio Silva

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VERA, Javier. “Biblioteca Parque San Javier”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., fev-2026. Disponível em https://mdc.arq.br/2026/02/28/parque-biblioteca-san-javier/. Acesso em: [incluir data do acesso].

Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024


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Escola Beacon

Por Andrade Morettin Arquitetos Associados + GOAA
BRASIL – Intervir no Construído
9–14 minutos

projeto executivo

BEACON SCHOOL – CAMPUS | PARTE 1
PLANTAS, CORTES, ELEVAÇÕES E AMPLIAÇÕES

38 pranchas (pdf).
64,26mb

BEACON SCHOOL – CAMPUS | PARTE 2
ESQUADRIAS, SERRALHERIA E MARCENARIA

59 pranchas (pdf).
34,18mb

BEACON SCHOOL – ENSINO MÉDIO | PARTE 1
PLANTAS, CORTES, ELEVAÇÕES E AMPLIAÇÕES

45 pranchas (pdf).
20,91mb

BEACON SCHOOL – ENSINO MÉDIO | PARTE 2
ESQUADRIAS, SERRALHERIA, MARCENARIA E DETALHES

49 pranchas (pdf).
10,92mb


Beacon School (texto fornecido pelos autores)

Beacon School – Plano Diretor
2016

O projeto para a escola Beacon parte da combinação de um projeto pedagógico inovador com um patrimônio construído em um antigo bairro industrial na área central de São Paulo. O programa prevê uma escola para, aproximadamente, mil alunos, abrangendo do ensino infantil ao ensino médio, passando pelo ensino fundamental. Todos acomodados em um espaço inclusivo que, a um só tempo, ofereça toda a estrutura específica para cada ciclo e propicie a integração entre os alunos de diversas idades. A proposta de integração vai além: encoraja a aproximação permanente entre alunos, professores, coordenadores e funcionários.

Planta térreo. Fonte: projeto executivo

Fotografias: Nelson Kon

A propriedade é composta por um complexo de galpões industriais, utilizados como estacionamento de automóveis antes da intervenção. Se por um lado os galpões apresentam-se rústicos e agigantados para a escala das crianças, por outro representam um patrimônio construído generoso e bastante sólido.

Diagramas

A proposta parte da ideia de aproveitar integralmente esse patrimônio construído e, a partir dessa estrutura monumental, introduzir novos elementos capazes de acomodar as atividades específicas da escola e, simultaneamente, introduzir a escala apropriada e os materiais de acabamento condizentes, de forma a introduzir a dimensão doméstica no espaço.

Fotografias: Alberto Ricci

Todos os novos elementos são construídos com componentes industriais leves, de tal forma que a inserção desses se dá como uma montagem no local, buscando contrapor-se nitidamente aos galpões existentes, estabelecendo assim um franco diálogo entre o preexistente e o novo.

Fotografias: Nelson Kon

Beacon School – Ensino Médio
2021 – 2024

O projeto para a unidade do ensino médio da Beacon School é parte integrante de um plano diretor, elaborado no ano de 2016, para o estabelecimento do novo Campus da escola, localizado no antigo bairro industrial da Vila Leopoldina, em São Paulo. No Campus, no momento desse projeto, já se encontravam edificadas e em atividade as unidades do ensino infantil e do ensino fundamental.

Diagrama. Fotografia: Alberto Ricci

O Campus ocupa um antigo conjunto de galpões industriais – típico da paisagem local – revitalizado e convertido em abrigo para as atividades da escola. A nova unidade, destinada ao ensino médio, consiste na única nova edificação do Campus e, como tal, busca estabelecer um diálogo franco com as edificações pré-existentes: ao mesmo tempo em que se integra ao repertório construtivo, destaca-se na paisagem anunciando a chegada de ares inovadores ao antigo bairro industrial.

Fotografias: Alberto Ricci e Nelson Kon respectivamente

O Campus, como um todo, é pensado como um espaço inclusivo e integrador. O convívio e a aproximação entre estudantes dos diversos ciclos, bem como dos professores e funcionários é não apenas facilitado, mas encorajado. Uma rede contínua de espaços livres, organizados a partir do estabelecimento de uma rua interna, prevalece no nível térreo do Campus e é responsável pela integração física das diversas edificações. 

Fotografias: Nelson Kon

Assim, o novo edifício, localizado à entrada, junto à Rua Mofarrej, numa das extremidades da rua interna, se integra a este sistema, conformando uma ampla área coberta sobre pilotis que funciona, simultaneamente, como um desdobramento do passeio coberto coletivo do Campus e como um generoso hall de entrada para o edifício do ensino médio.

Fotografia: Nelson Kon

Este hall de entrada, ladeado por uma ampla área ajardinada, acomoda as atividades coletivas e de socialização para os estudantes do ensino médio, com espaços para jogos, estar, descanso e até aulas em um pequeno auditório aberto. Do centro do hall parte a prumada de circulação vertical: um volume prismático, identificado com a cor vermelha, que cruza verticalmente todo o edifício, do térreo á cobertura.

Fotografias: Alberto Ricci e Nelson Kon respectivamente

Acima do térreo, o edifício está organizado em dois blocos sobrepostos, separados por uma praça elevada. No primeiro bloco – que corresponde ao 1º e 2º pavimentos – estão distribuídas as salas de aula. No segundo bloco, que corresponde ao 4º e 5º pavimentos, estão alocadas atividades complementares, como auditório, biblioteca, laboratórios e espaço de artes.

Fotografias: Nelson Kon

Localizada no 3º pavimento, a praça elevada, que se caracteriza como um segundo pilotis, acomoda o refeitório e a lanchonete, ambos rodeados por terraços cobertos e descobertos. Este espaço avarandado, juntamente com os terraços criados no 1º bloco, oferece apoio para momentos alternativos de socialização e estudos em pequenos grupos. Na cobertura do edifício está localizada a quadra poliesportiva.

Fotografias: Nelson Kon e Alberto Ricci respectivamente

O sistema construtivo contempla uma estrutura convencional de pilar e vigas de concreto armado moldados in loco e, sobre esta, a sobreposição de diversos componentes industrializados atendendo a funções construtivas distintas, como fechamentos verticais, fechamentos translúcidos, paredes acústicas, cobertura, quebra sóis, etc.

Diagrama. Fotografia: Nelson Kon

A combinação destes elementos construtivos confere ao edifício um bom desempenho bioclimático – como, por exemplo o uso de telhas perfuradas atuando como filtro solar – e também uma maior unidade arquitetônica ao conjunto edificado do Campus.

Fotografias: Alberto Ricci


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Vinicius Andrade

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

V.A. – O projeto para a escola Beacon representou uma oportunidade rara para o nosso escritório. A demanda de instalação de um espaço de ensino em um antigo conjunto de galpões industriais nos proporcionou a possibilidade de colocar em prática um conjunto de estratégias de intervenção, elaboradas ao longo de 19 anos de prática profissional. Além disso, por se tratar de uma propriedade que estava sendo utilizada como estacionamento e localizada em um antigo bairro industrial em transformação, nos proporcionou a oportunidade de nos engajarmos em uma ação de transformação urbana virtuosa e exemplar.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto? (Concurso, licitação, contratação direta, outro)

V.A. – Fomos contratados a partir de um concurso fechado. Nesta modalidade alguns escritórios de arquitetura foram convocados a apresentar um estudo inicial, mediante o pagamento dos custos desse processo. Um júri misto, mobilizado pela escola contratante, avaliou os projetos e selecionou aquele que apresentava o conjunto de soluções mais adequado.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?

V.A. – A pré-existência foi determinante para a conceituação e concepção do projeto. Toda a narrativa se apoia na ideia de que o parque industrial instalado ali é considerado o principal ativo do projeto. Desde a preocupação com a valorização histórica do bairro e sua paisagem, passando pelo desejo de revelar a potência e a beleza intrínseca a essa tipologia arquitetônica, até a adoção de soluções de projeto comprometidas com uma agenda mais sustentável, considerando o reaproveitamento de estruturas, reduzindo a utilização de recursos e o desperdício.

MDC Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?

V.A. – Uma vez definida a manutenção do parque construído como estratégia central para o projeto, iniciou-se um processo de reconhecimento de cada uma das edificações, contemplando os levantamentos realizados pelos arquitetos, engenheiros estruturais (concreto, madeira e fundações) e de infraestruturas prediais. O material, resultante deste conjunto de prospecções serviu de base para o desenvolvimento do projeto em alinhamento com a proposta defendida no projeto conceitual.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?

V.A. – Os autores participaram de todo o desenvolvimento dos projetos e, durante este processo, muitas variações e ajustes ocorreram. Mesmo contando com uma ampla equipe multidisciplinar desde o início do projeto, as surpresas foram inevitáveis: diversos aspectos do patrimônio pré-existente só puderam ser revelados em etapas mais avançadas do projeto, quando puderam ser mobilizadas prospecções mais detalhadas, bem como testes in loco.

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?

V.A. – Tanto arquitetos quanto engenheiros projetistas acompanharam todo o processo de construção e implementação das obras, sempre em contato com a direção da escola e com a empresa responsável pelas obras. Diversas descobertas durante este processo impactaram o projeto inicial e cada uma delas foi debatida entre as partes para a definição da melhor solução. Cada uma das adaptações definida foi incorporada ao projeto.

MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?

V.A. – A economia de recursos e de tempo foi significativa. A maior parte dos espaços da escola encontra-se alocada sob as estruturas pré-existentes, o que facilitou a logística, dispensou etapas de obra e um considerável volume de novas construções. Alternativas para a melhor forma de aproveitamento dos galpões foram discutidas, mas, em nenhum momento, se cogitou a demolição destes.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

V.A. – Considero importante destacar que este projeto foi concebido como um plano diretor cujas etapas não foram ainda todas implementadas. Também posso relatar que, apesar de ter sido prevista a expansão dos espaços com o objetivo de acomodar um crescimento (previsto) na lotação, ainda assim tivemos demandas de alteração do projeto para um crescimento ainda maior, o que nos levou a considerar adaptações difíceis e as vezes conflitantes com os princípios do projeto original.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

V.A. – Sabendo do crescimento do número de estudantes acima do previsto inicialmente, talvez tivéssemos previsto maior área de crescimento. Mas, com relação ao partido adotado – que considera a preservação do parque construído como princípio norteador – não mudaria nada.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

V.A. – Entendo que a prática de adaptar edifícios para a acomodação de escolas não é fato incomum em nosso país. Talvez este projeto se destaque por inserir uma escola de ensino infantil e fundamental num contexto marcado por grandes construções industriais em um bairro tradicionalmente industrial.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

V.A. – Vale ressaltar que o partido adotado neste projeto foi construído a partir do diálogo direto e permanente com as dirigentes da escola e que a própria ideia da manutenção das edificações existentes está respaldada pela ideia de se explorar a história do lugar como importante elemento pedagógico, assim como a opção por deixar aparentes estruturas e instalações prediais está relacionada ao processo didático com que a escola está comprometida.


ficha técnica

Projeto: Beacon School – Campus

Localização: São Paulo – SP, Brasil
Ano do Concurso: 2016
Área do Terreno: 11.700 m²
Área Construída: 10.600 m²
Autores do projeto de intervenção: Andrade Morettin Arquitetos Associados: Vinicius Andrade, Marcelo Morettin, Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis. Guido Otero Arquitetura (Guido Otero) e Ricardo Gusmão Arquitetos (Ricardo Gusmão).
Equipe:  Guido Otero e Ricardo Gusmão: Marina Novaes, Marina Pereira, Murilo Zidan
Andrade Morettin: Adriane De Luca, Carlos Eduardo Miller, Eduardo Miller, Fernanda Carlovich, Fernanda Mangini, Jaqueline Lessa, Melissa Kawahara, Raphael Souza.
Estagiário: Guilherme Torres.

Estrutura: Stec Engenharia
Instalações: Gera Engenharia
Projeto Luminotécnico: Godoy Luminotecnia
Drenagem: Contag Engenharia
HVAC: Willem Scheepmaker & Assoc. Ltda.
Acústica: Alexandre Sresnewsky Acústica e Tecnologia
Paisagismo e Agronomia: Ricardo Vianna
Fundações: Apoio Assessoria e Projeto de Fundações
Pavimentação: LPE Engenharia
Construtora: Barbara Engenharia e Construtora
Design de Mobiliário: Novidário

Projeto: Beacon School – Ensino Médio

Localização: São Paulo – SP, Brasil
Ano de projeto: 2021
Ano de construção: 2023
Área do Terreno: 1.832 m²
Área construída: 3.100 m²
Autor do projeto de intervenção: Andrade Morettin Arquitetos Associados: Vinicius Andrade, Marcelo Morettin, Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis. Guido Otero Arquitetura (Guido Otero) e Ricardo Gusmão Arquitetos (Ricardo Gusmão)
Equipe: Daniel Zahoul, Izabel Sigaud, Ana Paula Silveira, Arthur Frensch, Maria Carolina Bomeny, Lucas Santos, Murilo Zidan, Raphael Souza, Fernanda Carlovich, Fernanda Mangini, Guilherme Torres Martins, Beatriz Dias, Cassio Peres, Clara Troia, Marina Pimenta, Rubens Torquato, Tomas Vannucchi e Victoria Afonso.
Estagiários: Julia Daher, Simone Shimada, Danielle Gregório, Ingrid Colares, Victoria de Almeida Leite, Arthur L. Falleiros, Arthur Klain, André Enrico, Amanda Cunha, Raquel Andrade, Gabriel Garcia, Mateus Paulichen, Yuji Murata, André Widmann, Nathália Pimenta, Revelly Céu, Marcos Cambuí, Suzana Hotz e Diniz Mbure.

Comunicação Visual: Nitsche Projetos Visuais (@nitschepv)
Estrutura de Concreto: Avila Engenharia de Estruturas
Estrutura de Madeira: ITA Engenharia em Madeira
Instalações: Gera Serviços de Engenharia
HVAC: Willem Scheepmaker & Assoc. Ltda.
Acústica: Alexandre Sresnewsky Acústica e Tecnologia
Cozinha: Estillo Arquitetura
Esquadrias de Alumínio: Arqmate
Fundações: Apoio Assessoria e Projeto de Fundações
Pavimentação: LPE Engenharia
Projeto Luminotécnico: Godoy Luminotecnica
Impermeabilização: Proassp Assessoria e Projetos S/C Ltda
Paisagismo e Agronomia: Ricardo Vianna
Construtora: Barbara Engenharia


Fotografia: Nelson Kon (fotos feitas do solo) e Alberto Ricci (fotos feitas com drone)
Contato: contato@andrademorettin.com.br


galeria


colaboração editorial

Cecília Ellen

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Edital PRPq 10/2024

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Retrofit do Edifício Castelo Branco

Por Andrade Morettin Arquitetos Associados + GOAA
BRASIL – Intervir no Construído
5–8 minutos

projeto executivo

PROJETO EXECUTIVO
ARQUITETÔNICO COMPLETO

10 pranchas (pdf).
3,19mb


Retrofit do Edifício Castelo Branco (texto fornecido pelos autores)

De presença marcante na paisagem do largo da Concórdia o edifício Castelo Branco encontrava-se subutilizado, sua fachada de dimensões monumentais e animada pelos seus brises móveis não refletia o abandono do seu interior.

Fotografia: Pedro Vannucchi

Se por um lado o movimento intenso da Av. Rangel Pestana dificulta a locação das grandes lajes de escritório, por outro produz tamanha valorização do posto comercial no térreo que impossibilita qualquer intervenção que acarretaria no seu fechamento.

Fotografias: Pedro Vannucchi

O projeto busca assim conciliar duas demandas: criar um acesso confortável e atrativo para os inquilinos das lajes de escritório e manter o acesso direto ao espaço de varejo localizado no térreo.

Plantas baixas: subsolo, térreo, pavimento tipo e cobertura

O resultado é um projeto elaborado com materiais reconhecíveis na paisagem da região, que possibilitassem uma construção rápida e limpa e criassem um espaço confortável.

Fotografias: Pedro Vannucchi

Aproveitando uma antiga rampa em desuso a nova entrada busca ser direta e generosa buscando captar a atenção do pedestre para o interior do prédio. Nos conjuntos de escritórios intervenções mínimas buscaram recuperar os acabamentos existentes dentro dos conjuntos. Foi mantido o piso de granilite existente na circulação e os caixilhos e brises recuperados para facilitar seu uso.

Maquete

Na cobertura propusemos a instalação de um pavilhão com estrutura de madeira que abrigaria um espaço para eventos e um restaurante. Este equipamento permite o acesso público à vista panorâmica e cria um espaço de contemplação no topo da metrópole paulistana.

Diagrama e fotografia: Pedro Vannucchi


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Vinicius Andrade

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

V.A. – A reforma e adaptação do edifício Castelo Branco se insere em um contexto em que a preocupação com a recuperação dos centros urbanos começa a ganhar força na cidade de São Paulo. Como arquitetos comprometidos com esta causa, percebemos neste projeto uma oportunidade para colocar em prática algumas estratégias que estivemos desenvolvendo nos 20 primeiros anos do escritório e, de alguma forma, contribuir para este processo.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto? (Concurso, licitação, contratação direta, outro)

V.A. – Esta é uma obra encampada por um cliente privado que nos procurou para o estabelecimento de uma parceria onde faríamos um esforço conjunto para viabilizar um tipo de intervenção que tinha pouca atratividade comercial, naquele momento.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?

V.A. – A pré-existência foi determinante para a conceituação e concepção deste projeto, afinal tratava-se, praticamente, de recuperar o edifício existente, proporcionando novas funcionalidades apenas em seu andar térreo. Se houve alguma complexidade conceitual, portanto, esta se concentrou no desafio de conciliar a estrutura existente – concebida para acomodar um monousuário – com um uso comercial mais popular, fracionado e multifacetado.

MDC Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?

V.A. – Realizou-se um processo de reconhecimento do edifício, contemplando os levantamentos cadastrais dos arquitetos, engenheiros estruturais e de infraestruturas prediais. Este material foi a base sobre a qual trabalhamos desde o princípio.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?

V.A. – Os autores participaram de todo o desenvolvimento dos projetos e, durante este processo, muitas variações e ajustes ocorreram. A compreensão completa do estado da edificação – sobretudo de suas instalações prediais – só foi alcançada durante o desenvolvimento do projeto e da realização das primeiras intervenções. A adequação do edifício às normas de segurança atualizadas representou um desafio particular que contou com a colaboração permanente dos engenheiros consultores e especialistas.

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?

V.A. – Tanto arquitetos quanto engenheiros projetistas acompanharam todo o processo de construção e implementação das obras, sempre em contato com os clientes e com a empresa responsável pelas obras. Diversas descobertas durante este processo impactaram o projeto inicial e cada uma delas foi debatida entre as partes para a definição da melhor solução. Cada uma das adaptações definida foi incorporada ao projeto.

MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?

V.A. – A economia de recursos e de tempo foi significativa. Em nenhum momento se cogitou a demolição do edifício uma vez que a própria natureza do empreendimento estava vinculada à recuperação do mesmo como meta.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício após a sua construção?

V.A. – Podemos destacar dois aspectos relevantes da vida do edifício após sua construção. As adaptações realizadas no térreo do edifício parecem ter sido perfeitamente absorvidas pelos comerciantes e frequentadores, fazendo com que o empreendimento se integrasse com sucesso no fluxo comercial das calçadas locais. Por outro lado, a ocupação de praticamente todos os pavimentos superiores por um único usuário, um “centro comercial indiano”, foi uma surpresa e, de certa forma, desconsiderou o trabalho de individualização dos conjuntos comerciais realizado pelo projeto.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

V.A. – Penso que o processo, da forma como ocorreu, teve mais acertos do que erros. Por outro lado, uma prospecção mais ampla com possíveis clientes ou parceiros interessados em ocupar o edifício, talvez fosse uma estratégia interessante para melhorar o processo.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

V.A. – Entendo que a prática de adaptar edifícios existentes e vazios nas áreas centrais das cidades é considerada uma estratégia vital para a qualificação das nossas cidades e promoção do bem-estar comum e, portanto, deveria ocupar um espaço maior no panorama da produção arquitetônica do país.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

V.A. – Este projeto trata da recuperação e adaptação de um edifício pré-existente. Chama a atenção o fato de estar vazio já há vários anos, mesmo inserido num Largo onde a presença de um comercio varejista especializado, popular e muito pujante, é marcante. Este fato nos fez refletir sobre o enorme potencial ainda não aproveitado, existente em nossos centros urbanos.  Foi para nós uma oportunidade única de conhecermos e aprendermos sobre as dinâmicas intrínsecas a este tipo de atividade econômica.


ficha técnica

Local: Brás. São Paulo, SP
Ano de projeto: 2015
Ano de construção: 2016
Área construída: 5.000,00m²
Autor do projeto original (preexistência): Jorge Wilheim
Autor do projeto de intervenção / reforma: Andrade Morettin Arquitetos Associados + GOAA
Colaboradores: Joana Mitre, Marina Novaes, Marina Pereira

Fotos: Pedro Vannucchi
Contato: contato@andrademorettin.com.br


galeria


colaboração editorial

Cecília Ellen

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Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Requalificação e Restauração da Praça do Terreiro de Jesus

Por Alexandre Prisco e Paulo Kalil
BRASIL – Projeto executivo
7–11 minutos

projeto executivo

EXECUTIVO COMPLETO
URBANIZAÇÃO, ILUMINAÇÃO, PAISAGISMO E DRENAGEM

16 pranchas (pdf).
3,12mb


Requalificação e Restauração da Praça do Terreiro de Jesus (texto fornecido pelos autores)

A Praça do Terreiro pertence ao desenho fundacional da cidade. A cidade de Salvador, naquela época, dividia sua centralidade entre a Cidade Baixa e a Cidade Alta, tendo, na primeira, a praia, o porto e seus armazéns; e, na segunda, o seu centro administrativo, político e religioso, assim como sua área residencial. A Praça Municipal era o núcleo central da Cidade Alta. Mais ao norte, na mesma cumeada, encontrava-se o Terreiro de Jesus. Ali, estava o antigo prédio do Colégio dos Jesuítas que, no século 19, passou a abrigar a Faculdade de Medicina da Bahia.

Era o maior centro de comunicações da cidade, como proclamava o periódico O Alabama: “Quem quiser saber da vida alheia, vá ao chafariz do Terreiro” (LIMA,1988). O chafariz a que se refere Lima (1988) é um trabalho em bronze feito na França em 1855. Representa a Deusa Ceres da Agricultura e faz parte de uma série de chafarizes implantados na cidade pela Companhia de Água do Queimado, inaugurada em 1857. Salvador foi a primeira cidade brasileira a ter uma concessionária de serviços de distribuição de água potável à população.

Figuras 1, 2 e 3: Fotografias antigas do local

Ao longo do tempo, várias reformas são realizadas na praça do Terreiro de Jesus, posteriormente denominado Praça 15 de novembro.

Em 1948, na gestão do prefeito José Wanderley de Araújo Pinho (1947/1951), é solicitado ao diretor geral do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), Rodrigo de Mello Franco de Andrade, a presença de Roberto Burle Marx na elaboração de projetos para praças e jardins de Salvador.

O projeto de reforma do Terreiro de Jesus, idealizado por Burle Marx a partir de 1948 e iniciado em maio de 1950, propunha a retirada de todo o piso existente e a incorporação de um novo desenho, de formas orgânicas, sinuosas, inovadoras para a cidade e até então pouco conhecidas em projetos de praças no país. Cabe, inclusive, corrigir a bibliografia existente sobre a obra, que aponta 1952 como o ano de elaboração do projeto.

Em outros projetos dessa época Burle Marx utiliza os mesmos princípios, como na Praça de Cataguazes, em Minas Gerais, na Praça Santos Dumont e Largo do Machado, no Rio de Janeiro, sendo o Terreiro de Jesus, o primeiro no Nordeste.

Projeto de Burle Marx e foto antiga do local

O material utilizado no piso, como a pedra portuguesa, os seixos rolados pretos e as conchas da região, assim como a permanência do chafariz existente na praça, reforçariam a identidade do lugar. A sua proposta de um coreto móvel, retirado quando assim se desejasse, e da criação de apenas um canteiro com plantas transformaria o Terreiro em um espaço de encontro das pessoas, e não apenas em local de passagem. Os bancos previstos no projeto seriam dispostos sob as árvores para aproveitamento da sombra existente.

Para Burle Marx, a preocupação com a preservação do patrimônio histórico e cultural e com a manutenção da vegetação existente na elaboração de seus projetos era “também um critério que envolve conhecimento e sensibilidade ”, como afirma Flávio Motta (1986, p. 100) ao se referir ao projeto de 1954 para a Praça do Largo do Machado no Rio de Janeiro, onde foram preservadas e valorizadas as árvores existentes.

Fotografia: Leonardo Finotti

A análise da situação atual e do histórico sugere os seguintes destaques:

1 – A caracterização primordial enquanto local de passagem e, de forma marginal, enquanto local de permanência.

2 – O processo natural e recorrente em todas as cidades, tal como um palimpsesto, onde as “camadas” históricas dos diversos períodos de sua evolução se superpõem. Nesse caso em tela, não foi diferente, diversas transformações ocorreram no espaço, inclusive com mudanças conceituais do estilo de praça, onde os espaços “secos” próprios do período colonial, deram lugar a espaços mais verdes e sombreados, a partir da segunda metade do século XIX.

3 – A importância de Burle Marx no cenário mundial do paisagismo e, por consequência, o que representa para Salvador o seu projeto para o Terreiro de Jesus, único trabalho público realizado na cidade. 

4 – A intensa presença de ambulantes e significativa ocorrência de eventos de portes variados, com suas estruturas efêmeras amplamente danosas à manutenção do espaço físico e também espacial.

5 – A perda das suas qualidades urbanísticas e paisagísticas, principalmente, a partir da precariedade funcional (ocupações) e física, onde uma grande confusão visual é o destaque da percepção de qualquer observador.

Fotografias fornecidas pelos autores

Diante de tais constatações, foram estabelecidas as seguintes diretrizes projetuais:

1- em função da qualificação das intervenções já ocorridas na praça, entendeu-se que o melhor caminho a ser utilizado numa proposição de requalificação do espaço atual seria o resgate de algum período histórico onde as funcionalidades e qualidades paisagísticas estivesse presentes, através de um recorte temporal.

2- A escolha pelo resgate do projeto de Burle Marx em detrimento de um recorte temporal relacionado à praça do período colonial se justifica em função de:

. ser uma proposta de praça mais compatível com as necessidades atuais em que um ambiente de convívio e permanência deve se superpor ao espaço de trânsito de pessoas;

. ser um projeto em uma área pública da cidade realizado pelo mais importante paisagista brasileiro e um dos maiores do século 20 no mundo, e ainda por ser o único trabalho dele na cidade. Há também a importância histórica por ser o primeiro desenho orgânico, sinuoso, inovador, característico do Modernismo, realizado no Nordeste.

Planta de situação

Dadas as diretrizes, as principais intenções projetuais para o resgate do projeto de Burle Marx com as atualizações funcionais e paisagísticas necessárias foram:

1 – A reintrodução do canteiro com jardim de formas sinuosas, na parte sudeste da praça. O desenho original é reintroduzido, assim como as espécies vegetais propostas.

2 – A recuperação e o resgate do calçamento proposto, onde os desenhos são refeitos fidedignamente, além dos seus formatos, cores e tipos de pedra.  Exceção feita ao método construtivo na execução da faixa de conchas.

3 – A remoção do gradil que circunda a fonte, devolvendo para a cidade e usuários da praça o contato direto com esse belo equipamento público.

Embora emblemático, entendemos que o projeto de Burle Marx, precisa passar por algumas modificações que possibilitem sua adaptação às demandas atuais. Nesse sentido, novas ações projetuais foram previstas, tais como:

. a introdução de rampas curvas nas esquinas da praça, permitindo acessibilidade mais franca e próxima às principais linhas de fluxo de pedestres que chegam ao Terreiro;

. a eventual atualização do mobiliário proposto originalmente e de caixas do piso. O mobiliário urbano deve ser contemporâneo desde que considere a “alma” dos elementos propostos por Burle Marx;

. o resgate parcial da arborização proposta originalmente, com o plantio das árvores e palmeiras previstas, proporcionando um significativo aumento da área sombreada da praça e, portanto, da área condizente com a permanência das pessoas. Nesse sentido, foi proposto o plantio de palmeiras imperiais e o transplante das palmeiras reais existentes para outras áreas públicas da cidade. Foi proposta também modificação da implantação de algumas árvores situadas no cone de visão entre a Igreja de São Francisco e a Catedral Basílica, dois dos mais importantes exemplares da arquitetura religiosa da cidade.

Fotografias: Leonardo Finotti


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Alexandre Prisco

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

A.P. – Essa obra é fruto de uma de diversas parcerias que construímos com colegas parceiros, arquitetos ou profissionais de outras áreas. O projeto em tela foi objeto da dissertação de mestrado do arquiteto paisagista Paulo Kalil. Quando a licitação foi lançada, ele nos convidou a participar junto com ele.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

A.P. – Licitação.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

A.P. – Não, porque se tratou de uma atualização, digamos assim, do projeto original de Burle Marx. Em relação ao projeto original, muito do que foi projetado foi restaurado; outros itens, como rampas e mobiliário urbano, foram introduzidos; e poucos foram alterados: destaco o reposicionamento das árvores projetadas por Burle Marx para desobstruir a visão entre a Igreja de São Francisco e a Catedral Basílica da cidade, legado importante a ser preservado da cidade fundacional, típico da cidade portuguesa.

MDC Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores?

A.P. – Sim, claro! Sobretudo paisagismo e iluminação.

MDC – Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, pode comentar as mais importantes?

A.P. – Não.

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

A.P. – Sim, tivemos. Destacaria a validação das pedras de pavimentação, sobretudo o seixo rolado preto e as conchas de marisco.

MDC -Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

A.P. – A obra propiciou espaços de descanso, convivência e contemplação.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

A.P. – Creio que não.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

A.P. – O mais importante, foi recuperar um dos primeiros projetos deste mestre da arquitetura paisagística mundial e disponibilizá-lo para o uso dos cidadãos soteropolitanos e turistas.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

R.G. – No aspecto positivo: o interesse da municipalidade em resgatar esse projeto respeitando sua história e valor arquitetônico; e a satisfatória qualidade na execução da obra, muitas vezes incomum em Salvador. No aspecto negativo, a falta de conservação da gestão pública e de alguns dos permissionários do comércio informal que danificam o patrimônio público.


ficha técnica

Local: Pelourinho – Salvador, BA
Ano de projeto: 2018
Ano de construção: 2019
Arquitetura: Alexandre Prisco e Paulo Kalil
Colaborador: Rodrigo Motta


Iluminação cênica:
Leonardo de Castro Harth – Arquiteto e Urbanista
Drenagem: Ajax Lopes Sampaio Pedreira – Engenheiro Civil
Paisagismo: Paulo Costa Kalil – Arquiteto e Urbanista
Construtor: Pejota Construções


Fotos:  Leonardo Finotti
Contato: alexandreprisco@aeparquitetura.com


Exposições: Revista Compasses / Andrea Pane


galeria


colaboração editorial

Cecília Ellen

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Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Pasajes Residenciales

Por El Taller de (S)
COLÔMBIA – Projeto executivo
15–22 minutos

Pasaje Las Cruces

Pasaje La Garza

Pasaje Trofeos

projeto executivo


PASAJE LAS CRUCES:
11 formatos (pdf).
12,80mb


PASAJE LA GARZA:
16 formatos (pdf).
14,20mb


PASAJE TROFEOS:
6 formatos (pdf).
19,00mb


Pasajes Residenciales (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

Reconocida en sus inicios como “la Calle Real”, la Carrera Séptima se traza como el eje principal de Bogotá y, a lo largo del tiempo, ha sido la encargada de tejer la ciudad de Sur a Norte. En su trayecto se alzan los puntos más icónicos de esta urbe, lo que le otorga un fuerte simbolismo.

En 1948, el Bogotazo devasta el centro histórico y genera una ruptura urbana estableciendo dos marcados polos, el Sur y el Norte. La histórica interacción entre las que fueron las plazas más importantes de la ciudad colonial, la Plaza Bolivar y la Plaza de Las Cruces (antigua Plaza de Armas), queda interrumpida. Entorno a la primera, se alza una barrera de edificios gubernamentales que dan la espalda al barrio de Las Cruces, fomentando así su estigmatización y olvido.

Pasajes Residenciales forma parte de una serie de acciones estratégicas que buscan rescatar la conexión entre ambos lados de la ciudad. Unido a la recuperación del sistema hidráulico de la fuente de la Garza, es una apuesta para la regeneración de este sector fuertemente deteriorado.

Reconhecida em seus primórdios como “Calle Real”, a Carrera Séptima traça-se como o eixo principal de Bogotá e, ao longo do tempo, foi responsável por tecer a cidade de Sul a Norte. Em seu percurso, erguem-se os pontos mais icônicos desta metrópole, o que lhe confere um forte simbolismo.

Em 1948, o Bogotazo devasta o centro histórico e provoca uma ruptura urbana, estabelecendo dois polos marcados: o Sul e o Norte. A histórica interação entre o que foram as praças mais importantes da cidade colonial — a Plaza Bolívar e a Plaza de Las Cruces (antiga Plaza de Armas) — é interrompida. Ao redor da primeira, ergue-se uma barreira de edifícios governamentais que voltam as costas para o bairro de Las Cruces, fomentando assim sua estigmatização e abandono.

Pasajes Residenciales faz parte de uma série de ações estratégicas que buscam resgatar a conexão entre ambos os lados da cidade. Juntamente com a recuperação do sistema hidráulico da fonte da Garça, representa uma aposta para a regeneração deste setor profundamente deteriorado.

Mapa de situação dos projetos de Pasaje Residenciales

El proyecto está formado por tres edificios de vivienda de bajo costo, que se adaptan a una tipología histórica que estaba desapareciendo, los pasajes; y que conforman el perfil urbano existente. Esta intervención demuestra que es posible volver a habitar el barrio, respetando la historia de Las Cruces, y también recuperar la Carrera Séptima como la columna vertebral de la ciudad.

O projeto é formado por três edifícios de habitação de baixo custo, que se adaptam a uma tipologia histórica em extinção, os “pasajes” ou as passagens — e que configuram o perfil urbano existente. Essa intervenção demonstra que é possível voltar a habitar o bairro, respeitando a história de Las Cruces e, ao mesmo tempo, recuperar a Carrera Séptima como coluna vertebral da cidade.

Fotografia: Enrique Guzman

Colombia tiene un déficit de vivienda superior a dos millones de unidades residenciales por año. La respuesta que las grandes compañías inmobiliarias han dado a esta situación ha sido la creación de bloques de vivienda económica, donde se superpone la rentabilidad inmobiliaria a la calidad arquitectónica y el bienestar de quien los habita. Por consiguiente, el objetivo principal del proyecto es demostrar que la construcción de bajo costo y la arquitectura de alta calidad pueden ir de la mano.

Para ello, se proponen tres variaciones arquitectónicas que se adaptan al tejido urbano existente: Un catálogo de posibilidades que impulsa la generación de nueva vivienda en Las Cruces sin perder su carácter histórico.

A Colômbia tem um déficit habitacional superior a dois milhões de unidades residenciais por ano. A resposta dada pelas grandes empresas imobiliárias tem sido a criação de blocos de moradias econômicas, em que a rentabilidade imobiliária se sobrepõe à qualidade arquitetônica e ao bem-estar dos moradores. Por isso, o objetivo principal do projeto é demonstrar que construção de baixo custo e arquitetura de alta qualidade podem caminhar juntas.

Para isso, são propostas três variações arquitetônicas que se adaptam ao tecido urbano existente: um catálogo de possibilidades que estimula a geração de novas moradias em Las Cruces sem perder seu caráter histórico.

Las Cruces: Plantas

Fotografia: Enrique Guzman (Las Cruces)

El proyecto mantiene la escala humana característica del sector. Para ello,  en contraposición a los edificios masivos y homogéneos que caracterizan la vivienda económica de Bogotá, se recurre a estrategias formales como los cambios de altura, juegos de luces y sombras, los reflejos y los juegos de perspectiva, así como proyectar el vacío como espacio esencial en cada uno de los tres edificios. Cada una de las intervenciones es una demostración de las variaciones espaciales logradas con las anteriores estrategias.

O projeto mantém a escala humana característica do local. Para tanto, em contraposição aos edifícios massivos e homogêneos que caracterizam a habitação econômica em Bogotá, recorre-se a estratégias formais como variação de alturas, jogos de luz e sombra, reflexos, efeitos de perspectiva e o desenho do vazio como espaço essencial em cada um dos três edifícios. Cada uma das intervenções é uma demonstração das variações espaciais obtidas por meio dessas estratégias.

Fotografia: Enrique Guzman, Taller de S (La Garza)

El logro del proyecto Pasajes Residenciales ha sido crear, con un presupuesto reducido, una vivienda digna y profundamente humana, que se integra de forma sutil en un contexto con valor patrimonial y gran potencial urbano.

Pasajes Residenciales es un proyecto de presupuesto reducido (800$/m2) cuyo principal interés es mostrar que es posible dignificar la vivienda de bajo costo en Bogotá.

O êxito do projeto Pasajes Residenciales foi criar, com um orçamento reduzido, uma habitação digna e profundamente humana, que se integra de forma sutil em um contexto de valor patrimonial e com grande potencial urbano.

Pasajes Residenciales trata-se de um projeto com orçamento reduzido (800 US$/m²), cujo principal interesse é mostrar que é possível dignificar a moradia de baixo custo em Bogotá.

Trofeos: Corte Longitudinal, Corte Tranversal e Fachada

Los tres edificios que conforman el proyecto entienden y se integran en el barrio popular en el que se encuentran. Mientras los grandes conjuntos de vivienda que actualmente se construyen en Bogotá se cierran en sí mismos con el pretexto de garantizar seguridad, Pasajes Residenciales, en búsqueda de la recuperación del sector, se abre a la calle y crea ciudad. La elección de mantener la tipología existente posibilita la conformación del perfil urbano y la creación de comercio en la planta baja lo cual reactiva la vida de barrio.

En el interior, una de las estrategias para lograr calidad arquitectónica con bajo presupuesto ha sido entender el vacío como parte esencial del proyecto. El diseño de cada uno de los patios interiores logra, no solo obtener riqueza espacial, sino ofrecer una gran variedad de maneras de habitarlo: se intercalan espacios contemplativos y silenciosos con lugares de encuentro y recreación.

Os três edifícios que compõem o projeto compreendem e se integram ao bairro popular em que se encontram. Enquanto os grandes conjuntos habitacionais atualmente construídos em Bogotá se fecham em si mesmos sob o pretexto de garantir segurança, Pasajes Residenciales, buscando a recuperação da área, abre-se para a rua e cria cidade. A decisão de manter a tipologia existente possibilita a preservação do perfil urbano e a criação de comércio no térreo, o que reativa a vida do bairro.

No interior, uma das estratégias para alcançar qualidade arquitetônica com baixo orçamento foi compreender o vazio como parte essencial do projeto. O desenho de cada um dos pátios internos consegue não apenas oferecer riqueza espacial, mas também proporcionar uma grande variedade de formas de vivenciá-los: intercalam-se espaços contemplativos e silenciosos com áreas de encontro e recreação.

Fotografia: Enrique Guzman (Trofeos)

El espacio privado está formado por gran diversidad de viviendas, un abanico de posibilidades abiertas a las necesidades de sus habitantes. Esto garantiza una heterogeneidad vecinal que enriquece la vida comunitaria. Son viviendas con relación directa a los patios y jardines y con visuales lejanas a la ciudad y a las montañas pero, sobre todo, son espacios que dan posibilidad de una vida privada y digna.

O espaço privado é formado por uma grande diversidade de moradias, um leque de possibilidades que se abre às necessidades de seus habitantes. Isso garante uma heterogeneidade de vizinhança que enriquece a vida comunitária. São habitações com relação direta aos pátios e jardins e com vistas longínquas para a cidade e as montanhas, mas, acima de tudo, são espaços que oferecem a possibilidade de uma vida privada e digna.

La Garza: Plantas nível 0 e Planta Tipo

La Garza: Fachada e Corte


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Santiago Pradilla (S.P.)

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

S.P. – Esta obra se sitúa en un lugar único y particular dentro de nuestra producción del taller, ya que de alguna manera nos llevo a entender y profundizar sobre la identidad y la escala barrial. Veníamos trabajando mas la arquitectura como pieza suelta y es en este proyecto que entendemos la importancia y responsabilidad de construir lo urbano y lo social. Es así como llegamos a tres piezas sueltas dentro de un mismo barrio y a la reconstrucción del sistema hidráulico de la fuente de la Garza que se encuentra en la plaza central de este y que alguna vez fue la Plaza de Armas. 

El proyecto aparece en un momento en el que la vivienda social solo se ofrece en proyectos en la periferia de la ciudad mas no en los centros consolidados y en proyectos por lo general de otra escala mucho más grande.

Esta obra se situa em um lugar único e particular dentro da nossa produção no ateliê, pois, de alguma forma, nos levou a entender e aprofundar sobre a identidade e a escala do bairro. Vínhamos trabalhando mais a arquitetura como peça isolada e foi neste projeto que entendemos a importância e a responsabilidade de construir o urbano e o social. Foi assim que chegamos a três peças soltas dentro de um mesmo bairro e à reconstrução do sistema hidráulico da fonte da Garça, que se encontra na praça central deste bairro e que, em algum momento, foi a Praça de Armas.

O projeto surgiu em um momento em que a habitação social só era oferecida em empreendimentos na periferia da cidade, mas não nos centros consolidados e, geralmente, em projetos de outra escala, muito maior.


MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto? (Licitación, concurso, contratación directa, otro)
Como foi o mecanismo de contratação do projeto? (Licitação, concurso, contratação direta, outro)

S.P. – En el taller de Santiago y Sebastián trabajábamos desde la contratación directa, esto con el ánimo de lograr gestionar y diseñar un objetivo de proyecto que estaba en las antípodas de lo que las grandes constructoras están construyendo. Esto además nos daba la ventaja de tener incidencia sobre los tiempos y presupuestos de las obras, logrando así atención a las ideas y detalles esenciales para lograr un buen proyecto de arquitectura.

No ateliê de Santiago e Sebastián, trabalhávamos a partir de contratação direta, com o intuito de conseguir gerir e projetar algo que estava nos antípodas do que as grandes construtoras estavam construindo. Isso também nos dava a vantagem de ter influência sobre os prazos e orçamentos das obras, garantindo assim atenção às ideias e aos detalhes essenciais para se alcançar um bom projeto de arquitetura.

MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

S.P. – El momento en el que entendemos que más que comprar tres lotes juntos para englobar y hacer un solo proyecto hay que hacer tres ejercicios distintos, como quien produce un catálogo de opciones que puede ser replicado en todos los otros predios que son de características similares. Y al mismo tiempo tener mucho mas impacto en lo urbano. Este catalogo de opciones nos llevo a tener diferentes ideas en cada pasaje y a reinterpretar la idea de pasaje.

O momento em que entendemos que, mais do que comprar três terrenos juntos para unificá-los e fazer um único projeto, era preciso realizar três exercícios distintos — como quem produz um catálogo de opções que pode ser replicado em todos os outros lotes de características semelhante. Ao mesmo tempo, isso nos permitiu ter muito mais impacto no urbano. Esse catálogo de opções nos levou a diferentes ideias em cada passagem e a reinterpretar a própria ideia de passagem.

MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderia comentar as mais importantes?

S.P. – Realmente el proceso de diseño comenzó con la investigación de sistemas constructivos de bajo costo por parte de los ingenieros estructurales, los cuales nos mostraron diferentes posibilidades. Entendiendo el bajo presupuesto con el que contábamos decidimos resaltar el sistema estructural y ser muy honestos con su material y posibilidades.  

La arquitectura mas interesante que se nos ocurre es aquella que trabaja con la complejidad misma de hacer un edificio.  Construir lo que diseñamos es un lujo que permite muchas cosas. Así mismo gestionar lo que diseñamos te permite escoger los técnicos y el equipo con el que quieres trabajar.

Na verdade, o processo de projeto começou com a pesquisa de sistemas construtivos de baixo custo feita pelos engenheiros estruturais, que nos apresentaram diferentes possibilidades. Entendendo o baixo orçamento de que dispúnhamos, decidimos destacar o sistema estrutural e ser muito honestos com seu material e suas possibilidades.

A arquitetura mais interessante que conseguimos imaginar é aquela que trabalha com a própria complexidade de fazer um edifício. Construir o que projetamos é um luxo que permite muitas coisas. Do mesmo modo, gerir o que projetamos nos permite escolher os técnicos e a equipe com quem queremos trabalhar.


MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

S.P. -El mismo equipo que diseña el proyecto es aquel que construye, claramente con un equipo de obra que ejecuta el trabajo pesado, pero la obra la ejecutamos nosotros, y esto nos dio la libertad de influir sobre los detalles y calidad de esta.

A mesma equipe que projeta é a que constrói, contando com um time de obra que executa o trabalho pesado, mas a obra foi conduzida por nós, o que nos deu liberdade para influir nos detalhes e na qualidade da obra.

MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

S.P. – La Diversidad.  Ver las primeras asambleas de copropietarios resultaban súper interesantes por la altísima diversidad de personas que compraron las unidades. Pues al final conviven un rapero tradicional del barrio,  extranjeros, escoltas, funcionarios públicos,  artistas plásticos y bueno, gente de distintos contextos culturales y económicos que al final están ligados al centro de Bogotá por múltiples razones.

A diversidade. Ver as primeiras assembleias de condomínio foi extremamente interessante devido à enorme diversidade de pessoas que compraram as unidades. Ao final, convivem um rapper tradicional do bairro, estrangeiros, seguranças particulares, funcionários públicos, artistas plásticos e, bem, pessoas de diferentes contextos culturais e econômicos que, no fim, estão ligadas ao centro de Bogotá por múltiplas razões.

MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

S.P. – Uno de los ajustes que tendríamos en cuenta es el tamaño de los locales comerciales y el valor de estos. Fueron las únicas unidades que se dificultaron en ventas y que sufrió la transformación de la Carrera 7 y esto bajó los flujos peatonales. No todo lo comercial en primera planta funciona bien y creemos que la vivienda en primer piso hacia la calle podría ser un ajuste adicional que haríamos diferente. 

Um dos ajustes que consideraríamos é o tamanho e o valor das lojas. Foram as únicas unidades que tiveram dificuldade de venda e que sofreram com a transformação da Carrera 7, o que reduziu o fluxo de pedestres. Nem todo comércio no térreo funciona bem, e acreditamos que habitações no piso térreo voltadas para a rua poderiam ser um ajuste adicional que faríamos de forma diferente.

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

S.P. – El premio de la bienal y luego el premio nacional de arquitectura ratificaron varias hipótesis importantes que hoy en día se discuten en la academia y en el sector público.  Lo primero con la definición de ¿que es una vivienda social ? Aparentemente no es solo un tema de precio como lo dice la norma…

Otras hipótesis sobre el mercado, hay gente dispuesta a vivir sin carro, dispuesta a tener menos “amenities” pero a cambio tener otras ventajas,  y quizá lo mas interesante es como un proyecto puede impactar tanto un barrio y una ciudad. El cambio y la transformación es lenta, pero el proyecto le dio la primera vuelta a una rueda que comenzó a transformar un barrio. Que alegría ver como se han seguido los pasos de este proyecto por otros arquitectos, otras constructoras y sobretodo, por el mundo de la academia y del sector publico.

O prêmio da Bienal e, depois, o Prêmio Nacional de Arquitetura ratificaram várias hipóteses importantes que hoje em dia são discutidas na academia e no setor público. A primeira diz respeito à definição de “o que é habitação social?”. Aparentemente, não é apenas uma questão de preço, como define a norma.

Outras hipóteses sobre o mercado: há pessoas dispostas a viver sem carro, dispostas a ter menos amenidades em troca de outras vantagens. E, talvez, o mais interessante seja como um projeto pode impactar tanto um bairro e uma cidade. A mudança e a transformação são lentas, mas o projeto deu a primeira volta a uma engrenagem que começou a transformar um bairro. É uma alegria ver como este projeto inspirou outros arquitetos, outras construtoras e, sobretudo, o mundo acadêmico e o setor público.


MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

S.P. – La Garza. Recuperar esa fuente con un proyecto de arte fue definitivamente una forma interesante y bonita de incluir a la comunidad del barrio y su patrimonio, un barrio que definitivamente estaba en el olvido. El poder simbólico de ver esa fuente con agua casi 50 años después es difícil de explicar.

A Garça. Recuperar essa fonte com um projeto de arte foi, definitivamente, uma forma bonita e interessante de incluir a comunidade do bairro e seu patrimônio — um bairro que estava, sem dúvida, esquecido. O poder simbólico de ver aquela fonte com água, quase 50 anos depois, é difícil de explicar.


ficha técnica

Local: Las Cruces, Bogotá D.C, Colombia
Ano de projeto/ Ano de finalização: 2017
Área bruta construída: 4500 m²
Arquitetura: El taller de S (Sebastián Serna y Santiago Pradilla)
Colaboração: Laura Cadavid, Bernardo Muñoz, Juan Sebastian Vasquez, Laura Vispe


Constructores:
El taller de S / Inversiones John Galt
Premios, exposiciones, concursos en los que ha participado la obra: Bienal Colombiana de arquitectura 2018: Categoría Hábitat Social – Premio Germán Samper Gnecco / Premio Cemex Colombia – 2019 -Categoría vivienda de interés social / Premio Cemex internacional / MCHAP 2018 outstanding

Fotos: Enrique Guzman, Taller de S – Espacio en blanco


galeria Pasaje Las Cruces

galeria Pasaje La Garza

galeria Pasaje Trofeos


colaboração editorial

Laura Valadares + Aloísio Silva

Os editores agradecem a arquiteta e professora Fernanda Neiva pela indicação destas obras.

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PRADILLA, Santiago. SERNA, Sebastián. “Pasajes Residenciales”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jan-2026. Disponível em https://mdc.arq.br/2026/01/12/pasajes-residenciales/. Acesso em: [incluir data do acesso].

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P4402 – Vivienda Colectiva

Por Estudio Arqtipo
ARGENTINA – Projeto Executivo
12–18 minutos

projeto executivo


EXECUTIVO COMPLETO
5 formatos (pdf).
1,75 mb


P4402 – Vivienda Colectiva (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

P4402 es un edificio de vivienda colectiva que se encuentra ubicado en el barrio de Saavedra en la salida de la Av. Donado, más precisamente, en el cruce de la Av. Gral. Paz y Panamericana. Posee seis unidades habitativas en un pequeño lote de esquina de 8×14 mts. emplazado en una manzana atípica con las limitaciones propias de la zonificación R2 B1 de un tejido residencial medio y que además cuenta con la posibilidad de construir en la totalidad del predio.

P4402 é um edifício de habitação coletiva localizado no bairro de Saavedra, na saída da Av. Donado, mais precisamente no cruzamento entre a Av. General Paz e a Panamericana. O projeto conta com seis unidades habitacionais implantadas em um pequeno lote de esquina de 8×14 metros, situado em uma quadra atípica, com as limitações próprias da zona R2 B1 — um tecido residencial de densidade média — e que, além disso, permite a construção em toda a extensão do terreno.

Fotos: Frederico Kulekdjian

El edificio intenta completar el máximo volumen construible proponiendo un contundente bloque de hormigón conformado por una serie de planos horadados que reconstruye una volumetría exterior, generando expansiones permeables hacia el perímetro de la fachada, incluida la terraza que permite la entrada de luz al interior de los espacios comunes del edificio.

O edifício busca ocupar o máximo volume edificável, propondo um bloco de concreto contundente, conformado por uma série de planos perfurados que recompõem uma volumetria exterior. Essa configuração gera expansões permeáveis voltadas para o perímetro da fachada, incluindo a cobertura, que permite a entrada de luz natural nos espaços comuns do edifício.

Fotos: Frederico Kulekdjian

Detalhe: Fachada

El bloque posee cuatro niveles de altura y se propone hacia el exterior como una configuración sintética a partir de una envolvente mono-material, que permite indagar a través de una experimentación morfológica con una serie de operaciones de socavados, perforaciones, adiciones y escisiones del volumen. Dichas operaciones generan situaciones diversas que aportan cualidades espaciales calibradas que permiten diversificar las unidades habitativas.

O bloco possui quatro pavimentos de altura e se volta para o exterior como uma configuração sintética, a partir de uma envoltória de material único, que possibilita a investigação por meio de uma experimentação morfológica com uma série de operações de escavações, perfurações, adições e cisões do volume. Essas operações geram situações diversas que proporcionam qualidades espaciais calibradas, permitindo a diversificação das unidades habitacionais.

Plantas do térreo, pavimentos e corte

Estos procedimientos, en conjunción con la búsqueda de una experimentación material y sensible, intentan proporcionar una espacialidad interior vital, filtrando la luz a espacios tanto privados como semipúblicos, en los distintos momentos del día.

Esses procedimentos, em conjunto com a busca por uma experimentação material e sensível, têm como objetivo proporcionar uma espacialidade interior vital, filtrando a luz para espaços tanto privados quanto semipúblicos, nos diferentes momentos do dia.

Fotos: Frederico Kulekdjian

La estructura y envolvente exterior se ejecutó en hormigón elaborado in-situ, conformando una piel con ciertos grados de permeabilidad, que se materializó con un encofrado de maderas dispuestas horizontalmente. Las operaciones de socavados se ejecutaron de forma variable permitiendo alternancias y gradientes de luminosidad y opacidad.

Las medianeras, los interiores comunes y los andariveles de servicios se ejecutaron con ladrillos comunes seleccionados, que quedan a la vista con junta enrasada, proponiendo un interior de texturas muy diferente al exterior.

A estrutura e a envoltória exterior foram executadas em concreto moldado in-situ, formando uma “pele” com certos graus de permeabilidade, materializada com fôrmas de madeira dispostas horizontalmente. As operações de escavação foram realizadas de forma variável, permitindo alternâncias e gradientes de luminosidade e opacidade.

As empenas cegas laterais, os espaços comuns interiores e os corredores de serviços foram feitos com tijolos comuns selecionados, que ficam à vista com juntas niveladas, propondo um interior com texturas bem diferentes daquelas do exterior.

Fotos: Frederico Kulekdjian

En el proyecto nos propusimos elaborar una investigación material, en la que el usuario experimente una atmósfera no convencional, algo así como un continuo filtrado de luz, de relaciones espaciales del edificio y de sus cualidades materiales.

Como síntesis organizativa la propuesta se organiza en relación a una serie de andariveles concéntricos. El andarivel exterior es el que contiene los usos de espacios para cocinar, de guardado y de expansiones cubiertas o semicubiertas. El andarivel intermedio es donde se desarrollan los usos de estar, de dormir y de estudiar, el cual es el menos determinado de ellos. Por último, el andarivel interior es el que está destinado a resolver los servicios, privados y de aseo. El andarivel exterior es el que promueve una diversidad morfológica, cuando se desplaza según los niveles, y genera una fachada particular provocando un engrose en el espesor en fachada que acentúa la contundencia del bloque de hormigón mono-material.

No projeto, nos propusemos a realizar uma investigação material, na qual o usuário experimente uma atmosfera não convencional, algo como um contínuo filtrado de luz, de relações espaciais do edifício e de suas qualidades materiais.

Como síntese organizativa, a proposta se estrutura em relação a uma série de anéis concêntricos. O anel exterior abriga os usos de cozinhar, armazenar e as áreas de expansão cobertas ou semicobertas. O anel intermediário é onde se desenvolvem os usos de estar, dormir e estudar, sendo o menos determinado deles. Por fim, o anel interior é destinado aos serviços, áreas privadas e de higiene. O anel exterior é o que promove diversidade morfológica ao deslocar-se segundo os níveis, gerando uma fachada particular produzindo uma profundidade ampliada, o que acentua a contundência do bloco mono-material de concreto.

Diagrama: Isométrica

Todas las unidades habitativas poseen sus lugares de expansión (balcones y terrazas) pertinentes, que se disponen entorno a los espacios de habitación, quedando un núcleo en el centro del predio destinado a los medios de salida y los servicios, que se iluminan cenitalmente a partir de huecos sobre la azotea.

El proyecto interpela ciertas posibilidades tipológicas y programáticas (con algún grado de indeterminación), proponiendo que las unidades en doble altura puedan ser completadas, o bien que puedan ser utilizadas como ámbitos de trabajo o ateliers.

Todas as unidades habitacionais possuem seus espaços de expansão (varandas e terraços), que são dispostos ao redor dos espaços de habitação, deixando um núcleo no centro do terreno destinado aos elementos de circulação e aos serviços, que são iluminados de forma zenital através de aberturas sobre o telhado.

O projeto investiga certas possibilidades tipológicas e programáticas (com algum grau de indeterminação), propondo que as unidades com pé-direito duplo possam ser completadas posteriormente ou, ainda, utilizadas como espaços de trabalho ou ateliês.

Foto: Frederico Kulekdjian


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Estudio ARQTIPO

MDC – ¿Cómo sitúan esta obra en el contexto de toda su producción?
Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

E.A.T. – Cuando pensamos en P4402 teníamos la necesidad de hacer un proyecto austero.
Siendo una obra relativamente pequeña, y de recursos materiales ciertamente mínimos, se propuso como una investigación de sistematización horadaciones en la masa a partir de operaciones morfológicas, que promovieran inesperadas espacialidades y se puedan reconocer ciertas relaciones estructurales a partir sus elementos dentro de un sistema unitario.

Quando pensamos no P4402, tínhamos a necessidade de fazer um projeto austero. Sendo uma obra relativamente pequena e com recursos materiais bastantes mínimos, ela foi proposta como uma investigação de sistematização de perfurações na massa a partir de operações morfológicas, que promovessem espacialidades inesperadas e permitissem reconhecer certas relações estruturais a partir de seus elementos dentro de um sistema unitário.

MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

E.A.T. – El proceso de contratación de este proyecto fue por contratación directa.
O processo de contratação deste projeto foi por contratação direta.

MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podrían destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

E.A.T. – Nos encontramos en el desafío de construir en un pequeño lote de esquina de 8×14 mts. emplazado en una manzana atípica con las limitaciones propias de la zonificación R2 B1 de un tejido residencial medio, que además contaba con la posibilidad de construir en la totalidad del predio. Frente a esto, decidimos materializar una pieza monolítica de hormigón que tiene una serie de perforaciones, reguladas según orientación y programa, para establecer diferentes zonas de densidad en el muro que envuelve su silueta.

Nos deparamos com o desafio de construir em um pequeno lote de esquina de 8×14 metros, localizado em uma quadra atípica, com as limitações próprias da zona R2 B1 de um tecido residencial médio, que ainda contava com a possibilidade de construir em toda a extensão do terreno. Diante disso, decidimos materializar uma peça monolítica de concreto, que possui uma série de perfurações, reguladas de acordo com a orientação e o programa, com o objetivo de estabelecer diferentes zonas de densidade no muro que envolve sua silhueta.

MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿pueden comentar las más relevantes?

Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderiam comentar as mais importantes?

E.A.T. – Dentro del desarrollo ejecutivo y elaboración del proyecto, contamos con el acompañamiento de asesores externos (ingenieros estructurales, asesores sanitarios y de electricidad) que desde su disciplina han sido de gran aporte para la definición de la estructura y envolvente exterior que se ejecutó en hormigón elaborado in-situ, conformando una piel con ciertos grados de permeabilidad, que se materializó con un encofrado de maderas dispuestas horizontalmente. También, las operaciones de socavados se ejecutaron para permitir alternancias y gradientes de luminosidad y opacidad.

La búsqueda de la incorporación de un acompañamiento exterior nos ha servido para establecer un equilibrio, consiente y complejo, entre la necesidad de articulación entre miradas concurrentes y el desarrollo profundo y específico de cada una de ellas.

Durante o desenvolvimento executivo e a elaboração do projeto, contamos com o acompanhamento de consultores externos (engenheiros estruturais, consultores sanitários e de eletricidade), que, a partir de suas disciplinas, contribuíram significativamente para a definição da estrutura e da envoltória externa, executada em concreto moldado in loco, conformando uma “pele” com certos graus de permeabilidade, materializada com fôrmas de madeira dispostas horizontalmente. Também, as operações de escavação foram realizadas para permitir alternâncias e gradientes de luminosidade e opacidade.

A busca por uma colaboração externa nos ajudou a estabelecer um equilíbrio consciente e complexo entre a necessidade de articulação entre olhares convergentes e o desenvolvimento profundo e específico de cada um deles.

MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

E.A.T. – Si bien contamos con asesores externos que dan sus aportes para la construcción y materialización del edificios, son las áreas de Proyecto y Dirección, dentro de nuestro Estudio, quienes articulan las tomas de decisiones finales, ya que es el área designada para diseñar, proyectar, dirigir y ejecutar la concreción de los espacios proyectados.

Embora contemos com consultores externos que contribuem para a construção e materialização do edifício, são as áreas de projeto e direção de obra, dentro do nosso Estúdio, as responsáveis por articular as decisões finais, uma vez que são designada para projetar, planejar, dirigir e executar a concretização dos espaços idealizados.

MDC – ¿Podrían destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

E.A.T. – El proyecto interpela ciertas posibilidades tipológicas y programáticas (con algún grado de indeterminación), proponiendo que las unidades en doble altura puedan ser completadas, o bien que puedan ser utilizadas como ámbitos de trabajo o ateliers. Esto promueve la interacción y apropiación del usuario con la unidad habitativa destinada.

O projeto investiga certas possibilidades tipológicas e programáticas (com algum grau de indeterminação), propondo que as unidades em pé-direito duplo possam ser completadas posteriormente, ou então utilizadas como espaços de trabalho ou ateliês. Isso promove a interação e a apropriação do usuário com a unidade habitacional destinada.

MDC – Si tuvieran que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizarían algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

E.A.T.– Seguramente sí, ya que la práctica del proyectar es una producción cultural, no es neutral, sino que responde a las tensiones de ciertos factores sociales, políticos y económicos que lo atraviesan.

No obstante, cuando elaboramos nuestros proyectos los pensamos de manera que puedan adaptarse a las modificaciones del contexto en el que opera, para dar respuesta y afrontar problemáticas, como el cambio climático, las disrupciones tecnológicas, las crisis económicos, políticos o sociales.

La disciplina no es un área de conocimiento aislada, sino que trabajamos desde lo multireferencialidad, algo que muta y evoluciona, que aborda los contextos cambiantes y emergentes para buscar una sociedad más justa y sostenible.

Seguramente sim, já que a prática de projetar é uma produção cultural, não é neutra, mas responde às tensões de certos fatores sociais, políticos e econômicos que a atravessam.

No entanto, ao elaborar nossos projetos, buscamos concebê-los de forma que possam se adaptar às modificações do contexto em que operam, a fim de responder e enfrentar problemáticas como as mudanças climáticas, as disrupções tecnológicas, as crises econômicas, políticas ou sociais.

A disciplina não é uma área de conhecimento isolada, por isso trabalhamos a partir da multirreferencialidade, algo que está em constante transformação e evolução, que aborda contextos mutáveis e emergentes na busca por uma sociedade mais justa e sustentável.

MDC – ¿Cómo sitúan esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

E.A.T. – Nuestra propuesta es pensar la arquitectura desde un rol con compromiso social que nos proyecte partiendo de “donde estamos situados hoy”. Nos interesa poder observar y abordar la Ciudad, porque en un gran conglomerado como Buenos Aires se encuentran las mayores desigualdades de la Argentina y desde ellos permitirnos repensar nuestro rol como arquitectos, con una propuesta de transformación espacial más Justa.

Muchos compañeros, dentro de nuestra disciplina, desde hace más de 50 años, trabajan para revertir la desigualdad, construyendo el problema y buscando transformar la realidad. En ese sentido, visibilizarlo es el punto de partida, para comprometernos en la transformación positiva del habitat.

Nossa proposta é pensar a arquitetura a partir de um papel com compromisso social, que nos projete a partir de “onde estamos situados hoje”. Nos interessa poder observar e abordar a Cidade, porque em um grande conglomerado como Buenos Aires se concentram as maiores desigualdades da Argentina e, a partir disso, nos permitimos repensar nosso papel como arquitetos, com uma proposta de transformação espacial mais justa.

Muitos colegas, dentro da nossa disciplina, há mais de 50 anos vêm trabalhando para reverter a desigualdade, elaborando o problema e buscando transformar a realidade. Nesse sentido, torná-lo visível é o ponto de partida para nos comprometermos com a transformação positiva do habitat.

MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que les gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

E.A.T. – Estamos muy contentos por el recepción de esta obra tanto de los vecinos como de otros profesionales. Nos permitimos promover la experimentación material como una herramienta para seguir redescubriendo los materiales tradicionales y explorar en busca de soluciones innovadoras propias -situadas y operativas-.

Estamos muito contentes com a recepção desta obra, tanto por parte dos vizinhos quanto de outros profissionais. Nos permitimos promover a experimentação material como uma ferramenta para continuar redescobrindo os materiais tradicionais e seguir em busca de soluções inovadoras próprias — situadas e operativas.

ficha técnica

Localização: Pico 4402, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina
Ano de projeto/Ano de finalização: 2016-2018
Prazo de execução da obra: 2 anos
Arquitetura: Estúdio Arqtipo (Arq Diego Aceto, Arq Dario Litvinoff, Arq Alejandro Camp)
Colaboradores: Arq Lucas Gorroño, Arq Maria Cecilia Giménez, Arq Martin Giani

Projetos complementares/consultorias :
Estrutura: Ing. Pablo Lulkin

Fotografias: Federico Kulekdjian


galeria


colaboração editorial

Aloisio Silva

deseja citar esse post?

ACETO, Diego. CAMP, Alejandro. LITVINOFF, Dario. “P4402 Vivienda Colectiva”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., nov-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/11/14/p4402-vivienda-colectiva/ . Acesso em: [incluir data do acesso].

Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024


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Casa Refúgio

Por Fernanda Neiva, Fernanda Palmieri e Gil Mello
BRASIL – Intervir no Construído
7–10 minutos

projeto executivo

PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

10 pranchas (pdf).
6,08mb


Casa Refúgio (texto fornecido pelos autores)

No topo de um terreno em aclive, com mais de 16m de desnível, encontramos uma casa térrea dos anos 50 em ruínas. A escalada de mais de 13m de altura até a cota de implantação é feita por uma escada tortuosa entremeada por muros de arrimo.

Pré-existência

A avaliação técnica constatou que os muros e paredes eram estáveis, mas não podiam ser sobrecarregados e os arrimos precisavam ser mantidos. Novas fundações também deveriam ser evitadas para não comprometer as estruturas existentes.

Diagrama

A proposta para a casa Refúgio nasceu do entendimento das restrições do terreno e suas potencialidades.

Fotografias: Marcos Vilas Boas

Uma vez que o telhado da existente, de telha cerâmica e estrutura de madeira, estava todo apodrecido, decidimos refazer o telhado mais alto que o existente, de forma a criar um mezanino central dentro da cobertura. Este novo telhado foi projetado em estrutura de madeira com fechamentos leves e apoiado nas paredes existentes.

Corte transversal e vista interna do mezanino. Foto: Marcos Vilas Boas

Obra

A cota do mezanino possibilitou a integração do novo pavimento ao último platô do terreno. Nele fica a parte social da casa, já que este espaço se abre para uma vista privilegiada da cidade de um lado e do outro para um páteo e jardim mais íntimo.

Fotografias: Marcos Vilas Boas

No pavimento inferior foi instalada a área íntima, aproveitando subdivisões de alvenaria já existentes.

Plantas dos pavimentos inferior e superior.


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Fernanda Palmieri e Fernanda Neiva

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

F.P. e F.N. – Essa obra é muito representativa de um momento específico do Galeria Arquitetos, quando os sócios eram Fernanda Neiva, Fernanda Palmieri e Gil Mello. Naquele momento não havia no escritório projetos grandes o suficiente para envolver todos os sócios e os trabalhos eram desenvolvidos em parcerias ou independentemente. O projeto da Casa Refúgio foi feito para um casal de amigos sem dinheiro para pagar um projeto completo. Por serem nossos amigos, decidimos fazer o trabalho num processo colaborativo com a participação de todos para diluir os custos, como em um concurso de arquitetura. Projetar assim produz não só as melhores obras, mas as melhores e mais mágicas experiências de fazer arquitetura.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

F.P. e F.N. – Esse é um projeto residencial para um casal de amigos que se apaixonou por esse terreno difícil na Vila Ipojuca e colocaram todos os recursos que tinham na compra da propriedade que se encontrava inabitável. Inicialmente, não tinham condições de financiar um projeto ou a obra, e precisavam de um estudo de viabilidade para procurar empréstimos. Nós concordamos em receber o valor das fases iniciais de projeto em permuta de serviços. Sem essa flexibilidade o projeto não teria acontecido.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?  Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)?

F.P. e F.N. – A pré-existência foi fundamental no projeto. O terreno tem um aclive de 16 metros, com inclinação de mais de 45%. Uma sucessão de escadas e arrimos já haviam sido construídos para o acesso ao topo do terreno onde foi implantada a casa original. A construção principal existente, construída entre os anos 40 ou 50, era uma casa térrea e em ruínas, implantada num platô 13 metros acima do nível da rua. Além desta construção, havia uma edícula, extremamente precária no nível mais alto a 3 metros acima da casa principal, encostada no muro do fundo do lote. Antes de iniciar o projeto, contratamos um consultor de estrutura para avaliar os muros de arrimo e a construção existente.  A avaliação estrutural previa as seguintes recomendações: 1) manter todos os níveis, muros de arrimos e escadas intocáveis, 2) evitar qualquer intervenção que necessitasse de novas fundações para não desestabilizar as estruturas de contenção existentes, e 3) não sobrecarregar as estruturas da casa existente. A única intervenção possível era a substituição do telhado da casa principal que havia colapsado. Frente a essa limitação, o partido de criar um telhado habitado nasceu quase imediatamente, como se fosse a única solução possível. Propusemos a demolição de edícula e a construção do novo telhado, mas alto, e com um formato que permitia a construção de um segundo pavimento em madeira na parte central e mais alta da cobertura, conectando este novo pavimento com a cota da antiga edícula.

MDC Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autor(xs)? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?

F.P. e F.N. – O projeto foi desenvolvido dentro do Galeria Arquitetos. Um dos autores, o arquiteto Gil Mello, havia trabalhado com estruturas de madeira durante anos no escritório da Ita Construtora, ao lado do engenheiro Helio Olga e podíamos contar com a sua experiência. A estrutura foi desenhada no escritório, com peças de madeira leves para facilitar a logística da subida de materiais para a obra, e calculada pelo engenheiro Arquimedes Costa.

MDC – X(s) autor(xs) dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?  

F.P. e F.N. – Sim, participamos da obra e, de certa forma, a obra foi definidora de grande parte das decisões de projeto. Essa é uma obra de autoconstrução. O cliente, que tinha acesso a uma marcenaria da família, construiu a casa ele mesmo com a ajuda de um empreiteiro e um marceneiro. Toda a madeira foi produzida na marcenaria da família, e os elementos estruturais desenhados e calculados para serem carregados por 2 pessoas.

MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?

F.P. e F.N. -A demolição completa da casa existente ou qualquer intervenção nos muros de arrimo e níveis do terreno foram descartadas assim que recebemos a análise prévia das condições do terreno, o que definiu quase que imediatamente o partido do projeto. Uma vez definido, o desenho foi desenvolvido buscando as melhores soluções frente as limitações existentes: facilitar a subida e descida de material; reduzir a produção de entulho; construir uma estrutura leve para o novo telhado sem sobrecarregar as paredes da construção existentes; criar fechamentos leves; viabilizar a proposta de autoconstrução; e reduzir custos para viabilizar a obra financeiramente. O fechamento em Onduline, por exemplo, foi uma solução de projeto que respondia a essas limitações por ser um material leve e sustentável, térmica e acusticamente mais eficaz que telha metálica, exige menos madeiramento que um telhado tradicional, e é fácil de carregar e instalar sem grandes equipamentos.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

F.P. e F.N. – A ideia do telhado habitado, que cria um mezanino no nível superior, sugere uma casa invertida, ou seja, áreas comuns na parte superior (com planta livre), e quartos e áreas intimas na parte inferior, usando as divisões e paredes da casa existente. Isso faz com que o usuário suba a escadaria do terreno – que corresponde a 4 andares de uma construção (13 metros) – desde a rua para chegar à área íntima, e depois suba mais uma escada interna para acessar a sala e cozinha.

Nesse mezanino, um espaço totalmente aberto sob um telhado leve, encontra-se a sala e a cozinha integrados, com acesso ao páteo/jardim dos fundos da casa e com uma linda vista para a cidade. Neste ponto, o usuário se encontra mais perto do céu, das chuvas, ventos e pássaros, do que do chão, dos barulhos e realidades da cidade. Foi esse espaço, ou a experiência de estar nesse espaço, que inspirou o nome Casa Refúgio. 

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

F.P. e F.N. – Impossível imaginar que isso seja possível, que um projeto possa apresentar esse mesmo conjunto de problemas e condições pré-existentes, mesma orientação e limitações de execução, ou a mesma participação e disposição dos clientes. Mas em cada decisão de projeto e da obra houve um grande aprendizado que com certeza informou futuros projetos.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

F.P. e F.N. – A ideia do ático, ou telhado habitado, construído com uma estrutura de madeira leve e tradicional em duas águas, com fechamento monolítico e sem beirais da Casa Refúgio, faz uma referência a arquitetura contemporânea nórdica e do norte da Europa, que reinterpretou a tipologia do celeiro tradicional (barn) dessa região, e propõe novas versões e usos para essas estruturas agrárias que produzem grandes vãos e planta livres com estruturas simples e leves de madeira. Nesse sentido, acho que essa obra, olha para além da produção nacional e traduz e reproduz esses princípios. Poderia se chamar Casa Celeiro.


ficha técnica

Local: Vila Ipojuca – São Paulo, SP
Ano de projeto: 2014
Ano de construção: 2016
Autor do projeto original (preexistência): desconhecido
Data do projeto original: década de 1950
Autor do projeto de intervenção / reforma: Fernanda Neiva, Fernanda Palmieri e Gil Mello
Colaboradores: Karina Almeida e Liliane Nambu


Projeto estrutural:
Arquimedes Costa
Consultoria de fundação: Meirelles Carvalho Engenharia


Fotos:  Marcos Vilas Boas
Contato: fernanda.neiva@galeria.arq.br

Prémios e Exposições: Concorreu ao prêmio IAB-SP 2021 na categoria Edificações


galeria


colaboração editorial

Cecília Ellen

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Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Galpão Tropical

Por Laurent Troost
BRASIL – Intervir no Construído
9–13 minutos

projeto executivo

PARTE 1
ARQUITETÔNICO COMPLETO

15 pranchas (pdf).
8,75mb

PARTE 2
PROJETO ESTRTURAL

5 pranchas (pdf).
4,41mb

PARTE 3
PROJETOS COMPLEMENTARES

7 pranchas (pdf).
1,55mb


Galpão Tropical (texto fornecido pelo autor)

Localizado em um bairro popular e industrial da cidade de Manaus, caracterizado por moradias e galpões de todo tipo, este projeto de escritório de arqueologia junto com área de lazer é uma reinterpretação da tipologia industrial para criar um manifesto da necessária reaproximação do urbano com a Natureza na capital geográfica da Amazônia.

Fotografias: Joana França

A releitura da tipologia industrial foi feita por uma sequência de pórticos tridimensionais, feitos de vergalhões lisos, servindo como guias para o crescimento de varias espécies de trepadeiras que, ao crescer rapidamente, definem um espaço de pé direito duplo, um “galpão”, e, ao mesmo tempo, sombreiam a área de lazer e o escritório, criando um microclima tropical, arejado e refrescante.

Fotografias: Joana França

As trepadeiras nascem de floreiras na duas laterais do lote, onde também foi preservada uma árvore pré-existente, deixando o centro do lote totalmente livre para qualquer ocupação. A velocidade com a qual as trepadeiras cresceram garantiu um rápido uso sombreado da área de lazer, mesmo sendo muito exposta ao duro sol equatorial da tarde.

Planta do térreo

Evolução das trepadeiras: entrega da obra, 4 meses, 8 meses e 12 meses.

Além deste aspecto benéfico relativo ao uso de plantas, o paisagismo é produtivo, já que boa parte das espécies utilizadas no ambiente são PANCs (plantas alimentícias não convencionais): thunbergia grandiflora, lambari-roxo, bastão do imperador, taiobas, maracujás, maranta, etc.

Fotografias: Joana França

Pela parte da frente, a área de lazer se esconde por trás de uma fachada vazada de tijolos maciços que deixam passar os ventos predominantes e revelam discretamente a profundidade do lote sem desvendar todos seus detalhes

Fotografias: Joana França. Elevação norte e corte transversal

A área de lazer é composta de um balcão-mesa com churrasqueira integrada, de uma área com ducha e redes, além de uma pequena piscina. Esta área de lazer funciona tanto para a casa do lote vizinho e interconectado onde moram as proprietárias, como antessala do escritório localizado no fundo do lote. Na prática, a mesa da área de lazer se tornou também um espaço de reunião e/ou trabalho adaptado ao “novo normal” pós-pandemia por ser arejado e ao ar livre.

Fotografias: Joana França

Nos fundos do lote, o escritório de arqueologia ocupa o vão central com mesas de trabalho e reuniões, enquanto uma parede de tijolos maciços serpenteia entre interior e exterior para definir nas laterais do lote os jardins e os espaços técnicos (banheiro, copa, depósitos). Esta parede de tijolos maciços serpenteando é ora vazada para garantir a ventilação cruzada de todos os ambientes e ora fechada para definir espaços fechados ou impedir as vistas cruzadas das aberturas nas laterais dos muros vizinhos.

Fotografia: Joana França

O pé direito duplo de parte do escritório permite buscar mais luz e amplitude neste lote de um pouco mais de 5m de largura. Aberturas para os jardins em ambas laterais complementam a luminosidade além de permitir ventilação cruzada de todos os ambientes do escritório.

Fotografias: Joana França

Em complemento aos aspectos de sustentabilidade low-tech descritos acima, a cobertura da área gourmet, que parece flutuar entre os pórticos de trepadeiras, recebeu um sistema de irrigação automatizada que joga a agua da chuva coletada por cima da telha sanduiche para esfriar fisicamente o espaço de lazer / trabalho. Sem calha, a cobertura deixa esta agua de irrigação cair nos canteiros laterais e, com o barulho que isso gera, acaba refrescando também psicologicamente os usuários, aprimorando a sua sensação de bem estar.

Corte longitudinal leste

Em poucas palavras, a reinterpretação tipológica proposta para este projeto, além de proporcionar espaços flexíveis e livres, gerou um convívio intenso com um ambiente tropical sensorial, propondo uma nova forma de se relacionar com a Amazônia em ambientes urbanos, um tema emergente já que estes últimos anos viram a maioria da população vivendo na Amazônia passar de rural a urbana.

Fotografias: Joana França


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Laurent Troost

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

L.T. – Eu acho que é uma obra chave porque ela foi a transformação — ou a realização — de várias
experimentações que vínhamos fazendo numa escala muito pequena, em obras privadas ou
próprias. Foi a primeira vez que experimentamos uma escala um pouco mais real dessa
tentativa de fazer crescer a vegetação em estruturas. Foi uma obra que nos ajudou a ganhar
confiança perante um sistema — a botânica — que depois escalamos no nível maior do prédio.
Então eu acho que ela foi uma obra muito chave no percurso da produção do escritório.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

L.T. – O mecanismo de contratação do projeto foi contratação direta.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais?  Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?

L.T. – Rapidamente foi entendida a necessidade de criar uma relação volumétrica com a edificação ao
lado em termos de altura, de proporção, de verticalidade e também de deixar a luz alcançar
janelas que davam para o lote. Apesar de serem ilegais, não queríamos brigar com essa condição
preexistente e sim incorporar as janelas em nosso desenho para poder manter uma boa relação
de vizinhança. Isso se diferencia de um projeto novo, eu diria, apesar de ter claramente uma
parte bastante nova. Também buscamos soluções de integração, por exemplo, de fluxos, de
cobertura e do sistema de sombreamento para a parte frontal da casa existente. Foram várias
interrelações entre o novo e o preexistente.

MDC Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?

L.T. – Nenhuma informação foi recebida, a gente mesmo levantou a arquitetura primeiramente
fazendo um levantamento, vamos dizer, na trena, na marra! Rapidamente nos demos conta de
que havia uma dificuldade devido ao fato de que esse lote e essas construções preexistentes eram de autoconstrução, então muito pouca coisa tinha esquadro, e então entramos com um
levantamento topográfico para tentar amarrar um pouco melhor as poligonais originais. Depois,
foram várias complementações de informação levantadas por nós mesmos, porque realmente
não existia nenhum tipo de documentação. A falta de informação afetou até o momento de
locação da obra, quando nos demos conta de que, mesmo com o levantamento topográfico
combinado com o nosso, ainda havia algum nível de imprecisão de medidas. Então tivemos que
fazer uns alinhamentos e ajustes de locação de obra, mas eu não diria que foi prejudicial, acho
que faz parte desse tipo de obra no preexistente.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?

L.T. – Sim, eu chamaria de engenharia e outros complementares, como o paisagismo, por exemplo,
pois a solução dos pórticos veio da arquitetura, não do paisagismo. Foi um desejo de gerar algo
de paisagismo, mas desenhado pela equipe de arquitetura. Os projetos de engenharia foram
muito acompanhados por nós: obviamente trabalhamos na compatibilização para garantir que
não houvesse tubulações demais passando nos canteiros, etc, mas também houve um
refinamento muito meticuloso na questão estrutural, tanto na definição e execução dos pórticos,
feitos de vergalhão — o que era uma solução totalmente fora do padrão que tínhamos testado em
outro local, mas que o próprio engenheiro não estava seguro e não queria muito fazer, para o que
a gente teve que insistir muito —, como na ideia de usar o tijolo como estrutura, só pelo desenho
da forma das paredes. Conseguimos fazer isso no pavilhão da frente, mas no bloco de trás o
engenheiro insistiu para que houvesse quatro ou seis colunas para estruturar o volume superior.
Era algo que a gente não queria; a gente tentou, tentou, tentou, mas não conseguiu. Uma outra
intervenção forte nas fase de interlocução entre engenheiro e arquiteto foi sobre o telhado meio
que flutuante por cima da área gourmet: queríamos que fosse suspenso apenas pelos pórticos de
vergalhão, mas não passou, então inventamos uma solução para disfarçar as colunas dentro do
sistema de pórticos. Ao fim, houve modificações, que foram acompanhadas por nós e com as
acabamos concordando.

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?

L.T. – Sim, sempre participamos, especialmente dos projetos de pequena escala com certo grau de
investigação. Sempre participamos, sempre recomendamos e indicamos, inclusive, os
profissionais que vão construir. Nesse caso foi uma equipe que já constrói há 10 anos para nós,
então a equipe tinha uma grande sintonia e não houve grandes surpresas. Obviamente houve
ajustes na obra, mas a gente não ajustou isso em desenhos técnicos, era muita coisa resolvida na
própria obra, com soluções até desenhadas no tapume, na parede, soluções rápidas e inteligíveis
para todo mundo.

MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?

L.T. – Acho que essa questão não se aplica tanto a esse projeto. Eu posso dizer que propusemos, por
exemplo, revisar o telhado da casa existente para poder integrar com a volumetria que estava
sendo proposta. Revisamos a platibanda, revisamos algumas coisas na casa existente ao lado,
mas nunca cogitamos a demolição completa da casa do lado, porque é a casa onde moram as
proprietárias. Sobre eventual ganho financeiro de prazo de obra, entendo que não se aplica
nesse caso.

MDC – Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

L.T. – Eu acho que sim: é importante dizer que a vegetação cresceu muito mais rápido e muito mais do
que imaginávamos, o que gerou não diria um desentendimento, mas visões distintas entre a
nossa equipe de arquitetura e as proprietárias. Nós gostaríamos de manter os pórticos mais
marcados com a vegetação e deixar um vão um pouco mais livre; elas preferem quando isso se
torna uma nave só, então pedem menos manutenção do que tínhamos imaginado, e por isso está
mais salvagem do que a gente imaginava. Eu acho que isso é interessante, às vezes os próprios
clientes querem uma coisa mais radical do que a gente imagina.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

L.T. – Não. Faria igualzinho!

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

L.T. – Acho que isso não sou eu que deveria avaliar, mas entendo que essa obra tem relevância porque,
do que conheço da produção brasileira, é a primeira obra onde a vegetação é utilizada para
definir volumes e definir vazios, não apenas um revestimento de parede ou de fachada. A
vegetação está sendo utilizada de forma arquitetônica além de ter o propósito, obviamente, de
proteção ambiental. Apesar de ser muito pequenina, ela vem com essa nova forma de pensar a
vegetação, essa tipologia de “arquiteturar” a natureza. Tanto é que ela é um marco para nós no
escritório e, a partir dela, começamos a desenvolver outros tipos de projetos baseados nesse tipo
de definição de volumetrias cheias ou vazias que definem espaço com a natureza. A gente tem
vários projetos em andamento nessa linha hoje.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

L.T. – Sempre gosto de acrescentar que se trata de uma arquitetura-paisagem produtiva, já que usamos plantas alimentícias não convencionais — PANCs — que podem ser comidas.


ficha técnica

Local: Manaus – AM
Ano de projeto: 2020
Ano de construção: 2021
Autor do projeto original (preexistência): sem autoria
Data do projeto original: autoconstrução ao longo dos últimos 40 anos
Autor do projeto de intervenção / reforma: Laurent Troost
Colaboradores: Ingrid Maranhao e Raquel Brasil


Engenheiro civil:
Daniel Adolfs
Paisagismo: Hana Eto Gall e Laurent Troost
Projetos Complementares: Rafaela Lima
Coordenação da obra: Helena Rabello e Daniel Herzson


Fotos: Joana França
Contato: laurenttroost@gmail.com


galeria


colaboração editorial

Cecília Ellen

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Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Casa Viisa

por Francisco Farias y Sebastián Castellarin Arq. Asociados
ARGENTINA – Projeto executivo
11–17 minutos

projeto executivo


EXECUTIVO COMPLETO:
20 formatos (pdf).
2,34mb


Casa Viisa (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

Los clientes imaginaban su casa como un refugio entre arboles donde poder recibir amigos y pasar mucho tiempo en familia, conocían muy bien el lugar y sus virtudes, un barrio consolidado ubicado dentro del partido de Exaltación de la Cruz, en la Provincia de Buenos Aires (a 70km de la Ciudad), zona de construcciones bajas y frondosa vegetación, cuyo desarrollo ha modificado con los años su lógica de casas de veraneo en viviendas de carácter permanente.

Os clientes imaginavam sua casa como um refúgio entre árvores, onde pudessem receber amigos e passar muito tempo em família, conheciam muito bem o lugar e suas virtudes: um bairro consolidado localizado no município de Exaltación de la Cruz, na Província de Buenos Aires (a 70 km da cidade), uma região de construções baixas e vegetação abundante, cujo desenvolvimento, ao longo dos anos, transformou a lógica original de casas de veraneio em moradias de caráter permanente.

Planta de implantação

Fotografia: Fernando Schaposnik

La obra, de estructura metálica y construcción ligera, define su plano resistente mediante el uso de perfiles normales y tubos estructurales curvados que transmiten sus cargas a un encadenado de vigas de hormigón mediante pilares metálicos de sección redonda.

A obra, de estrutura metálica e construção leve, define seu plano resistente pelo uso de perfis padronizados e tubos estruturais curvados, que transmitem suas cargas a um encadeamento de vigas de concreto por meio de pilares metálicos de seção circular.

Diagrama: Isométrica

Las carpinterías se ejecutaron con planchuelas, perfiles T y tablas macizas de anchico y cedro para los elementos de apertura. El resto de los planos de cerramiento quedo definido por tabiques de construcción seca, cuyo tratamiento superficial exterior se resolvió (de acuerdo a su orientación) en algunos planos mediante el uso del sistema EIFS y en otros mediante un revestimiento de tablas machimbradas de Kiri.

As esquadrias foram executadas com barras chatas, perfis em T e tábuas maciças de angico e cedro nos elementos de abertura. O restante dos planos de fechamento foi resolvido com painéis de construção a seco, cujo tratamento superficial externo foi definido conforme a orientação em alguns pontos pelo sistema EIFS e em outros por meio de revestimento em tábuas encaixadas de kiri.

Detalhe: Cobertura e esquadria

La planta es sistematizada y conformada por módulos que se articulan en toda su extensión; los de menor altura definen los dinteles del plano de cerramiento y resuelven los canales que reciben las aguas de lluvia, a la vez que conforman galerías y áreas de servicio, mientras que los de mayor altura jerarquizan los lugares de estar.

A planta é sistematizada e conformada por módulos que se articulam em toda a sua extensão; utiliza os de menor altura para definir as vergas do plano de fechamento e resolver os canais de captação das águas pluviais, ao mesmo tempo em que conformam galerias e áreas de serviço enquanto os módulos de maior altura conferem destaque aos espaços de estar.

Planta do térreo

Cortes

La vivienda se emplaza a mitad del lote, mediante una planta cruciforme en la que quedan determinadas dos alas, una de carácter íntimo y otra de carácter social, estableciendo una suerte de ejes cartesianos, que definen cuatro instancias de lugar y contemplación exterior que determinaran los ámbitos interiores, a saber; A) sector de jardín y pileta; B) bosque de acacias; C) jardín de acceso; D) conjunto de álamos.

A residência se implanta na metade do lote, organizada em planta cruciforme que determina duas alas: uma de caráter íntimo e outra de caráter social. Essa disposição estabelece uma espécie de organização por eixos cartesianos, definindo quatro instâncias de lugar e contemplação exterior que, por sua vez, configuram os ambientes internos, a saber: A) setor de jardim e piscina; B) bosque de acácias; C) jardim de acesso; D) conjunto de álamos.

Fotografia: Fernando Schaposnik

Cortes e Fachadas

El terreno tiene por virtud una vegetación muy desarrollada que cualifica lugares. De este modo, en el cuadrante de acceso, un aguaribay y una rosa blanca guían el recorrido y definen los caminos. El desarrollo lineal de un piso de ladrillo concluye al encontrar un jardín al este, que caracterizado por importantes álamos, soporta la proyección del estar. La sombra de un roble añoso jerarquiza el momento de entrada a la casa. El ala social que conforman comedor, cocina y parrilla, puede verse como un umbral que delimita dos áreas, mientras una recibe luz de la mañana filtrada por un bosque de acacias (que se contemplan desde el interior de los dormitorios); La otra se consolida como una extensión abierta y de carácter lúdico junto al área de pileta y unas terrazas como expansiones del comedor, que se ubican a las sombras de la tarde de un caqui y una mora.

O terreno tem como virtude a vegetação já bastante desenvolvida, que qualifica os diferentes espaços. Assim, no quadrante de acesso, uma aroeiras-salso e uma rosa blanca orientam o percurso e definem os caminhos. O desenvolvimento linear de um piso em tijolos conduz até um jardim a leste, caracterizado por álamos imponentes que dão suporte à projeção da área de estar. A sombra de um velho carvalho qualifica o momento de entrada na casa. A ala social, composta por sala de jantar, cozinha e churrasqueira, pode ser entendida como um limiar que separa duas áreas: de um lado, aquela que recebe a luz da manhã filtrada por um bosque de acácias (visível do interior dos dormitórios); do outro, uma extensão aberta e de caráter lúdico junto à piscina, com terraços como prolongamentos da sala de jantar, posicionados sob as sombras vespertinas de um caquizeiro e de uma amoreira.

Fotografias: Fernando Schaposnik


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Francisco Farias (F.F.)

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

F.F. – Es de las primeras obras que materializamos con esta tecnología de perfiles normalizados, caños tubulares, y planos de cierre ejecutados en construcción seca. 

Marcó el inicio de una etapa de exploración de esta lógica constructiva.

É uma das primeiras obras que materializamos com essa tecnologia de perfis padronizados, tubos metálicos e planos de fechamento executados em construção a seco.

Marcou o início de uma etapa de exploração dessa lógica construtiva.

MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

F.F. – El encargo vino de un amigo, de forma directa y con un simple acuerdo de palabra. No hubo contrato formal alguno.
O encargo veio de um amigo, de forma direta e com um simples acordo verbal. Não houve nenhum contrato formal.

MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

F.F. – Si bien los datos del terreno y sus características intrínsecas son lo primero que se manifiesta, en general le damos mucha importancia a conocer al cliente y tratar de visualizar sus expectativas: Cómo viven, cómo se conforma su familia, sus hábitos, etc. 

En este caso, los clientes tuvieron el terreno en su poder casi un año antes de hacerse de los fondos para materializar su vivienda, por lo que conocían bien el lote y su entorno inmediato. 

Sin duda que en nuestras visitas recurrentes al sitio, terminamos consensuando e imaginando el uso de muchas áreas exteriores con ellos. El relevamiento y análisis de las especies arbóreas existentes determinaron la cualidad de muchos lugares de la vivienda.

Embora os dados do terrenoe suas características intrínsecas sejam o primeiro elemento que se manifesta, em geral damos muita importância a conhecer o cliente e tentar visualizar suas expectativas: como vivem, como é composta sua família, seus hábitos, etc.

Neste caso, os clientes possuíam o terreno desde quase um ano antes de reunir os recursos para realizar a casa, por isso conheciam bem o lote e seu entorno imediato.

Sem dúvida, em nossas visitas recorrentes ao local, acabamos chegando a um consenso imaginando juntos o uso de muitas áreas externas. O levantamento e a análise das espécies arbóreas existentes determinaram a qualidade de muitos espaços da residência.


MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderia comentar as mais importantes?

F.F. – Interactuamos mucho con asesores, ya sea para cuestiones estructurales o de cualquiera de las instalaciones. En proyectos de pequeña y mediana escala – como en el caso de la Casa Viisa -, la documentación ejecutiva e ingenierías las desarrollamos íntegramente en nuestro estudio. 

La sección de los elementos que conforman la estructura resistente está determinada, entre otros factores, para poder ser manipulados con facilidad en obra y sin maquinaria pesada. Toda la estructura metálica se realizó in situ con un equipo reducido de operarios capacitados y en plazos muy breves.

En esta obra no hay carpinterías estandarizadas o de construcción industrial. Nos valemos mucho de la interacción con los gremios; y realizamos en cada caso, detalles o maquetas a escala con las que luego evaluamos y ajustamos con herreros, carpinteros o albañiles. Es un trabajo bastante artesanal.

Interagimos bastante com assessores, seja para questões estruturais ou relativas a qualquer das instalações. Em projetos de pequena e média escala – como no caso da Casa Viisa –, a documentação executiva e os projetos de engenharia são desenvolvidos integralmente em nosso escritório.

A seção dos elementos que compõem a estrutura resistente é determinada, entre outros fatores, para que os elementos possam ser manipulados facilmente na obra e sem uso de maquinário pesado. Toda a estrutura metálica foi executada in situ com uma equipe reduzida de operários capacitados e em prazos muito curtos.


Nesta obra não há esquadrias padronizadas ou de fabricação industrial. Valemo-nos bastante da interação com os ofícios; em cada caso realizamos detalhes ou maquetes em escala que depois avaliamos e ajustamos junto a serralheiros, marceneiros ou pedreiros. É um trabalho bastante artesanal.


MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

F.F. -Como autores, participamos activamente en el proceso de la construcción, siempre desde la dirección de obra, que hacemos nosotros mismos y donde verificamos todas las instancias de ejecución de las tareas críticas. 

La implantación de la obra en el terreno es producto de la reflexión de muchas condicionantes, no solo reglamentarias y funcionales, de asoleamiento o de vistas. La interacción con los clientes es muy importante en este punto, no para resolver cuestiones técnicas, pero sí para entender cómo es la dinámica en su cotidianeidad y qué situaciones de lugar dentro del espacio de la vivienda le pueden llegar a agradar o ser más significativas a ellos y a su entorno familiar.

Como autores, participamos ativamente do processo de construção, sempre a partir da direção de obra, que fazemos nós mesmos, verificando todas as etapas de execução das tarefas críticas.

A implantação da obra no terreno é resultado da reflexão sobre múltiplas condicionantes, não apenas regulamentares e funcionais, mas também de insolação e de vistas. A interação com os clientes é muito importante nesse ponto, não para resolver questões técnicas, mas para compreender como é a dinâmica da sua vida cotidiana e que situações e lugares dentro do espaço da casa podem ser agradáveis ou mais significativos para eles e para seu entorno familiar.


MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

F.F. – El enfoque que prevalece en nuestro proceso proyectual está referido al concepto de lugar. Pero hay que aceptar que toda especulación espacial que se hace en el papel puede verse alterada.

Por dar un ejemplo: el área semicubierta proyectada como cochera, resultó ser muy agradable para la familia en determinado momento de la tarde y sobre todo en los meses de verano. Con el tiempo incorporaron mobiliario y lo convirtieron en una suerte de galería, como alternativa de lugar para estar y descansar. Acompañamos ese cambio extendiendo el solado de ladrillo y ahora solo ubican los vehiculos allí cuando es estrictamente necesario, ya sea por alguna lluvia fuerte o granizo.

O enfoque que prevalece em nosso processo projetual está relacionado ao conceito de lugar. Mas é preciso aceitar que toda especulação espacial feita no papel pode se ver alterada pela dinâmica do cotidiano.

Por exemplo: a área semifechada projetada como garagem revelou-se muito agradável para a família em determinado momento da tarde e, sobretudo, nos meses de verão. Com o tempo, incorporaram mobiliário e a transformaram em uma espécie de galeria, como alternativa de espaço para estar e descansar. Acompanhamos essa mudança estendendo o piso de tijolos e, atualmente, os veículos só são colocados ali quando é estritamente necessário, seja por chuva forte ou granizo.


MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

F.F.– Estamos realizando otras obras próximas a esta, por lo que visitamos con frecuencia la casa, y vemos que ha envejecido muy bien y la relación con el entorno se verifica.

Sin embargo, como estudio, siempre hay cosas para mejorar. Han pasado algunos años ya, y quiero creer que hoy podríamos tener soluciones y/o respuestas constructivas con otra profundidad técnica y expresiva. 

Estamos realizando outras obras próximas a esta, por isso visitamos a casa com frequência e vemos que ela envelheceu muito bem, confirmando a relação com o entorno.

No entanto, como escritório, sempre há pontos a melhorar. Já se passaram alguns anos e quero acreditar que hoje poderíamos ter soluções e/ou respostas construtivas com maior profundidade técnica e expressiva.

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

F.F.– Reflexionando, creo que se inserta dentro de una corriente que busca alternativas – sin caer en universalismos reduccionistas – a cierto canon o tradición constructiva de mampostería y hormigón, muy empleada en la vivienda de nuestro país. 

No se trata de un rechazo de esta última, sino de una exploración hacia modos más eficientes, flexibles y económicos de construir.

Refletindo, creio que se insere em uma corrente que busca alternativas – sem cair em universalismos reducionistas – a certo cânone ou tradição construtiva de alvenaria e concreto, muito empregada na construção de casas em nosso país.

Não se trata de uma rejeição a esta última, mas de uma exploração de modos mais eficientes, flexíveis e econômicos de construir.


ficha técnica

Local: Exaltación de la Cruz, Provincia de Buenos Aires, Republica Argentina
Ano de projeto/ Ano de finalização: 2019 – 2021
Prazo de execução da obra: 12 meses
Área bruta construída: 165 m²
Arquitetura: Francisco Farías y Sebastián Castellarin Arq. Asociados
Colaboração: Luisina Bartolucci, Brian Zon, Maximiliano Impedovo Arqtos


Prêmios: Mención 18º SCA CPAU (edición 2022)


Fotos: Fernando Schaposnik


galeria


colaboração editorial

Laura Valadares + Aloísio Silva

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CASTELLARIN, Sebastián. FARIAS, Francisco. “Casa Viisa”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., out-2025. Disponível em https://mdc.arq.br/2025/10/25/casa-viisa/. Acesso em: [incluir data do acesso].

Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

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Monroe 5605

ARQTIPO + ARQ JUAN PABLO NEGRO
ARGENTINA – Projeto executivo
11–16 minutos

projeto executivo


EXECUTIVO COMPLETO:
4 formatos (pdf).
0,60mb


Monroe 5605 (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

El proyecto M 5605 nos interpeló acerca de los posibles modos de abordaje de nuestra práctica proyectual. La propuesta reconoce las instancias temporales y espaciales inherentes al proyecto, a partir del reconocimiento de las categorías de: contextualización (entre la inserción y la implantación), de configuración (entre un objeto material y el sistema), y de disposición (entre lo determinado y lo indeterminado).

O projeto M 5605 nos instigou a refletir sobre os possíveis modos de abordagem da prática projetual. A proposta reconhece as instâncias temporais e espaciais inerentes ao projeto, a partir da identificação das seguintes categorias: contextualização (entre a inserção e a implantação), configuração (entre o objeto material e o sistema), e disposição (entre o determinado e o indeterminado).

Fotografia: Federico Kulekdjian

M 5605 es un edificio de propiedad horizontal de diez unidades funcionales, ubicado en el barrio de Villa Urquiza en un terreno en esquina de poca superficie de 8,80×12.72 m. Se encuentra emplazado en un tejido residencial medio, lindante a las vías del F.F.C.C. Mitre. Se propone múltiples relaciones de su contextuales, desde incorporar el espacio público al interior de toda su planta baja, a partir de un único solado.

M 5605 é um edifício de propriedade horizontal composto por dez unidades funcionais, localizado no bairro Villa Urquiza em um terreno de esquina de pequena dimensão, medindo 8,80×12,72 m. Está inserido em um tecido residencial de densidade média, adjacente às linha ferroviária F.F.C.C. Mitre. Foram propostas múltiplas relações contextuais, desde a incorporação do espaço público no interior de todo o térreo, a partir de um único andar. 

Fotografia: Federico Kulekdjian

Como el reconocimiento de sus linderos preexistentes, infiriendo posibles relaciones y distancias de sus expansiones. Además, incorpora los retranques superiores a la envolvente de manera sensible que promueve una mayor empatía en su entorno.

Como o reconhecimento de seus limites pré-existentes, inferindo possíveis relações e distâncias de suas expansões. Além disso, incorpora os recuos superiores à envoltória de uma maneira sensível que promove uma maior empatia em seu entorno.

Detalhe: Fachada

El edificio maximiza su capacidad constructiva, a partir de una envolvente mono material utilizando el ladrillo Bricko de Corblock. En ese sentido se permite una experimentación material a partir de diversas operaciones morfológicas precisas (repetición, sección, vinculación) para asumir su propia complejidad, e investigar los encuentros, las disposiciones, los modos de unión y las fijaciones con la intención de configurar una atmósfera deseada. (luz y espacio en una interpelación constante).

O edifício maximiza sua capacidade construtiva a partir de uma envoltória de material único utilizando os tijolos Bricko da Corblock. Neste sentido, permite uma experimentação material a partir de diversas operações morfológicas precisas (repetição, corte, conexão) para assumir sua própria complexidade, e investigar os encontros, as disposições, os modos de junção e fixações com a intenção de configurar uma atmosfera desejada (luz e espaço em uma interrelação constante).

Diagrama: Isométrica

El tratamiento de las expansiones como fuelles en los perímetros de la fachada tienen el propósito de mitigar los ruidos y permite regular los gradientes de privacidad, luminosidad y opacidad en relación al exterior.

O tratamento das expansões como foles nos perímetros da fachada tem como propósito mitigar o ruído e permite regular os gradientes de privacidade, luminosidade e opacidade em relação ao exterior.

Fotografias: Federico Kulekdjian

El edificio se dispone en planta baja y 6 niveles de altura, proponiendo una tensión entre la forma, espacio y materia, a partir de la búsqueda identitaria. Las unidades habitativas, indagan en nuevas posibilidades configurativas del habitar, que permitan la adaptabilidad y la contemporaneidad de las mismas.

O edifício se organiza em planta térrea e 6 pavimentos superiores, propondo uma tensão entre forma, espaço e matéria, a partir da busca de uma identidade. As unidades habitacionais investigam novas possibilidades de configuração do morar, que permitem a adaptabilidade e contemporaneidade.

Plantas do térreo, pavimentos e cobertura


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Estudio ARQTIPO (E.A.T.)

MDC – ¿Cómo sitúan esta obra en el contexto de toda su producción?
Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

E.A.T. – Dentro de nuestra producción, M5605 es uno de nuestros edificios que pone en manifiesto al ladrillo como elemento constructivo que permite su progresiva tecnificación, mejorando las capacidades físicas y ambientales, pero también encontrando nuevas y diversas formas de aplicación dentro del universo arquitectónico.

Al utilizarlo como envolvente en la fachada, a través de operaciones morfológicas que buscan diversos gradientes de luz y sombra, pero también cualificar los espacios de habitación dotándolos de privacidad, nos permitió la integración del edificios con su contexto circundante, diferenciándose por su escala y geometría singular.

Dentro da nossa produção, o M5605 é um dos nossos edifícios que evidencia o tijolo como elemento construtivo, permitindo sua progressiva tecnificação, melhorando as capacidades físicas e ambientais, mas também encontrando formas de aplicação novas e diversas dentro do universo arquitetônico.

Ao utilizá-lo como envoltório na fachada, por meio de operações morfológicas que buscam diferentes gradientes de luz e sombra, mas também qualificar os espaços de habitação, dotando-lhes de privacidade, nos permitiu a integração dos edifícios ao seu contexto circundante, diferenciando-se por sua escala e geometria singulares.

MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

E.A.T. – El proceso de contratación de este proyecto fue por contratación directa.
O processo de contratação deste projeto foi realizado por contratação direta.

MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podrían destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

E.A.T. – M5605 tiene la particularidad de ubicarse en un terreno en esquina pequeño. Lo que queríamos lograr era maximizar su capacidad constructiva para una mayor rentabilidad.

Partimos de la idea de materializar una envolvente mono material para lograr concebirlo. De este modo, aparece el ladrillo Bricko de la línea de Corblock como material configurante. De este modo, a la hora de diseñar el proyecto nos encontramos con el primer acercamiento a la práctica proyectual entendiendo ese material y sus diversas operaciones de manipulación para explorar diversos modos de unión y fijación con la intención de construir los diferentes espacios que logren captar diversos registros de una manera sensible el contexto, pero también con variaciones de luz y sombras en los diferentes espacios.

O M5605 tem a particularidade de estar localizado em um terreno de esquina pequeno. O que queríamos alcançar era maximizar sua capacidade construtiva para obter maior rentabilidade.

Partimos da ideia de materializar uma envoltória de único material para concebê-lo. Dessa forma, o tijolo Bricko da linha Corblock surge como o material configurador. Assim, no momento de projetar, tivemos nossa primeira aproximação ao projeto a partir da compreensão desse material e de suas diversas possibilidades de manipulação, explorando diferentes modos de união e fixação com o objetivo de construir os diferentes espaços que consigam captar, de forma sensível, diferentes aspectos do contexto, mas também criar variações de luz e sombra nos diversos ambientes.

MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿pueden comentar las más relevantes?

Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderiam comentar as mais importantes?

E.A.T. – Dentro del desarrollo ejecutivo y elaboración del proyecto, contamos con el acompañamiento de asesores externos (ingenieros estructurales, asesores sanitarios y de electricidad) que desde su disciplina han sido de gran aporte para la definición de piezas estructurales, definiendo sus especificidades y dimensionamiento, hasta la correcta colocación y ubicación de cada pieza ladrillera.

La búsqueda de la incorporación de un acompañamiento exterior nos ha servido para establecer un equilibrio, consiente y complejo, entre la necesidad de articulación entre miradas concurrentes y el desarrollo profundo y específico de cada una de ellas.

Durante o desenvolvimento executivo e a elaboração do projeto, contamos com o acompanhamento de consultores externos (engenheiros estruturais, consultores hidrossanitários e de eletricidade), que, a partir de suas disciplinas, contribuíram significativamente para a definição dos elementos estruturais, determinando suas especificidades e dimensionamento, até a correta colocação e posicionamento de cada peça de tijolo.

A busca por incorporar esse acompanhamento externo nos serviu para estabelecer um equilíbrio, consciente e complexo, entre a necessidade de articulação entre olhares complementares e o desenvolvimento profundo e específico de cada uma dessas áreas.


MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

E.A.T. -Si bien contamos con asesores externos que dan sus aportes para la construcción y materialización del edificios, son las áreas de Proyecto y Dirección, dentro de nuestro Estudio, quienes articulan las tomas de decisiones finales, ya que es el área designada para diseñar, proyectar, dirigir y ejecutar la concreción de los espacios proyectados.

Embora contemos com consultores externos que contribuem para a construção e materialização do edifício, são as áreas de Projeto e Direção de Obra, dentro do nosso Escritório, que articulam as tomadas de decisões finais, já que é a área designada para desenhar, projetar, dirigir e executar a concretização dos espaços idealizados.

MDC – ¿Podrían destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

E.A.T. – El terreno donde se implanta el edificio era un pequeño lote residual que se encontraba entre la vida ferroviaria y una avenida. La recuperación de ese lote para el desarrollo del proyecto sirvió como un pequeño estímulo para el desarrollo económico social y su mejora en la cohesión social. A poco tiempo de la construcción, varias intervenciones urbanas empezaron a surgir en el barrio. Este proceso trajo nuevos residentes.

O terreno onde o edifício foi implantado era um pequeno lote residual localizado entre a linha férrea e uma avenida. A utilização desse lote para o desenvolvimento do projeto serviu como um pequeno estímulo para o desenvolvimento econômico e social, além de contribuir para a melhoria da coesão social. Pouco tempo após a construção, várias intervenções urbanas começaram a surgir no bairro. Esse processo trouxe novos moradores.

MDC – Si tuvieran que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizarían algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

E.A.T.– Seguramente sí, ya que la acción del proyectar no es inerte, no es neutral, sino que responde a ciertos factores sociales, políticos y económicos del momento. No obstante, cuando elaboramos nuestros proyectos los pensamos de una manera que se puedan adaptar al contexto en el que opera, para dar respuesta y afrontar retos de alcance universal como el cambio climático, las disrupciones tecnológicas, los colapsos económicos, políticos o sociales.

La disciplina no es un área de conocimiento aislada, sino que trabajamos desde lo multireferencialidad, algo que muta y evoluciona, que aborda los contextos cambiantes y emergentes para buscar una sociedad más justa y sostenible.

Seguramente sim, já que a ação de projetar não é inerte, não é neutra, mas responde a certos fatores sociais, políticos e econômicos do momento. No entanto, quando elaboramos nossos projetos, os concebemos de forma que possam se adaptar ao contexto em que operam, para responder e enfrentar desafios de alcance universal, como as mudanças climáticas, as disrupções tecnológicas, os colapsos econômicos, políticos ou sociais.

A disciplina não é uma área de conhecimento isolada, mas trabalhamos a partir da multirreferencialidade, algo que se transforma e evolui, abordando contextos mutáveis e emergentes em busca de uma sociedade mais justa e sustentável.


MDC – ¿Cómo sitúan esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

E.A.T.– Nuestra propuesta es pensar la arquitectura desde un rol con compromiso social que nos proyecte partiendo de “donde estamos situados hoy”. Nos interesa poder observar y abordar la Ciudad, porque en un gran aglomerado como Buenos Aires se encuentran las mayores desigualdades de la Argentina y es en contextos desiguales donde podremos pensar nuestro rol como arquitectos, en coherencia con una transformación espacial más valiosa.

Muchos compañeros, dentro de nuestra disciplina, desde hace más de 50 años, trabajan para revertir la desigualdad, construyendo el problema y buscando de qué manera transformar la realidad. En ese sentido, visibilizarlo en un punto de partida ya que observar esta realidad nos obliga a pensar.

Nossa proposta é pensar a arquitetura a partir de um papel com compromisso social, que nos projete a partir de “onde estamos situados hoje”. Interessa-nos observar e abordar a Cidade, pois em um grande aglomerado como Buenos Aires se concentram as maiores desigualdades da Argentina, e é em contextos desiguais onde podemos refletir sobre nosso papel como arquitetos, em coerência com uma transformação espacial mais valiosa.

Muitos colegas, dentro da nossa disciplina, há mais de 50 anos, trabalham para reverter a desigualdade, construindo o problema e buscando maneiras de transformar a realidade. Nesse sentido, torná-lo visível já é um ponto de partida, pois observar essa realidade nos obriga a pensar.


MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que les gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

E.A.T.– Estamos muy contentos por el recepción de esta obra tanto de los vecinos como de otros profesionales. Nos permitimos promover la experimentación material como una herramienta para seguir redescubriendo los materiales tradicionales y explorar en busca de soluciones innovadoras propias -situadas y operativas-.

Estamos muito contentes com a recepção desta obra, tanto pelos vizinhos quanto por outros profissionais. Permitimo-nos promover a experimentação material como uma ferramenta para continuar redescobrindo os materiais tradicionais e explorar em busca de soluções inovadoras próprias — situadas e operativas.


ficha técnica

Local: Monroe 5605, Villa Urquiza, Buenos Aires, Argentina
Ano de projeto/ Ano de finalização: 2020 – 2022
Prazo de execução da obra: 2 anos
Área bruta construída: 665 m²
Arquitetura: Estúdio Arqtipo (Arq. Diego Aceto, Arq. Darío Litvinoff, Arq. Alejandro Camp) + Arq. Juan Pablo Negro
Chefe de Projeto: Lucas Gorroño
Colaboração: Martin Giani, Catarina Staric, Belen Canosa, Marcelo Sigrist, Leonardo Pulzoni


Fabricantes:
Corralón Tramontana Ast Materiales Para La Construcción, Carpinterías Construser Alvear, Hormigón Elaborado Ing. Casas, Ascensores Micromac, Ladrillos Corblock, Sanitarios San Martín, Hornos Y Anafes Domec, Griferías Y Sanitarios Fv-Ferrum, Hierros Corletto


Fotos: Federico Kulekdjian


galeria


colaboração editorial

Laura Valadares + Aloísio Silva

deseja citar esse post?

ACETO, Diego. CAMP, Alejandro. LITVINOFF, Dário. NEGRO, Juan Pablo. “Monroe5605”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., out-2025. Disponível em https://mdc.arq.br/2025/10/25/monroe-5605/. Acesso em: [incluir data do acesso].

Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024


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Fraga 586

Por Estúdio Arqtipo
ARGENTINA – Projeto Executivo
10–16 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

06 formatos (pdf).
0,39 Mb


Fraga 586 (texto fornecido pelos autores)

La propuesta interpela los modos de producción actuales, buscando la restauración y ampliación de una construcción patrimonial ubicada en el Barrio de Chacarita, en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires. La misma, se desarrolla proponiendo la puesta en valor de la preexistencia e hibridarla a una ampliación a partir de la manipulación de herramientas proyectuales y un uso austero en su expresión. Para su comprensión, desarrollaremos instancias categóricas para su análisis: contextualización, disposición y configuración.

A proposta questiona os modos de produção atuais, buscando a restauração e ampliação de uma construção reconhecida como patrimônio localizada no Bairro de Chacarita, na cidade Autônoma de Buenos Aires. Ela se desenvolve propondo a valorização da preexistência e sua hibridização com uma ampliação a partir da manipulação de ferramentas projetuais e de um uso austero em sua expressão. Para sua compreensão, desenvolveremos instâncias categóricas para sua análise: contextualização, disposição e configuração.

El proyecto desde la contextualización
O projeto a partir da contextualização

Se propone la ampliación y reciclado de una vivienda tradicional de 1920 ubicada en el barrio de Chacarita, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, en un lote ante esquina, de 10 x 10, que comparte configuración similar a otras edificaciones linderas. El mismo busca generar una relación compleja entre lo existente y lo nuevo, valorando la edificación existente y poniendo en juego nuevas condiciones espaciales inherentes a la propuesta.

En su zócalo, se respeta la fachada original de la casa, con mejoras edilicias; mientras que, en el sector superior, se eleva un volumen silencioso, respetuoso y sensible, que mantiene la altura de su vecino izquierdo (un edificio de 4 niveles de los años 70).

Propõe-se a ampliação e o reaproveitamento de uma residência tradicional de 1920, localizada no bairro de Chacarita, Cidade Autônoma de Buenos Aires, em um lote de esquina com dimensões de 10×10 metros que compartilha configuração similar a outras edificações vizinhas. O projeto busca gerar uma relação complexa entre o existente e o novo, valorizando a construção original e introduzindo novas condições espaciais inerentes à proposta.

No embasamento, respeita-se a fachada original da casa, com melhorias construtivas, enquanto, no pavimento superior, eleva-se um volume silencioso, respeitoso e sensível, que mantém a altura do vizinho à esquerda (um edifício de 4 andares da década de 1970).

Fotografia: Federico Kulekdjian

El proyecto desde la disposición
O projeto a partir da disposição

Se propone generar: una cafetería de especialidad y espacios de encuentro e intercambio colectivo que promueven lugares de indeterminación en busca de una sinergia deseable.

Las operaciones proyectuales buscaron conjugar la composición, volumetría y estructura original de la edificación con un nuevo orden más complejo a partir de estructuras livianas, envolventes interiores sintéticas y ámbitos abiertos. En la intervención, se retiraron algunas particiones interiores de su planta baja y subsuelo con objetivo de albergar espacios amplios que se adapten a las necesidades del comitente, para lograr al mismo tiempo, nuevas condiciones espaciales, aumentar la entrada de la luz natural, generar ventilaciones cruzadas y mejorar la eficiencia energética del edificio.

Propõe-se a criação de uma cafeteria de cafés especiais e de espaços de encontro e troca coletiva que promovem lugares de indeterminação, em busca de uma desejável sinergia.

As operações projetuais buscaram conjugar a composição, a volumetria e a estrutura original da edificação com uma nova ordem mais complexa por meio de estruturas leves, envolventes interiores sintéticas e ambientes abertos. Na intervenção, foram removidas algumas divisórias internas do térreo e do subsolo com o objetivo de abrigar espaços amplos que se adaptem às necessidades do clientes, buscando, ao mesmo tempo, criar novas condições espaciais, aumentar a entrada de luz natural, gerar ventilação cruzada e melhorar a eficiência energética do edifício.

Fotografias: Federico Kulekdjian

El proyecto desde la configuración
O projeto a partir da configuração

Se propone que todos los materiales que se incorporaron busquen generar múltiples relaciones con las preexistencias.

El subsuelo y la planta baja se rehabilitan para mantener los elementos propios y originales: balcones, barandas de hierro forjado, molduras, aberturas, como así también sus bovedillas. Mientras que el primer y segundo piso, lo contemporáneo asume su condición de articulador, utilizando materialidades y texturas que se conjugan de manera empática.

Propõe-se que todos os materiais incorporados ao projeto busquem gerar múltiplas relações com as preexistências.

O subsolo e o térreo são reabilitados com o objetivo de preservar os elementos característicos e originais: varandas, gradis de ferro forjado, molduras, esquadrias, bem como as abobadilhas. Já no primeiro e segundo pavimentos, o contemporâneo assume sua condição de elemento articulador, utilizando materiais e texturas que se combinam de forma empática.

Fotografias: Federico Kulekdjian


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Estúdio Arqtipo (E.A.)

MDC ¿Cómo sitúan esta obra en el contexto de toda su producción?
Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

E.A. – A la hora de pensar en la elaboración del proyecto, nos basamos en la importancia del arraigo y el emplazamiento de la obra en el lugar, con una fusión de tradición y contemporaneidad en un nuevo lenguaje arquitectónico. El habitar constituye el punto de partida de esta obra, y como ésta se relaciona con su exterior entendiendo que sería una búsqueda por la revaloración de la arquitectura pre-existente.
No momento de conceber o projeto, partimos da importância do enraizamento e da implantação da obra no lugar, promovendo uma fusão entre tradição e contemporaneidade em uma nova linguagem arquitetônica. O habitar constitui o ponto de partida desta obra, assim como sua relação com o exterior, entendendo que se trata de uma busca pela revalorização da arquitetura preexistente.

MDC ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto? (Licitación, concurso, contratación directa, otro)
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

E.A – El proceso de contratación de este proyecto fue por contratación directa.
O processo de contratação deste projeto foi por contratação direta.

MDC ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podrían destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

E.A. – Tomamos el edificio pre-existente como un gran contenedor espacial y lo despojamos de particiones para poder liberar múltiples usos. A partir de eso, montamos un estructura metálica que nos permitió enhebrar la estructura existente y generar dos pisos superiores que reconocieron una nueva instancia de complejidad proyectual para terminar de definir la propuesta.

Tomamos o edifício preexistente como um grande contentor espacial e o despojamos de suas divisórias para permitir a liberação de múltiplos usos. A partir disso, montamos uma estrutura metálica que nos permitiu entrelaçar a estrutura existente e gerar dois pavimentos superiores, os quais incorporaram uma nova instância de complexidade projetual para finalizar e definir a proposta.

MDC ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿pueden comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, podem comentar as mais importantes?

E.A. – Dentro del desarrollo ejecutivo y elaboración del proyecto, contamos con el acompañamiento de asesores externos (ingenieros estructurales, sanitaristas, electricistas) que desde su disciplina han sido de gran aporte para desarrollar un compromiso sensible con la pre-existencia. La búsqueda de la incorporación de un acompañamiento exterior nos ha servido para establecer un equilibrio, consiente y complejo, entre la necesidad de articulación entre miradas concurrentes y el desarrollo profundo y específico de cada una de ellas.

Dentro do desenvolvimento executivo e da elaboração do projeto, contamos com o acompanhamento de assessores externos (engenheiros estruturais, sanitários, eletricistas) que, a partir de suas respectivas disciplinas, contribuíram significativamente para desenvolver um compromisso sensível com a preexistência. A busca por esse acompanhamento externo nos serviu para estabelecer um equilíbrio consciente e complexo entre a necessidade de articulação entre olhares convergentes e o desenvolvimento profundo e específico de cada uma dessas áreas.

MDC ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra?

E.A. – Si bien contamos con asesores externos que dan sus aportes para la construcción y materialización del edificio, son las áreas de Proyecto y Dirección, dentro de nuestro Estudio, quienes articulan las tomas de decisiones finales, ya que es el área designada para diseñar, proyectar, dirigir y ejecutar la concreción de los espacios proyectados.

Embora contemos com assessores externos que contribuem para a construção e materialização do edifício, são as áreas de Projeto e Direção, dentro do nosso Escritório, as responsáveis por articular as decisões finais, uma vez que são as áreas designadas para conceber, projetar, dirigir e executar a concretização dos espaços idealizados.

MDC ¿Podrían destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

E.A. – Cuando se pensó el proyecto no se planteó como definitivo sino como una apertura, un espacio flexible y en constante transformación, donde se logró objetivar una serie de variables que en un futuro próximo requerirían de nuevos enfoques y tratamientos. Actualmente, al pensarse con esa flexibilidad permitió a los usuarios albergar una seria de programas híbridos, como: cafetería, co-working, showroom, entre otras.

Quando o projeto foi concebido, não foi pensado como algo definitivo, mas sim como uma abertura, um espaço flexível e em constante transformação, onde se conseguiu objetivar uma série de variáveis que, em um futuro próximo, exigiriam novos enfoques e tratamentos. Atualmente, por ter sido pensado com essa flexibilidade, permitiu aos usuários abrigar uma série de programas híbridos, como: cafeteria, co-working, showroom, entre outros.

MDC Si tuvieran que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizarían algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

E.A. – Seguramente sí, ya que la práctica del proyectar es una producción cultural, no
es neutral, sino que responde a las tensiones de ciertos factores sociales, políticos y económicos que lo atraviesan.

No obstante, cuando elaboramos nuestros proyectos los pensamos de manera que puedan adaptarse a las modificaciones del contexto en el que opera, para dar respuesta y afrontar problemáticas, como el cambio climático, las disrupciones tecnológicas, las crisis económicos, políticos o sociales.

La disciplina no es un área de conocimiento aislada, sino que trabajamos desde lo multireferencialidad, algo que muta y evoluciona, que aborda los contextos cambiantes y emergentes para buscar una sociedad más justa y sostenible.

Seguramente sim, já que a prática de projetar é uma produção cultural, não é neutra, mas responde às tensões de certos fatores sociais, políticos e econômicos que a atravessam.

No entanto, ao elaborarmos nossos projetos, buscamos concebê-los de forma que possam se adaptar às modificações do contexto em que atuam, para responder e enfrentar problemáticas como as mudanças climáticas, as disrupções tecnológicas, as crises econômicas, políticas ou sociais.

A disciplina não é uma área de conhecimento isolada, trabalhamos a partir da multirreferencialidade, algo que muda e evolui, que aborda contextos em constante transformação e emergência, com o objetivo de buscar uma sociedade mais justa e sustentável.

MDC ¿Cómo sitúan esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

E.A. – Nuestra propuesta es pensar la arquitectura desde un rol con compromiso social que nos proyecte partiendo de “donde estamos situados hoy”. Nos interesa poder observar y abordar la Ciudad, porque en un gran conglomerado como Buenos Aires se encuentran las mayores desigualdades de la Argentina y desde ellos permitirnos repensar nuestro rol como arquitectos, con una propuesta de transformación espacial más justa.

Muchos compañeros, dentro de nuestra disciplina, desde hace más de 50 años, trabajan para revertir la desigualdad, construyendo el problema y buscando transformar la realidad. En ese sentido, visibilizarlo es el punto de partida, para comprometernos en la transformación positiva del habitat.

Nossa proposta é pensar a arquitetura a partir de um papel com compromisso social, que nos projete a partir de “onde estamos situados hoje”. Interessa-nos observar e abordar a Cidade, pois em um grande conglomerado como Buenos Aires se concentram as maiores desigualdades da Argentina, e é a partir disso que nos permitimos repensar nosso papel como arquitetos, com uma proposta de transformação espacial mais justa.

Muitos colegas dentro da nossa disciplina, vêm trabalhando há mais de 50 anos para reverter a desigualdade, construindo a compreensão do problema e buscando transformar a realidade. Nesse sentido, tornar essa realidade visível é o ponto de partida para nos comprometermos com a transformação positiva do habitat.

MDC ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que les gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

E.A. – Estamos muy contentos por el recepción de esta obra tanto de los vecinos como de otros profesionales. Nos permitimos promover la experimentación material como una herramienta para seguir redescubriendo los materiales tradicionales y explorar en busca de soluciones innovadoras propias -situadas y operativas-.

Estamos muito contentes com a recepção desta obra, tanto por parte dos vizinhos quanto de outros profissionais. Nos permitimos promover a experimentação material como uma ferramenta para continuar redescobrindo os materiais tradicionais e explorar soluções inovadoras próprias – situadas e operativas.


ficha técnica

Local: Fraga, 586. Chacharita. Ciudade Autónoma de Buenas Aires – Argentina
Ano de projeto: 2023
Área: 484,08 m²
Arquitetura: Estúdio Arqtipo (Arq. Diego Aceto, Arq. Darío Litvinoff, Arq. Alejandro Camp)
Chefe de projeto: Lucas Gorroño
Projeto e Direção de obra: Arq. Daiana Benítez


Fornecedores:
Aço inoxidável: FAMIQ
Instalações sanitárias: Sanitários San Martin
Carpintaria: Construser Alvear
Corralón: Materiales Buenos Aires
Mobiliário Fixo: Oscar Coria
Carteleria exterior: Graphus Diseño
Equipamento: El Yeite
Espelhos: Zamobiliario Industrial
Geladeiras: Lareu
Serralheria estruturaç: Gustavo Archidiácomo
Serralheria interior: PABLO Martinez
Serralheria mobiliário: Rodolfo Cavallero
Concreto: Ingeniero Casas
Forno: Master Supply
Iluminação: Loop Iluminación
Instalações elétricas: Adan Mercado
Instalações sanitárias: Ever Ramirez
Metal expandido: Hierro Torrent
Minionda: Insuma Sur
Paineis telhado: Acier Argentina SA
Perfil: Hierros Corleto
Pintura: Pintureria San Andre + Juan Ocampo
Pisos coworking: Link Maderas
Pisos exteriores: Placas Zatoh
Pisos PB: Terra Calcáreos
Pisos sanitários: Micromac
Telhado de vidro: Carpinteria 3 de Febrero
Toldo exterior: Melior
Revestimento barra: Leandro Caporale
Vidros: Jorge Robles + Marcelo Fortuna

Fotos: Federico Kulekdjian


galeria


colaboração editorial

Aloísio Silva

deseja citar esse post?

ACETO, Diego. CAMP, Alejandro. LITVINOFF, Dário. “Fraga 586”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., set-2025. Disponível em https://mdc.arq.br/2025/09/24/fraga-586/. Acesso em: [incluir data do acesso].

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Cora Restaurante

Por Vapor Arquitetura
BRASIL – Intervir no Construído
4–7 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

11 pranchas (pdf).
12,77 mb


Cora Restaurante (texto fornecido pelos autores)

Projeto para uma nova cobertura em edifício existente na rua Amaral Gurgel, na borda da via elevada denominada de Minhocão pelos paulistanos – potencial parque linear elevado no centro de São Paulo.

Fotografias: Arthur Duarte

O Cora Restaurante, portanto, tem essa premissa: a proposição de um novo uso às coberturas dos edifícios nas bordas imediatas do Minhocão, dialogando com essa possibilidade de uma centralidade de lazer para São Paulo.

Fotografias: Arthur Duarte

A chegada de elevador à cobertura leva ao hall de entrada do restaurante, uma grande janela com vista a alguns prédios icônicos do centro da cidade, e um balcão de espera cravado no intervalo das áreas de operação do restaurante. De um lado, as vistas para a cozinha e do outro o bar, com franco diálogo ao terraço.

Fotografias: Arthur Duarte

Contexto, Fluxos, Planta e Cortes

As áreas de produção organizam uma faixa central do restaurante que delimita os fluxos a dois salões principais, tratados como varandas debruçadas à cidade. Um salão com cobertura retrátil na face sul, e o terraço na face norte com os assentos ao ar livre e visuais desimpedidas ao Minhocão e ao Centro.

Fotografias: Eduardo Magalhães

Cortes em maquete eletrônica

Diante da análise da estrutura do edifício existente, partiu-se para o emprego de estruturas leves e com as cargas encaminhadas em grande parte para a fachada perimetral do prédio. Uma estrutura metálica conformou o corpo principal da nova edificação, marcada pela sucessão de sheds na cobertura. Nos fechamentos externos e internos adotou-se sistema tipo wire-frame com revestimentos variados em chapas cimentícias e chapeamentos metálicos.  

Fotografias: Arthur Duarte

Elevação, Cortes e Detalhe

A nova edificação desenha, portanto, este novo coroamento do prédio ali existente, anunciando este novo uso à cidade, estas novas camadas de ocupação dos seus edifícios.

Fotografia: Glauco Rossi


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Rodrigo Ferreira Oliveira | Vapor Arquitetura (V.A.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

V.A. – É um projeto importante na trajetória do escritório. Após a realização de alguns projetos de restaurantes anteriores, esse projeto é uma experiência mais madura e segura. Além disso, é o primeiro projeto com um protagonismo / relevância espacial urbana, e que culmina no meu ponto de vista com o início de uma expressão mais contundente sobre a identidade da produção do escritório.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

V.A. – Contratação direta.

MDC -Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?

V.A. – O projeto se iniciou enquanto a obra de renovação do edifício estava em andamento. Isso foi determinante para o entendimento das pré-existências e para as definições do projeto serem mais assertivas.

MDC – Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?

V.A. – O entendimento estrutural do edifício, por exemplo, foi condicionante desde o início para a estratégia estrutural do projeto. A laje existente de cobertura do edifício não suportava cargas diretas, logo a solução foi partir para soluções construtivas leves e um piso “flutuante” com vigamentos metálicos de encaminhamento das cargas da nova construção para as paredes perimetrais do edifício.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?

V.A. – Sim. Uma série de fatores técnicos foram debatidos em conjunto com os engenheiros complementares como, por exemplo, o local dos contraventamentos da estrutura, ou o encaminhamento dos dutos de ventilação e exaustão, desenhados em conjunto para a melhor resolução estética.

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?

V.A. – Sim, foi recorrente nossa participação em obra, e com ajustes no projeto em diversos momentos. Seja com adaptações técnicas como também com adaptações em função de restrições financeiras de determinadas soluções.

MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?

V.A. – Este projeto é uma construção nova sobre um edifício existente. Portanto, neste caso as pré-existências foram mais “complicadores”, e resultaram em grande parte em aumento do orçamento da obra.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

V.A. – Vejo este restaurante com um potencial urbano que vai além do mero programa de um restaurante. Ele é a oportunidade de uma cobertura útil em um edifício lindeiro a um potencial parque linear urbano. Um mirante para o centro da cidade… E vejo que essa dinâmica de certa forma acontece hoje em dia com esse restaurante.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

V.A. – Deixaria o hall de entrada livre, sem o balcão de pedra entre o bar e a cozinha.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

V.A. – Contextualizo como uma produção de uma geração de arquitetes jovens, que está atenta às pré-existências e a uma arquitetura mais flexível, e ao meu ver, com uma aceitação mais fácil e direta pelo grande público.


ficha técnica

Local: Vila Buarque, São Paulo/SP – Brasil
Ano de projeto: 2020
Ano da obra: 2021
Área: 175 m²
Arquitetura: Vapor Arquitetura | Rodrigo Ferreira Oliveira, Thomas Frenk, Bruno Lopes, Simone Shimada e Zique Lique


Complementares
Estrutural: Heloísa Maringoni
Instalações: Edson Prado
Exaustão e Refrigeração: Tubo Ar
Luminotecnico: Auma Estúdio
Cozinha Industrial: Pucci Sifuentes
Identidade Visual: Beatriz Dorea


Fotos: Arthur Duarte, Eduardo Magalhães e Glauco Rossi
Contato: vapor@vaporarquitetura.com

Premiações:
Prêmio IAB.SP 2021 | Edição Centenário: categoria Interiores e Design – Enfoque em Sustentabilidade e Cuidado ao Entorno.


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire + Cecília Ellen

deseja citar esse post?

OLIVEIRA, Rodrigo Ferreira. FRENK, Thomas. LOPES, Bruno. SHIMADA, Sinome. LIQUE, Zique. “Cora Restaurante”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., set-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/09/24/cora-restaurante/ Acesso em: [incluir data do acesso].


Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Museu do Pão

Por Brasil Arquitetura
BRASIL – Intervir no Construído
7–10 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

8 formatos (pdf).
93,78 kb


Museu do Pão – Moinho Colognese (texto fornecido pelos autores)

Devemos encarar a cultura como algo que vai da tradição à invenção. Temos de preservar o que de melhor criamos e construímos em história, sob pena de nos aprisionarmos num presente desfigurador. E precisamos apostar no novo, porque ele é ingrediente fundamental de afirmação e de transformação de nossas comunidades e do conjunto da sociedade. Essa dialética permanente entre tradição e invenção, somada a nossa abertura crítica para assimilar e recriar linguagens e informações produzidas em outros cantos do planeta, é um traço central da cultura brasileira.

Dentro dessa ótica os imigrantes italianos construíram o moinho de Ilópolis. Foi também dentro dessa mesma ótica que restauramos o Moinho Colognese e criamos o Museu do Pão, conjunto que compreende o museu, a oficina de panificação e o próprio moinho.

Croqui: Acervo Brasil Arquitetura

No final do século 19 e início do 20, o Brasil recebeu uma grande quantidade de imigrantes vindos dos mais diversos países, como Alemanha, Japão, Itália, Líbano, Ucrânia e Polônia. Tratava-se de uma tentativa do governo brasileiro de branquear um país predominantemente negro, recém-saído de séculos de escravidão, recebendo trabalhadores estrangeiros que fugiam da fome e da pobreza em suas terras de origem.

Da Itália, bastante empobrecida, vieram principalmente habitantes da região do Vêneto, que se fixaram, em sua maioria, em São Paulo e no Sul do país. Como novos colonizadores, esses imigrantes desbravaram as terras que receberam do governo e que ficavam em regiões serranas de difícil acesso, uma vez que as terras mais planas e férteis já estavam nas mãos dos alemães, que haviam chegado antes.

Era, novamente, a conquista da América; o sonho de uma nova vida, uma nova era. E do encontro de italianos e brasileiros nasceu uma cultura miscigenada, com traços originais e singulares.

Croqui: Acervo Brasil Arquitetura

Um dos testemunhos mais fortes dessa época e dessa epopeia são as construções dos moinhos coloniais que ainda hoje encontramos na região da Serra Gaúcha. Esses artefatos, destinados à fixação das comunidades em torno da produção de farinha, são frutos do conhecimento e da engenhosidade trazida pelo imigrante e do encontro, na região, de novos materiais – basicamente a madeira da araucária, o pinho brasileiro. Os remanescentes desses moinhos, encontrados aqui e ali na exuberante paisagem da serra, são belos e insubstituíveis documentos da nobre junção da técnica com a estética.

Fotografias: Nelson Kon

Mas apesar de sua importância histórica, esses moinhos estavam fadados a desaparecer em virtude do abandono e do esquecimento típicos de nossos dias. Em 2003, num grupo de amigos, foi lançada a ideia da criação de uma rota turístico-cultural – o Caminho dos Moinhos – e iniciada uma campanha de coleta de fundos para a recuperação de um primeiro exemplar, o Moinho Colognese, construído no início do século passado em Ilópolis – pequena cidade encravada no alto do Vale do Taquari.

Fotografias: Nelson Kon

Para não cair num projeto nostálgico, decidimos agregar a esse moinho – que deveria ser restaurado para voltar a funcionar e produzir farinha de milho para polenta – o Museu do Pão e a Oficina de Panificação. Novas necessidades, usos contemporâneos. E assim nasceu o projeto arquitetônico do conjunto.

Planta, Cortes e Elevações

Com uma linguagem arquitetônica contemporânea e bastante brasileira, dois novos blocos em concreto e vidro dialogam com o velho moinho de madeira. Cem anos os separam no tempo, mas uma ideia forte os une, e é justamente a da celebração da madeira. Tudo ali é araucária: o moinho e seus mecanismos, as novas varandas e os passadiços que lembram as casas dos imigrantes, os painéis corrediços brise-soleil, os capitéis dos pilares a lembrar das fantásticas estruturas internas dos moinhos e até o concreto armado, marcado – como em fotografias – pelas formas de tábuas.

Fotografias: Nelson Kon

Com o tempo, todos esses elementos se aproximaram em aparência pelo tom acinzentado do envelhecimento da madeira: mimese à distância e verdade dos materiais quando vistos de perto.

Nesse pequeno conjunto, tudo é museu e museografia, incluindo aí a arquitetura, o jardim, os objetos e seus significados. A peça principal desse museu é o próprio moinho; no jardim uma coleção de pedras mó – granito e basalto de várias cores e durezas, destinadas a diferentes tipos de moagem de milho e trigo; no entorno, um pequeno canal de água alimentado por uma nascente embaixo do moinho delimita o terreno do museu; é uma referência e uma homenagem a Carlo Scarpa, grande arquiteto, também do Vêneto, que tantas lições nos deixou no diálogo da arquitetura contemporânea com a antiga.

Fotografias: Nelson Kon

Acreditamos que nessa obra a arquitetura cumpre seu nobre papel de renovação cultural,
protagonizando o reencontro da comunidade local com sua história, agora em novas bases
de sonhos e utopia: arquitetura de raízes e antenas.

Fotografias: Nelson Kon


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Francisco Fanucci (F.F.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

F.F. – Foi uma das experiências do que chamamos de ação arquitetônica: não havia cliente, não havia projeto. Fizemos o projeto e o oferecemos a um potencial cliente. Deu certo.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

F.F. – Contratação direta pela empresa NESTLÉ do Brasil.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

F.F. – Uma visita a um moinho desativado e abandonado construído por imigrantes italianos no início do século XX, na pequena cidade de Ilópolis, na Serra Gaúcha. Uma construção/máquina inteiramente de madeira – Araucaria angustifolia – um dos poucos exemplares restantes na região. A decisão de construir os moinhos foi tomada ao mesmo tempo da decisão de ficar no Brasil – a idéia da volta foi abandonada. Era preciso salvar esses moinhos do abandono. Assim se iniciou a fase de concepção do projeto.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, podem comentar as mais importantes?

F.F. – A “salvação” do moinho só foi possível com sua reinserção ativa na vida da cidade. A ideia do Museu do Pão – o moinho com o duplo papel de ser a obra principal e também o próprio museu vivo – e os pequenos edifícios que o ladeiam – um de paredes de vidro para se poder ver a construção de madeira e abrigar o acervo doado pelos outrora italianos, outro de concreto com janelas e luz zenital para abrigar uma escola de confeitaria e culinária que utiliza os produtos do próprio moinho – são capazes de viabilizar esse processo de “salvação” do moinho Colognese.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra?

F.F. – Os autores do projeto e o fotógrafo que fez as primeiras fotos do museu fizeram o acabamento final e limpeza da obra. Foi definida uma data para sua inauguração, com a presença do presidente da Nestlé e da governadora do estado, à época.

Achamos um vôo muito barato às vésperas dessa data e resolvemos voar – todos do escritório mais o fotógrafo Nelson Kon – para lá e participar da festa. A governadora adiou a inauguração oficial.
Mas nós não: Inauguramos o museu pra nós e para os trabalhadores que ainda estavam lá. Foi uma bela festa.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

F.F. – A frequente visitação, por parte de turistas e estudantes de arquitetura do Brasil e até da Argentina.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

F.F. – Não sei. Só sei que cada projeto é uma história…

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

F.F. – Um resgate de um edifício historicamente significativo, abandonado e quase em ruínas.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

F.F. – Salientar que é possível alargar o programa, fazer o “reprograma”, como dizia Louis Kahn.


ficha técnica

Local: Ilópolis, Rio Grande do Sul – Brasil
Ano de projeto: 2005
Ano de conclusão da obra: 2007
Área: 530 m²
Arquitetura: Brasil Arquitetura | Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Anselmo Turazzi
Equipe: Anne Dieterich, Cícero Ferraz Cruz, Fabiana Fernandes Paiva, João Grinspum Ferraz, Bruno Levy, Carol Silva Moreira, Gabriel R. Grinspum, Luciana Dornellas, Pedro Del Guerra, Victor Gurgel, Vinícius Spira, Ismael Rosset

Autores complementares e consultores:
Consultor Estrutural: Fábio Oyamada
Luminotécnica: Ricardo Heder
Pintura Azulejos: Márcia Fátima Tomasini
Levantamento Cadastral do Moinho: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e Universidade de Caxias do Sul – UCS
Restauro do Moinho: Instituto Ítalo Latino Americano – IILA e Universidade de Caxias do Sul – UCS
Recuperação do maquinário do Moinho: Ruimar Sfoglia e equipe
Coordenador geral do projeto Caminho dos Moinhos: Manuel Touguinha

Construção:
Habitare Construtora – Eng. Alexandre Zat


Fotos: Nelson Kon
Contato: brasilarquitetura@brasilarquitetura.com


Prémios e Exposições:
2008 – Vencedor Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, categoria Preservação de Bens Móveis e Imóveis, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, Brasília DF
2008 – Vencedor prêmio O Melhor da Arquitetura, categoria Edifícios de Uso Misto, revista Arquitetura & Construção, São Paulo
2008 – Finalista prêmio World Architecture Festival, Barcelona, Espanha
2008 – Vencedor Prêmio Rino Levi, Instituto de Arquitetos do Brasil, São Paulo
2009 – Menção honrosa Prêmio Gubbio, seção América Latina e Caribe
2010 – Finalista VII Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo – BIAU, Medellín, Colômbia


galeria


colaboração editorial

Isabela Gomide + Aloísio Silva + Cecília Ellen

deseja citar esse post?

FANUCCI, Francisco. FERRAZ, Marcelo. TURAZZI, Anselmo. “Museu do Pão”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jul-2025. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2025/07/10/museu-do-pao/. Acesso em: [incluir data do acesso].

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Instituto Socioambiental – ISA

Por Brasil Arquitetura
BRASIL – Projeto Executivo
5–7 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

14 formatos (pdf).
4,84 Mb


Instituto Socioambiental – ISA (texto fornecido pelos autores)

São Gabriel da Cachoeira é um município de cerca de 45 mil habitantes, de maioria indígena, no qual convivem 22 etnias. Situada mil quilômetros a noroeste de Manaus, localiza-se na região amazônica onde Brasil, Colômbia e Venezuela fazem fronteira. A implantação da sede do Instituto Socioambiental – ISA – na cidade, entre o tecido urbano mais denso e a margem do Rio Negro, foi pensada justamente para evidenciar a possibilidade de se estabelecer uma relação mais gentil e amigável entre a ocupação humana e o meio ambiente, entre urbis e natureza.

Trata-se de um esforço em se contrapor à prática recorrente em cidades ribeirinhas de se construir de costas para as águas, utilizando os rios como esgoto doméstico ou coletor de lixo. Nesse sentido, o edifício do ISA se abre para a cidade como um equipamento democrático de uso público e coletivo e também reverencia a paisagem natural – o rio com suas belas águas negras e praias de areia branca, na imensidão de mata amazônica, a se perder de vista.

Fotografias: Daniel Ducci

O projeto teve como fatores determinantes, e até norteadores, as dificuldades construtivas da região, devido ao seu isolamento, somadas às reduzidas opções de materiais disponíveis. Como resultado, chegamos a uma arquitetura bastante simples, sintética. O edifício é um cubo branco de 16 x 16 m, com três pavimentos, construído com técnicas tradicionais de alvenaria revestida e caiada. Uma pele de madeira o protege das fortes chuvas amazônicas com rajadas de vento, e uma grande cobertura de palha piaçava, material farto na região, proporciona-lhe conforto térmico, assemelhando-o a uma maloca indígena.

Fotografias: Daniel Ducci

Recorremos às habilidades da mão de obra nativa – não só da região, mas também da Colômbia e da Bahia – no trabalho com madeira, cipós e palha para a cobertura e também para a estrutura periférica que veste a construção central e abriga toda a circulação vertical e horizontal, formando marquises, balcões e escadas.

Fotografias: Croqui: Acervo Brasil Arquitetura

O edifício do ISA procura aliar e fundir todas as concepções espaciais ao programa de uso rico e variado proposto pelos dirigentes da instituição e pelos conselhos indígenas. Uma circulação externa independente – escadas e varandas – dá acesso ao salão multiuso para trabalho, área para exposições, projeções e conferências, biblioteca, apartamentos para pesquisadores e visitantes, cozinha coletiva e uma grande sala de convivência com um redário para descanso ou reuniões.

Plantas e Cortes

Com suas varandas, seu salão aberto e acolhedor no térreo e seu terraço panorâmico na cobertura, podemos afirmar que o edifício todo é uma grande área de encontros de trabalho e lazer dos usuários e visitantes. Todo o projeto, também em sua relação com a cidade e com a natureza, está fundado nos princípios da convivência.

Fotografias: Daniel Ducci


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Francisco Fanucci (F.F.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

F.F. – Uma obra única, pelas peculiaridades do lugar, de suas culturas, e de suas tecnologias.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

F.F. – Contratação direta pelo Instituto Socioambiental.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

F.F. – Uma construção no norte amazônico, às margens do Rio Negro. A linha do rio nos deu o alinhamento leste/oeste para o edifício. O clima local – extremamente quente e úmido – e a implantação expõem a casa à insolação direta o dia todo. Chuvas torrenciais são muito frequentes, às vezes chuvas quase horizontais. A participação dos povos locais na construção. Essas condições colocam essa experiência como muito rara, como uma “inflexão conceitual” obrigatória, pode-se dizer.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, podem comentar as mais importantes?

F.F. – O projeto foi desenvolvido em nosso escritório, em São Paulo. Participou diretamente dele nosso time à época. As soluções foram surgindo naturalmente ao longo do processo. Uma construção muito simples, de forma quadrada, 3 pisos, estrutura de concreto, paredes de alvenaria, fachadas com grid de madeira para aparar as tais chuvas horizontais e amenizar o calor no interior, cobertura de sapê sobre estrutura de madeiras roliças levemente curvadas. Essa parte da fachada e da cobertura foram executadas pelos indígenas locais.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra?

F.F. – Podemos dizer que sim, que os construtores da cobertura são também autores do respectivo projeto. Fizemos uma maquete, escala 1:50 e a enviamos pra lá. Eles ficaram observando a maquete e nos responderam que poderiam executar aquilo. E executaram – à sua maneira. Em suas construções nas aldeias, na finalização, eles retiram o esteio central e a cobertura, como um milagre, fica lá, sustentada pela trama de madeiras roliças à moda de guarda chuva. Em nosso caso, sobre o prédio de 3 pisos, implantado no barranco mais alto do rio, o esteio central ficou lá, pra segurar a cobertura do vento, como uma âncora, evitando outro milagre, a cobertura sair voando…

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

F.F. – O edifício é a sede do ISA, com acomodações para os pesquisadores, sala para conversas com as nações locais compostas de muitas etnias. O espaço mais frequentado, contudo, é o terraço coberto, que tem uma cozinha e a vista mais ampla do rio e da floresta. Na sombra do sapê, com a brisa fresca do rio.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

F.F. – Não sei. Cada projeto é uma história…

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

F.F. – Não sei responder a essa questão.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

F.F. – Uma experiência rara, de trabalhar em conjunto com a população, em lugar tão peculiar, culturalmente e fisicamente.


ficha técnica

Local: São Gabriel da Cachoeira, Amazonas – Brasil
Ano de projeto: 2000
Ano de conclusão da obra: 2006
Área: 530 m²
Arquitetura: Brasil Arquitetura | Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Anderson Freitas, Pedro Barros, Juliana Antunes
Equipe: Anne Dieterich, Cícero Ferraz Cruz, Bruno Levy, Gabriel R. Grinspum, Rodrigo Izecson


Autores complementares e consultores:
Engenharia: Promon Engenharia
Luminotécnica: Reka

Construção:
GAD Engenharia

Fotos: Daniel Ducci e Beto Ricardo
Contato: brasilarquitetura@brasilarquitetura.com

Prémios e Exposições:
2016 – Menção honrosa Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona, Fundação Rogelio Salmona, Bogotá, Colômbia


galeria


colaboração editorial

Laura Valadares + Aloísio Silva

deseja citar esse post?

FANUCCI, Francisco. FERRAZ, Marcelo. FREITAS, Anderson. Barros, Pedro. ANTUNES, Juliana. “Instituto Socioambiental”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jul-2025. Disponível em https://mdc.arq.br/2025/07/10/instituto-socioambiental-isa/. Acesso em: [incluir data do acesso].

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Praça das Artes

Por Brasil Arquitetura
BRASIL – Projeto Executivo
6–9 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

23 pranchas (pdf).
22,52 mb


Praça das Artes (texto fornecido pelos autores)

Há projetos de arquitetura que se impõem soberanos em grandes espaços livres, situações aprazíveis e visíveis à distância. Há também projetos que se acomodam em situações adversas, espaços mínimos, nesgas de terrenos comprimidos por construções preexistentes, sobras de áreas urbanas, projetos em que os parâmetros para seu desenvolvimento são ditados pelas dificuldades. O caso da Praça das Artes se enquadra entre estes últimos.

Nosso projeto nasce de dentro para fora, das entranhas, e se conforma a partir delas; se apresenta à cidade como uma denúncia da falência de um modelo urbano que já não serve, já não funciona na escala da metrópole. Casas ou pequenos edifícios com quintais nos fundos de longos lotes não mais se justificam e acabam dando lugar ao vazio inútil. Buscamos entender o que estava obsoleto, sem uso ou função, o que tinha caducado desse velho desenho urbano, e fazer disso nossa matéria-prima de projeto. Dessa sobra, ou melhor, com esse bagaço que a cidade cuspiu, construímos a praça das Artes.

Croquis

Por isso mesmo, como denúncia, os vazios no rés do chão não foram ocupados, nem mesmo com colunas, criando uma grande passagem pública a céu aberto – um espaço de encontros, a praça que dá nome ao conjunto. Os novos edifícios se apoiam nas bordas dos terrenos, resultado de uma arquitetura que se faz a partir de adversidades e restrições e que não precisa da terra arrasada como pedestal.

O que nos leva a uma escolha e decisão conceitual é, precisamente, a natureza do lugar e sua compreensão enquanto espaço resultante de fatores sociopolíticos ao longo de décadas – ou séculos – de formação da cidade. Compreender o lugar não somente como objeto físico, mas como espaço de tensão, de conflitos de interesses, de subutilização ou mesmo abandono, tudo importa.

Plantas

Se, por um lado, o projeto deveria responder à demanda de um programa de diversos novos usos ligados às artes musicais e do corpo, deveria também responder de maneira clara e transformadora a uma situação física e espacial preexistente, com vida intensa e com uma vizinhança fortemente presente. Mais ainda: deveria regenerar espaços degradados, criar novos espaços de convivência a partir da geografia urbana, da história local e dos valores contemporâneos da vida pública. Podemos dizer que, nesse caso, projetar é captar e inventar o lugar a um só tempo, numa mesma ação.

A partir do centro da quadra, o novo edifício se desenvolve em três direções – Vale do Anhangabaú, avenida São João e rua Conselheiro Crispiniano –, como um polvo a estender seus tentáculos e ocupar espaços. Um conjunto de edifícios em concreto aparente pigmentado, com área total de 28.500 metros quadrados, suspenso sobre as passagens urbanas, é o elemento principal que estabelece um novo diálogo com os edifícios remanescentes da quadra e do entorno.

Cortes

O antigo Conservatório Dramático Musical de São Paulo, um importante marco histórico e arquitetônico da cidade que há décadas estava inutilizado, foi incorporado ao conjunto como sala de recitais e espaço expositivo. Restaurado e reabilitado, esse edifício passou a integrar um complexo de novas construções que abrigam as instalações para o funcionamento das escolas de música e dança e dos corpos artísticos do Teatro Municipal – orquestra sinfônica, corais e balé da cidade, além de centro de documentação, restaurantes, estacionamentos e áreas de convivência.

A implantação desse equipamento cultural, além de atender à histórica carência de espaços para o funcionamento do Teatro Municipal, desempenha papel estratégico na requalificação da área central da cidade, priorizando o pedestre. A partir de um rico e complexo programa de uso, focado nas atividades profissionais e educacionais de música e dança, ele marca fortemente seu caráter público, indutor da convivência e da vida urbana.


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Francisco Fanucci | Brasil Arquitetura (B.A.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

F.F. – Construção de vazio na região central da metrópole.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

F.F. – Contratação direta pela Secretaria de Cultura Municipal de São Paulo.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

F.F. – O programa era construir espaços para abrigar as Escolas Municipais de Dança e de Música e os corpos estáveis do Teatro Municipal: Orquestra Sinfônica Municipal, Ballet da Cidade, Quarteto de Cordas, Orquestra Experimental de Repertório, Coral Paulistano, Coral Lírico de São Paulo e reformar e restaurar o Conservatório Dramático Musical de São Paulo, um bem tombado. O lugar do projeto era formado por alguns terrenos e pelo miolo da quadra formada pela Avenida São João, da Rua Conselheiro Crispiniano e Rua Formosa (Vale do Anhangabaú). Fruto tardio de um urbanismo de quadras fechadas por casas com quintal, que resultam hoje em áreas fechadas internas submetidas a subutilização, abandono e até mesmo depósitos de lixo a céu aberto, no coração da metrópole. Ao programa adicionamos a abertura de um desses vazios, transformando-o em área pública. Construímos nas bordas desse espaço edifícios elevados em concreto pigmentado na cor de terra, sem pilares, liberando todo o rés-do-chão. Construímos o vazio. Essa a “inflexão conceitual”.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, pode comentar as mais importantes?

F.F. – Sim. Além do descrito no item acima, foi demolido o edifício anexo de 8 pavimentos construído ao fundo do Conservatório nos anos 1970. Nós só tivemos acesso uma única vez ao Conservatório e seu anexo, autorizado pelos ocupantes, com o acompanhamento de um oficial de justiça, por 1 hora. Posteriormente, quando o imóvel foi desapropriado, com o projeto já praticamente pronto, nova vistoria nos revelou que a estrutura desse edifício anexo estava totalmente comprometida. Sua recuperação estrutural era demasiadamente onerosa e seus espaços internos ficariam inabitáveis. A solução foi sua demolição. E a reconstrução foi feita em concreto pigmentado de vermelho. Outra inflexão.

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

F.F. – Sim, acompanhamos a obra diariamente.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

F.F. – Sim, o uso contínuo e variado do piso rés do chão, seja por músicos ou bailarinos que ali se apresentam, ou por simples transeuntes que descansam um pouquinho, sob a sombra dos edifícios sobrelevados.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

F.F. – Não sei, cada projeto é uma história.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

F.F – Creio que seja uma obra significante e exemplar (há outros vazios fechados esperando abertura), para a revitalização do centro da cidade.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

F.F. – Salientar que é possível alargar o programa, fazer o “reprograma”, como dizia Louis Kahn.


ficha técnica

Local: São Paulo/SP – Brasil
Ano de projeto: 2006
Ano da obra: 2012
Arquitetura: Brasil Arquitetura | Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz com Luciana Dornellas; e Marcos
Cartum | Secretaria Municipal de Cultura
Colaboradores: Cícero Ferraz Cruz, Fabiana Fernandes Paiva, Anselmo Turazzi e Carol Silva Moreira
Equipe: Anne Dieterich, Beatriz Marques de Oliveira, Felipe Zene, Fred Meyer, Gabriel Grispum, Gabriel Mendonça, Victor Gurgel, Pedro Del Guerra,Thomas Kelley e Vinícius Spira
Estagiários: André Carvalho, Júlio Tarragó e Laura Ferraz
Desenvolvimento de Projeto Executivo: Apiacás Arquitetos e Yuri Faustinoni, Elcio Yokoyama, Ingrid Taets



Complementares
Projeto Estrutural: FTOyamada
Projeto Fundações: Infraestrutura
Projeto Instalações Elétricas e Hidráulicas: PHE Engenharia
Projeto de Acústica e Cenotecnia: Acústica & Sônica
Projeto Luminotécnico: Ricardo Heder
Projeto Ar Condicionado e Exaustão: TRThermica
Paisagismo: Raul Pereira Paisagismo
Consultoria Impermeabilização: Proassp
Consultoria de Caixilhos: Aluparts
Consultoria Cozinha: Gisela Porto
Painéis de Tapeçaria Mineira | Forro Restaurante: Edmar de Almeida
Luminária “Urucum” | Sala de Concertos: Rodrigo Moreira e Madeeeeira Marcenaria e Serralheria


Fotos: Nelson Kon
Contato: brasilarquitetura@brasilarquitetura.com

Premiações:
2016 | Menção Honrosa Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona, Fundação Rogelio Salmona, Bogotá, Colômbia


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colaboração editorial

Ana Júlia Freire + Aloísio Silva

deseja citar esse post?

FANUCCI, Francisco. FERRAZ, Marcelo. DORNELLAS, Luciana. CARTUM, Marcos. “Praça das Artes”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jul-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/07/10/praca-das-artes/ Acesso em: [incluir data do acesso].


Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Reforma de Vivienda en el Multifamiliar CUPA

Por Escobedo Soliz
MÉXICO – Intervir no Construído
13–20 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO COMPLETO
ARQUITETURA

9 formatos (pdf).
2,11 mb


Reforma de Vivienda en el Multifamiliar CUPA (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

El centro urbano Presidente alemán (CUPA) Fue diseñado por el Arquitecto Mario Pani en 1947 y construido por Ingenieros Civiles Asociados (ICA) de 1947 a 1949.

O Centro Urbano Presidente Alemán (CUPA) foi projetado pelo arquiteto Mario Pani em 1947 e construído pela empresa Ingenieros Civiles Asociados (ICA) de 1947 a 1949.

El CUPA fue el primer Multifamiliar de México y uno de los primeros experimentos de vivienda de interés social de gran altura en el mundo. Su diseño a nivel urbano-arquitectónico retoma varios principios del utópico plan maestro de de la Villa Radiante que propuso Le Corbusier en 1933 como una nueva estrategia para hacer frente a la creciente demanda de vivienda de la Ciudad de México. 

O CUPA foi o primeiro conjunto habitacional multifamiliar do México e um dos primeiros experimentos de habitação de interesse social em grande altura no mundo. Seu projeto, tanto urbano quanto arquitetônico, retoma vários princípios do plano diretor utópico da “Cidade Radiante” proposto por Le Corbusier em 1933 como uma nova estratégia para enfrentar a crescente demanda por moradia na Cidade do México.

Fotos: Ariadna Polo

El conjunto se compone de 1080 viviendas en cinco tipologías diferentes que se distribuyen en seis edificios de gran altura y otros seis edificios mas bajos dentro de una super manzana. En la planta baja se ubicarón servicios, comercios y equipamiento para los habitantes del conjunto. Gracias a la alta densidad de sus edificios se lograba ocupar menos del 30% de superficie de desplante, dejando una gran área libre para espacios verdes y equipamiento deportivo.

O conjunto é composto por 1.080 unidades habitacionais de cinco tipologias diferentes, distribuídas em seis edifícios de grande altura e outros seis edifícios mais baixos dentro de uma superquadra. No térreo foram instalados serviços, comércios e equipamentos para os moradores do conjunto. Graças à alta densidade dos edifícios, foi possível ocupar menos de 30% da área do terreno, deixando uma grande área livre para espaços verdes e equipamentos esportivos.

Los edificios tenian un robusto y modular sistema estructural de vigas y columnas de concreto que evitaban muros estructurales y permitia mucha flexibilidad para reconfigurar las viviendas al interior. La Diseñadora Clara Porsett participó con propuestas tipo de interiores y mobiliario para las cinco tipologías de vivienda que podían incluirse junto con la compra de la vivienda.

Os edifícios contavam com um sistema estrutural robusto e modular de vigas e pilares de concreto, o que eliminava a necessidade de paredes estruturais e permitia grande flexibilidade para a reconfiguração interna das unidades. A designer Clara Porset participou com propostas de interiores e mobiliário tipo para as cinco tipologias de moradias, que podiam ser adquiridos juntamente com a compra da unidade.

Proposta original de 1949

Nuestros clientes, una pareja con dos hijos, se mudaron al CUPA hace mas de 15 años. Su departamento corresponde a la tipología de “vivienda tipo A” que consta 55 m² distribuidos en dos niveles.

Nossos clientes, um casal com dois filhos, mudaram-se para o CUPA há mais de 15 anos. O apartamento deles corresponde à tipologia “habitação tipo A”, com 55 m² distribuídos em dois níveis.

Fotos: Ariadna Polo

El nivel de acceso tiene 12 m² y originalmente albergaba la cocina y el comedor. El nivel inferior tiene 43 m² y originalmente albergaba la sala, recámara principal, recamara secundaria y baño. Actualmente, debido al poco espacio de guardado y las castigadas dimensiones de las recámaras en la propuesta original, nuestros clientes ocuparon todo el nivel inferior como área de recámaras, sala de tv, closets y espacio de guardado, todo en una planta libre y sin divisiones lo que quitaba mucha privacidad entre padres e hijos . En el nivel de acceso, la cocina y el comedor se mantenian como en la propuesta original.

O nível de acesso tem 12 m² e originalmente abrigava a cozinha e a sala de jantar.
O nível inferior possui 43 m² e originalmente acomodava a sala de estar, o quarto principal, um quarto secundário e o banheiro. Atualmente, devido à falta de espaço de armazenamento e às pequenas dimensões dos quartos na proposta original, nossos clientes utilizavam todo o nível inferior como área de dormitórios, sala de TV, closets e armazenamento, tudo em um espaço livre e sem divisões, o que comprometia bastante a privacidade entre pais e filhos. No nível de acesso, a cozinha e a sala de jantar foram mantidas como na proposta original

Situação atual e novo projeto

Otro problema era la falta de un cuarto de lavado/bodega de servicio que albergara la lavadora que actualmente tenian en el baño y las bicicletas que actualmente ocupaban el espacio muerto bajo la escalera.

Outro problema identificado era a falta de uma área de serviço/depósito que pudesse abrigar a máquina de lavar roupas — que ficava no banheiro — e as bicicletas — que ocupavam o espaço inutilizado sob a escada.

Nuestra propuesta plantea intervenir en la escalera original haciendo un desarrollo mas corto que permita ganar area en el nivel de acceso y ganar altura en el espacio muerto bajo la escalera. Al aumentar el área de piso en el nivel de acceso pudimos crecer y construir un nuevo comedor, reubicar la nueva cocina y generar un cuarto de lavado/bodega.

Nossa proposta prevê a intervenção na escada original, criando um desenvolvimento mais curto que permite ganhar área no nível de acesso e aumentar a altura do espaço sob a escada. Ao ampliar a área útil no nível de acesso, conseguimos construir uma nova sala de jantar, realocar a nova cozinha e criar uma área de serviço/depósito.

Fotos: Ariadna Polo
Corte transversal 1 e Corte longitudinal 1

En el nivel inferior, el espacio muerto bajo la escalera donde se guardaban las bicicletas se transformo en una sala de televisión/vestíbulo. Para resolver el problema de la privacidad entre las recámaras y la falta de guardado en el nivel inferior propusimos reconfiguar la dispocision espacial a traves de una gran pieza de carpintería con espacios de guardado y que a su ves funcione como elemento divisorio entre los espacios de recamaras, sala de tv y vestidor.

No nível inferior, o espaço anteriormente ocupado pelas bicicletas foi transformado em uma sala de TV/vestíbulo. Para resolver o problema da privacidade entre os quartos e a falta de espaço de armazenamento no nível inferior, propusemos a reconfiguração espacial através de uma grande peça de marcenaria, que funciona tanto como área de armazenamento quanto como elemento divisório entre os espaços de dormitórios, sala de TV e closet.

Fotos: Ariadna Polo

Este elemento de carpintería respeta las distintas alturas de las vigas de concreto, dejando pasar las vigas libremente por encima para tener mas iluminación en la sala de tv y evidenciar la continuidad estructural de la losa. Este mismo elemento configura también los escritorios para cada recámara y estructura la nueva litera en la recámara de los hijos.

Esse elemento de marcenaria respeita as diferentes alturas das vigas de concreto, permitindo que elas passem livremente por cima, aumentando a iluminação da sala de TV e evidenciando a continuidade estrutural da laje. Essa mesma peça também define as áreas de estudo para cada dormitório e estrutura a nova beliche no quarto das crianças.

Fotos: Ariadna Polo

En los nichos de los muros de colindancia propusimos tener muebles de guardado empotrados como originalmente planteó Clara Porsett en su propuesta de amueblado. Para aumentar un poco mas la cantidad de luz dentro de la vivienda se sustituyeron algunos muros de yeso por muros de vitroblock hacia el cubo de ventilación que queda en la parte trasera del departamento.

Nos nichos das paredes perimetrais propusemos a instalação de móveis embutidos, como originalmente sugerido por Clara Porset em sua proposta de mobiliário. Para aumentar ainda mais a entrada de luz natural, algumas das antigas paredes de gesso foram substituídas por paredes de blocos de vidro voltadas para o fosso de ventilação localizado na parte traseira do apartamento.

Fotos: Ariadna Polo

La reforma también incluyó una nueva propuesta de iluminación, la restauración de las cancelerías originales y un nuevo plafon de acero galvanizado debajo de la escalera del vecino que protege al departamento de recurrentes escurrimientos.

A reforma também incluiu um novo projeto de iluminação, a restauração das esquadrias originais e a instalação de um novo forro de aço galvanizado sob a escada do vizinho, para proteger o apartamento contra recorrentes vazamentos.

Fotos: Ariadna Polo


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Pavel Escobedo e Andrés Soliz

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

P.E. e A.S. – Esta obra representó el inicio de una serie de proyectos de intervención que vinieron después y cuya característica principal que son preexistencias ordinarias y relativamente recientes. A veces, como gremio, tenemos la idea de que los únicos proyectos de intervención que vale la pena hacer son los proyectos de intervención a edificios patrimoniales con cierta antigüedad y ciertas dimensiones. Sin embargo, creemos que es muy importante reciclar cualquier tipo de edificio, tenga o no tenga valor patrimonial ya que es una forma de construir, demoler y contaminar menos.

Esta obra representou o início de uma série de projetos de intervenção que vieram depois, cuja principal característica são as preexistências ordinárias e relativamente recentes. Às vezes, como categoria profissional, temos a ideia de que os únicos projetos de intervenção que valem a pena são os realizados em edifícios patrimoniais com certa antiguidade e dimensão. No entanto, acreditamos que é muito importante reciclar qualquer tipo de edifício, tenha ou não valor patrimonial, já que é uma forma de construir menos, demolir menos e poluir menos.

MDC – ¿Cómo fue el mecanismo de contratación del proyecto? (Concurso, licitación, contratación directa, otro).
Qual foi o mecanismo de contratação do projeto? (Concurso, licitação, contratação direta, outro).

P.E. e A.S. – Los dueños del Departamento se acercaron a nosotros directamente por correo electrónico.

Os proprietários do apartamento nos procuraram diretamente por e-mail.

MDC – ¿Cómo fue la fase de concepción del proyecto? ¿Hubo grandes inflexiones conceptuales?¿En qué aspectos la preexistencia tuvo impacto sobre el acto de proyectar y en qué se diferencia de un proyecto nuevo?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Em que aspectos a preexistência impactou o ato de projetar e em que se diferencia de um projeto novo?

P.E. e A.S. – Hubo directrices muy importantes que fueron definiendo y dando forma al proyecto. Por un lado está el valor histórico, ideológico y filosófico del movimiento moderno que tenía el arquitecto Mario Pani cuando construyó este complejo de viviendas. Ideas cómo estandarización, eficiencia, funcionalidad, uso de nuevas tecnologías constructivas como el concreto armado y el ladrillo industrial fueron pautas también para nosotros a la hora de intervenir el departamento y muchas de estas ideas optimistas del modernismo las quisimos mantener y complementar con nuestro propio diseño. La segunda directriz fue la dinámica de habitar de los clientes (una familia de padre, madre y dos hijos) que definió el programa arquitectónico y la distribución y dimensiones de cada espacio. La tercera directriz fueron los recursos económicos disponibles. Estos tres factores definieron las decisiones de diseño que se tomaron durante el proceso conceptual.

Houve diretrizes muito importantes que foram definindo e moldando o projeto. Por um lado, está o valor histórico, ideológico e filosófico do movimento moderno que o arquiteto Mario Pani tinha ao construir este complexo habitacional. Ideias como padronização, eficiência, funcionalidade, uso de novas tecnologias construtivas como o concreto armado e o tijolo industrial também foram diretrizes para nós ao intervir no apartamento, e muitas dessas ideias otimistas do modernismo quisemos manter e complementar com nosso próprio projeto. A segunda diretriz foi a dinâmica de habitar dos clientes (uma família com pai, mãe e dois filhos), que definiu o programa arquitetônico e a distribuição e dimensões de cada espaço. A terceira diretriz foram os recursos econômicos disponíveis. Esses três fatores definiram as decisões de projeto que foram tomadas durante o processo de concepção.

MDC – ¿Cuál fue el nivel de información previa recibida o recopilada sobre las condicionantes del edificio preexistente (instalaciones, estructura, estado de conservación)? ¿La falta de alguna información en algún momento fue perjudicial para el proceso de diseño?
Qual foi o nível de informação prévia recebida ou coletada sobre as condicionantes do edifício preexistente (instalações, estrutura, estado de conservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?

P.E. e A.S. – Cómo parte de nuestro trabajo tuvimos que hacer un levantamiento del estado actual del departamento para luego poder empezar con el diseño. El recavar esta información por nuestra cuenta nos ayudó mucho a entender la preexistencia de manera mas profunda y poder descubrir su potencial y limitaciones antes de diseñar el proyecto.

Como parte do nosso trabalho, tivemos que fazer o levantamento do estado atual do apartamento para depois podermos começar o projeto. Coletar essas informações por conta própria nos ajudou muito a entender a preexistência de forma mais profunda e a descobrir seu potencial e limitações antes de projetar.

MDC – En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, ¿hubo participación activa del/los autor(es)? ¿Hubo variaciones en el proyecto derivadas de la interlocución con estos otros actores que modificaron las soluciones originales?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração dos projetos de engenharia, houve participação ativa do(s) autor(es)? Houve variações no projeto derivadas da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?

P.E. e A.S. – Si, nosotros nos involucramos en todas las fases del proyecto y la interlocución con los especialistas de instalaciones ayudó a que el proyecto se adaptara de forma más eficiente a las soluciones técnicas mas simples.

Sim, nós nos envolvemos em todas as fases do projeto e a interlocução com os especialistas em instalações ajudou para que o projeto se adaptasse de forma mais eficiente às soluções técnicas mais simples. 

MDC ¿El/los autor(es) del proyecto participaron en el proceso de construcción/implementación de la obra? ¿Hubo descubrimientos durante la obra que impactaron el proyecto? Si es así, ¿estos se actualizaron en los planos técnicos o solo se resolvieron en la obra?
O(s) autor(es) do projeto participaram do processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas durante a obra que impactaram o projeto? Em caso afirmativo, essas foram atualizadas nos desenhos técnicos ou foram resolvidas apenas em obra?

P.E. e A.S.– Si, nosotros llevamos la administración y supervisión de la obra y durante la obra se hicieron varios ajustes al proyecto que, al ser tan chiquito, no hubo necesidad de hacer actualización en planos y mas bien fueron decisiones tomadas en obra.

Sim, nós fizemos a administração e supervisão da obra, e durante a execução foram feitos vários ajustes no projeto que, por ser tão pequeno, não demandaram atualização nos desenhos técnicos, sendo decisões tomadas diretamente em obra.

MDC Además de los beneficios ambientales, ¿hubo ganancias financieras o de plazo en la obra debido al mantenimiento de elementos preexistentes? ¿En algún momento se consideró la demolición completa?
Além dos benefícios ambientais, houve ganhos financeiros ou de prazo na obra devido à manutenção de elementos preexistentes? Em algum momento se considerou a demolição completa?

P.E. e A.S.– Claro, al conservar la estructura y la envolvente original, se redujeron mucho los costos y tiempos de obra. Nunca se pensó en la demolición completa porque el departamento es parte de un todo y también, aunque el edificio no esta protegido ni catalogado como inmueble patrimonial, si existían normas internas de los habitantes del mismo para preservar su valor patrimonial como inmueble moderno.

Claro, ao conservar a estrutura e a envoltória original, os custos e o tempo de obra foram bastante reduzidos. Nunca se pensou em demolição completa porque o apartamento faz parte de um todo e também, embora o edifício não esteja protegido nem catalogado como bem patrimonial, existiam normas internas dos próprios moradores para preservar seu valor como bem moderno.

MDC – Si ese mismo problema de diseño llegara hoy a tus manos, ¿harías algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

P.E. e A.S.– Definitivamente utilizaríamos las mismas estrategias pero las variaciones resultarían en las necesidades específicas y dinámicas de habitar del nuevo cliente.

Definitivamente usaríamos as mesmas estratégias, mas as variações dependeriam das necessidades específicas e da dinâmica de habitar do novo cliente. 

MDC – ¿Cómo contextualizan esta obra en el panorama de la producción de la arquitectura contemporánea de tu país?
Como vocês contextualizam esta obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?

P.E. e A.S.– Creemos que en el panorama nacional existen muy pocos casos de proyectos de vivienda social elaborados directamente con los habitantes de los mismos. Casi toda la vivienda social se hace en masa y siempre por medio de asignaciones directas del gobierno a grandes oficinas.

El reciclaje de edificios no patrimoniales es poco valorada en el panorama nacional de las grandes oficinas de nuestro país. En cambio, las prácticas jóvenes valoran mas este tipo de proyectos ya que están mas a su alcance y entienden que el hacer una vivienda nueva es algo cada vez menos común en el contexto nacional.

Acreditamos que, no panorama nacional, existem pouquíssimos casos de projetos de habitação social elaborados diretamente com os próprios moradores. Quase toda a habitação social é feita em massa e sempre por meio de concessões diretas do governo a grandes escritórios.

A reciclagem de edifícios não patrimoniais é pouco valorizada no panorama nacional dos grandes escritórios do nosso país. Em contrapartida, os escritórios jovens valorizam mais esse tipo de projeto, já que estão mais ao seu alcance e entendem que fazer uma habitação nova é algo cada vez menos comum no contexto nacional.

MDC – ¿Hay algo relacionado con el proyecto y el proceso que te gustaría añadir y que no fue contemplado por las preguntas anteriores?
Há algo relacionado ao projeto e ao processo que você gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

P.E. e A.S.– Ha sido muy gratificante ver que ya han pasado casi cuatro años y seguimos teniendo una buena relación con el cliente. Dentro de un par de semanas volveremos al departamento para hacer trabajos de mantenimiento y algunas mejoras que nos pidieron los clientes.

Tem sido muito gratificante ver que já se passaram quase quatro anos e seguimos tendo uma boa relação com o cliente. Dentro de algumas semanas, voltaremos ao apartamento para realizar trabalhos de manutenção e algumas melhorias solicitadas pelos clientes.


ficha técnica

Nome do projeto: Reforma de Vivienda en el Multifamiliar CUPA
Localização: Ciudad de México, México
Ano de projeto/Ano de finalização: 2020-2021
Autores do projeto original: Mario Pani, Salvador Ortega e Bernardo Quintana
Data do projeto original: 1947-1949
Autores do projeto de intervenção: Pavel Escobedo e Andrés Soliz
Colaboradores: Francesca Lauretta, Diana Rico e Alberto Hernandez

Projetos complementares/consultorias:
Carpintaria:
Carlos Castillo

Fotografias: Ariadna Polo

Exposições:
Bienal de Arquitectura Latinoamericana en Pamplona (2023)


galeria


colaboração editorial

Cecília Ellen

deseja citar esse post?

ESCOBEDO, Pavel. SOLIZ, Andrés. “Reforma de Vivienda en el Multifamiliar CUPA”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jun-2025. Disponível em:https://mdc.arq.br/2025/06/13/reforma-de-vivienda-en-el-multifamiliar-c-u-p-a/. Acesso em: [incluir data do acesso].


Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Reforma Casa Claudio Fuzaro

Por GOAA – Gusmão Otero Arquitetos Associados
BRASIL – Intervir no Construído
7–11 minutos

projeto executivo

PARTE 1
PLANTAS, CORTES E AMPLIAÇÕES

12 pranchas (pdf).
3,75mb

PARTE 2
DETALHAMENTO

3 pranchas (pdf).
1,06mb


Reforma Casa Claudio Fuzaro (texto fornecido pelos autores)

O projeto para esta residência parte da vontade de se estabelecer uma conversa entre a casa existente e as novas adições programáticas que atualizaram a casa às novas necessidades dos moradores. O projeto se focou na reforma da edícula, peculiarmente localizada na frente da casa e cuja fachada cega, voltada para a rua, continha um grafite feito por dois artistas do bairro e valorizado pelo cliente.

Fotografias: Pedro Vannucchi

Situações existentes, demolições e novas instalações

Logo, o partido preserva as construções principais da casa e edícula assim como o grafite; entendemos que as novas adições deveriam se destacar da casa que lá estava, marcando sua origem e cronologia distintas, mas que não se sobrepusessem ao existente. Ao contrário, os novos volumes propostos preservam a morfologia da casa e da rua, integrando os novos moradores na vizinhança.

Fotografias: Pedro Vannucchi

Como primeira medida foram retiradas as construções provisórias que existiam na área externa da casa, seguida pela reorganização das aberturas, portas e janelas, buscando integrar de forma fluida os espaços internos e externos.

Novas articulações externas

Fotografias: Pedro Vannucchi

Foram readequados os níveis dos pátios e corredores buscando criar espaços abertos mais generosos e, aproveitando o movimento de terra, foi implantada uma cisterna para captação de águas pluviais, que exigiu uma reconfiguração do sistema de abastecimento de águas da residência.

Fotografias: Pedro Vannucchi

Por último dois movimentos finais fecham o percurso: a multiplicação da área externa através da criação de um terraço em cima da antiga edícula e a abertura direta da cozinha para a área externa por meio da criação de uma nova circulação.

Fotografias: Pedro Vannucchi

O projeto busca contrastar as novas adições revestindo-as em madeira que por sua vez surgem na fachada da rua como mensageiros desta intervenção, respeitando a morfologia do bairro e o muro de grafite.

Fachada existente com grafite e Fachada proposta

Cria-se um cenário novo na articulação entre pátio, jardim, terraço e programas residenciais ressignificando a relação dos volumes da antiga residência na Vila Anglo.

Fotografias: Pedro Vannucchi

Fotografias: Pedro Vannucchi


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Ricardo Gusmão

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

R.G. – Este foi um dos primeiros trabalhos que fizemos. Olhando retroativamente, acredito que ele contenha questões que também desenvolvemos em projetos seguintes e que continuam a informar a produção do meu escritório até hoje, algumas com ainda mais força. Por exemplo, priorizar a preservação e reforma das construções originais antes de demolir o que estava lá continua sendo um tema nos trabalhos que desenvolvemos, assim como a busca por um diálogo harmônico (embora por vezes carregado de contrastes) entre as novas intervenções e seu contexto físico e histórico. Vejo como a proposta de uma circulação “escheriana” que se desenvolve diagonalmente no espaço e propõe novos pontos de vista e a ocupação das coberturas para desfrute humano também tem continuidade em diversos projetos que fazemos até hoje. Mas acredito que o principal ensinamento que o desenvolvimento deste projeto trouxe tenha sido a importância de uma escuta cuidadosa tanto para o contexto quanto na conversa com as pessoas que vão aproveitar os espaços propostos. A centralidade em criar espaços gostosos para pessoas usarem, que foi um dos principais assuntos deste projeto – como transformar espaços esquecidos em espaços com sentido e pertencimento – norteia a produção do escritório até hoje.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

R.G. – Foi uma contratação direta. Por recomendação de uma amiga fui um dos arquitetos a conversar com a cliente, que nos escolheu.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais?  Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?

R.G. – Inicialmente nos deparamos com uma situação difícil: espaços labirínticos muito entrecortados por construções temporárias e sem qualidade, falta de verba e um primeiro objetivo de projeto muito restrito. Mas logo nas conversas iniciais ficou clara a importância que aquele lugar tinha para a cliente e que fazer uma intervenção mais significativa, ainda que econômica, era o que ela realmente queria. Foi quando demos um passo para trás e convocamos, para nos inspirar, algumas praças italianas como referência; onde a sequência de espaços que se comprimem para depois se expandir nos mostrava uma possibilidade de trabalhar com a diversidade espacial. A partir dessa perspectiva vimos esse projeto como uma oportunidade única de pensar uma arquitetura de percurso, de espaços heterogêneos e de diálogo entre o existente e o novo, uma arquitetura aberta que pode ser usada de diversas maneiras.

MDC Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?

R.G. – Não tínhamos quase nenhuma informação no papel e, portanto, fizemos nós mesmos os levantamentos necessários das construções existentes. Esse levantamento, apesar de aparentemente fugir um pouco da nossa atividade principal de projeto, nos ajudou muito a entender cada centímetro da casa, seus espaços, suas proporções e todos os seus elementos constitutivos. Ao longo da obra novas inspeções técnicas foram feitas pelo construtor para verificar estrutura e fundação.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?

R.G. – Nós fizemos todo o projeto arquitetônico e definimos junto ao construtor a estratégia para estrutura e instalações. Em uma reforma muito deve ser adaptado em obra, pois é muito comum encontramos algo inesperado ou que estava oculto em um primeiro momento. É também a partir desses descobrimentos, dessa arqueologia das construções existentes, que tentamos extrair a expressão arquitetônica de nossas intervenções.

MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?

R.G. – Acompanhamos a obra do inicio ao fim. Mesmo sem responsabilidade técnica sobre a construção participamos de todas as conversas e decisões sobre a construção do nosso projeto. Em reformas dessa natureza é muito comum a descoberta de novos elementos, limitações estruturais da construção existente ou qualquer outra informação relevante para o projeto. Não vejo essas descobertas como algo que atrapalha o projeto original, mas sim como mais um elemento que vamos incluir na conversa para (re)elaborar o projeto. Em reformas, o projeto e a obra podem andar muito juntos, sempre trocando informações, impressões, potencialidades ocultas…

MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?

R.G. – Neste caso não contemplamos a possibilidade de demolição completa, a escolha pela reforma já estava posta desde o início. Como consequência tivemos alguma economia nos custos com estrutura e fundação, que corresponde a uma parcela significativa do orçamento de uma obra. Por outro lado, por conta dos imprevistos naturais de uma reforma, o prazo pode ter se alongado um pouco.

MDC – Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

R.G. – Gostamos muito do espaço da casa assim que a obra foi concluída; com lugares acolhedores, mas provocativos, conseguimos realizar neste projeto muitas das nossas intenções originais. Depois de alguns anos, pedi à cliente fotos da casa em uso para usá-las em uma palestra. As fotos que recebi são as que melhor representam a casa. Pois mostram a casa totalmente em uso, espontâneas e sem montagem para foto, apenas espaços gostosos e descomplicados que podem ser aproveitados tanto por apenas uma pessoa, quanto por um casal, uma festa, uma roda de samba, um bloco de carnaval… a pluralidade de usos da casa me encantou, então eu destacaria a capacidade destes espaços abertos, sem programa pré-definido, funcionarem como uma base que abriga a imprevisibilidade da vida humana.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

R.G. – Esse foi um dos primeiros projetos que fizemos, então houve muito aprendizado de ordem prática, comercial e administrativa a partir desse momento. Mas sinto que a energia e a dedicação convocadas na etapa de formulação do problema e de achar a essência do projeto permanece a mesma. O partido de preservar as construções existentes e propor novas peças que conversem com seu entorno também se mantem até hoje. Elaboramos linhas de pesquisa neste projeto que continuam muito relevantes para a produção do escritório.

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

R.G. – Mesmo com forte tradição moderna, a produção contemporânea brasileira tem se debruçado sobre o tema do reuso e da reforma de construções existentes. Acredito que este projeto se alinha e se junta a estas vozes que não partem a priori de uma tabula rasa, mas que buscam baliza e referência no que já existe para propor o novo.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

R.G. – Tenho muito respeito pelas construções onde vamos intervir: especiais ou ordinárias, contam histórias de um tempo que já não é. Relações materiais e sociais estão ali realizadas em um imóvel. De certa maneira nossa memória coletiva depende desse dialogo para sobreviver.


ficha técnica

Local: Vila Anglo – São Paulo, SP
Ano de projeto: 2014
Ano de construção: 2015
Área: 70 m²
Arquitetura: GOAA – Gusmão Otero Arquitetos Associados | Ricardo Gusmão, Guido Otero
Colaboradores: Felipe Barradas, Murilo Zidan, Raul Aguiar


Engenheiro civil:
Francisco da Silva Alves
Marcenaria: Marcenaria Assis
Serralheria: Serralheria CYW
Esquadrias: Brigato.


Fotos: Pedro Vannucchi
Contato: contato@goaa.com.br


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colaboração editorial

Cecília Ellen

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Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Intervir no construído | Intevenir en lo construido


Hoje 13 de junho de 2025, a retomada da MDC completa 2 anos. Nesse período, a intenção de fornecer subsídios para a prática do projeto se consolidou a partir da publicação de 40 projetos executivos de importantes escritórios brasileiros e, desde abril de 2025, com a ampliação do olhar para nossos vizinhos, publicando seis obras latino-americanas, começando por México e Argentina. Junto a essa construção de um relevante acervo de referência de projetos executivos, buscamos trazer também a perspectiva dos próprios autores sobre seus projetos e principalmente sobre os processos de concepção, as ideias que perseguem e sua consolidação na obra por meio de entrevistas exclusivas que acompanham o material gráfico.

Hoy, 13 de junio de 2025, se cumplen dos años desde la reactivación de MDC. En este período, la intención de ofrecer subsidios para la práctica proyectual se ha consolidado mediante la publicación de 40 proyectos ejecutivos de importantes oficinas brasileñas y, desde abril de 2025, con la ampliación de nuestro horizonte hacia nuestros países vecinos, publicando seis obras latinoamericanas, iniciando con México y Argentina. Junto a la construcción de este relevante acervo de referencia de proyectos ejecutivos, buscamos también incorporar la perspectiva de los propios autores sobre sus obras y, especialmente, sobre los procesos de concepción, las ideas que persiguen y su materialización en la obra construida, a través de entrevistas exclusivas que acompañan el material gráfico.

Passados esses 2 anos, inauguramos hoje uma linha de publicações que integra a pesquisa em desenvolvimento no grupo Ateliê Américas voltada ao tema da Intervenção no Construído, com coordenação dos Professores João Folly e Carlos Alberto Maciel.

Transcurridos estos dos años, inauguramos hoy una nueva línea editorial que integra la investigación en desarrollo del grupo Ateliê Américas, dedicada al tema de la Intervención en lo Construido, bajo la coordinación de los profesores João Folly y Carlos Alberto Maciel.

Considerando o contexto de decrescimento populacional que o Brasil enfrentará a partir de 2035, o agravamento da crise climática contemporânea, a existência de significativo estoque edificado em processo de obsolescência nas principais cidades contemporâneas, o surgimento no Brasil das primeiras leis para estímulo ao aproveitamento e renovação de edifícios – Retrofit -, e a escassez de referencial teórico nacional sobre o tema, essa linha de publicações inicia um mapeamento de obras exemplares de reforma de arquiteturas comuns. Essas obras  apresentam, em suas estrátegias de intervenção, técnicas, materiais e agenciamentos espaciais característicos, modos de construir e usar específicos e clara relação com clima, cultura e contexto. A ampliação da vida útil e o incremento de desempenho ambiental de edificações ordinárias existentes implicam reduzir demanda por novas construções, minimizando impactos ambientais e emissões de gases de efeito estufa da cadeia da construção civil. Esse cenário convida a questionar a necessidade de construção intensiva de novos edifícios, ao mesmo tempo que suscita questões sobre a reestruturação de práticas de atuação profissional e a adequação de metodologias de ensino relacionadas à ação sobre pré-existências ordinárias. Em geral, essas publicações não incidirão — salvo exceções pontuais — em edifícios listados como patrimônio, posto que esse tema, ao contrário das edificações comuns, é já bastante consolidado no campo teórico e prático.

Considerando el contexto de decrecimiento poblacional que Brasil enfrentará a partir de 2035, el agravamiento de la crisis climática contemporánea, la existencia de un importante parque edificado en proceso de obsolescencia en las principales ciudades contemporáneas, la reciente promulgación en el país de leyes orientadas a estimular el aprovechamiento y la renovación de edificios —retrofit—, así como la escasez de un cuerpo teórico nacional consolidado sobre la materia, esta línea de publicaciones da inicio a un mapeo de obras ejemplares de rehabilitación de arquitecturas comunes. Estas intervenciones presentan, en sus estrategias proyectuales, técnicas, materiales y configuraciones espaciales característicos, modos específicos de construir y habitar, y una clara relación con el clima, la cultura y el contexto. La ampliación de la vida útil y el incremento del desempeño ambiental de edificaciones ordinarias existentes permite reducir la demanda de nuevas construcciones, minimizando los impactos ambientales y las emisiones de gases de efecto invernadero generados por la cadena de la construcción civil. Este escenario invita a cuestionar la necesidad de una construcción intensiva de nuevos edificios, al tiempo que plantea interrogantes acerca de la reestructuración de las prácticas profesionales y de la adecuación de las metodologías de enseñanza vinculadas a la intervención sobre preexistencias ordinarias. En general, estas publicaciones no incidirán —salvo excepciones puntuales— sobre edificios patrimoniales, dado que este campo, a diferencia de las edificaciones comunes, ya cuenta con un cuerpo teórico y práctico ampliamente consolidado.

Para iniciar esse novo eixo temático de Intervenção no Construído, convidamos dois escritórios a publicarem, cada um, uma de suas obras: o escritório mexicano Escobedo Solíz, seguindo a ampliação do nosso olhar para a América Latina, e o antigo GOAA, hoje subdividido em dois novos escritórios, Ricardo Gusmão Arquitetos e Guido Otero Arquitetura. O Conjunto Multifamiliar Cupa, projeto dos nossos colegas mexicanos, apresenta um olhar crítico sob a perspectiva de atuação na escala da unidade privativa, atento para intervenções no âmbito da circulação vertical, melhorias de iluminação natural, e divisões mais dinâmicas por carpintarias e marcenarias. A Casa Claudio Fuzaro, projeto de Ricardo, Guido e equipe, amplia o olhar para a escala do edifício, com ações de reconfiguração de espaços vazios, de reestruturação de circulações e de comunicação com o espaço público.

Para dar inicio a este nuevo eje temático de Intervención en lo Construido, invitamos a dos oficinas a publicar, cada una, una de sus obras: el despacho mexicano Escobedo Solíz, continuando así con la ampliación de nuestro enfoque hacia América Latina, y el antiguo GOAA, hoy subdividido en dos nuevas oficinas: Ricardo Gusmão Arquitetos y Guido Otero Arquitetura. El Conjunto Multifamiliar Cupa, proyecto de nuestros colegas mexicanos, ofrece una mirada crítica desde la escala de la unidad habitacional, con intervenciones centradas en la circulación vertical, la mejora de la iluminación natural y la incorporación de divisiones más dinámicas mediante carpintería y ebanistería. La Casa Claudio Fuzaro, proyecto de Ricardo, Guido y su equipo, amplía la mirada hacia la escala del edificio, con acciones de reconfiguración de vacíos, de reestructuración de circulaciones y de integración con el espacio público.

No conjunto de publicações, que seguirá alternando projetos executivos do Brasil e da América Latina com obras exemplares de intervenções no construído, você, leitor(a), identificará aquelas relacionadas a esse novo tema por meio da identidade visual da imagem de referência, que sempre terá uma tonalidade terrosa, diferente das fotos regulares das publicações já em curso. Uma seleção por meio da palavra-chave Intervenção no Construído permitirá ainda visualizar apenas esse conjunto de obras relacionado ao tema.

En el conjunto de publicaciones —que continuará alternando proyectos ejecutivos de Brasil y de América Latina con obras ejemplares de intervención en lo construido— el lector podrá identificar aquellas correspondientes a esta nueva temática mediante la identidad visual de la imagen de referencia, que siempre presentará una tonalidad terrosa, distinta de las fotografías habituales de las publicaciones ya en curso. Una búsqueda por la palabra clave Intervención en lo Construido permitirá, además, visualizar exclusivamente este conjunto de obras relacionadas con el tema.

A revista MDC reforça os agradecimentos aos autores pelo compartilhamento do material e conhecimento, contribuindo para a disseminação de boas práticas de projeto de arquitetura e urbanismo, e possibilitando a inauguração dessa nova temática de discussão de nossa equipe. Obrigado a Ricardo, Guido, Pavel, Andres e equipes por nos propiciar frentes de abertura desse novo caminho. Aos leitores, desejamos que este seja um campo frutífero de enriquecimento prático e teórico.

Boa leitura!

La revista MDC reitera su agradecimiento a los autores por compartir su material y conocimiento, contribuyendo así a la difusión de buenas prácticas proyectuales en arquitectura y urbanismo, y posibilitando la inauguración de esta nueva línea temática de discusión de nuestro equipo. Agradecemos a Ricardo, Guido, Pavel, Andrés y sus equipos por abrir estas nuevas sendas. A nuestros lectores, les deseamos que este sea un campo fértil de enriquecimiento práctico y teórico. 

¡Buena lectura!


João Folly, Carlos Alberto Maciel

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Vecindario Güemes

Por CBAyA
20–30 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

11 pranchas (pdf).
7,79 mb


Vecindario Guemes (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

El auge de la construcción como herramienta de inversión ha generado un proceso especulativo que impacta fuertemente –en muchos casos en forma negativa – en el desarrollo urbano. Al especular con un “edificio de departamentos” la ecuación por lo general es: saturación del volumen edificable, priorización del lucro por sobre las condiciones de vida de sus habitantes y de sus vecinos, adscripción incondicional a los dictados del “mercado”.

O auge da construção como ferramenta de investimento tem gerado um processo especulativo que impacta fortemente – em muitos casos, de forma negativa – o desenvolvimento urbano. Ao especular com um “edifício de apartamentos” a equação, em geral, é: saturação do volume edificável, priorização do lucro sobre as condições de vida de seus habitantes e vizinhos, adesão incondicional aos ditames do “mercado”.

Fotos: Federico Cairoli

Al proyectar un conjunto residencial, por el contrario, se piensa en características distintivas en cuanto al habitar, en una adecuada inserción en el entorno, en concebir el proyecto desde un ángulo diferente: la construcción de un conjunto edilicio partiendo de los rasgos esenciales del habitar en un tiempo y un lugar fuertemente caracterizados, se plantea como una opción al mero interés especulativo.

Ao projetar um conjunto residencial, pelo contrário, se pensa em características distintivas acerca do habitar, em uma inserção adequada no entorno, em conceber o projeto através de um ângulo diferente: a construção de um conjunto edilício partindo dos traços essenciais do habitar em um tempo e um lugar fortemente caracterizados, se apresenta como uma opção ao mero interesse especulativo.

Secciones y fachadas / cortes e fachadas

Desde esta opción se procura redescubrir y potenciar las energías que subyacen en los barrios, las calles, las plazas, los parques de la ciudad, en su entorno natural, en sus habitantes. En el caso del enclave de Güemes y Córdoba, puede suponerse una reconversión futura a partir de la vigencia del Reglamento de Ordenamiento Urbano, tanto por las características de corredor vial de media densidad como por su proximidad al área vacante del Ex – FFCC Gral. Belgrano, cuya urbanización producirá la articulación y expansión de Candioti Norte hacia el este, generándose nuevas instancias de transversalidad y conectividad hacia la Av. Costanera y la laguna Setúbal.

A partir desta opção se procura redescobrir e potencializar as energias que derivam dos bairros das ruas, das praças, dos parques da cidade, com seu entorno natural, com seus habitantes. No caso do enclave de Güemes e Córdoba, pode-se prever uma futura reconversão a partir da vigência do Regulamento de Ordenamento Urbano, tanto pelas características de corredor viário de média densidade como por sua proximidade à área vacante da antiga linha férrea FFCC Gral. Belgrano, cuja urbanização produzirá a articulação e expansão de Candioti Norte em direção ao leste, gerando novas possibilidades de transversalidade e conectividade em direção à Av. Costanera e à laguna Setúbal.

Fotos: Federico Cairoli

En función de ello el planteo consiste en disponer 6 semipisos en los niveles superiores en una pequeña torre de perímetro libre, esbelta, separada fuertemente de los linderos, asentada sobre una placa de 4 unidades por piso en los 3 niveles inferiores, aunque también separada en casi todo su desarrollo del lindero sur. Esta organización permite que todas las viviendas cuenten con ventilaciones cruzadas e iluminación natural en prácticamente todos los ambientes, además de expansiones mediante amplios balcones valiéndose de una doble orientación en el basamento y triple en los semipisos en torre.

Em função disso, a proposta consiste em dispor 6 semipisos nos níveis superiores em uma pequena torre de perímetro livre, esbelta, fortemente separada dos muros limítrofes do lote, assentada sobre uma placa de 4 unidades por andar nos 3 níveis inferiores, embora também separada em quase todo o seu desenvolvimento do afastamento sul. Essa organização permite que todas as residências contem com ventilação cruzada e iluminação natural em praticamente todos os ambientes, além de expansões por meio de amplos balcões, valendo-se de uma dupla orientação no embasamento e tripla nos semipisos da torre.

Planes / plantas

Los espacios públicos son un aspecto fundamental del sistema, lo articulan evitando el contacto entre unidades, generando “lugares” abiertos y permeables que invitan a permanecer fomentando el encuentro e intercambio entre sus habitantes.

Os espaços coletivos são um aspecto fundamental do sistema, articulando-o ao evitar o contato entre as unidades e gerando “lugares” abertos e permeáveis, que convidam à permanência e incentivam o encontro e a troca entre seus habitantes.

Fotos: Federico Cairoli

En estos ámbitos se intenta replicar la sociabilidad característica de la ciudad, la escala del barrio, configurando un conjunto urbano con “veredas”, patios, jardines y terrazas en altura, una especie de reproducción a escala del tejido residencial en el que se inserta: un conjunto no es un edificio, no densifica, no satura el lote, persigue la idea de otorgar a cada vivienda las cualidades de tal por oposición al departamento encajonado, a la propiedad horizontal convencional.

Nesses espaços, busca-se replicar a sociabilidade característica da cidade, a escala do bairro, configurando um conjunto urbano com “calçadas”, pátios, jardins e terraços em altura – uma espécie de reprodução em escala do tecido residencial no qual se insere. Um conjunto não é um edifício, não densifica, não satura o lote; busca, ao contrário, conferir a cada residência as qualidades próprias de uma moradia, em oposição ao apartamento confinado da propriedade horizontal convencional.

Maqueta / maquete


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por CBAyA

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

CBAyA – A partir de la concreción del Vecindario 1° de Mayo, entre otros emprendimientos gestionados, proyectados y materializados por el estudio en el transcurso de algo menos de una década, fuimos afianzando el manejo de variables que hacen a las diversas fases que componen este tipo de iniciativas. Entre ellas, uno de los factores iniciales preponderantes es, sin dudas, su localización, de manera que la búsqueda de terrenos para emplazarlos se fue convirtiendo en una valiosa herramienta, en tanto nos permitía además llevar a la práctica ciertas exploraciones urbanas que nos interesaban -y nos siguen interesando.

Se trata de inquietudes, hipótesis podríamos definirlas, seguramente vinculadas al ejercicio de la docencia y a la participación en la gestión urbanística de la ciudad, de algunos de nosotros. A partir del análisis de tendencias a medio plazo, del estudio de ciertas áreas susceptibles de ser densificadas, surgían sitios que, al no estar totalmente consolidados, eran menos requeridos por la especulación inmobiliaria, pero con un potencial interesante en términos de desarrollo urbano, cuestión que nos permitía operar con cierta independencia de las pautas establecidas por el así llamado “mercado”.

En este contexto, la parcela en esquina que aloja al Vecindario Güemes se presentaba como una muy interesante opción, por su ubicación, tamaño, entorno, orientaciones y vistas (ver Memoria de proyecto). En cuanto a sus proyecciones, era factible seguir aumentando la densidad, previendo una masa edilicia razonable cuyo impacto fuera amortiguado por el espacio público ubicado enfrente; en fin, todo indicaba que quedaban viabilizadas nuestras formas de operar y la consecuente concreción de un nuevo “Vecindario”, manteniendo las premisas que les daban sentido, en tanto desarrollos residenciales no especulativos.

A partir da concretização do Vecindário 1° de Mayo, entre outros empreendimentos gerenciados, projetados e materializados pelo escritório ao longo de pouco menos de uma década, fomos consolidando o domínio das variáveis que compõem as diversas fases desse tipo de iniciativa. Entre elas, um dos fatores iniciais preponderantes é, sem dúvida, a localização, de modo que a busca por terrenos para implantá-los tornou-se uma ferramenta valiosa, pois também nos permitia levar à prática certas explorações urbanas que nos interessavam – e que continuam a nos interessar.

Trata-se de inquietações, ou até hipóteses, possivelmente ligadas ao exercício da docência e à participação de alguns de nós na gestão urbanística da cidade. A partir da análise de tendências de médio prazo e do estudo de certas áreas passíveis de adensamento, identificavam-se terrenos que, por não estarem totalmente consolidados, eram menos visados pela especulação imobiliária, mas apresentavam um potencial interessante para o desenvolvimento urbano. Isso nos permitia atuar com certa independência das diretrizes impostas pelo chamado “mercado”.

Nesse contexto, a esquina onde se localiza o Vecindário Güemes revelou-se uma opção muito interessante, por sua localização, tamanho, entorno, orientações e vistas (ver Memória de projeto). Em termos de projeção, era viável seguir adensando a área, prevendo uma massa edificável razoável, cujo impacto seria amortecido pelo espaço público situado em frente. Enfim, tudo indicava que nossas formas de atuação eram viáveis, possibilitando a concretização de um novo “Vecindário”, mantendo as premissas que lhes dão sentido enquanto empreendimentos residenciais não especulativos.



MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

CBAyA – El proyecto, del mismo modo que en otros Vecindarios -como 1° de Mayo- hechos en la época, fue un nuevo “auto-encargo”, contando en este caso con la experiencia y el afianzamiento que -según los términos expresados en 1.-, implicaba partir de una noción inicial más nítida, dicho esto no en un sentido proyectual, sino como una especie de “pre-concepción” que guiaba la secuencia, desde las primeras ideas hasta el pliego ejecutivo, y posteriormente su materialización, consolidándose de tal forma el modelo de gestión.

O projeto, assim como em outros Vecindários – como o 1° de Mayo – realizados na época, foi um novo “autoencargo”, contando, neste caso, com a experiência e o amadurecimento que, conforme os termos expressos em 1., implicavam partir de uma noção inicial mais clara. Isso não no sentido estritamente projetual, mas como uma espécie de “pré-concepção” que orientava toda a sequência, desde as primeiras ideias até o caderno executivo e, posteriormente, sua materialização, consolidando, dessa forma, o modelo de gestão.


MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

CBAyA – Para responder a esta cuestión nos interesa ensayar la noción de que los Vecindarios constituyen una serie, un proceso “continuo” en el que se esbozan ciertas líneas de pensamiento, de ideas y procedimientos que, a manera de ejes, permiten establecer conexiones entre ellos -así como con otras obras y proyectos del estudio, en distintas épocas; de manera que, al analizar las etapas, los cambios o los momentos clave del proyecto Güemes que se plantean en la pregunta, partimos de esta premisa.

Quedan presentadas, de tal modo, aquellas cuestiones en las que perseveramos, que son constantes proyecto a proyecto, en base a nuestro interés por los espacios comunes abiertos, la transparencia en los accesos, en los palieres -que son balcones, en realidad- en las circulaciones verticales: se trata de aquellos lugares que intentan promover la sociabilidad, el intercambio, donde se construye lo colectivo. Es decir, son invariables la aspiración a la fluidez en las relaciones entre lo colectivo y lo propio, entre exteriores e interiores, entre lo vacío y lo construido; así como la búsqueda de versatilidad en el diagrama de las unidades, dotarlas del mayor confort ambiental con los menores recursos, o que exista el menor contacto posible entre ellas.

Mientras que, por otro lado, son las variantes las que, en este caso específico del Vecindario Güemes, presentaban los mayores desafíos: dar una respuesta acorde a las condiciones del emplazamiento (ver Memoria de proyecto); al cambio de escala que representaba el volumen a edificar, que implicaba una relación distinta de la masa a construir con el entorno, el barrio, y las casas circundantes; todas cuestiones que nos llevaban a profundizar el estudio de relaciones nuevas para el Vecindario: la plaza barrial ubicada enfrente en diagonal; la proximidad de la Laguna Setúbal, las vistas hacia la expansión al norte de la ciudad.

Para resolver esta ecuación “constantes-variantes”, contábamos como herramienta fundamental con una parcela más “cómoda” -en los términos expresados en Respuesta 1- que, por su ubicación, superficie y disposición, facilitaba el manejo del programa y la masa resultante, en un partido lineal, una especie de “placa” alargada dispuesta francamente al norte; y a partir de allí son las variantes las que definen la presencia del conjunto en el lugar: circulaciones horizontales a manera de “veredas en altura”; la gran pantalla calada que tamiza la impronta de la masa, desmaterializando su irrupción; el uso común en terraza … entre otras herramientas que no habíamos explorado antes.

En síntesis, si tenemos que hablar de momento crucial en el proceso tal como lo propone la pregunta, preferimos ubicar ese momento en el contexto de mayor alcance que representa la serie de Vecindarios; entonces, pensamos que frente al desafío implícito en esta cuestión “dialéctica” entre variantes e invariantes, entre reproducción o innovación, la respuesta -el desafío, el momento crucial- está en afirmar lo constante como fundamento, y lo variable como búsqueda particular e intensa en cada proyecto.

Para responder a essa questão, interessa-nos explorar a noção de que os Vecindários constituem uma série, um processo “contínuo” no qual se esboçam certas linhas de pensamento, ideias e procedimentos que, como eixos, permitem estabelecer conexões entre eles – assim como com outras obras e projetos do escritório em diferentes épocas. Dessa forma, ao analisar as etapas, mudanças ou momentos-chave do projeto Güemes mencionados na pergunta, partimos dessa premissa.

Ficam, assim, apresentadas as questões nas quais perseveramos, constantes de projeto a projeto, baseadas em nosso interesse pelos espaços comuns abertos, pela transparência nos acessos, nos corredores – que são, na verdade, varandas – e nas circulações verticais. Trata-se daqueles lugares que buscam promover a sociabilidade e o intercâmbio, onde se constrói o coletivo. Ou seja, são invariáveis a aspiração à fluidez nas relações entre o coletivo e o individual, entre os espaços exteriores e interiores, entre o vazio e o construído; bem como a busca por versatilidade na organização das unidades, garantindo o maior conforto ambiental com o menor uso de recursos e minimizando o contato entre elas.

Por outro lado, são as variantes que, no caso específico do Vecindário Güemes, apresentavam os maiores desafios: oferecer uma resposta adequada às condições do terreno (ver Memória de projeto); lidar com a mudança de escala que o volume a ser construído representava, implicando uma nova relação entre a massa edificada e seu entorno, o bairro e as casas vizinhas. Todas essas questões nos levaram a aprofundar o estudo de novas relações para o Vecindário: a praça do bairro, localizada em diagonal à frente; a proximidade da Laguna Setúbal; as vistas para a expansão ao norte da cidade.

Para resolver essa equação entre “constantes e variantes”, contávamos com uma ferramenta fundamental: um terreno mais “cômodo” – nos termos expressos na Resposta 1 – que, por sua localização, superfície e disposição, facilitava o manejo do programa e da massa resultante, em uma implantação linear, uma espécie de “placa” alongada, orientada diretamente ao norte. A partir disso, são as variantes que definem a presença do conjunto no local: circulações horizontais em forma de “calçadas elevadas”; a grande tela vazada que filtra a presença da massa, desmaterializando sua inserção; o espaço de uso comum na cobertura… entre outras soluções que ainda não havíamos explorado.

Em síntese, se tivermos que apontar um momento crucial no processo, como propõe a pergunta, preferimos situá-lo dentro do contexto mais amplo que representa a série de Vecindários. Assim, entendemos que, diante do desafio implícito nessa questão “dialética” entre variantes e invariantes, entre repetição e inovação, a resposta – o desafio, o momento crucial – está em afirmar o que é constante como fundamento e em buscar, com intensidade e especificidade, as variações de cada projeto.



MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderiam comentar as mais importantes?

CBAyA – A principios de los 2000 habíamos comenzado a experimentar en alta densidad por encargo directo, y por Concurso Nacional en 2005 obtuvimos el 1er Premio para la construcción del Edificio de los Tribunales de la Provincia de Santa Fe, resultando en el encargo del Proyecto Ejecutivo y Pliego Licitatorio del complejo de más de 20.000 m2, con su anexión al edificio patrimonial existente contiguo -obra a punto de finalizarse. Entonces, si bien tradicionalmente nosotros mismos veníamos desarrollando nuestros proyectos ejecutivos, apoyados en una fuerte voluntad de trabajar junto a especialistas, esta ejercitación resultó en un respaldo significativo a nuestras prácticas, afianzando a su vez aquellas interacciones.

Para el caso particular de este conjunto – tal como se menciona más arriba -, la problemática de la grilla estructural y los “puntos fijos” del proyecto -posición de columnas, de montantes, ascensor, etc.- se tensa a raíz de la búsqueda espacial de flexibilidad; estas y otras cuestiones obligaron a prestar particular atención a asesores -cálculo estructural e infraestructuras. Por caso, la transición de la estructura en la planta baja -en función de la presencia de cocheras- implicó adoptar una grilla que, si bien parte de este posicionamiento en el plano de soporte, no impacta en la flexibilidad del espacio buscada en el edificio en altura.

Otro aspecto a atender en conjunto fue la fachada, ya que la presencia de los volúmenes que asoman “sueltos” -sin apoyo evidente-, fue una premisa que pudo llevarse adelante a partir de este fluido trabajo en equipo, permitiendo lograr que el edificio aparezca con la voluntad espacial, formal, y constructiva-material que teníamos en mente.

No início dos anos 2000, começamos a experimentar projetos de alta densidade por meio de encomendas diretas e, em 2005, vencemos o 1º Prêmio no Concurso Nacional para a construção do Edifício dos Tribunais da Província de Santa Fé. Isso resultou na atribuição do Projeto Executivo e do Caderno Licitatório para um complexo de mais de 20.000 m², integrando-se ao edifício patrimonial existente – obra que agora está prestes a ser finalizada. Assim, embora tradicionalmente desenvolvêssemos nossos próprios projetos executivos, sempre com uma forte intenção de trabalhar em conjunto com especialistas, essa experiência representou um respaldo significativo às nossas práticas, fortalecendo ainda mais essas interações.

No caso específico deste conjunto – conforme mencionado anteriormente –, a problemática da malha estrutural e dos “pontos fixos” do projeto (posição de colunas, montantes, elevadores etc.) se tornou um desafio devido à busca por flexibilidade espacial. Essas e outras questões exigiram especial atenção dos consultores de cálculo estrutural e infraestrutura. Por exemplo, a transição da estrutura no térreo – em função da presença de garagens – demandou a adoção de uma grelha que, embora derivada da lógica do suporte estrutural, não comprometesse a flexibilidade espacial desejada para o edifício em altura.

Outro aspecto fundamental a ser resolvido em colaboração foi a fachada, pois a presença de volumes que se projetam de maneira aparentemente “solta” – sem apoios evidentes – era uma premissa essencial do projeto. Isso só foi possível graças ao intenso trabalho em equipe, permitindo que o edifício expressasse claramente a intenção espacial, formal e construtivo-material que havíamos concebido.



MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

CBAyA – Como expresamos en la Entrevista Vecindario 1° de Mayo, entendemos que la Dirección de obra tiene el rol fundamental de velar por el ajuste preciso de lo construido, a lo proyectado; razón por la cual la ejercemos en prácticamente todas nuestras obras, acto que asumimos con particular entusiasmo, ya que nos permite acompañar el proceso constructivo cuidando que el
proyecto se materialice de la manera que fue concebido.

De igual modo que en el resto de la serie de Vecindarios, la arquitecta Bertoni tomó a cargo personalmente esta Dirección de obra; contando en la ocasión con la asistencia de parte del equipo de trabajo del estudio, cuyos integrantes jóvenes venían creciendo en número y formación.

Como cuestiones decisivas, persiste la premisa de mantener la apariencia de los componentes constructivos, de prescindir – en la mayor medida posible – de revestimientos, de las así llamadas “terminaciones”, por lo que el control de la correcta ejecución de hormigones y mampuestos – en las etapas iniciales e intermedias de obra – resulta fundamental, al quedar allí definida casi por completo, la apariencia final del edificio; resalta en ese sentido en el Vecindario Güemes la gran pantalla de ladrillos cribados al norte.

Como expressamos na Entrevista Vecindario 1° de Mayo, entendemos que a Direção de Obra tem o papel fundamental de garantir a precisão entre o que foi construído e o que foi projetado. Por essa razão, assumimos essa responsabilidade em praticamente todas as nossas obras, tarefa que realizamos com particular entusiasmo, pois nos permite acompanhar o processo construtivo, assegurando que o projeto se materialize conforme foi concebido.

Da mesma forma que no restante da série de Vecindarios, a arquiteta Bertoni assumiu pessoalmente a Direção de Obra, contando, nesta ocasião, com a assistência de parte da equipe do escritório, cujos integrantes mais jovens vinham crescendo em número e aprimorando sua formação.

Entre as questões decisivas, mantém-se a premissa de preservar a aparência dos componentes construtivos, evitando ao máximo o uso de revestimentos e dos chamados “acabamentos”. Assim, o controle rigoroso da execução correta dos concretos e alvenarias – especialmente nas etapas iniciais e intermediárias da obra – torna-se essencial, uma vez que ali se define quase completamente a aparência final do edifício. No Vecindario Güemes, destaca-se nesse sentido a grande tela de tijolos vazados voltada para o norte.



MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

CBAyA – Ver respuesta a pregunta “¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?”.

Ver a resposta a pergunta “Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?


MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

CBAyA – Como mencionamos en esta misma pregunta en el Vecindario 1° de Mayo, estos trabajos forman parte de una serie de indagaciones proyectuales, que toman a nuestro estudio en un momento de madurez profesional; de alguna forma, son respuestas muy decantadas.

No obstante los años transcurridos desde su ideación y construcción, no se han evidenciado desajustes, o propiciado reconsideraciones de valor.

Como mencionamos nesta mesma pergunta sobre o Vecindario 1° de Mayo, esses trabalhos fazem parte de uma série de investigações projetuais que nosso escritório desenvolveu em um momento de maturidade profissional; de certa forma, são respostas muito depuradas.

Apesar dos anos transcorridos desde sua concepção e construção, não se observaram desajustes nem se tornaram necessárias reconsiderações de valor.



MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

CBAyA – El problema de la producción de vivienda colectiva para renta oscila, en nuestro país – y probablemente más allá también -, entre dos extremos opuestos: la especulación económica por sí misma, sin voluntad de transformación de ningún tipo, por un lado, y aquellas iniciativas de revisión de las formas de habitar, de las nuevas configuraciones familiares o núcleos de convivencia, la espacialidad, la manera de acceder a la vivienda, su adaptabilidad y flexibilidad, entre otros varios temas de interés disciplinar, por otro;

Entendemos que en este contexto, los conjuntos concretados, sobre todo los Vecindarios, se inscriben en esta segunda variable de la ecuación.

A partir de ello, se puede establecer otra distinción entre producción e ideación, es decir aquel campo en el que se inscriben ideas y conceptos que dan sustento al hacer, que a nuestro juicio es donde se dirime la cuestión de la “arquitectura contemporánea” en un ámbito determinado -nuestro país en este caso.

En tal sentido, dan cuenta de algunos de nuestros Vecindarios diversas publicaciones, exposiciones, investigaciones, provenientes del ámbito profesional, de los circuitos de difusión o del mundo académico, como es el caso de la presente, que nos honra al convocarnos.

O problema da produção de habitação coletiva para aluguel oscila, em nosso país – e provavelmente além dele também –, entre dois extremos opostos: por um lado, a especulação econômica pura, sem qualquer intenção de transformação; por outro, iniciativas que revisam as formas de habitar, as novas configurações familiares ou núcleos de convivência, a espacialidade, as formas de acesso à moradia, sua adaptabilidade e flexibilidade, entre outros temas de interesse disciplinar.

Entendemos que, nesse contexto, os conjuntos realizados, especialmente os Vecindarios, se inscrevem nessa segunda vertente da equação.

A partir disso, pode-se estabelecer outra distinção entre produção e concepção, ou seja, entre o campo onde se inscrevem ideias e conceitos que fundamentam a prática e aquele em que se dá sua materialização. A nosso ver, é nesse âmbito que se define a questão da “arquitetura contemporânea” em um determinado contexto – neste caso, em nosso país.

Nesse sentido, diversos dos nossos Vecindarios têm sido documentados em publicações, exposições e pesquisas, seja no meio profissional, nos circuitos de difusão ou na academia – como é o caso desta iniciativa, que nos honra ao nos convocar.



MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

CBAyA – Dicho esto, en el caso del Vecindario Güemes, se produce en 2020 su selección como obra integrante del Pabellón Argentino XVII Bienal de Arquitectura de Venecia “La casa infinita”, selección hecha por el arquitecto Gerardo Caballero, quien tuvo a cargo la curaduría de la muestra nacional.

Bajo el lema – planteado para aquella edición de la Bienal – por el interrogante ¿Cómo viviremos la vida juntos? Caballero afirma: “La casa infinita busca extender los límites de lo doméstico y remarcar la importancia de lo colectivo por sobre lo individual, determinando que una casa puede ser mucho más grande que la propia vivienda: “puede ser la ciudad, el país y hasta el mundo”.

Digamos que el Vecindario Güemes se percibía muy cómodo, muy a gusto como parte de esta casa, y a nosotros nos motivó a esta reflexión, con la que nos agradaría dar término a esta entrevista¹.

Dito isso, em 2020, o Vecindario Güemes foi selecionado como parte do Pavilhão Argentino na XVII Bienal de Arquitetura de Veneza, intitulada “La casa infinita”, uma escolha realizada pelo arquiteto Gerardo Caballero, responsável pela curadoria da mostra nacional.

Sob o lema daquela edição da Bienal – formulado na pergunta “Como viveremos juntos?” – Caballero afirma: “La casa infinita busca estender os limites do doméstico e ressaltar a importância do coletivo sobre o individual, determinando que uma casa pode ser muito maior do que a própria moradia: pode ser a cidade, o país e até o mundo.”

Podemos dizer que o Vecindario Güemes se sentiu muito confortável, muito à vontade como parte dessa casa. E essa participação nos levou a uma reflexão com a qual gostaríamos de encerrar esta entrevista¹.

¹ Por razones cronológicas, es recomendable leer a continuación de la Entrevista: 1° de Mayo. Gestión y proyecto.
¹ Por razões cronológicas, é recomendável ler a seguir a entrevista: 1° de Mayo. Gestión y proyecto.


ficha técnica

Localização: Güemes 4298, S3002 Santa Fe,Argentina
Ano de projeto: 2016
Ano de finalização: 2013
Área terreno: 329 m²
Área construída: 1246 m²
Arquitetura: CBAyA | Griselda Bertoni, Eduardo Castellitti, Carlos Castellitti e Jose Ignacio Castellitti
Colaboradores: Ricardo Matias Silvero, Paul Jaramillo (Colombia), Diego Villar, Mariano Tellechea e Estanislao Niklinson
Cálculo estrutural: Ing. Sala, Rubén


Fotografias: Federico Cairoli


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire + Renan Maia + Aloisio Junio

deseja citar esse post?

BERTONI, Griselda. CASTELLITTI, Eduardo. CASTELLITTI, Carlos. CASTELLITTI, Jose Ignacio. “Vecindario Guemes”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jun-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/06/10/vecindario-guemes/ . Acesso em: [incluir data do acesso].

Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG


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