Por Vapor Arquitetura
BRASIL – Intervir no Construído
projeto executivo
Cora Restaurante (texto fornecido pelos autores)
Projeto para uma nova cobertura em edifício existente na rua Amaral Gurgel, na borda da via elevada denominada de Minhocão pelos paulistanos – potencial parque linear elevado no centro de São Paulo.


Fotografias: Arthur Duarte
O Cora Restaurante, portanto, tem essa premissa: a proposição de um novo uso às coberturas dos edifícios nas bordas imediatas do Minhocão, dialogando com essa possibilidade de uma centralidade de lazer para São Paulo.
Fotografias: Arthur Duarte
A chegada de elevador à cobertura leva ao hall de entrada do restaurante, uma grande janela com vista a alguns prédios icônicos do centro da cidade, e um balcão de espera cravado no intervalo das áreas de operação do restaurante. De um lado, as vistas para a cozinha e do outro o bar, com franco diálogo ao terraço.





Fotografias: Arthur Duarte
Contexto, Fluxos, Planta e Cortes
As áreas de produção organizam uma faixa central do restaurante que delimita os fluxos a dois salões principais, tratados como varandas debruçadas à cidade. Um salão com cobertura retrátil na face sul, e o terraço na face norte com os assentos ao ar livre e visuais desimpedidas ao Minhocão e ao Centro.



Fotografias: Eduardo Magalhães
Cortes em maquete eletrônica
Diante da análise da estrutura do edifício existente, partiu-se para o emprego de estruturas leves e com as cargas encaminhadas em grande parte para a fachada perimetral do prédio. Uma estrutura metálica conformou o corpo principal da nova edificação, marcada pela sucessão de sheds na cobertura. Nos fechamentos externos e internos adotou-se sistema tipo wire-frame com revestimentos variados em chapas cimentícias e chapeamentos metálicos.


Fotografias: Arthur Duarte
Elevação, Cortes e Detalhe
A nova edificação desenha, portanto, este novo coroamento do prédio ali existente, anunciando este novo uso à cidade, estas novas camadas de ocupação dos seus edifícios.

Fotografia: Glauco Rossi
Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.
por Rodrigo Ferreira Oliveira | Vapor Arquitetura (V.A.)
MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?
V.A. – É um projeto importante na trajetória do escritório. Após a realização de alguns projetos de restaurantes anteriores, esse projeto é uma experiência mais madura e segura. Além disso, é o primeiro projeto com um protagonismo / relevância espacial urbana, e que culmina no meu ponto de vista com o início de uma expressão mais contundente sobre a identidade da produção do escritório.
MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?
V.A. – Contratação direta.
MDC -Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?
V.A. – O projeto se iniciou enquanto a obra de renovação do edifício estava em andamento. Isso foi determinante para o entendimento das pré-existências e para as definições do projeto serem mais assertivas.
MDC – Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?
V.A. – O entendimento estrutural do edifício, por exemplo, foi condicionante desde o início para a estratégia estrutural do projeto. A laje existente de cobertura do edifício não suportava cargas diretas, logo a solução foi partir para soluções construtivas leves e um piso “flutuante” com vigamentos metálicos de encaminhamento das cargas da nova construção para as paredes perimetrais do edifício.
MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?
V.A. – Sim. Uma série de fatores técnicos foram debatidos em conjunto com os engenheiros complementares como, por exemplo, o local dos contraventamentos da estrutura, ou o encaminhamento dos dutos de ventilação e exaustão, desenhados em conjunto para a melhor resolução estética.
MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?
V.A. – Sim, foi recorrente nossa participação em obra, e com ajustes no projeto em diversos momentos. Seja com adaptações técnicas como também com adaptações em função de restrições financeiras de determinadas soluções.
MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?
V.A. – Este projeto é uma construção nova sobre um edifício existente. Portanto, neste caso as pré-existências foram mais “complicadores”, e resultaram em grande parte em aumento do orçamento da obra.
MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?
V.A. – Vejo este restaurante com um potencial urbano que vai além do mero programa de um restaurante. Ele é a oportunidade de uma cobertura útil em um edifício lindeiro a um potencial parque linear urbano. Um mirante para o centro da cidade… E vejo que essa dinâmica de certa forma acontece hoje em dia com esse restaurante.
MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?
V.A. – Deixaria o hall de entrada livre, sem o balcão de pedra entre o bar e a cozinha.
MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?
V.A. – Contextualizo como uma produção de uma geração de arquitetes jovens, que está atenta às pré-existências e a uma arquitetura mais flexível, e ao meu ver, com uma aceitação mais fácil e direta pelo grande público.
ficha técnica
Local: Vila Buarque, São Paulo/SP – Brasil
Ano de projeto: 2020
Ano da obra: 2021
Área: 175 m²
Arquitetura: Vapor Arquitetura | Rodrigo Ferreira Oliveira, Thomas Frenk, Bruno Lopes, Simone Shimada e Zique Lique
Complementares
Estrutural: Heloísa Maringoni
Instalações: Edson Prado
Exaustão e Refrigeração: Tubo Ar
Luminotecnico: Auma Estúdio
Cozinha Industrial: Pucci Sifuentes
Identidade Visual: Beatriz Dorea
Fotos: Arthur Duarte, Eduardo Magalhães e Glauco Rossi
Contato: vapor@vaporarquitetura.com
Premiações:
Prêmio IAB.SP 2021 | Edição Centenário: categoria Interiores e Design – Enfoque em Sustentabilidade e Cuidado ao Entorno.
galeria





































colaboração editorial
Ana Júlia Freire + Cecília Ellen
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OLIVEIRA, Rodrigo Ferreira. FRENK, Thomas. LOPES, Bruno. SHIMADA, Sinome. LIQUE, Zique. “Cora Restaurante”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., set-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/09/24/cora-restaurante/ Acesso em: [incluir data do acesso].

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