Por Andrade Morettin Arquitetos Associados + GOAA
BRASIL – Intervir no Construído
projeto executivo

BEACON SCHOOL – ENSINO MÉDIO | PARTE 1
PLANTAS, CORTES, ELEVAÇÕES E AMPLIAÇÕES
45 pranchas (pdf).
20,91mb

BEACON SCHOOL – ENSINO MÉDIO | PARTE 2
ESQUADRIAS, SERRALHERIA, MARCENARIA E DETALHES
49 pranchas (pdf).
10,92mb
Beacon School (texto fornecido pelos autores)
Beacon School – Plano Diretor
2016
O projeto para a escola Beacon parte da combinação de um projeto pedagógico inovador com um patrimônio construído em um antigo bairro industrial na área central de São Paulo. O programa prevê uma escola para, aproximadamente, mil alunos, abrangendo do ensino infantil ao ensino médio, passando pelo ensino fundamental. Todos acomodados em um espaço inclusivo que, a um só tempo, ofereça toda a estrutura específica para cada ciclo e propicie a integração entre os alunos de diversas idades. A proposta de integração vai além: encoraja a aproximação permanente entre alunos, professores, coordenadores e funcionários.

Planta térreo. Fonte: projeto executivo



Fotografias: Nelson Kon
A propriedade é composta por um complexo de galpões industriais, utilizados como estacionamento de automóveis antes da intervenção. Se por um lado os galpões apresentam-se rústicos e agigantados para a escala das crianças, por outro representam um patrimônio construído generoso e bastante sólido.
Diagramas
A proposta parte da ideia de aproveitar integralmente esse patrimônio construído e, a partir dessa estrutura monumental, introduzir novos elementos capazes de acomodar as atividades específicas da escola e, simultaneamente, introduzir a escala apropriada e os materiais de acabamento condizentes, de forma a introduzir a dimensão doméstica no espaço.



Fotografias: Alberto Ricci
Todos os novos elementos são construídos com componentes industriais leves, de tal forma que a inserção desses se dá como uma montagem no local, buscando contrapor-se nitidamente aos galpões existentes, estabelecendo assim um franco diálogo entre o preexistente e o novo.

Fotografias: Nelson Kon
Beacon School – Ensino Médio
2021 – 2024
O projeto para a unidade do ensino médio da Beacon School é parte integrante de um plano diretor, elaborado no ano de 2016, para o estabelecimento do novo Campus da escola, localizado no antigo bairro industrial da Vila Leopoldina, em São Paulo. No Campus, no momento desse projeto, já se encontravam edificadas e em atividade as unidades do ensino infantil e do ensino fundamental.
Diagrama. Fotografia: Alberto Ricci
O Campus ocupa um antigo conjunto de galpões industriais – típico da paisagem local – revitalizado e convertido em abrigo para as atividades da escola. A nova unidade, destinada ao ensino médio, consiste na única nova edificação do Campus e, como tal, busca estabelecer um diálogo franco com as edificações pré-existentes: ao mesmo tempo em que se integra ao repertório construtivo, destaca-se na paisagem anunciando a chegada de ares inovadores ao antigo bairro industrial.


Fotografias: Alberto Ricci e Nelson Kon respectivamente
O Campus, como um todo, é pensado como um espaço inclusivo e integrador. O convívio e a aproximação entre estudantes dos diversos ciclos, bem como dos professores e funcionários é não apenas facilitado, mas encorajado. Uma rede contínua de espaços livres, organizados a partir do estabelecimento de uma rua interna, prevalece no nível térreo do Campus e é responsável pela integração física das diversas edificações.
Fotografias: Nelson Kon
Assim, o novo edifício, localizado à entrada, junto à Rua Mofarrej, numa das extremidades da rua interna, se integra a este sistema, conformando uma ampla área coberta sobre pilotis que funciona, simultaneamente, como um desdobramento do passeio coberto coletivo do Campus e como um generoso hall de entrada para o edifício do ensino médio.

Fotografia: Nelson Kon
Este hall de entrada, ladeado por uma ampla área ajardinada, acomoda as atividades coletivas e de socialização para os estudantes do ensino médio, com espaços para jogos, estar, descanso e até aulas em um pequeno auditório aberto. Do centro do hall parte a prumada de circulação vertical: um volume prismático, identificado com a cor vermelha, que cruza verticalmente todo o edifício, do térreo á cobertura.



Fotografias: Alberto Ricci e Nelson Kon respectivamente
Acima do térreo, o edifício está organizado em dois blocos sobrepostos, separados por uma praça elevada. No primeiro bloco – que corresponde ao 1º e 2º pavimentos – estão distribuídas as salas de aula. No segundo bloco, que corresponde ao 4º e 5º pavimentos, estão alocadas atividades complementares, como auditório, biblioteca, laboratórios e espaço de artes.
Fotografias: Nelson Kon
Localizada no 3º pavimento, a praça elevada, que se caracteriza como um segundo pilotis, acomoda o refeitório e a lanchonete, ambos rodeados por terraços cobertos e descobertos. Este espaço avarandado, juntamente com os terraços criados no 1º bloco, oferece apoio para momentos alternativos de socialização e estudos em pequenos grupos. Na cobertura do edifício está localizada a quadra poliesportiva.


Fotografias: Nelson Kon e Alberto Ricci respectivamente
O sistema construtivo contempla uma estrutura convencional de pilar e vigas de concreto armado moldados in loco e, sobre esta, a sobreposição de diversos componentes industrializados atendendo a funções construtivas distintas, como fechamentos verticais, fechamentos translúcidos, paredes acústicas, cobertura, quebra sóis, etc.


Diagrama. Fotografia: Nelson Kon
A combinação destes elementos construtivos confere ao edifício um bom desempenho bioclimático – como, por exemplo o uso de telhas perfuradas atuando como filtro solar – e também uma maior unidade arquitetônica ao conjunto edificado do Campus.
Fotografias: Alberto Ricci
Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.
por Vinicius Andrade
MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?
V.A. – O projeto para a escola Beacon representou uma oportunidade rara para o nosso escritório. A demanda de instalação de um espaço de ensino em um antigo conjunto de galpões industriais nos proporcionou a possibilidade de colocar em prática um conjunto de estratégias de intervenção, elaboradas ao longo de 19 anos de prática profissional. Além disso, por se tratar de uma propriedade que estava sendo utilizada como estacionamento e localizada em um antigo bairro industrial em transformação, nos proporcionou a oportunidade de nos engajarmos em uma ação de transformação urbana virtuosa e exemplar.
MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto? (Concurso, licitação, contratação direta, outro)
V.A. – Fomos contratados a partir de um concurso fechado. Nesta modalidade alguns escritórios de arquitetura foram convocados a apresentar um estudo inicial, mediante o pagamento dos custos desse processo. Um júri misto, mobilizado pela escola contratante, avaliou os projetos e selecionou aquele que apresentava o conjunto de soluções mais adequado.
MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Em que aspectos a pré-existência teve impacto sobre o ato de projetação e se diferencia de um projeto novo?
V.A. – A pré-existência foi determinante para a conceituação e concepção do projeto. Toda a narrativa se apoia na ideia de que o parque industrial instalado ali é considerado o principal ativo do projeto. Desde a preocupação com a valorização histórica do bairro e sua paisagem, passando pelo desejo de revelar a potência e a beleza intrínseca a essa tipologia arquitetônica, até a adoção de soluções de projeto comprometidas com uma agenda mais sustentável, considerando o reaproveitamento de estruturas, reduzindo a utilização de recursos e o desperdício.
MDC – Qual o nível de informação prévia recebida ou levantada sobre as condicionantes da edificação pré-existente (instalações, estrutura, estado de preservação)? A falta de alguma informação em algum momento foi prejudicial ao processo de projeto?
V.A. – Uma vez definida a manutenção do parque construído como estratégia central para o projeto, iniciou-se um processo de reconhecimento de cada uma das edificações, contemplando os levantamentos realizados pelos arquitetos, engenheiros estruturais (concreto, madeira e fundações) e de infraestruturas prediais. O material, resultante deste conjunto de prospecções serviu de base para o desenvolvimento do projeto em alinhamento com a proposta defendida no projeto conceitual.
MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa de autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais?
V.A. – Os autores participaram de todo o desenvolvimento dos projetos e, durante este processo, muitas variações e ajustes ocorreram. Mesmo contando com uma ampla equipe multidisciplinar desde o início do projeto, as surpresas foram inevitáveis: diversos aspectos do patrimônio pré-existente só puderam ser revelados em etapas mais avançadas do projeto, quando puderam ser mobilizadas prospecções mais detalhadas, bem como testes in loco.
MDC – Os autores dos projetos tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Houve descobertas na obra que impactaram o projeto? Se sim, estas foram atualizadas em desenhos técnicos ou somente decididas em obra?
V.A. – Tanto arquitetos quanto engenheiros projetistas acompanharam todo o processo de construção e implementação das obras, sempre em contato com a direção da escola e com a empresa responsável pelas obras. Diversas descobertas durante este processo impactaram o projeto inicial e cada uma delas foi debatida entre as partes para a definição da melhor solução. Cada uma das adaptações definida foi incorporada ao projeto.
MDC – Além dos ganhos ambientais, houve ganho financeiro ou de prazo da obra devido a manutenção de elementos pré-existentes? Em algum momento a completa demolição foi cogitada?
V.A. – A economia de recursos e de tempo foi significativa. A maior parte dos espaços da escola encontra-se alocada sob as estruturas pré-existentes, o que facilitou a logística, dispensou etapas de obra e um considerável volume de novas construções. Alternativas para a melhor forma de aproveitamento dos galpões foram discutidas, mas, em nenhum momento, se cogitou a demolição destes.
MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?
V.A. – Considero importante destacar que este projeto foi concebido como um plano diretor cujas etapas não foram ainda todas implementadas. Também posso relatar que, apesar de ter sido prevista a expansão dos espaços com o objetivo de acomodar um crescimento (previsto) na lotação, ainda assim tivemos demandas de alteração do projeto para um crescimento ainda maior, o que nos levou a considerar adaptações difíceis e as vezes conflitantes com os princípios do projeto original.
MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?
V.A. – Sabendo do crescimento do número de estudantes acima do previsto inicialmente, talvez tivéssemos previsto maior área de crescimento. Mas, com relação ao partido adotado – que considera a preservação do parque construído como princípio norteador – não mudaria nada.
MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da produção da arquitetura contemporânea do seu país?
V.A. – Entendo que a prática de adaptar edifícios para a acomodação de escolas não é fato incomum em nosso país. Talvez este projeto se destaque por inserir uma escola de ensino infantil e fundamental num contexto marcado por grandes construções industriais em um bairro tradicionalmente industrial.
MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?
V.A. – Vale ressaltar que o partido adotado neste projeto foi construído a partir do diálogo direto e permanente com as dirigentes da escola e que a própria ideia da manutenção das edificações existentes está respaldada pela ideia de se explorar a história do lugar como importante elemento pedagógico, assim como a opção por deixar aparentes estruturas e instalações prediais está relacionada ao processo didático com que a escola está comprometida.
ficha técnica
Projeto: Beacon School – Campus
Localização: São Paulo – SP, Brasil
Ano do Concurso: 2016
Área do Terreno: 11.700 m²
Área Construída: 10.600 m²
Autores do projeto de intervenção: Andrade Morettin Arquitetos Associados: Vinicius Andrade, Marcelo Morettin, Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis. Guido Otero Arquitetura (Guido Otero) e Ricardo Gusmão Arquitetos (Ricardo Gusmão).
Equipe: Guido Otero e Ricardo Gusmão: Marina Novaes, Marina Pereira, Murilo Zidan
Andrade Morettin: Adriane De Luca, Carlos Eduardo Miller, Eduardo Miller, Fernanda Carlovich, Fernanda Mangini, Jaqueline Lessa, Melissa Kawahara, Raphael Souza.
Estagiário: Guilherme Torres.
Estrutura: Stec Engenharia
Instalações: Gera Engenharia
Projeto Luminotécnico: Godoy Luminotecnia
Drenagem: Contag Engenharia
HVAC: Willem Scheepmaker & Assoc. Ltda.
Acústica: Alexandre Sresnewsky Acústica e Tecnologia
Paisagismo e Agronomia: Ricardo Vianna
Fundações: Apoio Assessoria e Projeto de Fundações
Pavimentação: LPE Engenharia
Construtora: Barbara Engenharia e Construtora
Design de Mobiliário: Novidário
Projeto: Beacon School – Ensino Médio
Localização: São Paulo – SP, Brasil
Ano de projeto: 2021
Ano de construção: 2023
Área do Terreno: 1.832 m²
Área construída: 3.100 m²
Autor do projeto de intervenção: Andrade Morettin Arquitetos Associados: Vinicius Andrade, Marcelo Morettin, Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis. Guido Otero Arquitetura (Guido Otero) e Ricardo Gusmão Arquitetos (Ricardo Gusmão)
Equipe: Daniel Zahoul, Izabel Sigaud, Ana Paula Silveira, Arthur Frensch, Maria Carolina Bomeny, Lucas Santos, Murilo Zidan, Raphael Souza, Fernanda Carlovich, Fernanda Mangini, Guilherme Torres Martins, Beatriz Dias, Cassio Peres, Clara Troia, Marina Pimenta, Rubens Torquato, Tomas Vannucchi e Victoria Afonso.
Estagiários: Julia Daher, Simone Shimada, Danielle Gregório, Ingrid Colares, Victoria de Almeida Leite, Arthur L. Falleiros, Arthur Klain, André Enrico, Amanda Cunha, Raquel Andrade, Gabriel Garcia, Mateus Paulichen, Yuji Murata, André Widmann, Nathália Pimenta, Revelly Céu, Marcos Cambuí, Suzana Hotz e Diniz Mbure.
Comunicação Visual: Nitsche Projetos Visuais (@nitschepv)
Estrutura de Concreto: Avila Engenharia de Estruturas
Estrutura de Madeira: ITA Engenharia em Madeira
Instalações: Gera Serviços de Engenharia
HVAC: Willem Scheepmaker & Assoc. Ltda.
Acústica: Alexandre Sresnewsky Acústica e Tecnologia
Cozinha: Estillo Arquitetura
Esquadrias de Alumínio: Arqmate
Fundações: Apoio Assessoria e Projeto de Fundações
Pavimentação: LPE Engenharia
Projeto Luminotécnico: Godoy Luminotecnica
Impermeabilização: Proassp Assessoria e Projetos S/C Ltda
Paisagismo e Agronomia: Ricardo Vianna
Construtora: Barbara Engenharia
Fotografia: Nelson Kon (fotos feitas do solo) e Alberto Ricci (fotos feitas com drone)
Contato: contato@andrademorettin.com.br
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colaboração editorial
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ANDRADE, Vinícius. ANDRULIS, Renata. GUSMÃO, Ricardo. MAIA, Marcelo. MORETTIN, Marcelo. OTERO, Guido “Escola Beacon”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., fev-2026. Disponível em https://mdc.arq.br/2026/02/12/escola-beacon/ . Acesso em: [incluir data do acesso].

Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024






















