Vecindario Primero de Mayo

Por CBAyA
20–30 minutos

proyecto ejecutivo


PROYECTO EJECUTIVO
COMPLETO

12 pranchas (pdf).
9,58 mb


Vecindario Primero de Mayo (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

Las ciudades contemporáneas se moldean como resultado de la disputa entre las voluntades del Estado, representante (teórico) de los ciudadanos, y el Mercado. La pugna entre estos actores ha condicionado para bien o para mal la imagen urbana y más importante aún la vida de todas las personas. Esta relación condicionante de la macro escala, puede leerse análogamente a escala micro, en cada uno de los edificios que componen el escenario urbano.

As cidades contemporâneas se moldam como resultado da disputa entre as vontades do Estado, representante (teórico) dos cidadãos, e o Mercado. O embate entre esses atores tem condicionado, para o bem ou para o mal, a imagem urbana e, mais importante ainda, a vida de todas as pessoas. Essa relação condicionante em escala macro pode ser lida, de forma análoga, em escala micro, em cada um dos edifícios que compõem o cenário urbano.

Fotografias: Federico Cairoli

Todo edificio configura un ecosistema en el que, desde su nacimiento como interés inmobiliario hasta su materialización como hábitat para las personas, coexisten intereses que determinan por un lado el fin lucrativo de los promotores, y por el otro el confort y calidad de vida de los habitantes. Tal ecuación define un producto donde pareciera que el deseo de mayor rédito financiero del promotor, resulta inversamente proporcional al nivel de vida de los futuros habitantes.

Todo edifício configura um ecossistema no qual, desde seu nascimento como interesse imobiliário até sua materialização como habitat para as pessoas, coexistem interesses que determinam, por um lado, o fim lucrativo dos incorporadores e, por outro, o conforto e a qualidade de vida dos habitantes. Tal equação define um produto em que parece que o desejo de maior retorno financeiro por parte do incorporador resulta inversamente proporcional ao nível de vida dos futuros moradores.

Esquemas, superfícies e croquis

En nuestro caso, la figura de arquitectos-promotores brinda la posibilidad de situarse a ambos lados de la ecuación. Desde esta posición, nos proponemos llevar las características intrínsecas de la escala urbana que hacen una necesaria mejor convivencia de sus habitantes al ámbito “privado” de un edificio de departamentos. La dinámica de convivencia del barrio se traslada nos guste o no al interior del edificio, y está en nosotros, como arquitectos y constructores de estas micro realidades urbanas, enfatizarlas o ignorarlas. A partir de esto, preferimos pensar más que en un edificio de departamentos, o conjunto de unidades, en un vecindario en altura.

No nosso caso, a figura dos arquitetos-incorporadores oferece a possibilidade de nos colocarmos em ambos os lados da equação. A partir dessa posição, propomos levar para o âmbito “privado” de um edifício de apartamentos as características intrínsecas da escala urbana que tornam possível uma melhor convivência entre seus habitantes. A dinâmica de convivência do bairro se transfere, gostemos ou não, para o interior do edifício — e cabe a nós, como arquitetos e construtores dessas micro realidades urbanas, enfatizá-las ou ignorá-las. Partindo disso, preferimos pensar, mais do que em um edifício de apartamentos ou conjunto de unidades, em um bairro vertical.

Fotografias: Federico Cairoli

Este proyecto se inscribe en una larga línea de emprendimientos en los que intentamos verificar en mayor o menor medida estas cuestiones, fundamentalmente, en lo que hace a la configuración de los espacios comunes, que tal como sucede en la ciudad, representan ese ámbito que no pertenece a nadie y que a la vez pertenece a todos.

Este projeto se inscreve em uma longa linha de empreendimentos nos quais tentamos, em maior ou menor medida, verificar essas questões, fundamentalmente, no que diz respeito à configuração dos espaços comuns, que, tal como acontece na cidade, representam esse âmbito que não pertence a ninguém e, ao mesmo tempo, pertence a todos.

Fotografias: Federico Cairoli

Espacios menospreciados desde la visión inmobiliaria al considerarlos como “no vendibles”, producen con frecuencia lugares extremadamente oscuros, privados de luz natural, ventilación y visuales. En oposición a esto, tomamos como premisa ineludible generar espacios comunes completamente abiertos, que sin dejar de ser eficientes desde la visión del promotor por excesivos metrajes, reproduzcan las principales características de cualquier vereda de la ciudad. Estos espacios de convivencia pública son los encargados principales de promover una mejor vida en comunidad.

Espaços menosprezados pela visão imobiliária ao serem considerados como “não comercializáveis” produzem com frequência lugares extremamente escuros, privados de luz natural, ventilação e visuales. Em oposição a isso, tomamos como premissa ineludível a geração de espaços comuns completamente abertos que, sem deixar de ser eficientes sob a ótica do incorporador quanto a metragens excessivas, reproduzam as principais características de qualquer calçada da cidade. Esses espaços de convivência coletiva são os principais responsáveis por promover uma melhor vida em comunidade.

Plantas

La conjugación de dos plantas tipo de diferentes prestaciones, en cantidad y ubicación en altura, genera distintas variables formales que buscan adaptarse a los cambios que todo proyecto de inversión sufre en su proceso. Ambas opciones de pisos, se conforman en torno a un vacío central, que en uno u otro caso se abre hacia el frente, al costado, o al contrafrente, permitiendo visuales hacia diferentes puntos en cada nivel y ventilando todo el conjunto desde su interior.

A conjugação de dois pavimentos-tipo com diferentes atributos, em quantidade e localização na altura, gera distintas variações formais que buscam se adaptar às mudanças que todo projeto de investimento sofre ao longo de seu processo. Ambas as opções de planta se organizam em torno de um vazio central que, em um caso ou no outro, se abre para a frente, para a lateral ou para os fundos, permitindo visuais para diferentes pontos em cada nível e ventilando todo o conjunto a partir de seu interior.

Cortes e Fachadas

Al ubicar en dicho espacio central circulaciones verticales y horizontales, se busca reemplazar el núcleo típico cerrado y oscuro por un vacío que explota en múltiples direcciones, y deja entrever desde diferentes puntos de la ciudad la estructura interna de un conjunto habitacional que aspira convertirse en vecindario.

Ao posicionar nesse espaço central as circulações verticais e horizontais, busca-se substituir o núcleo típico, fechado e escuro, por um vazio que se expande em múltiplas direções e deixa entrever, a partir de diferentes pontos da cidade, a estrutura interna de um conjunto habitacional que aspira a se converter em um bairro.

Fotografia: Federico Cairoli

Video por Francisco Marchisio Balcón


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por CBAyA

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

CBAyA – Nuestro estudio se ha caracterizado por intentar caminos paralelos, alternativos, a las formas habituales de trabajo que nos plantea la demanda convencional en arquitectura: la docencia, los concursos, la gestión extra o trans-disciplinar, pueden ser ejemplo de ello.

Es así que, entre finales de los 90 y principios de los 2000, a la vez que dábamos respuesta a los encargos típicos, veníamos explorando posibilidades de proyectos “sin comitente”, lo que nos otorgaba cierta autonomía en las decisiones, tanto proyectuales como de la concreción propiamente dicha de la idea. Inicialmente se trató de una serie de pequeños conjuntos residenciales, de apenas 4 o 5 unidades cada uno, que posibilitaban ir aumentando la densidad sin perder individualidad, y cuya factibilidad se basaba en la “serie” de pequeña escala, a partir de ejecutar y vender prácticamente unidad por unidad, por lo general en parcelas de tamaño medio en zonas barriales.

La secuencia continuó luego aumentando la cantidad de unidades y el volumen edificatorio en conjuntos en altura media, situados en localizaciones similares a las anteriores, por lo general zonas peri-centrales, con incrementos en la edificabilidad admitidos por la normativa.
En estas instancias nos llega la oferta de una parcela céntrica, que plantea la alternativa de aumentar aún más la densidad, pero que hace indispensable juntar un mayor número de voluntades al inicio del proceso las que, al sumarse, perfilan una forma de gestión que podría definirse como cooperativa, por su sentido de desarrollo residencial no especulativo, dando origen al “Vecindario”.

Nosso estúdio tem se caracterizado por buscar caminhos paralelos, alternativos às formas habituais de trabalho impostas pela demanda convencional em arquitetura: a docência, os concursos, a gestão extra ou transdisciplinar podem ser exemplos disso.

Foi assim que, entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, ao mesmo tempo em que respondíamos aos encargos típicos, vínhamos explorando possibilidades de projetos “sem comitente”, o que nos proporcionava certa autonomia nas decisões, tanto projetuais quanto na concretização propriamente dita da ideia. Inicialmente, tratava-se de uma série de pequenos conjuntos residenciais, com apenas 4 ou 5 unidades cada um, que permitiam aumentar a densidade sem perder a individualidade, e cuja viabilidade se baseava na “série” em pequena escala — executando e vendendo praticamente unidade por unidade, geralmente em lotes de tamanho médio, localizados em zonas de bairro.


A sequência continuou, depois, com o aumento da quantidade de unidades e do volume edificável, em conjuntos de altura média, situados em localizações similares às anteriores — geralmente em zonas pericentrais — com aumentos de áreas construídas permitidos pela normativa. É nesse contexto que nos chega a oferta de um terreno central, que apresenta a alternativa de aumentar ainda mais a densidade, mas que torna indispensável reunir um maior número de participantes já no início do processo — participantes esses que, ao se somarem, configuram uma forma de gestão que poderia ser definida como cooperativa, por seu caráter de desenvolvimento residencial não especulativo, dando origem ao “Vecindário”.


MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

CBAyA – En este contexto el proyecto es en realidad un “auto-encargo”, que forma parte esencial del proceso por el cual se perfila la idea inicialmente; madura luego en un anteproyecto ajustado que es la herramienta con que se incorporan voluntades para su desarrollo para, finalmente, ser materializada a través del proyecto ejecutivo. Este tipo de operaciones llevan implícito el desafío de plasmar aquellos conceptos que vienen desde su origen, por lo que su ejecución queda involucrada en el formato cooperativo, del que la empresa constructora forma parte y es asociada en el modelo de gestión.

Nesse contexto, o projeto é, na verdade, um “autoencargo”, que faz parte essencial do processo por meio do qual a ideia é inicialmente delineada; amadurece depois em um anteprojeto ajustado, que é a ferramenta com a qual se agregam vontades para seu desenvolvimento, até ser finalmente materializada através do projeto executivo. Esse tipo de operação traz implícito o desafio de concretizar os conceitos que vêm desde a origem, razão pela qual sua execução está envolvida no formato cooperativo, do qual a empresa construtora faz parte e é associada no modelo de gestão.


MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

CBAyA – Una de las ideas principales de partida fue diseñar unidades que permitieran variaciones en sus organizaciones espaciales, que en cada uno de los niveles se pudiera ajustar esta espacialidad, en respuesta a diferentes formas de vida, de demanda. Como es sabido, el momento clave en todo proyecto es el paso de la flexibilidad como premisa conceptual a los necesarios ajustes en la grilla estructural, así como en los “puntos fijos” del partido: buscamos
generar un posicionamiento de los núcleos húmedos y los núcleos verticales, que habilitara la oportunidad de que las unidades pudieran adaptarse, que a partir de allí pudieran variar por anexiones, o por aumento o disminución del espacio de uso.

Otra premisa -siempre presente en nuestros proyectos-, es proveer iluminación y ventilación natural y cruzada a todos los ambientes, hecho que a su vez queda vinculado a las posibilidades de trabajar las relaciones entre el espacio lleno y el espacio vacío, entre lo construido y lo no construido, entre la vivienda y el conjunto; de allí la presencia de patios en altura, que van cambiando sus dimensiones, su posición en planta, generando así interconexiones lleno – vacíos, interior – exterior, individual – colectivo: una apertura espacial en alzada, en el corte, que otorga al conjunto nuevas condiciones de uso, nuevas vivencias.

Por último, complementariamente, el proyecto replica cuestiones que venían ejercitándose desde conjuntos anteriores como las escaleras abiertas y transparentes, o los palieres amplios y abiertos, que permiten el intercambio social comunitario entre los vecinos.

Uma das ideias principais desde o início foi projetar unidades que permitissem variações em suas organizações espaciais — que, em cada um dos níveis, essa espacialidade pudesse ser ajustada em resposta a diferentes modos de vida e de demanda. Como é sabido, o momento-chave de todo projeto é a passagem da flexibilidade como premissa conceitual para os ajustes necessários na malha estrutural, assim como nos “pontos fixos” do partido arquitetônico. Buscamos gerar um posicionamento dos núcleos molhados e dos núcleos verticais que possibilitasse a oportunidade de que as unidades se adaptassem — que, a partir daí, pudessem variar por anexações, ou por aumento ou diminuição do espaço de uso.

Outra premissa — sempre presente em nossos projetos — é garantir iluminação e ventilação natural e cruzada a todos os ambientes, o que, por sua vez, se vincula às possibilidades de trabalhar as relações entre o espaço cheio e o espaço vazio, entre o construído e o não construído, entre a unidade habitacional e o conjunto; daí a presença de pátios em altura, que vão mudando de dimensões e de posição na planta, gerando assim interconexões cheio–vazio, interior–exterior, individual–coletivo: uma abertura espacial em corte, na elevação, que confere ao conjunto novas condições de uso, novas vivências.

Por fim, complementarmente, o projeto retoma questões que vinham sendo exercitadas em conjuntos anteriores, como as escadas abertas e transparentes, ou os amplos e abertos corredores de circulação, que permitem o intercâmbio social comunitário entre vizinhos.



MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderiam comentar as mais importantes?

CBAyA – A principios de los 2000 habíamos comenzado a experimentar en alta densidad por encargo directo, y por Concurso Nacional en 2005 obtuvimos el 1er Premio para la construcción del Edificio de los Tribunales de la Provincia de Santa Fe, resultando en el encargo del Proyecto Ejecutivo y Pliego Licitatorio del complejo de más de 20.000 m2, con su anexión al edificio patrimonial existente contiguo -obra a punto de finalizarse-. Entonces, si bien tradicionalmente nosotros mismos veníamos desarrollando nuestros proyectos ejecutivos, apoyados en una fuerte voluntad de trabajar junto a especialistas, esta ejercitación resultó en un respaldo significativo a nuestras prácticas, afianzando a su vez aquellas interacciones.

Para el caso particular de este conjunto -tal como se menciona más arriba-, la problemática de la grilla estructural y los “puntos fijos” del proyecto -posición de columnas, de montantes, ascensor, etc.-se tensa a raíz de la búsqueda espacial de flexibilidad; estas y otras cuestiones obligaron a prestar particular atención a asesores -cálculo estructural e infraestructuras-. Por caso, la transición de la estructura en la planta baja -en función de la presencia de cocheras- implicó adoptar una grilla que, si bien parte de este posicionamiento en el plano de soporte, no impacta en la flexibilidad del espacio buscada en el edificio en altura.

Otro aspecto a atender en conjunto fue la fachada, ya que la presencia de los volúmenes que asoman “sueltos” -sin apoyo evidente-, fue una premisa que pudo llevarse adelante a partir de este fluido trabajo en equipo, permitiendo lograr que el edificio aparezca con la voluntad espacial, formal, y constructiva-material que teníamos en mente.

No início dos anos 2000, havíamos começado a experimentar com alta densidade por meio de encargos diretos, e, em 2005, obtivemos o 1º Prêmio em Concurso Nacional para a construção do Edifício dos Tribunais da Província de Santa Fé, resultando no encargo do Projeto Executivo e do Caderno Licitatório do complexo, com mais de 20.000 m², e sua anexação ao edifício patrimonial existente contíguo — obra atualmente em fase final de execução. Assim, embora tradicionalmente fôssemos nós mesmos os responsáveis pelo desenvolvimento dos nossos projetos executivos, sempre com uma forte vontade de trabalhar em parceria com especialistas, essa experiência resultou em um respaldo significativo às nossas práticas, ao mesmo tempo em que fortaleceu essas interações.

No caso específico deste conjunto — como já mencionado anteriormente —, a problemática da malha estrutural e dos “pontos fixos” do projeto (posição de pilares, prumadas, elevador etc.) foi tensionada pela busca espacial por flexibilidade; essas e outras questões exigiram atenção especial aos consultores — cálculo estrutural e infraestrutura. Por exemplo, a transição da estrutura no térreo — em função da presença das garagens — implicou a adoção de uma malha que, embora parta dessa lógica estrutural no plano de base, não compromete a flexibilidade espacial pretendida no edifício em altura.

Outro aspecto que demandou atenção conjunta foi a fachada, pois a presença dos volumes que se projetam “soltos” — sem apoio evidente — era uma premissa que só pôde ser concretizada graças a esse trabalho fluido em equipe, permitindo que o edifício se apresentasse com a vontade espacial, formal e construtivo-material que tínhamos em mente.



MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

CBAyA – Nos interesa particularmente la dirección de obra, entendemos que velar por el ajuste de lo construido a lo proyectado es fundamental en nuestra disciplina; por ello la ejercemos en todos nuestros proyectos, podemos afirmar que es una característica que nos define, hay un especial gusto por hacerlo: acompañar el proceso constructivo implica ir buscando que los proyectos se materialicen de la manera que fueron pensados.

Atender a las dificultades, las diversas problemáticas que surgen en obra, es un desafío que nos interesa asumir: la arquitecta Bertoni tomó a cargo personalmente estas direcciones de obra, manteniendo una relación directa con contratistas, asesores y colaboradores del proceso ejecutivo en la mayoría de estos conjuntos. Como suele suceder, el momento de mayor tensión es el de la ejecución de la estructura, dado que queda a la vista en gran medida, lo que exige atender a sus diversas vinculaciones, tanto con ductos -pasos de cañería vertical y horizontal-, como su futura relación con aberturas y muros, por caso.

A su vez -presentes en varios de nuestros edificios- las mamposterías de ladrillo enrasado y los cribados, requieren un alto ajuste constructivo a la estructura; de igual modo la ejecución de la caja muraria, que va a envolver y dialogar con esa estructura, resulta otro de los momentos decisivos del proceso ejecutivo.

Por último, otra premisa significativa de estos proyectos, que es la de mantener -en la mayor medida posible- la apariencia de sus componentes constructivos, lo que implica ausencia de revestimientos, es decir una cantidad mínima de “terminaciones”, otorga mayor relevancia aún al contralor de la correcta ejecución de hormigones y mampuestos, ya que allí se define casi completa la apariencia final del edificio.

Nos interessa particularmente a direção de obra — entendemos que zelar pela conformidade entre o construído e o projetado é algo fundamental em nossa disciplina; por isso, exercemos essa função em todos os nossos projetos. Podemos afirmar que essa é uma característica que nos define: há um gosto especial por essa prática. Acompanhar o processo construtivo implica buscar que os projetos se materializem da maneira como foram concebidos.

Enfrentar as dificuldades, os diversos problemas que surgem durante a obra, é um desafio que nos interessa assumir: a arquiteta Bertoni assumiu pessoalmente a direção de obras, mantendo uma relação direta com empreiteiros, consultores e colaboradores do processo executivo na maioria desses conjuntos. Como é comum, o momento de maior tensão costuma ser a execução da estrutura, já que ela permanece, em grande medida, à vista, o que exige atenção às suas múltiplas articulações — com dutos, passagens de tubulação vertical e horizontal, e também com a futura relação entre aberturas e alvenarias, por exemplo.

Além disso — presentes em vários dos nossos edifícios — as alvenarias de tijolo com junta seca (
enrasado) e os elementos vazados (cribados) requerem um alto grau de precisão construtiva em relação à estrutura. Do mesmo modo, a execução das paredes envoltórias, que irão envolver e dialogar com essa estrutura, representa outro dos momentos decisivos do processo executivo.

Por fim, uma outra premissa significativa desses projetos é a de manter — na maior medida possível — a aparência original de seus componentes construtivos. Isso implica ausência de revestimentos, ou seja, um uso mínimo de “acabamentos”, o que confere ainda mais importância ao controle rigoroso da execução correta dos concretos e alvenarias, pois é neles que se define quase completamente a aparência final do edifício.



MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

CBAyA – Como fue dicho al inicio, existe una relación con quienes van a vivir en el Vecindario que nos ha permitido conocer los modos de apropiación y la forma de vida en las unidades, tanto en este como en otros conjuntos; por ello es posible afirmar que mantenemos ciertos vínculos con los vecindarios luego de terminados, en algunos casos por un largo tiempo.

Particularmente, tuvimos la oportunidad de recibir de alumnos y de ex-estudiantes de la Facultad fotografías y videos, registros de sus vivencias en las unidades que estaban habitando, de sus formas de apropiación tanto de espacios interiores como exteriores. Hay también por allí algún ensayo embrionario sobre la “post-ocupación” de los Vecindarios; resulta gratificante poder ver como lo que se ha propuesto es retomado, aprovechado, y disfrutado por sus destinatarios.

Como foi dito no início, existe uma relação com quem vai habitar o Vecindario que nos permitiu conhecer os modos de apropriação e as formas de vida nas unidades, tanto neste quanto em outros conjuntos. Por isso, é possível afirmar que mantemos certos vínculos com os vecindarios mesmo depois de finalizados — em alguns casos, por um longo tempo.

Em particular, tivemos a oportunidade de receber de alunos e ex-estudantes da Faculdade fotografias e vídeos, registros de suas vivências nas unidades que estavam habitando, das suas formas de apropriação tanto dos espaços internos quanto dos externos. Há também, por aí, algum ensaio embrionário sobre a “pós-ocupação” dos Vecindarios; é gratificante poder ver como aquilo que foi proposto é retomado, aproveitado e desfrutado por seus destinatários.



MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

CBAyA – Un proyecto construido resulta de una práctica que, a la vez que responde a las condiciones en las que se produce, impacta, modifica esas mismas condiciones al materializarse; a su vez esa práctica, en nuestra forma de entender la disciplina, se basa en conceptos e ideas con las que mantiene la misma relación dialéctica: “Refugiarse en lo empírico no aumenta el conocimiento, sino la ignorancia”, decía nuestro Juan José SAER¹.

En esta interacción entre lo que pensamos y lo que hacemos, pueden esbozarse continuidades, conexiones entre ideas, conceptos, obras y proyectos de distintas épocas, por las que la serie que va resultando viene a interactuar con su entorno, tiene “algo que decir” en la ciudad, y por tanto, necesariamente, varía … evoluciona, podríamos afirmar.

Dicho esto, se hace difícil responder esta pregunta, creemos que el edificio tiene una virtud, y esta es que su propuesta es atemporal, que es un proyecto que va a envejecer bien, porque tiene algo de “clásico”, en cuanto a lo sintético, lo no retórico de su presencia; luego de más de 15 años de construido -y 20 de proyectado- sigue siendo una propuesta presente, contemporánea. Por tanto, respecto de si cambiaríamos algo, siempre hay algún ajuste posible, patios que podrían haber sido dispuestos en otra orientación, por ejemplo, aunque en el resultado en conjunto no vemos variaciones sustancialmente necesarias.

Um projeto construído resulta de uma prática que, ao mesmo tempo em que responde às condições nas quais é produzido, impacta e modifica essas mesmas condições ao se materializar; por sua vez, essa prática, na nossa forma de entender a disciplina, baseia-se em conceitos e ideias com os quais mantém a mesma relação dialética: “Refugiar-se no empírico não aumenta o conhecimento, e sim a ignorância”, dizia nosso Juan José Saer¹.


Nessa interação entre o que pensamos e o que fazemos podem ser esboçadas continuidades, conexões entre ideias, conceitos, obras e projetos de diferentes épocas, pelas quais a série que vai se formando passa a interagir com seu entorno — tem “algo a dizer” na cidade e, portanto, necessariamente, varia… evolui, poderíamos afirmar.

Dito isso, torna-se difícil responder a essa pergunta. Acreditamos que o edifício tem uma virtude, e é a de que sua proposta é atemporal, que se trata de um projeto que vai envelhecer bem, porque tem algo de “clássico” — no sentido do sintético, do não retórico de sua presença. Depois de mais de 15 anos construído — e 20 projetado — ele segue sendo uma proposta presente, contemporânea. Portanto, quanto a se mudaríamos algo, sempre há algum ajuste possível: pátios que poderiam ter sido dispostos em outra orientação, por exemplo. Mas, no resultado como um todo, não vemos variações substancialmente necessárias.



MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

CBAyA – La obra fue motivo de publicaciones, disertaciones, muestras y exposiciones en diversos ámbitos, de los que es interesante resaltar aquellos que dieron cuenta de una producción colectiva, contemporánea y proveniente de diversos lugares del país, en los que se puso en valor la búsqueda de respuestas propias, innovadoras en cierto sentido, a la cuestión de la vivienda colectiva en las ciudades argentinas, tanto desde la mirada disciplinar, como de la gestión para llevarlas adelante en que están involucrados los propios autores.

A obra foi motivo de publicações, palestras, mostras e exposições em diversos âmbitos, dos quais é interessante destacar aqueles que evidenciaram uma produção coletiva, contemporânea e proveniente de diferentes regiões do país. Nesses contextos, valorizou-se a busca por respostas próprias — inovadoras, em certo sentido — para a questão da habitação coletiva nas cidades argentinas, tanto sob a ótica disciplinar quanto sob a perspectiva da gestão necessária para sua concretização, na qual os próprios autores estão envolvidos.



MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

CBAyA – Cabe destacar que el estudio se conforma a principios de los ´80, o sea que, transcurridos unos 20 años, cuando estos conjuntos tienen posibilidad de ser pensados, llevados adelante y construidos, hay una madurez en los socios mayores, que coincide en el tiempo con aportes que traen las nuevas generaciones de proyectistas que se integran al equipo, generándose una sinergia por la que se ven potenciadas estas propuestas con nuevos aires, a la vez que se pone en crisis “lo establecido”.

Cabe destacar que o escritório se conforma no início dos anos 80, ou seja, passados cerca de 20 anos, quando esses conjuntos têm a possibilidade de serem pensados, levados adiante e construídos, já existe uma maturidade entre os sócios mais antigos, que coincide temporalmente com as contribuições trazidas pelas novas gerações de projetistas que se integram à equipe. Isso gera uma sinergia na qual essas propostas são potencializadas por novos ares, ao mesmo tempo em que se coloca em crise o que até então estava “estabelecido”.

¹ Juan José SAER. (1937/2005) Escritor santafesino emigrado a Francia en 1968. Citado de su ensayo “El rio sin orillas” P.32. Editorial Seix Barral. Buenos Aires. 1991.
¹ Juan José SAER. (1937–2005) Escritor santafesino emigrado para a França em 1968. Citado de seu ensaio “O rio sem margens” p.32. Editorial Seix Barral. Buenos Aires. 1991.


ficha técnica

Localização: Santa Fé. Santa Fé, Argentina
Ano de projeto 2009
Ano de finalização: 2013
Área terreno: 329 m²
Área construída: 1246 m²
Arquitetura: CBAyA | Griselda Bertoni, Eduardo Castellitti, Carlos Castellitti e Jose Ignacio Castellitti
Colaboradores: Ricardo Matias Silvero, Paul Jaramillo (Colombia), Diego Villar, Mariano Tellechea e Estanislao Niklinson
Cálculo estrutural: Ing. Sala, Rubén


Fotografias: Federico Cairoli


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire + Renan Maia + Aloisio Junio

deseja citar esse post?

BERTONI, Griselda. CASTELLITTI, Eduardo. CASTELLITTI, Carlos. CASTELLITTI, Jose Ignacio. “Vecindario Primero de Mayo”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jun-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/06/10/vecindario-primero-de-mayo/ . Acesso em: [incluir data do acesso].

Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG


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Centro Cultural Comunitario Teotitlán del Valle

PRODUCTORA
MÉXICO – Projeto executivo
13–20 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO COMPLETO

163 formatos (pdf).
122,00 mb


Centro Cultural Comunitario Teotitlán del Valle (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

Este Centro Cultural Comunitario exhibe las riquezas arqueológicas y textiles de Teotitlán del Valle, un pequeño pueblo en el Estado de Oaxaca.

Este Centro Cultural Comunitário exibe as riquezas arqueológicas e têxteis de Teotitlán del Valle, um pequeno povoado no Estado de Oaxaca.

Fotografia: Luis Gallardo

El volumen principal, situado junto a la plaza del pueblo, alberga el Museo donde se trasladarán las colecciones y actividades del actual Museo Histórico de Teotitlán. Formalmente el proyecto se rige por la estética del entorno, que determina los parámetros de altura, color y materialidad.

O volume principal, situado junto à praça do povoado, abriga o Museu para onde serão transferidas as coleções e atividades do atual Museu Histórico de Teotitlán. Formalmente, o projeto rege-se pela estética do entorno, que determina os parâmetros de altura, cor e materialidade.

Fotografias: Luis Gallardo

Plantas e Cortes gerais

El volumen secundario contiene la Biblioteca Municipal y una zona de servicios. El área que ocupan ambos edificios en el predio, representa solo el 18% del total de la superficie, dejando un gran espacio público de plaza y jardines.

O volume secundário abriga a Biblioteca Municipal e uma área de serviços. A área ocupada por ambos os edifícios no terreno representa apenas 18% da superfície total, preservando um amplo espaço público com praça e jardins.

Fotografia: Luis Gallardo

De esta manera se mejoran los recorridos peatonales que pasan por el sitio y conectan con la Plaza principal, logrando insertar los nuevos espacios públicos generados por el Centro Cultural, en el circuito de plazas existentes que defina la estructura urbana del pueblo.

Dessa maneira, são aprimorados os percursos de pedestre que atravessam o local e se conectam à praça principal, conseguindo inserir os novos espaços públicos gerados pelo Centro Cultural no circuito de praças existentes que define a estrutura urbana do povoado.

Fotografia: Luis Gallardo

Los volúmenes arquitectónicos muestran fachadas austeras y neutras. La forma y la materialidad del edificio, como los techos inclinados de doble losa, los muros de concreto de 30 cm de espesor, las aberturas controladas, crean un sistema pasivo para responder a condiciones climáticas adversas.

Os volumes arquitetônicos apresentam fachadas austeras e neutras. A forma e a materialidade do edifício — como os telhados inclinados com laje dupla, os muros de concreto com 30 cm de espessura e as aberturas controladas — constituem um sistema passivo para responder a condições climáticas adversas.

Fotografias: Luis Gallardo

Esta estrategia básica ayuda a regular la temperatura en el interior del edificio y brinda a los usuarios un confortable espacio para leer un libro, trabajar o visitar el museo, y al mismo tiempo elimina la necesidad de instalar sistemas de acondicionamiento térmico. El espacio interior muestra muy diversas condiciones lumínicas y calidades espaciales (dobles y triples alturas) generando diferentes atmosferas para exhibiciones y actividades programadas.

Essa estratégia fundamental contribui para regular a temperatura no interior do edifício e oferece aos usuários um espaço confortável para ler um livro, trabalhar ou visitar o museu, eliminando, ao mesmo tempo, a necessidade de instalação de sistemas de climatização. O espaço interno apresenta condições lumínicas muito variadas e qualidades espaciais distintas (pés-direitos duplos e triplos), gerando diferentes atmosferas para exposições e atividades programadas.

Fotografias: Luis Gallardo

El Centro Cultural utiliza una paleta mínima de materiales de elaboración local (concreto pigmentado, madera, baldosas de barro y ladrillos) para integrarse con el entorno.

O Centro Cultural utiliza uma paleta mínima de materiais de produção local (concreto pigmentado, madeira, ladrilhos de barro e tijolos), buscando integração com o entorno.

Fotografia: Luis Gallardo


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Carlos Bedoya Ikeda (C.B.)

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?


C.B. – Este proyecto marcó un parteaguas en el trabajo de nuestra oficina, al ser uno de los primeros de orden público y desarrollarse en un entorno regido por un sistema de usos y costumbres. Además, representó uno de nuestros primeros proyectos de obra pública a gran escala.

Para su desarrollo, trabajamos exhaustivamente con las particularidades del sitio en sus dimensiones social, material, económica y política. Asimismo, el proyecto se llevó a cabo en un contexto culturalmente rico, que abarca desde la arqueología hasta las artesanías locales, incluyendo textiles, velas, gastronomía y música.

Gracias al trabajo en conjunto de todos los involucrados, el proyecto logró concretarse exitosamente y ha sido reconocido con la Medalla de Plata en la XV Bienal Nacional e Internacional de Arquitectura Mexicana (2018), la gran Medalla de Oro en la Bienal de Arquitectura Ciudad de México (2017), con el Primer Lugar en la categoría Espacio Colectivo en el Premio Obras CEMEX (2017), entre otros premios. Reconocimientos que impulsaron nuestra practica.

Este projeto marcou um divisor de águas no trabalho do nosso escritório, por ter sido um dos primeiros de caráter público e desenvolvido em um entorno regido por um sistema de usos e costumes. Além disso, representou uma das nossas primeiras obras públicas em grande escala.

Para seu desenvolvimento, trabalhamos de forma exaustiva com as particularidades do local, em suas dimensões social, material, econômica e política. O projeto também foi realizado em um contexto culturalmente rico, que abrange desde a arqueologia até o artesanato local, incluindo têxteis, velas, gastronomia e música.

Graças ao trabalho conjunto de todos os envolvidos, o projeto foi concretizado com sucesso e foi reconhecido com a Medalha de Prata na XV Bienal Nacional e Internacional de Arquitetura Mexicana (2018), a grande Medalha de Ouro na Bienal de Arquitetura da Cidade do México (2017), e o Primeiro Lugar na categoria Espaço Coletivo no Prêmio Obras CEMEX (2017), entre outras premiações. Reconhecimentos que impulsionaram nossa prática.



MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

C.B. – La contratación se realizó como parte de un programa destinado a apoyar a las comunidades de Oaxaca, y posteriormente fue confirmada por el Municipio de Teotitlán del Valle.

A contratação foi realizada como parte de um programa voltado ao apoio às comunidades de Oaxaca e, posteriormente, foi confirmada pelo Município de Teotitlán del Valle.


MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto?
Como foi a fase de concepção do projeto?

C.B. – El proceso fue sumamente enriquecedor debido a las particularidades del proyecto, que involucró a diversos actores clave en su realización, desde ciudadanos y representantes del pueblo hasta distintas instancias gubernamentales.

Las características urbanas y el valor histórico del sitio fueron determinantes en su desarrollo. Además, al estar ubicado junto a un arroyo, la participación de la Comisión Nacional del Agua (CONAGUA) fue fundamental.

Para PRODUCTORA, comprender el lugar, su gente y sus dinámicas sociales fue esencial tanto para el diseño del proyecto como para la creación de un nuevo espacio público significativo. Este espacio se ha convertido en un punto clave para la comunidad, que lo utiliza constantemente para múltiples propósitos, desde celebraciones y festividades hasta reuniones de carácter político.

O processo foi extremamente enriquecedor devido às particularidades do projeto, que envolveu diversos atores-chave em sua realização, desde cidadãos e representantes da comunidade até diferentes instâncias governamentais.

As características urbanas e o valor histórico do local foram determinantes para seu desenvolvimento. Além disso, por estar localizado junto a um curso d’água, a participação da Comissão Nacional da Água (CONAGUA) foi fundamental.

Para a PRODUCTORA, compreender o lugar, suas pessoas e suas dinâmicas sociais foi essencial tanto para o desenvolvimento do projeto quanto para a criação de um novo espaço público significativo. Esse espaço tornou-se um ponto de referência para a comunidade, que o utiliza constantemente para múltiplos propósitos, desde celebrações e festividades até encontros de caráter político.



MDC – ¿Hubo cambios conceptuales significativos?
Houve grandes inflexões conceituais?

C.B. – Si bien el concepto original se mantuvo, a lo largo del proceso se realizaron modificaciones importantes derivadas de la interacción con la comunidad y los asesores. Esto nos permitió llevar a cabo un trabajo minucioso y exhaustivo en la toma de decisiones sobre estética, volumetría, materialidad y escala, siempre con el objetivo de respetar tanto a la comunidad como a su contexto

Embora o conceito original tenha sido mantido, ao longo do processo ocorreram modificações importantes resultantes da interação com a comunidade e os consultores. Isso nos permitiu realizar um trabalho minucioso e criterioso na tomada de decisões relativas à estética, volumetria, materialidade e escala, sempre com o objetivo de respeitar tanto a comunidade quanto o seu contexto.


MDC – ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Você destacaria algum momento significativo do processo?

C.B. – El proyecto atravesó múltiples momentos cruciales debido a su complejidad, comenzando por su aprobación, la cual requirió varias presentaciones ante toda la comunidad.

Otro punto determinante fue la ubicación del predio junto a un arroyo, lo que hizo necesaria una revisión por parte de CONAGUA para garantizar la seguridad e integridad estructural del proyecto. Como resultado, se replantearon ciertos aspectos del esquema original.

Además, la elección de materiales fue una decisión clave, ya que buscamos que el edificio dialogara con su contexto urbano y que su materialidad le permitiera envejecer dignamente con un mantenimiento mínimo.

O projeto passou por diversos momentos cruciais devido à sua complexidade, a começar pela sua aprovação, que exigiu diversas apresentações diante de toda a comunidade.

Outro ponto determinante foi a localização do terreno junto a um curso d’água, o que exigiu uma revisão por parte da CONAGUA para garantir a segurança e a integridade estrutural do projeto. Como resultado, alguns aspectos do esquema original foram reformulados.

Além disso, a escolha dos materiais foi uma decisão chave, pois buscávamos que o edifício dialogasse com o contexto urbano e que sua materialidade lhe permitisse envelhecer com dignidade, exigindo manutenção mínima.



MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores?

Como parte del proceso de diseño, participamos activamente en la integración de todos los actores involucrados, asegurando que los aspectos técnicos estuvieran alineados con la visión del proyecto. Esta colaboración nos permitió obtener los mejores resultados posibles. La coordinación y el trabajo en equipo fueron fundamentales para garantizar la calidad y eficiencia que se buscaban

Como parte do processo de projeto, participamos ativamente da integração de todos os atores envolvidos, garantindo que os aspectos técnicos estivessem alinhados com a visão do projeto. Essa colaboração nos permitiu alcançar os melhores resultados possíveis. A coordenação e o trabalho em equipe foram fundamentais para assegurar a qualidade e a eficiência almejadas.

MDC ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderia comentar as mais importantes?

C.B. – Debido a la proximidad con un cuerpo de agua natural, la Comisión Nacional del Agua (CONAGUA) nos solicitó replantear el ancho original de la propuesta para garantizar la integridad del edificio.

Otro aspecto clave fue la estructura. Al decidir que permaneciera expuesta como parte integral de la estética del proyecto, nos aseguramos de que se integrara perfectamente con otros elementos, como los muros, las ventanas y la iluminación

Devido à proximidade com um corpo d’água natural, a Comissão Nacional da Água (CONAGUA) solicitou que repensássemos a largura original da proposta para garantir a integridade do edifício.

Outro aspecto relevante foi a estrutura. Ao optar por deixá-la aparente como parte integral da estética do projeto, garantimos que ela se integrasse perfeitamente com outros elementos, como os muros, aberturas e iluminação.



MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?


C.B. – Participamos activamente en el proceso de obra mediante visitas al sitio, donde supervisamos la correcta implementación de las decisiones de diseño, tomadas en conjunto con los clientes y asesores especialistas. Esta fase fue crucial para garantizar que el proyecto evolucionara conforme a la visión original y las necesidades de todos los involucrados.

Uno de los momentos clave fue la definición de la altura del edificio, buscando respetar las distintas alturas del lugar y lograr una integración armónica con el entorno. Otro aspecto fundamental fue la elección de la textura de los muros.

Participamos ativamente do processo de construção por meio de visitas ao local, onde supervisionamos a correta implementação das decisões projetuais tomadas em conjunto com os clientes e consultores especializados. Essa fase foi crucial para assegurar que o projeto evoluísse conforme a visão original e as necessidades de todos os envolvidos.

Um dos momentos decisivos foi a definição da altura do edifício, com o objetivo de respeitar as distintas alturas do entorno e alcançar uma integração harmônica com o ambiente. Outro aspecto fundamental foi a escolha da textura dos muros.


MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?


C.B. – Una de las grandes sorpresas fue ver cómo el edificio trascendió su uso original, convirtiéndose en un espacio flexible que, además de albergar exposiciones, ahora acoge diversas actividades culturales.

Las áreas exteriores se consolidaron como un espacio versátil que se adapta a la vida diaria del lugar. Además, han funcionado como un nuevo espacio público, fomentando la interacción y el encuentro entre los habitantes, lo que ha fortalecido el vínculo social en la comunidad

Uma das grandes surpresas foi observar como o edifício transcendeu seu uso original, transformando-se em um espaço flexível que, além de acolher exposições, passou a receber diversas atividades culturais.

As áreas externas consolidaram-se como um espaço versátil, adaptado ao cotidiano local. Além disso, funcionam como um novo espaço público, fomentando a interação e o encontro entre os habitantes, fortalecendo o vínculo social na comunidade.



MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?


C.B. – Estamos realmente satisfechos con los resultados del proyecto, ya que no solo ha respondido de manera efectiva a la solicitud inicial, sino que ha demostrado ser lo suficientemente flexible y sensible como para convertirse en un motor de un nuevo espacio público. Además, ha abierto puertas a nuevas oportunidades para la comunidad. Es gratificante ver cómo el diseño ha superado nuestras expectativas y ha dejado una huella positiva en el entorno, mejorando la experiencia de quienes lo utilizan

Estamos realmente satisfeitos com os resultados do projeto, pois ele não apenas respondeu de forma eficaz à solicitação inicial, como também demonstrou ser suficientemente flexível e sensível para tornar-se motor de um novo espaço público. Além disso, abriu portas para novas oportunidades para a comunidade. É gratificante ver como o projeto superou nossas expectativas e deixou uma marca positiva no entorno, enriquecendo a experiência de seus usuários.

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?


C.B. – Este proyecto representa uno de los primeros esfuerzos exitosos en un contexto tan consolidado como el de los valles centrales de Oaxaca. Considero que ha sido un verdadero parteaguas, demostrando que un enfoque integral puede realmente sumar al bienestar de una comunidad. No solo ha cumplido con su propósito inicial, sino que ha generado nuevas oportunidades y reafirman la importancia de pensar en soluciones integrales que beneficien a todos.

Este projeto representa um dos primeiros esforços bem-sucedidos em um contexto tão consolidado quanto o dos vales centrais de Oaxaca. Considero que foi, de fato, um marco, demonstrando que uma abordagem integral pode efetivamente contribuir para o bem-estar de uma comunidade. Não apenas cumpriu seu propósito inicial, como também gerou novas oportunidades e reafirma a importância de pensar soluções abrangentes que beneficiem a todos.


MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?


C.B. – Desde mi perspectiva, el proyecto no solo aborda de manera efectiva el programa específico solicitado, sino que también busca potenciar el legado del pasado mediante un enfoque contemporáneo, dando forma a una nueva realidad. Lo que resulta aún más relevante para nosotros es que el proyecto se convirtió en una oportunidad única para crear un espacio público significativo para todos los habitantes de la comunidad. Este lugar no solo cumple una función práctica, sino que también enriquece la vida social y cultural del entorno, convirtiéndose en un punto de encuentro que fortalece los lazos comunitarios.

Do meu ponto de vista, o projeto não apenas responde de maneira eficaz ao programa específico solicitado, mas também busca potencializar o legado do passado por meio de uma abordagem contemporânea, dando forma a uma nova realidade. O que é ainda mais relevante para nós é que o projeto se tornou uma oportunidade única de criar um espaço público significativo para todos os habitantes da comunidade. Este lugar não apenas cumpre uma função prática, como também enriquece a vida social e cultural do entorno, transformando-se em um ponto de encontro que fortalece os laços comunitários.


ficha técnica

Local: Oaxaca – México
Ano de projeto: 2017
Área: 1,700 m²
Arquitetura: PRODUCTORA (Carlos Bedoya, Wonne Ickx, Abel Perles, Víctor Jaime)
Colaboradores: Rosalía Yuste, Josué Palma, Pamela Martínez, Antonio Espinoza, Andrés Rivadeneyra, Iván Villegas
Cliente: Municipio de Teotitlan del Valle


Autores complementares e consultores:
Construção:  Bonarq Arquitectura (Ismael Rojas)
Estruturas: Kaltia Consultores (Verónica Correa) y DAE (Juan Felipe Heredia)
Engenharias: BioE (Alejandro Lirusso)
Paisajismo: Entorno Taller de Paisaje (Hugo Sánchez)


Fotos: Luis Gallardo
Contato: info@productora-df.com.mx


Prémios e Exposições:
Premio Medalla de Plata/ XV Bienal Nacional e Internacional de Arquitectura Mexicana 2018
1er Premio Firenze EntreMuros 2018 al Mejor Edificio de Arquitectura Pública.
Premio Medalla de Plata / XV Bienal Nacional e Internacional de Arquitectura Mexicana 2018
Premio Gran Medalla de Oro/ III Bienal de Arquitectura Ciudad de México 2017
Premio Obras CEMEX 2017 / 1er Lugar Espacio Colectivo (Nacional)
Premio Obras CEMEX 2017 / 2do Lugar Espacio Colectivo (internacional)
Premio Obras CEMEX 2017/ Premio Especial por Edificación Sostenible
Premio Medalla de Plata/ XV Bienal Nacional e Internacional de Arquitectura Mexicana 2018


galeria


colaboração editorial

Renan Maia + Aloísio Junio

deseja citar esse post?

BEDOYA, Carlos. ICKX, Wonne. JAIME, Victor. PERLES, Abel. “Centro Cultural Comunitario Teotitlán del Valle”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., abr-2025. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2025/04/29/centro-cultural-teopanzolco/. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Centro Cultural Teopanzolco

Por Isaac Broid + PRODUCTORA
MÉXICO – Projeto Executivo
13–19 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
ARQUITETURA

17 formatos (pdf).
12,79 mb


PROJETO EXECUTIVO
ALVENARIA

6 formatos (pdf).
1,86 mb


PROJETO EXECUTIVO
ACABAMENTOS

4 formatos (pdf).
3,71 mb


PROJETO EXECUTIVO
CARPINTARIA

29 formatos (pdf).
19,48 mb


PROJETO EXECUTIVO
SERRALHERIA

20 formatos (pdf).
9,78 mb


Centro Cultural Teopanzolco (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

El Proyecto para el nuevo Centro Cultural está localizado en un predio frente a la zona arqueológica de Teopanzolco, situación que plantea dos estrategias fundamentales: por un lado potenciar la relación con el sitio arqueológico y por el otro generar espacio público significativo.

O projeto para o novo Centro Cultural está localizado em um prédio em frente à zona arqueológica de Teopanzolco, situação que levanta duas estratégias fundamentais: por um lado, potencializar a relação com o sítio arqueológico e, por outro, gerar um espaço público significativo.

Fotografia: Onnis Luque

El edificio se organiza a través de dos elementos, una planta triangular que contiene los programas públicos (vestíbulos, servicios, taquillas, guardarropas, auditorio) y una plataforma que lo rodea y que aloja las zonas privadas de operación (camerinos, bodegas, zonas de armado, etc) incluyendo una caja negra para usos múltiples. 

O edifício se organiza por meio de dois elementos, uma planta triangular que contempla os programas públicos (salas, serviços, bilheterias, guarda-volumes, auditório) e uma plataforma que a rodeia e acomoda as zonas privadas de operação (camarins, armazéns, zonas de montagem, etc), incluindo uma caixa preta multiuso. 

Fotografias: Onnis Luque

La plataforma horizontal que rodea la planta triangular sirve como mirador hacia la zona arqueológica y hacia la ciudad. El gran basamento contiene una serie de patios, uno de ellos se hunde frente al acceso secundario del Auditorio y crea un pequeño teatro al aire libre. Esta plataforma es capaz de generar espacios exteriores diversos y resolver los accesos secundarios al interior del auditorio o a la misma plataforma, además de incorporan los grandes árboles existentes del lugar.

A plataforma horizontal que rodeia a planta triangular serve como mirante para a zona arqueológica e para a cidade. A grande estrutura contém uma série de pátios, um dos quais se afunda em frente ao acesso secundário do Auditório e cria um pequeno teatro ao ar livre. Esta plataforma é capaz de gerar espaços exteriores diversos e resolver os acessos secundários ao interior do auditório ou à própria plataforma, além de incorporar as grandes árvores existentes no local. 

Fotografia: Onnis Luque

Por otro lado, la cubierta principal de forma triangular consiste de una gran rampa escalonada que nace de la intersección con la plataforma horizontal que la rodea y logra bajar sustancialmente la presencia física y el impacto visual del nuevo edificio, además de convertir el techo en un auditorio adicional al aire libre que tiene como fondo el sitio arqueológico. Esta gran explanada triangular es la cubierta de la sala principal del Auditorio, y contiene otra explanada triangular más pequeña que es la cubierta del vestíbulo principal.  Ambas plataformas descienden en direcciones opuestas y crean un juego visual de planos inclinados que puede apreciarse durante todo el recorrido.

Por outro lado, a cobertura principal de forma triangular consiste em uma grande rampa escalonada que nasce da interseção com a plataforma horizontal que a rodeia, buscando diminuir substancialmente a presença física e o impacto visual do novo edifício, além de transformar o trecho em um auditório adicional ao ar livre que tem como plano de fundo o sítio arqueológico. Esta grande esplanada triangular compõe a cobertura da sala principal do Auditório, e contém outra esplanada triangular mais pequena que por sua vez é a cobertura do salão principal. Ambas as plataformas descem em direções opostas e criam um jogo visual de planos inclinados que pode ser apreciado ao longo de todo o percurso.

Planta de Acesso, -1 y Elevaciones / Planta do Acesso, -1 e Elevações
Fotografias: Onnis Luque

El vestíbulo principal tiene aberturas permanentes estratégicamente dispuestas que permiten su ventilación con circulación cruzada, evitando el uso de sistemas eléctricos de acondicionamiento térmico. El eje de composición de la planta triangular del acceso se dispuso intencionalmente en el mismo eje de la pirámide principal. De esta manera, el vestíbulo dispuesto exactamente frente a la pirámide se convierte en un mirador y en un lugar de encuentro antes o después de los eventos: un espacio que establece un diálogo continuo entre la vida cultural contemporánea y la presencia del pasado. 

0 salão principal tem aberturas permanentes estrategicamente dispostas de modo a possibilitar ventilação cruzada, evitando o uso de sistemas eletrônicos de condicionamento térmico. O eixo de composição da planta triangular do acesso foi intencionalmente disposto no mesmo eixo da pirâmide principal. Dessa maneira, a sala disposta exatamente à frente da pirâmide se converte em um mirante e em um lugar de encontro antes ou depois de eventos: um espaço que estabelece um diálogo contínuo entre a vida cultural contemporânea e a presença do passado. 

Fotografia: Jaime Navarror e Onnis Luque


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Wonne Ickx (W.I.)

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?


W.I. – El Centro Cultural Teopanzolco es un proyecto muy importante para nosotros, ya que fue uno de nuestros primeros proyectos de infraestructura cultural publica, un tipo de trabajo que nos interesa muchísimo hacer.  Fue un proyecto muy importante para PRODUCTORA ya que recibimos muchos reconocimientos por el proyecto construido: el Premio Oscar Niemeyer para la Arquitectura Latinoamericana (2018), el Premio SiMON-Living Places (2018), Proyecto Finalista en Premio MCHAP (2018), American Architecture Prize (2017), Premio Panorama Obras en la IX BIAU (Panamá, 2019), Premio Internacional en la XXI BAQ (Quito, 2018), etc.

En PRODUCTORA nos interesa mucho trabajar en contextos históricos, o en situaciones en donde varias capas de la historia y del entorno construido se sobreponen. Por lo mismo, construir (sobre cimentaciones ya existentes) directamente enfrente un sitio arqueológico en una región que es una de las cunas de la civilización mesoamericana, fue una oportunidad increíble.

O Centro Cultura Teopanzolco é um projeto muito importante para nós, já que foi um de nossos primeiros projetos de infraestrutura cultural pública, um tipo de trabalho que nos interessa muitíssimo. Foi um projeto muito importante para a PRODUCTORA já que recebemos muito reconhecimento pelo projeto construído: o Prêmio Oscar Niemeyer para Arquitetura Latinoamericana (2018), o Prêmio SiMON-Living Places (2018), Projeto Finalista do Prêmio MCHAP (2018), American Architecture Prize (2017), Prêmio Panorama Obras na IX BIAU (Panamá, 2019), Prêmio Internacional na XXI BAQ (Quito, 2018), etc.

Na PRODUCTORA nos interessa muito trabalhar em contextos históricos, ou em situações em que se sobrepõem várias camadas da história e do entorno construído. Por isso, construir (sobre fundações já existentes) diretamente em frente a um sítio arqueológico em uma região que é um dos berços da civilização mesoamericana foi uma oportunidade incrível. 

MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

W.I. – Concurso por invitación. Siendo una empresa relativamente joven, a PRODUCTORA no nos invitaron frecuentemente a concursos, y mencionamos a nuestros colegas de unas generaciones mayores, nuestro interés de colaborar en algún concurso público. Le habían invitado a Isaac Broid a participar en el concurso para un Centro Cultural nuevo en el Estado de Morelos, y fue el quien nos invitó a colaborar con él. Ganamos el concurso en el 2014.

Concurso por convite. Sendo uma empresa relativamente jovem, a PRODUCTORA não era frequentemente convidada para concursos, e mencionamos a colegas das gerações mais velhas nosso interesse de colaborar em algum concurso público. Isaac Broid havia sido convidado para participar do concurso para um novo Centro Cultural do Estado de Morelos, e foi ele quem nos convidou para colaborarmos. Ganhamos o concurso em 2014.

MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

W.I. – En la etapa de concurso me acuerdo unos momentos muy decisivos para el proyecto. Por ejemplo, la forma triangular del edificio esta completamente definida por la cimentación (trapezoidal) existente de una construcción previa que se encontraba en el terreno. Entendimos que excavar tan cercano a un sitio arqueológico seguramente iba a generar hallazgos nuevos, que podrían entorpecer el avance del proyecto. Por lo mismo, decidimos re-utilizar las cimentaciones existentes en su totalidad, para la misma sala del auditorio. Las otras partes del proyecto se realizaron a través de uno losa de concreto colado, directamente sobre el terreno mismo, minimizando cualquier tipo de excavación a profundidad. Esta fue una propuesta estructural que ya fue concebido como parte de la propuesta de concurso. Y, el proyecto se construyó en líneas generales muy fiel a la propuesta que fue entregado inicialmente.

Durante a etapa de concurso me recordo de alguns momentos muito decisivos para o projeto. Por exemplo, a forma triangular do edifício é completamente definida pela fundação existente (trapezoidal) de uma construção anterior que se encontrava no terreno. Entendemos que escavar tão perto de um sítio arqueológico certamente geraria novos achados, o que poderia atrapalhar no andamento do projeto. Por isso, decidimos aproveitar as fundações existentes em sua totalidade, para a própria sala do auditório. As demais partes do projeto foram executadas por meio de lajes de concreto moldado in loco diretamente sobre o solo, como radier, minimizando qualquer tipo de escavação profunda.  Esta foi uma proposta estrutural que já havia sido concebida como parte do concurso. E em linhas gerais o projeto foi construído de modo muito fiel à proposta que foi entregue inicialmente.

MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderia comentar as mais importantes?

W.I. – Si, por supuesto. El equipo de PRODUCTORA e Isaac Broid, estuvimos muy involucrados en todo el desarrollo del proyecto ejecutivo. Todos los dibujos de construcción se terminaron de dibujar en la oficina de PRODUCTORA en dialogo continuo con nuestros especialistas. Es importante destacar la colaboración con la Empresa Colinas de Buen, para la ingeniería estructural del proyecto y con el gran artista escenográfico Alejandro Luna, para los requerimientos técnicos del auditorio en términos acústicos y visuales. Es un espacio muy íntimo y cálido para conciertos.

Un tema interesante del proyecto es también que redujimos toda la climatización del proyecto a un absoluto mínimo: junto con Taller M2 (Jose Madrid) decidimos solamente proveer climatización en la sala principal. Ya que Cuernavaca cuenta con un clima muy templado, todos los demás áreas del conjunto operan sin climatización mecanizada. Con el apoyo de Bioarquitectura (Gerardo Velázquez Flores) agregamos una seria de aperturas verticales en el foyer principal para obtener más ventilación cruzada en este espacio de acceso. Así todo el edificio opera con un costo mínimo en consumo de energía y mantenimiento de equipos.

Sim, claro. A equipe da PRODUCTORA e Isaac Broid estivemos muito envolvidos em todo o desenvolvimento do projeto executivo. Todos os desenhos de construção foram concluídos no escritório da PRODUCTORA em diálogo com nossos especialistas. É importante destacar a colaboração com a Empresa Colinas de Buen para a engenharia estrutural do projeto, e também com o grande artista cenográfico Alejandro Luna, para os requisitos técnicos do auditório em termos acústicos e visuais. É um espaço muito intimista e acolhedor para concertos.

Outro tema interessante do projeto é que reduzimos toda a climatização ao mínimo absoluto: junto com o Taller M2 (Jose Madrid) decidimos somente prover climatização na sala principal. Já que Cuernavaca conta com um clima muito temperado, todas as demais áreas do complexo funcionam sem ar condicionado mecanizado. Com o apoio da Bioarquitectura (Gerardo Velázquez Flores), acrescentamos uma série de aberturas verticais no foyer principal para obter maior ventilação cruzada neste espaço de acesso. Assim, todo o edifício opera com custo mínimo de energia e manutenção de equipamentos. 

MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?


W.I. – Si, intensivamente. Aparte de todo el trabajo de seguimiento en el estudio, había juntas semanales en obra para revisar avances, hacer control de calidad y detectar posibles problemas de ejecución. Uno (o dos) de los socios de PRODUCTORA siempre estaban presentes en estas reuniones. Fue un proceso difícil, ya que no siempre había transparencia de recursos por parte del constructor y el control del presupuesto fue un tema continuo durante el desarrollo de la obra. 

Sim, intensivamente. Além de todo o trabalho de acompanhamento do estúdio, havia reuniões semanais na obra para avaliar o andamento, fazer o controle de qualidade e detectar possíveis problemas de execução.  Um (ou dois) dos sócios da PRODUCTORA estavam sempre presentes nessas reuniões. Foi um processo difícil, já que nem sempre houve transparência de recursos por parte da construtora e o controle orçamentário foi um tema contínuo durante todo o desenvolvimento da obra.

MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?


W.I. – Es importante entender que aparte de la sala central interna del CC Teopanzolco, desde la presentación del concurso nos imaginamos conciertos, eventos y presentaciones en muchos otros partes del edificio: en el foyer grande, en el foyer chico, en el estudio ‘ black box’ de prácticas, en el techo inclinado, en el teatro Isabelino exterior, etc…  Y, la verdad, es increíble como ocupen el espacio. Hoy en dia continuamente hacen eventos muy diversos y dirigidos a públicos muy diferentes: yoga en el foyer o en el techo, cine de verano en las noches sobre la esplanada inclinada del edificio, noches de Jazz en el foyer chico, taller infantiles, etc. La verdad la dirección del espacio ha entendido muy bien la multi-funcionalidad de nuestra propuesta, lo cual se agradece mucho. 

É importante entender que, além da sala interna central do CC Teopanzolco, desde a apresentação do concurso imaginamos concertos, eventos e apresentações em muitas outras partes do edifício: no grande foyer, no pequeno foyer, no estúdio ‘black box’ de práticas, na cobertura inclinada, no exterior do teatro Isabelino, etc… E a verdade é que é incrível como ocupam o espaço. Hoje em dia realizam-se continuamente eventos muito diversos dirigidos a públicos muito diversos: yoga no foyer ou na cobertura, cinema de verão à noite na esplanada inclinada do edifício, noites de Jazz no pequeno foyer, oficinas infantis, etc. Na verdade, a diretoria do espaço entendeu muito bem a multifuncionalidade da nossa proposta, o que apreciamos muito. 

MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?


W.I. – Nunca nos quedamos muy contentos de la iluminación exterior, la cual fue integrado en los barandales. Aunque en el día desaparecen por completo, en la noche sentimos que genera presencias lineales demasiados protagonistas. Siempre hay frentes donde se puede mejorar uno. 

Nunca nos agradou muito a iluminação exterior que foi integrada aos guarda-corpos. Embora desapareçam por completo durante o dia, achamos que à noite geram presenças lineares muito protagonistas. Sempre há frentes onde se pode melhorar. 

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?


W.I. – Creo que fue una obra muy importante por generar un dialogo directo entre el presente y el pasado. Una relación sin jerarquías: un conversación franca y equilibrada entre una propuesta arquitectónica contemporánea y la presencia de la pirámide prehispánica de la civilización Tlahuica. Creo que allá reside el éxito del proyecto. 

Acredito que foi uma obra muito importante por gerar um diálogo direto entre o presente e o passado. Uma relação sem hierarquias: uma conversa franca e equilibrada entre uma proposta arquitetônica contemporânea e a presença da pirâmide pré-hispânica da civilização Tlahuica. Creio que está aí o sucesso do projeto. 

MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?


W.I. – Si. Que es un ejercicio en la reducción de la paleta de materiales: todo el proyecto se manifiesta en concreto pigmentado,  elementos en acero oxidado, y los plafones, lambrines y muebles de madera.

Sim. Que é um exercício de redução da paleta de materiais: todo o projeto se manifesta em concreto pigmentado, elementos de aço oxidado, e os tetos, lambris e móveis de madeira. 


ficha técnica

Local: Cuernavaca, Morelos – México
Ano de projeto: 2017
Área: 7.000 m²
Arquitetura: Isaac Broid + PRODUCTORA
Colaboradores: Gerardo Galicia, Pamela Martinez, Josue Palma, Alonso Sanchez, Rosalía Yuste, Antonio Espinoza, Diego Velazquez, Gerardo Aguilar, Lucrecia Sodo, Jesús Minor, Juan Pablo Perez, Oswaldo Delgadillo, Mariana Toro, Valeria Alvarado y Eitan Vazquez

Autores complementares e consultores:
Estrutura: Colinas del Buen (Efren Franco e Selene Cortes)
Engenharias: Taller M2 (Jose Madrid)
Assessoria Teatral: Alejandro Luna e Itzel Alba
Assesoria Acústica: Cristian Ezcurdia y ARUP (Jaume Soler)
Desenho Luminotécnico: Luz y Forma
Assessoria Bioclimática: Bioarquitectura (Gerardo Velazquez Flores)


Fotos: Jamie Navarro, Onnis Luque e Rory Gardiner
Contato: info@productora-df.com.mx


Prémios e Exposições:
American Architecture Prize 2017 en Diseño Arquitetónico
Premio CICA (Comité Internacional de Críticos de Arquitectura) de Arquitectura Latinoamerica en la Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires 2017


galeria


colaboração editorial

Isabela Gomide

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BEDOYA, Carlos. BROID, Isaac. ICKX, Wonne. JAIME, Victor. PERLES, Abel.”Centro Cultural Teopanzolco”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., abr-2025. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2025/04/24/centro-cultural-teopanzolco/. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Parque Bicentenario Ecatepec

Por Taller Capital
MÉXICO – Projeto Executivo
15–23 minutos

projeto executivo


PARTE 01:
ARQ. PLANTAS E CORTES

7 formatos (pdf).
29,80 mb


PARTE 02:
DET. PAISAJEM + TORRE

3 formatos (pdf).
4,19 mb


Parque Bicentenário (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

El Parque Bicentenario es una intervención de veinte hectáreas en Ecatepec, el segundo municipio más poblado de México, que forma parte de la zona metropolitana de Ciudad de México. Está construido sobre un antiguo espacio público vallado y abandonado. Su transformación combina estrategias de infraestructura suave para la gestión del agua a través del espacio público, atendiendo tanto a necesidades sociales como medioambientales.

O Parque Bicentenário é uma intervenção de vinte hectares em Ecatepec, o segundo município mais populoso do México, que faz parte da zona metropolitana da Cidade do México. Foi construído sobre um antigo espaço público cercado e abandonado. Sua transformação combina estratégias de infraestrutura leve para a gestão da água através do espaço público, atendendo tanto às necessidades sociais quanto ambientais.

Fotos: Rafael Gamo

El diseño es el resultado de un sistema constructivo eficiente para edificar terrazas de retención de agua y control de la erosión en un terreno con pendiente. Los muros de contención de concreto en forma de L y una cantidad muy limitada de detalles arquitectónicos, como graderías y rampas, hacen el trabajo.  El proyecto integra el paisaje, la gestión del agua y el diseño urbano en una tipología en la que el proyecto funciona como un agente activo para el mejor funcionamiento de los contextos ambiental y urbano.

O design é o resultado de um sistema construtivo eficiente para criar terraços de retenção de água e controle da erosão em um terreno inclinado. Os muros de contenção de concreto em forma de L e uma quantidade mínima de elementos arquitetônicos, como arquibancadas e rampas, cumprem essa função. O projeto integra paisagem, gestão hídrica e desenho urbano em uma tipologia onde a proposta atua como um agente ativo para a melhoria dos contextos ambiental e urbano.

Fotos: Rafael Gamo

Detalhe: Muro de contenção

Para hacer frente a la inseguridad y la delincuencia se retiró la valla circundante. El proyecto ahora conecta los barrios al norte y sur del parque, alargando antiguos callejones sin salida y diseñándolos como elementos de movilidad peatonal y programa, que atraviesan la intervención, y permiten la conectividad. Se añadió una torre mirador en la zona menos visitada, potenciando su uso por parte del público, al tiempo que se ha convertido en un importante elemento de vigilancia. Un sistema de iluminación permite el uso nocturno del espacio. Se eliminó la vegetación de porte bajo para favorecer las vistas cruzadas, al tiempo que se multiplicó el arbolado para ganar espacios de sombra.

Para enfrentar a insegurança e a criminalidade, a cerca perimetral foi removida. O projeto agora conecta os bairros ao norte e ao sul do parque, estendendo antigos becos sem saída e transformando-os em corredores de mobilidade e uso público, que atravessam a intervenção e aumentam a conectividade. Uma torre mirante foi adicionada na área menos visitada, incentivando seu uso pelo público e se tornando um importante ponto de vigilância. Um sistema de iluminação permite o uso noturno do espaço. Além disso, a vegetação de pequeno porte foi removida para favorecer a visibilidade, enquanto o plantio de árvores foi ampliado para criar áreas sombreadas.

Fotos: Rafael Gamo

El proyecto introdujo actividades sobre las nuevas calles transversales: se añadieron zonas de juegos, calistenia y parkours. Se colocaron una serie de nuevos espacios de descanso y quioscos ubicados en distintas partes dentro del parque. Las estructuras sanitarias preexistentes y deterioradas se reciclaron, convirtiéndose en edificios que permiten la permeabilidad sonora, la luz y ventilación natural. 

O projeto introduziu atividades ao longo das novas ruas transversais: foram criadas áreas de recreação, calistenia e parkour. Também foram instalados novos espaços de descanso e quiosques distribuídos pelo parque. As estruturas sanitárias pré-existentes e deterioradas foram reaproveitadas e transformadas em edifícios que permitem a passagem do som, a entrada de luz e a ventilação natural.

Fotos: Rafael Gamo

El Parque Bicentenario está profundamente vinculado a su contexto ambiental, favoreciendo la capacidad del territorio de gestión del agua. Su diseño responde a su ubicación en la ladera, que proporciona un entorno ideal para la infiltración natural del agua de lluvia y la escorrentía, reponiendo el acuífero en la cuenca de Ciudad de México, muy sobreexplotada. Por ello, la principal estrategia de diseño consistió en transformar la ladera en un terreno aterrazado, un método histórico para mitigar la erosión, retener el suelo y fomentar la retención del agua. Todas las terrazas del parque están rellenas de tezontle, una grava volcánica local porosa que retiene el agua y sirve de esponja, canalizando lentamente la lluvia y la escorrentía hacia el subsuelo. Este método también ha demostrado su eficacia para mitigar las inundaciones y evitar la erosión en toda la zona del parque. Además, ha facilitado el crecimiento de 450 árboles plantados para mejorar la cubierta de copas. Además, se construyó una cuenca reguladora de 17.500 m3 para captar la escorrentía de un arroyo estacional que antes inundaba la zona urbana aguas abajo y cuyo líquido tenía como fin el sistema de drenaje urbano.

O Parque Bicentenário está profundamente conectado ao seu contexto ambiental, fortalecendo a capacidade do território de gerir a água. Seu desenho responde a sua localização em uma encosta, proporcionando um ambiente ideal para a infiltração natural da água da chuva e do escoamento, ajudando a recarregar o aquífero da Bacia da Cidade do México, que está severamente explorado. Por isso, a principal estratégia de projeto consistiu em transformar a encosta em um terreno escalonado em terraços, um método histórico para mitigar a erosão, reter o solo e favorecer a retenção da água. Todos os terraços do parque foram preenchidos com tezontle, uma brita vulcânica porosa local, que atua como uma esponja, absorvendo e canalizando lentamente a água da chuva e do escoamento para o subsolo. Esse método também demonstrou sua eficácia na mitigação de inundações e na prevenção da erosão em toda a área do parque. Além disso, facilitou o crescimento de 450 árvores plantadas para aumentar a cobertura vegetal. Também foi construída uma bacia reguladora de 17.500 m³ para captar o escoamento de um córrego sazonal que antes inundava a área urbana a jusante, destinando essa água ao sistema de drenagem urbano.

Diagrama: Terrazas + fluxo d’água

Esta intervención ha transformado las condiciones del antiguo parque, cuyo diseño de alto mantenimiento creaba una percepción negativa entre la comunidad. Hoy se ha convertido en una importante infraestructura suave para la gestión del agua que, decididamente, ha mejorado la relación de la comunidad con el su entorno ambiental y urbano inmediato.

Essa intervenção transformou as condições do antigo parque, cujo projeto original de alto custo de manutenção gerava uma percepção negativa na comunidade. Hoje, tornou-se uma importante infraestrutura leve para a gestão da água, que melhorou significativamente a relação da população com seu ambiente natural e urbano imediato.

El Parque Bicentenario es un excelente ejemplo de cómo los proyectos de arquitectura, paisajismo y diseño urbano pueden transformar el espacio de forma retroactiva y positiva. Se diseñó para una zona informal de la ciudad ya asentada: desconectada dentro de sí misma, prototípica de inseguridad, carente de espacios abiertos de buena calidad y con enormes problemas de gestión del agua. El diseño tuvo esto en cuenta, dando forma a la propuesta como respuesta directa a ellos.

O Parque Bicentenário é um excelente exemplo de como projetos de arquitetura, paisagismo e desenho urbano podem transformar o espaço de forma retroativa e positiva. Foi projetado para uma área informal da cidade, já consolidada, mas desconectada internamente, caracterizada pela insegurança, pela falta de espaços públicos de qualidade e por grandes desafios na gestão da água. O projeto levou tudo isso em consideração, moldando a proposta como uma resposta direta a essas questões.

Foto: Rafael Gamo

Estamos convencidos del poder de la Arquitectura para convertirse en un agente de transformación urbana, restableciendo una relación armoniosa con el entorno y proporcionando lugares seguros para el encuentro de los seres humanos. Nuestra profesión es capaz y necesita comprometerse a fondo con soluciones para los actuales problemas ecológicos y sociales del mundo. Siempre ha sido un detonador de la transformación medioambiental. En las condiciones actuales, debe convertirse en una poderosa herramienta para restablecer el equilibrio.

Estamos convencidos do poder da Arquitetura como agente de transformação urbana, capaz de restabelecer uma relação harmoniosa com o meio ambiente e proporcionar espaços seguros para o encontro humano. Nossa profissão tem o potencial e a necessidade de se comprometer com soluções para os desafios ecológicos e sociais contemporâneos. A arquitetura sempre foi um catalisador da transformação ambiental e, diante das condições atuais, deve se tornar uma ferramenta poderosa para restaurar o equilíbrio.

Foto: Rafael Gamo


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Loreta Castro Reguera

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

T.C. – El proyecto del Parque Bicentenario representa un hito en nuestro trabajo. Tras cuatro años de ausencia en la Cuenca de México, recibimos el encargo de intervenir en este espacio público de 20 hectáreas, ubicado en el municipio de Ecatepec, el segundo más poblado del país después de Iztapalapa, con 1.7 millones de habitantes.

El reto principal fue transformar un lugar cerrado y con altos índices de violencia y marginación en un espacio funcional y seguro para la comunidad. Para ello, nos propusimos integrar estrategias de infraestructura verde, especialmente en lo referente a la gestión del agua. La zona carecía de espacios de infiltración de agua pluvial debido a la urbanización, por lo que decidimos convertir el parque en una “esponja” natural, diseñando andenes descendentes rellenos de tezontle, una roca volcánica porosa que retiene el agua de escurrimiento y facilita su infiltración al subsuelo.

Además, en la segunda etapa del proyecto incorporamos un cuerpo de agua temporal que recoge caudales estacionales, permitiendo su almacenamiento e infiltración natural. Durante la época de secas, esta zona se transforma en un espacio adaptable a distintas vegetaciones según la estación.

O projeto do Parque Bicentenário representa um marco em nosso trabalho. Após quatro anos de ausência na Bacia do México, recebemos a missão de intervir nesse espaço público de 20 hectares, localizado no município de Ecatepec, o segundo mais populoso do país depois de Iztapalapa, com 1,7 milhão de habitantes.

O principal desafio foi transformar um local fechado, com altos índices de violência e marginalização, em um espaço funcional e seguro para a comunidade. Para isso, propusemos a integração de estratégias de infraestrutura verde, especialmente no que se refere à gestão da água. A região carecia de áreas para infiltração da água pluvial devido à urbanização, por isso decidimos transformar o parque em uma “esponja” natural, projetando passeios descendentes preenchidos com tezontle, uma rocha vulcânica porosa que retém a água de escoamento e facilita sua infiltração no solo.

Além disso, na segunda etapa do projeto, incorporamos um corpo d’água temporário que capta os fluxos sazonais, permitindo seu armazenamento e infiltração natural. Durante a estação seca, essa área se transforma em um espaço adaptável a diferentes tipos de vegetação, de acordo com a época do ano.



MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

T.C. – Fuimos parte de un grupo de aproximadamente 150 despachos de arquitectura que colaboraron con la Secretaría de Desarrollo Agrario, Territorial y Urbano (SEDATU) durante el sexenio 2018-2024. En este contexto, y debido a nuestra experiencia en proyectos similares, fuimos contratados a través de una constructora que había ganado la licitación de la obra. Nuestra labor consistió en desarrollar el proyecto ejecutivo que posteriormente sería construido.

Fizemos parte de um grupo de aproximadamente 150 escritórios de arquitetura que colaboraram com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Territorial e Urbano (SEDATU) durante o sexênio 2018-2024. Nesse contexto, e devido à nossa experiência em projetos similares, fomos contratados por meio de uma construtora que havia vencido a licitação da obra. Nossa atuação consistiu no desenvolvimento do projeto executivo que posteriormente seria construído.


MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

T.C. – El diseño se dividió en dos fases: la primera, de ocho hectáreas, se desarrolló en cinco meses, mientras que la segunda abarcó un año. Uno de los cambios más relevantes fue la decisión de eliminar el muro perimetral del parque. Aunque desde el inicio consideramos su demolición, dependía de la aprobación de los vecinos. Finalmente, durante la obra, se realizó una votación en sitio y la comunidad decidió retirarlo. Esto permitió abrir el parque por completo, mejorar la conectividad, la movilidad peatonal y, sobre todo, aumentar la seguridad al brindar mayor visibilidad al espacio público.

O projeto foi dividido em duas fases: a primeira, de oito hectares, foi desenvolvida em cinco meses, enquanto a segunda levou um ano. Uma das mudanças mais relevantes foi a decisão de eliminar o muro perimetral do parque. Embora desde o início considerássemos sua demolição, ela dependia da aprovação dos moradores. Finalmente, durante a obra, foi realizada uma votação no local, e a comunidade decidiu removê-lo. Isso permitiu abrir completamente o parque, melhorar a conectividade, a mobilidade de pedestres e, acima de tudo, aumentar a segurança ao proporcionar maior visibilidade ao espaço público.


MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderia comentar as mais importantes?

T.C. – Desde el inicio trabajamos en colaboración con ingenieros hidráulicos, civiles y especialistas en mecánica de suelos, ya que sus diagnósticos fueron fundamentales para definir la estrategia del proyecto.

Por ejemplo, el diseño de las terrazas se realizó en conjunto con el especialista en mecánica de suelos, mientras que la configuración de las pozas y los espacios de retención de agua se desarrolló en coordinación con el hidrólogo. De esta manera, el diseño final fue resultado del trabajo interdisciplinario entre arquitectos y técnicos especializados.

Desde o início, trabalhamos em colaboração com engenheiros hidráulicos, civis e especialistas em mecânica dos solos, pois seus diagnósticos foram fundamentais para definir a estratégia do projeto.

Por exemplo, o desenho dos terraços escalonados foi desenvolvido em conjunto com o especialista em mecânica dos solos, enquanto a configuração dos espelhos d´água e dos espaços de retenção de água foi elaborada em coordenação com o hidrólogo. Dessa forma, o projeto final foi resultado do trabalho interdisciplinar entre arquitetos e técnicos especializados.



MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

T.C. – Sí, tuvimos una participación activa, ya que nuestra supervisión estaba incluida dentro del contrato con la constructora. Realizamos visitas semanales a la obra y tomamos decisiones clave durante su ejecución. Uno de los cambios más relevantes fue el material de los muros de contención: inicialmente proyectados en tierra-cemento, fueron finalmente construidos en concreto por razones de eficiencia y rapidez en la ejecución.

Sim, tivemos uma participação ativa, pois nossa supervisão estava incluída no contrato com a construtora. Realizamos visitas semanais à obra e tomamos decisões-chave durante sua execução. Uma das mudanças mais relevantes foi o material dos muros de contenção: inicialmente projetados em solo-cimento, foram finalmente construídos em concreto por razões de eficiência e rapidez na execução.


MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

T.C. – Desde la finalización de la segunda etapa el año pasado, el parque ha experimentado una gran transformación. Con el cambio de gobierno, se han formado grupos de vecinos interesados en su mantenimiento y conservación. Actualmente, se está impulsando un programa de huertos urbanos liderado por mujeres, y han surgido equipos de charros y escaramuzas que utilizan el parque para la práctica de deportes ecuestres tradicionales.

Curiosamente, también se ha instalado un campo de gotcha dentro del parque. Aunque no era una actividad contemplada en nuestro diseño original, refleja la flexibilidad del espacio para adaptarse a los intereses de la comunidad.

Desde a conclusão da segunda etapa no ano passado, o parque passou por uma grande transformação. Com a mudança de governo, formaram-se grupos de moradores interessados em sua manutenção e conservação. Atualmente, está sendo promovido um programa de hortas urbanas liderado por mulheres, e surgiram equipes de charros e escaramuzas que utilizam o parque para a prática de esportes equestres tradicionais.

Curiosamente, também foi instalado um campo de paintball dentro do parque. Embora essa não fosse uma atividade prevista em nosso projeto original, ela reflete a flexibilidade do espaço para se adaptar aos interesses da comunidade.



MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

T.C. – Sí, haría algunos ajustes. Por ejemplo, reduciría el ancho de algunas calzadas en la segunda fase, ya que el concreto expuesto absorbe demasiado calor y podría haberse optimizado el diseño. Además, insistiría en la plantación de árboles de mayor porte para proporcionar más sombra desde el inicio.

Sim, faria alguns ajustes. Por exemplo, reduziria a largura de algumas calçadas na segunda fase, já que o concreto exposto absorve demasiado calor e o desenho poderia ter sido otimizado. Além disso, insistiria na plantação de árvores de maior porte para proporcionar mais sombra desde o início.


MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

T.C. – Este proyecto establece un referente en la creación de espacios públicos resilientes y de bajo mantenimiento. Su apertura y conectividad con el entorno han generado una integración urbana significativa, transformando una zona olvidada en un espacio de uso continuo y seguro. Al eliminar restricciones de acceso y garantizar su disponibilidad las 24 horas, el parque demuestra cómo el diseño urbano puede mejorar la calidad de vida de las comunidades.

Este projeto estabelece um referencial na criação de espaços públicos resilientes e de baixa manutenção. Sua abertura e conectividade com o entorno geraram uma integração urbana significativa, transformando uma área esquecida em um espaço de uso contínuo e seguro. Ao eliminar restrições de acesso e garantir sua disponibilidade 24 horas por dia, o parque demonstra como o desenho urbano pode melhorar a qualidade de vida das comunidades.


MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

T.C. – Sí, hay un aspecto importante que tiene que ver con el uso del espacio público, que por más que uno estudie y hace diagnósticos, es muy difícil prever realmente cómo se va a usar. Y en este sentido, creo que lo más importante es involucrar a las comunidades que habitan en torno al sitio, para empezarlos a ser partícipes de las dinámicas que suceden en el espacio público, involucrarlos en su cuidado, porque a pesar de que haya una autoridad, es imposible mantener todos los espacios públicos en óptimas condiciones, y cuando los vecinos empiezan a participar y a ser parte de sus entornos domésticos extendidos, a cuidarlos y a tenerlos limpios, pues estos lugares se convierten en un espacio que mejora la calidad de vida diaria de las personas que habitan a su alrededor

Sim, há um aspecto importante que está relacionado ao uso do espaço público, que, por mais que se estude e se façam diagnósticos, é muito difícil prever realmente como será utilizado. E, nesse sentido, acredito que o mais importante é envolver as comunidades que habitam ao redor do local, para começar a torná-las participantes das dinâmicas que ocorrem no espaço público, envolvê-las em seu cuidado, porque, apesar da existência de uma autoridade, é impossível manter todos os espaços públicos em condições ideais. Quando os moradores começam a participar e a fazer parte desses entornos domésticos ampliados, cuidando deles e mantendo-os limpos, esses lugares se transformam em espaços que melhoram a qualidade de vida diária das pessoas que vivem ao seu redor.

ficha técnica

Localização: Ecatepec, Estado de México, Ciudad de México
Ano de projeto/Ano de finalização: Etapa 1: 2020 / Etapa 2: 2023
Prazo de execução da obra: Etapa 1: Um ano / Etapa 2: Um ano
Arquitetura: Taller Capital/ Arq. Loreta Castro Reguera / Arq. José Pablo Ambrosi
Colaboradores: Lorena Chávez Sánchez, Catalina Vega de la Mora, Manuel Abad Ventura, Marian Bovadilla y Diego García

Projetos complementares/consultorias :
Hidrologia:
Ing. Juan Ansberto Cruz Gerón
Mecânica de solos: Ing. Elvira León Plata
Estrutura: Ing. Gerson Huerta García
Paisagismo: Etapa 1: Ignacio Graf / Etapa 2: Tonatiuh Martínez

Construção: Etapa 1: Grupo Promotor de Vivienda para México S.A. de C.V./ Ing. Andrés Manzanares Hernández/ Ing. Pedro Inostrosa Diaz Ceballos / Etapa 2: EAPRO


Fotografias: Rafael Gamo


Prémios e Exposições:
Mención Premio Architectural Review Emerging Architecture (2020)
Architectural League (2021)
Mención Premio Obras CEMEX (2021)
Premio Mies Crown Hall Americas (2023)


galeria


colaboração editorial

Renan Maia

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CASTRO REQUERA, Loreta. PABLO AMBROSI, José. “Parque Bicentenário Ecatepec”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., abr-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/04/04/parque-bicentenario-ecatepec/ . Acesso em: [incluir data do acesso].


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Parque en el Represo Colosio

Por Taller Capital
MÉXICO – Projeto Executivo
13–19 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
ARQUITETURA

16 formatos (pdf).
34,50 mb


Parque en el Represo Colosio (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

El Represo Colosio en Nogales se construye sobre una superficie de 5.8 Ha y consiste en la  restauración de un reservorio de agua muy contaminado que contiene los escurrimientos y de la construcción de un espacio público de esparcimiento en la zona de asentamientos irregulares que lo rodea.

A Barragem Colosio em Nogales é construída sobre uma superfície de 5,8 hectares e consiste na restauração de um reservatório de água altamente contaminada que contém escoamento, e também na construção de um espaço público de lazer em meio à zona de assentamentos irregulares que a rodeia.

Fotos: Rafael Gamo

A partir de una cuidadosa lectura del contexto y del análisis hidrológico, se encontró que dicho espacio estaba sujeto a constantes inundaciones durante la temporada de lluvias, poniendo en riesgo a la población circundante con deslaves en los bordos del cuerpo, dañando la infraestructura e interrumpiendo la movilidad y posibilidad de evacuación del lugar. Se replanteó el programa originalmente propuesto que sólo consideraba el diseño de un espacio público ubicado en un área aparentemente libre de agua. El proyecto explora la intersección entre infraestructura y arquitectura. 

Partindo de uma cuidadosa leitura do contexto e da análise hidrológica, constatou-se que este espaço estava sujeito a constantes inundações durante o período chuvoso, colocando em risco a população do entorno, sujeita a deslizamentos, prejudicando a infraestrutura e interrompendo a mobilidade e a possibilidade de evacuação do lugar. O programa originalmente proposto, que considerava apenas o desenho de um espaço público localizado em uma área aparentemente livre de água, foi repensado. O projeto explora a interseção entre infraestrutura e arquitetura. 

Planta de Conjunto y Diagrama de Inundaciones / Planta do Conjunto e Diagrama de Inundações

El gavión fabricado con piedra del lugar resuelve tanto la arquitectura como la infraestructura, permitiendo la filtración del agua mientras que contiene el suelo deslizante. A través de elementos modulares, las terrazas peatonales permiten la circulación alrededor del cuerpo de agua. El proyecto está diseñado con un número limitado de detalles constructivos para simplificar la construcción. La geometría dialoga con el contexto y sus habitantes: las líneas rectas se refieren a la trama urbana existente y las curvas sugieren la presencia de agua. La cubierta de lámina y su forma triangular son la fachada, perceptible desde la avenida principal. De esta manera se abordan los ODS 10 y 11.

O gabião construído com pedra local resolve tanto a arquitetura quanto a infraestrutura, permitindo a filtração da água ao mesmo tempo em que contém o deslizamento do solo. Por meio de elementos modulares, os terraços de pedestres possibilitam a circulação ao redor do corpo d’água. O projeto foi desenhado com um número limitado de detalhes construtivos de modo a simplificar sua construção. A geometria dialoga com o contexto e seus habitantes: as linhas retas remetem ao desenho urbano existente, e as curvas sugerem a presença da água. A cobertura em telha metálica e sua forma triangular constituem a fachada, visível da avenida principal. Dessa maneira, são contemplados os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) 10 e 11.

Fotos: Rafael Gamo

El programa es infraestructura. El proyecto sanea el cuerpo de agua, satisfaciendo el ODS 3. Evita las inundaciones cíclicas diseñado para un tiempo de retorno de 10,000 años. Un sistema de plataformas inundables y el levantamiento del muro perimetral resuelven esta condición. Las plataformas alojan canchas deportivas, jardines y parques infantiles. El agua es una nueva centralidad, un hito para la comunidad y un ejemplo de restauración de un ecosistema degradado, abordando el ODS 6.

O programa é infraestrutural. O projeto despoluiu o corpo hídrico, atendendo ao ODS 3. Previne as inundações cíclicas, sendo projetado para um tempo de retorno de 10 mil anos. Um sistema de plataformas inundáveis e o levantamento de um muro perimetral resolvem essa condição. As plataformas abrigam campos esportivos, jardins e parques infantis. A água é uma nova centralidade, um marco para a comunidade e um exemplo de restauração de um ecossistema degradado, abordando o ODS 6. 

Fotos: Rafael Gamo
Plane y Corte de Edifício / Planta e Corte do Edifício

Está diseñado para 32,000 personas que habitan en un radio de 670 m en torno al lugar, pero  también para proteger y sanear el agua. Provee esparcimiento, deporte y recreación a niños, jóvenes, adultos y adultos mayores. Ha generado nueva vida social y la disminución de la inseguridad. Las instalaciones deportivas han fomentado la creación de equipos locales y planteado nuevas actividades para los habitantes. Los caminos y plataformas de gaviones se utilizan para la movilidad peatonal y ciclista. La luz artificial en horario nocturno lo convierte en un espacio seguro para todas las edades y géneros, permitiendo el uso del parque durante todo el día. Todas estas características satisfacen los ODS 1 y 5.

Foi projetado para atender 32 mil pessoas que vivem em um raio de 670 m ao redor do local, mas também para proteger e limpar a água. Proporciona lazer, esporte e recreação a crianças, jovens, adultos e idosos. Gerou uma nova vida social e diminuiu a insegurança. As instalações esportivas têm incentivado a criação de equipes locais e proporcionado novas atividades para os habitantes. Os caminhos e plataformas de gabiões são utilizados para a mobilidade de pedestres e ciclistas. A luz artificial à noite torna-o um espaço seguro para todas as idades e gêneros, permitindo a utilização do parque durante todo o dia. Todas essas características satisfazem os ODS 1 e 5.

Fotos: Rafael Gamo


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Loreta Castro Reguera

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el contexto de toda su producción?
Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

L.C.R – El Represo Colosio es el primer proyecto de espacio público que funciona como infraestructura, tal como lo concebimos en el taller. Antes de este, diseñamos el Parque Hídrico Quebradora, un proyecto muy ambicioso, pero que en su construcción vio modificados muchos de sus componentes originales. Con el Represo Colosio, nuestro siguiente proyecto de espacio público con infraestructura hídrica, realizamos un análisis más detallado del sitio, considerando especialmente el contexto social. Diseñamos un proyecto de mínimo mantenimiento, que opera sin necesidad de dispositivos tecnológicos o eléctricos para la regulación del agua.

A Barragem Colosio é o primeiro projeto de espaço público que funciona como infraestrutura, tal como o concebemos no estúdio. Antes dele, projetamos o Parque Hídrico Quebradora, um projeto muito ambicioso, mas que durante a construção foi  muito modificado em relação aos seus componentes originais. Com a Barragem Colosio, que foi então o nosso segundo projeto de espaço público com infraestrutura hídrica, realizamos uma análise mais detalhada do lugar, considerando especialmente seu contexto social. Imaginamos um projeto de manutenção mínima, que opera sem a necessidade de dispositivos tecnológicos ou elétricos para a regulação da água.

MDC – ¿Cuál fue el proceso de contratación del proyecto?
Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

L.C.R – El proyecto forma parte de la primera fase del Programa de Mejoramiento Urbano lanzado por la Secretaría de Desarrollo Agrario, Territorial y Urbano (SEDATU) en el sexenio 2018-2024. En esta fase, la SEDATU contrató a la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) para desarrollar 300 proyectos a través de la Facultad de Arquitectura. El Represo Colosio fue uno de ellos y nuestro despacho fue seleccionado mediante un concurso interno.

Como profesora en la Facultad de Arquitectura, tuve la oportunidad de participar en el concurso, donde se asignaron los proyectos según la especialidad de cada despacho. Tras ganar el concurso, fuimos contratados por la UNAM, mientras que la SEDATU contrató a la universidad como consultora externa.

O projeto é parte da primeira fase do Programa de Melhoramento Urbano lançado pela Secretaría de Desarrollo Agrario, Territorial e Urbano (SEDATU) no período de seis anos 2018-2024. Nessa fase, a SEDATU contratou a Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) para desenvolver 300 projetos pela Faculdade de Arquitetura. A Barragem Colosio foi um deles e o nosso escritório foi selecionado por meio de um concurso interno. 

Como professora na Faculdade de Arquitetura, tive a oportunidade de participar do concurso, em que os projetos eram atribuídos de acordo com a especialidade de cada escritório. Após ganharmos o concurso, fomos contratados pela UNAM, uma vez que a SEDATU contratou a Universidade como consultora externa. 

MDC – ¿Cómo fue la etapa de diseño del proyecto? ¿Hubo cambios conceptuales significativos? ¿Podría destacar algún momento crucial en el proceso?
Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

L.C.R – El diseño se desarrolló en cuatro meses. Desde las primeras tres semanas entregamos un concepto inicial, seguido de un proceso de diseño conjunto con un hidrólogo y la Comisión Nacional del Agua (Conagua), ya que el proyecto debía ser aprobado por esta última al intervenir un vaso regulador en la ciudad de Nogales.

El proyecto se mantuvo fiel a su concepto original, aunque se excluyó un área inicialmente contemplada debido a que no se logró un acuerdo con los propietarios del terreno. No obstante, la funcionalidad del proyecto no se vio afectada.

O projeto foi desenvolvido em quatro meses. Nas primeiras três semanas entregamos um conceito inicial, seguido de um processo de projeto conjunto com um hidrólogo da Comisión Nacional del Agua (Conagua), já que o projeto teve que ser aprovado por esta última já que se trata de uma intervenção em um escoamento regulador da cidade de Nogales.

O projeto se manteve fiel ao seu conceito original, embora uma área inicialmente contemplada tenha sido excluída devido a um desacordo com os proprietários do terreno. No entanto, a funcionalidade do projeto não foi afetada. 

MDC – ¿En las etapas de desarrollo ejecutivo y elaboración de proyectos de ingeniería, hubo participación activa por parte de los autores? ¿Se produjeron modificaciones en las soluciones originales como resultado del diálogo con otros profesionales? En caso afirmativo, ¿puede comentar las más relevantes?
Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderia comentar as mais importantes?

L.C.R – Desde el inicio, trabajamos en conjunto con especialistas en mecánica de suelos e hidrología. El diseño final es resultado del trabajo colaborativo entre arquitectos, hidrólogos e ingenieros en mecánica de suelos. A partir de los diagnósticos geológicos e hidráulicos del sitio, tomamos decisiones clave, como el uso de gaviones para la contención de suelos, el diseño de terrazas descendentes hacia el cuerpo de agua y la incorporación de un muro regulador para controlar la velocidad del agua. Además, definimos el diseño del spillway y la regulación del vaso, asegurando su funcionamiento eficiente.

Desde o começo trabalhamos em conjunto com especialistas em mecânica de solos e hidrologia. O projeto final é resultado do trabalho colaborativo entre arquitetos, hidrólogos e engenheiros de mecânica de solos. A partir dos diagnósticos geológicos e hidráulicos do lugar, tomamos decisões chave, como o uso de gabiões para conter o solo, o desenho de terraços descendentes em direção ao corpo d’água e a incorporação de um muro regulador para controlar a velocidade da água. Além disso, definimos o desenho do vertedouro e a regulação do escoamento, assegurando seu funcionamento eficiente. 

MDC – ¿Participaron autores del proyecto en el proceso de construcción/implantación de la obra? Si es así, ¿cuáles fueron los momentos decisivos de esta participación?
Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

L.C.R – No participamos formalmente en la construcción, aunque realizamos visitas no oficiales para supervisar el avance de la obra. Tanto nosotros como los especialistas en mecánica de suelos e hidrología acudimos a revisar detalles en sitio. Durante estas visitas, identificamos errores en la interpretación de los planos y pudimos sugerir soluciones en obra. Afortunadamente, trabajamos con una constructora abierta al diálogo, lo que permitió resolver varios aspectos de ejecución de manera efectiva.

Não participamos formalmente da construção, embora tenhamos realizado visitas não oficiais para supervisionar o avançar da obra. Tanto nós como os especialistas em mecânica de solos e hidrologia revisamos detalhes no local. Durante essas visitas, identificamos erros na interpretação dos planos e pudemos sugerir soluções na obra. Felizmente, trabalhamos com uma construtora aberta ao diálogo, o que permitiu resolver vários aspectos de execução de forma efetiva. 

MDC – ¿Podría destacar algún hecho relevante en la vida del edificio/espacio después de su construcción?
Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

L.C.R– El proyecto ha transformado por completo el entorno y la percepción del barrio. El represo, que antes era visto como un espacio residual para la regulación de avenidas pluviales, se ha convertido en el centro de la vida comunitaria. La intervención ha cambiado la relación de los habitantes con el agua, convirtiéndola en un elemento de centralidad en lugar de un problema de inundación o un sitio de acumulación de basura.

El cuerpo de agua fue limpiado, se canalizaron las aguas negras hacia la red de drenaje municipal y se restauró el ecosistema hídrico. Como resultado, hoy cuenta con vegetación, fauna diversa y espacios públicos activos, incluyendo andadores perimetrales, áreas deportivas y juegos infantiles, generando una dinámica urbana alrededor del agua.

O projeto transformou por completo o entorno e a percepção do bairro. A barragem, que antes era vista como um espaço residual para a regulação das avenidas pluviais, foi convertida em um centro da vida comunitária. A intervenção mudou a relação dos habitantes com a água, convertendo-a em um elemento de centralidade ao invés de um foco de inundação ou um lugar de acúmulo de lixo. 

O corpo de água foi limpo, o esgoto foi canalizado para a rede municipal e o ecossistema hídrico foi restaurado. Como resultado, hoje o lugar conta com vegetação, fauna diversa e espaços públicos ativos, incluindo passeios perimetrais, áreas de esportes e jogos infantis, gerando uma dinâmica urbana ao redor da água. 

MDC – Si tuviera que abordar el mismo proyecto hoy, ¿realizaría algo diferente?
Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

L.C.R– Probablemente pondría mayor atención en la coordinación con el gobierno municipal. El proyecto requería el diseño simultáneo de la calle y del cauce donde el represo desborda cuando se satura. Sin embargo, esta infraestructura complementaria tardó dos años en ejecutarse después de finalizado el proyecto, lo que podría haberse agilizado con una mayor participación del municipio desde el inicio.

Provavelmente daria maior atenção à coordenação com o governo municipal. O projeto exigiu o desenho simultâneo da rua e do canal em que a barragem transborda quando fica saturada. No entanto, essa infraestrutura complementar demorou dois anos para ser executada após a conclusão do projeto, o que poderia ter sido agilizado com uma maior participação do município desde o início.  

MDC – ¿Cómo sitúa esta obra en el panorama de la producción de arquitectura contemporánea en su país?
Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

L.C.R– Es una obra relevante porque representa una de las primeras intervenciones donde el espacio público se concibe como infraestructura para la gestión sostenible del agua. No solo cumple una función recreativa y estética, sino también ecológica e hidráulica. Además, el proyecto contribuye a la diseminación de la cultura del agua y evidencia el papel del paisaje en la gestión hídrica. La comunidad puede observar directamente la relación entre la limpieza del represo y la reducción del riesgo de inundaciones, promoviendo un mayor compromiso con su cuidado.

É uma obra relevante porque representa uma das primeiras intervenções em que o espaço público é concebido como infraestrutura para a gestão sustentável da água. Não cumpre somente uma função recreativa e estética, mas também uma função ecológica e hidrológica. Além disso, o projeto contribui para a disseminação da cultura da água e evidencia o papel da paisagem na gestão hídrica. A comunidade pode observar diretamente a relação entre a limpeza dessa barragem e a redução do risco de inundações, promovendo um maior compromisso com seu cuidado.

MDC – ¿Hay algún aspecto relacionado con el proyecto o el proceso que le gustaría agregar y que no haya sido abordado en las preguntas anteriores?
Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

L.C.R– Uno de los factores clave en el éxito del proyecto fue la colaboración con la Comisión Nacional del Agua. Al tratarse de un cuerpo de agua regulado, su aprobación era indispensable. Mantener una comunicación cercana y compartir información desde las primeras etapas fue fundamental para asegurar la viabilidad del diseño y su ejecución sin contratiempos.

Um dos fatores chave para o êxito do projeto foi a colaboração com a Comisión Nacional del Agua. Por se tratar de um corpo d’água regulamentado, a aprovação do projeto era indispensável. Manter uma comunicação próxima e compartilhar informações desde as primeiras etapas foi fundamental para assegurar a viabilidade do projeto e sua execução sem contratempos.


ficha técnica

Localização: Nogales – Sonora, México
Ano de projeto/Ano de finalização: 2020
Área terreno: 5.8 ha
Arquitetura: FA UNAM, Arq. Loreta Castro Reguera Mancera, Arq. José Pablo Ambrosi Cortés, Ing. Juan Ansberto Cruz Gerón
Colaboradores: Andrea Ramírez, Arturo Frías, Manuel Abad, Catalina Vega

Projetos complementares/consultorias :
Hidrologia:
Juan Ansberto Cruz Gerón – Taller ID
Mecânica de solos: Elvira León
Estrutura: Gerson Huerta – Grupo SAI
Paisagismo: Hugo Sánchez

Construção: Construtora Tucán SA de CV


Fotografias: Rafael Gamo


Prémios e Exposições:
Architectural League de Nueva York (2020)
Bienal Panamericana de Arquitectura de Quito (2020)
Architectural Review Emerging Architecture (2020)
Mies Crown Hall Américas (2022)
Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo


galeria


colaboração editorial

Isabela Gomide + Aloísio Silva

deseja citar esse post?

CORTÉS, José Pablo Ambrosi. GERÓN, Juan. REGUERA, Loreta Castro. “Parque en el Represo Colosio”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., abr-2025. Disponível em: https://mdc.arq.br/2025/04/04/parque-en-el-represo-colosio/ . Acesso em: [incluir data do acesso].


Edital 11/2024-PROBIC/FAPEMIG

Edital PRPq 10/2024

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Hacia una mirada ampliada | Ampliando os olhares

Después de dos años dedicados a la publicación de obras brasileñas —junto con sus respectivos proyectos ejecutivos—, MDC inicia hoy una nueva etapa. Ampliamos nuestra mirada desde Brasil hacia los países de América Latina.

Depois de dois anos de publicações de obras brasileiras – e seus respectivos projetos executivos – MDC inicia hoje uma nova etapa. Ampliamos a mirada do Brasil aos países da América Latina.

Esta iniciativa tiene como objetivo ampliar el alcance y la cobertura de las publicaciones, lo que permitirá confrontar diversas formas de abordar el proyecto ejecutivo y la mediación entre la idea y su realización en distintos contextos. Cabe destacar la valiosa oportunidad que se presenta al abordar la arquitectura contemporánea en América Latina, dado que se trata de una producción sumamente cercana a nosotros —investigadores, estudiantes y profesionales de la arquitectura y el urbanismo en Brasil— tanto geográfica como temporalmente. Además de permitir el aprendizaje a partir de la experiencia de colegas, el estudio de los proyectos ejecutivos en arquitectura y urbanismo completa el ciclo de la investigación proyectual, articulando teoría y práctica de manera complementaria. Parte de las ideas de autoras y autores, con el objetivo de identificar y analizar sus repercusiones prácticas en los proyectos, así como las correspondencias y disonancias entre el dibujo y la idea, para finalmente devolver estos dibujos, las obras y sus análisis como posibles fuentes para iluminar nuevas ideas y futuras reflexiones.

Essa iniciativa objetiva ampliar o escopo e abrangência das publicações, o que permitirá confrontar modos diversos de abordagem do projeto executivo e da mediação entre ideia e realização nos distintos contextos. Vale destacar a oportunidade que se apresenta quando tratamos da arquitetura contemporânea na América Latina por se tratar de produção tão próxima de nós, pesquisadores, estudantes e profissionais de arquitetura e urbanismo do Brasil, tanto geográfica quanto temporalmente. Além da oportunidade de aprender com a experiência dos colegas, o estudo dos projetos executivos de arquitetura e urbanismo completa o ciclo da pesquisa em projeto, unindo teoria e prática de forma complementar, partindo das ideias de autoras e autores a fim de identificar e analisar seus rebatimentos práticos nos projetos e as correspondências e dissonâncias entre desenho e ideia para devolver, ao fim, estes desenhos, as obras e suas análises como possíveis fontes para iluminar novas ideias e reflexões futuras.

Esta nueva etapa se inaugura con la publicación de dos obras del despacho mexicano Taller Capital. Liderado por Loreta Castro Reguera y Juan Pablo Ambrosi, el despacho opera como una plataforma de proyecto e investigación que tiene al agua como materia prima para sus propuestas. Arquitectura e infraestructura se entrelazan en obras que transforman de manera profunda las condiciones urbanas y humanas. La síntesis conceptual, la riqueza espacial y la austeridad material son valores declarados por los arquitectos, que orientan las oportunidades para transformar territorios degradados, reduciendo desigualdades y promoviendo la reparación ambiental. Estas obras y sus autores iluminan, además, caminos fértiles para prácticas creativas y responsables.

Inaugura essa nova fase a publicação de duas obras do escritório mexicano Taller Capital. Comandado por Loreta Castro Reguera e Juan Pablo Ambrosi, o escritório é uma plataforma de projeto e pesquisa que tem a água como matéria prima para seus projetos. Arquitetura e infraestrutura se entrelaçam em obras de grande transformação das condições urbanas e humanas. Síntese conceitual, riqueza espacial e austeridade material são valores declarados dos arquitetos, que iluminam as oportunidades para a transformação de territórios degradados, reduzindo desigualdades e promovendo reparação ambiental. Essas obras e seus autores iluminam, ainda, caminhos férteis para práticas criativas e responsáveis.

La revista MDC expresa su profundo agradecimiento a las arquitectas y arquitectos que comprenden la importancia de compartir este conocimiento tan raro como fundamental para el avance del pensamiento y la práctica del proyecto contemporáneo en arquitectura y urbanismo, y que generosamente autorizan la publicación de sus proyectos. Agradecemos a Loreta y Juan Pablo por permitirnos iniciar esta nueva etapa. A nuestras lectoras y lectores, deseamos que este contenido sirva como fuente de inspiración para nuevas ideas.

A revista MDC agradece imensamente a generosidade de arquitetas e arquitetos que compreendem a importância do compartilhamento desse conhecimento raro e tão fundamental para avançar o pensamento e a prática do projeto de arquitetura e urbanismo contemporâneos e gentilmente autorizam a publicação de seus projetos. Obrigado a Loreta e Juan Pablo por nos permitir iniciar esta nova etapa. Aos leitores, desejamos que sirva para inspirar novas ideias.

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Casa Maenduaba

Por BIRI + Brener Lacerda
BRASIL – Projeto Executivo
2–3 minutos

projeto executivo


PARTE 1:
ARQUITETURA

5 formatos (pdf).
3,43mb


PARTE 2:
DETALHES

10 formatos (pdf).
1,62mb


Casa Maenduaba (texto fornecido pelos autores)

A residência foi projetada para atender às necessidades de uma família que busca viver fora do contexto de grande densidade urbana, com maior proximidade com a natureza em seu dia a dia, estimando a simplicidade.

Fotografia: Jomar Bragança

Construída em Casa Branca (Brumadinho), povoado mineiro reconhecido por suas trilhas ecológicas e cachoeiras, a obra da casa Maenduaba busca se integrar com o aclive existente do terreno natural e com as visadas para a Serras da Calçada, Ouro Fino e Três Irmãos (que compõem o sul da Cadeia do Espinhaço).

Fotografias: Jomar Bragança

O desenvolvimento dos espaços internos se dá sob um telhado de duas águas, agregando complexidade espacial a partir de uma solução prática que remete às ilustrações que costumamos fazer na infância para ilustrar um lar.

Croquis: BIRI

A partir da fachada externa, a leitura inicial da casa é a de um bloco monolítico (revestido em madeira tratada com stain na cor preta) apoiado em um bloco branco. O volume externo lateral que abriga a garagem e área de serviço forma uma barreira visual, gerando privacidade à área externa descoberta da casa, onde, além de um espaço gramado existe uma piscina e uma horta, na parte posterior do terreno.

Fotografia: Jomar Bragança

No primeiro nível está localizado um espaço contínuo e integrado que faz as vezes de sala de estar, jantar, cozinha e área externa coberta. O pavimento superior se integra visualmente com o ambiente inferior por meio de um mezanino. Neste nível foram projetados dois quartos, um espaço para estar e escritório. Este pavimento também se integra com a área externa, por meio da janela da suíte e sua jardineira, como continuidade da horta.

Implantação, Plantas do térreo e pavimento superior e Corte Longitudinal

As prumadas hidráulicas e espaços de serviço foram locadas na porção Noroeste do edifício de tal forma a proteger os espaços internos de insolação excessiva, assim como promovem uma maior flexibilidade nos arranjos dos espaços servidos (salas e quartos).

Fotografias: Jomar Bragança

A estrutura da obra é mista, majoritariamente em concreto armado (sistema de lajes em painéis treliçados pré-moldados apoiados em vigas e pilares) e sua cobertura em telhas termoacústicas instaladas sobre vigas metálicas em aço.

Fotografia: Jomar Bragança + Axonométricas (Materialidade e Estrutural)


ficha técnica

Local: Brumadinho, MG
Ano de projeto: 2021
Período de construção: junho 2021-junho 2023
Ano de conclusão da obra: 2023
Área bruta construída: 225,28 m²
Arquitetura: BIRI: Marcos Franchini e Nattalia Bom Conselho | Brener Lacerda
Colaboração: Luiza Reis e Lima, Thomáz Marcatto e Tiago Nogueira


Estrutura e Projetos Complementares:
eng. Ana Luiza Breginski
Estrutura Metálica: RP Estruturas
Esquadrias: Alumafer
Tratamento da madeira da fachada: Brener Lacerda
Construção: Ed. Construções


Fotos: Jomar Bragança


galeria


colaboração editorial

Isabela Gomide

deseja citar esse post?

BOM CONSELHO, Nattalia. FRANCHINI, Marcos. LACERDA, Brener. “Casa Maenduaba”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., fev-2025. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2025/02/23/casa-maenduaba. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Casa Comiteco

Por BIRI
BRASIL – Projeto Executivo
7–10 minutos

projeto executivo


PARTE 1:
PLANTAS, CORTES E ELEVAÇÕES

6 formatos (pdf).
0,97mb


PARTE 2:
PLANTA ELÉTRICA, CONCRETAGEM, MARMORITE E CONTRAPISO

5 formatos (pdf).
2,29mb


PARTE 3:
DETALHAMENTOS

41 formatos (pdf).
9,00mb


Casa Comiteco (texto fornecido pelos autores)

O projeto consiste em uma residência para um jovem casal de arquitetos e uma sala comercial para aulas e reuniões relacionadas ao tema do vinho, em uma única edificação que atende de forma independente cada uso com certo grau de indeterminação espacial para flexibilização de diversos usos futuros.

Croqui: Marcos Franchini / Fotografia: Lucas Cancela

Importante notar que há a possibilidade de integração dos espaços, e também ampliação da residência para um terceiro pavimento, sendo assim, a edificação pode se transformar ao longo do tempo e das necessidades dos proprietários.

Pavimento Superior e Inferior, respectivamente / Fotografias: Gabriel Castro REVERBO

Pavimento Superior, Pavimento Inferior, Paisagismo, Isométrica e Corte Perspectivado

O lote se encontra em uma esquina com acentuada inclinação além de possuir legislação específica de altimetria e adensamento devido a proximidade com o Conjunto Paisagístico da Serra do Curral e Pico Belo Horizonte, área de preservação ambiental tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no ano de 1960. O entorno, infelizmente, apresenta uma maioria de projetos com amnésias topográficas em que há pouca ou nenhuma relação com o terreno natural.

Fotografias: Gabriel Castro REVERBO e Lucas Cancela, respectivamente

As premissas adotadas pelos arquitetos promovem espaços amplos e integrados com aberturas para visadas predominantes, estando a edificação em um dos pontos mais altos da cidade.

Fotografia: Gabriel Castro REVERBO

Faz-se necessário a utilização de beirais, pérgulas e brises para proteger a fachada Noroeste, que tem grande incidência solar mas que, ao mesmo tempo, possui uma vista definitiva para a contemplação da paisagem urbana.

Croqui: Marcos Franchini / Fotografia: Gabriel Castro REVERBO


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por BIRI (Nattalia Bom Conselho e Marcos Franchini)


MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

BIRI – Iniciado em 2016, o projeto Casa Comiteco foi o primeiro projeto que desenvolvemos juntos. A partir dela, começamos a compartilhar projetos em parceria, que tinham abordagens e estratégias similares. Como moramos nesta obra, é também uma reflexão contínua na interação, ocupação e intervenção do seu espaço físico desde que nos mudamos para cá.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

BIRI – Esta obra foi um projeto que desenvolvemos para usufruto próprio, não houve um contrato formal apesar de terem sido necessários todos os protocolos indispensáveis junto às instâncias de aprovação para emissão do alvará de construção (Prefeitura Municipal, Secretaria de Meio Ambiente, IPHAN e Diretoria Municipal de Patrimônio Cultural) bem como emissão de Registro de Responsabilidade Técnica junto ao CAU-MG.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

BIRI – Em razão da conjuntura deste projeto, a concepção do mesmo foi feita nos “horários livres”, em que não estávamos trabalhando para os respectivos clientes e escritórios que colaborávamos na época. Além disso, a demanda era que houvesse uma sala de degustação de vinhos no primeiro pavimento, solicitação feita por um dos nossos familiares. Então, o processo como um todo foi projetado e discutido com os familiares, incluindo mais pessoas ao longo das decisões. Também levamos algumas questões para amigos (arquitetos e entusiastas) opinarem, e às vezes surgiam ideias que testávamos em projeto.

A ideia inicial consistia em dois blocos distintos (um para a casa e outro para a sala de degustação). No entanto, acatamos uma sugestão de um amigo arquiteto mais experiente (Saul Vilela) que nos orientou a pensar em apenas um bloco, de maneira a economizar em contenções e também para privilegiar a vista para a cidade. Assim, estabelecemos a implantação final da casa.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderiam comentar as mais importantes?

BIRI – Sim, os engenheiros que desenvolveram os projetos complementares (fundações, contenções, estrutural, elétrico e hidrossanitário) tiveram um acompanhamento intenso de todas as etapas por nós inclusive no canteiro de obras. Nos enviavam os projetos, e nós compatibilizávamos com o arquitetônico, sugerindo revisões, ou dando o ok nas etapas.

O projeto elétrico, especialmente, foi um desafio por parte do projetista, visto que à época não era muito comum instalações elétricas aparentes, sendo importante a modelagem tridimensional do projeto, que tem suas instalações e acabamentos expostos conformando uma montagem, para entender o caminho dos eletrodutos e perfilados, validando os mesmos, propondo soluções alternativas ou solicitando revisões. Outra decisão que impactou de forma positiva foi a escolha das amarrações dos blocos no prumo, que foi escolhida no canteiro de obras e só foi possível porque, desde o início, o projeto foi desenhado respeitando a coordenação modular do sistema construtivo escolhido.

Os engenheiros responsáveis pelo cálculo estrutural foram os mesmos que executaram a obra, o que otimizou bastante decisões in loco.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

BIRI – Apesar de termos contratado uma empreiteira parceira, todos os dias estávamos no canteiro de obras, checando os distintos processos e projetos, questionando eventuais erros e apontando soluções (processos comuns em obras). O fato de estarmos diariamente em obra e sermos os responsáveis pelas decisões de ação facilitou todas as dinâmicas e etapas, pois conseguimos apontar soluções rapidamente sem atrasar o processo de execução. Ao todo, foram 10 meses de execução com um hiato de quase 2 meses, que foi necessário para aguardar a entrega de perfis para execução das esquadrias, que ficaram bloqueadas no estado de São Paulo, diante uma paralisação de caminhoneiros autônomos com extensão nacional.

MDC – Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

BIRI – Em 2020, com a pandemia e o início do nosso trabalho em home office bem como a docência online, ajustamos o layout da sala de degustações para receber nossos equipamentos. No projeto arquitetônico do segundo pavimento foi previsto que, quando tivéssemos um filho, faríamos um pequeno quarto para ele, diminuindo nossa sala de tv/jantar. Isso aconteceu em 2022, 4 anos após a casa ter sido construída. Na sala de degustação, houve uma demanda de aumento de espaço para locação de mesas, portanto retiramos a varanda interna que existia originalmente, e aumentamos o espaço de sala. Ambas foram obras rápidas, de 2 a 3 dias de montagem.

Agora, estamos em processo de aprovar junto à PBH e IPHAN uma expansão para mais um pavimento, que contará com dois quartos, um banheiro e uma grande varanda lateral, para nos acomodar confortavelmente. Essa obra, provavelmente, ocorrerá esse ano (2025).

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

BIRI – Teríamos aprovado a expansão em todos os órgãos, desde o início, pois é um processo demorado e cansativo para se passar duas vezes.

Atualmente, também pensaríamos mais sobre a utilização do bloco de concreto aparente pelo fato de não ser bom isolante térmico/acústico e estarmos em um ponto alto, portanto mais frio, da cidade. Voltando no tempo, consideraríamos uma alternativa como a injeção de EPS reduzindo a transferência de calor, ou uma estratégia similar. A expansão dos quartos considera uma obra em estrutura metálica de rápida montagem e com comportamento térmico diferente.

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

BIRI – Acreditamos que uma construção pode transmitir e estabelecer relações complexas, desde seu diálogo com o entorno e a cidade, seus processos construtivos, materialidade e uso em si. Diferentemente de edifícios monofuncionais, o projeto da Casa Comiteco abarca uma sobreposição programática e respeita o terreno natural em contraste com uma paisagem vizinha padronizada que ignora a topografia existente, a insolação e a ventilação predominantes. Ao contrário, a obra em questão potencializa o contexto para tomada de decisões e das estratégias de projeto (acessos, implantação de níveis, orientação dos panos de vidro, dispositivos de sombreamento etc). Ao incorporar elementos disponíveis no mercado, os chamados componentes de prateleira, com liberdade e criatividade (do uso de infraestrutura aparente à instalação de shed para potencializar ventilação natural passiva) a obra evidencia que o contraste pode, também, ser agradável e aconchegante.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

BIRI – A entrada da casa no piso superior com a pérgula que conforma uma promenade de acesso à varanda foi uma homenagem, em certo grau, a um projeto do Veveco (Álvaro Hardy) em Itacoatiara, RJ, em que nos hospedamos algumas vezes a convite de um amigo nosso. Além de enquadrar para a vista para a cidade de Belo Horizonte, que é a essência das decisões principais de abertura e implantação do edifício, conforma um acesso não óbvio ou direto, conferindo também maior privacidade.


ficha técnica

Local: Belo Horizonte, MG
Ano de projeto: 2015
Período de construção: setembro 2017 – julho 2018
Ano de conclusão da obra: 2018
Área bruta construída: 204 m²
Arquitetura: BIRI: Marcos Franchini e Nattalia Bom Conselho
Colaboração: Amanda Castilho, Gabriel Nardelli, João Pedro Facury e Tiago Nogueira


Consultoria em Desempenho e Conforto Ambiental:
Vert (Luciana Carvalho)
Paisagismo: Felipe Fontes
Projetos Complementares: Guepardo ltda.
Projeto Luminotécnico: Zenaide Aparecida (Othon de Carvalho)
Estrutura e Execução: N Engenharia
Construção: N Engenharia (Fernanda Capelão)


Fotos: Lucas Cancela, Maria Luiza Tavares, REVERBO (Gabriel Castro)
Contato: contato@biri.arq.br


Premiações:
Menção Honrosa XVII Premiação de Arquitetura IAB-MG Pampulha Patrimônio
de Todos | Categoria: Projeto – Habitação Unifamiliar (Dezembro 2015)


galeria


colaboração editorial

Renan Maia

deseja citar esse post?

BOM CONSELHO, Nattalia. FRANCHINI, Marcos. “Casa Comiteco”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., fev-2025. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2025/02/23/casa-comiteco. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Sede Fintech Insole

Por MOBIO Arquitetura
BRASIL – Projeto Executivo
8–12 minutos

projeto executivo


PARTE 1:
DESENHOS GERAIS

58 formatos (pdf).
44,95mb


PARTE 2:
ILUMINAÇÃO


5 pranchas (pdf).
3,12mb


PARTE 3:
PAISAGISMO


4 pranchas (pdf).
2,83mb


PARTE 4:
DETALHES

1 prancha (pdf).
0,06mb


Sede Fintech Insole (texto fornecido pelos autores)

Localizada no parque tecnológico Porto Digital em Recife-PE, ao lado do Marco Zero, a sede da Insole Energia Solar ocupa um edifício centenário com mais de 1500m2 que foi revitalizado e recebeu uma nova infraestrutura, que reverbera a identidade dinâmica da empresa.

Fotografias: Paula Dante e Álvaro – IMG Plural

Patrimônio, história e tecnologia coexistem em espaços amplos com estações de trabalho abertas, áreas de descompressão, varandas, espaços variados para diálogos e reuniões que favorecem a interação e contribuem para a resolução de problemas com criatividade e para o desenvolvimento de ideias inovadoras.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Trata-se de um projeto de adequação de uso, ocupando um edifício histórico do início do século XX que foi restaurado pelo Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD), com projeto arquitetônico de ocupação por Mobio Arquitetura e sinalização por Estúdio Triciclo e Gustavo Magno.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

O edifício de 4 pavimentos, de tipologia eclética, estava abandonado há décadas e foi completamente recuperado com base no projeto original, resgatando a escala altimétrica das fachadas, os vãos de acesso em arco e os ornamentos originais.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

A Insole é uma Clean-Fintech dedicada à difusão da energia solar de forma inovadora, portanto a ocupação de um edifício existente atrelado a recuperação e valorização do patrimônio para novos usos foi uma premissa relevante na escolha do local.

Isométrica Explodida – Sequência de pavimentos

Como estratégia de intervenção no edifício optou-se por evidenciar seus aspectos ambientais e construtivos sem grandes intervenções de infraestrutura, mantendo os pé-direitos originais sempre que possível, assumindo tubulações e infraestrutura aparentes, sem maquiar aspectos antigos e por vezes evidenciando resquícios e marcas do edifício centenário. Por reconhecer a importância da memória e materialidade do antigo, essa camada histórica foi preservada, sobrepondo a ela outra camada contemporânea de organização e tecnologia.

Planta Térreo + Primeiro Pavimento + Segundo Pavimento + Terceiro Pavimento

O projeto de ocupação do edifício apresentou uma série de aspectos a serem compatibilizados, como a organização dos diversos setores da empresa e a criação de espaços de uso comum que permeiam todos os pavimentos e favorecem o coletivo.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

A análise criteriosa de cada pavimento foi fundamental para a distribuição das funções no edifício. O mezanino por exemplo é um andar que apresentava pé direito baixo em diversos lugares pelas vigas robustas existentes, assim como menos aberturas de ventilação natural. Por isso foi ocupado com espaços de usos mais provisórios e de transição, como salas de reunião e um pequeno auditório multiuso.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

A divisão das salas de reunião foi feita com divisórias de perfil de alumínio e vidro, aproveitando a modulação criada pelas vigas existentes no espaço.

Fotografia: Equipe Mobio Arquitetura

Para criar um filtro de privacidade às salas foi desenvolvida uma solução que além da funcionalidade dialoga com o repertório visual da energia solar.

Fotografia: Equipe Mobio Arquitetura

Foram utilizadas persianas verticais coloridas cuja alternância ritmada e gráfica criou um degradê inspirado em mapas de calor. Cada sala tem uma cor diferente de forma a facilitar a reserva e identificação por funcionários e visitantes.

Fotografia: Equipe Mobio Arquitetura

O auditório multiuso foi planejado como um espaço vibrante e dinâmico, para a realização de treinamentos e cursos, apresentações, atividades de grupos. Por isso foi proposto um layout mutável viabilizado pelo mobiliário versátil composto por arquibancadas móveis, cadeiras empilháveis, quadros com rodízio e pufes modulares encaixáveis.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Já o segundo pavimento apresentava dois salões maiores de pé-direito alto e muitas aberturas, configurando espaços apropriados para maior permanência como as áreas de trabalho em planta aberta, que tiram proveito da iluminação natural.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Um dos salões estava com a alvenaria descascada da reforma interrompida e os tijolos de barro da alvenaria antiga foram deixados aparentes para evidenciar a natureza construtiva do edifício, destacada pela iluminação embutida no barrado branco e arandelas de luz rebatida.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Para garantir ambientes acústicos confortáveis sem utilização de forro foram usadas estratégias como o uso do carpete sobre o contrapiso existente e a criação de nuvens acústicas direcionadas às mesas, com variedade de composições como os conjuntos de triângulos defletores e a composição circular / axial do outro salão que, aliada à estratégia de iluminação, remete ao sol ou à energia em expansão.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Apesar de ser um andar voltado sobretudo às estações de trabalho, foram criados pontos de uso comum e coletivos como as cápsulas de micro reuniões, que permitem fazer chamadas ou pequenos encontros, assim como a copa amarela que é totalmente aberta, configura mais um lugar de encontro e atende às demandas de infraestrutura do pavimento.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

No terceiro e último andar, junto a mais um setor de trabalho, foram concentrados os espaços de uso comum mais amplos como a descompressão, que contempla área de jogos e mobiliário informal, como sofá e arquibancada para fazer uma pausa, jogar ou reunir espontaneamente. Também foi considerada uma copa maior com equipamentos e mesas de alimentação, além de uma cafeteria com infraestrutura completa.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Ainda neste pavimento destacam-se as varandas ambientadas pelas copas das árvores existentes com uma intervenção sutil de iluminação e bancos móveis apoiados em trilhos sobre a mureta em prol da otimização de espaço e possibilidade de flexibilizar os pontos de ocupação, além de mesinhas de refeição, apoio para momentos de descompressão, happy hour e descanso.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura

Alinhado à premissa de sustentabilidade da Insole, a energia consumida pelo edifício provém da transferência de energia da usina solar pertencente à empresa. No projeto foi previsto uma estação de carregamento para carros elétricos, a ser instalada na calçada, como item de gentileza urbana. O edifício fica num aconchegante trecho de rua fechada para carros e priorizado para pedestres, com comércios próximos que favorecem e potencializam a relação do mesmo com o espaço público.

Fotografias: Equipe Mobio Arquitetura


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

Por MOBIO Arquitetura – Gabriel Castro (G.C.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

G.C. – O projeto da nova sede da Insole se destaca em minha trajetória por ser o primeiro grande empreendimento fora de Minas Gerais. Localizado no Recife Antigo, uma região repleta de edifícios históricos que estão sendo revitalizados através da iniciativa público-privada do Porto Digital, esse projeto nos ofereceu um contexto específico e estimulante. Ele nos permitiu combinar a preservação do patrimônio histórico com a inovação e a tecnologia, alinhando-se perfeitamente com a identidade da Insole como uma Clean-Fintech dedicada à energia solar.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

G.C. – Fomos contratados diretamente. A empresa estava atualizando sua identidade visual com a ajuda de uma consultoria de design estratégico e produção de design gráfico. Inicialmente, fomos chamados para desenvolver o projeto de uma loja conceito no térreo (não construída), e posteriormente, fomos contratados para desenvolver o projeto da nova sede nos pavimentos superiores.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

G.C. – A concepção do projeto ocorreu durante a pandemia (de SARSCOV-2), em um período de adaptação ao trabalho remoto. Além dos estudos de setorização e compatibilização de diversas demandas de equipes, exploramos soluções projetuais que refletissem o repertório imagético da energia solar. O grande salão de trabalho, com pé-direito alto e sem compartimentação, exigia uma solução acústica eficiente. Criamos uma instalação de baffles integrados à iluminação, simbolizando a energia em expansão. No mezanino, dedicado a salas de reunião envidraçadas, desenvolvemos filtros de privacidade ajustáveis através de persianas verticais, cujas faixas criaram degradê cromático inspirados em mapas de calor. A aprovação do projeto foi rápida devido às necessidades urgentes do cliente e aos prazos apertados.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa do autor? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, pode comentar as mais importantes?

G.C. – Sim, especialmente em relação ao projeto de ar condicionado. Nossa proposta original era explorar os pé-direitos altos da edificação histórica, sem rebaixos de forro e com infraestrutura aparente. Foram necessárias negociações cruciais para adaptar às necessidades de isolamento acústico de máquinas maiores, resultando na criação de “caixas” aéreas estratégicas que não haviam sido previstas inicialmente.

MDC – O autor do projeto teve participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

G.C. – Devido à pandemia e à localização em outro estado, o acompanhamento do projeto foi realizado integralmente online, através de vídeos e fotos. Esse método, apesar de mais trabalhoso e menos eficiente que o presencial, foi essencial para a implementação do projeto sem grandes problemas ou surpresas.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

G.C. – Durante o projeto executivo, foi solicitada uma revisão para criar postos de trabalho na cobertura. Isso comprometeu o projeto original do espaço dedicado ao uso comum, que contemplava áreas de descompressão e refeitório, devido à expectativa de crescimento a longo prazo. No entanto, essas áreas de trabalho acabaram ficando sem uso após a ocupação, prejudicando um espaço que beneficiaria a todos.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

G.C. – Sim, com a experiência acumulada, acredito que poderia otimizar ainda mais a integração da área de escritório extra mencionada acima. Planejaria de forma a permitir uma ocupação mais gradual e preveria outros usos para o espaço, garantindo que o ambiente de descompressão e refeitório fosse menos comprometido.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

G.C. – Esta obra destaca o potencial de adaptação e reutilização de edifícios antigos em centros históricos para usos contemporâneos, como os de empresas de tecnologia e informação. Ela ilustra como características de edifícios históricos, como a generosidade espacial, podem ser aproveitadas para criar espaços de alta qualidade, contribuindo para a revitalização urbana e a movimentação social.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

G.C. – Gostaria de enfatizar a importância da sustentabilidade neste projeto. Toda a energia consumida pela edificação é proveniente da usina solar da Insole, reforçando o compromisso da empresa com práticas sustentáveis. Além disso, mantivemos intervenções mínimas na estrutura original, preservando a memória e materialidade do edifício histórico enquanto incorporamos uma camada contemporânea de organização e tecnologia.


ficha técnica

Local: Recife, PE, Brasil
Ano de projeto: 2021
Ano de conclusão: 2022
Período de execução: Julho 2021 – Março 2022
Área do projeto: 1577 m²
Arquitetura: Mobio Arquitetura – Gabriel Castro e Lorena Vaccarinni
Colaboradores: Joyce Lemos, Mauro Augusto, Pedro Medeiros, Amanda Castilho e Thais Cedrolla


Construtores:
Solução Construção e Quality Empreendimentos
Lista de autores de complementares relevantes e consultores: Estúdio Triciclo e Gustavo Magno (sinalização), Confort Ar


Fotos: Paula Dante, Álvaro – IMG Plural e equipe Mobio Arquitetura


Premiações e concursos:
9 Prêmio Saint-Gobain AsBEA de Arquitetura;
Shaw Contract Design Awards Best of the Globe;
Shaw Contract Design Awards Best of Latin America;
Brasil Design Awards BDA 2022.


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire

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CASTRO, Gabriel. VACCARINNI, Lorena. “Sede Fintech Insole”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jan-2025. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2025/01/15/sede-fintech-insole/ Acesso em: [incluir data do acesso].


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Casa de Dona Zuzinha

Por dL AA
BRASIL – Projeto Executivo
6–9 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

03 pranchas (pdf).
2,49 mb


Casa de Dona Zuzinha (texto fornecido pelos autores)

No interior do norte de Minas, a pequena cidade de Campo Azul abrigou durante décadas um casal voluntarioso que ali constituiu família. No total, foram 11 filhos, que geraram 21 netos e, até então, 17 bisnetos. Família grande, de interior.

O anseio por oportunidades fez com que os filhos, ao longo do tempo, saíssem do município de aproximadamente três mil e setecentos habitantes. Brasília acolheu a maior parte, fazendo com que o casal também migrasse para a capital.

O que não ficou para trás foram as raízes e vínculos. As viagens para prestigiar festas religiosas, procissões e rever antigos amigos, se tornaram hábito anual. Questão de tradição.

Surge a partir daí a vontade de restabelecer uma casa de férias, no lote ao lado da antiga casa. Das premissas estabelecidas, destaque para o baixo custo de obra e espaço para acomodar atividades diferentes. Por se tratar de uma família grande, imaginou-se a possibilidade de ocupação com pequena metragem quadrada, relativamente densa, mas sem perder a identificação com a cidade e seus aspectos socioculturais.

Situação, Implantação e Croqui

A casa possui 70m², técnicas convencionais e foi construída com mão de obra local. Fica em lote de esquina, de frente para uma das duas praças presentes na cidade. Foi implantada no ponto mais baixo da frente do terreno, usufruindo do desnível para tratar de questões de acessibilidade e proporcionar o importante pátio externo, principal articulador espacial entre a casa e a praça. A implantação amplia virtualmente a dimensão de praça para a cidade, enquanto o pátio usufrui das características e visuais da praça. Uma troca.

Planta e Cobertura

Elevação, Cortes e Detalhe

O pequeno alpendre de acesso, de onde se pode descansar enquanto se desfruta da vista da praça, controla a escala e é o responsável pelo ponto chave da transição que acontece gradualmente a partir do acesso ao lote, do espaço público para o privado.

Essa pequena compressão espacial gera, consequentemente, contraste com o pé direito mais alto encontrado na área social, composta por sala e cozinha que se relacionam diretamente com a parte posterior do lote por meio de seis portas pivotantes que abrem para o quintal.

A conexão com a área privada, quarto único com espaço amplo, acontece por meio de um pequeno corredor que também dá acesso ao banheiro social.

As dimensões do quarto acomodam usos atípicos de uma casa convencional, sendo uma suíte com espaço confortável e suficiente para oferecer diferentes níveis de ocupação. Uma grande janela situada no encontro da elevação leste com a elevação norte adota sistema de abertura nos dois sentidos, controlando assim a entrada dos raios solares sem que se perca a livre circulação da ventilação cruzada, complementada por outra pequena abertura que abre e emoldura vista para a grande castanheira e a praça.

O sol forte, as altas temperaturas e a baixa quantidade de vegetação nos espaços urbanos fazem da grande árvore localizada na praça central, popularmente chamada de sete de copas, um importante ponto de descanso e repouso momentâneo. De lá, para quem se direciona à casa, o barraco pré-existente, restaurado, é enquadrado por uma abertura que possui dimensões iguais as das janelas na elevação frontal, revelando através dessa informação visual as intenções propostas na nova casa. As características construtivas se justificam, assim como as definições das proporções e escala, que não possuem outra motivação que não seja articular as relações espaciais projetadas. O desenho serve o espaço, e o espaço serve as relações humanas.


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Deryck Dantom (D.D.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

D.D. – A obra marca um dos momentos iniciais da nossa produção. Em paralelo a essa obra, Paulo Lourenço, também sócio fundador do escritório, construía uma casa em Planaltina-DF, região do entorno de Brasília. Contextos urbanos diferentes, soluções projetuais diferentes, mas com um mesmo interesse em interpretar a dimensão de transição entre privado e público. A relação humana com o espaço e o desenho do objeto como ferramenta para alcançar uma dimensão maior eram pautas constantes das conversas ao longo do processo. Algo que permeia boa parte da nossa investigação arquitetônica.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

D.D. – É um presente para a minha avó. A proposta veio de um dos filhos. O desafio era desenvolver e executar algo não muito elaborado, com o mais baixo valor investido possível. Acredito, no entanto, que a boa solução não deve ser sacrificada por falta de recursos ou baixa tecnologia de materiais e mão de obra. Um projeto deve se adaptar às condicionantes impostas. Desistir de propor não é uma opção. Os desdobramentos futuros são parte do processo. Logo, decidi que meu desafio era contar a história da família por meio da arquitetura, independentemente da dificuldade logística.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

D.D. – A memória, costumes e características do lugar sempre nortearam as primeiras ideias colocadas em croquis. Características construtivas e o ajuste da escala ao entorno foram abordados de maneira similar desde as primeiras ideias. Talvez a principal inflexão tenha sido na decisão de recuar parte da fachada para gerar o espaço de transição entre rua e casa, com o intuito de criar ali esse intermediário com a ambiência que se comunica com a praça localizada em frente ao lote. Apesar da ideia de resgatar algumas características das primeiras casas da região, implantar a construção no limite no terreno para gerar um pátio interno não se mostrou a única solução possível. O terreno possuía área extensa para o programa da casa, possibilitando criar um novo espaço comum além dos já aplicados nas casas da região.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, pode comentar as mais importantes?

D.D. – O projeto tem concepção estrutural muito simples. Não foi necessário ajuste para se adaptar a algo relacionado aos complementares. Desde a concepção, toda a lógica estrutural e de instalações estavam muito claras e condicionadas.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra?

D.D. – Sim. Por iniciativa própria me mudei para a cidade para acompanhar e orientar a execução da obra. Os desenhos executivos foram feitos com o intuito de registro e documentação. Era inevitável participar ativamente e diariamente na orientação dos processos e principalmente sobre a ideia por trás da concepção dos espaços. Em muitos momentos era necessário elucidar as premissas para que os construtores entendessem a necessidade de se executar tarefas um pouco diferentes do que estavam habituados. Na região existe uma ruptura muito grande com o conhecimento vernacular e, curiosamente, também com alguns processos contemporâneos simples. Diferente da pergunta anterior, em relação aos complementares, esse foi o principal fator para elaboração de adaptações de projeto para novas soluções construtivas.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

D.D. – A inevitável construção de uma varanda na parte posterior, algo que já havia sido sugerido em uma primeira proposta, mas que, por decisão dos clientes, foi sacrificada por questões orçamentárias. Então o que de início era tratado como parte do desenho original da casa passou a se tratado como uma ideia de anexo futuro.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

D.D. – Talvez sim. Não porque trato como uma má solução de projeto, mas porque considero natural olhar para projetos anteriores e notar diferentes ideias de solução para um mesmo problema. Cada ideia é consequência de um tempo e momento. Natural que seis anos depois algumas decisões seriam diferentes. Entretanto, não necessariamente melhores.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

D.D. – Como uma atividade atípica em um cenário comum. A região representa um recorte do Brasil profundo. São cidades carentes de boas soluções, lugares onde a atuação dos profissionais de arquitetura é muito pequena. Os motivos são inúmeros. Nossa profissão ainda é vista como artigo de luxo, inclusive por boa parte de colegas de profissão.


ficha técnica

Local: Campo Azul, MG – Brasil
Ano de projeto: 2019
Ano de construção: 2019-2020
Área: 70 m²
Arquitetura: dL AA | Deryck Dantom


Fotos: urban sadness | Larissa Sad
Contato: dlarquitetosassociados@gmail.com


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire

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DANTOM, Deryck. “Casa de Dona Zuzinha”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., dez-2024. Disponível em .https://mdc.arq.br/2024/12/22/casa-de-dona-zuzinha/↗ Acesso em: [incluir data do acesso].


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Casa dos Triângulos

Por Metrópole_arq
BRASIL – Projeto Executivo
5–8 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

18 pranchas (pdf).
6,06 mb


Casa dos Triângulos (texto fornecido pelos autores)

A Residência Rubem Mendonça – conhecida como Casa dos Triângulos – é obra do final dos anos 1950 e evidencia um processo de reflexão do arquiteto João Batista Vilanova Artigas que será consolidado nos seus trabalhos seguintes, principalmente na FAUUSP . O bloco elevado configura a volumetria geral da construção e abriga um arranjo de pavimentos em meios níveis em torno de um espaço vazio. Tanto na casa quanto na FAUUSP balanços estruturais nas arestas dos volumes conferem leveza em contraponto à massa construída. Na Casa dos Triângulos, o volume superior com estrutura em concreto e fechamento em alvenaria de tijolos recebeu painel artístico projetado por Mario Gruber e executado por Francisco Rebolo, artistas que tiveram atuação relevante no panorama artístico brasileiro do século XX.

Fotografias: Nelson Kon

A casa foi propriedade da Família Mendonça até os anos 2020 quando foi vendida para os atuais proprietários. O projeto apresentado propõe intervenções com o cuidado de preservar os valores reconhecidos da residência ao mesmo tempo que atualiza suas instalações e adapta os espaços para os usos contemporâneos de uma família. Mesmo mantendo a sua função original de residência, a forma de habitar mudou muito desde a construção dessa casa nos anos 1950 para os dias de hoje.

Fotografias: Nelson Kon

Tombada pelo órgão municipal de preservação de patrimônio em 2018 a casa havia passado por diversas intervenções que não foram devidamente documentadas.

Fotografias: Nelson Kon

Dentre as alterações, muitas das quais interferem na compreensão da residência, destacam-se:  instalação da cozinha na área onde era a área de serviço; instalação de ambiente de estar onde era a cozinha; pintura com tinta e massa acrílica, inadequada, sobre o painel artístico da fachada; troca dos caixilhos do pavimento superior; cobertura em telha de amianto sobra a laje impermeabilizada.

Fotografias: Nelson Kon

Projeto de Restauro

O projeto elimina as instalações de quarto e banheiro de empregados. Essa diminuição do programa viabiliza uma nova relação com os jardins que circundam a casa. Ao invés de frente social e fundo de serviço a casa fica integralmente relacionada com os jardins, potencializando a expressividade do volume principal, aumentando a circulação, iluminação e ventilação.

Plantas Pavimento Térreo

Plantas Pavimento Superior

A remoção das paredes que conformavam a área de serviços sob o balanço posterior não impacta naquilo que é considerado valor arquitetônico a ser preservado, pois eram paredes divisórias, não estruturais, que já haviam passado por alterações significativas e cuja remoção não contraria o partido arquitetônico. 

Cortes Demolição e Restauro

Artigas em outros projetos, como na FAU, estabelece o partido arquitetônico a partir dos elementos em concreto e as áreas mais livremente apropriáveis são demarcadas por paredes não estruturais, passiveis de alteração. A alteração na composição volumétrica na parte posterior, é compensada com a revelação do balanço estrutural e permite uma melhor visualização do painel do volume superior. 

Fotografias: Nelson Kon, antes do restauro

Painel Artístico

Uma prospecção no painel artístico permitiu encontrar a tonalidade original da tinta branca e azul e o vestígio da argamassa original. O painel estava em péssimo estado de conservação, com descolamento de argamassa e fissuras em grande quantidade e profundidade.

Fotografias: Silvio Oksman, antes do restauro (à esquerda) e Nelson Kon, após restauro (à direita)

Ranhuras na argamassa revelam as diferenças entre o desenho original e a repintura em tinta acrílica. As jornadas ficaram escondidas atrás da tinta acrílica e foram sublinhados na argamassa após o processo de decapagem. A argamassa de nivelamento foi aplicada para completar as áreas de perda e nivelar a superfície. Foi aplicada tinta mineral à base de silicato para restaurar o painel.  

Fotografia: Acervo FAUUSP


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Equipe Metrópole_arq (M.A.)

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

M.A. – O restauro de imóveis da arquitetura moderna brasileira é um dos focos do escritório tendo atuado no edifício do IABsp, no MASP. Faz parte das pesquisas acadêmicas dos sócios que tem na preservação de patrimônio cultural um de seus mais importantes objetivos como atuação na academia e no mercado de trabalho.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

M.A. – Contratação direta privada.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

M.A. – A concepção do projeto parte principalmente da compreensão dos valores existentes na residência projetada por Artigas nos anos 1950. A questão principal era trazer o imóvel para a vida cotidiana dos anos 2020 sem perder os valores reconhecidos. Apesar de se manter residência unifamiliar, a forma de viver mudou significativamente e nesse sentido a casa necessitava de atualizações pequenas, para além das obras de atualização das infraestruturas (hidráulica, elétrica).

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, podem comentar as mais importantes?

M.A. – Sempre há a interação com os projetos. Nesse caso específico eram ações de pequena intervenção.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra?

M.A. – Todo o restauro foi acompanhando pelos autores. Vale reafirmar que para obras desse tipo (restauro) é fundamental o acompanhamento de obra já que ao longo dos trabalhos sempre aparecem situações imprevistas, ou que tenham que ser revistas.

MDC – Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

M.A. – A residência se mostrou absolutamente adaptável a questões da vida dos novos proprietários. Dois bons itens são a ausência de dependência de empregados e a abertura da cozinha para o espaço de estar, que revelam uma mudança grande na forma de vida de uma família.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

M.A. – Não.

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

M.A. – Mais do que uma constatação, há uma esperança que de reformas e restauros de imóveis virem uma agenda da arquitetura. São diversas questões: a preservação do patrimônio cultural e a responsabilidade ambiental desse tipo de trabalho que reutiliza matérias que já foram retiradas da natureza, reduzindo os impactos. Essa é uma agenda contemporânea que deve ser reforçada.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

M.A. – A desmistificação de duas questões: de que a preservação é mais custosa do que uma obra ordinária e de que um bem tombado é um problema. A solução para essas questões esta principalmente na formação de profissionais que saibam trabalhar com o tema (arquitetos, engenheiros, mão de obra de construção) e na percepção de que um edifício tombado tem um valor para a sociedade e pode e deve ser atualizado para poder ter um uso adequado ao seu tempo.


ficha técnica

Local: São Paulo, SP – Brasil
Ano de projeto: 2021
Ano de construção: 2020-2021
Área: 215 m²
Arquitetura: Metrópole_arq | Anna Helena Villela e Silvio Oksman
Colaboradores: Bruna Caracciolo

Autores complementares e consultores:
Consultoria de conservação: Pedro Vieira
Consultoria estrutural: Ycon Engenharia | Yopanan Rebello
Projeto luminotécnico: Lux Projetos | Ricardo Heder
Projeto de paisagismo: Vito Macchione
Projeto de sistema elétrico e hidráulico: Sandretec
Restauro do painel artístico: Andreia Naline e Anderson Ribeiro

Construção:
CEN Engenharia e Carlos Nakazato


Fotos: Nelson Kon
Contato: contato@metropole.arq.br


Prémios e Exposições:
Premiação anual do IAB/ SP (2023)


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire

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VILLELA, Anna Helena. OKSMAN, Silvio. “Casa dos Triângulos”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., nov-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/11/27/casa-dos-triangulos/. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Casa Vila Matilde

Por Terra + Tuma
BRASIL – Projeto Executivo
7–11 minutos

projeto executivo


EXECUTIVO COMPLETO

7 formatos (pdf).
2,87mb


Casa Vila Matilde (texto de Francesco Perrotta-Bosch | 2015)

É preciso avisar de antemão: este não é um projeto feito por caridade. Nem se encaixa a definição de habitação social. De fato, a história da casa na Vila Matilde restitui algo de elementar à arquitetura.

Fotografia: Terra e Tuma

Um então distante conhecido de Danilo Terra consultou o arquiteto sobre a possibilidade de reformar a casa onde sua mãe residia há 25 anos. Morava em um trecho do bairro de Vila Matilde, na zona Leste de São Paulo, oriundo de um antigo loteamento – uma vizinhança repleta de casas modestas, mas atendidas pelos serviços básicos de infraestrutura. Naquele ano de 2011, mãe e filho tinham dois cenários em mente: um projeto de reforma da casa ou sua venda para a compra de algum apartamento.

Situação

Danilo e Pedro Tuma, seu sócio no escritório, foram visitar a residência existente e constataram uma complicada situação: incontáveis rachaduras e infiltrações nas paredes; ampliações feitas ao longo dos anos sem qualquer ordenamento; faltavam janelas e aberturas que permitissem a entrada de ventilação e iluminação naturais nos ambientes internos. Era inviável o reaproveitamento da estrutura que lá havia. Embora insalubre, a senhora de 74 anos não fazia esforço para sair da velha casa. Por mais que o primogênito reconhecesse as condições ruins de moradia da matriarca, também percebia o quão negativo seria tirá-la da vizinhança onde há décadas estava estabelecida sua rotina.

Fotografias: Terra e Tuma

Assim, decidiram demolir a casa existente para edificar uma nova no mesmo terreno. As economias guardadas por esta senhora nas décadas de prestação de serviços domésticos eram na ordem de 100 mil reais. “Seria possível com este valor construir uma casa térrea para a mãe?”, questionava o filho aos arquitetos. “Tem que ser possível”, pensou a dupla do escritório Terra e Tuma. Ao apresentar seus projetos anteriores de residências, suas referências e sua ideia de arquitetura, eles esclareceram aos clientes que o limite para o orçamento era baixo, mas era viável.

Fotografia: Terra e Tuma

Nesse momento, é necessário se colocar na posição desta mãe e filho. Afinal, eles estavam prestes a pôr todo o dinheiro poupado em uma vida inteira à disposição de um projeto arquitetônico. Não é um ato muito comum para pessoas de uma classe social mais humilde no Brasil, país cujo senso comum põe o bom projeto de arquitetura como um benefício para quem tem dinheiro sobrando. Pondo-se no lugar dos arquitetos, gerenciar os escassos recursos de uma pessoa para materializá-los em sua nova moradia era uma responsabilidade grande.

Cabe também acrescentar que este não é um caso de fé à profissão. Provavelmente, dona Dalva não conhece Le Corbusier. Dona Dalva não sabe dos benefícios da planta livre, nem dos outros quatros pontos para a arquitetura moderna. Dona Dalva não deve estar ciente da importância
gregária do salão caramelo da FAUUSP. Pelo processo de construção, Dona Dalva não deu indícios de se importar com as condições operárias no canteiro de obras. Dona Dalva não se encanta com os hightechs, desconstrutivistas, metabolistas ou sustentáveis. Dona Dalva não aprendeu com Las Vegas. Ou seja, dona Dalva passa ao largo da intelligentsia arquitetônica, mas mesmo assim, por algum motivo, eles apostaram todas as fichas na arquitetura.

Fotografias: Terra e Tuma

Fez-se o contrato da mãe e filho com o escritório de arquitetura (também dirigido pela arquiteta Fernanda Sakano), de acordo com honorários compatíveis com o valor total possível e esclarecido desde a primeira conversa. Para viabilizar a edificação dentro desse recurso, os arquitetos auxiliaram na escolha e na elaboração de contratos com o empreiteiro, os complementares, os fornecedores.

A primeira proposta de projeto, feita ainda em 2011, era em estrutura metálica, revestimento externo em telha translúcida, divisórias internas em drywall. A referência explícita no powerpoint de apresentação é a Casa Latapie do escritório francês Lacaton & Vassal. A estratégia era de uma
construção seca com montadores específicos, apostando na rapidez e na minimização de erros de obra.

Chegou a ser feito o projeto executivo dessa versão. Esperou-se mais de um ano para a aprovação do desenho na prefeitura. Permaneceu em stand by por mais alguns meses até o dia de 2014 em que o filho constata que o forro do teto caíra em cima da cama da mãe. Com o risco iminente de ruir, o filho tira a mãe da casa antiga, que passa a morar de aluguel, e liga para os arquitetos informando que a obra tinha que começar.

No momento de executar, o escritório muda o projeto, optando pela segurança da pesquisa construtiva que se iniciara na Casa Maracanã e que se seguiu pela Casa com Estúdio e em mais duas edificações. “Pela responsabilidade da situação, tínhamos que acertar. Não teria quem
pagasse pelo erro”, afirmavam os arquitetos. Seguiram por um método construtivo que tinham domínio, lançando mão do bloco de concreto, sem revestimentos e com o mínimo uso de elementos facilmente encontrados em lojas de construção. Utilizam o essencial para a construção não por uma questão estética ou por qualquer demonstração de verdade do material, mas para dar pragmatismo de obra e reduzir custos.

Referência Casa Maracanã
Fotografia: Pedro Kok

Refizeram os desenhos gerais do projeto (em duas semanas) e iniciaram a demolição da velha casa, durante a qual surgiram os grandes desafios da execução. De um lado, o vizinho, que estava construindo seu segundo andar, escorava sua residência na precária edificação que estava sendo demolida. O muro da casa do outro lado assentava-se direto na terra, sem baldrame. Logo, as fundações eram executadas não somente para estruturar a casa da mãe e do filho, como também para manter em pé os sobrados ao redor. Soma-se a isso o fato do próprio lote não ser nivelado, de modo que foi necessário construir uma laje para estabelecer o piso térreo, vencendo as
irregularidades e cavidades no solo.

Outra condicionante atípica e só verificável no canteiro: o vizinho que se apoiava na antiga casa também invadia o lote em cerca de 50 cm, quebrando a linearidade da lateral. Quando se descobriu isso, o projeto foi todo espelhado, deixando o muro irregular adjacente ao pátio central. Parte considerável dos nove meses de execução foi destinada a esse cuidadoso processo de demolição e de fundações.

Fotografias: Terra e Tuma

A obra foi tocada por um empreiteiro de confiança, do qual partiu a iniciativa de acordar o acompanhamento da construção pelos arquitetos uma ou duas vezes por semana. Em virtude desse modelo, foi possível uma simplificação dos desenhos. Muitas decisões projetuais eram feitas no canteiro, por meio do diálogo com os construtores ou fornecedores. De acordo com a demanda, os arquitetos fizeram as plantas dos dois pavimentos, cortes, fachadas, as ampliações do portão e da escada, definiram as características gerais dos caixilhos. Tudo em pouquíssimas pranchas, de modo a evitar desenhos com detalhamentos raramente lidos pela mão de obra nacional.
Além de otimizar o tempo, este pragmático modo de trabalho minimizava custos e esforços tanto para os arquitetos e empreiteiro quanto para os clientes.

Plantas Térreo, Primeiro Pavimento e Cobertura

Entreveros de obra à parte, o levantamento das paredes de blocos de concreto foi uma etapa rápida. Recuada em relação ao alinhamento frontal do lote, está a sala. A partir dela se segue para um corredor onde se alinham as áreas com instalações hidráulicas – lavabo, cozinha e área de serviço. Em paralelo, está o vazio central com jardim. A separação entre interior e exterior nesse trecho nuclear é feita por uma longa esquadria que permite ampla iluminação e ventilação natural – a antítese da ambiência da velha casa. Ao fundo estão as duas suítes: no térreo para a mãe e no pavimento superior para o filho. A laje de cobertura da sala permite uma ampliação
futura da casa.

Cortes Longitudinais e Transversais

Fotografias: Terra e Tuma

Não somente a residência tem a robustez suficiente para agregar mais cômodos, mas também admite outros tipos de reformas. O chão, que é hoje o concreto alisado da laje, pode receber outro piso. As paredes, que são de bloco aparente, podem vir a ser pintadas, rebocadas ou revestidas. A casa vai se transformar, de acordo com um natural processo de apropriação por dona Dalva, que vai imprimir gradativamente sua identidade a essa casa. Porém, é interessante notar que, posterior à entrega da chave, mãe e filho consultam com frequência os arquitetos para pedir orientação na
disposição do mobiliário, na cor das cortinas, na colocação de suas plantas. O canal de diálogo permanece, pois há um reconhecimento por parte dos moradores da melhora da qualidade de vida pela arquitetura.

Esta não é a casa dos sonhos de dona Dalva. Aqui o Terra e Tuma não trata o projeto arquitetônico como uma tentativa de dar forma aos desejos que ocupam o imaginário da proprietária. No desenho, não há incrementos subjetivos, pois se tem consciência de que a noção estética de cada pessoa é muito singular. Não diferente de qualquer outro caso, o valor afetivo que a matriarca tem com cada material diverge da qualificação concedida às matérias pelos arquitetos.

Portanto, nesta circunstância de grande limitação orçamentária, para que a construção fosse possível, demandava-se a simplificação dos desenhos, a otimização da execução, a materialização exclusiva do que é essencial para dona Dalva morar. Das economias de uma vida inteira, ergueu-se uma casa com um tamanho decente, ventilação, iluminação, sem riscos de o forro cair sobre a cama. Na singeleza da casa na Vila Matilde referendada pela admirável história, restitui-se a noção de arquitetura como produção de espaço que ambiciona eminentemente a dignidade do habitar.


ficha técnica

Local: Vila Matilde – São Paulo, SP
Ano de projeto: 2011 – 2015
Ano de construção: 2015
Área: 95 m²
Arquitetura: Terra e Tuma Arquitetos Associados | Danilo Terra, Pedro Tuma, Fernanda Sakano, Bruna Hashimoto, Giulia Galante, Jéssica Zanini, Lucas Miilher, Zeno Muica.


Construção:
Valdionor Andrade de Carvalho e equipe
Estrutura: Megalos Engenharia
Paisagismo: Gabriella Ornaghi Arquitetura da Paisagem


Fotos: Pedro Kok, Terra e Tuma (fotos antigas / fotos de obra)


galeria


colaboração editorial

Renan Maia

deseja citar esse post?

TERRA, Danilo. TUMA, Pedro. SAKANO, Fernanda. PERROTTA-BOSCH, Francesco. “Casa Vila Matilde”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., out-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/10/28/casa-vila-matilde. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Casa Mipibu

Por Terra + Tuma
BRASIL – Projeto Executivo
4–6 minutos

projeto executivo


PROJETO EXECUTIVO
COMPLETO

7 pranchas (pdf).
4,56mb


Casa Mipibu (texto fornecido pelos autores)

Esta casa representa uma situação muito comum na cidade de São Paulo, um terreno comprido e estreito [5.6×30.0m] com apenas a elevação frontal livre de interferências das edificações em seu entorno.

Fotografias: Nelson Kon

Croqui e Planta de Localização

Considerando a inevitável verticalização de seus vizinhos, todos eles colados às divisas, o primeiro passo foi inverter as fachadas, pensar o projeto “ do avesso”, como se retirássemos uma luva.

Planta Térreo, Planta Pavimento Superior e Planta Cobertura

Fotografias: Nelson Kon

Quando trouxemos os caixilhos para dentro, pudemos usá-los à exaustão, tornando o interior extremamente aberto, em oposição ao perímetro externo completamente fechado.

Cortes AA, BB, CC e Elevação Frontal

Fotografias: Nelson Kon

Posicionamos dois pátios internos, funcionando como as áreas externas da casa. E eles, assim como em outros projetos do escritório, a organizam. Além de proporcionar luz e ventilação necessárias para salubridade e qualidade espacial, articulam os ambientes.

Simulações de Chuva, Sol e Som no Corte AA

Outra decisão inesperada para o cliente foi o posicionamento dos dormitórios no pavimento térreo, normalmente destinado aos ambientes sociais, e assim subimos o “térreo” para o pavimento superior.

Fotografias: Nelson Kon

Esta medida proporcionou para o pavimento íntimo, dos dormitórios, maior privacidade e silêncio. Para o pavimento social proporcionou a integração com a laje de cobertura, usada como área de lazer, e assim portanto, não ocorrendo a interrupção pelo pavimento íntimo. Tornou também as áreas sociais melhor iluminadas e ventiladas.

Fotografias: Equipe Terra e Tuma (processos da obra)

Por solicitação do cliente um destes pátios tornou-se um espelho d`água, e com ele, outro fator importante foi a concepção simultânea do projeto de paisagismo.

Fotografias: Nelson Kon

Desta forma foi possível prever uma estrutura adequada para receber tanto uma árvore de grande porte no pavimento superior, na varanda externa contígua a sala, quanto a laje que suportaria o peso das bandejas com plantas que caem sobre o espelho d ́água.

Fotografias: Nelson Kon

As soluções para este projeto são resultado de uma estreita e bem sucedida relação entre arquitetura, paisagismo e estrutura.

Fotografias: Nelson Kon


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Danilo Terra, Fernanda Sakano, Juliana Terra e Pedro Tuma (T.T.)

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

T.T. – Ela consolida o processo projetual iniciado pela Casa Maracanã e posteriormente Casa
Estúdio, e avança ainda mais em reflexões sobre a organização espacial e construtiva.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

T.T. – Contratação direta.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

T.T. – A decisão de inverter a lógica comum de posicionar a área social no nível de acesso e
íntima no pavimento superior trouxe diversos benefícios. Primeiro tirando carga de um
pavimento repleto de paredes e móveis e fazendo com que este sim, de forma muito mais
adequada suporte um pavimento mais leve e aberto. Permitiu trabalhar com pé direito
diferente e maior no pavimento superior, social, sem acarretar em esforços estruturais
excessivos. Os ruídos externos são amenizados no pavimento íntimo, inferior. A ligação do
pavimento social é direta com a laje de cobertura, que funciona também como área de lazer,
e assim evita a transição e passagem por outros pavimentos.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, podem comentar as mais importantes?

T.T. – Sim, neste caso decorrente da atuação dos projetistas de paisagismo ainda na fase de
estudo preliminar. O trabalho em conjunto possibilitou a proposição de soluções que
somente poderiam estar presentes se adotados nesta fase. Destacam-se as bandejas que
fazem pender plantas sobre o espelho d’água do pátio frontal, foi necessário considerar
certo reforço estrutural nesta laje. Na varanda frontal do pavimento superior propusemos o
plantio de uma árvore de grande porte, para isso foi necessário projetar e calcular uma
“caixa” vertical de concreto armado que conecta o solo do pavimento térreo a este primeiro
pavimento.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra?

T.T. – Este foi um dos poucos projetos em que o escritório também gerenciou a obra.

MDC – Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

T.T. – A relação espacial entre áreas externas e internas é propositadamente gradativa e difusa.
Assim como em outros projetos, além dos fatores estruturais e espaciais, o conforto
ambiental é outro fator de relevância para as soluções propostas.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

T.T. – Com relação à arquitetura, acreditamos que não. Já em relação às infraestruturas de
hidráulica/elétrica e alguns detalhes estruturais, sim.

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

T.T. – Ela é parte de um conjunto de obras contemporâneas de nosso escritório que traduzem
muito bem o amadurecimento de nosso processo projetual. Além das já citadas, esta casa
tinha como sua contemporânea de construção a casa da Vila Matilde.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

T.T. – Agradecemos imensamente a sua contribuição. Um abraço!


ficha técnica

Local: Bairro da Lapa – São Paulo, SP
Ano de projeto: 2014
Ano de construção: 2014 – 2015
Área: 170 m²
Arquitetura: Terra e Tuma Arquitetos Associados | Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano
Colaboradores: Bianca Antunes, Cassio Oba Osanai e Eugênio Amodio Conte


Estrutura:
Megalos Engenharia
Elétrica | Hidráulica:
DCHE
Paisagismo: Gabriella Ornaghi Arquitetura da Paisagem
Serralheria: Terral Serralheria
Impermeabilização: Kenzo Harada | Vedação Tecnologia em Construção
Esquadrias de Alumínio: Metaltec Esquadrias


Fotos: Nelson Kon e Equipe Terra e Tuma
Contato: contato@terraetuma.com.br

Prémios e Exposições:
Exposição “Casas Paulistas 2000-2017” – São Paulo (2019)
Mostra Itinerante “Continuità Brasiliana” – Matera (2019)


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire

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TERRA, Danilo. TUMA, Pedro. SAKANO, Fernanda. “Casa Mipibu”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., out-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/10/28/casa-mipibu/. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Casa Maracanã

Por Terra + Tuma
BRASIL – Projeto Executivo
4–6 minutos

projeto executivo


PARTE 1:
ARQUITETURA

4 pranchas (pdf).
5,02mb


PARTE 2:
DETALHES

6 pranchas (pdf).
2,6mb


PARTE 3:
ESQUADRIAS

5 pranchas (pdf).
2,1mb


PARTE 4:
ELÉTRICA

2 pranchas (pdf).
903kb


Casa Maracanã (texto fornecido pelos autores)

A casa está localizada na Lapa, bairro predominantemente residencial da zona oeste de São Paulo, em terreno conciso e com topografia em declive.

Croqui de Corte Longitudinal e vista geral do ambiente social da residência: Pedro Kok

Ela se desenvolve em três pavimentos, abaixo e acima da cota de acesso, na qual estão implantados a garagem e o hall de distribuição da circulação vertical. Ocupando toda a largura do lote, as empenas laterais desempenham também o papel de muros de divisa e, estruturais, são feitas com bloco de concreto autoportante.

Assim, os oito metros de largura do ambiente social ficam livres da interferência de outros elementos estruturais e a residência ganha um aparente espaço extra, qualificado pelo pé-direito duplo e pelo confortável aporte da iluminação natural.

Fotografias: Pedro Kok e Cortes Longitudinais e Transversais

Há jardins na frente e nos fundos ladeando a sala de estar da cota inferior, dela separados por caixilhos de altura total que tornam indistintos os limites entre o edificado e os espaços livres.

Fotografias: Pedro Kok

Em contrapartida, o mezanino transversal, no nível intermediário, sinaliza a passagem do setor social para o de serviços e o estúdio, situados lado a lado na porção frontal e rebaixada do terreno.

Fotografias: Pedro Kok

A extrema simplicidade dos materiais – blocos de concreto autoportantes ou de vedação, sem revestimento – faz par com a exposição das tubulações, piso e escadas de concreto, todos aparentes. O cuidado na seleção dos fornecedores, por exemplo, garantiu a proximidade entre seus tons de cinza, tão claros quanto possível.

Fotografias: Pedro Kok

No andar superior, os dormitórios (três no total) dividem uma faixa de pouco mais de três metros de largura por oito de comprimento, compartilhando o banheiro que, sobressalente na fachada frontal, tem revestimento externo decorativo. O padrão de traços e círculos, nas cores branca, preta e vermelha, foi concebido pelo artista plástico Alexandre Mancini.

Plantas dos três pavimentos + Planta de Cobertura


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Danilo Terra, Fernanda Sakano, Juliana Terra e Pedro Tuma (T.T.)

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

T.T. – Seminal. Por ela o escritório encontrou um processo de reflexão e desenvolvimento de
projeto próprio, e como consequência uma linguagem identitária.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

T.T. – A casa pertence aos sócios Danilo e Juliana.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

T.T. – Parâmetros de projeto extremamente limitantes em contraste com a liberdade de projetar
para si próprio tornaram o processo projetual em um laboratório destinado a encontrar
soluções pragmáticas, e que atendessem à família funcionalmente com a maior flexibilidade
espacial possível.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, podem comentar as mais importantes?

T.T. – Sim. Intensa participação. E as consequências foram determinantes para o resultado final. A
que mais se destaca é o sistema construtivo adotado. Um sistema misto de alvenaria
estrutural com concreto armado tradicional.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra?

T.T. – Sim, e também intensa, durante toda a obra. O canteiro também determinou a adoção de
certas soluções, como a alvenaria estrutural, viabilizando a construção no alinhamento do
terreno.

MDC – Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

T.T. – Foram incontáveis momentos da vida familiar, e até mesmo profissional, aos quais esta casa
atendeu muito bem. Sua estrutura comporta além do mais importante e trivial uso cotidiano,
até eventos e locações para fotos e filmagens.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

T.T. – Sim, foi um processo de muito aprendizado e consequente amadurecimento em projetos e
obras posteriores.

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

T.T. – Acreditamos que ela trata de resgatar uma linguagem projetual que não foi inventada por
nós, mas estava latente e muito pertinente ao contexto da produção arquitetônica
contemporânea.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

T.T. – Agradecemos imensamente a sua contribuição. Um abraço!


ficha técnica

Local: Bairro da Lapa – São Paulo, SP
Ano de projeto: 2008
Ano de conclusão: 2009
Área: 185 m²
Arquitetura: Terra e Tuma Arquitetos Associados | Danilo Terra, Pedro Tuma e Juliana Assali


Construção:
RKF | Rafael Alves
Elétrica | Hidráulica:
Minuano Engenharia | Cibele Báez Neme e Roberto Abou Assali
Esquadrias de Alumínio: Metaltec Esquadrias | Alexandre Hornink Mora e Fabio Cappeli
Estrutura: AVS | Carolina Ayres e Tomas Vieira
Impermeabilização: Kenzo Harada | Vedação Tecnologia em Construção
Marcenaria: Alceu Terra
Painel: Alexandre Mancini
Paisagismo: Gabriella Ornaghi Arquitetura e Paisagismo
Serralheria: Edison Shigueno


Fotos: Pedro Kok e Arturo Arrieta (Maquete)


galeria


colaboração editorial

Isabela Gomide

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ASSALI, Juliana. TERRA, Danilo. TUMA, Pedro. “Casa Maracanã”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., out-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/10/28/casa-maracana. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Casa em Cunha

Por Arquipélago Arquitetos
BRASIL – Projeto Executivo
9–13 minutos

projeto executivo


PARTE 01:
PLANTAS

6 pranchas (pdf).
2,10mb


PARTE 2:
DETALHES E AMPLIAÇÕES

6 pranchas (pdf).
1,35mb


PARTE 3:
CORTES E ELEVAÇÕES

4 pranchas (pdf).
1,16mb


PARTE 4:
CAIXILHOS

6 pranchas (pdf).
1,53mb


PARTE 5:
MARCENARIA

17 pranchas (pdf).
3,93mb


PARTE 6:
VIGAS

2 pranchas (pdf).
0,28mb


Casa em Cunha (texto fornecido pelos autores)

A casa está localizada no sertão de Cunha, interior de São Paulo, em uma região serrana conhecida tradicionalmente pela cultura em cerâmica.

Fotografia: Federico Cairoli

O partido da casa provém de sua implantação no alto do morro da paisagem, buscando as melhores vistas de todo o oblíquo terreno e da Serra, ao fundo.

Implantação, Planta Térreo e Cortes


Para proteger a casa dos ventos frios, foi feito um corte de 1 metro de terra a fim de semienterrá-la, até a altura das bancadas das áreas de serviços. Desse corte surgiu todo recurso construtivo para a execução das paredes da casa: a terra.

Esquemas construtivos

As paredes principais da casa são feitas em taipa, tecnologia antiga revisitada de forma contemporânea: foi proposto um sistema de fôrmas autêntico que evitasse perfurações com cabodás e desenvolvesse um canteiro de obras mais eficiente, de maneira que seus componentes modulados pudessem ser desmontados e remontados com facilidade.

Essa técnica construtiva nos proporcionou encontros interdisciplinares: física, química, geologia e geografia ampliaram o entendimento sobre a paisagem onde propusemos a casa.

Todas as características de dureza, inércia térmica, cor, brilho, tatilidade, são fatores decorrentes das características físicas e químicas daquele solo específico.

O restante das paredes é feito com tijolos cor palha, terra queimada, por uma olaria local que retira barro rico em alumínio das regiões de várzea de um riacho.

A casa possui quartos voltados para norte e uma sala a noroeste buscando esquentar seus ambientes de permanência no inverno rigoroso. Há na sala uma lareira e um fogão a lenha, também feitos em taipa e, ligado à varanda, no chão, um grande espaço circular para uma fogueira, feito em tijolos.

A estrutura da cobertura é uma grelha em madeira, compondo junto com o piso dois grandes planos horizontais em madeira que se distinguem dos planos verticais em terra.

Sequência Construtiva.

Buscou-se que o fato original dessa construção em um sítio isolado, selvagem, fosse um sinal máximo da chegada da presença humana na paisagem: linhas retas marcando a topografia suave.

Maquete Física.


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Luís Tavares (L.T.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda sua produção?

L.T. – A Casa em Cunha representa uma pesquisa importante no conjunto de obras do escritório. Entendemos cada projeto como uma pesquisa, na qual sempre elaboramos algumas perguntas e o percurso de desenvolvimento é, na verdade, a construção das respostas sobre cada um dos temas específicos de cada história. Em um horizonte maior, essas investigações vão formando um certo histórico, que nos permite conduzir cada processo de um modo mais contínuo, porém não linear. Na Casa em Cunha, trabalhamos pela primeira vez com tecnologias construtivas de terra e o processo de elaboração foi tão valioso e estimulante que acabamos utilizando na sequência em quatro outros projetos, pois encontrou-se o mesmo sentido da sua utilização, em diferentes contextos. Acredito que continuaremos cada vez a iniciar qualquer projeto nos perguntando sempre sobre a técnica construtiva ser em terra, a partir da Casa de Cunha.

Num contexto geográfico, esse projeto representa também o início do deslocamento das obras de Paraty para o Vale do Paraíba. Nossas obras iniciais foram quase todas em Paraty, em paisagens litorâneas, úmidas e de algum diálogo com a cidade histórica. A partir da Casa em Cunha, fomos também apresentados a uma perspectiva sobre o rural, seus modos de fazer, a serra e o vale, que nos conduziu a um novo repertório de pesquisa.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

L.T. – Contratação direta, a partir de uma publicação da Casa ML na antiga revista Arquitetura & Construção. A Casa ML é um projeto de uma casa leve, em madeira, suspensa do chão posicionada em uma clareira úmida e quente, no meio da Mata Atlântica e de difícil acesso, em Paraty. Propusemos, por isso, uma arquitetura montada a partir de peças leves de madeira e telhas termo-acústicas que coubessem na caminhonete do cliente. Apesar dos clientes da Casa de Cunha terem nos procurado pelo interesse na Casa ML, formalmente o resultado, a resposta, é bastante diferente. No entanto, as questões são similares entre os dois projetos: A Casa de Cunha também era de difícil acesso e também tínhamos que lidar com o fator climático, nesse caso o frio. A arquitetura, então, fez-se dos recursos do próprio terreno, sua terra, resultante da concepção de semienterrar o projeto, para melhorar a relação com o frio.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

L.T. – Como jovens arquitetos lidando com demandas, recorremos por vezes à referências externas, ou seja obras já construídas de outros arquitetos que nos interessam. Em 2017, quando iniciamos o processo de projeto, de modo quase involuntário reproduzimos uma estratégia de arranjo arquitetônico de uma residência entre duas empenas cegas. Acredito que a grande inflexão, quando a casa ganhou mais autonomia como pesquisa, ocorreu quando dissolvemos uma das empenas e expandimos a casa para a paisagem, gerando novas complexidades espaciais e relacionais. O projeto nunca foi construído até o fim, pois além da casa em si, interiorizada entre empenas de taipa em diferentes orientações, havíamos projetado duas grandes empenas de 20 metros soltas na paisagem, que conduziam um percurso até a casa, controlando eixos visuais. A casa era formada pela intervenção no morro, na escala da paisagem, tudo era casa: o acesso, o percurso, o jardim, o caminho de terra batida, a sala de estar, etc.

De modo que a grande inflexão foi deixar de projetar um objeto arquitetônico contido em si mesmo, para pensar a intervenção como um gesto na paisagem.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, pode comentar as mais importantes?

L.T. – Sim, naturalmente o projeto executivo é formado por um time, que trabalha em parceria para um resultado comum. Participamos sempre ativamente no intuito de trocar experiências e conhecimento, pois sempre aprendemos muito em cada processo. O arquiteto precisa ser uma pessoa curiosa, com vontade de aprender e reaprender, continuamente.  A troca não se restringiu aos engenheiros, mas sobretudo com o excelente mestre de obras local, Carlinhos, com o qual tivemos grandes lições. A obra foi executada sem energia elétrica e sem rede de celular e, por isso, foi nossa obra mais eficiente e bem executada.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

L.T. – O projeto executivo da Casa em Cunha nunca foi de fato entregue finalizado aos clientes antes da obra; entregamos quase tudo, mas grande parte foi “sendo entregue” durante o processo da obra, cada uma a seu tempo e com seu amadurecimento, num horizonte profissional que de modo natural buscava do próprio canteiro de obras e o contato com a cidade de Cunha, seus agentes e materialidades, a cada visita, material para informar as decisões. Foi um processo feito com bastante proximidade e cuidado, talvez no tempo certo do fazer da arquitetura.

Para as paredes de taipa de pilão, ao invés de contratar uma construtora especializada externa, conduzimos um processo de workshop formativo no canteiro de obras, que acreditamos ter um valor sobre as questões da consciência do trabalho de quem executa. Contratamos os parceiros do Materia Base, escritório carioca, para desenvolver a consultoria das taipas e a formação da equipe local. Participamos todos, inclusive os clientes, dessa formação inicial, para a montagem da primeira fôrma, os primeiros testes de traços e a primeira taipa. Foi uma experiência muito interessante, um tanto universitária, sob o ponto de vista do grupo, do aprendizado e do exercício imersivo de uma “viagem de campo”. A partir dessa formação de uma semana, a equipe local desenvolveu autonomia e executou o restante da obra praticamente sozinha, recorrendo ao Materia Base apenas em momentos mais delicados, como a taipa do volume da lareira e fogão à lenha.

A frequência das visitas à obra era na ordem de uma ou duas vezes por mês e ela durou quase dois anos para ser finalizada.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

L.T. – Projetar uma residência privada sempre nos distancia um pouco da vida da edificação, a gente projeta imaginando uma vida, mas fica na nossa imagem, sonho, do que é para ser. Profissão cruel. Tivemos o prazer de conseguir passar uma noite na casa, quando fomos fazer as fotos e filmagem com o amigo Federico Cairoli. Foi quase como viver um sonho, nesse sentido da experiência real. Não temos, como arquitetos, muitas oportunidades de habitar nossos projetos residenciais: do mais banal ato de escovar os dentes, até operar um fogão a lenha e finalmente dormir e acordar com a primeira luz da manhã. Nosso sonho para esse projeto era que ele conectasse seu habitante com a natureza e o mundo real. Para entender a vibração dos materiais verdadeiros e toda a sua transformação durante a passagem do sol. Para cozinhar em um fogão a lenha no meio da sua sala de estar.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

L.T. – Sim, apesar de gostarmos bastante o projeto, não faz sentido cair numa rotina de repetições, do ponto de vista existencial. Nossos projetos são bastante diferentes entre si, não queremos construir uma espécie de “marca”, monótona, muito pelo contrário, faz parte da nossa ciência a imaginação, e procuramos sempre buscar relações que dialoguem com cada universo de projeto, de maneira estimulante e diversa, gerando resultados específicos para cada situação espacial e temporal. Precisamos ser continuamente ativos, amadurecemos, mudamos de ideia também ao longo do percurso, reavaliamos, expandimos imaginários, estamos sempre em busca da “Ilha Desconhecida” de Saramago.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

L.T. – Difícil o papel de categorizar. Acreditamos que é necessário mais distanciamento temporal para entender algum tipo de panorama de uma produção nacional. Atualmente existem tantas expressões arquitetônicas interessantes e o país de dimensões continentais, acho que nunca teremos, ou até deveríamos ter um panorama circunscrito sobre a produção nacional, pois muita gente boa ficaria de fora; deveríamos ter certos horizontes comuns a serem perseguidos, por exemplo, nesse caso, obras ambientalmente menos poluentes, que acreditamos ter algo de significativo sendo proposto por parte da produção contemporânea brasileira, sobretudo nas novas gerações. 

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

L.T. – Somente torcer para que mais arquitetos se entusiasmem com técnicas construtivas com terra como matéria e que vejamos cada vez mais obras contemporâneas nesse sentido. Foi realmente uma porta de entrada para um universo muito fértil que cada vez mais faz sentido sobre pontos de vista técnico e cultural.


ficha técnica

Local: Cunha, SP, Brasil
Ano de início de projeto: 2017
Ano de conclusão da obra: 2019
Área do projeto: 140 m²
Arquitetura: Luís Tavares e Marinho Velloso


Estrutura madeira:
Alan Dias – Carpinteria Estruturas
Obra:
Carlinhos


Fornecedores

Madeira: Mato Dentro
Manta TPO: Soludimper


Premiações:
2024 – Projeto selecionado para o Mies Crown Hall Americas Prize 2024 – cycle 5, organizado pelo IIT – Illinois Institute Of Technology. Chicago.
2020 – Projeto selecionado para a exposição AAA – Antologia Arte Arquitetura. Galeria Fortes D’aloia & Gabriel. São Paulo.
2019 – Projeto selecionado para a exposição 12° Bienal de Arquitetura de São Paulo.
2019 – Projeto selecionado pelo comitê nacional – panorama de obras da XI Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo. Assunção, Paraguai.
2018 – Projeto selecionado para o VII Congresso de Arquitetura e Construção com Terra no Brasil -Território e trabalho: a produção da arquitetura com terra no Brasil. Rio de Janeiro.
2018 – 1° lugar categoria projeto residencial no prêmio IAB-SP 75 anos.


Fotos: Federico Cairoli
Contato: contato@arquipelago.co


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire

deseja citar esse post?

TAVARES, Luís. VELLOSO, Marino. “Casa em Cunha”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., set-2024. Disponível em: http://www.mdc.arq.br/2024/09/27/casa-em-cunha/. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Hospital Veterinário Escola da Unileão

Por Lins Arquitetos Associados
BRASIL – Projeto Executivo
5–7 minutos

projeto executivo


ANTEPROJETO
15 pranchas (pdf).
25,27mb


EXECUTIVO
23 pranchas (pdf).
26,95mb


LUMINOTÉCNICO
03 pranchas (pdf).
6,71mb


INTERIORES
145 pranchas (pdf).
76,52mb


PAISAGISMO
02 pranchas (pdf).
10,80mb


Hospital Veterinário Escola da Unileão (texto fornecido pelos autores)

O Hospital Veterinário Escola da Unileão é um equipamento pertencente ao curso de medicina veterinária do centro universitário Unileão. Ele tem como objetivo atender animais de pequeno e grande porte da região, além de capacitar os alunos através da prática das atividades, sempre sob supervisão dos professores.

Fotografias: Joana França

O equipamento funciona 24 horas por dia e conta com um grande programa contendo setores de urgência, clínicas, exames laboratoriais e de imagem, internação, centro cirúrgico e fisioterapia, tudo isso para pequenos e grandes animais, o que reflete diretamente nos fluxos e no dimensionamento do edifício. Para além da prática, ou seja, do atendimento direto aos animais, o equipamento também conta com um grande centro de ensino e pesquisa, com diversos laboratórios, salas de aula e espaços livres, onde são desenvolvidas e aprimoradas tecnologias e práticas voltadas para realidade local. É o primeiro hospital veterinário da região a ser construído.


O equipamento está localizado no sertão do Cariri, sul do estado do Ceará, Nordeste do Brasil, uma região que apresenta uma heterogeneidade cultural e social bastante diversificada. É uma das regiões de maior originalidade cultural do país, com destaque para as suas manifestações populares (festas, folclores) e seu artesanato, algo que o torna um dos principais alvos para estudos antropológicos e históricos do Nordeste.

Sua pluralidade cultural é resultado da miscigenação de diversos povos, que trouxeram consigo o artesanato, a música e a gastronomia, e conservaram manifestações da cultura popular como: produção de cordéis (literatura popular), artesanato, principalmente em madeira, couro e argila, Festas de Pau de Bandeira e várias expressões das festas juninas, além de penitências religiosas. Apesar disso, ainda é uma região bastante periférica, com baixos investimentos econômicos e uma persistente desigualdade social.

O clima local é o semiárido com altas temperaturas ao longo de todo o ano e chuvas concentradas no primeiro semestre que fazem com que a umidade relativa do ar nos últimos meses do ano seja bem baixa. O bioma local é a caatinga, que quer dizer mata branca em tupi guarani, e é o único bioma exclusivamente brasileiro. Sua vegetação é adaptada à escassez de água (presente no segundo semestre), perdendo suas folhas e evitando assim a perda de água. Ventos sopram geralmente de leste e sudeste ao longo do ano.

O local escolhido para abrigar as atividades do hospital está localizado dentro do campus Lagoa Seca, do centro universitário Unileão, uma zona de fácil acesso e ainda pouco adensada. Possui o campus totalmente aberto à população. Junto ao campus da UFCA – Universidade Federal do Cariri – , ao campus do IFCE – Instituto Federal do Ceará – , além de alguns colégios, todos bastante próximos, o Hospital integra o principal polo educacional da cidade.

Planta Pavimento Térreo, Pavimento Superior, Cobertura e Composição Formal do Hospital

Já o terreno propriamente dito possui um desnível de 7 metros ao longo de 150 metros de comprimento, gerando uma inclinação de aproximadamente 5% nesta dimensão. Tem um formato trapezoidal, onde a base maior (voltada a leste) possui 136,00m, a base menor (voltada a oeste) possui 102,00m, o lado voltado a norte com 150m e o lado voltado a sul com 130,00m. Sua área total, portanto, é de 15.206,17m².

Corte Perspectivado e Cortes A, B, C, D e E

O edifício parte da premissa de proporcionar muito conforto e bem-estar aos usuários, sejam eles animais ou pessoas. Para isso tivemos que adaptar o edifício ao clima existente, utilizar vegetação nativa ou adaptada ao lugar, além de valorizar a cultura, os materiais e a mão-de-obra da própria região, para que haja um fomento da economia local e o equipamento seja um combustível para a valorização do lugar.

Apresentação Elemento Vazado

A busca por uma fluidez espacial, com espaços dinâmicos, planos curvos e inclinados, busca uma maior associação com a natureza e o ambiente natural dos animais, facilitando o seu bem-estar e a sua adaptação, evitando desconfortos.

Quando se trata de equipamentos de saúde, o conceito de humanizar espaços é bem difundido, com pesquisa indicando a importância do espaço para a recuperação dos pacientes. Pois bem, este mesmo conceito foi utilizado também neste equipamento, só que agora também para os animais. “Humanizar animais” talvez seja um pouco inadequado, mas proporcionar o mesmo conforto que damos para nós, a eles, já é uma necessidade. Neste espaço, temos o mesmo tratamento, somos todos animais.

A ideia principal foi a concepção de uma grande coberta solta da edificação, proporcionando muita sombra para as atividades que acontecem logo abaixo. Essa coberta, em telhas metálicas e translúcidas, é sustentada por treliças metálicas curvas, como se fossem ondas, com interrupções estrategicamente posicionadas para permitir a renovação do ar e consequentemente a saída do ar quente.

As telhas translúcidas garantem o aproveitamento da luz natural. A grande sombra protege não só os edifícios abaixo como também todos os espaços livres entre eles, incluindo jardins, circulações, áreas de convivência, piquetes, ambulatório e recepção.

As atividades do hospital foram distribuídas em seis blocos (retangulares ou trapezoidais) afastados entre si, gerando espaços entre eles e permitindo a livre ventilação cruzada. Esses espaços são repletos de jardins que trazem umidade, gerando um microclima agradável e contribuindo para a regulação da temperatura, principalmente na época seca. O fechamento desses edifícios é feito em esquadrias de alumínio branco e vidro, moduladas, em faixas verticais e desencontradas, ora nascendo do topo, ora do piso, tornando as fachadas mais dinâmicas e captando a iluminação necessária para cada ambiente interno.

Uma grande proteção solar, de sete metros de altura, feita com tijolos cerâmicos maciços desencontrados, filtra a luz do sol intensa na região e protege o interior do edifício. Seu formato ondulado traz mais estabilidade para o elemento e dialoga com as curvas da coberta. Além da proteção solar na fachada poente, serve também de separação entre o setor público e privado do equipamento.


ficha técnica

Local: Juazeiro do Norte, CE, Brasil
Ano de início da obra: 2019
Ano de conclusão do projeto: 2023
Área do projeto: 5.236,85 m²
Arquitetura, interiores e paisagismo: Lins Arquitetos Associados – Cintia Lins e George Lins
Colaboradores: Gabriela Brasileiro, Joyce de Deus, Alessandra Braga, Armênia Araújo, Alice Teles, Mayara Rocha, Lia Lopes, Samuel Melo, Camila Tavares, Caroline Braga, Cristiellen Rodrigues, Thais Menescal e Paula Thiers


Construção:
Ampla Engenharia
Instalações: Ampla Engenharia
Estrutura: Tiago Ivo
Cobertura: Vão Livre


Fotos: Joana França
Contato: contato@linsarquitetos.com.br

Premiação:
Obra do ano Archdaily Brasil – 2024


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire

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LINS, Cintia. LINS, George. “Hospital Veterinário Escola da Unileão”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n.,ago-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/08/29/hospital-veterinario-escola-da-unileao/. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Edifício Casa Pico

Por SPBR Arquitetos
BRASIL – Projeto Executivo
5–7 minutos

projeto executivo


EXECUTIVO COMPLETO
99 formatos (pdf).
14,40mb


Edifício Casa Pico (texto fornecido pelos autores)

Tradução: Equipe MDC

Introdução / Agradecimentos

O estudo preciso realizado anteriormente por Nicola Baserga e Christian Mozzetti, além de fornecer informações básicas sobre as regulamentações de uso do solo em Lugano, nos deu uma direção confiável para o nosso conceito de projeto. Eles nos proporcionaram uma boa base para a nossa proposta e, devido ao trabalho deles, o projeto já estava avançado antes mesmo de começar.

Fotografia: Nelson Kon

Geometria

O polígono irregular que define o terreno tem sete lados e abrange cerca de 1.000m². Os recuos definem um polígono interno (com uma curva em um dos cantos) que corresponde a uma área de 330m², na qual foi possível construir 3m acima do nível do solo.

Planta – Pavimento Térreo


No entanto, dentro dessa figura interna, só podíamos ter 230m² por andar, considerando a altura máxima permitida (seis andares) e o programa do edifício. A geometria das lajes possui dois centros, funcionando como dois núcleos de atividades. Nos três primeiros andares, corresponde a um pequeno apartamento em cada um, e nos três andares superiores, corresponde a dois programas diferentes em um grande apartamento.

Maquetes do edifício

Estrutura

O design da estrutura segue esses dois núcleos.
Cada núcleo é sustentado por uma parede de concreto em formato de “T” que suporta cargas verticais e horizontais. A parede em “T” está associada a duas colunas para cargas verticais. Ambos os núcleos estão estruturalmente combinados com seus “T”s dispostos perpendicularmente para suportar esforços horizontais em ambas as direções. Uma solitária coluna extra fina, colocada no extremo norte, libera a geometria da laje para configurar áreas onde isso não seria possível.

Plantas-tipo: A e B, respectivamente

Essa disposição dos elementos verticais dispensa a necessidade de vigas nas lajes. Portanto, o plano da laje não tem uma direção claramente legível, como geralmente ocorre com uma estrutura com vigas. Como resultado, uma vez dentro do edifício, a geometria rigorosa das paredes e colunas não pode ser facilmente compreendida. Como se, uma vez construído, o edifício renunciasse à sua essência para ser fragmentado, retornando à geometria circundante e à paisagem.

Fotografias: Nelson Kon

Fachadas

Cada fachada é composta por um plano opaco, feito com painéis de madeira, ou um plano transparente, feito com painéis de vidro. O plano opaco sempre encontra um plano transparente. Como resultado, do interior, a vista sempre tem uma abertura para o exterior. Por outro lado, do exterior, o volume do edifício parece não ter sólidos, apenas planos.

Fotografias: Nelson Kon

Nível Térreo

O nível do solo é uma passagem aberta. Especificamente para aqueles que têm o edifício como destino, o nível do solo compartilha dois programas diferentes: habitação e escritório.

Fotografias: Nelson Kon

O espaço do escritório está ligeiramente afundado no meio do jardim. Como resultado, sua altura é menor do que aquela que normalmente associamos a uma construção habitada, e não se pode perceber imediatamente sua função. Além disso, ele foi cuidadosamente colocado ao lado do caminho e protegido pelas duas paredes estruturais de concreto armado. Dessa forma, ele combina duas características contrastantes: por um lado, é bastante discreto; por outro, traz vitalidade a um canto periférico do terreno.

Planta – Pavimento Térreo

Neste nível, o programa de habitação é apenas anunciado por um pequeno prisma abstrato, o hall do elevador, cujo tamanho e característica foram cuidadosamente calibrados para não predominar nesse espaço.

Hall de entrada.
Fotografia: Nelson Kon

Nem casa nem escritório, a predominância no nível do solo é um espaço aberto. Embora cercado por jardins, o solo aqui é completamente construído.

Subsolo

Existem dois andares subterrâneos: a garagem e o depósito.

Cortes A, B e C, respectivamente

A garagem ocupa toda a área disponível, cerca de 650m², e é rasa o suficiente para nos permitir manter uma parede de contenção histórica, e sua função, na rua Pico. Este andar é totalmente iluminado e ventilado naturalmente, e o acesso é proporcionado por uma rampa suave, até para padrões de caminhada. Como resultado, a ambiência deste espaço é percebida como se estivesse na superfície e não em um típico subsolo.

Fotografias: Nelson Kon

O depósito, de 250m², tem um perímetro interno inscrito no andar anterior. O recuo das bordas evita o uso de ambas paredes de contenção de altura dupla e escavação nas fronteiras.

Baixo consumo de energia

Todos os painéis de fachada foram projetados seguindo parâmetros definidos por nosso consultor para alcançar o melhor desempenho energético. O painel de madeira externo é ventilado e montado em uma estrutura que contém camadas sucessivas de isolamento térmico, barreira de vapor e um painel interno de drywall. O vidro possui painéis triplos em molduras de alumínio. As fachadas envidraçadas voltadas para sul e oeste são sombreadas por uma persiana de alumínio retrátil.

Fotografia: Nelson Kon

Ventilação controlada:
As perdas térmicas são drasticamente reduzidas devido a um sistema mecânico de ventilação controlada, independente em cada apartamento.

Sistema geotérmico:
Mais uma estratégia adotada para reduzir drasticamente o consumo de energia para aquecimento e resfriamento é o sistema geotérmico. Quatro sondas geotérmicas descem 225m em loops verticais.

Todos esses aspectos visam a construção de baixo consumo de energia e permitem alcançar o padrão suíço de consumo de energia, o Minergie.

Fotografias: Nelson Kon


ficha técnica

Local: Lugano, Suíça
Ano de início de projeto: 2008
Ano de conclusão da obra: 2013
Área do terreno: 992 m²
Área do projeto: 2661 m²
Arquitetura: SPBR Arquitetos (Angelo Bucci, autor principal; Tatiana Ozzetti, Ciro Miguel, Eric Ennser, Giovanni Meirelles de Faria, João Paulo Meirelles de Faria, Juliana Braga, Nilton Suenaga, Fernanda Cavallaro, Joaquin Corvalan e Victor Próspero) Baserga Mozzetti Architetti (Nicola Baserga, Christian Mozzetti, Marilena Quadranti e Thea Delorenzi)


Estrutura:
Ingegneri Pedrazzini Guidotti (Andrea Pedrazzini, Eugenio Pedrazzini, Roberto Guidotti, Karin Lehmann e Ladislao Ricci)
Fachadas:
Feroplan Engineering (Marc Bischoff)
Física da construção: Physarch (Mirko Galli)
Instalações prediais: Studio Tecnico Ferreti (Idalgo Ferreti); Crivelli; Aircond; ACR
Energiebohr
Elétrica: Elettronorma (Daniele Ruess, Daniele Baruffaldi), Etavis (Mauro Marzini)
Proteção contra incêndios: Studio Tecnico Geo Viviani
Impermeabilização: Visetti Isolazioni
Iluminação: Reka (Ricardo Heder); Tulux
Construção: Pedrazzini Construzioni (Luigi Pedrazzini e Alan Del Giorgio)

Fornecedores

Fachadas / Vidro e metálica: Generalmast (Giuseppe Turati)
Fachadas / Madeira: Bissig Gebr Holzbau GmbH (Martin Bissig)
Marcenaria: Veragouth (Oliver Moggi); Cavaleri Mobili (Peter Schrämmli)
Serralheria: Officine Cameroni (Paolo Tosi); Symecom (Gianni Summo)
Piso / Granilite: Tonella Loris
Vidros: Glasvetia (Samuele Perone)


Fotos: Nelson Kon
Contato: spbr@spbr.arq.br


galeria


colaboração editorial

Renan Maia

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BUCCI, Angelo et al. “Edifício Casa Pico”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jun-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/06/17/edificio-casa-pico. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Clínica de Odontologia

Por MMBB Arquitetos: Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga
BRASIL – Projeto Executivo
1–2 minutos

projeto executivo


PARTE 01:
PLANTAS, ELEVAÇÕES E CORTES
6 pranchas (pdf).
0,64mb


PARTE 02:
PAGINAÇÃO E DETALHES

7 pranchas (pdf).
1,08mb


Clínica de Odontologia (texto fornecido pelos autores)

Esse edifício, construído em Orlândia, SP, abriga duas atividades profissionais: odontopediatria e prótese odontológica, respectivamente clínica e laboratório.

Fotografia: Nelson Kon

A implantação do edifício obedece ao gabarito de altura das casas vizinhas e alinha-se nas frentes do terreno para as ruas. Isso dá independência para a construção, de feição diversa da vizinhança e, ao mesmo tempo, configura a quadra, unidade marcante da malha ortogonal de ruas e avenidas da cidade projetada.

Fotografia: Nelson Kon

O térreo foi “duplicado” por desníveis suaves em relação à rua – 1.25 m – que conduzem aos dois patamares que abrigam, distintamente, clínica e laboratório.

Modelo Físico

As áreas destinadas ao público – clínica – ficam no “térreo superior”. Os fechamentos de vidro oferecem uma perspectiva da rua que faz parte da memória das pessoas acostumadas à cota alta dos assoalhos sobre porões das primeiras casas da cidade. Do outro lado, da cidade, a transparência dos vidros expõe sem segredos as atividades de clínica e laboratório como parte da rotina das pessoas.

Plantas Andar Inferior, Planta Andar Superior e Cortes

Desta disposição espacial do programa decorreu a simplicidade construtiva do edifício, cujos poucos e marcantes elementos definem sua expressão arquitetônica.

Fotografia: Nelson Kon


ficha técnica

Local: Orlândia, SP
Ano de projeto: 1998
Ano de conclusão: 2000
Área do terreno: 250 m²
Área do projeto: 182 m²
Arquitetura: MMBB Arquitetos (Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga)
Colaboradores: Keila Costa e Sandra Llovet Vilà


Clientes: João Gomes Pereira Filho e Mariana M. Rodrigues Pereira
Estruturas:
Ibsen Pulleo Uvo
Construtor:
Jean Carlos dos Santos


Fotos: Nelson Kon
Contato: mmbb@mmbb.com.br


galeria


colaboração editorial

Ana Júlia Freire

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BRAGA, Milton. BUCCI, Angelo. FRANCO, Fernando de Mello. MOREIRA, Marta. “Clínica de Odontologia”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n.,jun.-2024. Disponível em mdc.arq.br/2024/06/17/clinica-de-odontologia/. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Clínica de Psicologia

Por Angelo Bucci
BRASIL – Projeto Executivo
1–2 minutos

projeto executivo


EXECUTIVO COMPLETO
15 pranchas (pdf).
1,71mb


Clínica de Psicologia (texto fornecido pelos autores)

A obra tem como finalidade acolher as atividades clínicas e de estudo de dois psicólogos em Orlândia, uma pequena cidade no interior do Estado de São Paulo.

Fotografia: Nelson Kon

Dois consultórios no andar superior, biblioteca e sala de estudos no andar inferior, juntos, formam os principais elementos do programa. Os demais itens de apoio foram dispostos ao longo da galeria de circulação com fechamento de madeira – livre de vidros como um terraço – que é o elemento estruturador do conjunto.

Fotografia: Nelson Kon

A idéia desse projeto é ocupar-se do que está entre a rua e o interior do edifício. A implantação dos andares em meio nível em relação a rua, a escada externa, a ponte de acesso, a galeria com circulação contínua até o nível inferior, o pátio rebaixado e a rampa fazem a transição entre a rua e os consultórios, abrigados dentro das paredes de pedra.

Fotografia: Nelson Kon

A construção foi organizada em quatro etapas básicas de trabalho: estrutura de concreto armado, paredes de pedra, painéis de madeira e vidros temperados.

Os materiais de acabamento são a expressão direta desses quatro elementos: concreto armado, grandes blocos de pedra da região, madeira de reflorestamento tratada e vidros livres de marcos.

Planta Térreo + Primeiro Pavimento + Corte Transversal e Longitudinal


ficha técnica

Local: Orlândia, SP
Ano de projeto: 1995
Ano de conclusão: 1998
Área do terreno: 300 m²
Área do projeto: 180 m²
Arquitetura: Angelo Bucci

Cliente: Luciano Bonfante
Estruturas:
Engenheiro Fábio Oyamada
Construção:
Paulo Balugoli


Fotos: Nelson Kon


galeria


colaboração editorial

Isabela Gomide

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BUCCI, Angelo. “Clínica de Psicologia”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., jun-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/06/17/clinica-de-psicologia. Acesso em: [incluir data do acesso].


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Estúdio Madalena

Por Apiacás Arquitetos
BRASIL – Projeto Executivo
10–16 minutos

estudo preliminar


ESTUDO PRELIMINAR


9 pranchas (pdf).
3,91mb


projeto executivo


PARTE 1:
DIAGRAMA DE ÁREAS + PLANTAS E CORTES

13 formatos (pdf).
2,27mb


PARTE 2:
MURO DE ARRIMO + ESCADA DE CONCRETO

7 pranchas (pdf).
517kb


PARTE 3:
CAIXILHOS + GUARDA-CORPOS + GRADIS

17 pranchas (pdf).
1,01mb


PARTE 4:
ESCADAS METÁLICAS

26 pranchas (pdf).
3,23mb


PARTE 5:
HIDRÁULICA E ELÉTRICA

14 pranchas (pdf).
1,19mb


Estúdio Madalena (texto fornecido pelos autores)

A intenção principal do projeto foi criar uma praça no térreo, conformada pela extensão do passeio público e preservando a vista para a paisagem existente: em um primeiro plano, composta por casas de até dois andares, e, ao fundo, prédios altos marcando a ocupação característica do bairro de Pinheiros. Tirando proveito da topografia original do terreno, essa praça-belvedere reafirma a vocação do bairro da Vila Madalena como “possuidora/provedora” de diversas situações de promenade, capazes de surpreender os pedestres que por ali circulam.

Fotografia: Leonardo Finotti

O programa que nos foi exigido pelo cliente contemplava dois programas completamente distintos: um espaço destinado à moradia e outro ao trabalho. Como não havia uma predefinição desses espaços, tivemos a oportunidade de nos apropriar do terreno em sua capacidade máxima permitida pela legislação. Portanto, o edifício se desenvolve em dois volumes independentes para baixo e para cima da praça, cada qual com funções totalmente distintas, e mantendo a cota da rua desimpedida, livre de quaisquer obstáculos.

Implantação metropolitana, Implantação local e Plantas por nível de projeto.

O terreno originalmente apresentava uma declividade acentuada e, a fim de permitir a integração de seu térreo com o passeio público, foi proposto um embasamento construído que reconfigura a topografia. Por estar abaixo do nível da rua, pode se ocupar o máximo da largura (perímetro) do lote, respeitando os recuos necessários. Esse embasamento se organiza em dois espaços em um mesmo nível, interligados por pátios que acompanham o desnível do terreno.

A circulação vertical está estrategicamente instalada em uma das laterais da edificação: um elemento capaz de transitar entre duas situações opostas sem obstruir o vazio externo ou os espaços construídos internamente. Suspenso por pilotis, o segundo volume é composto por dois pavimentos com plantas livres – característica comum a todo o projeto – provendo flexibilidade na apropriação pelos espaços aos usuários.

Fotografias: Leonardo Finotti e Cortes longitudinais e transversais

A construção teve o orçamento disponível como premissa principal. Para tanto, seguiu-se o método construtivo de uma obra anterior do escritório no mesmo bairro: o Bar Mundial foi construído em estrutura metálica e painéis de concreto pré-fabricados, o que acelerou o tempo de execução da obra. Esse sistema de pré-fabricação com elementos de concreto foi desenvolvido pelo escritório com o intuito de subverter o uso de um material largamente empregado no Brasil. Frequentemente utilizados para a concretagem de lajes maciças, os painéis são aqui utilizados na vedação do edifício, em duplas que dão forma a paredes ocas executadas em tiras de 25 cm de largura com altura variável.

Fotografias: Lauro Rocha

O embasamento foi feito em estrutura convencional de concreto, tornando-se um muro pré-condicionado a desempenhar a função de consolidação do terreno. Foram intercalados painéis de concreto maciço e painéis ocos, prevalecendo a primeira opção em situações de contato com o solo e nas lajes que conformam a praça de acesso.

O volume suspenso é estruturado em vigas e pilares metálicos, que conferem leveza em sua execução. O sistema de painéis ocos é utilizado não somente nas vedações, mas também desempenha a função de laje em virtude de sua enorme capacidade de resistência mecânica – a laje foi pensada como uma sequência de vigas treliças com banzos (superior e inferior) em concreto e em ferro na sua armação interna. A construção desse volume suspenso foi feita, portanto, com maior rapidez, já que não havia a necessidade de concretar o miolo da laje. Esse aspecto reduz a carga na estrutura metálica e o custo final da obra.

A princípio um limitante para este projeto, a condição orçamentária acabou nos motivando a investigações de novas alternativas construtivas. Seu êxito consiste na execução de um espaço que não exigiu grande investimento e sem desperdício de materiais.

Fotografias: Leonardo Finotti


Estúdio Madalena (Texto publicado no Catálogo de Prêmio de Arquitetura 2015 Instituto Tomie Ohtake Akzonobel), por Abílio Guerra

Opressiva, São Paulo é uma cidade sem profundidade ao rés-do-chão. O adensamento das construções sequestra a percepção sensorial da geografia da cidade, encastelada sobre morros. A movimentação intensa do território se apresenta de quando em quando ao olhar que se volta para o ponto de fuga do arruamento. Contudo, a visão frontal desobstruída é mais rara, caso do MASP na Avenida Paulista.

O Estúdio Madalena – projeto de Anderson Freitas, Acácia Furuya e Pedro Barros, do Apiacás Arquitetos, e localizado em rua e bairro homônimos ao seu nome de batismo – assemelha-se ao projeto de Lina Bo Bardi em sua estratégia de implantação. O que seria o térreo da edificação é uma extensão da calçada pública, que se transforma em recinto aberto e desobstruído, quase uma praça que se volta para a paisagem. O chão deste espaço é a parte superior da prótese incrustada no talude do terreno em queda, e que abriga o uso residencial na parte baixa do terreno. O volume suspenso, destinado a espaços de trabalho, se desenvolve em dois andares, que se equilibram sobre quatro pilares esguios de metal. Tal como no MASP – mas neste caso, devido à escala modesta do projeto, apenas com escadas sobrepostas –, a circulação vertical se dá lateralmente, com pouca interferência no térreo.

Devido às restrições econômicas do empreendimento, os arquitetos baratearam o custo e aumentaram os benefícios com o uso de materiais industrializados disponíveis no mercado, a edificação da maior área construída possível (500 m2 em um terreno de 250 m2) e a rápida execução da obra. Painéis pré-fabricados de concreto – corriqueiramente usados como formas de concretagem, adaptados aqui à condição de paredes e lajes – se articulam a uma estrutura metálica ortogonal, solução simples e barata para a parte suspensa do projeto. Os mesmos painéis e estrutura metálica são usados no embasamento, mas agora apoiados em estrutura convencional de concreto, que faz o contato direto com o solo.

A escala reduzida e o aporte restrito de recursos não inibem sua qualidade exemplar. Além de contemplar de forma adequada o programa de uso e o baixo orçamento, o projeto tem como principal atributo sua gentileza urbana. Não apenas moradores ou usuários dos seus espaços, mas todos aqueles que passam diante do Estúdio Madalena são agraciados com a maravilhosa vista que se descortina de forma surpreendente. Diante desta fresta urbana, o homem da cidade pode mirar a cidade – este grande artifício humano – como se fosse a paisagem natural.


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por Anderson Freitas (A.F.)

MDC – Como você contextualiza essa obra no conjunto de toda a sua produção?

A.F. – Penso que esta obra resulta de experimentações construtivas que vínhamos buscando a partir de uma certa inquietude em relação aos métodos tradicionais de construção. Não estamos com isso afirmando que esta obra é resultado de uma pesquisa tecnológica avançada, mas, simplesmente, de pensar a construção se valendo de elementos existentes no mercado, de certa forma subvertendo sua utilização convencional com intenção primeira da materialidade que nos interessava e consequentemente resultasse numa obra ágil e econômica. Olhando para o conjunto, a nossa maneira de ver, sob o aspecto da espacialidade, acreditamos que ele mantém a postura que sempre tivemos em relação a todos os projetos que desenvolvemos em nosso escritório, ou seja, nunca submetemos a qualidade espacial que desejamos em detrimento de um sistema construtivo escolhido.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

A.F. – Este projeto foi resultado de um outro projeto já em fase de obra, de escala semelhante, no mesmo bairro da zona oeste de São Paulo, o bar Mundial. O cliente, que ainda não era, viu a obra e gostou muito do projeto, do sistema construtivo (similar ao do Estúdio Madalena). Enfim, ele acabou nos contratando para fazer o dele também. Quando estávamos iniciando o projeto descobrimos que ele já tinha um outro projeto já aprovado na prefeitura, mas desistiu de executar quando viu nossa obra.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Você destacaria algum momento significativo do processo?

A.F. – Como partimos de uma solicitação do cliente em relação ao programa, que desejava um lugar onde ele pudesse trabalhar e viver, essa questão nos provocou a pensar o projeto de forma pouco convencional em relação às conexões entre ambientes, digo em relação à necessidade de fazê-los conectados por espaços fechados, ou protegidos. Creio que essa condição foi fundamental para pensarmos o projeto com certa liberdade para sua volumetria: poder tirar partido desse jogo, de maneira a criar espaços de permanência abertos, como pequenas praças e, nesse sentido, poder estabelecer uma relação mais forte com o entorno. Daí a ideia do programa bi-partido com parte da volumetria fechada redesenhando o chão e outra elevada para liberar a visão da paisagem para quem caminha pela rua.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa do autor? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, pode comentar as mais importantes?

A.F. – Houve uma certa luta com o engenheiro de estruturas que insistia em fazer os pilares metálicos muito pesados, aumentados em relação à real necessidade de carga que ele receberia, já que desenvolvemos especificamente para esta obra, não somente as paredes mas também as lajes ocas, fazendo o piso, ao invés de ser em concreto maciço, funcionar como um conjunto de vigotas com os banzos em concreto unidos pela ferragem de armação. Uma vez que o convencemos a partir do cálculo de cada laje comparada a uma laje maciça, ele aceitou. Porém, voltou com outro problema, dizendo que os esforços de vento fariam essa estrutura, que trabalha como uma mesa, com quatro pernas, deformar etc. Aí contra argumentei que a caixa de escada metálica, anexada ao volume suspenso, atuaria como um arco botante e naturalmente iria funcionar como um travamento suficiente para este problema, já que estaria toda contraventada. Enfim, depois de muitas idas e vindas o engenheiro acabou por aceitar os argumentos. Penso que se tivéssemos cedido aos questionamentos esse projeto não teria a mesma expressividade.

MDC – O autor do projeto teve participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

A.F. – Tivemos total participação no processo de construção, já que fomos os responsáveis pela obra. Temos convicção que essa condição nos devolve a possibilidade de experimentarmos métodos e sistemas construtivos não convencionais que em outra situação não poderíamos.

Outra questão interessante que se desdobrou em nossa atuação profissional por conta de assumirmos a administração e gerenciamento dessas obras é que acabamos por nos ver “forçados” a consolidar uma empresa voltada para essa operação, que inicialmente se misturava ao Apiacás Arquitetos. Agora se trata de outra empresa, dos mesmos sócios, chamada Aimberê Construções. O interessante é que a equipe de arquitetos que trabalha conosco acaba por vivenciar experiências no campo do projeto e também no canteiro de obra. E isso faz diferença pois a autonomia das decisões acaba sendo nossa, que é um pouco limitante quando essa responsabilidade não está em suas decisões, problema recorrente no Brasil quando se pensa a questão do arquiteto no canteiro de obras.

MDC – Você destacaria algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

A.F. – Este projeto era de fato para ser utilizado pelo cliente que contratou a obra, mas ele acabou recebendo uma oferta tentadora de aluguel do estúdio assim que ficou pronto. Como ele tinha outros imóveis no mesmo bairro, ele acabou alugando e não ocupou a nova edificação. Ficamos receosos se daria certo para o novo inquilino, uma empresa de publicidade, se eles manteriam o vazio etc, mas no fim preservaram (o que achamos importante), mas, infelizmente, acabaram por fazer um fechamento em relação à rua, abrindo somente quando fazem eventos. De certa maneira achamos que tudo bem, faz parte da vida rsrs.

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, faria algo diferente?

A.F. – Olha, penso que o tempo pode mudar sua maneira de pensar em relação às coisas, então não posso afirmar que faria igual, exatamente igual. Acho que talvez não seja essa a questão. Talvez a questão seja se você se arrepende de um determinado projeto, se entende que errou em tomar aquela decisão. Nesse sentido, posso afirmar que não, pois quanto mais o tempo passa, mais gosto deste projeto, mesmo não podendo afirmar se faria a mesma solução hoje.

MDC – Como você contextualiza essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

A.F. – Penso que ela se encaixa no contexto onde há busca por facilitação do processo construtivo, para evitar desperdícios, que representa leveza para soluções estruturais e consequentemente econômicas. O fato de termos colaborado com o Lelé (João Filgueiras Lima) em alguns projetos inevitavelmente plantou essa semente. Isso do ponto de vista da construção. Do ponto de vista da espacialidade, ela se enquadra nessa constante luta por desenhar a cidade de maneira mais gentil, onde cada oportunidade, não importando se vem de uma demanda pública ou privada, é um motivo para desenhar essa cidade que desejamos. Lembro sempre daquilo que o arquiteto e professor Abrahão Sanovicz sentenciava aos seus alunos dizendo – “façam obras com gentileza urbana!

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostaria de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores? Agradecemos imensamente a sua contribuição.

A.F. – Sim, penso que pelo fato de estarmos muito envolvidos com obras, acabamos inevitavelmente sendo contaminados constantemente pela questão do orçamento previsto, para evitar que o custo saia do controle. Creio que essa demanda surja pra gente antes do estudo. Mas não penso nisso como um problema, mas sim como uma contribuição para aumentar nosso senso de responsabilidade para o projeto, que neste sentido extrapola a questão espacial, mas não a torna menos importante, apenas uma luta constante para manter o equilíbrio.

Eu que agradeço. Ficamos muito honrados com o convite.


ficha técnica

Local: Vila Madalena, São Paulo- SP, Brasil
Ano de projeto: 2014
Ano de conclusão: 2014
Área do terreno: 500 m²
Área construída: 250 m²
Autores: Anderson Freitas, Acácia Furuya e Pedro Barros
Colaboradores: Bárbara Francelin, Marcelo Otsuka, Daniela Andrade, Maria Wolf, Ana Julia Chiozza, Leonor Vaz Pinto, Felipe Zorlini, Adriana Domingues, Matheus D’Almeida, Gabriela de Moura Campos, Lorran Siqueira, Vitor Costa, Francisco Veloso, Renato Kannebley e Accácio Mello


Projeto estrutural:
CCT Engenharia
Projeto de fundação:
VWF Fundações



Fotos: Lauro Rocha e Leonardo Finotti


galeria


colaboração editorial

Isabela Gomide

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FREITAS, Anderson. FURUYA, Acácia. BARROS, Pedro. “Estúdio Madalena”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., mai-2024. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2024/05/08/estudio-madalena. Acesso em: [incluir data do acesso].


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