Casa Comiteco

Por BIRI
BRASIL – Projeto Executivo
7–10 minutos

projeto executivo


PARTE 1:
PLANTAS, CORTES E ELEVAÇÕES

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PARTE 2:
PLANTA ELÉTRICA, CONCRETAGEM, MARMORITE E CONTRAPISO

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PARTE 3:
DETALHAMENTOS

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Casa Comiteco (texto fornecido pelos autores)

O projeto consiste em uma residência para um jovem casal de arquitetos e uma sala comercial para aulas e reuniões relacionadas ao tema do vinho, em uma única edificação que atende de forma independente cada uso com certo grau de indeterminação espacial para flexibilização de diversos usos futuros.

Croqui: Marcos Franchini / Fotografia: Lucas Cancela

Importante notar que há a possibilidade de integração dos espaços, e também ampliação da residência para um terceiro pavimento, sendo assim, a edificação pode se transformar ao longo do tempo e das necessidades dos proprietários.

Pavimento Superior e Inferior, respectivamente / Fotografias: Gabriel Castro REVERBO

Pavimento Superior, Pavimento Inferior, Paisagismo, Isométrica e Corte Perspectivado

O lote se encontra em uma esquina com acentuada inclinação além de possuir legislação específica de altimetria e adensamento devido a proximidade com o Conjunto Paisagístico da Serra do Curral e Pico Belo Horizonte, área de preservação ambiental tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no ano de 1960. O entorno, infelizmente, apresenta uma maioria de projetos com amnésias topográficas em que há pouca ou nenhuma relação com o terreno natural.

Fotografias: Gabriel Castro REVERBO e Lucas Cancela, respectivamente

As premissas adotadas pelos arquitetos promovem espaços amplos e integrados com aberturas para visadas predominantes, estando a edificação em um dos pontos mais altos da cidade.

Fotografia: Gabriel Castro REVERBO

Faz-se necessário a utilização de beirais, pérgulas e brises para proteger a fachada Noroeste, que tem grande incidência solar mas que, ao mesmo tempo, possui uma vista definitiva para a contemplação da paisagem urbana.

Croqui: Marcos Franchini / Fotografia: Gabriel Castro REVERBO


Sobre o projeto: Entrevista exclusiva para MDC.

por BIRI (Nattalia Bom Conselho e Marcos Franchini)


MDC – Como vocês contextualizam essa obra no conjunto de toda a sua produção?

BIRI – Iniciado em 2016, o projeto Casa Comiteco foi o primeiro projeto que desenvolvemos juntos. A partir dela, começamos a compartilhar projetos em parceria, que tinham abordagens e estratégias similares. Como moramos nesta obra, é também uma reflexão contínua na interação, ocupação e intervenção do seu espaço físico desde que nos mudamos para cá.

MDC – Como foi o mecanismo de contratação do projeto?

BIRI – Esta obra foi um projeto que desenvolvemos para usufruto próprio, não houve um contrato formal apesar de terem sido necessários todos os protocolos indispensáveis junto às instâncias de aprovação para emissão do alvará de construção (Prefeitura Municipal, Secretaria de Meio Ambiente, IPHAN e Diretoria Municipal de Patrimônio Cultural) bem como emissão de Registro de Responsabilidade Técnica junto ao CAU-MG.

MDC – Como foi a fase de concepção do projeto? Houve grandes inflexões conceituais? Vocês destacariam algum momento significativo do processo?

BIRI – Em razão da conjuntura deste projeto, a concepção do mesmo foi feita nos “horários livres”, em que não estávamos trabalhando para os respectivos clientes e escritórios que colaborávamos na época. Além disso, a demanda era que houvesse uma sala de degustação de vinhos no primeiro pavimento, solicitação feita por um dos nossos familiares. Então, o processo como um todo foi projetado e discutido com os familiares, incluindo mais pessoas ao longo das decisões. Também levamos algumas questões para amigos (arquitetos e entusiastas) opinarem, e às vezes surgiam ideias que testávamos em projeto.

A ideia inicial consistia em dois blocos distintos (um para a casa e outro para a sala de degustação). No entanto, acatamos uma sugestão de um amigo arquiteto mais experiente (Saul Vilela) que nos orientou a pensar em apenas um bloco, de maneira a economizar em contenções e também para privilegiar a vista para a cidade. Assim, estabelecemos a implantação final da casa.

MDC – Nas etapas de desenvolvimento executivo e elaboração de projetos de engenharia houve participação ativa dos autores? Houve variações de projeto decorrentes da interlocução com esses outros atores que modificaram as soluções originais? Se sim, poderiam comentar as mais importantes?

BIRI – Sim, os engenheiros que desenvolveram os projetos complementares (fundações, contenções, estrutural, elétrico e hidrossanitário) tiveram um acompanhamento intenso de todas as etapas por nós inclusive no canteiro de obras. Nos enviavam os projetos, e nós compatibilizávamos com o arquitetônico, sugerindo revisões, ou dando o ok nas etapas.

O projeto elétrico, especialmente, foi um desafio por parte do projetista, visto que à época não era muito comum instalações elétricas aparentes, sendo importante a modelagem tridimensional do projeto, que tem suas instalações e acabamentos expostos conformando uma montagem, para entender o caminho dos eletrodutos e perfilados, validando os mesmos, propondo soluções alternativas ou solicitando revisões. Outra decisão que impactou de forma positiva foi a escolha das amarrações dos blocos no prumo, que foi escolhida no canteiro de obras e só foi possível porque, desde o início, o projeto foi desenhado respeitando a coordenação modular do sistema construtivo escolhido.

Os engenheiros responsáveis pelo cálculo estrutural foram os mesmos que executaram a obra, o que otimizou bastante decisões in loco.

MDC – Os autores do projeto tiveram participação no processo de construção/implementação da obra? Se sim, quais os momentos decisivos dessa participação?

BIRI – Apesar de termos contratado uma empreiteira parceira, todos os dias estávamos no canteiro de obras, checando os distintos processos e projetos, questionando eventuais erros e apontando soluções (processos comuns em obras). O fato de estarmos diariamente em obra e sermos os responsáveis pelas decisões de ação facilitou todas as dinâmicas e etapas, pois conseguimos apontar soluções rapidamente sem atrasar o processo de execução. Ao todo, foram 10 meses de execução com um hiato de quase 2 meses, que foi necessário para aguardar a entrega de perfis para execução das esquadrias, que ficaram bloqueadas no estado de São Paulo, diante uma paralisação de caminhoneiros autônomos com extensão nacional.

MDC – Vocês destacariam algum fato relevante da vida do edifício/espaço livre após a sua construção?

BIRI – Em 2020, com a pandemia e o início do nosso trabalho em home office bem como a docência online, ajustamos o layout da sala de degustações para receber nossos equipamentos. No projeto arquitetônico do segundo pavimento foi previsto que, quando tivéssemos um filho, faríamos um pequeno quarto para ele, diminuindo nossa sala de tv/jantar. Isso aconteceu em 2022, 4 anos após a casa ter sido construída. Na sala de degustação, houve uma demanda de aumento de espaço para locação de mesas, portanto retiramos a varanda interna que existia originalmente, e aumentamos o espaço de sala. Ambas foram obras rápidas, de 2 a 3 dias de montagem.

Agora, estamos em processo de aprovar junto à PBH e IPHAN uma expansão para mais um pavimento, que contará com dois quartos, um banheiro e uma grande varanda lateral, para nos acomodar confortavelmente. Essa obra, provavelmente, ocorrerá esse ano (2025).

MDC – Se esse mesmo problema de projeto chegasse hoje a suas mãos, fariam algo diferente?

BIRI – Teríamos aprovado a expansão em todos os órgãos, desde o início, pois é um processo demorado e cansativo para se passar duas vezes.

Atualmente, também pensaríamos mais sobre a utilização do bloco de concreto aparente pelo fato de não ser bom isolante térmico/acústico e estarmos em um ponto alto, portanto mais frio, da cidade. Voltando no tempo, consideraríamos uma alternativa como a injeção de EPS reduzindo a transferência de calor, ou uma estratégia similar. A expansão dos quartos considera uma obra em estrutura metálica de rápida montagem e com comportamento térmico diferente.

MDC – Como vocês contextualizam essa obra no panorama da arquitetura contemporânea do seu país?

BIRI – Acreditamos que uma construção pode transmitir e estabelecer relações complexas, desde seu diálogo com o entorno e a cidade, seus processos construtivos, materialidade e uso em si. Diferentemente de edifícios monofuncionais, o projeto da Casa Comiteco abarca uma sobreposição programática e respeita o terreno natural em contraste com uma paisagem vizinha padronizada que ignora a topografia existente, a insolação e a ventilação predominantes. Ao contrário, a obra em questão potencializa o contexto para tomada de decisões e das estratégias de projeto (acessos, implantação de níveis, orientação dos panos de vidro, dispositivos de sombreamento etc). Ao incorporar elementos disponíveis no mercado, os chamados componentes de prateleira, com liberdade e criatividade (do uso de infraestrutura aparente à instalação de shed para potencializar ventilação natural passiva) a obra evidencia que o contraste pode, também, ser agradável e aconchegante.

MDC – Há algo relativo ao projeto e ao processo que gostariam de acrescentar e que não foi contemplado pelas perguntas anteriores?

BIRI – A entrada da casa no piso superior com a pérgula que conforma uma promenade de acesso à varanda foi uma homenagem, em certo grau, a um projeto do Veveco (Álvaro Hardy) em Itacoatiara, RJ, em que nos hospedamos algumas vezes a convite de um amigo nosso. Além de enquadrar para a vista para a cidade de Belo Horizonte, que é a essência das decisões principais de abertura e implantação do edifício, conforma um acesso não óbvio ou direto, conferindo também maior privacidade.


ficha técnica

Local: Belo Horizonte, MG
Ano de projeto: 2015
Período de construção: setembro 2017 – julho 2018
Ano de conclusão da obra: 2018
Área bruta construída: 204 m²
Arquitetura: BIRI: Marcos Franchini e Nattalia Bom Conselho
Colaboração: Amanda Castilho, Gabriel Nardelli, João Pedro Facury e Tiago Nogueira


Consultoria em Desempenho e Conforto Ambiental:
Vert (Luciana Carvalho)
Paisagismo: Felipe Fontes
Projetos Complementares: Guepardo ltda.
Projeto Luminotécnico: Zenaide Aparecida (Othon de Carvalho)
Estrutura e Execução: N Engenharia
Construção: N Engenharia (Fernanda Capelão)


Fotos: Lucas Cancela, Maria Luiza Tavares, REVERBO (Gabriel Castro)
Contato: contato@biri.arq.br


Premiações:
Menção Honrosa XVII Premiação de Arquitetura IAB-MG Pampulha Patrimônio
de Todos | Categoria: Projeto – Habitação Unifamiliar (Dezembro 2015)


galeria


colaboração editorial

Renan Maia

deseja citar esse post?

BOM CONSELHO, Nattalia. FRANCHINI, Marcos. “Casa Comiteco”. MDC: Mínimo Denominador Comum, Belo Horizonte, s.n., fev-2025. Disponível em http://www.mdc.arq.br/2025/02/23/casa-comiteco. Acesso em: [incluir data do acesso].


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