Disciplina ou (in)disciplina: eis a questão

Fernando Luiz Lara

Há algumas semanas atrás me foi perguntado (por uma importante editora de arquitetura no Brasil) qual seria a raiz de uma visível diferença qualitativa entre a arquitetura que se faz hoje na Argentina e no Chile e aquela que se executa no Brasil. A dificuldade de responder a esta questão e a leitura do texto de Danilo Macedo sobre “deixar de pensar no estilo” me fizeram voltar a este texto que comecei a escrever cinco anos atrás e que retomo agora como forma de elaborar menos uma resposta e mais uma série de outras perguntas que nos ajudem a entender esta diferença. Depois de termos indubitavelmente a melhor arquitetura das Américas nos anos 40 e 50, parecemos condenados a erguer edifícios apressados e simplistas enquanto nossos vizinhos do sul esbanjam elegância e apuros nos detalhes.

Acho que a descrição acima é exagerada e talvez até injusta dado que o pouco que vemos pelas revistas impressas ou eletrônicas representa o melhor do melhor dos edifícios do cone sul enquanto passamos nossos dias em apartamentos, shopping centers e edifícios corporativos cuja lógica é a da maximização do lucro em detrimento da qualidade dos espaços. Mas onde há fumaça há fogo e apesar de termos uma economia muitas vezes maior que nossos hermanos, é inegável que a cultura arquitetônica média de portenhos, rosarinos e santiaguinos é bem maior que a nossa.

Para indicar um caminho que nos leve a possíveis respostas acredito que uma das principais diferenças seja a forma como arquitetos brasileiros tratam a própria disciplina (com desconfiança) em contraponto ao apuro com que argentinos e chilenos se dedicam ao nosso campo de conhecimento. Segundo Macedo1, brasileiros seriam avessos a padrões normativos, seríamos basicamente indisciplinados por natureza.

É certo que a arquitetura assistiu no final do século XX ao nascimento da sociedade da informação a um incremento significativo do corpo de sua própria disciplina. As transformações socio-econômicas decorrentes induziram a formação de um campo do conhecimento que passa a coexistir com a porção aplicada (ou prática) da arquitetura. Tal disciplina na verdade já vinha se materializando desde o início do século passado, com o advento do Movimento Moderno e seu desafio epistemológico de conciliar o subjetivismo da criação artística com um embasamento empírico-científico. Quando examinamos nossa genial Arquitetura Moderna Brasileira vemos exatamente este equilíbrio entre embasamento disciplinar e liberdade de criação.

Jean Nicolas Louis Durand, Elements of Building, 1823.Na verdade, a academia francesa de Beaux-Art já buscava, em meados do século XIX, uma ordenação do método projetivo que seria efetivamente alcançada com a formatação do processo compositivo a partir do parti. Em outro jogo de palavras, o nascimento da arquitetura como disciplina e campo específico do conhecimento (Laugier, Ledoux e Boulee) decorre da necessidade de se disciplinar (no sentido mesmo de controlar) a prática de projetação do espaço construído. Ocorre que esta disciplina Beaux-Art foi sendo progressivamente relaxada até se tornar o jogo vazio de ornamentação denunciado por Adolf Loos.

Disciplinada por excelência, a Bauhaus consolida, no inicio do século XX, várias das experimentações da vanguarda artística e arquitetônica num projeto pedagógico rigoroso que marca a mudança de uma prática semi-sublime para uma prática disciplinada. Esta disciplina ou método deveria criar (como efetivamente ocorreu) uma arquitetura nova para os novos clientes e seus novos programas, usando novos materiais e diferente dos estilos tradicionais. No programa da Bauhaus, é como se a intuição fosse preparada por um conhecimento prévio e bem estruturado.

No entanto, segundo nos lembra Carlos E. Comas2, o processo de projeto modernista, herança da Bauhaus, era ainda baseado em dois postulados que se excluem mutualmente: o funcionalismo e o gênio criador. Enquanto o funcionalismo (ou a novidade dos novos processos) imperou como discurso hegemônico, o subjetivismo da criação artística pode atuar com relativa liberdade, principalmente porque o funcionalismo que dava à prática da arquitetura o necessário embasamento empírico científico, encobrindo uma praxis muito menos enrijecida que seu discurso. Era como se o discursos funcionalista e racionalista protegessem e legitimassem o arquiteto que continuava operando com graus variados de subjetividade. Neste sentido a obra de nosso mestre maior, Oscar Niemeyer, é absolutamente exemplar.

Mas bastou o discurso funcional/racionalista entrar em crise nos anos 60 para o processo inteiro revelar suas contradições. Podemos perceber que os que discursavam sobre a arquitetura estavam até muito mais entusiasmados com a idéia funcional-racionalista pelo suporte pseudo-científico que esta narrativa emprestava à arquitetura enquanto os que faziam arquitetura continuavam a exercitar suas liberdades criativas nas brechas (e sob as barbas) deste mesmo discurso funcional-racionalista.

Posteriormente o descontentamento com um número enorme de edificações do pós-guerra que escondiam sua mediocridade atrás deste mesmo discurso funcional/racionalista levou os arquitetos de destaque a, num primeiro momento, rever este discurso enfatizando a necessidade de incremento do potencial expressivo/significativo gerando as idéias tardo-modernas de Louis Kahn, Team X, estruturalismo holandês, Kenzo Tange e de novo Oscar Niemeyer que podia enfim celebrar sua exuberância formal sem precisar justificar que a curva sensual era o menor caminho entre dois pilares. Nikolaus Pevsner, em 1961, já percebia a Pampulha como uma das rupturas fundamentais entre o discurso e a prática modernista.

O que se percebe no caso brasileiro (tanto nas escolas quanto nos escritórios) a partir dos anos 70 é o abandono gradual e por fim total de qualquer organização disciplinar, restando apenas o mito da criatividade e a idéia nociva de que em arquitetura “vale tudo”. Eu mesmo nunca vou me esquecer de um professor que no final dos anos 80 me deu um 100 em projeto mas não me ensinou nada, repetindo ad nauseum que meu projeto era bacana e que só de olhar meus desenhos ele já sabia que tudo “batia legal”. Pergunto-me quantos desses ainda não existem por aí enquanto na Argentina e no Chile é muito comum ser reprovado em bancas de projeto.

Neste ponto de crise ou inflexão algumas respostas parecem surgir para nortear o debate ou a possível busca de soluções. Um livro publicado em 2001 pelos professores Norte-americanos Julia Robinson e Andrew Piotrowski chamado, não coincidentemente The Discipline of Architecture, levanta várias questões pertinentes à autonomia da disciplina da arquitetura. Logo na introdução os editores destacam que o aumento exponencial da interdisciplinariedade ocorrido a partir das últimas 3 décadas do século XX, a ponto de se tornar a vedete do pensamento contemporâneo, exige uma melhor definição da arquitetura como disciplina, para justamente poder se colocar frente a esta interdisciplinariedade.3

Em outro texto interessante desta coletânea, Thomas Fisher (diretor da escola de arquitetura de Minessota e ex-editor da saudosa Progressive Architecture) chama atenção justamente para a arquitetura como uma profissão que vem sendo ameaçada pela diminuição de seu papel social. Como possíveis saídas desta crise, Fisher coloca, além da óbvia urgência de enfatizar o papel social da arquitetura (1), a necessidade de constituir a base do conhecimento da disciplina (2), de articular os valores e as habilidades específicas (3) e de incentivar a participação de um grupo mais diverso de pessoas (4).

Dentre estas quatro recomendações principais, escolho a segunda e a terceira como objeto de análise. Refletindo sobre a base do conhecimento da arquitetura, percebo que se por um lado a disciplina da arquitetura toma emprestado de outras áreas do conhecimento seus paradigmas e suas metodologias, por outro lado adia indefinidamente a formação de um corpo central de teorias e métodos, ficando apenas com o corpo periférico de teorias auxiliares e seus resultados quase sempre frustrantes. Aqui sou eu quem toma emprestado de Imre Lakatos suas idéias sobre a substituição de paradigmas na construção do conhecimento4. Segundo este autor, seriam por demais simplificadas tanto a idéia de Karl Popper segundo o qual as teorias seriam descartadas assim que surgissem fatos que desafiassem suas premissas, como também a idéia de Thomas Kuhn segundo o qual este processo se daria em grandes blocos de revoluções da ciência. Lakatos tenta demonstrar que na verdade os proponentes ou defensores de uma teoria qualquer estabelecem com o passar do tempo um cinturão protetor (protective belt) de paradigmas secundários em torno do cerne da teoria e seus paradigmas principais. Desta maneira cada vez que um fato novo põe em xeque tal teoria os paradigmas secundários seriam atingidos podendo ser descartados ou modificados mas protegendo a razão de ser principal da formulação teórica em questão.

Minha proposta para discussão é que no Brasil em particular operaríamos de forma muito parecida com a metáfora de Lakatos, com o instrumental da disciplina no papel de núcleo central e os discursos explicativos e/ou as interações com outros campos do conhecimento fazendo o papel de cinturão protetor. Toda vez que a arquitetura é atacada ou se mostra em crise, trocamos de discurso (de funcionalista para estruturalista para metabolista para contextualista para deconstrutivista) e tentamos assim preservar, na melhor das hipóteses, os procedimentos de um fazer arquitetônico que na verdade já chega perto dos 85 anos tendo sido reformulado pela última vez na Bauhaus em 1919. Danilo Matoso5 demonstra que essa variação estilística esconde na verdade um processo de projeto esvaziado e basicamente irresponsável.

Quando comparo o que escuto de colegas argentinos ou chilenos com o discurso comum das escolas brasileiras vejo que os vizinhos estão sempre muito preocupados com o cerne do conhecimento arquitetônico: a materialidade, investigações tectônicas, a transformação de idéias em espaços. Tudo isso reforçado pelo rigor de um desenho organizado e disciplinado. É importante notar que a base de comparação é injusta uma vez que os estrangeiros convidados a participar de bancas aqui em Michigan onde ensino são profissionais já consagrados enquanto que minha experiência brasileira passa por todo tipo de escola e colegas dos mais variados graus de preparo e/ou talento. Mas importa deixar claro a todos os alunos brasileiros que a genialidade de um croqui só se transforma em genialidade espacial depois de intensamente trabalhada pelo desenho e pelo entendimento da materialidade, e que programas de visualização digital não substituem o conhecimento técnico da tecnologia da construção.

A necessidade paradoxal de conciliar uma base científica (que deveria fazer o papel de objetividade) com uma ação criativa (que deveria ser a porção subjetiva), me parece ser a questão central, o questionamento permanente deste núcleo duro de teorias, métodos e valores, que atenderia ao desejo de uma cientificidade (ainda que parcial), deixando os arquitetos livres para interpretarem criativa e subjetivamente cada problema diante deles colocado. É isso que vejo de forma mais equilibrada nas melhores escolas de arquitetura.

Voltando ao problema pelas palavras de Donald Schon,

se damos prioridade às regras, fica difícil explicar como acontecem as novas idéias. Se damos prioridade à intuição, às percepções e aos julgamentos subjetivos, fica difícil explicar como projetistas constróem repertórios de conhecimentos largamente utilizáveis. Projeto arquitetônico seria então uma prática híbrida em que a solução de problemas necessária para a construção de edifícios funcionais se sobrepõe e interage com o desenvolvimento de obras de arte arquitetônicas.6

Eu não tenho dúvidas de que a dedicação e o rigor projetual ensinado nas escolas argentinas e chilenas fazem toda a diferença, propiciando uma prática arquitetônica mais consciente, edifícios mais elaborados e uma cultura arquitetônica mais sólida.

Em resumo o que percebo é a necessidade de se investir antes na autonomia da arquitetura como prática e campo do conhecimento, disciplinando-a, e disciplinando a nós mesmos. Só uma disciplina forte pode contribuir para a tão celebrada interdisciplinaridade. E só um processo de projeto disciplinado e consciente de seus detalhes, custos e pertinência de soluções pode gerar uma arquitetura melhor, independente de clientes iluminados ou orçamentos generosos.


notas

1 MACEDO, 2009.

2 COMAS, 1986.

3 PIOTROWSKI & ROBINSON, 2001

4 LAKATOS, 1978

5 MACEDO, 2009.

6 SCHON, 1988.

referências bibliográficas:

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COMAS, Carlos Eduardo Dias, Projeto Arquitetônico – disciplina em crise, disciplina em renovação, São Paulo: Projeto, 1986.

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Fernando Luiz Lara
Arquiteto pela UFMG e PhD em arquitetura pela University of Michigan, onde é atualmente professor de projeto e teoria do projeto.  Entre diversos artigos em revistas e periódicos especializados destacam-se os livros Projetar – desafios e consquistas da pesquisa e do ensino de projeto, Rio de Janeiro: EVC, 2003 (co-editado por Sonia Marques) e The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: University of Florida Press, 2008. Fernando Lara também mantém ativa sua prática de arquitetura através do Studio Toró (www.studiotoro.org) e sua crítica semanal no blog parede de meia (www.parededemeia.blogspot.com).

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Sobre Danilo Matoso

Arquiteto e Urbanista Brasília - DF
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5 respostas para Disciplina ou (in)disciplina: eis a questão

  1. Volta e meia estamos debatendo esse assunto no curso aqui da Feevale. Penso, particularmente, que os anos de regime militar também fizeram muito mal para a educação visual do brasileiro (sem falar na educação como instituição e valor), muito mais do que para o resto de nossos vizinhos do cone sul.

    Texto devidamente repassado e twitado. Parabéns!

  2. Como sempre, muito perspicaz. Apenas apontaria que a estrutura dos paradigmas secundários está presente em todo o discurso tardo-modernista (ou pós-pós-modernista? ou seja lá como chamaremos os desvarios da arquitetura contemporânea), talvez por influência do deconstrutivismo — mas, neste último caso, o cerne é assumidamente vazio… Uma perspectiva desoladora para a credibilidade do discurso arquitetônico contemporâneo.

  3. Fernando Lara disse:

    Concordo Pedro, é desolador mesmo.

  4. Caro Fernando: concordo inteiramente com você. Como é que ficamos adorando as vacas da interdisciplinaridade e da “hibridação”, sem nem sabermos ao certo quem somos?
    O ensino de arquitetura no Brasil é o terreno do deslumbramento, porém sob o manto de um realismo jeca.
    Um procedimento que poderia jogar luz nesses fungos, é o programa que vc mencionou, de transparência e divulgação dos trabalhos acadêmicos. Vou mais longe: enquanto o professor continuar agindo como um “consultor de projetos”, escondido no “atendimento individual”, as grandes questões sucitadas nos trabalhos vão continuar contribuindo pouco para as escolas. Essas questões são o verdadeiro oxigênio do ensino, tendo grandes consequencias sobre a profissão.
    Na minha prática de professor, eliminei esse procedimento há décadas: toda discussão é coletiva, e o ato de tirar os desenhos da prancheta e colar nas paredes, é uma sutileza que faz toda a diferença.

  5. sergio hespanha disse:

    tema interessante com Fernando Lara discorrendo com desenvoltura.
    para ser breve escolho ser discordante.
    mas também serei superficial. me falta estudar mais o assunto e estou, no momento, ocupado nisso.
    mas, digo o seguinte.

    uma disciplina se faz mais diante das outras do que diante de suas alternativas ‘internas’. isso muda muito a discussão. e estamos longe disso. porque não se faz aquilo que não se vê a necessidade de se fazer.

    acho que só depois de definido o seu escopo, o suficiente, é que as questões quase exclusivamente (nenhuma é) internas à disciplina se colocam. então, propriamente.

    entre outras muitas coisas, aí, certa contradição (recorrente) entre ‘rigor científico’ e ‘liberdade criativa’, me parece uma falsa questão.
    ou seja, ela não nos leva muito longe. a arquitetura usa o conhecimento científico, não é ciência, transita pela formulação artística, mas só é arte a despeito da vontade de seu criador (ele então não opera esta qualidade ‘diretamente’).

    finalizo dizendo: sempre que ouço alguém falar de subjetividade (tanto como quando de interdisciplinaridade) ponho a mão no coldre.

    são palavras-curingas que não têm aplicabilidade.
    se digo subjetividade, já objetivo a danada, que me escapa.
    interdisciplinaridade não se diz, tampouco. basta estar vivo e com os sentidos e o pensamento ativos que ela ocorre. de graça (opa, nem tanto).

    mas só quando e se ‘a aplicamos’ (na verdade, o conhecimento, não a interqualquercoisa) numa única disciplina. aplicações e métodos (que as tornam – aplicações – possíveis) são inexoravelmente disciplinares. ou não são nada. curingas são simulacros.

    mas, claro, as disciplinas não permanecem sempre as mesmas. inclusive, criamos novas.

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