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	<title>mdc . revista de arquitetura e urbanismo &#187; Ensaio e pesquisa</title>
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		<title>Architettura Contemporanea : Brasile &#8211; arquitetura brasileira entre 1957 e 2007</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 01:59:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo Matoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Renato Luiz Sobral Anelli]]></category>
		<category><![CDATA[Série Panoramas da Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Architettura Contemporanea Brasile]]></category>
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		<description><![CDATA[Renato Luiz Sobral Anelli O desafio de escrever um livro abrangendo 50 anos de arquitetura no Brasil foi proposto a mim pelo professor Giovanni Leoni, curador da coleção Architettura Contemporanea da editora italiana Motta Architettura [1]. Até então as pesquisas desenvolvidas por mim se concentravam em recortes temáticos que passavam por trajetórias (como as de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=6686&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><img class="alignnone size-full wp-image-5917" style="border:0 none;" title="Ver os textos da série" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/serie-panoramas1.jpg?w=207&amp;h=19" alt="" width="207" height="19" /></a></p>
<p style="text-align:right;">Renato Luiz Sobral Anelli</p>
<p><span id="more-6686"></span></p>
<p style="text-align:right;"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-6689" style="border:0 none;" title="e4d7c8d8ca81_capa_anelli" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/e4d7c8d8ca81_capa_anelli.jpg?w=150&#038;h=126" alt="" width="150" height="126" /></p>
<div>
<p style="text-align:justify;">O desafio de escrever um livro abrangendo 50 anos de arquitetura no Brasil foi proposto a mim pelo professor Giovanni Leoni, curador da coleção <em>Architettura Contemporanea</em> da editora italiana Motta Architettura <a id="_ftnref1_01" href="#_ftn1_01">[1]</a>. Até então as pesquisas desenvolvidas por mim se concentravam em recortes temáticos que passavam por trajetórias (como as de Rino Levi e Lina Bo Bardi) ou temas bem definidos, mas pouco explorados anteriormente, tais como arquitetura de cinemas, as relações entre as arquiteturas modernas brasileira e italiana e o papel das redes de infraestrutura nas concepções urbanísticas durante o regime militar. O convite de Leoni foi entendido como uma oportunidade para refletir sobre as novas possibilidades de interpretação da produção arquitetônica no Brasil, abertas pelas pesquisas históricas desenvolvidas nas últimas duas décadas por vários pesquisadores brasileiros e estrangeiros.</p>
<p style="text-align:justify;">O formato pré-definido dos livros da coleção – introdução e seleção de 60 obras, apresentadas através de uma foto, um desenho e um texto analítico – condicionou o caráter e abrangência da linha de argumentação, conferindo uma grande responsabilidade na escolha das obras. A produção de um livro para público estrangeiro foi outro fator relevante, pois constitui uma forma de apresentação do país que exige cuidados específicos.</p>
<p style="text-align:justify;">O recorte temporal de 1957 a 2007 foi a primeira decisão: iniciar com os projetos de Brasília, e não posteriores a ela, permitiu construir um painel daquilo que era contemporâneo à construção da nova capital. Assim, foi mostrado que várias das principais correntes que caracterizariam a produção brasileira nas décadas seguintes já estavam presentes no momento de afirmação da hegemonia moderna. Apesar de Brasília significar o ápice do projeto cultural iniciado com a Semana de Arte Moderna de 1922 e desenvolvido por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer na arquitetura, a produção brasileira que lhe era contemporânea não se esgotava nele, e tal diversidade teria grande projeção após 1960.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/1_sergio-bernardes_pavilhao-de-sao-cristovao_planta-ret/" rel="attachment wp-att-6931"><img class="alignnone size-full wp-image-6931" style="border:0 none;" title="1 – Pavilhão de São Cristóvão, Sergio Bernardes. Rio de Janeiro, RJ, 1957." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/09/1_sergio-bernardes_pavilhc3a3o-de-sc3a3o-cristc3b3vc3a3o_planta-ret.jpg?w=700&#038;h=539" alt="" width="700" height="539" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Datam de 1957 alguns projetos de qualidade excepcional: o Pavilhão de São Cristóvão de Sergio Bernardes, com sua estrutura de cabos tensionados, o Ginásio do Clube Paulistano de Paulo Mendes da Rocha e João De Gennaro, com a estrutura da cobertura apoiada nos vértices de pilares trapezoidais de concreto armado, a sede do MASP na Avenida Paulista (concluída apenas em 1968) com seu gigantesco vão e as fachadas transparentes. Três exemplos de novos caminhos que se abriam para a arquitetura brasileira no mesmo ano do concurso de Brasília.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/2-clube-atletico-paulistano-paulo-mendes-da-rocha-e-joao-de-gennaro-sao-paulo-1957-1961/" rel="attachment wp-att-6717"><img class="alignnone size-full wp-image-6717" style="border:0 none;" title="2 - Clube Atlético Paulistano, Paulo Mendes da Rocha e João De Gennaro. São Paulo, SP, 1957-1961." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/2-clube-atlc3a9tico-paulistano-paulo-mendes-da-rocha-e-joc3a3o-de-gennaro-sc3a3o-paulo-1957-19611.jpg?w=700&#038;h=114" alt="" width="700" height="114" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">A definição de “contemporâneo” adotada não pretende contrapô-lo a um “moderno” já esgotado ou ultrapassado. Por contemporâneo entende-se apenas um recorte temporal ao longo do qual se pode verificar construções, disputas, críticas, renovações entre várias posições definidas historicamente.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse aspecto, o trabalho se difere de outros que têm objetivos semelhantes pelos problemas de método que enfrenta. A noção de trama historiográfica, desenvolvida por Paul Veyne em seu famoso livro de 1970, já foi utilizada por vários historiadores na revisão da historiografia da arquitetura moderna brasileira. Entre eles destaca-se o trabalho do professor Carlos Martins (1988), que apresentou a história da arquitetura brasileira como a construção de uma trama historiográfica iniciada por Lúcio Costa, aprimorada nos livros de Goodwin, Mindlin e Bruand e conduzida de modo a afirmar a hegemonia da produção derivada de suas próprias proposições. A revisão dessa historiografia, iniciada na década de 1980, teve diversos agentes, cada qual adotando métodos específicos. Em comum encontramos a ampliação do campo historiográfico em várias direções e a definição de encadeamentos formando novas tramas narrativas.</p>
<p style="text-align:justify;">As diferenças dentro desse novo campo são tão evidentes que seria inadequado tratá-las como um bloco ou um movimento. Da crítica produzida nas revistas – incrivelmente férteis na década de 1980 – às pesquisas acadêmicas desenvolvidas nas universidades, realiza-se o “escrutínio” da arquitetura moderna brasileira, lúcida proposta de Carlos Comas em um momento em que o moderno se apresentava internacionalmente como já superado pelo pós-modernismo. A tensão entre moderno e pós-moderno é algo constitutivo do período e marca de modo indelével as posições teóricas tanto quanto a redemocratização do país e o esvaziamento do estado nacional nas décadas de 1980 e 1990.</p>
<p style="text-align:justify;">A distância de mais de vinte anos do início da construção de uma nova história da arquitetura brasileira exigiu que ela fosse tratada no livro como um objeto constitutivo da arquitetura contemporânea no Brasil. Não são apresentadas apenas as obras selecionadas, procura-se discutir as tramas construídas nesse período que tornam tais exemplos relevantes até os nossos dias.</p>
<p style="text-align:justify;">O cuidado tomado nesse exame foi o de evitar entender essa multiplicidade de posições como linhas construídas de modo independente ou arbitrário ao longo do tempo. Risco inerente ao próprio método da história constituída por tramas narrativas que se contrapôs aos grandes sistemas explicativos que fundamentavam a historiografia moderna até então hegemônica.</p>
<p style="text-align:justify;">A opção foi procurar identificar como o campo disciplinar da arquitetura se transformou e se posicionou na dinâmica histórica do país ao longo desses 50 anos. Um período caracterizado por fortes marcas políticas, tais como uma ruptura institucional do regime democrático que perdurou por mais de 20 anos; a coincidência entre redemocratização e crise econômica que levou à desmontagem do estado nacional em um processo que combina o fortalecimento da sociedade civil com a emergência do neoliberalismo; e por fim um terceiro período, no qual ocorre a retomada do desenvolvimento do país após décadas de estagnação econômica. Esses três momentos não formam períodos estanques, mas se entrelaçam de modo articulado através de continuidades e transformações.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/3-masp-%e2%80%93-museu-de-arte-de-sao-paulo-lina-bo-bardi-sao-paulo-19571968/" rel="attachment wp-att-6718"><img class="alignnone size-full wp-image-6718" style="border:0 none;" title="3 - MASP – Museu de Arte de São Paulo, Lina Bo Bardi. São Paulo, SP, 1957-1968." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/3-masp-e28093-museu-de-arte-de-sc3a3o-paulo-lina-bo-bardi-sc3a3o-paulo-195719681.jpg?w=700&#038;h=436" alt="" width="700" height="436" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro período se inicia com o concurso de Brasília, momento de afirmação do moderno como parte constitutiva do desenvolvimentismo e segue até meados da década de 1970 quando o crescimento acelerado do país se encerrou. São analisadas tanto as rupturas produzidas pelo golpe militar, quanto as continuidades ocorridas devido ao caráter desenvolvimentista dos anos de ditadura.</p>
<p style="text-align:justify;">A emergência das teorias do subdesenvolvimento e da dependência no final da década de 1950 redefiniu o projeto modernista iniciado em 1922. De uma posição de conquista da hegemonia da representação da identidade nacional, a cultura moderna se estendeu para o popular, buscando aí as possibilidades de ação política de transformação social.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos anos de Guerra Fria, uma nova posição arquitetônica de esquerda se afirmou a partir de São Paulo. Atuando no mesmo Partido Comunista Brasileiro que Niemeyer, Vilanova Artigas iniciou a década de 1950 criticando politicamente Le Corbusier e Walter Gropius. Na discussão sobre a obra de Niemeyer, Artigas defendia a retomada dos compromissos sociais iniciais das vanguardas modernas e se torna o líder de uma escola arquitetônica, cujos principais discípulos, Paulo Mendes da Rocha, Joaquim Guedes e Sergio Ferro, elaboraram diferentes caminhos para arquitetura contemporânea.</p>
<p style="text-align:justify;">O aprofundamento dessa radicalização política do período pode ser acompanhada pelas trajetórias de Sergio Ferro e Lina Bo Bardi, que propõem um maior engajamento dos arquitetos na transformação social do país. Ferro o fez a partir do enfoque produtivo, utilizando-se dos métodos da economia política marxista. Lina Bo Bardi através da cultura popular e da atuação nos campos da arte, arquitetura e design.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/5a-casa-bernardo-issler-sergio-ferro-cotiasp-1961-63/" rel="attachment wp-att-6741"><img class="size-medium wp-image-6741 alignright" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="5a - Casa Bernardo Issler, Sérgio Ferro. Cotia, SP, 1961-1963." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/5a-casa-bernardo-issler-sc3a9rgio-ferro-cotiasp-1961-631.jpg?w=300&#038;h=133" alt="" width="300" height="133" /></a>O livro destaca ainda a contemporaneidade entre a construção de Brasília e o fenômeno de metropolização paulistana. Enquanto a região central consolidava seu caráter sofisticado de metrópole cosmopolita, a rápida expansão das áreas urbanizadas através de loteamentos precários para abrigar os imigrantes pobres, revelava a face perversa da industrialização brasileira. Evitou-se entender São Paulo dentro de uma perspectiva isolada do processo nacional, pois foi nesta cidade que se manifestaram por primeiro essas novas características do processo de industrialização do país – intenso crescimento demográfico para suprir a indústria com mão de obra de baixo custo abrigada pela produção informal da cidade. Um novo quadro urbano e social que motivou as diretrizes propostas pelos arquitetos para enfrentar o processo de urbanização acelerada, reunidas no Seminário Nacional de Habitação e Reforma Urbana – planejamento urbano e industrialização da construção.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/4-residencia-dalton-toledo-joaquim-guedes-e-liliana-guedes-piracicabasp-1960-62/" rel="attachment wp-att-6740"><img class="size-medium wp-image-6740 alignnone" style="border:0 none;" title="4 - Residência Dalton Toledo, Joaquim Guedes e Liliana Guedes. Piracicaba, SP, 1960-1962" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/4-residc3aancia-dalton-toledo-joaquim-guedes-e-liliana-guedes-piracicabasp-1960-622.jpg?w=300&#038;h=148" alt="" width="300" height="148" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/5b-casa-boris-fausto-sergio-ferro-sao-paulo-1961-65/" rel="attachment wp-att-6744"><img class="alignnone size-medium wp-image-6744" style="border:0 none;" title="5b - Casa Boris Fausto, Sérgio Ferro. São Paulo, SP 1961-1965." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/5b-casa-boris-fausto-sc3a9rgio-ferro-sc3a3o-paulo-1961-651.jpg?w=300&#038;h=114" alt="" width="300" height="114" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Entende-se que foi a pertinência dessas formulações que levaram à sua absorção pelo regime militar (apesar de destituídas dos instrumentos contrários aos princípios conservadores do regime) em instituições, como o BNH e o SERFHAU, abrindo espaço para a participação de um grande contingente de arquitetos na atuação do estado, mesmo após a repressão do golpe e do endurecimento do AI5. Tanto na introdução quanto na seleção de obras presentes no livro, são destacados os projetos inseridos na atuação dessas duas instituições: habitação social, pré-fabricação, infra-estrutura urbana são as áreas nas quais a arquitetura elabora proposições inovadoras ainda que distantes da demanda social do país.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/6-conjunto-zezinho-magalhc3a3es-prado-vilanova-artigas-paulo-mendes-da-rocha-fabio-penteado-guarulhos-sp-19671.jpg"><img class="size-medium wp-image-6720 alignnone" style="border:0 none;margin-left:15px;margin-right:15px;" title="6 - Conjunto Zezinho Magalhães Prado, Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha, Fabio Penteado, Guarulhos SP, 1967." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/6-conjunto-zezinho-magalhc3a3es-prado-vilanova-artigas-paulo-mendes-da-rocha-fabio-penteado-guarulhos-sp-19671.jpg?w=300&#038;h=145" alt="" width="300" height="145" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Para a política habitacional foram selecionados três grandes conjuntos que apresentam diferentes concepções de processos construtivos e forma urbana. O Zezinho Magalhães em Guarulhos (Artigas com Paulo Mendes da Rocha e Fábio Penteado, 1967), com sua malha urbana geométrica e uma adaptação do princípio de unidade de vizinhança; o Padre Manoel da Nóbrega em Campinas (Joaquim Guedes, 1974), com os blocos agrupados de modo sinuoso formando espaços de vivência diferenciados; e o conjunto de Cafundá no Rio de Janeiro, nos quais os blocos articulados apresentam clara continuidade para configurar ruas externas arborizadas e dotadas de equipamentos de serviços (Sergio Magalhães e equipe, 1977). Uma seqüência que demonstra a progressiva assimilação de paradigmas urbanísticos disseminados pelo Team X em contraposição aos da Carta de Atenas.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/7-conjunto-habitacional-cafunda-sergio-magalhaes-e-equipe-rio-de-janeiro-19771982/" rel="attachment wp-att-6721"><img class="size-medium wp-image-6721 alignnone" style="border:0 none;" title="7 - Conjunto Habitacional Cafundá, Sergio Magalhães e equipe. Rio de Janeiro, RJ, 1977-1982." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/7-conjunto-habitacional-cafundc3a1-sergio-magalhc3a3es-e-equipe-rio-de-janeiro-197719821.jpg?w=300&#038;h=238" alt="" width="300" height="238" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Para o papel estratégico da infra-estrutura urbana, foram escolhidos projetos de reurbanização e equipamentos públicos associados à rede do Metrô de São Paulo, tais como o conjunto intermodal da Estação de Metrô Tietê (Marcelo Fragelli, 1968) e Rodoviária Tietê (Roberto Mac Fadden e Renato Viegas, 1982), o projeto de reurbanização junto à Estação Conceição (Emurb, Promon, Itaúplan, 1974-1986) e o Centro Cultural São Paulo na área de reurbanização da Estação São Joaquim do Metrô (Eurico Prado Lopes e Luis Telles, 1974-1977). Três grandes intervenções associadas ao sistema de transporte de massas que introduziram novas abordagens para a arquitetura brasileira, tornando-a mais complexa e urbana.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/8-complexo-intermodal-tiete-estacao-de-metro-marcelo-fragelli-1968-e-terminal-rodoviario-roberto-macfaden-e-renato-viegas-hiroservice-rodrigo-lefevre-projeto-fin/" rel="attachment wp-att-6722"><img class="alignnone size-full wp-image-6722" style="border:0 none;" title="8 - Complexo Intermodal Tietê - Estação de Metrô, Marcelo Fragelli, 1968 e Terminal Rodoviário, Roberto Macfaden e Renato Viegas (Hiroservice/ Rodrigo Lefevre projeto final) 1979-1982. São Paulo, SP, 1968-1982." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/8-complexo-intermodal-tietc3aa-estac3a7c3a3o-de-metrc3b4-marcelo-fragelli-1968-e-terminal-rodovic3a1rio-roberto-macfaden-e-renato-viegas-hiroservice-rodrigo-lefevre-projeto-fin1.jpg?w=700&#038;h=92" alt="" width="700" height="92" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Nesse período é também analisada a escolha da arquitetura moderna pelos governos militares para a construção de seus principais edifícios representativos. A monumentalidade que caracterizou a arquitetura moderna brasileira desde a construção do Ministério da Educação e Saúde foi levada ao paroxismo, em especial nos anos do “milagre econômico”, produzindo uma desconfortável associação entre as formas modernas e o estado militar. Associação que pode ser um dos responsáveis pela força do anti-modernismo que aflorou durante os anos da redemocratização.</p>
<p style="text-align:justify;">O conjunto de sedes da Petrobrás e BNDES construídos no começo da década de 1970 na Avenida Chile, no Rio de Janeiro são exemplares dos superlativos arquitetônicos associados ao regime militar.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/9-centro-cultural-de-sao-paulo-eurico-prado-lopes-e-luiz-de-castro-tellessao-paulo-197477/" rel="attachment wp-att-6723"><img class="alignnone size-medium wp-image-6723" style="border:0 none;" title="9 - Centro Cultural de São Paulo, Eurico Prado Lopes e Luiz de Castro Telles. São Paulo, SP, 1974-1977." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/9-centro-cultural-de-sc3a3o-paulo-eurico-prado-lopes-e-luiz-de-castro-tellessc3a3o-paulo-1974771.jpg?w=300&#038;h=115" alt="" width="300" height="115" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/10-sede-do-banco-nacional-de-desenvolvimento-economico-bnde-alfred-willer-e-equipe-rio-de-janeiro-197274/" rel="attachment wp-att-6724"><img class="size-medium wp-image-6724 alignnone" style="border:0 none;" title="10 - Sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), Alfred Willer e equipe, Rio de Janeiro, 197274." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/10-sede-do-banco-nacional-de-desenvolvimento-econc3b4mico-bnde-alfred-willer-e-equipe-rio-de-janeiro-1972741.jpg?w=272&#038;h=300" alt="" width="272" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O segundo período se inicia no final da década de 1970, com a eclosão dos movimentos sociais pela democracia e se encerra no começo da década de 1990, quando o primeiro presidente eleito diretamente passa a implantar o programa neoliberal. Identifica-se uma combinação entre dois pólos políticos na crítica ao estado nacional. Por um lado, os movimentos sociais constituíram um agente complexo, que envolveu variados esforços de constituição e fortalecimento da sociedade civil de modo independente ao estado autoritário. Por outro, a política liberal que se afirmava internacionalmente alterava as concepções do papel do estado na economia introduzidas no país após a Revolução de 1930. A peculiar combinação desses dois movimentos políticos levou ao esvaziamento do estado, fosse para o fortalecimento de modos de democracia direta e participativa, fosse para a redução de gastos públicos e na privatização da ação pública em vários setores estratégicos.</p>
<p style="text-align:justify;">No livro são analisados três movimentos que no campo da arquitetura conduzem à revisão tanto da arquitetura moderna, quanto da relação entre arquitetura, estado e sociedade: experimentalismo, regionalismo e pós-modernismo.</p>
<h4 style="text-align:justify;">Experimentalismo</h4>
<p style="text-align:justify;">Do caráter inovador e experimental de muitas produções desses anos, interessa-nos aquelas desenvolvidas para propiciar a aproximação entre a arquitetura e os movimentos sociais por moradia e serviços públicos, ocorrida nos anos finais do regime militar. Reuniu-se a concepção de estímulo à organização autônoma de segmentos sociais com as experimentações formais e construtivas realizadas por um amplo e heterogêneo conjunto de arquitetos – da contra-cultura hippie aos grupos de esquerda. Um conjunto que vai das proposições do Grupo Arquitetura Nova às Assessorias Técnicas a Movimentos Sociais, passando pelos Laboratórios de Habitação criados no ambiente acadêmico no começo da década de 1980. Pesquisavam-se as formas vernaculares de construção como fonte de inspirações para a criação de sistemas construtivos leves que pudessem facilitar a autoconstrução e auto-gestão dos movimentos sociais por moradia, Uma forma de atuação na qual se explicita e operacionaliza o caráter político da tecnologia. Surgem nesse momento novos modos de atuação profissional que sobreviveriam à institucionalização democrática, mesmo após o enfraquecimento do projeto político de autonomia social na década de 1990.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/11-%e2%80%93-moradias-estudantis-unicamp-joan-villa-e-equipe-campinas-%e2%80%93-sp-19891991/" rel="attachment wp-att-6725"><img class="size-medium wp-image-6725 alignnone" style="border:0 none;" title="11 – Moradias Estudantis Unicamp, Joan Villà e equipe. Campinas, SP, 1989-1991." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/11-e28093-moradias-estudantis-unicamp-joan-villc3a0-e-equipe-campinas-e28093-sp-198919911.jpg?w=300&#038;h=286" alt="" width="300" height="286" /></a></p>
<h4 style="text-align:justify;">Regionalismo</h4>
<p style="text-align:justify;">A associação entre estado nacional e autoritarismo do período militar inverteu o significado da construção da identidade nacional moderna. De uma cultura nacional que incorporava na sua construção diversas especificidades da cultura popular, partiu-se para a valorização das diferenças identificadas nas diversas regiões com o objetivo de fragmentação da unidade cultural nacional moderna, construída desde a década de 1930. Um entendimento que certamente condicionou a recepção local dos conceitos de regionalismo crítico. Baseado nesse entendimento do regionalismo surgido na década de 1980, o livro procura entender como um conjunto de produções arquitetônicas emergidas ainda no processo de difusão da arquitetura moderna para localidades distantes do Rio de Janeiro passou a ser identificado como raiz de identidades regionais difusas pelo país.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/12-edificio-barao-do-rio-branco-delfim-amorim-e-heitor-maia-neto-recifepe-19651968/" rel="attachment wp-att-6727"><img class="alignnone size-medium wp-image-6727" style="border:0 none;" title="12 - Edifício Barão do Rio Branco, Delfim Amorim e Heitor Maia Neto. Recife, PE, 1965-1968." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/12-edifc3adcio-barc3a3o-do-rio-branco-delfim-amorim-e-heitor-maia-neto-recifepe-196519682.jpg?w=200&#038;h=300" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/13_assis-reis-chesf_salvador/" rel="attachment wp-att-6921"><img style="border:0 none;" title="13 - CHESF – Companhia Hidrelétrica do São Francisco , Francisco Assis Reis. Salvador, BA. 1976." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/09/13_assis-reis-chesf_salvador.jpg?w=700&#038;h=511" alt="" width="700" height="511" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Foram selecionadas uma seqüência de obras que abrangem essa transformação no sentido da produção fora dos grandes centros. Em Recife os edifícios Santo Antônio (Acácio Gil Borsói, 1960) e Barão do Rio Branco (Delfim Amorim e Heitor Maia Neto, 1965) não apresentam nenhuma inflexão regional além dos dispositivos de adequação ao clima. Em Porto Alegre o Edifício FAM (Carlos Fayet, Cláudio Araújo e Moacyr Moojen Marques, 1964) incorpora as varandas e sombreamentos de modo rigorosamente abstrato. A sede da CHESF em Salvador (Francisco Assis Reis, 1976) realiza um micro-clima sombreado incorporando mais as concepções de planta e de construção em alvenaria portante de Louis Kahn do que as especificidades da cultura local. Apesar de toda evocação discursiva às especificidades locais, apenas com a recepção brasileira do regionalismo crítico no começo da década de 1980 que a obra de Severiano Mario Porto na Amazônia assumiria o caráter emblemático desse novo regionalismo no Brasil (Pousada na Ilha de Silves, 1979).</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/14_severiano-silves-1/" rel="attachment wp-att-6922"><img class="alignnone size-full wp-image-6922" style="border:0 none;" title="14 - Pousada na Ilha de Silves, Severiano Mário de Magalhães Porto e Mário Emílio Ribeiro. Ilha de Silves, AM, 1979." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/09/14_severiano-silves-1.jpg?w=700&#038;h=231" alt="" width="700" height="231" /></a></p>
<h4 style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/15-%e2%80%93-centro-de-apoio-turistico-%e2%80%9crainha-da-sucata%e2%80%9d-eolo-maia-e-sylvio-podesta-belo-horizontemg-19841992/" rel="attachment wp-att-6730"><img class="size-medium wp-image-6730 alignright" style="border:0 none;margin:30px 15px;" title="15 – Centro de Apoio Turístico “Rainha da Sucata”, Éolo Maia e Sylvio Podestá, Belo HorizonteMG, 19841992" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/15-e28093-centro-de-apoio-turc3adstico-e2809crainha-da-sucatae2809d-c3a9olo-maia-e-sylvio-podestc3a1-belo-horizontemg-198419921.jpg?w=310&#038;h=282" alt="" width="310" height="282" /></a>Pós-modernismo</h4>
<p style="text-align:justify;">Entre as várias concepções abrigadas sob o rótulo de pós-moderno, duas encontraram terreno fértil na situação brasileira da década de 1980.A obra do trio mineiro Maia, Vasconcelos e Podestá apontava a cultura midiática de massas como fonte de uma arquitetura pop carregada de ironia, dando novas feições ao popular. Nada representa melhor o grau provocativo dessa ironia do que a “Rainha da Sucata” na Praça da Liberdade em Belo Horizonte (Éolo Maia e Sylvio Podestá, 1984).Em outro extremo, a retomada historicista dos procedimentos disciplinares acadêmicos manifestava-se em vários concursos de projeto, associados a novos instrumentos de análise e proposição da forma urbana. O projeto do SESC em Nova Iguaçu (Bruno Padovano e Hector Vigliecca, 1985) demonstrava as tensões entre essa retomada dos modelos urbanos do século XIX com a realidade das periferias precárias brasileiras.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/16-sesc-nova-iguacu-bruno-padovano-e-hector-vigliecca-nova-iguacurj-19851992/" rel="attachment wp-att-6731"><img class="alignnone size-medium wp-image-6731" style="border:0 none;" title="16 - SESC Nova Iguaçu, Bruno Padovano e Hector Vigliecca, Nova IguaçuRJ, 19851992." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/16-sesc-nova-iguac3a7u-bruno-padovano-e-hector-vigliecca-nova-iguac3a7urj-198519921.jpg?w=300&#038;h=169" alt="" width="300" height="169" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto a primeira abordagem se esgotou poucos anos após o impacto da provocação inicial, o apelo urbanístico da segunda sobreviveu na contraposição do urban design ao planejamento urbano, enfraquecido também politicamente durante a redemocratização do país.</p>
<p style="text-align:justify;">Em meio ao enfrentamento entre os propositores dessas novas posições e os arquitetos de orientação moderna que ocupavam então as principais instituições profissionais, o desenvolvimento do sistema de pesquisa e pós-graduação na área de arquitetura e urbanismo tornou-se um pólo catalisador de reflexões de maior fôlego que pretendessem ultrapassar os limites da crítica nas revistas. No livro é apontado o papel de um conjunto de professores que ao propor o estudo da arquitetura moderna brasileira como fenômeno histórico, cria novas condições de interpretação da obra de seus principais expoentes.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/17_parque-tiete-on/" rel="attachment wp-att-6925"><img class="alignnone size-full wp-image-6925" style="border:0 none;" title="17 – Parque Tietê, Oscar Niemeyer e equipe. São Paulo,SP, 1986." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/09/17_parque-tietc3aa-on.jpg?w=700&#038;h=432" alt="" width="700" height="432" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O acompanhamento da recepção e crítica de três obras de Oscar Niemeyer (Parque Tietê &#8211; 1986, Memorial da America Latina &#8211; 1988 e MAC Niterói &#8211; 1992) e uma de Paulo Mendes da Rocha (MUBE, 1986), todas projetadas após a metade da década de 1980, conduz a análise das inflexões e renovações que abrem uma nova fase para a arquitetura moderna no Brasil nas décadas seguintes.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/18_pmr_mube/" rel="attachment wp-att-6926"><img class="alignnone size-full wp-image-6926" style="border:0 none;" title="18- MUBE – Museu Brasileiro de Escultura, Paulo Mendes da Rocha. São Paulo, SP, 1986-1992." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/09/18_pmr_mube.jpg?w=700&#038;h=345" alt="" width="700" height="345" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O terceiro período inicia-se com as transformações nas atividades do estado na promoção do planejamento urbano e desenvolvimento nacional a partir de 1990, enfatizando suas implicações para a dinâmica urbana e social brasileira, e encerra-se na data de produção do livro, quando os sinais de uma retomada do desenvolvimento do país se tornavam evidentes.</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro aspecto apontado nesse período é o descolamento do movimento de renovação da arquitetura moderna das posições políticas e ideológicas que caracterizaram o seu desenvolvimento no passado: a construção da identidade nacional e a ação de planejamento centralizado no estado.</p>
<p style="text-align:justify;">A ausência de uma política urbana nacional fica expressa no descompasso entre a apresentação da emenda popular de reforma urbana à Assembléia Constituinte de 1988 e a promulgação do Estatuto da Cidade em 2001. Nesse intervalo, a ação de planejamento ficou restrita às iniciativas municipais, acentuando a fragmentação da política urbana brasileira. Apenas em 2003 criou-se uma estrutura federal para isso, o Ministério das Cidades.</p>
<p style="text-align:justify;">O agravamento dos conflitos urbanos acompanhou a rápida extensão das periferias pobres e a criação de condomínios fechados de alta renda, ambos expandindo as cidades para vastas áreas rurais ou naturais e esvaziando os centros urbanos tradicionais. A cidade esteve fora da possibilidade de ação dos arquitetos, apesar da grande produção teórica sobre ela. Com poucas exceções, enfraqueceu-se o vínculo entre arquitetura e urbanismo que caracterizou a produção brasileira nos anos anteriores. As obras escolhidas para representar esse período no livro fazem parte desse processo. Casas com projetos inovadores situadas em condomínios fechados ou bairros de elite são contrapostas a equipamentos e conjuntos de habitação social nas periferias, compondo as duas principais faces da arquitetura e do urbanismo brasileiro no período.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/19-casa-tijucopava-marcos-acayaba-guaruja-sp-19961997/" rel="attachment wp-att-6733"><img class="alignright size-medium wp-image-6733" style="border:0 none;margin-left:15px;margin-right:15px;" title="19 - Casa Tijucopava, Marcos Acayaba. Guarujá, SP, 1996-1997." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/19-casa-tijucopava-marcos-acayaba-guarujc3a1-sp-199619971-e1313465798844.jpg?w=300&#038;h=179" alt="" width="300" height="179" /></a>O livro apresenta várias casas de alta qualidade formal, como as de Marcos Acayaba em Tijucopava (1996) e a residência Mariante em Aldeia da Serra (MMBB, 2001) nas quais as qualidades modernas da transparência e continuidade espacial se realizam em condomínios fechados, distantes tanto das condições urbanas, quanto das naturais. Para os equipamentos sociais foram escolhidos, entre outros, os Centros Educacionais Unificados – CEU (Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, 2002), impressionante rede de centros de catalisação social nas periferias de São Paulo.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/20-%e2%80%93-casa-mariante-mmbb-angelo-bucci-fernando-de-mello-franco-milton-braga-e-marta-moreira-baruerisp-20012002/" rel="attachment wp-att-6734"><img class="alignnone size-medium wp-image-6734" style="border:0 none;" title="20 – Casa Mariante, MMBB (Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Milton Braga e Marta Moreira). Barueri, SP, 2001-2002." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/20-e28093-casa-mariante-mmbb-angelo-bucci-fernando-de-mello-franco-milton-braga-e-marta-moreira-baruerc3adsp-200120021-e1313465679503.jpg?w=300&#038;h=99" alt="" width="300" height="99" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/09/06/architettura-contemporanea-brasile-arquitetura-brasileira-entre-1957-e-2007/21-ceu-%e2%80%93-centro-de-educacao-unificada-rosa-da-china-alexandre-delijaicov-andre-takiya-e-wanderley-ariza-marcelo-suzuki-implantacao-sao-paulo-20022004/" rel="attachment wp-att-6735"><img class="alignnone size-medium wp-image-6735" style="border:0 none;" title="21 - CEU – Centro de Educação Unificada - Rosa da China, Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, Marcelo Suzuki (implantação). São Paulo, SP. 2002-2004." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/21-ceu-e28093-centro-de-educac3a7c3a3o-unificada-rosa-da-china-alexandre-delijaicov-andrc3a9-takiya-e-wanderley-ariza-marcelo-suzuki-implantac3a7c3a3o-sc3a3o-paulo-200220041.jpg?w=300&#038;h=128" alt="" width="300" height="128" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Como toda história recente (ou imediata), o período carece de sedimentação analítica para o lançamento de hipóteses explicativas mais aprofundadas. Por isso optou-se por uma finalização através da seleção de algumas obras que apontam novas perspectivas em três temas considerados como desafios para o futuro da arquitetura: o enfrentamento da condição metropolitana, a sustentabilidade ambiental, e a substituição da cultura popular pela cultura de massas.</p>
<p style="text-align:justify;">A estrutura narrativa aqui apresentada constitui um sistema de balizas que conduz o texto introdutório e as apresentações da seleção de obras do livro “<em>Architettura Contemporanea: Brasile</em>”. Apesar de se pensar a história da arquitetura como parte da história social, evita-se o risco de entendê-la como mera ilustração dos acontecimentos. Pelo contrário, procurou-se identificar os momentos nos quais projetos, obras, propostas e escritos foram agentes ativos do desenvolvimento do país. Momentos que contrastam com aqueles nos quais as condições de produção da arquitetura se alteraram devido a processos nos quais ela teve pouca participação.</p>
<p style="text-align:justify;">O formato da coleção, onde as obras são apresentadas por uma foto de página inteira, um desenho e um texto analítico, acentua um modo de entender a história da arquitetura através de sua produção projetual. O estudo dessa produção trouxe subsídios para a construção das narrativas que conduzem o livro, mas foi a coerência destas que dirigiu a seleção final das obras. As fortes imagens dos projetos escolhidos constroem um mosaico articulado por seqüências e encadeamentos explicitados nos texto, mas passíveis de serem identificados com a simples observação atenta dessas peças gráficas.</p>
<p style="text-align:justify;">Por último é importante destacar que o volume do Brasil está inserido em um lugar especial dentro da coleção <em>Architettura Contemporanea</em>, da qual já foram publicados outros sete volumes na Itália. Entre os volumes espanhol, suíço, holandês, norte-americano e japonês, talvez seja ao lado do livro dedicado à Índia <a id="_ftnref2_02" href="#_ftn2_02">[2]</a> que ele melhor se situe. Em ambos, os autores optaram por apresentar a arquitetura em consonância com os ricos processos históricos que os dois países passaram para a sua construção como nações modernas. Comparações somente possíveis graças ao formato leve da coleção, essa sim capaz de formar um amplo panorama da arquitetura contemporânea internacional.</p>
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<h3>notas</h3>
<p><a id="_ftn1_01" href="#_ftnref1_01">[1]</a> A coleção <em>Architettura Contemporanea</em> é editada pela 24 Ore Motta Editora, de Milão desde 2007. A partir de 2009 a coleção está sendo publicada na França pela editora Actes Sud.<br />
<a id="_ftn2_02" href="#_ftnref2_02">[2]</a> RÖSSL, Stefania. <em>Architettura Contemporanea</em> : India. Milano : Motta Architettura, 2009.</p>
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<h3>referências bibliográficas</h3>
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<p style="text-align:justify;">BASTOS, Maria Alice Junqueira. <em>Dos anos 50 aos anos 70 </em>: como se completou o projeto moderno na arquitetura brasileira. Tese de Doutorado.  São Paulo : FAU USP, 2004.</p>
<p style="text-align:justify;">BASTOS, Maria Alice Junqueira. <em>Pós-Brasília </em>: rumos da arquitetura brasileira. São Paulo : Perspectiva/FAPESP, 2003.</p>
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<p>&nbsp;</p>
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<p>Referência do livro:</p>
<p>Em italiano:</p>
<p>Anelli, Renato. <em>Architettura Contemporanea : Brasile</em>. Milano : Motta Architettura, 2008. 144p.</p>
<p>Em francês:</p>
<p>Anelli, Renato. <em>Architectures Contemporaines : Brésil</em>. Trad. Christine Piot. Arles : Actes Sud, 2009. 144p.</p>
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<p style="text-align:right;"><strong>Renato Luiz Sobral Anelli</strong><br />
Arquiteto (FAU PUCCAMP, 1982), Mestre em História (IFCH UNICAMP, 1990), Doutor (FAU USP, 1995), Livre-Docente (EESC USP, 2001). Professor Titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos, Universidade de São Paulo.</p>
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<p style="text-align:right;"><span style="color:#888888;">Colaboração editorial: Luciana Jobim</span></p>
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<br />Filed under: <a href='http://mdc.arq.br/category/ensaio-e-pesquisa/'>Ensaio e pesquisa</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/renato-luiz-sobral-anelli/'>Renato Luiz Sobral Anelli</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/'>Série Panoramas da Arquitetura Brasileira</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/revistamdc.wordpress.com/6686/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/revistamdc.wordpress.com/6686/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/revistamdc.wordpress.com/6686/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/revistamdc.wordpress.com/6686/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/revistamdc.wordpress.com/6686/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/revistamdc.wordpress.com/6686/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/revistamdc.wordpress.com/6686/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/revistamdc.wordpress.com/6686/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/revistamdc.wordpress.com/6686/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/revistamdc.wordpress.com/6686/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/revistamdc.wordpress.com/6686/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/revistamdc.wordpress.com/6686/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/revistamdc.wordpress.com/6686/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/revistamdc.wordpress.com/6686/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=6686&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">danilo</media:title>
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			<media:title type="html">Ver os textos da série</media:title>
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			<media:title type="html">e4d7c8d8ca81_capa_anelli</media:title>
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			<media:title type="html">1 – Pavilhão de São Cristóvão, Sergio Bernardes. Rio de Janeiro, RJ, 1957.</media:title>
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			<media:title type="html">2 - Clube Atlético Paulistano, Paulo Mendes da Rocha e João De Gennaro. São Paulo, SP, 1957-1961.</media:title>
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			<media:title type="html">3 - MASP – Museu de Arte de São Paulo, Lina Bo Bardi. São Paulo, SP, 1957-1968.</media:title>
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			<media:title type="html">5a - Casa Bernardo Issler, Sérgio Ferro. Cotia, SP, 1961-1963.</media:title>
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			<media:title type="html">4 - Residência Dalton Toledo, Joaquim Guedes e Liliana Guedes. Piracicaba, SP, 1960-1962</media:title>
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			<media:title type="html">5b - Casa Boris Fausto, Sérgio Ferro. São Paulo, SP 1961-1965.</media:title>
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			<media:title type="html">6 - Conjunto Zezinho Magalhães Prado, Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha, Fabio Penteado, Guarulhos SP, 1967.</media:title>
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			<media:title type="html">7 - Conjunto Habitacional Cafundá, Sergio Magalhães e equipe. Rio de Janeiro, RJ, 1977-1982.</media:title>
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			<media:title type="html">8 - Complexo Intermodal Tietê - Estação de Metrô, Marcelo Fragelli, 1968 e Terminal Rodoviário, Roberto Macfaden e Renato Viegas (Hiroservice/ Rodrigo Lefevre projeto final) 1979-1982. São Paulo, SP, 1968-1982.</media:title>
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			<media:title type="html">9 - Centro Cultural de São Paulo, Eurico Prado Lopes e Luiz de Castro Telles. São Paulo, SP, 1974-1977.</media:title>
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			<media:title type="html">10 - Sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), Alfred Willer e equipe, Rio de Janeiro, 197274.</media:title>
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			<media:title type="html">11 – Moradias Estudantis Unicamp, Joan Villà e equipe. Campinas, SP, 1989-1991.</media:title>
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			<media:title type="html">12 - Edifício Barão do Rio Branco, Delfim Amorim e Heitor Maia Neto. Recife, PE, 1965-1968.</media:title>
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			<media:title type="html">13 - CHESF – Companhia Hidrelétrica do São Francisco , Francisco Assis Reis. Salvador, BA. 1976.</media:title>
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			<media:title type="html">14 - Pousada na Ilha de Silves, Severiano Mário de Magalhães Porto e Mário Emílio Ribeiro. Ilha de Silves, AM, 1979.</media:title>
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			<media:title type="html">15 – Centro de Apoio Turístico “Rainha da Sucata”, Éolo Maia e Sylvio Podestá, Belo HorizonteMG, 19841992</media:title>
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			<media:title type="html">16 - SESC Nova Iguaçu, Bruno Padovano e Hector Vigliecca, Nova IguaçuRJ, 19851992.</media:title>
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			<media:title type="html">17 – Parque Tietê, Oscar Niemeyer e equipe. São Paulo,SP, 1986.</media:title>
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			<media:title type="html">18- MUBE – Museu Brasileiro de Escultura, Paulo Mendes da Rocha. São Paulo, SP, 1986-1992.</media:title>
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			<media:title type="html">19 - Casa Tijucopava, Marcos Acayaba. Guarujá, SP, 1996-1997.</media:title>
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			<media:title type="html">20 – Casa Mariante, MMBB (Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Milton Braga e Marta Moreira). Barueri, SP, 2001-2002.</media:title>
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		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/21-ceu-e28093-centro-de-educac3a7c3a3o-unificada-rosa-da-china-alexandre-delijaicov-andrc3a9-takiya-e-wanderley-ariza-marcelo-suzuki-implantac3a7c3a3o-sc3a3o-paulo-200220041.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">21 - CEU – Centro de Educação Unificada - Rosa da China, Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, Marcelo Suzuki (implantação). São Paulo, SP. 2002-2004.</media:title>
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		<title>Brasil: arquiteturas após 1950 &#8211; em quatro temas</title>
		<link>http://mdc.arq.br/2011/08/22/brasil-arquiteturas-apos-1950-em-quatro-temas/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 01:25:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo Matoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Alice Junqueira Bastos]]></category>
		<category><![CDATA[Ruth Verde Zein]]></category>
		<category><![CDATA[Série Panoramas da Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil: arquiteturas após 1950]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[História da Arquitetura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ruth Verde Zein e Maria Alice Junqueira Bastos O artigo faz um mergulho no livro Brasil: arquiteturas após 1950, problematizando quatro aspectos: a periodização empregada; os temas abordados com suas recorrências e singularidades ao longo dos períodos cronológicos; a opção pela diversidade e a pertinência, ou não, de um recorte nacional e suas implicações com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=6646&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><img class="alignnone size-full wp-image-5917" style="border:0 none;" title="Ver os textos da série" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/serie-panoramas1.jpg?w=207&amp;h=19" alt="" width="207" height="19" /></a></p>
<p style="text-align:right;">Ruth Verde Zein e Maria Alice Junqueira Bastos</p>
<p><span id="more-6646"></span></p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/brasil_arquiteturas_1950.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-6786" style="border:0 none;" title="brasil_arquiteturas_1950" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/08/brasil_arquiteturas_1950.jpg?w=223&#038;h=300" alt="" width="223" height="300" /></a></p>
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<p style="text-align:justify;">O artigo faz um mergulho no livro <em>Brasil: arquiteturas após 1950</em>, problematizando quatro aspectos: a periodização empregada; os temas abordados com suas recorrências e singularidades ao longo dos períodos cronológicos; a opção pela diversidade e a pertinência, ou não, de um recorte nacional e suas implicações com o tema da identidade. Esse livro tem um precedente notável no catálogo da Editora Perspectiva que é o livro de Yves Bruand: <em>Arquitetura Contemporânea no Brasil</em> <a id="_ftnref1_01" href="#_ftn1_01">[1]</a>. Meio século separa o texto de <em>Brasil: Arquiteturas após 1950</em>, daquele escrito por Bruand, sendo assim natural que haja importantes diferenças de enfoque entre ambos, a principal, reside no fato de que o livro de Bruand faz um relato da “arquitetura contemporânea no Brasil” privilegiando uma visão de unidade, com determinadas características técnicas, metodológicas e formais, características que, segundo seu ponto de vista, a tornavam peculiar, distinta; narrativa essa afinada com certa visão de identidade nacional brasileira afincada no período de 1930 a 1960, mas que seria problemático manter na contemporaneidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Outro ponto em que nosso relato é distinto do de Bruand é a abordagem da cidade. Bruand dedica dois terços do livro à arquitetura e um terço aos traçados urbanos. Em <em>Brasil: arquiteturas após 1950</em> o foco é predominantemente arquitetônico, e as questões urbanas comparecem a partir desse enfoque, embora recebam destaque em ao menos um dos capítulos de cada uma das partes do livro; mesmo assim, com abordagem mais morfológica que urbanística.</p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, um ponto comum nas abordagens de Bruand e do livro <em>Brasil: arquiteturas após 1950</em> é a construção de uma história a partir de um olhar interessado e crítico sobre as obras. E, assim como Bruand, nosso livro lança mão da descrição, como método de trabalho para análise e compreensão da obra, buscando ver o que não está tão evidente, e que a reflexão quer ajudar a revelar.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Periodização</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Brasil: arquiteturas após 1950</em> foi estruturado em quatro partes, mais um preâmbulo e um ensaio final sobre os últimos anos do século XX. O preâmbulo, denominado “Continuidade” abarca de 1945, final da Segunda Guerra, até 1955, quando a arquitetura do mundo todo passa por uma transição. O preâmbulo busca dar conta, em quatro pequenos capítulos, de mostrar a alta qualidade e importância da arquitetura da escola carioca, mas, ao mesmo tempo, de ir introduzindo as forças de mudança latentes: “A Exemplar Arquitetura Moderna Brasileira”; “O Gênio Nacional: A preeminência de Oscar Niemeyer”; “Continuidades e Descontinuidades na Arquitetura dos Anos 1945-1955” e “As Críticas Internacionais, no Ambiente Paulistano, à Escola Carioca”.</p>
<p style="text-align:justify;">A primeira das quatro partes principais é “Diálogos” (1955-1965). Foi em torno de meados dos anos de 1950 que a obra de alguns dos mestres cariocas passou por uma inflexão, que pode ser notada, por exemplo, observando as diferenças entre os dois projetos de Oscar Niemeyer para o Parque Ibirapuera, ou seu projeto não executado para o Museu de Caracas. Na obra de Affonso E. Reidy, o colégio Brasil-Paraguai e o MAM-RJ fazem uso do concreto aparente, com forte protagonismo da solução estrutural no resultado formal. Também em meados dos anos de 1950, em São Paulo, uma nova geração de arquitetos recém formados foi rapidamente alçada a uma posição preeminente, reconhecida em concursos e premiações com uma produção artística que se aproximava da sensibilidade plástica do brutalismo internacional. As primeiras manifestações desse movimento de transição que vão de 1953 a 1958, estabeleceram, grosso modo, um “início” que marcamos em 1955. Aí se inicia uma década em que as metas da industrialização da construção civil e da cidade moderna informaram parte importante da produção de arquitetura. Um período em que, a despeito de certa variedade de tecnologias e materiais, as decorações se tornaram menos presentes, a racionalidade construtiva foi valorizada, assim como a busca de flexibilidade no atendimento de funções. Essa situação se manteve com relativa predominância até 1965. O capítulos escolhidos para retratar essas questões foram: “Identidade Nacional: Mudanças de Paradigmas Arquitetônicos nos Anos de 1950-1960”; “Diálogos Alternados: Lina, Reidy e Vice-Versa”; “A Utopia Desnudando-se: O Concurso de Brasília”; “Palácios de Brasília: Novos Rumos na Trajetória de Oscar Niemeyer”; “Brutalismo: Uma Nova Sensibilidade Superficial e Plástica” e “Industrialização: A Experiência da UnB e Outras Experiências”.</p>
<p style="text-align:justify;">No período seguinte, denominado Pós-Brasília (1965-1975), o Brasil viveu uma situação de fechamento no campo político e de prosperidade econômica em que a renovação observada na década anterior sofreu acirramentos e transmutações em resposta a uma crise nos valores da modernidade amplo senso, em que pese esta crise não estivesse clara na época. A partir de meados dos anos de 1960 parece haver uma maior abertura na pesquisa formal, inclusive com experiências que fogem da ortogonalidade, ou que exploram plasticamente outras tecnologias. Certa desconfiança no progresso tecnológico como fator inequívoco de melhora na qualidade de vida alimentou experiências e críticas à modernidade arquitetônica nacional, com a valorização do vernáculo ou do fazer espontâneo, inclusive nos primeiros trabalhos voltados à inclusão das favelas. A geração paulista que começou o brutalismo passou a empregar a linha curva nas estruturas de concreto aparente. E, gradativamente, com o boom construtivo do milagre brasileiro, uma repetição no uso de materiais – concreto aparente, vidro e esquadrias de alumínio – foi associada à busca de soluções formais originais destacadas pela escala, invenção formal, ou ousadia estrutural &#8211; o plasticismo estrutural foi a principal manifestação na arquitetura erudita brasileira. Anos de desenvolvimento em que o país efetivamente se modernizou, também assistiu à dispersão da produção arquitetônica pelo território nacional, levando a um cenário bem mais complexo. Os capítulos são: “Brasília, Pós Brasília: Inflexões e Mudanças”; “A Exploração Plástica das Estruturas de Concreto e Outros Desdobramentos”; “Niemeyer: Do Plasticismo Simbólico, ao Partido Estrutural e ao Volume Escultórico”; “As Arquiteturas do Desenvolvimentismo Brasileiro”; “A Questão do Planejamento Urbano” e “Habitação Social: Das Utopias Tecnológicas e Urbanísticas à Repetição de Modelos”.</p>
<p style="text-align:justify;">“Crise e Renovação” (1975-1985) privilegia alguns episódios que, embora marginais na época, contribuíram na gestação de uma nova situação. Em meados dos anos de 1970, Lina Bo Bardi começou o projeto do Sesc-Pompéia, com a proposta de recuperar e ampliar um antigo conjunto fabril; após um período em que minguaram as publicações especializadas em arquitetura, houve o relançamento da <em>Módulo</em> seguido ainda na segunda metade dos anos 1970 pelo lançamento das revistas <em>Projeto e Pampulha</em>; em 1976 o IAB do Rio de Janeiro promoveu a série de depoimentos publicados sob o título <em>Arquitetura Brasileira após Brasília: Depoimentos</em> <a id="_ftnref2_02" href="#_ftn2_02">[2]</a> , em que se percebe, em parte dos arquitetos, uma insatisfação com a corrente mais hegemônica da arquitetura brasileira e, ao mesmo tempo, a defesa de arquiteturas mais comprometidas com a realidade amplo senso – meio físico-climático, aspectos sócio-culturais, soluções construtivas condizentes com fatores econômicos etc. A retomada do debate na arquitetura nacional estimulou e deu testemunho de uma época efervescente de idéias e criação. A aproximação com a América Latina no final deste período mostrou um momento em que havia a aposta de que o comprometimento com a realidade seria uma maneira de reativar, redirecionar e, eventualmente, reinventar o movimento moderno a partir da região. Paralelamente, a liberdade propiciada pela quebra de parâmetros gerada com as novas teorias “pós-modernas” abrigou no cenário nacional uma considerável diversificação tecnológica e formal na arquitetura erudita. Movimentos que conviviam, ao menos até o final dos anos 70, com o plasticismo estrutural que encarnava então uma posição de intransigente continuidade da herança moderna nacional. Numa redução esquemática, as “diferenças” no meio arquitetônico nacional nos anos de tomada de consciência da crise da modernidade refletiam três caminhos: o da continuidade a uma tradição moderna brasileira (ainda dominante por certa inércia natural ao meio arquitetônico), o de revisão desta tradição por meio de um maior comprometimento da arquitetura com a realidade amplo senso e, por fim, o de eventual superação da tradição moderna, este, em geral, mais aberto às discussões internacionais. Tratava-se de posições claras e antagônicas, especialmente pela cristalização que havia ocorrido na corrente que encarnava a “arquitetura moderna brasileira” ligada inextricavelmente à exploração plástica das estruturas de concreto armado. Essas questões foram abordadas nos capítulos: “Crise da Pós-Modernidade: Especificidades Brasileiras”, “A Nova Crítica e as Conexões Latino-Americanas”, “Pragmatismo Cultural e Urbano: Arquitetos e Obras”, “Pós Mineiridade Antropofágica e Experimental”; “Outras Arquiteturas Brasileiras e os Debates do Regionalismo na América Latina” e “A Cidade dos Negócios: Espaços da Promoção Privada”.</p>
<p style="text-align:justify;">O ensaio final foi denominado “Contemporaneidade” (1995-2000) e se estrutura em três pequenos capítulos: “A Arquitetura na Encruzilhada do Fim do Século”; “Arquiteturas em Diálogo com as Paisagens Urbanas” e “Revendo as Narrativas sobre a Arquitetura Brasileira”. A partir de meados dos anos 90, a produção de jovens arquitetos formados nas dez anos anteriores começa a ser reconhecida no meio nacional e valorizada por meio de premiações e posições finalistas em concursos. Talvez o mote central nos anos de 1990 seja a reabilitação da herança moderna. Um moderno sem a preocupação da seriação, sem modelos, sem a eleição de um material e ou sistema construtivo únicos, que assume a preeminência da forma sobre a função, que prega o convívio com a cidade tradicional, a importância do lugar e do repertório na concepção arquitetônica. O termo arquitetura contemporânea passa a ser usual para descrever essa produção, sem dúvida herdeira ou tributária do movimento moderno, porém com status próprio, ainda a ser mais bem apreendido.</p>
<p style="text-align:justify;">Queremos crer que a periodização em décadas quebradas foi a que melhor se encaixou na narrativa proposta da arquitetura feita no Brasil nesses anos, além de ter o bônus de uma correspondência mais fácil com o cenário internacional. Por exemplo, o termo “pós-moderno” só passou a estar presente na arquitetura nacional desde, aproximadamente, o início dos anos de 1980, no entanto, não é por isso que os sinais da crise da modernidade brasileira não estivessem se fazendo sentir desde antes, como é possível perceber, por exemplo, em alguns dos depoimentos realizados no IAB-RJ em meados dos anos 70 <a id="_ftnref3_03" href="#_ftn3_03">[3]</a> . Da mesma forma, a abertura a pesquisas de linguagem a partir de meados dos anos de 1960 é um movimento que ecoa pesquisas de linguagem nos EUA e Europa no período.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Cada década sob alguns enfoques</strong></p>
<p style="text-align:justify;">A aceitação do relativismo da narrativa que caracteriza nosso momento opera em vários níveis. É crítico aos relatos unificadores e triunfais do movimento moderno; também é crítico à historiografia arquitetônica canônica, adotada quase universalmente, por seu viés marcadamente eurocêntrico. O qual, além ignorar ou desconsiderar eventos arquitetônicos de vastas regiões planetárias, quando as considera, analisa-as tomando como base valores teóricos desenvolvidos para outra realidade, fundamentalmente a européia. Não podendo aceitar tranquilamente essa situação, só nos resta investir no relativismo cultural, que, sabemos, tende, a uma fragmentação da história, à construção de várias histórias, sob diferentes enfoques ou pontos de vista. Tal fragmentação da história vem caminhando <em>pari passu</em> com as revisões críticas do movimento moderno, que vem ocorrendo já há décadas. Parece que estamos então numa época mais propícia aos relatos fragmentários, aos discursos pontuais, restritos e em profundidade, que permitem analisar em escala próxima acontecimentos mais bem delimitados.</p>
<p style="text-align:justify;">No entanto, nosso objetivo era a visão panorâmica, para tal, a estratégia adotada na narrativa foi abordar esses anos por meio de alguns temas selecionados por sua relevância e pertinência a cada período, de maneira a proporcionar diferentes leituras que visam apontar e explorar momentos chave. Os temas variam de década a década e, de certa maneira, muitos deles determinam ou influem consideravelmente no conjunto de obras abordadas. No livro lançamos mão da metáfora de uma rede de pesca estendida sobre a realidade, cujas lacunas só podem ser preenchidas ou minoradas com o concurso de muitos outros trabalhos e, principalmente, de muitos outros autores.</p>
<p style="text-align:justify;">Cada parte se inicia com um capítulo mais conceitual, que busca sinalizar as principais forças em ação no período. Isto é válido mesmo no capítulo inicial da parte “Novos Rumos” (1985-1995) em que, excepcionalmente, o texto se debruça sobre obras específicas, mas com o claro objetivo de tratar uma questão crucial ao período: a indubitável mudança de valores nas bases teóricas do pensamento arquitetônico, com a valorização da cidade real, complexa e caótica, como cenário por excelência da intervenção da arquitetura.</p>
<p style="text-align:justify;">O tema “Oscar Niemeyer” é recorrente no livro, comparece no preâmbulo e em três das quatro partes centrais em que se estrutura. Fiel ao enfoque cronológico e à periodização proposta, a abordagem da longa obra de Niemeyer procura observá-la menos como uma produção que segue isolada e incólume, e mais como uma manifestação sujeita a seu tempo, que sofre inflexões ao longo das décadas, ecoando um espírito do tempo e uma cultura arquitetônica viva. A primeira inflexão, assumida pelo próprio Oscar Niemeyer foi tratada na parte “Diálogos (1955-1965)” em dois capítulos: um específico sobre os palácios de Brasília e em outro dedicado à industrialização que aborda, entre outras experiências, a construção dos edifícios da UnB. Acreditamos que em ambos a inflexão é bastante evidente, inclusive denotando relativo afastamento do diálogo com a obra de Le Corbusier, tão presente nos anos anteriores. Na parte seguinte, “Pós-Brasília (1965-1975)”, parece haver outra inflexão na obra de Niemeyer, a estrutura passa a ser o elemento primordial na definição do partido, gerando uma situação de grande correspondência entre definição estrutural e resultado formal. Naturalmente as mudanças nunca são súbitas, há obras de transição ou premonitórias entre uma fase e outra, mas, grosso modo, no período anterior a estrutura era submetida ao resultado formal, enquanto nesse período a definição estrutural atinge maior protagonismo, como em boa parte da arquitetura feita no Brasil no período. A única parte em que a obra de Oscar Niemeyer não figura é em “Crise e Renovação (1975-1985)”. Nesse período, a obra de Oscar Niemeyer segue numa situação de relativa continuidade com a década anterior e a opção que tomamos foi a de enfocar as forças de renovação, ainda que relativamente marginais, que estavam tensionando o <em>status quo</em> da arquitetura no Brasil. Por fim, a quarta parte, “Novos Rumos (1985-1995)” num contraponto ao adjetivo “novo” termina com uma revisita aos mestres, Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha. A obra de Niemeyer parece passar, desde meados dos anos 80, por uma nova inflexão, cujo marco apontado no livro é o Panteão da Pátria na Praça dos Três Poderes (1985). Há um arrefecimento no uso da estrutura como principal tema plástico, os projetos se tornam mais esculturais e esquemáticos, menos preocupados com os usos.</p>
<p style="text-align:justify;">O tema da “habitação social” comparece com peso em duas das quatro partes principais. E, nessas duas partes, enfocam momentos bastante distintos: por um lado, na parte “Pós-Brasília (1965-1975)” são abordadas experiências preocupadas em compor novas urbanidades, com uma lógica apartada da cidade tradicional, em situações que, grosso modo, seguiam o urbanismo CIAM ou criavam desenvolvimentos sobre o mesmo. Tanto a proposta para a “Cidade-satélite” em Cotia, quanto o Conjunto habitacional Zezinho Magalhães Prado, o Cecap-Cumbica, se aproximam da idéia de Unidade Habitacional, ou seja, um conjunto de habitações servido por equipamento comercial e educacional básico, de cunho racionalista. São ilhas, cidades à parte, ensaios de uma nova urbanização. Por outro lado, as experiências enfocadas na parte “Novos Rumos (1985-1995)”, notadamente aquelas propiciadas nos concursos públicos da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina, buscaram ir contra o automatismo no emprego <em>ad nauseam</em> de modelos empobrecidos do urbanismo CIAM, com ênfase, além da qualidade da moradia, de uma melhor inserção na cidade existente, evitando criar ilhas, perseguindo conjuntos integrados e contínuos à cidade. Nessa mesma parte, são abordadas as políticas públicas desenvolvidas na cidade do Rio de Janeiro com o objetivo de integrar e levar a cidade, ou seja, os serviços e equipamentos públicos, às ocupações espontâneas.</p>
<p style="text-align:justify;">Nas quatro partes principais há ao menos um tema que congrega arquiteturas relativamente simultâneas em diferentes regiões do país, são eles: “Industrialização: A Experiência da UnB e Outras Experiências” (1955-1965); “As Arquiteturas do Desenvolvimento Brasileiro” (1965-1975); “Outras Arquiteturas Brasileiras e os Debates Latino-Americanos do Regionalismo” (1975-1985) e “O Comprometimento com o Lugar e a Diversificação Tecnológica” (1985-1995). Embora a obra de João Filgueiras Lima não seja tratada como um “tema” particular, Lelé é o único arquiteto cuja produção comparece nas quatro partes principais do livro e exatamente nesses capítulos, relacionados acima, cujo tema, relativamente amplo, sinaliza objetivos, debates ou fazeres que afetaram o meio arquitetônico nacional. Da mesma forma que a obra de Oscar Niemeyer, a obra de Lelé, em que pese a coerência essencial que a caracteriza, mostra a sensibilidade e o comprometimento com uma cultura arquitetônica viva, cujas preocupações e objetivos refletem o espírito do tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">A cidade comparece sempre imbricada com a arquitetura. Naturalmente a discussão urbana permeia os capítulos que tratam da habitação social. Além disso, cada uma das partes principais tem um capítulo dedicado à questão urbana: o concurso de Brasília (1955-1965); a experiência de Curitiba (1965-1975); as conseqüências da modernização dos códigos de obra sobre o espaço urbano, tomando como exemplo a região da avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini na cidade de São Paulo e o planejamento urbano que passou a vigorar desde 1972 (1975-1985); “Reciclagens, Espaços de Cultura e Cidade” (1985-1995) aborda as recuperações de centros históricos e as obras que buscam levar a cidade legal até as áreas de ocupação precária e informal, tratadas como duas faces da mesma questão: a valorização cultural das ambiências urbanas. Na parte final, há um ensaio &#8211; “Arquiteturas em Diálogo com as Paisagens Urbanas” &#8211; que, pela maior proximidade no tempo, tem caráter mais especulativo, mas que procura defender o papel crucial da arquitetura na qualificação da paisagem urbana.</p>
<p style="text-align:justify;">Duas das partes principais narram episódios específicos, mais circunscritos a uma região do país, mas que tiveram grande repercussão na cultura arquitetônica nacional: “Brutalismo: Uma Nova Sensibilidade Superficial e Plástica” (1955-1965) e “Pós-Mineiridade Antropofágica e Experimental” (1975-1985). Esses dois episódios coincidem com inflexões importantes na arquitetura feita no Brasil e, principalmente, com mudanças significativas na percepção da arquitetura brasileira. Têm característica assemelhada de episódios específicos, embora não circunscritos a uma região do país, os capítulos “Pragmatismo Cultural e Urbano: Arquitetos e Obras” (1975-1985) e “Reciclagens, Espaços de Cultura e Cidade” (1985-1995). Ambos extrapolam suas especificidades e assemelham-se, cada um a seu modo, na valorização de tecnologias e implantações tradicionais e na gradativa valorização da arquitetura que compõe com o existente.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O desafio da diversidade</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">É assustador; mas talvez seja necessário aceitar a liberdade, e, com certeza o desconforto, de vivermos hoje uma realidade fragmentária, ampla demais para ser enfeixada em palavras de ordem, em discursos esquemáticos triunfais e pretensamente eficientes, que embalam e consolam tanto quanto simplificam e enganam.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Essa frase, extraída do último parágrafo do livro mostra um compromisso com a aceitação da diversidade e pluralidade. Mas, mais que isso, deixa transparecer, o quanto essa opção, sem sombra de dúvida, é o “caminho difícil”. Buscamos no livro caminhar numa senda relativamente estreita entre a sinalização da convivência simultânea e complexa da diversidade e pluralidade de caminhos e a busca de um nexo histórico, ou seja, de um sentido do espírito do tempo que permeia a produção em cada um dos períodos e no suceder das gerações.</p>
<p>Os 50 anos visitados nesse livro parecem ter sido especialmente movimentados na arquitetura, abarcando desde o último episódio importante do movimento moderno ou o primeiro de sua revisão crítica, o Brutalismo, passando por escarpas rarefeitas em que se vislumbrava a desmaterialização da arquitetura num mundo virtual de imagens ou, pelo contrário, percorrendo o solo num retorno às origens, aos materiais e formas tradicionais, entre um e outro uma gama considerável de pesquisas e experiências tecnológicas e artísticas. Desde os meados dos anos 90 parece se configurar uma espécie de convergência. Quase numa atitude provocativa, afirmamos na parte final do livro que <em>o contemporâneo em arquitetura, desde os últimos anos do século passado, já é reconhecível</em>.</p>
<p>E, indo um pouco mais longe, listamos uma gama de características formais:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Caracteriza-se pelo emprego da abstração em sólidos regulares ou não &#8211; denotando uma ampliação do mundo morfológico, pelo eventual uso de camadas sobrepostas de vedação, pela exploração dos materiais de acabamento na confecção de texturas, pelos anteparos que filtram a luz, com uso de materiais que permitem ampla gama de variação entre o transparente e o opaco, por lançar mão de contrastes – opacidade e transparência, peso e leveza, regra e liberdade – por vezes na relação com o existente. O contemporâneo trabalha com a cidade híbrida e projeta seu lugar. Ou seja, seus momentos mais felizes são quando sua forma resulta tanto do conhecimento disciplinar aprofundado da modernidade enquanto tradição, quanto de uma leitura sensível do lugar, sendo concomitantemente parte da ‘manipulação’ deste lugar.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Caminhamos então para o fim da diversidade e do pluralismo? Dificilmente. Queremos acreditar que o conceito de contemporâneo é que se tornou amplo, inclusivo e diversificado, com capacidade de abarcar diferentes e contrastantes tecnologias e poéticas. Porém, há nessa parte do livro considerável grau de especulação, ainda que embasada na realidade que se percebe.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Recorte nacional e as questões de identidad</strong>e</p>
<p style="text-align:justify;">A historiografia da arquitetura moderna brasileira nasceu sob o amparo da identidade nacional afirmando-se face ao movimento moderno internacional; é assim em <em>Brazil Builds</em> (Philip Goodwin) <a id="_ftnref4_04" href="#_ftn4_04">[4]</a> , <em>Modern Architecture in Brazil </em>(Henrique E. Mindlin) <a id="_ftnref5_05" href="#_ftn5_05">[5]</a> ou <em>L’architecture contemporaine au Brésil</em> (Yves Bruand) <a id="_ftnref6_06" href="#_ftn6_06">[6]</a>. Na narrativa &#8211; <em>Brasil: arquiteturas após 1950</em> – propomos a realização de um panorama nacional que não pretende apoiar uma noção determinada de identidade cultural, o que não deixa de ser uma contradição em termos. Partimos do princípio de que a identidade é sempre uma construção interessada e nunca um absoluto imutável, sendo sucessivamente posta em questão no suceder das gerações.</p>
<p style="text-align:justify;">A base de apoio para a construção da especificidade da arquitetura moderna brasileira, num primeiro momento, foi a idéia de que nossa arquitetura ganhara sua autonomia em relação ao estilo moderno internacional, mais especificamente, de sua vertente corbusiana, pela excelência de sua produção. Mas a partir de meados dos anos 1950, essa construção erudita e referenciada, vai sendo paulatinamente substituída por outra. Talvez de uma maneira pouco clara, pouco debatida, e menos ainda explícita &#8211; mas mesmo assim, de maneira muito avassaladora – os discursos sobre a arquitetura brasileira após Brasília tendem a rechaçar quaisquer laços de inserção da arquitetura brasileira no panorama internacional, negar a influência de modelos de fora, e investir apenas no reconhecimento e valorização de alguns autores e obras nacionais, considerados excepcionais e exemplares. Com evidente empobrecimento dos resultados: tanto da historiografia, como do ensino, e finalmente, das próprias obras.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos anos 80, na esteira da revisão crítica do movimento moderno, parte do pensamento nacional se voltou para a idéia de uma identidade latino-americana. Essa identidade se baseava menos numa uniformidade formal e mais numa identidade no fazer, ou seja, a busca de uma arquitetura apropriada <a id="_ftnref7_07" href="#_ftn7_07">[7]</a> e coerente para a região, ou para as inúmeras regiões dentro da América Latina. A defesa de uma arquitetura adequada e apropriada ao meio e aos fins e, portanto, diferente a cada solicitação levou a uma considerável abertura formal, respaldada pela idéia de ampliação do conceito de modernidade arquitetônica para além de um receituário formal. Assim, a idéia de “modernidades” latino-americanas, diversas e parcialmente destoantes daquela dos centros desenvolvidos, foi uma ferramenta conceitual importante para entender de maneira própria a produção plural que ocorria no subcontinente.</p>
<p style="text-align:justify;">Desde os anos 90 parece haver, em parte do meio nacional, uma recidiva da idéia de autonomia da nossa cultura arquitetônica. Junto à revalorização do movimento moderno amplo senso, parece ocorrer a revalorização da nossa tradição moderna, dos nossos mestres modernos e das nossas obras modernas. Essa recidiva parece ser mais forte no meio paulista, onde uma há uma massa significativa de arquitetos relativamente jovens com uma obra importante, bastante reconhecida no meio. <a id="_ftnref8_08" href="#_ftn8_08">[8]</a> Talvez não haja mais o risco do isolamento num pensamento exclusivamente “nacional”; espera-se que não esteja em curso uma nova construção crítica e historiográfica que prossiga insistindo na fantasia da plena autonomia. Mas possivelmente, a nostalgia de uma época dourada parece nos rondar; embora essa não seja, de modo algum a única tendência contemporânea passível de ser hoje identificada.</p>
<p style="text-align:justify;">Perante estas sucessivas construções críticas e teóricas, adotamos a postura do relato descritivo e crítico, procurando manter certa independência; no entendimento de que a construção da “arquitetura brasileira” corre sempre o risco de tornar-se um relato estreitamente ideológico, potencialmente forçando a narrativa a apenas visualizar algumas escolhas e olhar em certas direções. Não é nosso enfoque: mesmo que seja impossível, gostaríamos de manter nossa narrativa aberta, plural e diversa. No livro <em>Brasil: arquiteturas após 1950</em> procuramos tornar mais direta a percepção do desenvolvimento histórico da produção de arquitetura no Brasil como parte de uma realidade mais ampla e complexa &#8211; ibero-americana, e também, necessariamente, internacional. Colocar o Brasil como protagonista nesta realidade expandida parece ser a única maneira de dar conta da produção destes anos, num mundo em que gradativamente a circulação de informações, de pessoas, de profissionais passou a formar uma rede emaranhada de conexões que torna relativamente sem sentido as dicotomias que pautavam o mundo na primeira metade do século XX.</p>
<p style="text-align:justify;">A narrativa parte então de uma tentativa de superar a dicotomia colônia – metrópole. Sem negar as especificidades do lugar &#8211; geografia, clima, cultura, arquitetura, tradição urbana &#8211; mas entendendo sempre que a cultura arquitetônica é viva e se renova constantemente. Ao estabelecer essa relação mais direta entre o cenário arquitetônico nacional e o internacional, é inevitável o questionamento das narrativas passadas, narrativas que seguem arraigadas na cultura arquitetônica local e sutilmente vivas, em que pese as enormes mudanças superestruturais que o Brasil e o mundo viveram nas últimas cinco décadas. Quanto mais nos aproximamos no tempo, já livres das interpretações passadas, mais clara se torna a impossibilidade de refletir sobre a produção contemporânea nacional apartada do cenário internacional. Nos capítulos finais, embora os exemplos sejam nacionais, a reflexão se volta, inevitavelmente, para os grandes temas que tensionam a produção contemporânea: herança moderna, meio ambiente, espaço público, cidades.</p>
<p style="text-align:justify;">Faz sentido, nos dias de hoje, propor um recorte nacional? Entendemos que o recorte se justifica em dois aspectos principais: o primeiro, já abordado, pelo impulso de colocar a produção nacional como protagonista da cultura arquitetônica mundial &#8211; nem receptor, nem mundo isolado &#8211; estabelecendo uma relação mais direta entre cenário arquitetônico nacional e internacional; o segundo, por ser tratar de uma produção pouco presente nos compêndios internacionais e que, malgrado parte de um todo maior, constitui um repertório local importante que constrange, para o bem e para o mal, a produção local.</p>
<hr size="1" />
<h3>notas</h3>
<p><a id="_ftn1_01" href="#_ftnref1_01">[1]</a> BRUAND, 1981.<br />
<a id="_ftn2_02" href="#_ftnref2_02">[2]</a> MAGALHÃES, GUIMARAENS, TAULOIS e FERREIRA, 1978.<br />
<a id="_ftn3_03" href="#_ftnref3_03">[3]</a> Ver MAGALHÃES, GUIMARAENS, TAULOIS e FERREIRA, 1978.<br />
<a id="_ftn4_04" href="#_ftnref4_04">[4]</a> GOODWIN, 1943.<br />
<a id="_ftn5_05" href="#_ftnref5_05">[5]</a> MINDLIN, 1956.<br />
<a id="_ftn6_06" href="#_ftnref6_06">[6]</a> BRUAND, 1981.<br />
<a id="_ftn7_07" href="#_ftnref7_07">[7]</a> O texto emprega o conceito “arquitetura apropriada” tal como definida por Cristián Fernandez Cox. Ver COX, 1984; COX, 1989.<br />
<a id="_ftn8_08" href="#_ftnref8_08">[8]</a> Caso, por exemplo, do grupo reunido na exposição “Coletivo”. Ver MILHEIRO, NOBRE e WISNIK, 2006.</p>
<div style="text-align:justify;">
<hr size="1" />
<h3>referências bibliográficas</h3>
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<p style="text-align:justify;">____, Ruth Verde. <em>Arquitetura da Escola Paulista Brutalista, 1953-1973</em>, Tese de Doutoramento, Propar – UFRGS, 2005.</p>
<div style="text-align:right;">
<hr size="1" />
<p><strong>Maria Alice Junqueira Bastos </strong></div>
<p style="text-align:right;">Arquiteta, com mestrado (2000) e doutorado (2005) pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, desenvolve pesquisa de pós doutoramento na FAU da Universidade Presbiteriana Mackenzie desde agosto de 2010. É autora dos livros Brasil: Arquiteturas após 1950 (com R. V. Zein, Perspectiva, 2010); Duo Alto de Pinheiros – Königsberger Vannuchi (C4, 2009) e Pós-Brasília: Rumos da Arquitetura Brasileira (Perspectiva, 2003).</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Ruth Verde Zein </strong><br />
Arquiteta, com mestrado (1999) e doutorado (2005) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-doutorado (2008) pela FAU-USP. Prêmio Capes 2006 de Teses. É professora e pesquisadora da Universidade Presbiteriana Macken¬zie. É autora de, entre outros, Brasil: Arquiteturas após 1950 (com M. A. J. Bastos, Perspectiva, 2010), Sala São Paulo: A Arquitetura da Música (com A. R. Di Marco; Altermarket, 2007), Rosa Kliass: Desenhando Paisagens, Moldando uma Profissão (com R. Kliass, Senac, 2006) e O Lugar da Crítica: Ensaios Oportunos de Arquitetura (Ritter dos Reis/Proeditores, 2002).</p>
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<p style="text-align:right;"><span style="color:#888888;">Colaboração editorial: Luciana Jobim</span></p>
</div>
</div>
<br />Filed under: <a href='http://mdc.arq.br/category/ensaio-e-pesquisa/'>Ensaio e pesquisa</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/maria-alice-junqueira-bastos/'>Maria Alice Junqueira Bastos</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/ruth-verde-zein/'>Ruth Verde Zein</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/'>Série Panoramas da Arquitetura Brasileira</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/revistamdc.wordpress.com/6646/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/revistamdc.wordpress.com/6646/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/revistamdc.wordpress.com/6646/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/revistamdc.wordpress.com/6646/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/revistamdc.wordpress.com/6646/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/revistamdc.wordpress.com/6646/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/revistamdc.wordpress.com/6646/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/revistamdc.wordpress.com/6646/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/revistamdc.wordpress.com/6646/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/revistamdc.wordpress.com/6646/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/revistamdc.wordpress.com/6646/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/revistamdc.wordpress.com/6646/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/revistamdc.wordpress.com/6646/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/revistamdc.wordpress.com/6646/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=6646&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Arquitetura Brasil 500 Anos</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 04:15:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo Matoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Montezuma]]></category>
		<category><![CDATA[Série Panoramas da Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura brasil 500 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Panoramas da Arquitetura Brasileira Moderna e Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Roberto Montezuma O livro – em dois volumes &#8211; que motiva este documento foi idealizado para representar o alto nível de investigação, pesquisa e criação da produção brasileira de arquitetura, seja na exposição de suas obras seja na explanação dos pesquisadores brasileiros a esse respeito, referente ao quinto centenário de surgimento do Brasil. A obra [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=6496&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><img class="alignnone size-full wp-image-5917" style="border:0 none;" title="Ver os textos da série" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/serie-panoramas1.jpg?w=207&amp;h=19" alt="" width="207" height="19" /></a></p>
<p style="text-align:right;">Roberto Montezuma</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><span id="more-6496"></span></a><br />
<img class="alignnone size-medium wp-image-6632" style="margin-left:10px;margin-right:10px;border:0 none;" title="ArqBR, 1" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/07/arqbr-1-mdc.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /><img class="alignnone size-medium wp-image-6633" style="border:0 none;" title="ArqBR, 2" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/07/arqbr-2-mdc.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></p>
<p style="text-align:justify;">O livro – em dois volumes &#8211; que motiva este documento foi idealizado para representar o alto nível de investigação, pesquisa e criação da produção brasileira de arquitetura, seja na exposição de suas obras seja na explanação dos pesquisadores brasileiros a esse respeito, referente ao quinto centenário de surgimento do Brasil.</p>
<p style="text-align:justify;">A obra faz um levantamento panorâmico da produção significativa da arquitetura brasileira e, mesmo em face dos desafios enfrentados, não parece exagero dizer que ela se transformou em um importante documento da historiografia sobre a arquitetura brasileira do País. Estruturada em nove módulos temáticos (<em>Indígena, Linguagem Clássica, Arquitetura Moderna</em> e <em>Brasília</em> – Volume 1; <em>Popular, Anos 60-70, Anos 80, Anos 90</em> e <em>Desenhando o futuro</em> – Volume 2) cada módulo foi entregue a um pesquisador convidado. Todavia, a metodologia que a divisão dos módulos apresenta é de nossa inteira responsabilidade, ao compreender a arquitetura como fato complexo, cuja essência está no sentido que tece as múltiplas tramas ou partes que constituem um lugar construído.</p>
<p style="text-align:justify;">A meta não foi apenas rever o passado, mas encontrar, prioritariamente, referências importantes para pensar um futuro que em parte nasce das possibilidades que oferecem o nosso patrimônio construído de ser matéria palpável e símbolo. Nesse sentido, o recorte que fizemos certamente é uma redução da realidade de cinco séculos, mas que permite aflorar fios de espessuras e tramas de tal modo variadas que desafiam esse universo pleno de possibilidades exploradas e ainda por explorar.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste contexto, o Volume 1 abre com um capítulo sobre Arquitetura Indígena, de autoria do prof. Jorge Derenji,<strong> </strong>que apresenta um acervo de informações e de tipos construtivos, de modos de construir, edificar e de se apropriar do espaço físico, por parte das sociedades indígenas brasileiras. Documenta aspectos intocados do ambiente construído indígena, registra as mudanças que vêm ocorrendo, tendo como maior fator a miscigenação de raças e costumes, para apresentar uma preocupação preservacionista daquele acervo que aos poucos vai se dissolvendo. Se a arquitetura indígena é feita para durar menos do que a vida de seus autores, o modo de construir permaneceu e chegou a atualidade, à despeito das fragilidades da arquitetura e da manutenção das culturas desses primeiros povos do país.</p>
<p style="text-align:justify;">O período histórico que expressa a linguagem clássica da arquitetura brasileira é abordado pelo prof. Geraldo Gomes da Silva, no capítulo 2. Segundo o autor, “todas as linguagens arquitetônicas, salvo raros exemplares do neo-gótico e do neo-românico, nesses quatro séculos, podem ser entendidas como variantes da linguagem clássica” <a id="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a>. Numa abordagem original, mostra como esses séculos são normalmente estudados de forma compartimentada sem que sejam confrontadas com as linguagens classicizantes ecléticas que antecederam o período denominado modernista.  Relata os vários tipos arquitetônicos que fizeram parte da história da arquitetura brasileira desde o século XVI até aqueles que prenunciam o modernismo.</p>
<p style="text-align:justify;">O modernismo, por sua vez, é apresentado pelo prof. Carlos Comas, que expõe uma visão do movimento moderno desde sua incubação à fase que ele denomina de mutação, justificando com este nome, seu ponto de vista de que “para o bem e para o mal, a unidade está perdida e é sem volta.”<a id="_ftnref2" href="#_ftn2">[2]</a> Para tanto, percorre obras emblemáticas tais como o prédio do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">O quarto capítulo que encerra volume 1 o com o tema Brasília, é de autoria de Maria Elisa Costa. Seu texto aponta em Brasília as qualidades que a aproxima de uma cidade igual a qualquer outra do Brasil, um depoimento único e pessoal sobre a cidade símbolo das idéias modernistas no mundo, mostrando como Lucio Costa soube se apropriar da história urbanística brasileira e superá-la sem negá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">O Volume 2 sintetiza a produção contemporânea brasileira em dois tipos de capítulo: temáticos e cronológicos. Arquitetura popular e desenhando o futuro (respectivamente 1 e 5)  são os capítulos temáticos, e os capítulos cronológicos versam respectivamente sobre as décadas de 60 e 70; sobre a década de 80 e sobre a década de 90.</p>
<p style="text-align:justify;">No capítulo 1 do Volume 2 &#8211; <em>Arquitetura Popular &#8211; </em>escrito pelos professores Maria de Jesus de Britto Leite e Nabil Bonduki, a arquitetura popular é analisada sob dois pontos de vista, aquele da arquitetura feita <em>pelo povo</em> e aquele da arquitetura feita <em>para o povo</em>. O primeiro ponto de vista, desenvolvido por Maria de Jesus, “registra a arquitetura feita pelos populares para seu próprio uso e mostra um acervo arquitetônico que, edificado não apenas para ser abrigo das múltiplas atividades requeridas pelo homem moderno, também contêm expressão no campo da estética.”<a id="_ftnref3" href="#_ftn3">[3]</a> O segundo ponto de vista, desenvolvido por Nabil Bonduki, “situa histórica e politicamente as iniciativas e propostas arquitetônicas dos conjuntos habitacionais para a classe trabalhadora”<a id="_ftnref4" href="#_ftn4">[4]</a>.O capítulo ainda deixa evidente uma distância conceitual e projetual entre as duas arquiteturas.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Décadas de 60 e 70</em>, escrito por Mauro Neves,<strong> </strong>apresenta a produção de vinte anos de uma arquitetura que, embora marcada pelos êxitos alcançados pelo modernismo brasileiro, cujo ápice pode ser estabelecido em Brasília, revela as inquietações próprias daquelas décadas tão complexas. Segundo o autor, foi a produção desse período que acabou por apontar caminhos alternativos para além do modernismo cujos resultados testemunhamos num passado tão recente e procuramos compreender até os dias de hoje.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Década de 80</em>, escrito por Marcelo Suzuki,<strong> </strong>é um capítulo que afirma a posição pessoal do autor de não caracterizar o período pelas obras que, para outros, foram importantes no processo de revisão do modernismo. Suzuki identifica uma “dispersão” nos anos de 1980 que teria resultado de uma “desarticulação” acontecida no início dos anos de 1990.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Década de 90</em>, escrito por Roberto Montezuma, baseia sua análise na qualidade espacial das obras, para além da forma. O autor, superando a distinção entre espaços interiores e exteriores, relaciona o micro espaço da unidade residencial ao macro espaço da cidade e do território, abrindo a discussão para o capítulo <em>Desenhando o Futuro</em>, cujo autor, Pedro Sales, discorre sobre os projetos para as cidades e do território brasileiro e apresenta as linhas de pesquisa e atuação arquitetônica e urbanística que se mostram como <em>vetores de mudança positiva</em>, ou seja, que apontam de forma coerente e inovadora para o porvir.</p>
<p style="text-align:justify;">Em seu livro <em>O Brilho da Simplicidade</em>, Glauco Campello identifica um “eixo constante e unificador” da produção arquitetônica brasileira, cujos atributos “parecem ter sido, desde sempre, a singeleza, a concisão e a clareza”<a id="_ftnref5" href="#_ftn5">[5]</a> da produção brasileira, e uma das perguntas que este livro pode fazer é se esses atributos se restringem à arquitetura religiosa do Brasil Colônia ou se eles também não se fazem presentes na arquitetura contemporânea.</p>
<p style="text-align:justify;">Se o livro é por natureza um agente multiplicador de conhecimento, neste caso do conhecimento de arquitetura e de arquitetos, importa reafirmar que o livro do qual tratamos aqui quer ultrapassar o deleite estético e o conhecimento proporcionados, ao mesmo tempo em que os ressalta. A pretensão é motivar discussões, sensibilizar o espírito critico intra-gerações em técnicos e criadores, entendendo que o exercício da crítica deve ser motivado nas instâncias do projeto, do canteiro de obras, da vivência dos ambientes, sob o entendimento de que é o valor de arquitetura que motiva esse incontestável significado social do nosso patrimônio arquitetônico e urbanístico sobre o qual devem continuar a se debruçar teoria e prática.</p>
<p style="text-align:justify;">É preciso registrar que entre o primeiro volume e o segundo decorreram quase dez anos e que, embora esse tempo tão longo expresse a dificuldade em concretizar tamanho empreendimento, por outro lado, esse tempo de sedimentação e de maturação permitiu a clareza de que trilhávamos um caminho importante e que devia ser percorrido integralmente. Nesse ínterim, inclusive, como demonstração dessa maturidade, também foi criado o Instituto ArqBr, que tem o propósito de dar continuidade ao trabalho da equipe que assumiu essa tarefa árdua mas prazerosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Os dois volumes se completam: enquanto o conteúdo de <em>Arquitetura Brasil</em> Volume 1 tem predominância  retrospectiva, o Volume 2 é a um tempo retrospectivo e prospectivo.  A idéia central da obra pode ser sintetizada pela associação a uma colheita de frutos cujas sementes frutificam.  Evidente, um trabalho composto de redações de diversos autores que naturalmente tiveram a liberdade de conduzir, a seu modo, as idéias pesquisadas, tem linguagem heterogênea, como heterogênea é a própria expressão da arquitetura nesses cinco séculos. Mas também esse é um dos méritos desta obra: reafirma valores, apresenta, na fonte, as inquietações dos temas pesquisados, ao invés de ser interpretação individual de um universo tamanho. A perspectiva que perseguimos é a de que essa obra contribua para aprimorar a arquitetura, a crítica arquitetônica e as relações entre as duas instâncias, que seja um dos veículos que expressem o desafio da realização das próximas obras, da superação de dificuldades e revisão de conteúdos.</p>
<p style="text-align:justify;">Em um capítulo de fechamento do volume 1, o professor Edson Mafhuz fala da oportunidade de publicações como esta, justamente por se propor a apresentar um panorama da arquitetura brasileira, fato que permite comparações imediatas com as produções diversas relativamente a tipos e tempos. Em sua ótica, inclusive, ele diz que o livro evidencia a boa qualidade da obra arquitetônica brasileira, em detrimento da atual: “A partir da inauguração de Brasília, percebe-se a decadência gradual dos valores que possibilitam uma arquitetura de tal qualidade, que foi aclamada no exterior, ombreando-se com o que de melhor foi realizado em todo o mundo naquela época” <a id="_ftnref6" href="#_ftn6">[6]</a></p>
<p style="text-align:justify;">Vale ressaltar que os dois volumes apresentam um panorama que apresenta desde a plasticidade dos tipos arquitetônicos até à tectônica que as arquiteturas expressam – a trama estrutural que é ao mesmo tempo formal da arquitetura indígena; da estrutura apenas aparentemente simples, mas certamente sábia dos telhados de casas e fábricas dos engenhos de açúcar;  das cobertas dos pátios dos conventos, das igrejas barrocas mineiras, sem as quais as formas curvas seriam menos evidentes; da ousadia estrutural que também é forma expressa em Brasília.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas também entendemos que esse panorama ainda reside nas perguntas feitas pelos próprios  pesquisadores nos capítulos dos dois volumes e que são matéria para outras tantas pesquisas seja no campo da teoria seja no campo da prática. São muitas as perguntas que provocam esse desafio que todos os dias enfrentam arquitetos, arquitetura e cidade contemporâneas, a começar pela que nos deixa o capítulo escrito por Derenji sobre a arquitetura indígena. O capítulo é revelador do problema que deve ser abraçado pelos pensadores de diversas disciplinas, incluída a arquitetura, na importância que esse modo de fazer pode contribuir para a contemporaneidade e sobre as formas que o pensamento preservacionista pode encontrar para preservar sem impedir que as pessoas acedam a qualidades reconhecíveis da vida moderna, sem que se perca o valor de uma cultura determinada.</p>
<p style="text-align:justify;">Seguem as perguntas deixadas, a questão da busca por uma arquitetura que resolva o déficit habitacional do país, mas que enfim venha a ser aquela que para além de garantir o abrigo, resulte em espaços privados e públicos que respeitem os hábitos, que reflita nesse caso como em vários outros, sobre a tendência de submissão a uma estética massificada que se distancia dos valores dos lugares; a questão da relação inseparável e ainda distante da prática contemporânea, da indissociabilidade entre espaço e forma, entre espaço interior e exterior como expressão da totalidade arquitetônica, questionamento encontrado praticamente em todos os capítulos do Volume 2.</p>
<p style="text-align:justify;">Finalmente, vale registrar a pergunta que deixa Miguel Pereira, um dos apresentadores da obra (em sintonia com o ultimo texto do mesmo volume, escrito por Mahfuz, ambos preocupados com a dependência contemporânea relativa ao que se produz no exterior), ao lembrar o velho mestre Roberto Schwarz:“(&#8230;) a cada geração a vida intelectual no Brasil parece recomeçar do zero. O apetite pela produção recente dos países avançados muitas vezes tem como avesso o desinteresse pelo trabalho da geração anterior e a conseqüente descontinuidade da reflexão”<a id="_ftnref7" href="#_ftn7">[7]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">A primeira e a última pergunta se somam à pergunta do meio que também faz Carlos Comas no mesmo volume 1 são na verdade uma só: porque é tão exíguo o trabalho de refletir, rever  e aprender com o que foi feito no Brasil desde o período de Colônia, até os áureos anos modernistas?</p>
<p style="text-align:justify;">Entendemos que os trabalhos que compõem estes dois volumes são, de fato, uma reverência aos pioneiros da arquitetura do Brasil como um produto cultural, com suas bases históricas, teóricas, criticas, filosóficas.</p>
<p style="text-align:justify;">Entendemos que os questionamentos que o livro provoca desde os seus próprios capítulos, por si só anima os seus organizadores a acreditar que empreenderam um trabalho que não se reduz a ser uma amostra dos tipos arquitetônicos que se pode reconhecer nos quinhentos anos história da arquitetura brasileira. Mas também pretende ser uma reflexão sobre a arquitetura em suas qualidades tectônicas, formais, funcionais; em relação às possibilidades de continuarmos fazendo uma arquitetura e uma cidade que dignifique o brasileiro. Nesse sentido, o pósfácio do livro, escrito pelo arquiteto Francisco Carneiro da Cunha é revelador dessa “querência”:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Os dois volumes da obra A<em>rquitetura Brasil</em>, lançados no intervalo de seis anos, e que consumiu quase uma década de trabalho, intenta um estudo retrospectivo da arquitetura brasileira que até recua para um período anterior ao início dos 500 anos de história oficial e ainda preocupa-se com projeções em direção ao futuro. Tudo isso, justamente, na esperança de servir de referência e subsídio a essa necessária retomada reflexiva da produção de uma arquitetura que volte a ser protagonista do desenvolvimento nacional.</p>
<p style="text-align:justify;">Se conseguiu ou não alcançar este objetivo, cabe só ao leitor julgar. O importante é que tentou e deixa a sua contribuição registrada. E essa tentativa é, sem dúvidas, seu maior patrimônio.<a id="_ftnref8" href="#_ftn8">[8]</a></p>
</blockquote>
<hr size="1" />
<h3>notas</h3>
<p><a id="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> Gomes, Geraldo. <em>Linguagem Clássica</em>, v.1, p.68.</p>
<p><a id="_ftn2" href="#_ftnref2">[2]</a> Comas, Carlos Eduardo. <em>Moderna (1930 a 1960)</em>, v.1, p.237.</p>
<p><a id="_ftn3" href="#_ftnref3">[3]</a> Leite, Maria de Jesus de Britto e Nabil Bonduki. <em>Popular</em>, v.2,  p.35.</p>
<p><a id="_ftn4" href="#_ftnref4">[4]</a> Leite, Maria de Jesus de Britto e Nabil Bonduki. <em>Popular</em>, v.2, p.38.</p>
<p><a id="_ftn5" href="#_ftnref5">[5]</a> Campello, Glauco. <em>O brilho da simplicidade : </em>dois estudos sobre arquitetura religiosa no Brasil Colonial. Rio de Janeiro : Casa da Palavra, Departamento Nacional do Livro, 2001. p.22.</p>
<p><a id="_ftn6" href="#_ftnref6">[6]</a> Mahfuz, Edson da Cunha. <em>A vigência da concepção moderna</em>, v.1. p.302.</p>
<p><a id="_ftn7" href="#_ftnref7">[7]</a> Pereira, Miguel. <em>Apresentações</em>, v.1.</p>
<p><a id="_ftn8" href="#_ftnref8">[8]</a> Cunha, Francisco Carneiro da. Posfácio, v.2, p.341.</p>
<hr size="1" />
<h3>textos constantes na obra</h3>
<h4 style="text-align:justify;">volume 1</h4>
<p><strong>Montezuma</strong>, Roberto (org.). <em>Arquitetura Brasil 500 anos </em>: uma invenção recíproca = <em>Architecture Brazil 500 years </em>: a reciprocal invention. Recife : Universidade Federal de Pernambuco, 2002. 328p. (Arq BR, 1)</p>
<p style="text-align:justify;">1.<br />
Indígenas / <em>Indigenous</em><br />
Jorge Derenji</p>
<p style="text-align:justify;">2.<br />
Linguagem Clássica /<em> Classicalism</em><br />
Geraldo Gomes</p>
<p style="text-align:justify;">3.<br />
Moderna (1930 a 1960) /<em> Modern (1930 to 1960)</em><br />
Carlos Eduardo Comas</p>
<p style="text-align:justify;">4.<br />
Brasília /<em> Brasilia</em><br />
Maria Elisa Costa</p>
<p style="text-align:justify;">5.<br />
Continuando o Debate /<em> Continuing the Debate</em><br />
Edson da Cunha Mahfuz</p>
<h4 style="text-align:justify;">volume 2</h4>
<p><strong>Montezuma</strong>, Roberto (org.). <em>Arquitetura Brasil 500 anos </em>: o espaço integrador = <em>Architecture Brazil 500 years </em>: integrating space. Recife : Universidade Federal de Pernambuco, 2002. 328p. (Arq BR, 2)</p>
<p style="text-align:justify;">1.<br />
Popular / <em>Popular</em><br />
Maria de Jesus Britto Leite e Nabil Bonduki</p>
<p style="text-align:justify;">2.<br />
Décadas de 1960 e 1970 /<em> The 60s and 70s</em><br />
Mauro Neves Nogueira</p>
<p style="text-align:justify;">3.<br />
Década de 1980 /<em> The 80s</em><br />
Marcelo Suzuki</p>
<p style="text-align:justify;">4.<br />
Década de 1990 /<em> The 90s</em><br />
Roberto Montezuma</p>
<p style="text-align:justify;">5.<br />
Desenhando o Futuro / <em>Designing the Future</em><br />
Pedro Sales</p>
<p style="text-align:justify;">6.<br />
Posfácio / <em>Postface</em><br />
Francisco Carneiro da Cunha</p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:right;"><strong> Roberto Montezuma</strong><br />
Arquiteto e professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPE.</p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:right;"><span style="color:#888888;">Colaboração editorial: Luciana Jobim</span></p>
<br />Filed under: <a href='http://mdc.arq.br/category/ensaio-e-pesquisa/'>Ensaio e pesquisa</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/roberto-montezuma/'>Roberto Montezuma</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/'>Série Panoramas da Arquitetura Brasileira</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/revistamdc.wordpress.com/6496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/revistamdc.wordpress.com/6496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/revistamdc.wordpress.com/6496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/revistamdc.wordpress.com/6496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/revistamdc.wordpress.com/6496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/revistamdc.wordpress.com/6496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/revistamdc.wordpress.com/6496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/revistamdc.wordpress.com/6496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/revistamdc.wordpress.com/6496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/revistamdc.wordpress.com/6496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/revistamdc.wordpress.com/6496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/revistamdc.wordpress.com/6496/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/revistamdc.wordpress.com/6496/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/revistamdc.wordpress.com/6496/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=6496&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">ArqBR, 2</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A construção de um campo historiográfico</title>
		<link>http://mdc.arq.br/2011/05/03/a-construcao-de-um-campo-historiografico/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 May 2011 04:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo Matoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Abilio Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Série Panoramas da Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[História da Arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos de arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Textos fundamentais sobre a história da arquitetura moderna brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mdc.arq.br/?p=5183</guid>
		<description><![CDATA[Abilio Guerra [1] A historiografia da arquitetura moderna introduzida no Brasil a partir do final da década de 1920 é um fenômeno recente. Durante décadas imperou a visão presente nos mitológicos Brazil Builds (Philip Goodwin, 1943)[2] e Modern Architecture in Brazil (Henrique Mindlin, prefácio de Sigfried Giedion, 1956)[3], que foi repetida de forma tão sistemática [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=5183&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><img class="alignnone size-full wp-image-5917" style="border:0 none;" title="Ver os textos da série" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/serie-panoramas1.jpg?w=207&amp;h=19" alt="" width="207" height="19" /></a></p>
<p style="text-align:right;">Abilio Guerra</p>
<p><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><span id="more-5183"></span></a></p>
<div style="height:285px;"><a href="http://mdc.arq.br/?attachment_id=6094"><img class="alignright size-medium wp-image-6094" style="border:0 none;" title="Capa do livro Textos fundamentais sobre a história da arquitetura moderna brasileira_parte 1" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/04/volume01-a.jpg?w=175&#038;h=300" alt="" width="175" height="300" /></a></div>
<p><a id="_ftnref1_6956" href="#_ftn1_6956">[1]</a></p>
<p style="text-align:justify;">A historiografia da arquitetura moderna introduzida no Brasil a partir do final da década de 1920 é um fenômeno recente. Durante décadas imperou a visão presente nos mitológicos <em>Brazil Builds</em> (Philip Goodwin, 1943)<a id="_ftnref2_6956" href="#_ftn2_6956">[2]</a> e <em>Modern Architecture in Brazil</em> (Henrique Mindlin, prefácio de Sigfried Giedion, 1956)<a id="_ftnref3_6956" href="#_ftn3_6956">[3]</a>, que foi repetida de forma tão sistemática que se transformou em quase axioma. Os textos de Goodwin e Giedion olhavam para a nova arquitetura a partir de uma perspectiva informada pelos pressupostos teóricos e históricos de Lucio Costa. No entendimento de Costa, a arquitetura moderna brasileira era resultante de dois fatores distintos e complementares: a fusão dos princípios europeus e dos elementos culturais nacionais; e a criatividade do gênio nativo, em especial do arquiteto Oscar Niemeyer. Há aqui um flagrante condicionamento de um ambiente intelectual que assumiu a identidade nacional como cerne de sua atuação cultural e artística; hegemônico no primeiro tempo modernista brasileiro, esse ambiente ocupou também posição central nos desdobramentos modernos dos anos 1940 e 1950.</p>
<p style="text-align:justify;">A produção histórica escassa sobre a arquitetura moderna no Brasil até o início dos anos 1980 é resultante, dentre outros fatores, da falta de consistência teórica e metodológica da pesquisa histórica realizada na universidade – os raros programas de pós-graduação ainda não tinham se consolidado – e do ambiente endógeno na área de produção, em que os envolvidos na realização de obras arquitetônicas e sua divulgação – arquitetos, fotógrafos, editores, redatores etc. – compartilhavam dos mesmos princípios e valores a respeito da “boa arquitetura”. Não é de se estranhar, portanto, que em um ambiente intelectual engessado tenha sido de um estrangeiro, o francês Yves Bruand, o primeiro estudo abrangente sobre a carreira da arquitetura moderna em nosso país. Mas, mesmo neste livro fundamental – <em>Arquitetura contemporânea no Brasil</em>, publicado em 1981<a id="_ftnref4_6956" href="#_ftn4_6956">[4]</a> – a pauta que estrutura os argumentos e a própria lógica da evolução ainda está embebida do DNA das ideias de Costa.</p>
<p style="text-align:justify;">O livro de Bruand, ele próprio resultado de uma pesquisa de doutorado, sinaliza uma mudança fundamental em dois âmbitos: pesquisa em pós-graduação e publicações periódicas. Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP), pioneira na pós-graduação em arquitetura no Brasil<a id="_ftnref5_6956" href="#_ftn5_6956">[5]</a>, o curso de mestrado foi criado em 1972, mas será o de doutorado, estruturado em 1980, que dará novos parâmetros para a pesquisa em história, além de formar um expressivo contingente de professores para os cursos de mestrado que serão fundados a seguir em outras universidades públicas brasileiras, com especial destaque para a Escola de Engenharia de São Carlos, da USP. Nessa escola, o curso de mestrado em arquitetura remonta a 1971, mas só a partir de 1985, quando ocorre a implantação do curso de graduação em arquitetura e urbanismo, com a participação de professores com mestrado e/ou doutorado na FAU USP – dentre eles, Carlos Alberto Ferreira Martins, Carlos Roberto Monteiro de Andrade, Renato Anelli, Agnaldo Farias e Nabil Bonduki –, é que se consolida o projeto que resultará na área de concentração “Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo”, criada em 1993. Outros cursos de mestrado, como é o caso dos implantados na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1983 e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1987, também se beneficiaram da matriz uspiana, mas com menor intensidade, pois neles é muito expressivo o número de professores com pós-graduação no exterior. Tal situação é ainda mais flagrante na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde a influência da FAU USP é mínima. O Programa de Pós-graduação em Arquitetura (Propar) foi fundado em 1979 e começou a oferecer cursos de especialização em 1980, de mestrado em 1990 e o de doutorado em 2000. Seus mais destacados professores, Carlos Eduardo Dias Comas e Edson da Cunha Mahfuz, realizaram suas pós-graduações no exterior, assim como diversos dos outros membros do programa. Essa relativa autonomia talvez explique a diversidade do foco das leituras históricas ali realizadas.</p>
<p style="text-align:justify;">No campo das publicações periódicas, depois de um interregno de quase uma década sem revistas de arquitetura relevantes, o quadro irá se reverter nos anos 1980: “No Brasil”, assinala Hugo Segawa, “revistas como <em>Habitat</em> e <em>Módulo</em> dos anos 1950 e <em>Acrópole</em> dos anos 1960 (com menos rigor) aproximaram-se das linhas editoriais de tendência, como <em>Arquitetura </em>refletiu as posições da corporação nessa mesma década, até o fenecimento da imprensa de arquitetura no início dos anos 1970. O ressurgimento das publicações regulares nos anos 1980, com a <em>Projeto </em>(a partir de 1979) e <em>AU </em>(desde 1985), não marcou a retomada de ‘revistas de tendência’, mas refletiu as incertezas de um país no limiar da redemocratização, o atordoamento pós-moderno e a concordata da modernidade brasileira”<a id="_ftnref6_6956" href="#_ftn6_6956">[6]</a>. As duas novas revistas iniciam um processo de profissionalização do jornalismo em arquitetura, com destaque para Ruth Verde Zein, Cecília Rodrigues do Santos e o próprio Segawa<a id="_ftnref7_6956" href="#_ftn7_6956">[7]</a>. Na revista <em>Projeto</em> daquele período é possível encontrar textos jornalísticos inspirados, em que a intuição dos articulistas aponta para temas e questões inovadoras, e o início de preocupações mais rigorosas do ponto de vista crítico e histórico. A tônica comum é de um entendimento mais crítico da arquitetura moderna e de uma maior abertura em relação às temáticas e poéticas arquitetônicas contemporâneas. Em um sentido mais geral, pode-se dizer que nesse momento surge uma consciência da historicidade do moderno e as implicações correspondentes, em especial a possibilidade de se fazer balanços, comparações, ajuizamentos críticos etc.</p>
<p style="text-align:justify;">Curiosamente estes dois elementos – pesquisa e revista – estiveram presentes simultaneamente em duas unidades da PUC, permitindo que participassem da discussão historiográfica. Ainda nos anos 1980, na falta de uma escola de arquitetura<a id="_ftnref8_6956" href="#_ftn8_6956">[8]</a>, o Curso de Especialização em História da Arte e Arquitetura do Departamento de História da PUC-Rio abrigou um grupo de intelectuais de primeira linha, o que possibilitou a experiência marcante da <em>Gávea</em>, revista de história da arte e arquitetura, cujo primeiro número foi publicado em 1984. Ao longo dos anos, participaram como editores e membros do conselho editorial personalidades como Carlos Zílio, Eduardo Jardim de Moraes, Margareth da Silva Pereira, Jorge Czajkowski, Ronaldo Brito, João Masao Kamita, Roberto Conduru e Rodrigo Naves. Na década seguinte, a PUC-Campinas, graças ao investimento na carreira docente, possibilitou que seus professores se qualificassem com mestrado e doutorado, realizados na FAU USP e no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Essa experiência – que contou com a participação dos professores Sophia S. Telles, Luis Espallargas Gimenez, Maria Beatriz de Camargo Aranha, Áurea Pereira da Silva, Vladimir Bartalini, Silvana Rubino e Abilio Guerra – teve na revista <em>Óculum</em>, publicada a partir de 1992, uma de suas expressões importantes<a id="_ftnref9_6956" href="#_ftn9_6956">[9]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">São os artigos escritos e publicados nesse ambiente intelectual, entrelaçando jornalismo especializado e pesquisa acadêmica, revistas comerciais e periódicos universitários, que dão a base inicial para a formação do espaço de pesquisa sobre arquitetura moderna brasileira, ou simplesmente do “campo”, como diria Margareth da Silva Pereira. Desde então se avançou muito, graças à sedimentação dos mencionados cursos de pós-graduação e a criação de outros, tanto em escolas públicas como privadas, alguns em rápido processo de amadurecimento, como é o caso dos oferecidos pela PUC-Campinas e Mackenzie. Hoje, portanto, o quadro é muito distinto de trinta anos atrás, pois já foram realizados uma cobertura temática de grande amplitude e estudos monográficos aprofundados<a id="_ftnref10_6956" href="#_ftn10_6956">[10]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">A ideia de publicar esta coletânea de artigos, que consideramos fundamentais para a compreensão da formação da historiografia sobre a arquitetura moderna brasileira, é acalentada há alguns anos. O período que nos separa de suas publicações originais é relativamente curto – o primeiro deles data de 1983 – e eles continuam presentes nas bibliografias de artigos, mestrados, doutorados, disciplinas etc. Essa constatação torna incômoda a situação de quem os reapresenta ao público, pois alguns riscos de interpretação equivocada são eminentes. O primeiro deles é supor que aqui estão apresentados os <em>textos inaugurais</em> da construção historiográfica da arquitetura moderna brasileira. Para nos antepormos a quem assim considerar, sacamos de empréstimo o comentário de Lucio Costa em seu debate epistolar com Geraldo Ferraz, que defendia Gregori Warchavchik como o introdutor da arquitetura moderna no Brasil: “não adianta [...] perderem tempo à procura de pioneiros – arquitetura não é <em>Far-West</em>”<a id="_ftnref11_6956" href="#_ftn11_6956">[11]</a>. Mas, diferente de Lucio Costa – que desloca astuciosamente a questão ao defender Niemeyer como autor dos princípios que norteariam o seu desenvolvimento no país –, nós apontamos aqui a dificuldade, e até mesmo a impossibilidade, em detectar pioneirismo de ideias em um ambiente em que o rigor acadêmico ainda não havia fincado raízes. Portanto, os textos aqui presentes não são necessariamente os primeiros publicados sobre a questão historiográfica e, seguramente, se beneficiaram do momento propício à construção do “campo”. Mas eles são ou os artigos que mais desdobramentos provocaram no debate historiográfico nas últimas décadas – em especial, os presentes na parte 1 desta coletânea –, ou exemplos interessantes dos desdobramentos de ideias, pressupostos e métodos ali contidos.</p>
<p style="text-align:justify;">O segundo risco é de considerar os textos selecionados como <em>atuais</em>, no sentido que seriam as últimas elucubrações sobre os assuntos historiográficos. Não o são, evidentemente. O tempo – que corrói todas as coisas, segundo o velho adágio ovidiano – não os deixou impunes. Como não podia deixar de ser, mais do que as pretensas verdades dos caminhos e descaminhos da arquitetura moderna brasileira, eles retratam as condições materiais e possibilidades intelectuais do período no qual foram produzidos. E os próprios autores – praticamente todos eles hoje com uma carreira consolidada – são conscientes disso, como podemos verificar nas suas próprias palavras. “De minha parte”, diz Sophia S. Telles, “modificações substantivas ocorreram durante esses anos, mais na maneira de ler os projetos – tão fenomenológica, inicialmente – e muito nas interpretações ideológicas e políticas, que considero ainda pouco estudadas no nosso caso. Aplicamos as regras dos anos 1980 mais com espírito militante do que propriamente universitário, no sentido de conhecer a fundo o que sequer sabíamos suficiente, a arquitetura brasileira, e muito menos a arquitetura moderna em geral”<a id="_ftnref12_6956" href="#_ftn12_6956">[12]</a>. Ou então, na ponderação de Carlos Eduardo Dias Comas: “Hoje eu seria muito mais crítico da interpretação do Frampton; relativizaria – e muito – a importância da identidade nacional e do barroco no período 1936-1945, vendo-a mais como parte da retórica de resistência antiamericana nos anos 1950”<a id="_ftnref13_6956" href="#_ftn13_6956">[13]</a>. Margareth da Silva Pereira, por sua vez, é contundente sobre o quanto seus artigos são tributários da ocasião: “Ambos os textos revelam meus interesses à época pelas questões de memória coletiva e pelo sentido cultural atribuído a conceitos e palavras, o que pode ser definido como uma tendência geral nesse período. O significado cultural atribuído a palavras como história, utopia, natureza, paisagem e, sobretudo, arquitetura, passou a ser o meu foco de interesse naqueles anos, conjugado a um interesse que nunca deixei de ter pelas biografias. Daí que esses textos revelam ao mesmo tempo meu esforço em juntar essas duas pontas, indivíduo e cultura, e minhas tentativas de abrir espaço para uma reflexão sobre o Brasil, menos apriorística e mais atenta a processos e atores”<a id="_ftnref14_6956" href="#_ftn14_6956">[14]</a>. Todos os depoimentos são de 2006; será que os autores dariam os mesmos depoimentos quatro anos depois?</p>
<p style="text-align:justify;">E um terceiro risco – este menos perigoso, pois pode ser afastado com uma confissão pessoal do organizador – seria tomar os artigos aqui publicados como os <em>principais</em>. Sem dúvida, alguns o são, mas outros são frutos da escolha idiossincrática de quem os selecionou (e que não se envergonhou de incluir um texto da própria lavra) a partir de uma lista prévia de mais de cinquenta artigos. A escolha envolveu também a busca de diversidade de abordagem, número amplo de autores, diversidade regional etc. Alguns nomes importantes estão infelizmente ausentes, mas tal problema poderá eventualmente ser sanado com a publicação de um ou mais volumes, ampliando a coletânea dos textos fundamentais sobre a história da arquitetura moderna brasileira.</p>
<p style="text-align:justify;">Os artigos selecionados nesta coletânea e publicados em dois volumes têm como datas inicial e final os anos de 1983 e 2002. Transformações profundas são visíveis nesse período. Os livros de referência presentes nos primeiros artigos – de autores importantes, como Venturi, Rossi, Frampton e Giedion – são citados em suas versões originais, mas vão sendo gradativamente substituídos por suas traduções para o português, compartilhando o espaço com novos títulos e autores. Há também uma notável modificação nas notas de rodapé, que, em pouca quantidade e imprecisas nos artigos iniciais, vão se tornando aos poucos mais coerentes e adequadas, para finalmente se tornarem normatizadas nos artigos finais. Essa evolução está em parte descaracterizada nesta edição, pois as notas foram em grande parte corrigidas nas imprecisões e complementadas em suas omissões. Entre salvaguardar o original e colaborar na pesquisa do leitor atual, optamos pela segunda opção, afinal o original poderá ser consultado a qualquer momento nas boas bibliotecas de arquitetura.</p>
<p style="text-align:justify;">Do ponto de vista da argumentação, a necessidade de se criar um “campo” acaba caracterizando o primeiro momento como a busca das características específicas de nossa arquitetura, relacionando suas diferenças a partir de determinações ou princípios culturais, psicológicos, estéticos, civilizacionais etc. Com a sedimentação das primeiras conquistas e o estabelecimento de um espaço discursivo devidamente elástico para suportar a presença de antagonismos e diferenças, as pesquisas e especulações críticas acabam derivando para temas específicos – habitação coletiva ou novas cidades, por exemplo – e levantamentos monográficos – sobre Paulo Mendes da Rocha, Rino Levi, Gregori Warchavchik etc.</p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, há o engajamento de pesquisadores estrangeiros, quebrando a hegemonia inicial quase completa exercida pelos pesquisadores brasileiros, com a notável exceção de Bruand. Se o interesse de Paul Meurs – grande entusiasta de nossa arquitetura e dela incansável divulgador na Holanda – pode ser visto como um fato isolado, o mesmo não se pode dizer do interesse dos <em>investigadores</em> argentinos, com a dupla Adrián Gorelik e Pancho Liernur à frente. O número 4 da revista <em>Block</em> é um dos mais importantes documentos sobre a história e historiografia da arquitetura moderna brasileira, trazendo contribuições de pesquisadores brasileiros e argentinos. E não se trata apenas de uma coletânea, mas claramente de um diálogo articulado, como pode se verificar, dentre outros exemplos possíveis, na tentativa da dupla argentina Fernando Aliata e Claudia Shmidt, que tenta “explorar a dimensão clássica da teoria e da obra de Lucio Costa a partir da aproximação do arquiteto à obra de Perret, evidenciada com clareza no conjunto de Monlevade”<a id="_ftnref15_6956" href="#_ftn15_6956">[15]</a>. Essa entrada analítica – de compreender a arquitetura e teoria de Lucio Costa a partir de sua formação acadêmica – já vinha sendo desenvolvida havia alguns anos por Carlos Eduardo Dias Comas, sob a influência do trabalho historiográfico de Colin Rowe. Fato aceito por Aliata e Shmidt que, após assinalarem que esse aspecto foi, em geral, negligenciado pelos estudiosos de Costa, afirmam que, nesse tipo de abordagem, “exceções no campo historiográfico constituem-se as análises presentes em Comas”<a id="_ftnref16_6956" href="#_ftn16_6956">[16]</a>. De qualquer forma, esse interesse externo acaba trazendo novamente para a cena a origem da arquitetura moderna no Brasil, que vê mais uma vez repassada as condições de sua implantação em nosso país. O distanciamento histórico permite também um enfrentamento mais tranquilo de episódios problemáticos e ambíguos que foram ignorados ou discutidos com acidez exagerada em outros tempos. Convidamos os leitores a verificarem nos textos originais não só as questões mencionadas nesta breve apresentação, mas o quanto já foi realizado em prol da construção de uma história da arquitetura moderna no Brasil.</p>
<hr size="1" />
<h3>notas</h3>
<p><a id="_ftn1_6956" href="#_ftnref1_6956">[1]</a> O presente texto foi originalmente publicado como apresentação de uma coletânea de artigos publicada em dois volumes: GUERRA, Abilio (org.). <em>Textos fundamentais sobre historia da arquitetura moderna brasileira – parte 1</em>. Coleção Bolso RG, n.1. São Paulo, Romano Guerra Editora, 2010, 316 p. ISBN: 978-85-88585-22-5 (textos de Carlos Alberto Ferreira Martins, Carlos Eduardo Dias Comas, Lauro Cavalcanti, Luis Espallargas Gimenez, Margareth da Silva Pereira, Renato Anelli, Ruth Verde Zein, Silvana Barbosa Rubino e Sophia S. Telles); GUERRA, Abilio (org.). <em>Textos fundamentais sobre historia da arquitetura moderna brasileira – parte 2</em>. Coleção Bolso RG, n.2. São Paulo, Romano Guerra Editora, 2010, 332 p. ISBN: 978-85-88585-23-2. (textos de Abílio Guerra, Carlos Alberto Ferreira Martins, Carlos Eduardo Dias Comas, Claudia Shmidt, Edson Mahfuz, Fernando Aliata, Hugo Segawa, Jorge Czajkowski, Jorge Francisco Liernur, Margareth da Silva Pereira, Maria Beatriz de Camargo Aranha, Nabil Bonduki, Otília Beatriz Fiori Arantes, Paul Meurs e Renato Anelli). Na forma de comunicação, foi apresentado posteriormente no I Enanparq – Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (Rio de Janeiro, 2010), na Mesa &#8220;Panoramas da Arquitetura Brasileira Moderna e Contemporânea&#8221;, coordenada por Ruth Verde Zein.</p>
<p><a id="_ftn2_6956" href="#_ftnref2_6956">[2]</a> GOODWIN, Philip. <em>Brazil Builds.</em> <em>Architecture New and Old 1652-1942</em>. Fotos de George E. Kidder Smith. Nova York, MoMA, 1943.</p>
<p><a id="_ftn3_6956" href="#_ftnref3_6956">[3]</a> MINDLIN, Henrique E. <em>Modern Architecture in Brazil</em>. Prefácio de Sigfried Giedion. Rio de Janeiro, Colibris, 1956, p. 199. (Versão brasileira: MINDLIN, Henrique E. <em>Arquitetura moderna no Brasil</em>. Tradução de Paulo Pedreira. Prefácio de S. Giedion. Apresentação de Lauro Cavalcanti. Aeroplano/Iphan, Rio de Janeiro, 1999.</p>
<p><a id="_ftn4_6956" href="#_ftnref4_6956">[4]</a> BRUAND, Yves. <em>Arquitetura contemporânea no Brasil</em>. São Paulo, Perspectiva, 1981.</p>
<p><a id="_ftn5_6956" href="#_ftnref5_6956">[5]</a> Na verdade, o curso de mestrado em arquitetura mais antigo do país é o da UnB, mas a consolidação da área de história é tardia, com praticamente todos seus professores se pós-graduando na USP.</p>
<p><a id="_ftn6_6956" href="#_ftnref6_6956">[6]</a> SEGAWA, Hugo; CREMA, Adriana; GAVA, Maristela. Revistas de arquitetura, urbanismo, paisagismo e design: a divergência de perspectivas. <em>Arquitextos</em>, São Paulo, n. 057, texto especial 282, Portal Vitruvius, fev. 2006. &lt;www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp282.asp&gt;.</p>
<p><a id="_ftn7_6956" href="#_ftnref7_6956">[7]</a> Os três arquitetos migraram posteriormente para a academia, onde ocupam hoje posição de destaque na USP, caso de Hugo Segawa, e no Mackenzie, caso de Ruth Verde Zein e Cecília Rodrigues dos Santos. Esta última é coautora de um dos mais importantes livros da historiografia da arquitetura moderna brasileira: SANTOS, Cecília Rodrigues dos; PEREIRA, Margareth da Silva; CALDEIRA, Vasco; PEREIRA, Romão Veriano da Silva. <em>Le Corbusier e o Brasil</em>. São Paulo, Tessela/Projeto, 1987.</p>
<p><a id="_ftn8_6956" href="#_ftnref8_6956">[8]</a> O curso de graduação em arquitetura na PUC-Rio só foi inaugurado no ano 2002.</p>
<p><a id="_ftn9_6956" href="#_ftnref9_6956">[9]</a> A revista <em>Óculum</em> n. 1, publicada em 1985, foi uma iniciativa autônoma de um grupo de estudantes e recém-formados, todos da PUC-Campinas. A partir do n. 2, de 1992, a revista torna-se revista institucional da escola. A professora Margareth da Silva Pereira, membro da revista <em>Gávea</em> nos anos 1980, participa de forma muito efetiva desse momento especial da escola de Campinas.</p>
<p><a id="_ftn10_6956" href="#_ftnref10_6956">[10]</a> Sobre a amplitude dos trabalhos monográficos realizados nos programas de pós-graduação, ver GUERRA, Abilio. Monografia sobre Salvador Candia e a necessidade de um diálogo acadêmico. <em>Resenhas Online</em>, São Paulo, vol. 78, ano 7. Portal Vitruvius, jun. 2008, p. 208 &lt;www.vitruvius.com.br/resenhas/textos/resenha208.asp&gt;.</p>
<p><a id="_ftn11_6956" href="#_ftnref11_6956">[11]</a> COSTA, Lucio. Carta-depoimento (1948). In XAVIER, Alberto (org.). <em>Lucio Costa: sobre arquitetura</em>. Textos de Lucio Costa. Porto Alegre, Centro dos Estudantes Universitários de Arquitetura, 1962, p. 125.</p>
<p><a id="_ftn12_6956" href="#_ftnref12_6956">[12]</a> TELLES, Sophia S. Depoimento por email, 09 out. 2006.</p>
<p><a id="_ftn13_6956" href="#_ftnref13_6956">[13]</a> COMAS, Carlos Eduardo Dias. Depoimento por email, 23 set. 2006.</p>
<p><a id="_ftn14_6956" href="#_ftnref14_6956">[14]</a> PEREIRA, Margareth da Silva. Depoimento por email, 11 set. 2006.</p>
<p><a id="_ftn15_6956" href="#_ftnref15_6956">[15]</a> ALIATA, Fernando. Depoimento por email, 09 ago. 2006.</p>
<p><a id="_ftn16_6956" href="#_ftnref16_6956">[16]</a> ALIATA, Fernando; SHMIDT, Claudia. Lucio Costa, o episódio Monlevade e Auguste Perret. In GUERRA, Abilio (org.). <em>Textos fundamentais sobre história da arquitetura moderna brasileira – parte 2</em>, p. 255.</p>
<div>
<hr size="1" />
<h3>textos constantes na obra</h3>
<h4 style="text-align:justify;"><strong>volume 1</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">1.<br />
<em>A arquitetura modernista: um espaço sem lugar</em><br />
Sophia S. Telles<br />
1983</p>
<p style="text-align:justify;">2.<br />
<em>Pós-modernismo, arquitetura e tropicália</em><br />
Luis Espallargas Gimenez<br />
1984</p>
<p style="text-align:justify;">3.<br />
<em>Uma certa arquitetura moderna brasileira: experiência a reconhecer</em><br />
Carlos Eduardo Dias Comas<br />
1987</p>
<p style="text-align:justify;">4.<br />
<em>Protótipo e monumento, um ministério, o ministério</em><br />
Carlos Eduardo Dias Comas<br />
1987</p>
<p style="text-align:justify;">5.<br />
<em>Le Corbusier, o estado novo e a formação da arquitetura moderna brasileira</em><br />
Lauro Cavalcanti<br />
1987</p>
<p style="text-align:justify;">6.<br />
<em>O futuro do passado ou as tendências atuais</em><br />
Ruth Verde Zein<br />
1987</p>
<p style="text-align:justify;">7.<br />
<em>Autenticidade e rudimento. Paulo Mendes da Rocha e as intervenções em edifícios existentes</em><br />
Luis Espallargas Gimenez<br />
1988</p>
<p style="text-align:justify;">8.<br />
<em>Lúcio Costa: monumentalidade e intimismo</em><br />
Sophia S. Telles<br />
1989</p>
<p style="text-align:justify;">9.<br />
<em>Arquitetura moderna, estilo Corbu, pavilhão brasileiro</em><br />
Carlos Eduardo Dias Comas<br />
1989</p>
<p style="text-align:justify;">10.<br />
<em>A arquitetura brasileira e o mito: notas sobre um velho jogo entre afirmação-homem e presença-natureza</em><br />
Margareth da Silva Pereira<br />
1990</p>
<p style="text-align:justify;">11.<br />
<em>Oscar Niemeyer, técnica e forma</em><br />
Sophia S. Telles<br />
1992</p>
<p style="text-align:justify;">12.<br />
<em>Arquitetura de cinemas em São Paulo, o cinema e a construção do moderno</em><br />
Renato Anelli<br />
1992</p>
<p style="text-align:justify;">13.<br />
<em>Identidade nacional e estado no projeto modernista, modernidade, estado e tradição</em><br />
Carlos Alberto Ferreira Martins<br />
1992</p>
<p style="text-align:justify;">14.<br />
<em>Gilberto Freyre e Lúcio Costa ou a boa tradição, o patrimônio intelectual do SPHAN</em><br />
Silvana Barbosa Rubino<br />
1992</p>
<h4 style="text-align:justify;">volume 2</h4>
<p style="text-align:justify;">15.<br />
<em>A utopia e a história, Brasília: entre a certeza da forma e a dúvida da imagem</em><br />
Margareth da Silva Pereira<br />
1992</p>
<p style="text-align:justify;">16.<br />
<em>A arquitetura racionalista e a tradição brasileira</em><br />
Jorge Czajkowski<br />
1993</p>
<p style="text-align:justify;">17.<br />
<em>Rino Levi: arquitetura como ofício</em><br />
Maria Beatriz de Camargo Aranha<br />
1993</p>
<p style="text-align:justify;">18.<br />
<em>Teoria acadêmica, arquitetura moderna, corolário brasileiro</em><br />
Carlos Eduardo Dias Comas<br />
1994</p>
<p style="text-align:justify;">19.<br />
Modernismo e tradição, preservação no Brasil<br />
Paul Meurs<br />
1995</p>
<p style="text-align:justify;">20.<br />
<em>Habitação social na vanguarda do movimento moderno no Brasil</em><br />
Nabil Bonduki<br />
1996</p>
<p style="text-align:justify;">21.<br />
<em>Oswaldo Arthur Bratke: Vila Serra do Navio e Vila Amazonas</em><br />
Hugo Segawa<br />
1997</p>
<p style="text-align:justify;">22.<br />
<em>&#8220;Há algo de irracional&#8230;&#8221;, notas sobre a historiografia da arquitetura brasileira</em><br />
Carlos Alberto Ferreira Martins<br />
1999</p>
<p style="text-align:justify;">23.<br />
<em>The south american way, o milagre brasileiro, os estados unidos e a segunda guerra mundial &#8211; 1939-1943</em><br />
Jorge Francisco Liernur<br />
1999</p>
<p style="text-align:justify;">24.<br />
<em>O mediterrâneo nos trópicos. Interlocuções entre arquitetura moderna brasileira e italiana</em><br />
Renato Anelli<br />
1999</p>
<p style="text-align:justify;">25.<br />
<em>Lúcio Costa, o episódio Monlevade e Auguste Perret</em><br />
Fernanda Aliata e Claudia Shmidt<br />
1999</p>
<p style="text-align:justify;">26.<br />
<em>Resumo de Lúcio Costa</em><br />
Otilia Beatriz Fiori Arantes<br />
2002</p>
<p style="text-align:justify;">27.<br />
<em>O clássico, o poético e o erótico: método, contexto e programa na obra de Oscar Niemeyer</em><br />
Edson Mahfuz<br />
2002</p>
<p style="text-align:justify;">28.<br />
<em>Lúcio Costa, Gregori Warchavchik e Roberto Burle Marx: síntese entre arquitetura e natureza tropical</em><br />
Abilio Guerra<br />
2002</p>
<hr size="1" />
</div>
<p style="text-align:right;"><strong>Abilio Guerra</strong><br />
Arquiteto (FAU PUC-Campinas, 1982), mestre e doutor em História pelo (IFCH Unicamp 1989 e 2002), professor da FAU Mackenzie (graduação e pós-graduação). Com Silvana Romano Santos, é editor da Romano Guerra Editora e do <a title="Ir para o site" href="http://www.vitruvius.com.br/" target="_blank">Portal Vitruvius</a>.</p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:right;"><span style="color:#888888;">Colaboração editorial: Débora Andrade e Luciana Jobim</span></p>
<br />Filed under: <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/abilio-guerra/'>Abilio Guerra</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/ensaio-e-pesquisa/'>Ensaio e pesquisa</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/'>Série Panoramas da Arquitetura Brasileira</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/revistamdc.wordpress.com/5183/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/revistamdc.wordpress.com/5183/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/revistamdc.wordpress.com/5183/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/revistamdc.wordpress.com/5183/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/revistamdc.wordpress.com/5183/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/revistamdc.wordpress.com/5183/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/revistamdc.wordpress.com/5183/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/revistamdc.wordpress.com/5183/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/revistamdc.wordpress.com/5183/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/revistamdc.wordpress.com/5183/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/revistamdc.wordpress.com/5183/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/revistamdc.wordpress.com/5183/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/revistamdc.wordpress.com/5183/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/revistamdc.wordpress.com/5183/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=5183&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">danilo</media:title>
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			<media:title type="html">Ver os textos da série</media:title>
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			<media:title type="html">Capa do livro Textos fundamentais sobre a história da arquitetura moderna brasileira_parte 1</media:title>
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		<title>Um vade-mécum da Arquitetura no Brasil no século 20 : Arquiteturas no Brasil 1900-1990</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 18:53:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo Matoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Hugo Segawa]]></category>
		<category><![CDATA[Série Panoramas da Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Pós-Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Arquiteturas no Brasil 1900-1990]]></category>
		<category><![CDATA[História da Arquitetura]]></category>

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		<description><![CDATA[Hugo Segawa Arquiteturas no Brasil 1900-1990 1 é um livro que se enquadra na categoria dos compêndios. Em inglês, seria um textbook ou handbook; em francês, um manuel ou précis; pode ser um enchiridion. Esses termos identificam uma obra cuja natureza é a da informação abrangente de forma concisa, um sumário de um conjunto de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=5425&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><img class="alignnone size-full wp-image-5917" style="border:0 none;" title="Ver os textos da série" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/serie-panoramas1.jpg?w=207&amp;h=19" alt="" width="207" height="19" /></a></p>
<p style="text-align:right;">Hugo Segawa</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><span id="more-5425"></span></p>
<p style="text-align:right;"><a rel="attachment wp-att-5429" href="http://mdc.arq.br/2011/04/07/um-vade-mecum-da-arquitetura-no-brasil-no-seculo-20-arquiteturas-no-brasil-1900-1990/capa_divulgac%c2%a6%c2%baa%c2%a6ao-3/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5429" style="border:0 none;" title="Capa do livro Arquiteturas no Brasil : 1900-1990" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/capa_divulgacc2a6c2baac2a6c3a2o-3.jpg?w=279&#038;h=300" alt="" width="279" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em> <sup><a name="sdfootnote1anc" href="#sdfootnote1sym"><sup>1</sup></a></sup> é um livro que se enquadra na categoria dos compêndios. Em inglês, seria um <em>textbook </em>ou <em>handbook</em>; em francês, um <em>manuel </em>ou <em>précis</em>; pode ser um <em>enchiridion</em>. Esses termos identificam uma obra cuja natureza é a da informação abrangente de forma concisa, um sumário de um conjunto de conhecimentos complexos – cujo tratamento da matéria merece a desconfiança de <em>scholars</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">A origem de <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em> remonta aos anos 1980. Do maior significado foi a oportunidade concedida por Vicente Wissenbach, fundador e editor da revista de arquitetura <em>Projeto</em>, para eu ser um colaborador do periódico – de muitos modos –, a partir de 1979. Era um recém-formado. Como resenhista, ensaísta e editor de arquitetura em diferentes momentos ao longo de dezesseis anos de militância na imprensa especializada, pude viajar, conhecer realidades distantes, arquitetos e pessoas relacionadas ao campo da arte, da construção, da indústria e um universo expandido para além da vida acadêmica tradicional, que se iniciou formalmente em 1982, na Universidade Católica de Santos. Encerrei minha colaboração com a revista em 1996, um ano após Wissenbach deixar o comando da revista. Para a <em>Projeto </em>organizei em 1988 o livro <em>Arquiteturas no Brasil/Anos 80</em>, <sup><a name="sdfootnote2anc" href="#sdfootnote2sym"><sup>2</sup></a></sup> um mapeamento nacional da produção contemporânea brasileira. Nas inúmeras viagens que realizei em busca dessas arquiteturas, mantive um olhar atento para as edificações e espaços dos muitos quadrantes do país e de todas as épocas.</p>
<p style="text-align:justify;">Em artigo publcado no jornal <em>Clarín</em>, de Buenos Aires, em 1989, o arquiteto Tomás Dagnino comentou:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>A revista </em>Projeto<em>, de São Paulo, acaba de editar um interessante volume dedicado a compendiar o vasto labor construtivo levado a cabo na última década em seu país.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Arquiteturas no Brasil/Anos 80<em> concreta, com bons comentários e reproduções fotográficas todas a cor, “um trabalho pioneiro </em>[...] <em>que procura identificar as tendências da arquitetura brasileira dos anos 80 a partir de levantamentos realizados a nível regional”.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>E é essa força das regiões que, em diversos escritos de Hugo Segawa, estão refletidas nas análises que começam com o reconhecimento dos “arquitetos peregrinos”, nômades</em> [refere-se ao capítulo Arquitetos, peregrinos, nômades e migrantes] <em>que cruzam em todos os sentidos o país com obras que cada vez mais foram alcançando maiores dimensões. </em><sup><a name="sdfootnote3anc" href="#sdfootnote3sym"><sup>3</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O Prof. José-Augusto França, de Lisboa, teceu alguns comentários em resenha publicada na revista <em>Colóquio Artes</em> de dezembro de 1989:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><em>Trata-se, em suma, de fazer rever o conhecimento moderno-clássico que tem norteado as classificações históricas do fenómeno arquitetónico no Brasil contemporâneo, evitando uma pretensão “totalizante”, a favor de uma mais real “fragmentação” que a “condição pós-moderna” proporciona.</em></p>
<p style="text-align:justify;">O Professor França observou mais ao final da resenha:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Este texto de H. Segawa </em>[refere-se ao capítulo De Brasília a Itá] <em>é fundamental no volume, tal como o outro que escreveu sobre os materiais, reflectindo sobre tecnologia, ecologismo e tradição – e fazendo o elogio da madeira e do tijolo </em>[refere-se ao capitulo Os materiais da natureza e a natureza dos materiais]. <em>Estes são materiais, no Brasil, do “homem real”, numa “modernidade não programática mas pragmática” – “uma perspectiva ainda que utópica, subvertedora, mas sensível ao saber tradicional”. Outro texto inicial, de H. Segawa, põe, por seu lado, o problema da transumância dos arquitetos nacionais (e estrangeiros)</em> [refere-se ao capítulo Arquitetos peregrinos, nômades e migrantes] <em>através dos espaços brasileiros desde a década de 50 dominada pelo ensino da F.N.A.U.B., no Rio. </em><sup><a name="sdfootnote4anc" href="#sdfootnote4sym"><sup>4</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Pessoalmente, organizar <em>Arquiteturas no Brasil/Anos 80</em> foi uma descoberta do Brasil: de suas arquiteturas, de seus arquitetos, das paisagens tão distintas e extraordinárias que tive o privilégio de conhecer efetivamente.</p>
<p style="text-align:justify;">Para além das descobertas pessoais, posso avaliar que <em>Arquiteturas no Brasil/Anos 80</em> foi a ponta do iceberg de um trabalho que foi mais amplo e complexo, realizado na militância de um grupo de pessoas na revista <em>Projeto</em>. Refiro-me a um coletivo de arquitetos e jornalistas que trabalharam na redação da <em>Projeto </em>entre 1979 e 1996, com intermitências e revezamentos. Serei indelicado ao não nomear a todos, mas destacaria como profissionais fundamentais para a revista nesse período: Nildo Carlos de Oliveira (editor executivo), Denise Yamashiro (jornalista), Ruth Verde Zein (editora, ensaísta), Cecília Rodrigues dos Santos (colaboradora, ensaísta), Guilherme Mazza Dourado (articulista, ensaísta) e Anita Regina Di Marco (articulista, ensaísta).</p>
<p style="text-align:justify;">Fernando Lara comentou sobre a revista num artigo comemorativo dos 25 anos do periódico:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Nos anos 1980, </em>PROJETODESIGN (sic)<em> <sup><a name="sdfootnote5anc" href="#sdfootnote5sym"><sup>5</sup></a></sup> firma-se como a principal revista brasileira de arquitetura e vai gradualmente acompanhando as transformações por que passavam o país e os arquitetos. Diversifica-se a participação regional na revista, com mais espaço para arquiteturas do Sul e do Nordeste, em detrimento do Rio de Janeiro, já que São Paulo sempre contribuiu com cerca de metade do total de obras publicadas. Consolida-se a crítica, capitaneada por Hugo Segawa, Ruth Verde Zein e Cecília Rodrigues dos Santos, e o debate sobre a pós-modernidade (em sua versão mineira ou internacional) torna-se o tema principal. Diminui o espaço dedicado à habitação popular e aos edifícios administrativos (públicos ou privados) e percebe-se, a partir de então, um aumento da presença de edifícios culturais, que será crescente até os dias de hoje. </em><sup><a name="sdfootnote6anc" href="#sdfootnote6sym"><sup>6</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Clevio Rabelo, doutorando da FAU USP, escreveu um ‘drops’ no portal Vitruvius em 2005, “Sobre revistas e revisões: o que aconteceu com as revistas brasileiras de arquitetura?”, do qual extrai o primeiro parágrafo:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Os anos 1980 foram pródigos para a crítica de arquitetura nacional, em especial em face à abertura política que já se vislumbrava. Naquele momento, o debate era animado pela circulação de revistas de arquitetura cujo espaço crítico era valorizado e incentivado. Fizeram carreira no chamado “jornalismo de arquitetura”, personagens de importância singular, como Hugo Segawa, José Wolf, Sérgio Teperman, Anna Regina di Marco e Ruth Verde Zein</em>. <sup><a name="sdfootnote7anc" href="#sdfootnote7sym"><sup>7</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O significado da revista <em>Projeto </em>(dirigida por Vicente Wissenbach entre 1977 e 1995) ainda está para ser avaliado.</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Uma trajetória em resenhas</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Sintomaticamente, a primeira resenha publicada sobre o livro foi escrita por Vicente Wissenbach, na revista<em> Finestra/Brasil </em>(que então dirigia, já afastado da <em>Projeto</em>) de outubro-dezembro de 1998:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Mais uma vez, Hugo Segawa nos brinda com uma contribuição de inestimável valor para o conhecimento, análise e compreensão da arquitetura brasileira. Nos oferece uma obra que abre novos horizontes para o estudo de nossas arquiteturas, sem tentar ser um intérprete oficial de nossa produção.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>E é exatamente essa postura, de profunda honestidade, transparência e rigor intelectual – que, aliás, sempre caracterizaram sua produção – que deverá servir de estímulo para que outros pesquisadores se debrucem sobre muitos dos temas levantados nesta obra e os vejam sob enfoques particulares. </em><sup><a name="sdfootnote8anc" href="#sdfootnote8sym"><sup>8</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">A segunda resenha foi feita para o <em>Boletim Óculum</em>, da PUC-Campinas (então dirigida por Abílio Guerra), de dezembro de 1998, pela Profª Maria Beatriz de Camargo Aranha:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Uma história da arquitetura brasileira do séc. 20: ousadia bem-vinda. Não deixa de ser um ato de coragem semelhante tarefa. Por sua extensão e complexidade, mas – principalmente – por enfrentar o esforço de síntese nestes nossos tempos tão avessos a elas. </em>[...].<em> Nesse sentido, a iniciativa tem êxito: Segawa consegue equilibrar exames mais localizados e, por isso mesmo mais profundos, com análises de caráter mais panorâmico. Com isso evita o retrato definitivo da arquitetura brasileira do período, sem se restringir à narrativa fragmentada. </em><sup><a name="sdfootnote9anc" href="#sdfootnote9sym"><sup>9</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O Prof. Carlos A. C. Lemos escreveu a primeira resenha publicada na grande imprensa, na <em>Folha de S. Paulo</em>, em janeiro de 1999:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Na verdade, os arquitetos escrevem muito pouco e aqueles que se entregam à crítica e à história são bastante raros. Daí as lacunas e o esgarçamento de nosso acervo memorialístico alusivo à arte de construir no Brasil – sendo mais pobre ainda na historiografia a respeito. Por isso, se reveste da maior importância este ensaio do arquiteto Hugo Segawa, profissional interessado desde os tempos acadêmicos nessas questões teóricas, críticas e históricas de nossa arquitetura – e sua atuação permanente na imprensa especializada tornou-o grande conhecedor do panorama de nossas construções, sobretudo das obras contemporâneas. Seu trânsito entre colegas em congressos, bienais, cursos e seminários também tornou-o atualizadíssimo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Com o livro “Arquiteturas no Brasil – 1900-1990”, Hugo Segawa, com o seu aludido cabedal de conhecimentos, enfrentou a história da arquitetura moderna brasileira e se saiu muito bem. Historiar fatos, procedimentos e realizações recentes com imparcialidade, quando não se tem uma distância ampla necessária à isenção de ânimos, é bastante difícil. Compreender e relatar o que está se passando é tão penoso como resgatar de documentos velhos a verdade dos fatos históricos. Esse é o grande mérito da obra: chegar até o fim do século concatenando e criticando as etapas de nossa arquitetura erudita moderna, estabelecendo as relações havidas com a política e a economia do país sem tomar partido e fazendo juízos de valores extremamente corretos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Trata-se de um livro eminentemente didático, que prende desde as primeiras linhas</em>. [...].</p>
<p style="text-align:justify;"><em>São 224 páginas que completam com maestria alguns textos esparsos já existentes sobre o assunto, tornando-se um livro imperdível. </em><sup><a name="sdfootnote10anc" href="#sdfootnote10sym"><sup>10</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">A Profª Ruth Verde Zein, que partilhou comigo da experiência da revista <em>Projeto </em>em sua época de consolidação, resenhou o livro no <em>Jornal da Tarde </em>em maio de 1999:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>O livro de Hugo Segawa é histórico – mas é também crítico. Não lhe faltam informações, pesquisas, dados relevantes organizados de maneira a dar ao leitor uma visão ampla e genérica da arquitetura brasileira de quase todo este século – tarefa hercúlea que o autor não pretende esgotar. É crítico, porém, na medida em que recorta e seleciona, analisa e valoriza, dando maior ou menor destaque a alguns eventos, obras ou tendências que o autor considera – e por isso as seleciona – como de relevância e transcendência maior. E, principalmente, porque se recusa a uma visão totalizadora, unívoca e triunfal desse panorama da arquitetura brasileira. Não tem, como o autor afirma, “a pretensão acadêmica do amplo esforço de Yves Bruand” autor do clássico “Arquitetura Contemporânea no Brasil”. Não privilegia arquitetos, com honrosas exceções a poucos mestres como Gregori Warchavchik, Oscar Niemeyer, Lucio Costa e Vilanova Artigas. E o faz porque deseja operar não com produtos mas com processos, qualificados em alguns temas que, se bem sejam organizados a partir de certa contigüidade temporal, não são meramente seqüenciais mas se superpõem parcialmente, deixando claro que, em cada momento, muitas e diferentes tendências buscam caminhos distintos, divergentes ou convergentes, algumas vezes apenas paralelos.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">E Ruth Verde Zein enfatizava o caráter controverso do livro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Publicar um livro com essa amplitude temporal num panorama da cultura arquitetônica brasileira onde se exibem raríssimos exemplos de outros trabalhos do mesmo porte – o mais conhecido sendo o já citado Bruand, que atinge apenas até os anos 1960, sendo os demais apenas manuais pontuais de muito menor abrangência &#8211; é tarefa das mais polêmicas, pois irá enfrentar, da parte de alguns leitores, toda a expectativa prévia que inevitavelmente nasce da ausência de outras fontes. O livro de Hugo Segawa se sai com galhardia desse desafio configurando-se, desde o seu lançamento, como um clássico que se tornará cada vez mais indispensável, tanto ao arquiteto formado ou em formação, como a qualquer interessado em compreender as questões mais relevantes da arquitetura brasileira deste século. </em><sup><a name="sdfootnote11anc" href="#sdfootnote11sym"><sup>11</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O Prof. Abílio Guerra, então em transição para a construção de seu portal <em>Vitruvius</em>, escreveu uma resenha contemplando dois livros, um deles <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em>, no <em>Jornal de Resenhas</em> – então um suplemento veiculado pelo jornal <em>Folha de S. Paulo</em>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>A semântica adotada por Hugo Segawa – “a busca de alguma modernidade”, “modernidade pragmática”, “modernidade corrente”, “episódios de um Brasil grande e moderno” – confirma a prevalência de uma visão de história apoiada nos vetores gerais da evolução social. Conseqüentemente, onde a narrativa segue à risca tal estrutura, ganha mais peso e densidade. </em>[...]. <em>Ao priorizar a coordenada externa da evolução socioeconômica, Segawa acaba por esvaziar</em> [...] <em>a faceta transgressora e engajada do modernismo. </em><sup><a name="sdfootnote12anc" href="#sdfootnote12sym"><sup>12</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Guerra observou o caráter de análise por processos, que é um dos esquemas estruturadores do livro, e o critica por um outro viés que não foi o pretendido pelo autor. Na primeira resenha internacional sobre <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em>, publicada no <em>Docomomo Journal</em> de junho de 1999, o Prof. Paul Meurs, hoje da Delft University of Technology (TU Delft) também enfatiza o enfoque por processos. Cito alguns trechos:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Segawa propôs-se a uma tarefa ambiciosa: buscar os processos que constituíram a arquitetura moderna no Brasil. Como o século 20 produziu vários ramos, escolas e trajetórias individuais, Segawa fala de “arquiteturas” no Brasil. Mais que em outros livros anteriores sobre o assunto, ele logra inserir o desenvolvimento da arquitetura moderna em um contexto largo, fundo e variado.</em> [...].</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Paul Meurs segue discorrendo sobre os capítulos e as abordagens que desenvolvi, e ao concluir, afirmou:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>O fato de que seu livro se esgotou em poucos meses mostra que sua reflexão sobre a arquitetura moderna no Brasil encontrou base sólida. Este livro é também significativo para estrangeiros com interesse no Brasil. Ele merece uma tradução para o inglês, e possivelmente isto poderá se realizar antes do congresso do Docomomo em Brasília em 2000. </em><sup><a name="sdfootnote13anc" href="#sdfootnote13sym"><sup>13</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Infelizmente, o livro não conhece uma versão em inglês.</p>
<p style="text-align:justify;">Outra resenha internacional foi feita pelo Prof. Alfonso Corona Martínez, professor da Universidad de Belgrano de Buenos Aires, para a revista <em>Summa+</em> de agosto-setembro de 1999, e reflete uma postura latino-americanista:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Nosso conhecimento da arquitetura dos outros países da América Latina é bastante esquemático. </em>[...]. <em>Para a arquitetura moderna do continente nossa visão é também bastante estereotipada. Aceitamos as maneiras de vê-la de quem escreveu do hemisfério norte, e quase sempre como um derivado de “sua” arquitetura moderna.</em> [...]. <em>Somente em anos recentes se supera essa limitação logrando-se perceber os desenvolvimentos de cada país (países até pouco tempo muito isolados entre si e conectados de modo admirativo com outros lugares) como fatos com realidade própria, e não simplesmente como a espera da boa influência que nos trará, finalmente, a modernidade.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Esta nova forma de fazer história se inscreve no livro de Hugo Segawa, “Arquiteturas no Brasil, 1900-1990”. É ambicioso o propósito de </em><em>abarcar este lapso, mas muito correta a maneira de enfocá-lo.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Corona Martínez segue descrevendo partes do livro, e estranha o capítulo final, sobre os anos recentes, observando:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Quiçá seja exageradamente breve o tratamento das décadas que se seguem, em especial os anos 1980-90, que tem apenas dez páginas. Mas é possível fazer história do que é quase o presente? Segawa, cujo prestígio como articulista está cimentando por muitos anos nas revistas de São Paulo, pode ter se cansado ante este período que já havia tratado como atualidade. Ou bem sua probidade acadêmica o leva a manter seu papel de historiador dos processos concluídos e não se apresentar no papel dos historiadores do presente, aos quais Manfredo Tafuri chamou ironicamente de “sugeridores”.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Arquiteturas no Brasil” é um aporte interessante para conhecer, de maneira mais crítica e menos simplesmente informativa, o processo brasileiro do século que se conclui. </em><sup><a name="sdfootnote14anc" href="#sdfootnote14sym"><sup>14</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Paul Meurs e Alfonso Corona Martinez em suas resenhas utilizaram uma palavra em comum: “ambicioso”. A polêmica “amplitude temporal” que Ruth Verde Zein aponta também está na raiz dos dois observadores internacionais. Foi o desafio que apontei na introdução de <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>O risco de escrever um estudo sobre a arquitetura brasileira do século 20 é reproduzir inadvertidamente aquilo que se critica: uma visão totalizadora que apaga as diferenças, exalta as formas dominadoras e dissimula a diversidade. A história e a historiografia recentes ainda se refazem do impacto epistemológico provocado, por exemplo, pelas idéias de um Michel Foucault – escritos tecidos com a microtrama de uma complexa urdidura. Nesse caminho, a viabilidade de dar formas a problemas, de articular perguntas é muito mais intensa que nossa capacidade individual de formular respostas. Respostas que tendem cada vez mais a exames localizados, talvez profundos (contemplando minorias, “vencidos”, movimentos populares, etc.). Uma postura que se avizinha às tendências da fragmentação “regulamentada” do conhecimento, como que uma reação às grandes leituras totalizadoras.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O historiador britânico Eric Hobsbawn, comentando a respeito de algumas tendências da historiografia no final dos anos 1970, escrevia: “Não há nada de novo em olhar o mundo com um microscópio ou com um telescópio. Desde que concordemos de que estamos estudando o mesmo cosmos, a escolha entre o microcosmo e o macrocosmo é uma questão de selecionar a técnica apropriada. É significativo que atualmente mais historiadores julguem o microscópio mais útil. Mas isso não significa necessariamente que eles rejeitem o telescópio, como instrumento superado.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Este livro teve uma gênese peculiar: convidado pela Universidade Autônoma Metropolitana do México para integrar uma coleção de monografias sobre arquitetura latino-americana, seu formato original circunstanciava-se a um compêndio de arquitetura brasileira no século 20 para o público latino-americano. A oportunidade de uma edição brasileira não descaracterizou esse perfil. O difícil e sutil equilíbrio a se atingir no conteúdo deste trabalho é uma tarefa que deve respeitar as características da iniciativa editorial, exigindo uma compostura que se expressa num jargão arquitetônico, no termo francês bienséance. As circunstâncias apontam mais para o manejo do telescópio; todavia, o microscópio às vezes foi útil, mesmo com prejuízo de alguma coerência totalizadora (que não constitui, propriamente, uma preocupação central). A manutenção das lentes e as direções que elas apontam são de minha inteira responsabilidade; a razão dessas direções, espero que os leitores a percebam percorrendo as páginas deste trabalho. </em><sup><a name="sdfootnote15anc" href="#sdfootnote15sym"><sup>15</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<div style="height:315px;"><a href="http://mdc.arq.br/?attachment_id=6125"><img class="size-medium wp-image-6125 alignright" style="border:0 none;" title="Página do &quot;Arquiteturas no Brasil 1900-1990&quot;" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/04/arquiteturas-no-brasil-02.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a><a href="http://mdc.arq.br/?attachment_id=6124"><img class="size-medium wp-image-6124 alignright" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="Página do &quot;Arquiteturas no Brasil 1900-1990&quot;: Episódios de um Brasil grande e moderno" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/04/arquiteturas-no-brasil-01.jpg?w=229&#038;h=300" alt="" width="229" height="300" /></a></div>
<p style="text-align:justify;">Como já dito, minha atuação na revista <em>Projeto </em>e a organização de <em>Arquiteturas no Brasil/Anos 80</em> construíram o repertório básico para a escrita do livro <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em>. Um trabalho originalmente encomendado pela editora da Universidad Autónoma Metropolitana (UAM), universidade pública sediada na Cidade do México. Os originais foram entregues em 1992. Com a crise econômica do México em 1995, e a inviabilização da iniciativa editorial naquele país, em 1997 o submeti a um concurso aberto de originais promovidos pela EDUSP para publicação de livros de natureza didática na coleção <em>Acadêmica </em>da editora. Meu trabalho foi aprovado. A primeira edição (1998), de 1 500 exemplares, esgotou-se em sete meses; a segunda edição (1999), de 3 000 exemplares, esgotou-se em cerca de 15 meses. A EDUSP fez uma nova tiragem no final de 2002 com 3 000 exemplares. Em 2010 edita-se a terceira edição, com 1 500 exemplares. Ao todo, <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em> teve uma tiragem total de 9 000 exemplares entre 1998 e 2010.</p>
<h3><strong>Outros campos</strong></h3>
<p style="text-align:justify;"><em><em><em><em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990 </em></em></em></em>é citado em boa parte das teses e dissertações sobre arquitetura moderna brasileira. É utilizado como bibliografia básica nas disciplinas de História da Arquitetura do Brasil nos cursos de graduação em todo o país. Pesquisadores de outras disciplinas se valem do livro. A socióloga Lúcia Lippi Oliveira, do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro foi uma autora que encontrei casualmente, citando o meu trabalho, <sup><a name="sdfootnote16anc" href="#sdfootnote16sym"><sup>16</sup></a></sup> e que depois cheguei a conhecê-la pessoalmente. Pedi uma dedicatória no livro que ela organizou, em que me cita. Gentilmente, escreveu: “Fico feliz por encontrar meu mestre na história da arquitetura. Com um abraço.” <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em> consta da bibliografia do portentoso <em>História do Brasil: uma Interpretação</em>, dos historiadores Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. <sup><a name="sdfootnote17anc" href="#sdfootnote17sym"><sup>17</sup></a></sup> Tenho a presunção que o meu livro circula em faixas para além dos leitores arquitetos.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha surpresa foi quando localizei pelo Google situações impensadas. <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em> foi e é parte das recomendações bibliográficas de processos seletivos de funcionários de órgãos públicos. Encontrei-o nas bibliografias da Seleção Pública para arquitetos do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Edital 01/2002; <sup><a name="sdfootnote18anc" href="#sdfootnote18sym"><sup>18</sup></a></sup> do Concurso público – administração direta, autárquica e fundacional da Prefeitura de Goiânia – função Arquiteto, Edital n.º 001/2006, <sup><a name="sdfootnote19anc" href="#sdfootnote19sym"><sup>19</sup></a></sup> na bibliografia do concurso público para provimento de cargos de servidores técnico-administrativos (arquiteto urbanista) da Universidade Federal de Juiz de Fora, Edital nº 029/2008; <sup><a name="sdfootnote20anc" href="#sdfootnote20sym"><sup>20</sup></a></sup> e Universidade Federal de Uberlândia, Edital 019/2008 <sup><a name="sdfootnote21anc" href="#sdfootnote21sym"><sup>21</sup></a></sup> – observando que nas duas universidades federais não se trata de concursos para docentes, mas para arquitetos urbanistas para o quadro de servidores.</p>
<p style="text-align:justify;">O livro recebeu o Prêmio Olga Verjovski do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento Rio de Janeiro, na 26ª Premiação Anual do IAB/RJ em 1998, na categoria Pesquisa, Ensaio e Crítica.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 2000 a historiadora e Profª Maria Margarida Cavalcanti Limena, da PUC-SP, iniciava sua resenha sobre meu livro <em>Prelúdio da Metrópole </em>com a sentença: “depois de vários livros, dentre os quais<em> Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em>, sua publicação anterior e já constituindo referência obrigatória&#8230;” <sup><a name="sdfootnote22anc" href="#sdfootnote22sym"><sup>22</sup></a></sup></p>
<h3><strong>Objeto de estudo</strong></h3>
<p style="text-align:justify;"><em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990 </em>tornou-se também objeto de discussão historiográfica em fóruns científicos. Coletei três comunicações ocupando-se do livro.</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro deles foi apresentado no 3º Seminário DOCOMOMO Brasil em São Paulo, em 1999, pela Profª Sônia Marques (atualmente na Universidade Federal da Paraíba) e Profª Guilah Naslavsky (atualmente na Universidade Federal do Pernambuco). A comunicação “Estilo ou Causa? Como, Quando e Onde? Os conceitos e limites da historiografia nacional sobre o Movimento Moderno” discutia os conteúdos de três livros editados em 1998:<em> Origens da Habitação Social no Brasil</em>, de Nabil Bonduki, <em>Urbanismo em Fim de Linha e Outros Estudos sobre o Colapso da Modernização Arquitetônica</em>, de Otília Arantes, e o meu livro.</p>
<p style="text-align:justify;">Marques e Naslavsky compreenderam uma das chaves conceituais do meu trabalho, no trecho abaixo tomando como base a questão das várias modernidades:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Na verdade modernidade e modernismos são, em Segawa, resultantes de processos paralelos. Modernidade e modernismos se justapõem, no tempo: A “modernidade pragmática” começa durante a “programática”, a “modernidade corrente” durante a “pragmática” formas de modernidade a que refere-se o autor. De todo modo, a questão da periodização supõe uma ruptura: está implícito de que houve um tempo em que a arquitetura não era moderna e que depois, através de um processo<strong> &#8211; </strong>para utilizar a categoria reivindicada pelo autor – o movimento moderno, ou melhor ainda, modernismos e modernidade se consolidaram. Esta visão não fica de todo imune à discussão da genealogia. Ela consegue, no entanto, pela metodologia do acréscimo, combinar a genealogia tradicionalmente indicada pela historiografia tradicional com outras fontes, outros “processos”. Mas a estratégia de acréscimo está longe de desfazer-se de uma hierarquização e de um juízo de valor para os quais a adjetivação utilizada pelo autor, para a distinção dos diversos processos, nos antecipa algumas pistas.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Marques e Naslavsky avaliaram as três obras resenhadas:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Assim sendo, obras como as de Segawa e Bonduki, ao resgatarem exemplares omitidos pela historiografia tradicional oferecem, sem dúvida uma contribuição, devendo tornar-se leitura obrigatória. Também o é, por razões outras, o livro de Otília Arantes, o qual, ao assumir uma postura claramente contrária às anunciadas por Habermas e Anatole Kopp, convida a um aprofundamento da reflexão em termos amplos. </em><sup><a name="sdfootnote23anc" href="#sdfootnote23sym"><sup>23</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">As duas comunicações científicas mais recentes trazem uma abordagem mais evidente: comparar <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990 </em>com <em>Arquitetura Contemporânea no Brasil</em>, de Yves Bruand.</p>
<p style="text-align:justify;">A comunicação “Sobre a Historiografia da Arquitetura Moderna Brasileira: os Livros ‘Arquitetura Contemporânea no Brasil’ de Yves Bruand e ‘Arquiteturas no Brasil 1900-1990’ de Hugo Segawa” foi apresentada no I Encontro de História da Arte do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas em dezembro de 2004. Sua autora, Marília Santana Borges, era então mestranda do Programa de Pós-graduação da FAU USP (concluído em 2006) e doutorou-se em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 2008. Em parte baseia-se nos argumentos de Marques e Naslavsky, e traz uma conclusão recorrente, mas com uma observação:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>O livro contribui ao ampliar e reconhecer diferentes facetas da arquitetura brasileira pré- e pós-Brasília, expandindo também o território de trabalho e análise. É fato que essa postura acarretou em algumas abordagens mais superficiais, incorrendo também em algumas insuficiências discursivas e conceituais nas diversas modernidades e na ausência de um maior rigor metodológico. Mas o texto de Segawa destaca-se pelo seu caráter didático e por fornecer um amplo panorama da arquitetura brasileira do século XX, ao tentar romper com uma linha de abordagens historiográficas totalizadoras. </em><sup><a name="sdfootnote24anc" href="#sdfootnote24sym"><sup>24</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">A autora enuncia mas não discorre a respeito das “insuficiências discursivas e conceituais” e sobre a “ausência de um maior rigor metodológico” do livro. Teria muita curiosidade em saber mais sobre essas limitações.</p>
<p style="text-align:justify;">A terceira comunicação a respeito do meu livro, com igual abordagem da comunicação em Campinas, comparando Bruand e Segawa, apega-se à mesma crítica e reproduz trecho acima de Borges, como citação – mas evitando argumentar. Ricardo A. Paiva, doutorando da FAU USP, apresentou no Seminário Latino-americano Arquitetura &amp; Documentação, realizado em Belo Horizonte em setembro de 2008, o trabalho “A Escrita da História da Arquitetura Moderna Brasileira: um Palimpsesto”. Recolho um comentário de Paiva:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>As obras constituem publicações imprescindíveis acerca do quadro geral da arquitetura e urbanismo modernos no Brasil ante o estreito panorama de referências historiográficas sobre um tema tão abrangente. Apesar dos esforços recentes empreendidos por pesquisadores de diversos lugares do país, que redundaram em significativa contribuição para o entendimento do processo de introdução e desenvolvimento da arquitetura moderna em todo o Brasil, é importante destacar que tais contribuições historiográficas se limitam a estudos da produção arquitetônica de arquitetos em contextos específicos – o que evidentemente não deixa de ser relevante – não possuindo um caráter mais amplo de manual.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Como “nota conclusiva” acerca da comparação que estabeleceu entre os livros de Bruand e Segawa, Ricardo Paiva escreveu:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>A importância desta discussão consiste nem tanto em julgar o quanto certas ou erradas estão as abordagens dos autores, pelo contrário, pretende despertar como a partir delas se pode evoluir na compreensão da arquitetura moderna brasileira, principalmente no que se refere às suas conseqüências na arquitetura contemporânea.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A tensão entre as abordagens suscita outras questões, entre elas:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- novos critérios classificatórios de objetos a serem preservados pelo patrimônio histórico e cultural, como a valorização da arquitetura eclética e os movimentos “protomodernos”;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- ampliação do debate acadêmico e pedagógico no quadro das disciplinas de teoria e história da arquitetura, com base em múltiplas e divergentes referências bibliográficas;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- e, sobretudo, a desmistificação das visões unívocas, evitando o obscurecimento dos fatos e abrindo espaço para releituras e interpretações que resgatem o sentido de continuidade com a produção contemporânea.</em> [...].</p>
<p style="text-align:justify;"><em>A diversidade de caminhos é necessária, porque urgente e comprometida com o estado de coisas, para retificar e ratificar rupturas ou continuidades entre a arquitetura moderna e contemporânea no Brasil. Segawa aponta um caminho ao concluir que “a atual contestação à arquitetura moderna brasileira atinge seus mitos, não seus princípios” (Segawa, 1997:198). O caminho da diversidade contempla o acréscimo, posto que uma nova camada do palimpsesto pode ser sempre escrita. </em><sup><a name="sdfootnote25anc" href="#sdfootnote25sym"><sup>25</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Quando examinamos estudos alinhando-os, percebemos as cadeias de referências: Marques e Naslavsky apresentaram a primeira apreciação sobre<em> Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em> em um evento científico em 1999; no trabalho de Marília Santana Borges de 2004, Marques e Naslavsky, como as resenhas de Carlos A. C. Lemos e Ruth Verde Zein são parte da bibliografia; Ricardo A. Paiva, em 2008, cita Marques e Naslavsky, Marília Santana Borges e inclui a resenha de Ruth Verde Zein nas referências bibliográficas. São as resenhas que conheço, e devo agradecer aos seus autores pelas apreciações.</p>
<p style="text-align:justify;">Venho recebendo ao longo dos anos, de maneira informal – isto é, mediante comentários verbais, e-mails – observações de toda natureza, sugestões e retificações. Graças a essas colaborações de boa vontade, posso repensar sobre o que escrevi dezesseis anos atrás.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguns aspectos inovadores de meu livro são registrados por jovens pesquisadores, como o fez Ricardo Paiva. Ele percebeu uma abordagem inédita que mesmo hoje, embora mais considerada, não é facilmente assimilável por setores da História da Arquitetura como dentro da categoria arquitetura moderna:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>De modo diverso, a “Modernidade Pragmática (1922-1943)” se desenvolve “à margem do modernismo engajado”. A modernidade desta vertente da arquitetura não se sustentava em nenhum pressuposto teórico ou conteúdo programático específicos, pelo contrário, se valia de influências múltiplas e contraditórias – o repertório clássico de composição decorativa associado ao uso de materiais modernos – que se manifestavam de forma diversa nas tendências art déco, nos exemplares de influências perretianas e no “monumental clássico” de matriz fascista. É inédita esta preocupação de Segawa em abarcar manifestações consideradas até pouco tempo marginais e que a historiografia da arquitetura moderna omitiu e desprezou. A concessão deste espaço no livro corrobora para compreender a paisagem urbana que resultou de uma arquitetura que se consolidava na interseção entre o popular e o erudito e que obteve ampla aceitação no público leigo. </em><sup><a name="sdfootnote26anc" href="#sdfootnote26sym"><sup>26</sup></a></sup></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">André Augusto Almeida Alves – um jovem Professor Adjunto da Universidade Estadual de Maringá – foi outro que percebeu uma dimensão inédita de uma parte do livro:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><em>O capítulo intitulado “Episódios de um Brasil Grande e Moderno 1950-1980”, de </em>Arquiteturas no Brasil, 1900-1990<em> (Segawa, 1999: 159-167), é a única ocasião em que o tema da infra-estrutura do território é abordado no âmbito da historiografia da arquitetura moderna.</em> <sup><a name="sdfootnote27anc" href="#sdfootnote27sym"><sup>27</sup></a></sup></p>
<p style="text-align:justify;">Tinha consciência do alcance e das limitações do trabalho quando foi escrito. Hoje tenho avaliação melhor desse quadro, mas ainda e sempre incompleto. E uma idéia da vigência de uma pesquisa de abrangência inédita naquela ocasião. Com o avanço das pesquisas em História da Arquitetura no Brasil, com o desenvolvimento de tantos programas de pós-graduação no Brasil e teses realizadas no exterior, sei em que medida partes do livro estão superados enquanto informação. E como procuro acompanhar <em>pari passu </em>a pesquisa no Brasil (e também no exterior) em eventos na área, como os seminários do DOCOMOMO (nacionais e internacionais), tenho plena consciência que há ainda um grande campo inexplorado já insinuado em<em> Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em>, à espera de desvendamento e aprofundamento.</p>
<p style="text-align:right;">Santa Fé, 29 de outubro de 2010</p>
<hr size="1" />
<h3 style="text-align:justify;"><strong>notas</strong></h3>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote1sym" href="#sdfootnote1anc">1</a> Segawa, 1998.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote2sym" href="#sdfootnote2anc">2</a> Segawa, 1988.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote3sym" href="#sdfootnote3anc">3</a> Dagnino, 1989. Tradução minha do original em espanhol.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote4sym" href="#sdfootnote4anc">4</a> França, 1989.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote5sym" href="#sdfootnote5anc">5</a> A revista chamava-se apenas <em>Projeto </em>na fase Vicente Wissenbach.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote6sym" href="#sdfootnote6anc">6</a> Lara, 2003.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote7sym" href="#sdfootnote7anc">7</a> Rabelo, 2005.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote8sym" href="#sdfootnote8anc">8</a> Wissenbach, 1998, p. 114.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote9sym" href="#sdfootnote9anc">9</a> Aranha, 1998.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote10sym" href="#sdfootnote10anc">10</a> Lemos, 1999.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote11sym" href="#sdfootnote11anc">11</a> Zein, 1999.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote12sym" href="#sdfootnote12anc">12</a> Guerra, 1999.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote13sym" href="#sdfootnote13anc">13</a> Meurs, 1999. Tradução minha, do inglês.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote14sym" href="#sdfootnote14anc">14</a> Corona Martínez, 1999. Tradução minha do original em espanhol.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote15sym" href="#sdfootnote15anc">15</a> Segawa, 1998, p. 13-14.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote16sym" href="#sdfootnote16anc">16</a> Oliveira, 2002, p. 156-163.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote17sym" href="#sdfootnote17anc">17</a> Lopez, Mota, 2008.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote18sym" href="#sdfootnote18anc">18</a> Disponível em: &lt;<a title="Ir para o site" href="http://www.bndes.gov.br/empresa/administracao/concurso/exe/edital2002.pdf" target="_blank">http://www.bndes.gov.br/empresa/administracao/concurso/exe/edital2002.pdf</a>&gt;. Acesso em 19 out. 2008.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote19sym" href="#sdfootnote19anc">19</a> Disponível em: &lt;<a title="Ir para o site" href="http://www.goiania.go.gov.br/sistemas/sicon/download/Administracao/001-2006/CONCURSO%20ADM%20DIRETA/CARGOS%20DE%20ENSINO%20SUPERIOR/PLANO%20DE%20CARREIRA%20DO%20N%C3%8DVEL%20SUPERIOR.pdf" target="_blank">http://www.goiania.go.gov.br/sistemas/sicon/download/Administracao/001-2006/CON<br />
CURSO ADM DIRETA/CARGOS DE ENSINO SUPERIOR/PLANO DE CARREIRA DO NÍVEL SUPERIOR.pdf</a>&gt;. Acesso em 19 out. 2008.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote20sym" href="#sdfootnote20anc">20</a> Disponível em: &lt;<a title="Ir para o site" href="http://www.ufjf.br/arquivos/editais/20080328024431anexoI0292008.pdf" target="_blank">http://www.ufjf.br/arquivos/editais/20080328024431anexoI0292008.pdf</a>&gt;. Acesso em 19 out. 2008.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote21sym" href="#sdfootnote21anc">21</a> Disponível em: &lt;<a title="Ir para o site" href="http://www.pciconcursos.com.br/concurso/96134" target="_blank">http://www.pciconcursos.com.br/concurso/96134</a>&gt;. Acesso em 19 out. 2008.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote22sym" href="#sdfootnote22anc">22</a> Limena, 2000.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote23sym" href="#sdfootnote23anc">23</a> Marques, Naslasky, 1999.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote24sym" href="#sdfootnote24anc">24</a> Borges, 2005, p. 59.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote25sym" href="#sdfootnote25anc">25</a> Paiva, 2008.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote26sym" href="#sdfootnote26anc">26</a> Paiva, 2008.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote27sym" href="#sdfootnote27anc">27</a> Alves, 2005, p. 137.</p>
<hr size="1" />
<h3 style="text-align:justify;"><strong>referências bibliográficas</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">ALVES,  André Augusto de Almeida. São Paulo debate o moderno, 1956-1968: um  projeto de pesquisa. In: GITAHY, Maria Lúcia Caira (Org.). <em>Desenhando a cidade do século XX</em>. São Carlos: Rima; Fapesp, 2005.</p>
<p style="text-align:justify;">ARANHA, Maria Beatriz de Camargo. Um livro benvindo [sic]. <em>Boletim Óculum</em>. Campinas, n. 27, p. 4, dez. 1998.</p>
<p style="text-align:justify;">BORGES, Marília Santana. Sobre a historiografia da arquitetura moderna brasileira: os livros<strong>. </strong>In: Encontro de História da Arte do IFCH/UNICAMP, 1., 2004, Campinas (SP). <em>Anais do I Encontro de História da Arte do IFCH/UNICAMP: Revisão Historiográfica &#8211; o estado da questão. </em>Campinas: Unicamp/IFCH, 2005. p. 54-60.</p>
<p style="text-align:justify;">CORONA MARTÍNEZ, Alfonso. 90 años de arquitectura brasileña.<em> Summa+</em>, Buenos Aires, n. 38, p. 164, ago./sep. 1999.</p>
<p style="text-align:justify;">DAGNINO, Tomás (1989). El Brasil de nos años ’80. <em>Clarín</em>, Buenos Aires, 10 mar.</p>
<p style="text-align:justify;">FRANÇA, José-Augusto. Arquitecturas no Brasil/anos 80. <em>Colóquio Artes</em>, Lisboa, n. 83, p. 71, dez. 1989.</p>
<p style="text-align:justify;">GUERRA, Abílio. A esfinge silenciosa. <em>Folha de S. Paulo</em>, São Paulo, Jornal de Resenhas, p. 2, 12 jun. 1999.</p>
<p style="text-align:justify;">LARA, Fernando. ProjetoDesign: 25 anos de arquitetura brasileira em revista. <em>ProjetoDesign</em>, São Paulo, n. 275, jan. 2003. Disponível em: &lt;<a title="Ir para o site" href="http://www.arcoweb.com.br/artigos/fernando-lara-projetodesign-25-05-02-2003.html" target="_blank">http://www.arcoweb.com.br/debate/debate43.asp</a>&gt;. Acesso em 10 nov. 2008.</p>
<p style="text-align:justify;">LEMOS, Carlos A. C. Histórias da arquitetura. <em>Folha de S. Paulo</em>, São Paulo, Caderno Mais!, 24 jan., 1999., p. 10.</p>
<p style="text-align:justify;">LIMENA, Maria Margarida Cavalcanti. Os (des)caminhos de São Paulo até virar metrópole. <em>Jornal da Tarde</em>, São Paulo, Caderno de Sábado, 29 jun., 2000, p. 4.</p>
<p style="text-align:justify;">LOPEZ, Adriana, MOTA, Carlos Guilherme. <em>História do Brasil: uma interpretação</em>. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008.</p>
<p style="text-align:justify;">MARQUES,  Sônia; NASLAVSKY, Guilah. Estilo ou Causa? Como, Quando e Onde? Os  conceitos e limites da historiografia nacional sobre o Movimento  Moderno. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 3., 1999, São Paulo. <em>Anais eletrônicos</em>&#8230; São Paulo: Docomomo Brasil, 1999. Disponível em: &lt;<a title="Ir para o site" href="http://www.docomomo.org.br/seminario%203%20pdfs/subtema_A3F/Sonia_marques.pdf" target="_blank">http://www.docomomo.org.br/seminario 3 pdfs/subtema_A3F/Sonia_marques.pdf</a>&gt;. Acesso em: 07 nov. 2008.</p>
<p style="text-align:justify;">MEURS, Paul. Architecture in Brazil. <em>Docomomo Journal</em>, Eindhoven, n. 21, p. 29-30, June 1999.</p>
<p style="text-align:justify;">OLIVEIRA, Lúcia Lippi (Org.). <em>Cidade: História e desafios</em>. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002.</p>
<p style="text-align:justify;">PAIVA,  Ricardo A. A escrita da história da arquitetura moderna brasileira: um  palimpsesto. In: SEMINÁRIO LATINO-AMERICANO ARQUITETURA &amp;  DOCUMENTAÇÃO, 1., 2008. Belo Horizonte. <em>Anais</em>&#8230; Belo Horizonte: Escola de Arquitetura UFMG; IEDS, 2008. 1 CD-ROM.</p>
<p style="text-align:justify;">RABELO, Clóvis. Sobre revistas e revisões: o que aconteceu com as revistas brasileiras de arquitetura? <em>Portal Vitruvius,</em> São Paulo, jan. 2005. Disponível em: &lt;<a title="Ir para o site" href="http://www.vitruvius.com.br/drops/drops10_03.asp" target="_blank">http://www.vitruvius.com.br/drops/drops10_03.asp</a>&gt;. Acesso em: 10 nov. 2008.</p>
<p style="text-align:justify;">SEGAWA, Hugo (Org.).<em> Arquiteturas no Brasil/Anos 80</em>. São Paulo: Projeto, 1988.</p>
<p style="text-align:justify;">SEGAWA, Hugo. <em>Arquiteturas no Brasil 1900-1990</em>. São Paulo: Edusp, 1998.</p>
<p style="text-align:justify;">WISSENBACH, Vicente. Edusp lança Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. <em>Finestra/Brasil</em>, São Paulo, n. 15, p. 114, out./dez. 1998.</p>
<p style="text-align:justify;">ZEIN, Ruth Verde. Pesquisador analisa multiplicidade de caminhos da arquitetura moderna no Brasil. <em>Jornal da Tarde</em>, São Paulo, Caderno de Sábado, p. 6D, 15 maio 1999.</p>
<hr size="1" />
<h4 style="text-align:right;">Hugo Segawa</h4>
<p style="text-align:right;">Arquiteto, Professor Associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.</p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:right;"><span style="color:#888888;">Colaboração <span style="color:#888888;">editorial</span>: Débora Andrade</span></p>
<div id="_mcePaste" class="mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:342px;width:1px;height:1px;overflow:hidden;">&lt;sup&gt;&lt;a name=&#8221;sdfootnote4anc&#8221; href=&#8221;#sdfootnote4sym&#8221;&gt;&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt;&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;</div>
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			<media:title type="html">danilo</media:title>
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			<media:title type="html">Ver os textos da série</media:title>
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			<media:title type="html">Capa do livro Arquiteturas no Brasil : 1900-1990</media:title>
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			<media:title type="html">Página do &#34;Arquiteturas no Brasil 1900-1990&#34;</media:title>
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			<media:title type="html">Página do &#34;Arquiteturas no Brasil 1900-1990&#34;: Episódios de um Brasil grande e moderno</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A quatro mãos : Arquitetura Moderna Brasileira, 1978-82</title>
		<link>http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/</link>
		<comments>http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 04:40:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Danilo Matoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Marlene Milan Acayaba]]></category>
		<category><![CDATA[Série Panoramas da Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Sylvia Ficher]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura Moderna Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[História da Arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[I ENANPARQ]]></category>
		<category><![CDATA[Influências da arquitetura carioca]]></category>
		<category><![CDATA[International Handbook of Contemporary Developments in Architecture]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria da Arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Warren Sanderson]]></category>

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		<description><![CDATA[Sylvia Ficher &#124; Marlene Milan Acayaba * To show our simple skill, That is the true beginning of our end. Shakespeare, A midsummer-night&#8217;s dream Para a Sylvia e a Marlene rememorar, depois de tantos anos, como foi escrito o Arquitetura Moderna Brasileira é uma viagem. Mas uma viagem que nada se compara àquela que fizeram [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=5555&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:80px;">
<h4 style="text-align:left;"><a title="Ver os artigos da série" href="http://pt-br.wordpress.com/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><span style="color:#808080;"> </span></a><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><img class="alignnone size-full wp-image-5917" style="border:0 none;" title="Ver os textos da série" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/serie-panoramas1.jpg?w=700" alt=""   /></a></h4>
<p style="text-align:right;">Sylvia Ficher | Marlene Milan Acayaba</p>
</div>
<p><span id="more-5555"></span></p>
<p style="text-align:right;"><a name="sdfootnote1anc" href="#sdfootnote1sym"><sup>*</sup></a></p>
<p style="text-align:right;">To show our simple skill,<br />
That is the true beginning of our end.</p>
<p style="text-align:right;">Shakespeare, <em>A midsummer-night&#8217;s dream</em></p>
<p style="text-align:justify;">Para a Sylvia e a Marlene rememorar, depois de tantos anos, como foi escrito o <em>Arquitetura Moderna Brasileira</em> é uma viagem. Mas uma viagem que nada se compara àquela que fizeram pelo Brasil no verão de 1979&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O nosso livro se propunha traçar um panorama da arquitetura  brasileira desde as suas primeiras manifestações modernistas na década  de 1920 até aquele momento, ou seja, fins da década de 1970. Poucos  sabem, mas foi escrito originalmente em inglês, para integrar o <em>International Handbook of Contemporary Developments in Architecture</em>,  manual organizado por Warren Sanderson – então professor de história da  arte na Faculty of Fine Arts da Concordia University, em Montreal, <a name="sdfootnote2anc" href="#sdfootnote2sym"><sup>1</sup></a> sobre a produção arquitetônica após a 2ª Guerra Mundial. Nas palavras de seu organizador:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>The volume is to be a work of reference primarily. It will be  sold especially to libraries around the world. Each essay should serve  at least two functions: first, an introduction to the contemporary  architectures of countries around the world, and: second, a summary of  developments in each in the areas of architectural design, technology,  planning, education, and the profession itself as a whole. It will be  used, we expect, both by specialists and the general public. References  to specific buildings, projects, and architects, with the dates during  which each was accomplished, or worked, should be built into the  narratives; and an emphasis upon design should be maintained</em>. <a name="sdfootnote3anc" href="#sdfootnote3sym"><sup>2</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O alentado volume, publicado em 1981, iria corresponder ao propósito  de Sanderson e ao pomposo título. Trata-se de uma útil obra de  referência, abordando trinta e dois países. Pela ordem dos capítulos:  Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile,  China, Colômbia, Cuba, Tchecoslováquia (hoje dividida&#8230;), Dinamarca,  Finlândia, França, Alemanha Ocidental (ela ainda existia), Grã-Bretanha,  Grécia, Hungria, Israel, Itália, Japão, México, Holanda, Noruega,  Polônia, África do Sul, Suécia, Turquia, União Soviética (e ela  também!), Estados Unidos e Venezuela. <a name="sdfootnote4anc" href="#sdfootnote4sym"><sup>3</sup></a> Painel este introduzido por seis excelentes ensaios: Trends in  Contemporary Architecture, de Warren Sanderson; Architectural Theory and  Criticism since 1945, de Bruno Zevi; Technology and Architectural  Design, de Robert W. White; Preservation, Restoration, and Conservation,  de Robert Bruegmann; Urban Planning in Europe since 1945, de Adolf  Ciborowski; e Urban and Regional Planning in South America, de José M.  F. Pastor.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas parece que tanta pomposidade lhe custou em popularidade. Findou  por passar quase desapercebido, não é fácil encontrá-lo citado na  historiografia. <a name="sdfootnote5anc" href="#sdfootnote5sym"><sup>4</sup></a> Injusto infortúnio crítico, há alguns dias estava à venda usado por 45 centavos de libra em um site inglês <a name="sdfootnote6anc" href="#sdfootnote6sym"><sup>5</sup></a> e por umas 1.500 rúpias em um site indiano. <a name="sdfootnote7anc" href="#sdfootnote7sym"><sup>6</sup></a> Na William Stout Architectural Books, em San Francisco, é levado mais a sério: estava à venda por 75 dólares. <a name="sdfootnote8anc" href="#sdfootnote8sym"><sup>7</sup></a> Curiosa é sua situação nos grandes sites especializados. No AbeBooks,  lá sua sorte oscila entre extremos: usado vale de US$ 3.79 a US$ 242.34. <a name="sdfootnote9anc" href="#sdfootnote9sym"><sup>8</sup></a> Na Amazon pode ser encontrado novo por US$ 64.95, usado por preços variando de US$ 0.01 a US$ 175. 47. <a name="sdfootnote10anc" href="#sdfootnote10sym"><sup>9</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Eis a gênese do <em>Arquitetura Moderna Brasileira</em>, o capítulo sobre o Brasil, ou melhor, &#8220;Brazil&#8221;, do <em>Handbook</em>.  Tudo muito canhestro e mal articulado, coisa de principiante, porém  fruto de uma excepcional amizade, escrito com a despreocupação da  mocidade.</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Do que a Marlene se lembra</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Em 1975 eu me inscrevi na pós-graduação da FAU/USP com o objetivo de  fazer um estudo sobre as residências de vanguarda em São Paulo. Pouco  depois a Maria Helena Flynn me falou de uma tese de doutorado sobre  arquitetura contemporânea brasileira, defendida na França por Yves  Bruand.</p>
<p style="text-align:justify;">Por intermédio de minha irmã Betty Milan, que vivia lá, o professor  Bruand gentilmente me cedeu um exemplar. Li com o maior interesse,  sobretudo porque nunca havia visto nada igual no nosso universo. O  sujeito era paleógrafo e, a partir de publicações em revistas,  transformava tudo em lâminas de estudo. Foi isto que me deu a ideia de  como faria a pesquisa sobre as casas, usando como referência o que havia  sido publicado sobre elas.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse meio tempo, em 1978 reencontrei a Sylvia no curso de  especialização em patrimônio que eu estava assistindo na FAU. Uma noite,  convidadas para jantar com nossa colega e amiga Marta Dora Grostein,  conversamos durante horas sobre os nossos interesses, que coincidiam,  uma vez que ambas gostaríamos de nos dedicar à história da arquitetura.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos dias seguintes, ela me convidou para escrevermos um artigo sobre  arquitetura moderna no Brasil, a ser incluído em um livro que seria  publicado nos Estados Unidos. Respondi que seria ótimo, mas que talvez  pudéssemos fazer uma tentativa antes para ver como funcionaria a nossa  parceria. Naquele momento, o Instituto Roberto Simonsen havia aberto um  concurso, o Prêmio Henrique Mindlin. Para ele escrevemos o &#8220;Arquitetura  Brasileira: tendências atuais&#8221;, ensaio que recebeu menção honrosa. <a name="sdfootnote11anc" href="#sdfootnote11sym"><sup>10</sup></a> E o prêmio foi para quem? Para a Ruth Verde Zein e o marido dela, o José Luiz Telles dos Santos!!</p>
<p style="text-align:justify;">A experiência mostrara que poderíamos trabalhar juntas, embora  escrever a quatro mãos nem sempre seja fácil. Mas como as duas estavam  se iniciando nas lides acadêmicas, uma dava força para outra, e  rapidamente nos disciplinamos para realizar os estudos necessários.</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Do que a Sylvia se lembra</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Para mim, tudo começou em Nova York. Em Nova York e em maio ou junho  de 1978, não lembro bem dos detalhes. Eu havia concluído o mestrado na  Columbia e estava para voltar, sem saber muito bem o que me esperava por  aqui. Recordo muito vagamente ter conhecido uma pesquisadora que estava  preparando um livro sobre arte latino-americana ou algo assim, e que  houve uma conversa sobre uma possível participação minha no projeto. E  só!!</p>
<p style="text-align:justify;">Por essa época chegou uma carta – ou talvez tenha sido um telefonema –  do Carlos Lemos, contando que o meu professor James Fitch iria a São  Paulo para dar um curso na FAU, e me convidando para ser a sua  assistente. <a name="sdfootnote12anc" href="#sdfootnote12sym"><sup>11</sup></a> Aceitei na hora, era algo de concreto para fazer na volta&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Já em São Paulo, recebo outra carta – datada de 5 de julho de 1978, o que estabelece <em>cientificamente</em> o início da novela – de um tal professor Warren Sanderson, explicando  que está organizando um livro e que a Dra. Joyce Bailey – deve ser a tal  pesquisadora, mas juro que o nome não me traz nada à memória – havia me  indicado como alguém que poderia, por sua vez, indicar pesquisadores daqui para preparar um capítulo sobre arquitetura brasileira. <a name="sdfootnote13anc" href="#sdfootnote13sym"><sup>12</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Evidentemente, pensei logo em me oferecer para escrever o capítulo.  Contudo, a tarefa estava muito além da minha competência, precisava  achar alguém para trabalhar comigo. Tudo clicou naquela conversa com a  Marlene no apartamento da Marta Dora. Da conversa com a Marlene me  lembro como se fosse hoje, nossos interesses e dúvidas eram parecidos.  Tinha encontrado a parceira ideal! Tanto que pouco depois liguei para  ela e a convidei para fazermos o trabalho juntas.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela topou, tomei coragem e em seguida respondi ao Sanderson sobre a nossa disponibilidade. <a name="sdfootnote14anc" href="#sdfootnote14sym"><sup>13</sup></a> E não é que ele aceitou!?!</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>I am glad to have an opportunity to answer you now, positively.  Welcome to our group of collaborators… I understand that you will be  writing our chapter on &#8220;Architecture in Brazil since 1945&#8243; together with  your colleague, Marlene Acayaba</em>. <a name="sdfootnote15anc" href="#sdfootnote15sym"><sup>14</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Foi a Marlene que veio com essa conversa do Prêmio Henrique Mindlin.  Eu queria começar o quanto antes o nosso artigo, o prazo era apertado  para duas diletantes. Mas todo mundo sabe que a Marlene não pede,  manda&#8230;</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Atacando o Brazil</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Havia chegado a hora de partimos para o &#8220;Brazil&#8221;, isso por volta de  outubro ou novembro de 1978. Começávamos a vislumbrar uma estrutura  básica; a encomenda era sobre o período posterior a 1945, e nos parecia  que esse recorte não se ajustava ao caso brasileiro. Aqui a guerra não  significara uma ruptura de igual ordem daquela que ocorrera na Europa e  nos Estados Unidos. Pelo contrário, fora a guerra e a conturbada década  que a precedeu que, em parte, haviam permitido que a produção brasileira  preenchesse o vácuo criado no cenário arquitetônico internacional.</p>
<p style="text-align:justify;">E assim, o ensaio foi pensado em três momentos. Um primeiro trataria  dos contatos iniciais dos brasileiros com o movimento moderno europeu  até Brasília, período quando havia uma linguagem arquitetônica fértil e  unitária, embasada num racionalismo de viés corbusieriano, porém com  resultados muito próprios. Inescapavelmente um segundo momento seria  dedicado a Brasília, do concurso à inauguração. Um terceiro tentaria  entender algo que vinha sendo rotulado de &#8220;após Brasília&#8221;, <a name="sdfootnote16anc" href="#sdfootnote16sym"><sup>15</sup></a> marcado por mudanças estéticas e diversidades de linguagem cuja lógica  talvez pudesse ser entendida nos seus contextos regionais.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo percebemos que escrever as duas primeiras partes não ia ser  problemático. Complicado mesmo era o tal após-calipso brasiliense, de  1960 em diante! Como resolver o impasse? Íamos ter que estudar&#8230;  Começando pelo que vivenciávamos de primeira mão: São Paulo. Aí, diante  da nossa ignorância e da ausência de publicações sobre a produção mais  recente, seguimos o palpite da Marlene: sair a campo, viajar pelo  Brasil, conversar com os arquitetos das cidades mais importantes,  visitar as suas obras, verificar de primeira mão o que estava  acontecendo.</p>
<p style="text-align:justify;">Para saber quem procurar em cada lugar, a Marlene apelou para o  Joaquim Guedes e a Sylvia para o Miguel Pereira. Em perspectiva, fica  difícil justificar a ausência de algumas cidades, em especial Belo  Horizonte. Talvez não tenhamos ido a BH porque nos parecera que a cidade  fora suficientemente contemplada com Pampulha, ou porque não sabíamos  quem procurar lá, ou porque estávamos dando preferência a cidades a  beira-mar ou ainda porque sequer nos ocorreu ir até lá. <a name="sdfootnote17anc" href="#sdfootnote17sym"><sup>16</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Ainda conseguimos nos lembrar do apoio da Cristina Toledo Pizza e do Luiz Paulo Conde, no Rio, da Cristina Jucá e do Vital Pessoa de Melo, no  Recife, e do Luciano Guimarães, em Fortaleza. Porém, à medida que íamos  avançando em nossa peregrinação, fomos encontrando outros arquitetos  que nos davam dicas sobre o que era entendido como relevante no seu  meio, cujos nomes infelizmente não mais recordamos.</p>
<h4><strong>São Paulo</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">São Paulo fazia parte do nosso dia-a-dia. Quase que bastava relatar o  que sabíamos pelo simples fato de pertencemos ao seu meio profissional.  Os arquitetos e obras citados simplesmente refletem o que era mais  comentado naquele tempo na nossa roda. Apenas pudemos dar uma atenção  maior à arquitetura residencial; nas palavras da Marlene:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Como eu já estava juntando material para o mestrado sobre as  residências, nós utilizamos os projetos que eram consenso para todos  nós: a casa do Paulo no Butantã, a casa do Guedes no Pacaembu etc.  Incluímos a minha casa, projeto do Marcos, e a &#8220;bola&#8221;, que o Eduardo  Longo estava então fazendo com suas próprias mãos.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Os arquitetos e obras citados simplesmente refletem o que era mais comentado naquele tempo na nossa roda; pela ordem no livro:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Lina Bo Bardi</strong>: Museu de Arte de São Paulo</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>João Batista Artigas</strong>: FAU/USP, Residências Olga  Baeta e Mendonça, Ginásios de Itanhaém e Guarulhos, Casa de Barcos do  Clube Santa Paula, Estação Rodoviária de Jaú, Escola Conesp em Vicente  de Carvalho</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Paulo Mendes da Rocha</strong>: Clube Paulistano, Residência do arquiteto no Butantã, Pavilhão de Osaka, Museu de Arte Contemporânea da USP</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Joaquim Guedes Sobrinho</strong>: Residências Cunha Lima, Dalton Toledo e Sergio Ferreira, Tribunal de Itapira, <a name="sdfootnote18anc" href="#sdfootnote18sym"><sup>17</sup></a> planos diretores para Carajás e Caraíba</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Carlos Millan</strong>: Residências Nadyr de Oliveira e Roberto Millan</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Fabio Penteado</strong>: Sociedade Harmonia de Tênis</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Sergio Ferro e Rodrigo Lefèvre</strong>: Residência em Cotia</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Marcos Acayaba</strong>: Residência do arquiteto</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Eduardo Longo</strong>: Residência do arquiteto</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Pedro Paulo de Mello Saraiva e Miguel Juliano</strong>: Edifício 5ª Avenida</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Rino Levi e Roberto Cerqueira Cesar</strong>: Banco Itaú</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>João Batista Artigas, Fabio Penteado e Paulo Mendes da Rocha</strong>: Conjunto Habitacional Cecap em Guarulhos</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Abrahão Sanovicz</strong>: Conjunto Habitacional Cecap em Jundiaí</p>
<h4><strong>Rio de Janeiro</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Nos primeiros meses de 1979 pegamos um avião em Congonhas e descemos  no Santos Dumont, onde a Cristina Toledo Piza, nossa colega da FAU, nos  aguardava para nos hospedar e socorrer. Éramos tão inexperientes que  sequer levamos um gravador ou uma máquina fotográfica.</p>
<p style="text-align:justify;">Nosso outro guia foi o Luiz Paulo Conde, quem nos levou para passear,  mostrando aqui e acolá alguns edifícios que havia projetado, mas  preocupado sobretudo em nos mostrar a cidade. Um encontro especial foi  com o saudoso Joca Serran, com quem mantivemos uma longa conversa em  algum barzinho de Ipanema. Outro dia fomos visitar o Zanine, que estava  construindo umas casas belíssimas com estrutura de madeira numa área  próxima da Floresta da Tijuca. E fomos ao bairro do Joá, onde  descobrimos a arquitetura dos irmãos Menescal.</p>
<p style="text-align:justify;">Surpresa maior foram os escritórios, um mais bonito que o outro,  todos com vistas para aquela paisagem única. Além disso, os cariocas  tinham muitos projetos em outras cidades. Enquanto que os paulistas  ficavam mais restritos ao seu estado; e seus escritórios eram bem mais  sem graça&#8230; O ritmo desses encontros era completamente diferente do  nosso. Quando tentamos marcar uma entrevista matinal com o Sérgio  Bernardes, ele nos recomendou que antes fossemos à praia, tomássemos um  bom banho de mar, para no fim da tarde visitá-lo em seu lindo escritório  na Barra, de frente para o mar, claro!</p>
<p style="text-align:justify;">A viagem já estava surtindo efeito. Tomávamos consciência de quão  pouco sabíamos. Afora aqueles arquitetos mais ativos nas reuniões do IAB  nacional, praticamente não conhecíamos ninguém além dos paulistas, boa  parte deles os nossos próprios professores. Só fizemos algumas breves  anotações das entrevistas, encantadas com aqueles arquitetos tão  diferentes, homens da corte, teatrais&#8230; Era verão, quando o Rio se  prepara para o carnaval e reluz na sua expressão máxima. Fazíamos a  lição de casa, mas como nos divertimos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Por tudo isso, a seleção carioca foi bem mais variada, indo de nomes  consagrados a outros mais jovens. Ousava mesmo incluir um Zanine, a quem  poucos então aceitavam como arquiteto, apesar do seu imenso talento.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Jorge Machado Moreira</strong>: Residência Antonio Ceppas e  projetos no Fundão: Hospital de Clínicas, Faculdade Nacional de  Arquitetura, Escola Nacional de Engenharia e Instituto de Puericultura</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>MMM Roberto</strong>: Pavilhão Lowndes, Edifícios Marquês de Herval e Souza Cruz, Centro de Exposições da Bahia</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Henrique Mindlin</strong>: Edifício Avenida Central</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Helio Ribas Marinho e Marcos Konder</strong>: Monumento aos Mortos da 2ª Guerra Mundial</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Sergio Bernardes</strong>: Pavilhão do Brasil em Bruxelas, Residência do arquiteto, Hotel de Manaus, Instituto Brasileiro do Café</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Ricardo e Roberto Menescal</strong>: Clube Costa Brava e Condomínio Joatinga, ambos no Joá</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Paulo Casé</strong>: Edifício de apartamentos na Lagoa Rodrigo de Freitas, Edifício Estrela de Ipanema</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>José Zanine Caldas</strong>: Condomínio Portinho de Massarú</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Luis Paulo Conde</strong>: Universidade do Estado do Rio de Janeiro</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Oscar Niemeyer</strong>: Israel: Cidade no Negev,  Universidade de Haifa e Residência Rothschild; França: Partido Comunista  Francês, Centro Espiritual dos Dominicanos em Sainte Baume e Bolsa de  Bobigny, ZACs (áreas a urbanizar) de Grasse, Dieppe e Villejuif;  Argélia: Mesquita, Centro Cívico de Argel, Universidade Constantine e  Parque Ecológico; Itália: Editora Mondadori em Milão e Fata Engineering  em Turim; Rio de Janeiro: Hotel Nacional; São Paulo, Centrais Elétricas  do Estado de São Paulo.</p>
<h4><strong>Manaus</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Foi em seu escritório no Rio que conhecemos Severiano Mário Porto,  cujo premiado projeto para a residência Schuster, então há pouco  publicado na <em>Projeto</em>, tinha nos encantado. Ao vivo e a cores,  foi bem depois que Marlene e Marcos foram a Manaus e visitaram suas  obras. Naquela altura já eram bons amigos, haviam se encontrado na  Bienal de Buenos Aires em 1986, quando Severiano ganhou o Grande Prêmio e  Marcos, o Cubo de Bronze.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Severiano Mario Porto</strong>: Sede administrativa da  Portobrás, Superintendência da Zona Livre de Manaus, Campus da  Universidade do Amazonas, Residência do arquiteto e Residência Robert  Schuster em Tarumã-Açu</p>
<h4><strong>Salvador</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">A seguir veio Salvador, e aí a coisa ficou ainda mais lenta, o calor  mais intenso. Estávamos hospedadas no Pelourinho, naquele mesmo hotel  onde havíamos ficado durante o Congresso de História da Arquitetura, em  1975. E aproveitamos para curtir o centro histórico, para nós bem mais  interessante que a arquitetura baiana mais recente.</p>
<p style="text-align:justify;">Se nos lembramos corretamente, nosso primeiro contato foi com o  arquiteto Assis Reis, por indicação do Guedes. Ele nos recebeu super bem  e uns jovens arquitetos de seu escritório nos levaram para conhecer  suas obras. Foi ele quem nos falou do projeto do Lelé para o centro  administrativo da Bahia. Fomos visitá-lo: era um imenso canteiro de  obras; prontos apenas a igreja e o pavilhão de exposições. Confessemos,  Salvador não foi tão empolgante como o Rio e nossas escolhas ficaram –  não sabemos mais porquê – excessivamente restritas, muita gente  interessante ficou de fora.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Francisco Assis Reis</strong>: Ginásio Humanístico de Pojuca,  Centro Comunitário Batista, Hospital Geral de Canela, Companhia  Hidroelétrica do São Francisco, Centro Médico Albert Schweitzer,  Residência José Paixão em Itapoã</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>João Filgueiras Lima</strong>: Centro Administrativo do Estado da Bahia: Secretaria, Centro de Exposição e Igreja</p>
<h4><strong>Recife</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">No Recife, depois de muita dificuldade para encontrar um lugar para  nos hospedar – era férias, a cidade estava lotada –, conseguimos um  quarto em uma casa particular em Boa Viagem. Já estávamos pegando o  jeito, ficando espertas, e logo nos pusemos a telefonar para a lista que  tínhamos obtido graças à Cristina Jucá, uma ótima indicação do Miguel.  Quando tentamos os primeiros contatos descobrimos, desconsoladas, que  estava todo mundo fora, passando a temporada de verão na praia, seja lá o  que isso signifique para quem mora em uma cidade litorânea&#8230; Depois de  muito esforço, conseguimos convencer alguns arquitetos a nos receber na  semana seguinte. Nada a fazer, seguimos a receita do Sergio Bernardes:  banhos de mar e longas caminhadas por Boa Viagem.</p>
<p style="text-align:justify;">Até aproveitamos para dar uma espiada naqueles prédios de  apartamentos tão bem construídos da beira mar, a maioria deles –  descobrimos depois – projeto do Borsoi. Próximo à casa onde estávamos  hospedadas havia um prédio muito diferente, de planta curva e bem mais  alto, talvez o Edifício Holiday, famoso treme-treme local. Nesse meio  tempo, também encontramos o Regis, um amigo da Sylvia de São Paulo, que  havia montado um laboratório no centro histórico, próximo ao Capibaribe,  para fazer a restauração das peças de ferro e cerâmica recolhidas dos  destroços de um galeão que havia naufragado por lá no século dezessete.  Os detalhes de que a gente lembra&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro arquiteto que nos recebeu foi o Vital Pessoa de Melo, quem  nos mostrou a cidade e nos deu uma ideia geral do que os arquitetos  estavam realizando. Na sequência, estivemos com o Borsoi. Ele nos deu  uma entrevista muito boa, cândida mesmo, contando sobre os reveses da  experiência do Cajueiro Seco, e explicou que, no momento, estava se  dedicando mais a projetar, em parceria com sua esposa, a arquiteta  Janete Costa, vários prédios de apartamentos de luxo em Boa Viagem. Quem  nos levou para conhecer vários desses prédios – um melhor que o outro,  todos com soluções hábeis para aproveitar a brisa do mar na ventilação  interior – foi o seu filho, Marco Antonio Borsoi, então se iniciando na  profissão.</p>
<p style="text-align:justify;">Houve um jantar na casa dos arquitetos Clementina Duarte e Armando de  Holanda, num bairro mais afastado. Este foi, sem duvida, o encontro  mais fascinante de toda a viagem: o Armando nos seduziu, era um  idealista e estava muito perturbado com o estrago que a construção do  Porto de Suape iria fazer no Cabo de Santo Agostinho, local histórico de  grande beleza, e nas praias próximas, como Gaibu. Com ele visitamos  justamente o Cabo, onde o Armando estava ousando erigir um monumento de  protesto. Atenção, era 1979 e o porto era uma daquelas obras  megalomaníacas da ditadura, causando terríveis danos ambientais sem que  ninguém pudesse chiar, exatamente como iria acontecer alguns anos depois  quando destruíram Sete Quedas para construir Itaipu. Armando nos levou  também ao Parque Nacional dos Guararapes, para o qual havia projetado  uma série de equipamentos seguindo os preceitos que havia exposto em seu  livro <em>Roteiro para construir no Nordeste</em>, um trabalho inspirador recentemente reeditado. <a name="sdfootnote19anc" href="#sdfootnote19sym"><sup>18</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Conhecemos outros profissionais interessantes, como o Reinaldo  Esteves, o Jório Cruz e o Élvio Polito. A imagem que ficou desses  arquitetos do Recife é que eram cultos e sofisticados, muitos deles com  formação na França ou na Inglaterra. Todavia foram poucos cujas obras  citamos.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Delfim Amorim</strong>: Edifícios Santa Rita e Acaiaca</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Acácio Gil Borsoi</strong>: Residência Clovis Rolim, Cajueiro Seco, Fórum de Teresina, sede do Ministério da Fazenda em Fortaleza</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Armando de Holanda</strong>: Parque Nacional dos Guararapes e Monumento Rodoviário de Garanhuns</p>
<h4><strong>Fortaleza</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Aqui as duas amigas se separam. Marlene volta para São Paulo e Sylvia  segue para Fortaleza. Agora quem relata é ela, reclamando que não tem a  memória da Marlene e nem a sua veia poética.</p>
<p style="text-align:justify;">Graças à amizade dos tempos do curso de especialização em patrimônio  de 1974, entrei em contato com o colega Luciano Guimarães, outro guia  incansável. Mais uma vez um acolhimento caloroso e a descoberta de um  ambiente profissional afinado. Tanto que, em retrospecto, a seleção  parece ter sido bem equilibrada.</p>
<p style="text-align:justify;">Liberal de Castro eu conhecia, fora meu professor justamente em 1974.  Igualmente o Neudson e o Campello, arquitetos atuantes no IAB que já  havia encontrado em São Paulo. Novidade foi conhecer arquitetos mais  jovens, preocupados em realizar obras adequadas ao clima e empregando  materiais locais. Como a Nícia – quem reencontraria logo depois em  Brasília, pois começamos juntas a dar aula na UnB em 1982 –, que me  levou para visitar algumas das suas casas. Ou o Nelson Serra e o José  Alberto, que me falaram da bela experiência de Morada Nova. E um  personagem inesperado: Fausto Nilo, arquiteto dublê de compositor,  parceiro letrista do Morais Moreira em todos aqueles frevos  maravilhosos! Paradoxalmente, a sua arquitetura ia na direção oposta,  menos regional e mais influenciada pelo brutalismo dos paulistas.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>José Liberal de Castro</strong>: atuação no Sphan</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Neudson Braga</strong>: Banco do Estado do Ceará e Centro de Hemoterapia</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Neudson Braga e José Liberal de Castro</strong>: Campus da Universidade Federal do Ceará</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Nícia Bormann</strong>: várias residências</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Gerhard Bormann</strong>: sedes do Banco do Nordeste em João Pessoa e Natal, Estádio de Fortaleza e residências</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Roberto Castelo e José Furtado</strong>: Assembléia de Fortaleza</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Paulo Cardoso</strong>: agências do Banco do Nordeste, Residência do arquiteto</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Nelson Serra e José Alberto de Almeida</strong>: Morada Nova</p>
<h4><strong>Curitiba</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Para fechar o percurso, a Sylvia vai a Curitiba, onde se encontra com  o Jaime Lerner, o qual descreve em detalhe o processo de planejamento  da cidade e lhe dá um conjunto enorme de publicações sobre suas ações  como prefeito, o qual ela guarda até hoje com carinho&#8230;. Deve ter sido  preguiça dela, em nossa seleção apenas citamos a dupla Luiz Forte e José  Maria Gandolfi e nos concentramos nos aspectos urbanísticos.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Jorge Wilheim</strong>: Plano Diretor de Curitiba</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Jaime Lerner</strong>: desenvolvimento do Plano Diretor de Curitiba no Instituto de Planejamento de Curitiba, IPUC</p>
<h4><strong>Porto Alegre e Brasília</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Não dava para continuar viajando e ainda faltava muita coisa. Jamais  teríamos dado conta do serviço se, para cobrir as principais lacunas, o  Miguel não tivesse nos ajudado com Porto Alegre e Brasília. Se a seleção  de Porto Alegre foi boa, o crédito é dele; se erramos feio, assumimos a  culpa.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Demétrio Ribeiro</strong>: apenas citado</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Edgar Graeff</strong>: Planos diretores para Caxias, Alvorada  do Norte e Uruaçu, Residência para o Ministro de Minas e Energia em  Brasília, Hotel Laje de Pedra</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Carlos Fayet, Claudio Luiz Araujo, Moacir M. Marques e Miguel Alves Pereira</strong>: Refinaria Pasqualini</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Carlos Fayet e Claudio Luiz Araujo</strong>: Ceasa de Porto Alegre</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Miguel Alves Pereira</strong>: Ginásio Concórdia</p>
<p style="text-align:justify;">O mesmo quanto a Brasília:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Universidade de Brasília </strong></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><strong>Oscar Niemeyer e João Filgueiras Lima</strong>: Instituto Central de Ciências</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><strong>João Filgueiras Lima</strong>: Laboratórios do Departamento de Engenharia e Conjunto Residencial da Colina</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><strong>Leo Bonfim e Alberto Xavier</strong>: Alojamento de Estudantes</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><strong>Paulo Zimbres</strong>: Reitoria</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><strong>José Galbinski e Miguel Pereira</strong>: Biblioteca Central</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><strong>Jose Galbinski</strong>: Restaurante Universitário</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;"><strong>Ricardo Farret e Paulo Zimbres</strong>: Centro Esportivo</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Maurício Roberto</strong>: Banco da Amazônia</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Alcides da Rocha Miranda</strong>: Banco Nacional de Desenvolvimento</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Pedro Paulo de Mello Saraiva e Paulo Mendes da Rocha</strong>: Confederação Nacional da Indústria</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Sergio Souza Lima</strong>: Superquadra do Itamaraty <a name="sdfootnote20anc" href="#sdfootnote20sym"><sup>19</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Ícaro Castro Mello</strong>: Centro Esportivo e Ginásio</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>Pedro Paulo de Mello Saraiva, Sergio Ficher e Henrique Cambiaghi</strong>: Escola Fazendária</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><strong>João Filgueiras Lima</strong>: Hospital de Taguatinga e Edifício Camargo Correia</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Frente à frente com o Brazil</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">A viagem fora frutífera; havíamos encontrado arquiteturas diversas,  resultado da geografia e do clima, da cultura local e seu tipo de vida,  dos materiais empregados&#8230; Porém todas inescapavelmente modernas, todas  reconhecíveis pelo gene comum, todas direta ou indiretamente fruto da  difusão do modernismo pelo país.</p>
<p style="text-align:justify;">Encerrada a farra dos passeios, chegara a temida hora da redação.  Seja lá o que se ache delas, escrever as duas primeiras partes não foi  problemático. Simplesmente recontamos a versão heróica que nos havia  sido transmitida pela tradição oral das aulas de história da FAU, em  especial aquelas do Eduardo Kneese de Mello. Versão essa que ia &#8220;desde o  começo&#8221;, ou seja, o Warchavchik, passando pelo Corbusier no Brasil, o  Ministério e o fenômeno Niemeyer, fechando em Brasília. <a name="sdfootnote21anc" href="#sdfootnote21sym"><sup>20</sup></a> Para evitar maiores gafes, nos valemos da magra historiografia nacional  de então e de um trabalho praticamente desconhecido por aqui, a tese de  doutorado de Yves Bruand – atenção, não o livro, este só sairia em  1981, a tese de 1973. <a name="sdfootnote22anc" href="#sdfootnote22sym"><sup>21</sup></a> Fontes essas, todas, que não fugiam em muito daquela versão heróica.  Para maior precisão, nos apoiamos em informações coletadas nas revistas  de arquitetura. Naqueles primitivos tempos sem catálogos <em>online</em>, um auxiliar indispensável foi o <em>Índice da Arquitetura Brasileira</em>, aquele que vai de 1950 a 1970. <a name="sdfootnote23anc" href="#sdfootnote23sym"><sup>22</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Redigidas essas três partes, incluímos à guisa de conclusão uma  sumária revisão da literatura, alinhavando os títulos mais influentes –  lapso indesculpável, entre outros, é a ausência do livro do Lemos, <em>Arquitetura Brasileira</em>, lançado naquele ano de 1979. <a name="sdfootnote24anc" href="#sdfootnote24sym"><sup>23</sup></a> E uma mais sumária ainda tentativa de discussão de um processo de  regionalização que nos parecia estar em curso. Metidas, ousávamos até  prever o regionalismo crítico. <a name="sdfootnote25anc" href="#sdfootnote25sym"><sup>24</sup></a></p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>O após Brasília: 1960-1979</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Foi a terceira parte que exigiu bem mais das autoras. A nosso ver, é nela que reside algum interesse que – porventura – o <em>Arquitetura Moderna</em> possa ter hoje. Como aborda o período posterior àquele abrangido pela  tal versão heróica, naquele momento era ainda terra ignota, território  não mapeado – à exceção justamente do capítulo &#8220;Os tempos recentes&#8221; do  livro do Lemos, que bestamente não consultamos.</p>
<p style="text-align:justify;">É nela que tivemos que fazer a nossa própria escolha de arquitetos mais expressivos e obras mais representativas – o <em>who&#8217;s who</em> e <em>what&#8217;s what</em> da Sylvia e da Marlene. Inúmeros desses arquitetos, apesar de muito  conhecidos, renomados mesmo à época, eles não haviam sido até então  objeto de qualquer referência na crônica da profissão, como o Zanine, o  Borsoi, o Assis Reis, o Lelé, o Zimbres, ou o Conde. É verdade também  que outros que citamos nunca mais foram lembrados&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar da arbitrariedade da escolha – qual seja, as nossas  preferências, o nosso gosto pessoal e, por que não, até mesmo as nossas  simpatias e antipatias –, o que mais nos surpreende em tal seleção, aqui  e agora, é a sua permanência. Essa mesma seleção continua sendo  repetida até hoje – quase <em>ipsis litteris</em> – em trabalhos  historiográficos. Ela como que se tornou uma continuação da velha versão  heróica. Acerto de julgamento ou mera coincidência, nada além de  casualidade? Pior, talvez um vicioso e viciado efeito de teoria?</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Acabando com o Brazil</strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Mal traduzido para o inglês, em algum momento em 1979 enviamos para o  Sanderson aquele que seria apenas o primeiro esboço do &#8220;Brazil&#8221;. <a name="sdfootnote26anc" href="#sdfootnote26sym"><sup>25</sup></a> Ele, numa demonstração de extremo profissionalismo, meses depois devolveu o texto com o inglês todo revisto, <a name="sdfootnote27anc" href="#sdfootnote27sym"><sup>26</sup></a> acompanhado de uma longíssima carta na qual malhava o trabalho do  começou ao fim, em particular a terceira parte, aquela em que mais  havíamos caprichado. Só para dar o tom, aí vai um dos trechos mais  duros:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>I have worked long and very hard on your contribution… I am sorry  that I cannot accept the second part (after the discussion of Brasilia)  even as it now stands in my revision. There are simply too many very  incomplete discussions in it…Ask yourselves just what are the major  trends in Brasil&#8217;s architecture… and decide whether they are clear from  your chapter (and they are really not clear to me)</em>. <a name="sdfootnote28anc" href="#sdfootnote28sym"><sup>27</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Porém restava uma esperança:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>I am sure that your chapter as it stands has all the &#8220;raw  material&#8221; necessary for an excellent chapter, but it requires more  shaping now.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">A paulada vinha acompanhada de uma lista de questões a serem  esclarecidas – vinte e seis para sermos precisas. Foi graças às suas  críticas e perguntas oportunas que pudemos perceber como o nosso  trabalho era fraco, amadorístico. Mãos à obra, perguntas divididas entre  Marlene e Sylvia, finalmente surgiu um texto, ou melhor um copião.  Trechos em inglês, trechos em português&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">A tradução definitiva foi feita por ninguém menos do que o Dr. Paulo  Emílio Vanzolini, então diretor do Museu de Zoologia da USP. A Sylvia já  o conhecia e, na maior cara de pau, pediu que nos ajudasse. E ele não  se restringiu a fazer uma tradução. Trabalhavam à noite em seu gabinete  no museu, ele traduzindo e afinando o texto, ela anotando tudo. De noite  correções, de dia datilografia do trabalho da noite anterior, isto por  uns 10 dias&#8230; É a ele que devemos o que de bom tem a redação do  &#8220;Brazil&#8221;.</p>
<div style="height:310px;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5618" style="border:0 none;margin-left:5px;margin-right:5px;" title="Fig. 1 - O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01.jpg?w=214&#038;h=300" alt="" width="214" height="300" /></a><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5619" style="border:0 none;margin-left:5px;margin-right:5px;" title="Fig. 1 - O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02.jpg?w=213&#038;h=300" alt="" width="213" height="300" /></a><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5620" style="border:0 none;margin-left:5px;margin-right:5px;" title="Fig. 1 - O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03.jpg?w=214&#038;h=300" alt="" width="214" height="300" /></a></p>
</div>
<p style="text-align:justify;">Por fim, havia um texto se não brilhante, pelo menos correto e em bom inglês, que enviamos em maio de 1980.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Please find enclosed the final rewrite of our chapter&#8230; We were  helped in the translation by Dr. Paulo Vanzolini (Museu de Zoologia,  Universidade de São Paulo) and would like to have this fact acknowledged  somewhere in the article – we thank Dr. Vanzolini for his patient and  careful reading of the chapter</em>. <a name="sdfootnote29anc" href="#sdfootnote29sym"><sup>28</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Apesar das ácidas críticas anteriores, o Sanderson findou por aceitá-lo, conforme nos informou a 2 de outubro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Your manuscript is part of the Handbook indeed and is now in production at the Greenwood Press. Forgive me for not writing sooner and thanks for a good chapter</em>. <a name="sdfootnote30anc" href="#sdfootnote30sym"><sup>29</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O enredo continuou ainda por algum tempo, por conta de ilustrações e detalhes menores. Em novembro de 1981 o Handbook estava pronto, confirmando o que nos informara Sanderson em sua última correspondência:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Production of the book is on schedule and we should see the  finished volume of some six hundred to seven hundred double-columned  text pages </em>[de fato, 623 páginas] <em>with two hundred and fifty illustrations published by November of this year (Nov 20<sup>th</sup>)</em>. <a name="sdfootnote31anc" href="#sdfootnote31sym"><sup>30</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Encucado, pesquisado e escrito entre 4 de setembro de 1978 e 14 de maio de 1980, o &#8220;Brazil&#8221; estava publicado!!</p>
<div style="height:275px;">
<p style="text-align:left;"><span style="color:#888888;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/correspondencia-de-warren-sanderson-montreal-15-de-janeiro-de-1981-arquivo-sylvia-ficher/"><img class="size-medium wp-image-5621 alignleft" style="border:0 none;" title="Fig. 2 - Correspondência de Warren Sanderson, Montreal, 15 de janeiro de 1981" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/correspondc3aancia-de-warren-sanderson-montreal-15-de-janeiro-de-1981-arquivo-sylvia-ficher.jpg?w=207&#038;h=270" alt="Fonte: Arquivo Sylvia Ficher" width="207" height="270" /></a><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/03-folha-de-rosto-do-handbook-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5622" style="border:0 none;margin-left:15px;margin-right:15px;" title="Fig. 3 - Folha de rosto do Handbook" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/03-folha-de-rosto-do-handbook-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981.jpg?w=209&#038;h=270" alt="Fonte: Warren Sanderson, International Handbook of Contemporary Developments in Architecture, 1981." width="209" height="270" /></a><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/04-pagina-do-brazil-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981-02/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5625" style="border:0 none;" title="Fig. 4 - Página do &quot;Brazil&quot;" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/04-pc3a1gina-do-brazil-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981-02.jpg?w=194&#038;h=270" alt="Fonte: Warren Sanderson, International Handbook of Contemporary Developments in Architecture, 1981." width="194" height="270" /></a></span></p>
</div>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Enfim o <em>Arquitetura Moderna</em></strong></h3>
<p style="text-align:justify;">Um serviço que dera tanto trabalho, que não era de todo ruim e que  poderia servir como uma primeira leitura para os estudantes, não um  manual no padrão do Bruand, algo mais singelo, porém chegando até a  década posterior à sua tese. Que tal publicá-lo?</p>
<p style="text-align:justify;">Neste ato final as datas não vão ser tão precisas, deve ter ido de  fins de 1980 a inícios de 1981. Feita a tradução, sim, a tradução de  algo que nunca existira integralmente em português, selecionamos as  ilustrações e montamos um &#8220;manuscrito&#8221;, algo tosco considerando os  recursos digitais de hoje. <a name="sdfootnote32anc" href="#sdfootnote32sym"><sup>31</sup></a> E o editor? A opção era óbvia&#8230; O Vicente Weissenbach topou, convidamos o Miguel para escrever a introdução.</p>
<div style="height:310px;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5626" style="border:0 none;margin-left:5px;margin-right:5px;" title="Fig. 5 - O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01.jpg?w=216&#038;h=300" alt="" width="216" height="300" /></a><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5627" style="border:0 none;margin-left:5px;margin-right:5px;" title="Fig. 5 - O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02.jpg?w=216&#038;h=300" alt="" width="216" height="300" /></a><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5628" style="border:0 none;margin-left:5px;margin-right:5px;" title="Fig. 5 - O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03.jpg?w=218&#038;h=300" alt="" width="218" height="300" /></a></p>
</div>
<p style="text-align:justify;">Tudo parecia encaminhado&#8230; Que nada, o Vicente não gostou da  conclusão. Mais trabalho, mais uma conclusão que, em retrospecto, também  tem, entre outras, uma falha grave: o fato de não termos incorporado a  ela justamente a conclusão em inglês, aquela com o rapidíssimo balanço  da historiografia. Dada a dificuldade de acesso, aí vai o melhor trecho:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>The study of contemporary Brazilian architecture suffers from the  lack of historical texts. Brazil Builds (1943), Henrique Midlin&#8217;s books  (1943, 1956), several articles by Lucio Costa, all written before 1960,  and some scattered essays by architects have only recently been  substantially augmented by Yves Bruand&#8217;s </em>L’Architecture contemporaine au Brésil<em>,  a doctoral thesis published in 1973, exhaustively covering the field  from 1900 to 1968. These important sources are complemented by  architectural journals of a usually short or intermittent life in which  there has been a notable absence of criticism and an exaggeratedly high  valuation of architectural output. Perhaps in part this may be explained  by the fact that Brazilian law does not clearly define the architect&#8217;s  profession which overlaps with the civil engineer&#8217;s. Another  contributing factor to this situation may well be that the cultural  activity we know as architecture, after giving Brazil some international  renown during the 1940s and 1950s, came to be viewed with suspicion  during the 1960s concurrently with certain internal political changes</em>. <a name="sdfootnote33anc" href="#sdfootnote33sym"><sup>32</sup></a></p>
</blockquote>
<div style="height:290px;">
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/06-arquitetura-moderna-brasileira-capa-de-sylvia-ficher-e-marlene-milan-acayaba-arquitetura-moderna-brasileira-1982/"><img class="size-medium wp-image-5629 alignnone" style="border:0 none;" title="Fig. 6 - &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot;" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/06-arquitetura-moderna-brasileira-capa-de-sylvia-ficher-e-marlene-milan-acayaba-arquitetura-moderna-brasileira-1982.jpg?w=300&#038;h=282" alt="" width="300" height="282" /></a></p>
</div>
<p style="text-align:justify;">Mesmo assim, descontadas as limitações das fontes e das autoras, ambas as conclusão, do &#8220;Brazil&#8221; e do <em>Arquitetura Moderna</em>,  ainda interessam como documento de época. Inclusive, trazem esboçada  uma primeira abordagem de algumas questões que só nas últimas duas  décadas têm sido objeto de maior reflexão de nossa parte, historiadores e  críticos de arquitetura, como a conflituosa relação entre o  internacionalismo do movimento moderno e o desejo de afirmação de uma  cultura nacional. Como então escrevemos:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Através da incorporação de uma teoria arquitetônica, que se  propunha com validade internacional, foi possível a coexistência das  duas aspirações contraditórias – a adequação da arte e da arquitetura  brasileiras [a]os estágios mais avançados da produção européia e a  superação da dependência cultural</em>. <a name="sdfootnote34anc" href="#sdfootnote34sym"><sup>33</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Em 1982 seria a vez do <em>Arquitetura Moderna</em> ser publicado!  Quando o vimos, uma grata surpresa: não só uma elegante programação  visual como tudinho fora desvairadamente ilustrado, coisa que jamais  havíamos imaginado que seria feita e da qual não tivéramos conhecimento.  Contribuição ímpar do Hugo Segawa, que repetira o nosso roteiro e foi  muito além, lá onde não havíamos ido, fotografando todas as obras  citadas. Contribuição ímpar, sim; afinal várias delas estavam sendo  publicadas pela primeira vez.</p>
<p style="text-align:justify;">O lançamento foi a 7 de dezembro na loja da Oca, na Faria Lima,  cedida por seu dono, cujo nome não recordamos. Graças à prodigalidade do  Vicente, era tanta bebida que a noite de autógrafos só poderia ser um  sucesso!!</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-32/"><img class="size-medium wp-image-5738 alignnone" style="border:0 none;" title="Fig. 7 – Marlene Milan Acayaba, João Batista Vilanova Artigas e Sylvia Ficher" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-32.jpg?w=300&#038;h=197" alt="" width="300" height="197" /></a><br />
<a name="sdfootnote69anc" href="#sdfootnote69sym"><sup>Mais imagens do lançamento do livro na galeria abaixo</sup></a></p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Algo mais do que recordações</strong></h3>
<p style="text-align:right;">How shall we beguile the lazy time<br />
If not with some delight?</p>
<p style="text-align:right;">Shakespeare, <em>A midsummer-night&#8217;s dream</em></p>
<p style="text-align:justify;">Tantas estórias meio esquecidas, vem o convite da Ruth para  participarmos da sua sessão temática naquele que foi o primeiro evento  da longamente ansiada Anparq. <a name="sdfootnote35anc" href="#sdfootnote35sym"><sup>34</sup></a> Valeu o reencontro com quem fomos. E o reencontro com um <em>Arquitetura Moderna </em>até que algo valorizado, hoje vendendo por até cem reais, e como <em>livro raro</em>&#8230; <a name="sdfootnote36anc" href="#sdfootnote36sym"><sup>35</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Porém tudo isso é folclore. A quatro mãos novamente, voltemos à carta  do Sanderson de dezembro de 1979. Há nela um comentário curioso:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>I knew that developments in your country were very important, but  now from your contribution I realize that even I had underestimated  just how important they were in our filed.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Tal constatação ecoaria na sua introdução do <em>Handbook</em>, &#8220;Trends in Contemporary Architecture&#8221;:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>South America had been made well aware of the new style of  buildings by Le Corbusier himself during his lecture tour of the  continent in 1929. architects in Argentina, Brazil, and Uruguay were  especially receptive to his ideas, and in 1936 he was invited to Brazil  as a consultant for what became a landmark of modern architecture in  South America, the Ministry of Education and Health building in Rio de  Janeiro (1936-1943). This had effects not only during the forties in  South America but also in the fifties in the Republic of South Africa  where the Meat Board Building in Pretoria (1951) by Stauch and Partners  is related to it, according to I. Prinsloo.</em> <a name="sdfootnote37anc" href="#sdfootnote37sym"><sup>36</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">I. Prinsloo? Ora, o autor do capítulo sobre a África do Sul do <em>Handbook</em>, quem nos brinda com uma inesperada assertiva:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>The local experience with the International Style had not been  entirely satisfactory due to technical failure and public rejection, and  architects actively sought other modes of designing in the postwar  period. At this time a new set of diverse influences entered the field;  the influence of Scandinavian work, the gentler brick architecture of  persons such as Dudok (both under the rubric of New Empiricism), and the  recent work done in Brazil and made known to South Africans by the  publication of</em> Brazil Builds <em>(Goodwin, 1943) with photographs  by Kidder Smith. The Brazilian work in particular had a wide and  pervasive influence, especially in Pretoria with its hot climate, and on  a group of architects who were culturally particularly receptive to a  new, non-European architecture. The capital city of the country was the  center of those pressures which sought to develop a particular South  African identity and, in building, Brazilian models seemed more  appropriate than European ones. The influence was mainly two fold: that  relating to vernacular building, that is, seeing that vernacular  building could provide a legitimate point of departure for modern  building; and that relating to building form as such, in particular  lessons from the Ministry of Education and Health Building, Rio de  Janeiro (Lucio Costa and others, with Le Corbusier, 1942). The  brise-soleil, the use of pilotis, and the use of a regular frame to  contain the other elements, were particularly emulated. The Meat Board  Building, Pretoria (Stauch and Partners, 1951), is a good example of the  application of these ideas and the fact that the Institute of South  African Architects gave an Award of Merit to it signifies the importance  attributed to these ideas</em>. <a name="sdfootnote38anc" href="#sdfootnote38sym"><sup>37</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/08-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951/"><img class="alignnone size-full wp-image-5749" style="border:0 none;" title="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/08-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951.jpg?w=700&#038;h=227" alt="" width="700" height="227" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a name="sdfootnote70anc" href="#sdfootnote70sym"><sup>Mais imagens na galeria abaixo</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Essas leituras, lá no longínquo 1981, foram extremamente sugestivas.  Nenhuma novidade então encontrar comentários – elogiosos ou abertamente  adversos, tanto faz – sobra arquitetura brasileira nos principais  manuais estrangeiros sobre o modernismo – hoje rotulados de &#8220;textos  canônicos&#8221;, o que só faz reforçar a versão heróica eurocêntrica. Veja-se  o Hitchcock (1958), o Benevolo (1960) e, bem depois, o Frampton (1980).  Fora do nosso limite temporal, Curtis (1982) e Tafuri e Dal Co (1986)  tampouco têm algo diferente a dizer deste ponto de vista.</p>
<p style="text-align:justify;">Em trabalhos publicados até aquela época, raramente havíamos nos  deparado com informações tão embasadas como aquelas do Prinsloo sobre o  impacto da arquitetura brasileira – leia-se, carioca – no exterior.</p>
<p style="text-align:justify;">Oscar Niemeyer, vá lá que seja. Ainda que, apesar de toda a fama, ele  tenha sido sempre injustiçado quando se trata de ressaltar a sua  ascendência sobre outros arquitetos mundo afora. Lá pra trás,  considere-se a sua óbvia e raramente apontada influência nas mais  importantes realizações de Wallace Harrison. <a name="sdfootnote39anc" href="#sdfootnote39sym"><sup>38</sup></a> Nos tempos atuais, só não vê quem não quer a <em>maniera niemeyeriana </em>refletida na obra dos mais incensados arquitetos do <em>star system</em> arquitetônico, como Santiago Calatrava ou Christian de Portzamparc.  Mesmo que não economizem elogios, destes, apenas Zaha Hadid parece  prestar a devida vênia e reconhecer a dívida. <a name="sdfootnote40anc" href="#sdfootnote40sym"><sup>39</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Já o <em>Brazil builds</em> em circulação em Pretoria nas década de  1940? E o Ministério modelar e fazendo escola por lá? Até mesmo o  nativismo sendo reverenciado e objeto de reflexão??!?!</p>
<p style="text-align:justify;">Uma relativa exceção encontra-se em um dos tais canônicos. No último capítulo do seu <em>Outline</em>,  &#8220;From the end of the First World War to the present day&#8221;, Nikolaus  Pevsner, apesar de não afirmar categoricamente uma primazia do  modernismo brasileiro de 1945 em diante, cita-o extensivamente – como  sempre um pouco de Reidy e muito de Niemeyer –, para exemplificar tanto o  que vê de positivo como de negativo na produção arquitetônica da época. <a name="sdfootnote41anc" href="#sdfootnote41sym"><sup>40</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Ao discutir a difusão do <em>International style</em>, por duas vezes Pevsner se refere ao Brasil em primeiro lugar: <em>With this the barrier of the Second World War is passed. The war meant to many countries – though not to all – another break of five years and more. Brazil had built what she liked</em>…; ou<em> Fifty  years after its creation [the style of the twentieth century] it has  its outposts nearly everywhere… He [the critic] has to visit Brazil  without any doubt</em>… <a name="sdfootnote42anc" href="#sdfootnote42sym"><sup>41</sup></a> Paradoxalmente, após censurar enfaticamente o que denomina <em>the revolt from reason</em> dos cariocas, as realizações que escolhe para elogiar como &#8220;racionais&#8221;  são o conjunto da ONU e a Lever House, ambos com óbvia pitada de  carioquice. Adiante, outro exemplo elogiado por seu caráter pitoresco é o  conjunto residencial Roehampton (1952), em Alton West, Londres,  bastante próximo do Parque Guinle (1949-1954) e mais ainda da posterior  superquadra brasiliense. <a name="sdfootnote43anc" href="#sdfootnote43sym"><sup>42</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Bem mais explícitos e efetivos, na literatura estrangeira vêm à mente  Percy Johnson-Marshall e Marcus Whiffen como autores que haviam, até  então, dado crédito aos brasileiros por inspirarem arquitetos  estrangeiros, por seu impacto no cenário internacional no segundo  pós-guerra. E isto em dois países centrais, Estados Unidos e Inglaterra.  Já a Europa continental nunca se manifestou, sempre passou batida pelo  assunto.</p>
<p style="text-align:justify;">Referindo-se à Lever House, em Nova York, Johnson-Marshall escreve:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>This superb design by architects Skidmore, Owens and Merrill for  Messrs Lever was a pioneer in the form of commercial office buildings… A  simple vertical form, larger but of approximately the same shape as the  Ministry of Education building at Rio, was placed over a low platform  consisting of a two-storey hollow square with most of the ground floor  left open. Compared with almost any other building in Manhattan (except  the U.N. Building) the public gain was very great. It was this building that  we made our prototype for the Barbican scheme in London, proposing a  number of tall blocks with low slabs, the latter being joined by bridges  to form a complete upper level pedestrian system</em>.<a name="sdfootnote44anc" href="#sdfootnote44sym"><sup>43</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Em outras palavras, bom mesmo em Manhattan só a Lever e a ONU – ambos  filhotes do Ministério. Idem para a reurbanização do Barbican, em  Londres&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Whiffen é peremptório. No capítulo &#8220;The New Formalism&#8221; de seu livro <em>American Architecture since 1780</em>, após citar obras de Philip Johnson, Minoru Yamasaki e Edward D. Stone, afirma:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>The architects of the New Formalism are unashamed in their  pursuit of delight…And it is to Stone, more than any other single  architect, to whom we owe the return of the arch, though the inverted  arcade, so popular with the designers of banks and real estate offices,  has its source outside the United States in Oscar Niemeyer&#8217;s  presidential palace in the new capital of Brazil</em>. <a name="sdfootnote45anc" href="#sdfootnote45sym"><sup>44</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Comentário bem exemplificado por um bizarro projeto de E. Stewart  Williams (1909-2005), arquiteto mais conhecido como autor da casa de  Frank Sinatra em Palm Springs&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo isso nos levara a pensar que havia ali uma pista que valeria a pena investigar. <a name="sdfootnote46anc" href="#sdfootnote46sym"><sup>45</sup></a> Entretanto nossos caminhos seguiram outros rumos, assumimos outras  responsabilidades e tal curiosidade findou um tanto abandonada em algum  canto da memória. Uma reflexão que sempre quiséramos aprofundar e à qual  só agora, trinta anos depois, retomamos para matar a saudade.</p>
<h4><strong>Helmut Stauch</strong><strong> e o Meat Board Building</strong><strong> </strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Muito preliminarmente, restringimo-nos a uma muito superficial  varredura na web. Começando pela Stauch and Partners. Surpresa: a firma,  criada em 1943, ainda existe, denominada Stauch Vorster Architects, e –  até onde se pode confiar em uma fonte da internet e sem data&#8230; –, é o  maior escritório de arquitetura da África do Sul e está incluída entre  os duzentos maiores do mundo. <a name="sdfootnote47anc" href="#sdfootnote47sym"><sup>46</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">O próximo passo foi saber algo sobre o seu fundador, Helmut Wilhelm  Ernest Stauch. Nascido em 1910 em Eisenach, Alemanha, sobre os inícios  de sua trajetória profissional vale notar que estudou na Technische  Hochschule de Berlim – onde foi aluno do Neuffert; começou a fazer  projetos na África do Sul em 1928 – país onde seu pai enriquecera graças  à descoberta de jazidas de diamantes; talvez tenha estagiado com  Gropius e Breuer. Por volta de 1935 se transferiu definitivamente para  Pretoria, lá falecendo em 1970. <a name="sdfootnote48anc" href="#sdfootnote48sym"><sup>47</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Por uma antiga colaboradora sua, Shelagh Suzanne Nation (1985), somos informadas que:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>About a year after Wepener joined him </em>[1948]<em>, he went  on a boat trip to Rio de Janeiro with the main intention of meeting  Oscar Niemeyer and seeing his work… His visit to Niemeyer surprised him  in many ways. Although he had a deep admiration for the South American  architect, Niemeyer&#8217;s disregard for such practicalities as whether or  not the roof leaked came as a shock to Stauch. But Niemeyer&#8217;s emphasis  on aesthetic values appears to have appealed to him strongly; it was to a  large extend dominant in his own architectural philosophy.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>When, shortly after his trip, he was commissioned for the Meat  Board Building, the Niemeyer influence was clear. His design for this  building aroused a great deal of interest. Writing on the architecture  of Johannesburg and environs, Nikolaus Pevsner discussed the lagging  behind (in architectural character) of public buildings in general and  went on to say: &#8220;As for the public buildings a similar change is perhaps  imminent. There is at least one extremely encouraging case. To design  the new building for the National Meat Board a private architect H W E  Stauch, was commissioned (telegraphic address: Bauhaus, Pretoria), and  the result is excellent… (</em>The Architectural Review,<em> June,  1953). At least seven leading architectural magazines published full  articles on the building, students in South Africa made a point of  visiting it and its impact continued for years</em>. <a name="sdfootnote49anc" href="#sdfootnote49sym"><sup>48</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Adiante voltaremos ao artigo de Pevsner, fonte importantíssima  recorrentemente citada e que pode ser consultada na biblioteca da  FAU/USP. Quanto ao próprio prédio, um site nos permitiu visualizá-lo  pela primeira vez, entender melhor a sua denominação original: National  Meat Board Building, e saber a atual: Nipilar House. <a name="sdfootnote50anc" href="#sdfootnote50sym"><sup>49</sup></a></p>
<div style="height:305px;">
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/reddot002/"><img class="alignnone size-full wp-image-5895" style="border:0 none;" title="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/reddot002.png?w=700" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a name="sdfootnote69anc" href="#sdfootnote69sym"><sup>Mais imagens na galeria abaixo</sup></a></p>
</div>
<h4><strong>Norman Eaton</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Estava aberta a estação de caça! Fuçando, fuçando, encontramos outra  informação empolgante: em Pretoria a influência do racionalismo carioca  havia se manifestado ainda antes, na década de 1940, e isto em projetos  de outros arquitetos. Como Norman Musgrave Eaton (1902-1966) que:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><em>… was commissioned in 1944 to design the Ministry of Transport  Building… The design of the Ministry of Transport Building was to be the  first Modern Civic building in South Africa and also the first which  was directly influenced by the new Brazilian architecture, owing much to  the Rio de Janeiro Ministry of Health and Education</em>. <a name="sdfootnote51anc" href="#sdfootnote51sym"><sup>50</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Além desse prédio – do qual não encontramos ainda uma imagem –,  achamos referências relevantes a mais dois projetos seus. O Netherlands  Bank, no qual entra em cena até Burle Marx!</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Designed in 1953 the Netherlands bank was a summary of the  Brazilian notions used in the Ministry of Transport building. Vertical  hardwood louvers were used on the western façade of the building as  solar shading towards the harsh afternoon sun. On his travels to Brazil,  Eaton met with Roberto Burle Marx (acclaimed Brazilian landscape  architect) who inspired him to make use of a roof garden</em>… <a name="sdfootnote52anc" href="#sdfootnote52sym"><sup>51</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">E o Pretoria Wachthuis, cuja data não encontramos. Se olharmos  distraidamente a sua foto, podemos nos confundir e achar que fica aqui,  no Flamengo, no Rio, ou em Higienópolis, em São Paulo.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><em>Also the Pretoria Wachthuis (police administration building) owes  much to the Brazilian influence – the use of an arcade paved in marble  mosaic murals that are linked by a sweeping double stairway to the upper  level, the introduction of brise soleil on the façade and elegant steel  helical stairs in the double volumes of the ground level shops</em>. <a name="sdfootnote53anc" href="#sdfootnote53sym"><sup>52</sup></a></p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/11-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-84/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5757" style="border:0 none;" title="Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/11-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-84.jpg?w=300&#038;h=197" alt="" width="300" height="197" /></a><br />
<a name="sdfootnote71anc" href="#sdfootnote71sym"><sup>Mais imagens na galeria abaixo</sup></a></p>
<h4><strong>Ampliando o território</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Os indícios estavam se acumulando, a investigação estava passando de factível a factual. <a name="sdfootnote54anc" href="#sdfootnote54sym"><sup>53</sup></a> Continuando a escarafunchar, fomos nos deparando com várias referências  à influência carioca em Pretoria, como um artigo mais recente do  Prinsloo (1995), &#8220;South African syntheses &#8211; architecture&#8221;, trabalho que  traz um amplo panorama da arquitetura sul-africana do século 17 até o  presente. <a name="sdfootnote55anc" href="#sdfootnote55sym"><sup>54</sup></a></p>
<p style="text-align:justify;">Previsivelmente, cita Pevsner o seu little Brazil ao  discutir a segunda onda modernista, justamente aquela que aqui nos  interessa. Mesmo antes de ler o artigo de Pevsner – &#8220;Johannesburg: the  development of a contemporary vernacular in the Transvaal&#8221; – somos  obrigadas a retificar o acima dito e reconhecer: agora temos um canônico  inequivocamente identificando uma difusão do racionalismo carioca na  África do Sul no momento mesmo em que ela estava ocorrendo. Após sua  leitura, somos obrigadas também a retificar o nosso foco, uma vez que  Pevsner discorre mais sobre o que acontecia em Johannesburg e pouco nos  diz sobre Pretoria – refere-se apenas a Eaton e Stauch, e isso en passant. Assim, ele nos obriga a considerar a preeminência de Johanesburgo em nossa pesquisa:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>I doubt if there is any other city in any other part of the  Commonwealth which can offer the eye so consistent and convincing a  vision of the style of to-day… But the undeniable fact remains: the  unknown existence of a Little Brazil in the Transvaal.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>All this new blocks of flats in Johannesburg are modern…  Moreover, they are all of the same sub-species of modern: with  reinforced concrete frames and brick panels; plastered partly in pale  colours… They have horizontal windows, recessed or rectangularly  projecting balconies, and somewhere or other projecting frames.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>The projecting frame is the hallmark of Johannesburg at this  time. It reached town with Rex Martienssen&#8217;s own house… The motif has  been used by architects in England before the war more frequently than  in other countries. Maxwell Fry, Lubetkin, F. R. S. Yorke and Goldfinger  all have occasionally made use of it between 1935 and 1939… The  popularity of the motif may well be due to its wide acceptance by Brazil  and the sudden fame won by Brazilian buildings, thanks to Mr. Kidder  Smith&#8217;s gloriously illustrated Brazil Builds of 1943. There  examples abound, by Niemeyer, the Robertos and so on. Whether  Johannesburg swallowed it whole, thanks to Martienssen&#8217;s house or Brazil Builds, I cannot say. Anyway, it is ubiquitous now</em>. <a name="sdfootnote56anc" href="#sdfootnote56sym"><sup>55</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">E também a considerar uma longa lista de arquitetos para estudo, como  o próprio Martienssen e seus sócios John Fassler e Bernard Cooke – e  mais Cowin e Ellis; H. H. Le Roith; Philip Karp; S. A. Abramovitch;  Hanson, Tomkin e Finkelstein; Bernard Janks; W. G. McIntosh; G.  Candiotes; Stegman, Orpen e Porter.</p>
<p style="text-align:justify;">Contudo, quanto Pevsner trata de arquitetura residencial, nos  exemplos que mostra as influências não são mais tão cariocas,  predominando um gosto wrightiano por telhados de pouca inclinação e  largos beirais e paredes cegas de pedra não aparelhada. Tanto que uma  das casas ilustradas, a residência Gershater, de Le Roith, traz à mente  nada mais, nada menos, do que residência Lacaze, projeto de 1941 de  Vilanova Artigas.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/12-vilanova-artigas-residencia-roberto-lacaze-sao-paulo-1941-arquivo-sylvia-ficher/"><img class="size-medium wp-image-5762 alignnone" style="border:0 none;" title="Fig. 11 – Vilanova Artigas, Residência Roberto Lacaze, São Paulo, 1941" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/12-vilanova-artigas-residc3aancia-roberto-lacaze-sc3a3o-paulo-1941-arquivo-sylvia-ficher.jpg?w=300&#038;h=198" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Há ainda nuances políticas que não devem ser desconsideradas. Veja-se  o artigo &#8220;The New Futurists&#8221;, de Ivor Chipkin, que aponta uma relação  entre a adoção da arquitetura moderna na África do Sul – tendo como  modelo a brasileira – e a legitimação de um governo de direita, o que  nos recorda justamente o que aconteceu por aqui com Getulio Vargas:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>The Futurists thus split between those that  eventually became Fascists and those that became Communists. Indeed,  this was precisely the ambivalence of the Modern Movement. Casa del  Fascio , designed by Giuseppi Terragni and built in 1936, sometimes  described as &#8220;the landmark of modern European architecture&#8221; (Zevi, pp.  70-74) was commissioned by none other then Benito Mussolini to celebrate  and house the Italian Fascist Party! At roughly the same time Le  Corbusier was in Moscow doing the headquarters for the Pravda newspaper.  Closer to home, we will see the apartheid government invoke Modern  Movement architecture to make their own claims to modernity. See, for  example, the Meat Board Building done by Helmut Stauch in 1952</em>. <a name="sdfootnote57anc" href="#sdfootnote57sym"><sup>56</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Ampliando ainda mais o território, um artigo de Roger C. Fisher, &#8220;Africa: Southern and Central Africa&#8221; – talvez verbete de uma <em>Encyclopedia of 20<sup>th</sup> Century architecture</em> <a name="sdfootnote58anc" href="#sdfootnote58sym"><sup>57</sup></a> – dirige nosso olhar para outros países africanos, em especial aqueles de colonização portuguesa:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>In the years directly following World War II, Expressionist  modernism became popular on the subcontinent, fired by the &#8220;Brazil  Builds&#8221; exhibition (1943) and the subsequent publication of the same  name. Graduates from the architectural schools of the Witwatersrand and  Pretoria (established 1943) had a particular affinity for the style, and  the highveld became a &#8220;Little Brazil,&#8221; a style term used by </em>[Clive]  <em>Chipkin (1993) and derived from Pevsner&#8217;s (1953) observation that  Johannesburg was &#8220;a little Brazil within the Commonwealth&#8221;. The  appellation has expanded to all southern African architecture of the  1950s and 1960s that reflects Brazilian influence. The idiom is most  flamboyant in the then-Portuguese colonies of Angola and Mozambique,  particularly in Lorenço Marques (now Maputo), with Pancho Guedes being  its distinguished exponent</em>. <a name="sdfootnote59anc" href="#sdfootnote59sym"><sup>58</sup></a></p>
</blockquote>
<h4><strong>Pancho Guedes</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Entra em cena agora mais um personagem, Amâncio d&#8217;Alpoim Miranda  &#8220;Pancho&#8221; Guedes (1925), artista fascinante e, este sim, autêntico  regionalista crítico.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Pancho Guedes – born in Lisbon in 1925, grew up in Lourenço  Marques, Mozambique, and studied in South Africa, where he discovered  painting and the intensity of the Mexican muralists. He graduated in  Architecture at the University of Witwatersrand, in Johannesburg (1953),  getting academic recognition by Escola de Belas-Artes do Porto (Oporto  School of Fine Arts) the following year. His architectural work mainly  focuses on Lourenço Marques (now Maputo), where he developed an original  style that would later be called Stiloguedes, disclosing influences  ranging from the paintings of Picasso to his friend Malangatana&#8217;s, from a  dreamlike Freudian universe to African sculpture, mixed with an  expression characterised by a &#8220;Dadaist&#8221; disposition, fostered by his  friendship with Tristan Tzara</em>. <a name="sdfootnote60anc" href="#sdfootnote60sym"><sup>59</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Sua riquíssima obra, de uma variedade extrema, não admite classificações simplórias, como bem demonstra um passeio pelo seu <em>Vitruvius Mozambicanus</em>. <a name="sdfootnote61anc" href="#sdfootnote61sym"><sup>60</sup></a> Além disso, a nossa informação é muito tênue e, portanto, insuficiente  para incluí-lo com segurança no rol dos arquitetos influenciados pelo  modernismo carioca:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">&#8230;<em>while he admired Le Corbusier&#8217;s commitment to painting and the  forms of his buildings, he was not attracted to the machine aesthetic  of the &#8216;International Style&#8217;… His Latin temperament responded more to  the freer sculptural expressive forms of Brazilian architects like  Alfonso Reidy and Oscar Niemeyer, the Mexican Juan O&#8217;Gorman, the work of  Frank Lloyd Wright, the buildings of Antonio Gaudí, and his own growing  response to African</em>&#8230; <a name="sdfootnote62anc" href="#sdfootnote62sym"><sup>61</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Ao cabo, encontramos apenas dois dentre os seus projetos que  poderiam quiçá ser adequadamente entendidos como resultado de uma tal  inclinação, o prédio de apartamentos e lojas Maxaquene e a Padaria  Saipal, ambos em Maputo, mas nem sabemos suas datas.</p>
<p style="text-align:justify;">Pancho Guedes de há muito tem relações com o Brasil, tendo  participado da Bienal de São Paulo em 1961, com o projeto de um prédio  de apartamentos deliciosamente denominado &#8220;Leão que Ri&#8221;, ao que parece  uma de suas obras mais conhecidas. <a name="sdfootnote63anc" href="#sdfootnote63sym"><sup>62</sup></a> Há pouco nos deu o ar da sua graça ao participar da 7ª Bienal de  Arquitetura de São Paulo, integrando a exposição &#8220;Europa, Arquitetura em  Emissão&#8221;, representação oficial portuguesa. <a name="sdfootnote64anc" href="#sdfootnote64sym"><sup>63</sup></a></p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/13-saipal-3/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5763" style="border:0 none;" title="Pancho Guedes, Padaria Saipal, Maputo" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/13-saipal-3.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a name="sdfootnote71anc" href="#sdfootnote71sym"><sup>Mais imagens na galeria abaixo</sup></a></p>
<h4><strong>As colônias portuguesas na África e Lisboa?</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">Nessa mudança de delimitação e rumo, considerar as colônias  portuguesas parte da trama levanta mais interrogações. Temos agora  várias alternativas para os vetores da difusão diagnosticada. Será que a  inspiração para essas arquiteturas veio diretamente do Rio, ou lá  aportou via Johanesburgo e Pretoria, ou via Portugal? Ou, ainda, será  que chegou simultaneamente lá e em Portugal?</p>
<p style="text-align:justify;">Peraí, como é que Portugal está entrando nessa estória? Simplesmente   porque em Lisboa há um número significativo de edificações que também   trazem a mesma impressão digital carioca. Como o conjunto de quatro   prédios de apartamentos à avenida Infante Santo, sobre o qual nada   sabemos, mas cujas fotos apóiam a sugestão.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/15-edificios-a-avenida-infante-santo-lisboa-fotos-de-sylvia-ficher-lisboa-maio-2010/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5769" style="border:0 none;" title="Fig. 13 - Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/15-edifc3adcios-c3a0-avenida-infante-santo-lisboa-fotos-de-sylvia-ficher-lisboa-maio-2010.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a name="sdfootnote70anc" href="#sdfootnote70sym"><sup>Mais imagens na galeria abaixo</sup></a></p>
<h4><strong>Harry Seidler</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">As pistas não param por aí. O Marcos Acayaba entrou na roda, nos  contando que o vienense Harry Seidler (1923-2006) estagiou por certo  tempo no escritório de Niemeyer, no Rio. Isto foi em 1948; no ano  seguinte mudou-se para a Austrália, onde iria se tornar profissional de  grande renome. Antes, estudou arquitetura no Canadá e nos Estados Unidos  – lá, cursou Harvard, onde foi aluno de Gropius; foi assistente de  Albers no Black Mountain College e de Aalto no MIT; e trabalhou com  Breuer em Nova York.</p>
<p style="text-align:justify;">E depois de ter circulado nessa incrível roda de vanguarda, escolhe Niemeyer para guru!! Fato confirmado por Kenneth Frampton:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Surely one of the most vital aspects of Harry&#8217;s civic  architecture was the important expressive role to be played by  structural engineering in the generation of his form as is very evident  in such works as the Navy Weapons Workshop on Garden Island, Sydney of  1985 and the Hong Kong Club in downtown Hong Kong, completed one year  before, with its 17 metre span column free spaces. One might think of  all of these works as amounting to a kind of isostatic baroque feeding partly off the joint legacy of Oscar Niemeyer and  Marcel Breuer, with whom Seidler had briefly worked in the late 40s, and  off the work of Pier Luigi Nervi, who was a perennial presence in  Seidler&#8217;s architecture via his top assistant Mario Desideri, who was the  engineer for many of Harry’s buildings from the mid-60s onwards</em>. <a name="sdfootnote65anc" href="#sdfootnote65sym"><sup>64</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Sem maiores comentários, uma visita ao site da Harry Seidler and Associates – <a title="Ir para o site" href="http://www.seidler.net.au/" target="_blank">http://www.seidler.net.au/</a> – permite verificar como a <em>maniera niemeyeriana</em> foi uma constante ao longo da sua carreira.</p>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/1-meller/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5898" style="border:0 none;" title="Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/1-meller.jpg?w=300&#038;h=196" alt="" width="300" height="196" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a name="sdfootnote70anc" href="#sdfootnote70sym"><sup>Mais imagens na galeria abaixo</sup></a></p>
<h4><strong>Morris Lapidus</strong></h4>
<p style="text-align:justify;">O Marcos tomou gosto; entusiasmado, chamou nossa atenção para outro arquiteto de grande sucesso, Morris Lapidus (1902-2001).</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>The Lapidus store designs of the 1930&#8242;s and 40&#8242;s were groundbreaking  in their expansive use of glass, focused lighting, intriguing plans,  innovative signing, theatrical impact and timelessness. He was a  fearless designer, who was regularly mocked by his more &#8220;sophisticated&#8221;  colleagues as a &#8220;schlock meister&#8221;, but nevertheless continues to have a  significant impact on the world of commercial design</em>. <a name="sdfootnote66anc" href="#sdfootnote66sym"><sup>65</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Mas a fama internacional veio mesmo com o seu Fontainebleau Hotel, em  Miami, projetado justamente três anos depois de sua visita a Niemeyer.  Conforme contou em uma entrevista:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">JC:<em> As far as yours hotels are concerned, don&#8217;t you think you have a colleague in this kind of architecture in Oscar Niemeyer?</em></p>
<p style="text-align:justify;">ML:<em> I didn&#8217;t mention him? He had a great influence. I went to  Brazil in 1949, and, of course, the one man I had to see was Oscar  Niemeyer, because he was a man who was doing things the way I thought  they should be done.</em></p>
<p style="text-align:justify;">HK: <em>He had the wavy lines, undulating walls.</em></p>
<p style="text-align:justify;">ML:<em> Yes, all of that. But you must remember that, in 1949, I was  still very unsure of myself, didn&#8217;t think of myself as an architect  doing anything worthwhile: only stores and offices. But I had watched  Niemeyer and, actually, in 1949, he wasn&#8217;t firmly established yet. He  had designed Pampulha. I spent more than half a day with him in his  office, and then we spent an evening together at his home. We talked and  talked a great deal, and I am sure that his influence must be there  pretty strongly. However I found his influence only in the architectural  shell. His interiors were quite barren. He had no feelings for  interiors. They meant nothing to him. He wanted sculptural architecture  like Le Corbusier, his great teacher</em>. <a name="sdfootnote67anc" href="#sdfootnote67sym"><sup>66</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">E hoje, quando o individualismo romântico está de volta às paradas de  sucesso, o estilo de Lapidus – visto por muitos e por um longo tempo  como um tanto brega – volta a ser objeto de encômios:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>What Lapidus did, among other things, was to combine elements of  Modernism from Le Corbusier, Niemeyer, and Mendelsohn with local  precedent to create a new building type—the American resort hotel</em>. <a name="sdfootnote68anc" href="#sdfootnote68sym"><sup>67</sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align:right;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/16-02_lapidus-1/"><img class="alignnone size-medium wp-image-5771" style="border:0 none;" title="Fig. 14 - Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/16-02_lapidus-1.jpg?w=300&#038;h=205" alt="" width="300" height="205" /></a></p>
<p style="text-align:right;"><a name="sdfootnote70anc" href="#sdfootnote70sym"><sup>Mais imagens na galeria abaixo</sup></a></p>
<h3><strong>Quem se habilita? </strong></h3>
<p style="text-align:right;">The actors are at hand;<br />
and by their show, you shall know all,<br />
that you are like to know.</p>
<p style="text-align:right;">Shakespeare, <em>A midsummer-night&#8217;s dream</em></p>
<p style="text-align:justify;">Fechando esta dupla viagem – pelo <em>Arquitetura Moderna</em> e pelo  ciberespaço –, o que fica óbvio é a profunda diferença entre o que é  pesquisa na década de 1970 e hoje em dia. Para a primeira delas tivemos  que ir de cidade em cidade, localizar pessoas, dar telefonemas, fazer  entrevistas e anotar conversas, visitar obras e mais obras, vez ou outra  conseguindo algum material impresso ou fotografias, sem contar  datilografar cartas e levá-las no correio&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Já nesta brincadeira de agora, valemo-nos quase que apenas da  internet. Bendita e maldita internet! Salvo um serendipitoso passeio por  Lisboa, nem saímos de casa, a investigação mal começou – não examinamos  outras fontes primárias que não fotos de alguns prédios – e já temos  fortes indícios de que há uma pesquisa promissora pela frente.</p>
<p style="text-align:justify;">De imediato, apresentam-se dois caminhos em nada excludentes.</p>
<p style="text-align:justify;">Por um lado, dedicar-se a esse opulento veio, considerando como já  explorado por outros autores: o impacto e influência, seja da  arquitetura brasileira em geral, seja em particular aquela carioca dos  irmãos Roberto, de Affonso Eduardo Reidy ou de Oscar Niemeyer, no  exterior nas décadas de 1940 a 1960. Por outro, enveredar por uma  reflexão de ordem metodológica sobre quais critérios e parâmetros adotar  no cotejo e validação de fontes, agora que temos a web e seus imensos  recursos para obter informações – tantas informações que podem nos  fascinar e, enfeitiçados, fazer-nos incorrer em graves equívocos.</p>
<p style="text-align:justify;">E não é que o Andrey Schlee já está aproveitando suas férias em Punta  del Este para se candidatar. Olha só o que ele encontrou por lá!!</p>
<p style="text-align:justify;">Quem mais se habilita?</p>
<div style="height:308px;"><a href="http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/17-predio-de-apartamentos-punta-del-leste-foto-de-andrey-schlee-punta-del-leste-janeiro-2011/"><img class="size-medium wp-image-5773 alignright" style="border:0 none;" title="Fig. 15 – Prédio de apartamentos, Punta del Leste." src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/17-prc3a9dio-de-apartamentos-punta-del-leste-foto-de-andrey-schlee-punta-del-leste-janeiro-2011.jpg?w=237&#038;h=300" alt="" width="237" height="300" /></a></div>
<hr size="1" />
<h3><strong>galeria</strong></h3>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote69sym" href="#sdfootnote69anc"></a><a name="sdfootnote70sym" href="#sdfootnote70anc"></a><a name="sdfootnote71sym" href="#sdfootnote71anc"></a></p>

<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01/' title='O &quot;Brazil&quot; em manuscrito'><img data-attachment-id='5618' data-orig-size='1024,1435' data-liked='0'width="107" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01.jpg?w=107&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" title="O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02/' title='O &quot;Brazil&quot; em manuscrito'><img data-attachment-id='5619' data-orig-size='1024,1440' data-liked='0'width="106" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02.jpg?w=106&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" title="O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03/' title='O &quot;Brazil&quot; em manuscrito'><img data-attachment-id='5620' data-orig-size='1024,1431' data-liked='0'width="107" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03.jpg?w=107&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" title="O &quot;Brazil&quot; em manuscrito" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/correspondencia-de-warren-sanderson-montreal-15-de-janeiro-de-1981-arquivo-sylvia-ficher/' title='Correspondência de Warren Sanderson, Montreal, 15 de janeiro de 1981'><img data-attachment-id='5621' data-orig-size='1024,1334' data-liked='0'width="115" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/correspondc3aancia-de-warren-sanderson-montreal-15-de-janeiro-de-1981-arquivo-sylvia-ficher.jpg?w=115&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Correspondência de Warren Sanderson, Montreal, 15 de janeiro de 1981" title="Correspondência de Warren Sanderson, Montreal, 15 de janeiro de 1981" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/03-folha-de-rosto-do-handbook-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981/' title='Folha de rosto do Handbook'><img data-attachment-id='5622' data-orig-size='1024,1324' data-liked='0'width="116" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/03-folha-de-rosto-do-handbook-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981.jpg?w=116&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Folha de rosto do Handbook" title="Folha de rosto do Handbook" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/04-pagina-do-brazil-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981-01/' title='Página do &quot;Brazil&quot;'><img data-attachment-id='5624' data-orig-size='1024,1415' data-liked='0'width="108" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/04-pc3a1gina-do-brazil-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981-01.jpg?w=108&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Página do &quot;Brazil&quot;" title="Página do &quot;Brazil&quot;" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/04-pagina-do-brazil-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981-02/' title='Página do &quot;Brazil&quot;'><img data-attachment-id='5625' data-orig-size='1024,1417' data-liked='0'width="108" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/04-pc3a1gina-do-brazil-warren-sanderson-international-handbook-of-contemporary-developments-in-architecture-1981-02.jpg?w=108&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Página do &quot;Brazil&quot;" title="Página do &quot;Brazil&quot;" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01/' title='O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito'><img data-attachment-id='5626' data-orig-size='1024,1419' data-liked='0'width="108" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01.jpg?w=108&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" title="O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02/' title='O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito'><img data-attachment-id='5627' data-orig-size='1024,1419' data-liked='0'width="108" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02.jpg?w=108&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" title="O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03/' title='O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito'><img data-attachment-id='5628' data-orig-size='1024,1408' data-liked='0'width="109" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05-o-arquitetura-moderna-brasileira-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03.jpg?w=109&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" title="O &quot;Arquitetura Moderna Brasileira&quot; em manuscrito" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/06-arquitetura-moderna-brasileira-capa-de-sylvia-ficher-e-marlene-milan-acayaba-arquitetura-moderna-brasileira-1982/' title='Arquitetura Moderna Brasileira'><img data-attachment-id='5629' data-orig-size='1024,963' data-liked='0'width="150" height="141" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/06-arquitetura-moderna-brasileira-capa-de-sylvia-ficher-e-marlene-milan-acayaba-arquitetura-moderna-brasileira-1982.jpg?w=150&#038;h=141" class="attachment-thumbnail" alt="Arquitetura Moderna Brasileira" title="Arquitetura Moderna Brasileira" /></a>
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<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-01/' title='Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982'><img data-attachment-id='5630' data-orig-size='1024,683' data-liked='0'width="150" height="100" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-01.jpg?w=150&#038;h=100" class="attachment-thumbnail" alt="Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982" title="Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982" /></a>
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<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-07/' title='Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982'><img data-attachment-id='5636' data-orig-size='1024,675' data-liked='0'width="150" height="98" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-07.jpg?w=150&#038;h=98" class="attachment-thumbnail" alt="Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982" title="Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982" /></a>
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<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-28/' title='Lançamento do livro'><img data-attachment-id='5732' data-orig-size='952,1395' data-liked='0'width="102" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-28.jpg?w=102&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Lançamento do livro" title="Lançamento do livro" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-29/' title='Lançamento do livro'><img data-attachment-id='5735' data-orig-size='1024,676' data-liked='0'width="150" height="99" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-29.jpg?w=150&#038;h=99" class="attachment-thumbnail" alt="Lançamento do livro" title="Lançamento do livro" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-30/' title='Lançamento do livro'><img data-attachment-id='5736' data-orig-size='952,1388' data-liked='0'width="102" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-30.jpg?w=102&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Lançamento do livro" title="Lançamento do livro" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-31/' title='Lançamento do livro'><img data-attachment-id='5737' data-orig-size='1024,675' data-liked='0'width="150" height="98" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-31.jpg?w=150&#038;h=98" class="attachment-thumbnail" alt="Lançamento do livro" title="Lançamento do livro" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/foto-do-lancamento-arquivo-sylvia-ficher-32/' title='Lançamento: Marlene Milan Acayaba, João Batista Vilanova Artigas e Sylvia Ficher'><img data-attachment-id='5738' data-orig-size='1024,673' data-liked='0'width="150" height="98" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/foto-do-lanc3a7amento-arquivo-sylvia-ficher-32.jpg?w=150&#038;h=98" class="attachment-thumbnail" alt="Lançamento: Marlene Milan Acayaba, João Batista Vilanova Artigas e Sylvia Ficher" title="Lançamento: Marlene Milan Acayaba, João Batista Vilanova Artigas e Sylvia Ficher" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/08-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951/' title='Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.'><img data-attachment-id='5749' data-orig-size='1024,333' data-liked='0'width="150" height="48" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/08-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951.jpg?w=150&#038;h=48" class="attachment-thumbnail" alt="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." title="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/09-e-stewart-williams-coachella-valley-savings-and-loan-1961-01/' title='E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961.'><img data-attachment-id='5750' data-orig-size='720,461' data-liked='0'width="150" height="96" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/09-e-stewart-williams-coachella-valley-savings-and-loan-1961-01.jpg?w=150&#038;h=96" class="attachment-thumbnail" alt="E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961." title="E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/09-e-stewart-williams-coachella-valley-savings-and-loan-1961-02/' title='E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961.'><img data-attachment-id='5751' data-orig-size='720,572' data-liked='0'width="150" height="119" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/09-e-stewart-williams-coachella-valley-savings-and-loan-1961-02.jpg?w=150&#038;h=119" class="attachment-thumbnail" alt="E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961." title="E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/reddot002/' title='Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.'><img data-attachment-id='5895' data-orig-size='167,250' data-liked='0'width="100" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/reddot002.png?w=100&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." title="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/10-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951-01/' title='Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.'><img data-attachment-id='5754' data-orig-size='1024,768' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/10-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951-01.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." title="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/10-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951-02/' title='Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.'><img data-attachment-id='5755' data-orig-size='1024,1365' data-liked='0'width="112" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/10-helmut-stauch-national-meat-board-building-pretoria-1951-02.jpg?w=112&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." title="Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/11-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-84/' title='Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953'><img data-attachment-id='5757' data-orig-size='1024,675' data-liked='0'width="150" height="98" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/11-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-84.jpg?w=150&#038;h=98" class="attachment-thumbnail" alt="Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953" title="Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/11-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-88/' title='Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953.'><img data-attachment-id='5756' data-orig-size='1024,261' data-liked='0'width="150" height="38" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/11-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-88.jpg?w=150&#038;h=38" class="attachment-thumbnail" alt="Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953." title="Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/11-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953/' title='Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953.'><img data-attachment-id='5758' data-orig-size='1024,1365' data-liked='0'width="112" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/11-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953.jpg?w=112&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953." title="Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953." /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/11-norman-eaton-pretoria-wachthuis-pretoria-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-85/' title='Norman Eaton, Pretoria Wachthuis, Pretoria Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953 '><img data-attachment-id='5759' data-orig-size='1024,651' data-liked='0'width="150" height="95" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/11-norman-eaton-pretoria-wachthuis-pretoria-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-85.jpg?w=150&#038;h=95" class="attachment-thumbnail" alt="Norman Eaton, Pretoria Wachthuis, Pretoria Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953" title="Norman Eaton, Pretoria Wachthuis, Pretoria Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/12-vilanova-artigas-residencia-roberto-lacaze-sao-paulo-1941-arquivo-sylvia-ficher/' title='Vilanova Artigas, Residência Roberto Lacaze, São Paulo, 1941'><img data-attachment-id='5762' data-orig-size='1024,676' data-liked='0'width="150" height="99" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/12-vilanova-artigas-residc3aancia-roberto-lacaze-sc3a3o-paulo-1941-arquivo-sylvia-ficher.jpg?w=150&#038;h=99" class="attachment-thumbnail" alt="Vilanova Artigas, Residência Roberto Lacaze, São Paulo, 1941" title="Vilanova Artigas, Residência Roberto Lacaze, São Paulo, 1941" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/13-saipal-3/' title='Pancho Guedes, Padaria Saipal, Maputo'><img data-attachment-id='5763' data-orig-size='1024,681' data-liked='0'width="150" height="99" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/13-saipal-3.jpg?w=150&#038;h=99" class="attachment-thumbnail" alt="Pancho Guedes, Padaria Saipal, Maputo" title="Pancho Guedes, Padaria Saipal, Maputo" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/14-bienal-leao-que-ri/' title='Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, Bienal de São Paulo, 1961'><img data-attachment-id='5764' data-orig-size='593,394' data-liked='0'width="150" height="99" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/14-bienal-lec3a3o-que-ri.jpg?w=150&#038;h=99" class="attachment-thumbnail" alt="Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, Bienal de São Paulo, 1961" title="Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, Bienal de São Paulo, 1961" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/14-leao-5/' title='Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56'><img data-attachment-id='5765' data-orig-size='601,394' data-liked='0'width="150" height="98" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/14-leao-5.jpg?w=150&#038;h=98" class="attachment-thumbnail" alt="Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56" title="Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/14-leao-6/' title='Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56'><img data-attachment-id='5766' data-orig-size='607,394' data-liked='0'width="150" height="97" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/14-leao-6.jpg?w=150&#038;h=97" class="attachment-thumbnail" alt="Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56" title="Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/15-edificios-a-avenida-infante-santo-lisboa-fotos-de-sylvia-ficher-lisboa-maio-2010/' title='Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa'><img data-attachment-id='5769' data-orig-size='1024,768' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/15-edifc3adcios-c3a0-avenida-infante-santo-lisboa-fotos-de-sylvia-ficher-lisboa-maio-2010.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa" title="Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/15-02_av-infante-santo-lisboa0051-copia/' title='Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa'><img data-attachment-id='5767' data-orig-size='524,412' data-liked='0'width="150" height="117" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/15-02_av-infante-santo-lisboa0051-cc3b3pia.jpg?w=150&#038;h=117" class="attachment-thumbnail" alt="Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa" title="Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/15-03_av-infante-santo-lisboa0052-copia/' title='Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa'><img data-attachment-id='5768' data-orig-size='614,412' data-liked='0'width="150" height="100" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/15-03_av-infante-santo-lisboa0052-cc3b3pia.jpg?w=150&#038;h=100" class="attachment-thumbnail" alt="Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa" title="Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/1-meller/' title='Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950'><img data-attachment-id='5898' data-orig-size='460,301' data-liked='0'width="150" height="98" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/1-meller.jpg?w=150&#038;h=98" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950" title="Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/1-meller-2/' title='Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950'><img data-attachment-id='5897' data-orig-size='460,297' data-liked='0'width="150" height="96" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/1-meller-2.jpg?w=150&#038;h=96" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950" title="Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/03_1980-1984-hong-kong-central/' title='Seidler and Associates, Hong Kong Central, Hong Kong, 1980-84'><img data-attachment-id='5901' data-orig-size='236,350' data-liked='0'width="101" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/03_1980-1984-hong-kong-central.jpg?w=101&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Hong Kong Central, Hong Kong, 1980-84" title="Seidler and Associates, Hong Kong Central, Hong Kong, 1980-84" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/02_1973-1977-australia-embassy-paris/' title='Seidler and Associates, Embaixada da Austrália, Paris, 1973-77'><img data-attachment-id='5899' data-orig-size='460,302' data-liked='0'width="150" height="98" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/02_1973-1977-australia-embassy-paris.jpg?w=150&#038;h=98" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Embaixada da Austrália, Paris, 1973-77" title="Seidler and Associates, Embaixada da Austrália, Paris, 1973-77" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/04_1996-6-berman-2/' title='Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999'><img data-attachment-id='5902' data-orig-size='460,363' data-liked='0'width="150" height="118" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/04_1996-6-berman-2.jpg?w=150&#038;h=118" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999" title="Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/04_1996-6-berman/' title='Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999'><img data-attachment-id='5903' data-orig-size='460,369' data-liked='0'width="150" height="120" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/04_1996-6-berman.jpg?w=150&#038;h=120" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999" title="Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05_1996-2001-hochhaus-neue-donau-viena/' title='Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001'><img data-attachment-id='5905' data-orig-size='460,362' data-liked='0'width="150" height="118" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05_1996-2001-hochhaus-neue-donau-viena.jpg?w=150&#038;h=118" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001" title="Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/05_1996-2001-hochhaus-neue-donau-2/' title='Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001'><img data-attachment-id='5904' data-orig-size='460,361' data-liked='0'width="150" height="117" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/05_1996-2001-hochhaus-neue-donau-2.jpg?w=150&#038;h=117" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001" title="Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/06_2001-07-aquatic-2/' title='Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07'><img data-attachment-id='5906' data-orig-size='460,360' data-liked='0'width="150" height="117" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/06_2001-07-aquatic-2.jpg?w=150&#038;h=117" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07" title="Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/06_2001-07-aquatic-4/' title='Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07'><img data-attachment-id='5907' data-orig-size='550,365' data-liked='0'width="150" height="99" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/06_2001-07-aquatic-4.jpg?w=150&#038;h=99" class="attachment-thumbnail" alt="Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07" title="Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/16-01_tumblr_l3gqyycbta1qb1yu6/' title='Morris Lapidus, Hoffritz for Cutlery, Nova York, 1939'><img data-attachment-id='5770' data-orig-size='500,390' data-liked='0'width="150" height="117" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/16-01_tumblr_l3gqyycbta1qb1yu6.gif?w=150&#038;h=117" class="attachment-thumbnail" alt="Morris Lapidus, Hoffritz for Cutlery, Nova York, 1939" title="Morris Lapidus, Hoffritz for Cutlery, Nova York, 1939" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/16-02_lapidus-1/' title='Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952'><img data-attachment-id='5771' data-orig-size='500,342' data-liked='0'width="150" height="102" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/16-02_lapidus-1.jpg?w=150&#038;h=102" class="attachment-thumbnail" alt="Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952" title="Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/16-03_picture-2/' title='Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952'><img data-attachment-id='5772' data-orig-size='585,425' data-liked='0'width="150" height="108" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/16-03_picture-2.jpg?w=150&#038;h=108" class="attachment-thumbnail" alt="Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952" title="Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/17-predio-de-apartamentos-punta-del-leste-foto-de-andrey-schlee-punta-del-leste-janeiro-2011/' title='Prédio de apartamentos, Punta del Leste'><img data-attachment-id='5773' data-orig-size='1024,1291' data-liked='0'width="118" height="150" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/17-prc3a9dio-de-apartamentos-punta-del-leste-foto-de-andrey-schlee-punta-del-leste-janeiro-2011.jpg?w=118&#038;h=150" class="attachment-thumbnail" alt="Prédio de apartamentos, Punta del Leste" title="Prédio de apartamentos, Punta del Leste" /></a>
<a href='http://mdc.arq.br/2011/03/29/a-quatro-maos-arquitetura-moderna-brasileira-1978-82/serie-panoramas-2/' title='panoramas'><img data-attachment-id='5917' data-orig-size='207,19' data-liked='0'width="150" height="13" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/serie-panoramas1.jpg?w=150&#038;h=13" class="attachment-thumbnail" alt="panoramas" title="panoramas" /></a>

<hr size="1" />
<h3><strong>notas</strong></h3>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote1sym" href="#sdfootnote1anc">*</a> Este artigo é uma versão revista e bastante ampliada do trabalho de  mesmo título apresentado no simpósio temático &#8220;Panoramas da Arquitetura  Brasileira Moderna e Contemporânea&#8221;, organizado por Ruth Verde Zein no  1º Encontro Nacional da Anparq, realizado em 2010 no Rio de Janeiro, e  publicado em seus anais. Na sua elaboração então e agora, contamos com o  apoio do acadêmico Luiz Eduardo Araújo.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote2sym" href="#sdfootnote2anc">1</a> Informações atualizadas na net sobre Sanderson são escassas, quase <em>nil</em>. Segundo o seu currículo no <em>Handbook</em>,  ele lecionou história da arquitetura medieval e moderna em várias  universidades de diferentes países. Publicou vários artigos em revistas  especializadas e, entre outros, os livros: <em>Frühmittelalterlichen Krypten von St. Maximin in Trier </em>(1968); <em>Frank Lloyd Wright festival: Oak Park </em>(1969); e <em>Monastic reform in Lorraine and the architecture of the outer crypt, 950-1100</em> (1971)</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote3sym" href="#sdfootnote3anc">2</a> Correspondência de Sanderson a Sylvia, 5 jul. 1978.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote4sym" href="#sdfootnote4anc">3</a> De seus autores, à época conhecíamos de nome apenas Yves Bruand, responsável pelo capítulo &#8220;France&#8221;, e Elizabeth D. Harris, pelos capítulos &#8220;Argentina&#8221; e &#8220;Venezuela&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote5sym" href="#sdfootnote5anc">4</a> Busca sumária nos catálogos <em>online </em>de algumas das mais importantes bibliotecas universitárias brasileiras levou a apenas um exemplar na Escola de Engenharia de São Carlos.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote6sym" href="#sdfootnote6anc">5</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.eurospanbookstore.com/display.asp?k=9780861720255&amp;" target="_blank">http://www.eurospanbookstore.com/display.asp?k=9780861720255&amp;</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote7sym" href="#sdfootnote7anc">6</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.bookadda.com/product/international-handbook-contemporary-warren-sanderson/p-9780313214394-313214395" target="_blank">http://www.bookadda.com/product/international-handbook-contemporary-warren-sanderson/p-97803132 14394-313214395</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote8sym" href="#sdfootnote8anc">7</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.stoutbooks.com/cgi-bin/stoutbooks.cgi/86108" target="_blank">http://www.stoutbooks.com/cgi-bin/stoutbooks.cgi/86108</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote9sym" href="#sdfootnote9anc">8</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.abebooks.com/servlet/SearchResults?an=Sanderson%2C+Warren&amp;sortby=17&amp;sts=t&amp;x=46&amp;y=13" target="_blank">http://www.abebooks.com/servlet/SearchResults?an=Sanderson%2C+Warren&amp;sortby=17&amp;sts=t&amp;x=46&amp;</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote10sym" href="#sdfootnote10anc">9</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.amazon.com/gp/offer-listing/0313214395/ref=olp_sort_p?ie=UTF8&amp;shipPromoFilter=0&amp;sort=price&amp;me=&amp;seller=&amp;condition=used" target="_blank">http://www.amazon.com/gp/offer-listing/0313214395/ref=olp_sort_p?ie=UTF8&amp;shipPromoFilter=0&amp;sort= price&amp;me=&amp;seller=&amp;condition=used</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote11sym" href="#sdfootnote11anc">10</a> Acayaba e Ficher, 1978. A Sylvia era amiga do Vicente Wissenbach, que ela conhecia do Bar do Zé, na Maria Antônia, e do escritório do Artigas, porque ele era cunhado do Alfredo Paesani. Então, isto facilitou a publicação daquele nosso primeiro artigo na revista <em>Projeto</em>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote12sym" href="#sdfootnote12anc">11</a> Trata-se do Curso de Especialização em Patrimônio Ambiental Urbano, no qual o professor Fitch ofereceu em agosto daquele ano uma disciplina cujo conteúdo está publicado em <em>Preservação do patrimônio arquitetônico</em> (São Paulo, FAU/USP, 1981).</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote13sym" href="#sdfootnote13anc">12</a> Correspondência citada de Sanderson, de 1978. O prazo que ele otimistamente estabelecia era março de 1979.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote14sym" href="#sdfootnote14anc">13</a> Não conseguimos encontrar essa carta, mas a resposta de Sanderson esclarece este importantíssimo detalhe: 4 de setembro de 1978.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote15sym" href="#sdfootnote15anc">14</a> Correspondência de Sanderson a Sylvia, 18 set. 1978.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote16sym" href="#sdfootnote16anc">15</a> Expressão &#8220;oficializada&#8221; no título dos três volumes contendo depoimentos de onze arquitetos publicados pelo IA/RJ naquele ano de 1978.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote17sym" href="#sdfootnote17anc">16</a> Este inadequado comentário tenta responder a pertinente indagação de Danilo Matoso Macedo.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote18sym" href="#sdfootnote18anc">17</a> Erroneamente grafado Itabira no livro.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote19sym" href="#sdfootnote19anc">18</a> Holanda, 1976. Cada uma de nós ganhou um exemplar; o da Sylvia foi emprestado para o Vicente quando estavam preparando o <em>Arquitetura Moderna</em> e sumiu&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote20sym" href="#sdfootnote20anc">19</a> Aqui uma injustiça indesculpável: a omissão da Mayumi Souza Lima.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote21sym" href="#sdfootnote21anc">20</a> O segundo capítulo, grafado corretamente no manuscrito como &#8220;Brasília 1956-60&#8243;, no livro apareceu como &#8220;Brasília 1856-60&#8243;.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote22sym" href="#sdfootnote22anc">21</a> Triste indicador daquela magreza, nossa bibliografia indicava 28 títulos entre livros e artigos e mais 10 periódicos.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote23sym" href="#sdfootnote23anc">22</a> Costa e Castilho (orgs.), 1974. Os demais volumes viriam muito depois, já nos anos 80.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote24sym" href="#sdfootnote24anc">23</a> A Sylvia, então, nem tem desculpa. Ela ganhou o seu exemplar do próprio Lemos e a dedicatória entrega quando: 25 de setembro de 1979.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote25sym" href="#sdfootnote25anc">24</a> Ver Tzonis e Lefaivre, 1981 e 1985; e Frampton, 1983.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote26sym" href="#sdfootnote26anc">25</a> Mais uma data imprecisa; contudo temos uma carta do Sanderson, de 25 de maio, informando o recebimento.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote27sym" href="#sdfootnote27anc">26</a> Infelizmente não guardamos a sua versão corrigida.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote28sym" href="#sdfootnote28anc">27</a> Correspondência de Sanderson a Sylvia, 1 dez. 1979.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote29sym" href="#sdfootnote29anc">28</a> Correspondência de Marlene e Sylvia ao Sanderson, 14 maio 1980. Nossa solicitação foi aceita, constando lá na primeira página do &#8220;Brazil&#8221;: <em>The invaluable assistance of Dr. Paolo</em> [sic]<em> Vanzolini of the Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, with the English translation as well as his patient and careful reading of this chapter are most gratefully acknowledged by the authors</em>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote30sym" href="#sdfootnote30anc">29</a> Correspondência de Sanderson a Sylvia, 2 out. 1980.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote31sym" href="#sdfootnote31anc">30</a> Correspondência de Sanderson a Sylvia, 31 ago. 1981.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote32sym" href="#sdfootnote32anc">31</a> É esta origem em um texto &#8220;escrito para estrangeiros&#8221; que explica aquelas frases de apresentação de cada cidade, falando de sua localização e clima, algo que talvez devêssemos ter cortado no livro&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote33sym" href="#sdfootnote33anc">32</a> Acayaba e Ficher, 1981, p. 171. Datando a sua elaboração e mostrando como a autocensura funciona, note-se o eufemismo com que, na última frase, nos referimos à ditadura.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote34sym" href="#sdfootnote34anc">33</a> Ficher e Acayaba, 1982, p. 114.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote35sym" href="#sdfootnote35anc">34</a> Ou AnPark, segundo os consumistas de arquitetura e afins.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote36sym" href="#sdfootnote36anc">35</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.estantevirtual.com.br/rarissimuslibris/Sylvia-Ficher-Marlene-Milan-Acayaba-Arquitetura-Moderna-Brasileira-33716408" target="_blank">http://www.estantevirtual.com.br/rarissimuslibris/Sylvia-Ficher-Marlene-Milan-Acayaba-Arquitetura-Mo derna-Brasileira-33716408</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote37sym" href="#sdfootnote37anc">36</a> Sanderson, 1981, p. 4.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote38sym" href="#sdfootnote38anc">37</a> Prinsloo, 1981, p. 454.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote39sym" href="#sdfootnote39anc">38</a> Isto apesar de ser de amplo conhecimento que Harrison era bastante familiarizado com o estilo de Niemeyer, tendo sido o responsável pelo detalhamento do projeto da ONU (1947-53). Veja-se, de sua autoria, o Lincoln Center (1959-78), em Nova York, ou o Centro Administrativo do Estado de Nova York (1965-78), em Albany.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote40sym" href="#sdfootnote40anc">39</a> Mostafavi, 2001, p.34.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote41sym" href="#sdfootnote41anc">40</a> Revisto várias vezes, a primeira edição do <em>Outline </em>é de 1943. Aqui usamos a sétima edição, de 1963. É nela que aparece talvez pela primeira o capítulo em pauta (pp. 404-35). &#8220;Talvez&#8221; porque examinamos a quinta edição, de 1957 – na qual o conteúdo do capítulo aparece de forma ainda embrionária, porém não tivemos acesso à sexta edição, de 1960, para o necessário cotejo.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote42sym" href="#sdfootnote42anc">41</a> Pevsner, 1963, pp. 419 e 421. É possível, inclusive, inferir que Pevsner culpa o Brasil pelos descaminhos estéticos na obra de Le Corbusier – em direção ao que considera &#8220;irracionalismo&#8221;. Após criticar a frivolidade da arquitetura brasileira, ao falar da Pampulha e do Pedregulho – <em>Brazil is the country in which the fascination and the dangers of the mid-century irresponsibility appears most concentratedly</em> –, conclui que <em>Le Corbusier</em> &#8230; <em>visited Brazil, and its conceivable that the country had the effect on him of forcing into the open the irrational traits of his character</em>… Mas teria sido ele, Corbu, quem teria contagiado os brasileiros: <em>he then passed on his impulsive enthusiasm to his young admirers</em> (pp. 426-29).</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote43sym" href="#sdfootnote43anc">42</a> Idem, pp. 429-35.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote44sym" href="#sdfootnote44anc">43</a> Johnson-Marshall, 1966, p. 80.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote45sym" href="#sdfootnote45anc">44</a> Whiffen, 1976 (1ª ed.: 1969), pp. 256-62.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote46sym" href="#sdfootnote46anc">45</a> Na linha sugerida por Carlo Ginzburg em &#8220;Sinais: raízes de um paradigma indiciário&#8221; (in Ginzburg, 1989, pp. 143-79).</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote47sym" href="#sdfootnote47anc">46</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.emporis.com/application/?nav=company&amp;lng=3&amp;id=103193" target="_blank">http://www.emporis.com/application/?nav=company&amp;lng=3&amp;id=103193</a>. Infelizmente o site da própria não é muito informativo: <a title="Ir para o site" href="http://www.svarchitects.com/" target="_blank">http://www.svarchitects.com/</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote48sym" href="#sdfootnote48anc">47</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.artefacts.co.za/main/Buildings/arch_bottom_left.php?archid=1614" target="_blank">http://www.artefacts.co.za/main/Buildings/arch_bottom_left.php?archid=1614</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote49sym" href="#sdfootnote49anc">48</a> Nation, 1985, p. 67. <a title="Ir para o site" href="http://upetd.up.ac.za/thesis/available/etd-12092008-085230/unrestricted/04chapter6.pdf" target="_blank">http://upetd.up.ac.za/thesis/available/etd-12092008-085230/unrestricted/04chap ter6.pdf</a>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote50sym" href="#sdfootnote50anc">49</a> <em>The Meat Industries control Board was brought into being to regulate the distribution of meat throughout South Africa and to monitor prices</em>… Hoje abriga, entre outros, a ong National Institute for Public Interest Law and Research. <a title="Ir para o site" href="http://wiki.up.ac.za/index.php?title=ABLEWIKI:NipilarHouse" target="_blank">http://wiki.up.ac.za/index.php?title=ABLEWIKI:NipilarHouse</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote51sym" href="#sdfootnote51anc">50</a> Jooste, 2007, p. 83. <a title="Ir para o site" href="http://upetd.up.ac.za/thesis/available/etd-11192007-123037/unrestricted/05chapter5.pdf" target="_blank">http://upetd.up.ac.za/thesis/available/etd-11192007-123037/unrestricted/05chapter 5.pdf</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote52sym" href="#sdfootnote52anc">51</a> Idem, p. 84. Este prédio também recebeu a Menção de Mérito do South African Institute of Architects.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote53sym" href="#sdfootnote53anc">52</a> Idem, p. 85.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote54sym" href="#sdfootnote54anc">53</a> Para nos apropriar da expressão empregada no Houaiss para exemplificar o uso de &#8220;factual&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote55sym" href="#sdfootnote55anc">54</a> <a title="Ir para o site" href="http://findarticles.com/p/articles/mi_m3575/is_n1177_v197/ai_16788119/?tag=content;col1" target="_blank">http://findarticles.com/p/articles/mi_m3575/is_n1177_v197/ai_16788119/?tag=content;col1</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote56sym" href="#sdfootnote56anc">55</a> Pevsner, 1953, pp. 381-82.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote57sym" href="#sdfootnote57anc">56</a> <a title="Ir para o site" href="http://wiserweb.wits.ac.za/PDF%20Files/wirs%20-%20chipkin2.PDF" target="_blank">http://wiserweb.wits.ac.za/PDF%20Files/wirs%20-%20chipkin2.pdf</a>. O texto não tem data, mas por sua bibliografia é de 2002 ou posterior. E deve-se atentar para o fato de que há dois Chipkin: este Ivor e um Clive, ambos com trabalhos nesse campo.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote58sym" href="#sdfootnote58anc">57</a> Sennott (ed.), 2004.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote59sym" href="#sdfootnote59anc">58</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.bookrags.com/tandf/africa-southern-and-central-africa-tf/" target="_blank">http://www.bookrags.com/tandf/africa-southern-and-central-africa-tf/</a>. Também sem data, mas por sua bibliografia é de 2000 ou posterior.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote60sym" href="#sdfootnote60anc">59</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.davidkrutprojectscapetown.com/uncategorized/pancho-guedes-dvd/" target="_blank">http://www.davidkrutprojectscapetown.com/uncategorized/pancho-guedes-dvd/</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote61sym" href="#sdfootnote61anc">60</a> Guedes, 1985 (?), <a title="Ir para o site" href="http://www.guedes.info/contfram.htm" target="_blank">http://www.guedes.info/contfram.htm</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote62sym" href="#sdfootnote62anc">61</a> <a title="Ir para o site" href="http://www.guedes.info/abcontfram.htm" target="_blank">http://www.guedes.info/abcontfram.htm</a>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote63sym" href="#sdfootnote63anc">62</a> <a title="Ir para o site" href="http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/pancho-guedes/" target="_blank">http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/pancho-guedes/</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote64sym" href="#sdfootnote64anc">63</a> Na companhia de, entre outros, Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura, Fernando Távora e Nuno Portas. <a title="Ir para o site" href="http://www.dgartes.pt/sao_paulo_2007/index.htm" target="_blank">http://www.dgartes.pt/sao_paulo_2007/index.htm</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote65sym" href="#sdfootnote65anc">64</a> Frampton, 2006; <a title="Ir para o site" href="http://www.seidler.net.au/" target="_blank">http://www.seidler.net.au/</a>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote66sym" href="#sdfootnote66anc">65</a> Morris Lapidus, Pioneer of Store Design, June 3<sup>rd</sup>, 2010; <a title="Ir para o site" href="http://storedesign.tumblr.com/day/2010/06/03" target="_blank">http://storedesign.tumblr.com/day/2010/06/03</a>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote67sym" href="#sdfootnote67anc">66</a> Cook e Klotz, 1973, pp. 174-75.</p>
<p style="text-align:justify;"><a name="sdfootnote68sym" href="#sdfootnote68anc">67</a> Friedman, 2000; <a title="Ir para o site" href="http://www.gsd.harvard.edu/research/publications/hdm/back/11friedman.html" target="_blank">http://www.gsd.harvard.edu/research/publications/hdm/back/11friedman.html</a></p>
<hr size="1" />
<h3><strong>referências bibliográficas</strong></h3>
<p>ACAYABA, Marlene Milan e FICHER, Sylvia. Arquitetura Brasileira: tendências atuais. <em>Projeto </em>16, pp. 23-30, nov. 1979.</p>
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<p>Warren Sanderson a Sylvia Ficher, Montreal, 2 out. 1980.</p>
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<p><a title="Ir para o site" href="http://storedesign.tumblr.com/day/2010/06/03" target="_blank">http://storedesign.tumblr.com/day/2010/06/03</a>.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://wiki.up.ac.za/index.php?title=ABLEWIKI:NipilarHouse" target="_blank">http://wiki.up.ac.za/index.php?title=ABLEWIKI:NipilarHouse</a></p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.abebooks.com/servlet/SearchResults?an=Sanderson%2C+Warren&amp;sortby=17&amp;sts=t&amp;x=46&amp;y=13" target="_blank">http://www.abebooks.com/servlet/SearchResults?an=Sanderson%2C+Warren&amp;sortby=17&amp;sts=t&amp;x=46&amp;y=13</a>; consultado em 20/11/2010.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.amazon.com/gp/offer-listing/0313214395/ref=olp_sort_p?ie=UTF8&amp;shipPromoFilter=0&amp;sort=price&amp;me=&amp;seller=&amp;condition=used" target="_blank">http://www.amazon.com/gp/offer-listing/0313214395/ref=olp_sort_p?ie=UTF8&amp;shipPromoFilter=0&amp;sort=  price&amp;me=&amp;seller=&amp;condition=used</a>; consultado em 20/11/2010.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.artefacts.co.za/main/Buildings/arch_bottom_left.php?archid=1614" target="_blank">http://www.artefacts.co.za/main/Buildings/arch_bottom_left.php?archid=1614</a></p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.bookadda.com/product/international-handbook-contemporary-warren-sanderson/p-9780313214394-313214395" target="_blank">http://www.bookadda.com/product/international-handbook-contemporary-warren-sanderson/p-97803132 14394-313214395</a>; consultado em 20/11/2010.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.davidkrutprojectscapetown.com/uncategorized/pancho-guedes-dvd/" target="_blank">http://www.davidkrutprojectscapetown.com/uncategorized/pancho-guedes-dvd/</a></p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.dgartes.pt/sao_paulo_2007/index.htm" target="_blank">http://www.dgartes.pt/sao_paulo_2007/index.htm</a></p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.emporis.com/application/?nav=company&amp;lng=3&amp;id=103193" target="_blank">http://www.emporis.com/application/?nav=company&amp;lng=3&amp;id=103193</a>.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.estantevirtual.com.br/rarissimuslibris/Sylvia-Ficher-Marlene-Milan-Acayaba-Arquitetura-Moderna-Brasileira-33716408" target="_blank">http://www.estantevirtual.com.br/rarissimuslibris/Sylvia-Ficher-Marlene-Milan-Acayaba-Arquitetura-Moder na-Brasileira-33716408</a>; consultado em 20/11/2010.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.eurospanbookstore.com/display.asp?k=9780861720255&amp;" target="_blank">http://www.eurospanbookstore.com/display.asp?k=9780861720255&amp;</a>; consultado em 20/11/2010.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.guedes.info/abcontfram.htm" target="_blank">http://www.guedes.info/abcontfram.htm</a></p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.stoutbooks.com/cgi-bin/stoutbooks.cgi/86108" target="_blank">http://www.stoutbooks.com/cgi-bin/stoutbooks.cgi/86108</a>; consultado em 20/11/2010.</p>
<p><a title="Ir para o site" href="http://www.svarchitects.com/" target="_blank">http://www.svarchitects.com/</a></p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:right;"><strong>Sylvia Ficher</strong><br />
Doutora em história pela FFLC/USP, com pós-doutorado em sociologia na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris), e professora da FAU/UnB. É autora de<em> Arquitetura Moderna Brasileira</em> (1982), com Marlene Milan Acayaba; <em>GuiArquitetura de Brasília </em>(2000), com Geraldo Nogueira Batista; <em>Os Arquitetos da Poli </em>(2005), agraciado com o Prêmio Clio, da Academia Paulistana de História; e <em>Guia de obras de Oscar Niemeyer: Brasília 50 anos </em>(2010), com Andrey Schlee. <a title="Enviar e-mail" href="mailto:sficher@unb.br" target="_blank">sficher@unb.br</a></p>
<p style="text-align:right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Marlene Milan Acayaba</strong><br />
Doutora pela FAU/USP, dirigiu o Museu da Casa Brasileira de 1995 a 2002. É autora de <em>Arquitetura Moderna Brasileira</em> (1982), com Sylvia Ficher; <em>Residências em São Paulo: 1947-1975 </em>(1987); <em>Branco &amp; Preto: uma história de design brasileiro </em>(1994) e <em>11º ao 15º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira</em> (2001). Coordenou a publicação de <em>Equipamentos, usos e costumes da casa brasileira</em> (2002) e <em>Museu da Casa Brasileira</em> (2002). <a title="Enviar e-mail" href="mailto:marlene.acayaba@uol.com.br" target="_blank">marlene.acayaba@uol.com.br</a> e <a title="Ir para o site" href="http://marleneacayaba.blogspot.com/" target="_blank">http://marleneacayaba.blogspot.com</a>.</p>
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<p style="text-align:right;"><span style="color:#888888;">Colaboração editorial: Débora Andrade</span></p>
<br />Filed under: <a href='http://mdc.arq.br/category/ensaio-e-pesquisa/'>Ensaio e pesquisa</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/marlene-milan-acayaba/'>Marlene Milan Acayaba</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/'>Série Panoramas da Arquitetura Brasileira</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/sylvia-ficher/'>Sylvia Ficher</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/revistamdc.wordpress.com/5555/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/revistamdc.wordpress.com/5555/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/revistamdc.wordpress.com/5555/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/revistamdc.wordpress.com/5555/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/revistamdc.wordpress.com/5555/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/revistamdc.wordpress.com/5555/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/revistamdc.wordpress.com/5555/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/revistamdc.wordpress.com/5555/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/revistamdc.wordpress.com/5555/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/revistamdc.wordpress.com/5555/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/revistamdc.wordpress.com/5555/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/revistamdc.wordpress.com/5555/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/revistamdc.wordpress.com/5555/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/revistamdc.wordpress.com/5555/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=5555&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">danilo</media:title>
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			<media:title type="html">Ver os textos da série</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 1 - O &#34;Brazil&#34; em manuscrito</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 1 - O &#34;Brazil&#34; em manuscrito</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 1 - O &#34;Brazil&#34; em manuscrito</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 2 - Correspondência de Warren Sanderson, Montreal, 15 de janeiro de 1981</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 3 - Folha de rosto do Handbook</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 4 - Página do &#34;Brazil&#34;</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 5 - O &#34;Arquitetura Moderna Brasileira&#34; em manuscrito</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 5 - O &#34;Arquitetura Moderna Brasileira&#34; em manuscrito</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">Fig. 5 - O &#34;Arquitetura Moderna Brasileira&#34; em manuscrito</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/06-arquitetura-moderna-brasileira-capa-de-sylvia-ficher-e-marlene-milan-acayaba-arquitetura-moderna-brasileira-1982.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Fig. 6 - &#34;Arquitetura Moderna Brasileira&#34;</media:title>
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			<media:title type="html">Fig. 7 – Marlene Milan Acayaba, João Batista Vilanova Artigas e Sylvia Ficher</media:title>
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			<media:title type="html">Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/reddot002.png" medium="image">
			<media:title type="html">Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.</media:title>
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		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/11-norman-eaton-netherlands-bank-pretoria-1953-marc-charles-jooste-can-you-see-the-music-2007-p-84.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953</media:title>
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		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/12-vilanova-artigas-residc3aancia-roberto-lacaze-sc3a3o-paulo-1941-arquivo-sylvia-ficher.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Fig. 11 – Vilanova Artigas, Residência Roberto Lacaze, São Paulo, 1941</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/13-saipal-3.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Pancho Guedes, Padaria Saipal, Maputo</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/15-edifc3adcios-c3a0-avenida-infante-santo-lisboa-fotos-de-sylvia-ficher-lisboa-maio-2010.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Fig. 13 - Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa.</media:title>
		</media:content>

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		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/16-02_lapidus-1.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Fig. 14 - Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952</media:title>
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		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/17-prc3a9dio-de-apartamentos-punta-del-leste-foto-de-andrey-schlee-punta-del-leste-janeiro-2011.jpg?w=237" medium="image">
			<media:title type="html">Fig. 15 – Prédio de apartamentos, Punta del Leste.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-01.jpg?w=107" medium="image">
			<media:title type="html">O &#34;Brazil&#34; em manuscrito</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-02.jpg?w=106" medium="image">
			<media:title type="html">O &#34;Brazil&#34; em manuscrito</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/o-brazil-em-manuscrito-arquivo-sylvia-ficher-03.jpg?w=107" medium="image">
			<media:title type="html">O &#34;Brazil&#34; em manuscrito</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/correspondc3aancia-de-warren-sanderson-montreal-15-de-janeiro-de-1981-arquivo-sylvia-ficher.jpg?w=115" medium="image">
			<media:title type="html">Correspondência de Warren Sanderson, Montreal, 15 de janeiro de 1981</media:title>
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			<media:title type="html">Folha de rosto do Handbook</media:title>
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			<media:title type="html">Página do &#34;Brazil&#34;</media:title>
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			<media:title type="html">Página do &#34;Brazil&#34;</media:title>
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			<media:title type="html">O &#34;Arquitetura Moderna Brasileira&#34; em manuscrito</media:title>
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			<media:title type="html">O &#34;Arquitetura Moderna Brasileira&#34; em manuscrito</media:title>
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			<media:title type="html">O &#34;Arquitetura Moderna Brasileira&#34; em manuscrito</media:title>
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			<media:title type="html">Arquitetura Moderna Brasileira</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro, show-room da Oca, Av. Faria Lima 1.784, 7 de dezembro de 1982</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Sylvia Ficher</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Sylvia Ficher</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Sylvia Ficher e Flávio Império</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Marlene Milan Acayaba, Joaquim Guedes e Branca de Mello Saraiva</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Marlene Milan Acayaba</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Marlene Milan Acayaba</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Branca de Mello Saraiva, Miguel Pereira e Marcos Acayaba</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Flávio Império</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Marlene Milan Acayaba, João Batista Vilanova Artigas e Sylvia Ficher</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Ermínia Maricato, Vicente Weissenbach e Mimi Jaguaribe Eckman</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento do livro</media:title>
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			<media:title type="html">Lançamento: Marlene Milan Acayaba, João Batista Vilanova Artigas e Sylvia Ficher</media:title>
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			<media:title type="html">Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.</media:title>
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			<media:title type="html">E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961.</media:title>
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			<media:title type="html">E. Stewart Williams, Coachella Valley Savings and Loan, 1961.</media:title>
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			<media:title type="html">Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.</media:title>
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			<media:title type="html">Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.</media:title>
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			<media:title type="html">Helmut Stauch, National Meat Board Building, Pretoria, 1951.</media:title>
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			<media:title type="html">Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953</media:title>
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			<media:title type="html">Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953.</media:title>
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			<media:title type="html">Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953.</media:title>
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			<media:title type="html">Norman Eaton, Pretoria Wachthuis, Pretoria Norman Eaton, Netherlands Bank, Pretoria, 1953</media:title>
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			<media:title type="html">Vilanova Artigas, Residência Roberto Lacaze, São Paulo, 1941</media:title>
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			<media:title type="html">Pancho Guedes, Padaria Saipal, Maputo</media:title>
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			<media:title type="html">Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, Bienal de São Paulo, 1961</media:title>
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			<media:title type="html">Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56</media:title>
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			<media:title type="html">Pancho Guedes, Prédio de apartamentos Leão que Ri, 1955-56</media:title>
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			<media:title type="html">Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa</media:title>
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			<media:title type="html">Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa</media:title>
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			<media:title type="html">Edifícios à Avenida Infante Santo, Lisboa</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Residência Meller, Sydney, 1950</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Hong Kong Central, Hong Kong, 1980-84</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Embaixada da Austrália, Paris, 1973-77</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Berman House, Joadja, Austrália, 1996-1999</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Hochhaus Neue Donau, Viena, 1996-2001</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07</media:title>
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			<media:title type="html">Seidler and Associates, Ian Thorpe Aquatic Centre, Sydney, 2001-07</media:title>
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			<media:title type="html">Morris Lapidus, Hoffritz for Cutlery, Nova York, 1939</media:title>
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			<media:title type="html">Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952</media:title>
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			<media:title type="html">Morris Lapidus, Fontainebleau Hotel, Miami, 1952</media:title>
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		<media:content url="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/17-prc3a9dio-de-apartamentos-punta-del-leste-foto-de-andrey-schlee-punta-del-leste-janeiro-2011.jpg?w=118" medium="image">
			<media:title type="html">Prédio de apartamentos, Punta del Leste</media:title>
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		<title>Panoramas da Arquitetura Brasileira</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 04:39:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editores mdc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Danilo Matoso]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Ruth Verde Zein]]></category>
		<category><![CDATA[Série Panoramas da Arquitetura Brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[Teoria da Arquitetura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ruth Verde Zein Danilo Matoso Macedo Latin America, for example, still has no body of theory of its own to show. Hanno-Walter Kruft, A history of architectural theory. Como é o lugar Quando ninguém passa por ele? Existem as coisas Sem ser vistas? (&#8230;) Que fazem, que são as coisas não testadas como coisas, minerais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=5572&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:right;height:150px;">
<p><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><img class="alignleft size-medium wp-image-5610" style="border:0 none;" title="Ver os textos da série" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/panorama-capas-modernas.jpg?w=300&#038;h=138" alt="" width="300" height="138" /></a>Ruth Verde Zein<br />
Danilo Matoso Macedo</p>
</div>
<p><span id="more-5572"></span></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:right;">Latin America, for example,<br />
still has no body of theory of its own to show.</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:right;">Hanno-Walter Kruft, <em>A history of architectural theory.</em></p>
<p style="padding-left:30px;"><em><br />
</em></p>
<p style="padding-left:30px;text-align:right;">Como é o lugar<br />
Quando ninguém passa por ele?<br />
Existem as coisas<br />
Sem ser vistas?<br />
(&#8230;)<br />
Que fazem, que são<br />
as coisas não testadas como coisas,<br />
minerais não descobertos – e algum dia<br />
o serão?</p>
<p style="padding-left:30px;text-align:right;">Carlos Drummond de Andrade, <em>A suposta existência.</em></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;">A série <strong><a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/">Panoramas da Arquitetura Brasileira</a>,</strong> que a partir de agora publicamos na seção <a title="Ver todos os textos em &quot;Ensaio e pesquisa&quot;" href="http://mdc.arq.br/category/ensaio-e-pesquisa/" target="_blank"><strong>Ensaio e Pesquisa</strong></a>, tem origem no Simpósio Temático <em>Panoramas da Arquitetura Brasileira Moderna e Contemporâne</em>a, organizado por Ruth Verde Zein no I ENANPARQ – Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, em 30 de novembro de 2010. Naquele evento, nove autores de <em>panoramas </em>apresentaram e discutiram suas obras, seus valores, seu processo de pesquisa e produção. A reunião tornou claro o impacto daquelas pesquisas na constituição da cultura arquitetônica contemporânea.</p>
<p style="text-align:justify;">A historiografia da arquitetura do século 20 amadureceu um ritual de valoração de obras e autores para além de seu prestígio e reconhecimento locais. Com a expansão das revistas e das exposições, com seus catálogos, a consagração no próprio campo arquitetônico passou a independer do desempenho ou da popularidade das obras. Consolidaram-se assim as funções do crítico de arquitetura, do curador de exposições e do editor de revistas. Suas obras são possíveis portas de entrada de arquitetos e edifícios no panteão da história, e as narrativas desta são influentes elementos formativos das gerações de arquitetos do presente, num ciclo de reprodução de valores.</p>
<p style="text-align:justify;">Do ponto de vista da organização formal, os produtos desse processo crítico e historiográfico poderiam ser divididos em:</p>
<p style="text-align:justify;">a) coletâneas de textos, cuja reunião concertada alavanca uma visão narrativa implícita;</p>
<p style="text-align:justify;">b) catálogos de obras, cuja seleção e reunião implicam uma visão crítica determinada;</p>
<p style="text-align:justify;">c) narrativas panorâmicas, ou seja, esforços para propor explicitamente concatenações de fatos históricos, obras, autores e ideias;</p>
<p style="text-align:justify;">A constituição desta série deve por isso ser tão plural e irrestrita quanto possível. Orientam-nos porém ao menos três objetivos bem determinados. Primeiramente, busca-se explicitar o próprio processo pelo qual as obras são selecionadas e incluídas numa determinada cultura arquitetônica, cujos valores tornam-se mais claros e passíveis de apreciação crítica. Em segundo lugar, compartilham-se as dificuldades, os dilemas e as limitações que a tarefa envolve, potencialmente servindo de estímulo e baliza para aqueles que hoje se dedicam a ela. Por fim, pretende-se tratar especificamente do campo de pesquisa que tem por objeto a própria história da arquitetura, e de sua teoria, em nosso país, cuja falta de divulgação sistemática tem levado a um relativo isolamento intelectual em relação ao meio internacional.</p>
<p style="text-align:justify;">Sintomaticamente, por outro lado, alguns livros panorâmicos <em>clássicos</em> sobre nossa arquitetura são justamente aqueles que, de algum modo, tiveram algum tipo de fecundação estrangeira. Desde o catálogo elaborado por Philip Goodwin para a exposição <em>Brazil Builds</em>, realizada no Museu de Arte Moderna de Nova York em 1943, passando pelo <em>Modern Architecture in Brazil</em>, peça encomendada pelo Itamaraty a Henrique Mindlin para divulgação no exterior  em 1956 – com introdução de Sigfried Giedion, até <em>Arquitetura contemporânea no Brasil</em>, escrito no final da década de 1960 pelo pesquisador francês Yves Bruand, – e só publicado, em português, em 1983.</p>
<p style="text-align:justify;">Também no estudo de nossa arquitetura colonial, os textos canônicos são provenientes de estudos de estrangeiros, como L’a<em>rchitecture religieuse baroque au Brésil</em>, de 1956, encomendado pelo IPHAN a Germain Bazin, curador do Louvre; os artigos de John Bury – compilados por Myriam A. Ribeiro em 1990; e a obra fundamental do norte-americano Robert Chester Smith, publicada na <em>Revista do Patrimônio</em> desde 1940, bem como em periódicos internacionais. Smith é responsável ainda pela introdução de um tipo de panorama ainda raro entre arquitetos brasileiros: a bibliografia comentada. É dele <em>A guide to the art of Latin America</em>, de 1948, e o capítulo sobre arte (e arquitetura) do <em>Manual Bibliográfico de estudos brasileiros</em>, organizado por William Berrien e Rubens Borba de Moraes no ano seguinte.</p>
<p style="text-align:justify;">Se estes pesquisadores contaram com o apoio do Itamaraty e do IPHAN, do restrito grupo de intelectuais do patrimônio veio o conhecimento e parte da base empírica que lhes sustentou. São os trabalhos originais de Lucio Costa, Luis Saia, Joaquim Cardozo, Paulo Santos, seguidos por Sylvio de Vasconcellos e Carlos Lemos – hegemonia confirmada em autores como Edgar Graeff, Benjamin de Araújo Carvalho, Eduardo Mendes Guimarães ou João Boltshauser. Dentre suas obras panorâmicas destaca-se a influente síntese <em>Quatro séculos de arquitetura</em>, de Paulo Santos, escrita em 1965 e publicada como livro em 1977. Na mesma linha, Carlos Lemos publicava o também sintético <em>Arquitetura Brasileira</em> em 1979, cuja abordagem da arquitetura moderna viria a ser aprofundada no capítulo que lhe coube do abrangente <em>História Geral da Arte no Brasil</em>, organizado por Walter Zanini em 1983. Juntamente aos estrangeiros, esses autores estabeleceram alguns paradigmas conceituais que desde então vêm servindo de base para outros estudos e debates sobre a arquitetura brasileira.</p>
<p style="text-align:justify;">Poucas visões destoavam então daquele uníssono, como a editoria da revista <em>Habitat</em>, conduzida por Lina Bo Bardi nas décadas de 1950 e 1960 – bastante crítica quanto à arquitetura carioca –, ou o <em>Quadro da arquitetura no Brasil</em>, publicado por Nestor Goulart Reis Filho em 1970, que partia de pressupostos analíticos urbanísticos, bastante distintos. A partir dos anos 1980, porém, a expansão da pesquisa e pós-graduação em arquitetura ampliou de maneira exponencial a quantidade e qualidade de estudos monográficos e setoriais sobre os mais variados temas, obras e arquitetos brasileiros.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma nova geração passa a propor as suas próprias leituras, revendo, ampliando e questionando as abordagens anteriores e já canônicas, divulgando-as inicialmente através de artigos pontuais, seja em publicações não acadêmicas (como a seção <em>Ensaio &amp; Pesquisa</em> da revista <em>Projeto</em> ou a seção <em>Documentos</em> da revista <em>AU</em>), seja em publicações universitárias (como a revista<em> Oculum</em> da PUC-Campinas, entre outros). Paulatinamente esses estudos começam a ser publicados em livros cujas abordagens panorâmicas consolidam ou mesmo ultrapassam os paradigmas canônicos existentes. A partir do final dos anos 1990, essas publicações se consolidam, contando-se hoje com alguns panoramas mais amplos, temporal e geograficamente, sobre a arquitetura brasileira. Eles propõem novas abordagens visando uma compreensão de universos históricos mais extensos, complexos e não-lineares.</p>
<p style="text-align:justify;">Esses trabalhos, abordando amplos períodos de tempo, atingindo ou não o momento contemporâneo, nascem de uma variedade de posturas conceituais: podem reforçar, revalidar e dar continuidade aos enfoques propostos pelos panoramas <em>clássicos</em>; podem contrapor-se ou alternar-se àquelas leituras; podem buscar estabelecer novos paradigmas e a abertura para outras possibilidades de interpretação. Em quaisquer casos, os esforços que vem sendo elaborados nesse sentido podem também ser entendidos como releituras da tradição da historiografia moderna brasileira, com vistas à compreensão crítica da nossa produção contemporânea.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas apesar desta produção recente, grande parte do ensino e da prática de arquitetura brasileiros segue empregando, nem sempre de maneira crítica, somente aqueles manuais anteriores à década de 1970. Sua leitura, embora útil e informativa, exuma pautas conceituais afinadas a momentos históricos passados. Quase sempre proclama de maneira linear, triunfal e frequentemente excludente, a autonomia, a consistência, a originalidade e a independência da modernidade arquitetônica brasileira, por exemplo.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse recurso aos <em>clássicos</em> é natural. Até mesmo pela dificuldade inerente a esse tipo de encargo, ainda há relativamente poucos estudos e pesquisas, realizados e publicados, tratando de nossa arquitetura de modo panorâmico, ou seja, abrangendo de maneira consistente e concertada períodos temporais ou geográficos amplos. Talvez o maior indicador dessa escassez seja a quase total ausência em nosso país de livros-texto abrangentes que deem conta com razoável profundidade de toda a história da arquitetura brasileira, desde a colônia até os dias de hoje.</p>
<p style="text-align:justify;">Por isso, as narrativas de longo curso especificamente são um desafio conceitual importante. Sua produção é mesmo uma necessidade para aqueles que trabalham com a formação, o ensino e a pesquisa. Entretanto, não há seguramente uma maneira certa que determine como realizar tal tarefa; e assim pesquisas ou publicações tratando panoramicamente da arquitetura brasileira, abrangendo amplos períodos temporais e/ou geográficos, exige dos autores ou organizadores que definam com certa clareza os critérios de inclusão (e conseqüentemente, de exclusão) que adotam, os quais assumem de fato uma certa visão de mundo específica, que varia caso a caso.</p>
<p style="text-align:justify;">Nem sempre porém a variedade de abordagens conceituais está clara e explicitamente indicada, e poucas vezes é facilmente perceptível aos leitores. Tal omissão frequentemente está ligada a uma certa compreensão vaga e difusa da mítica existência inconsútil de uma (e apenas uma) arquitetura para cada lugar e período, definida quase sempre de maneira excludente e linear. Esse hábito, nascido de uma visão ideologizada, no limite perpetua uma visão excludente da arquitetura contemporânea ao ser incapaz de compreender um panorama que já se complexificou exponencialmente. E talvez essa tarefa hoje sequer admita delimitações excessivamente rígidas de cunho regional ou nacional, tais como foram celebradas na primeira metade do século 20.</p>
<p style="text-align:justify;">No caso brasileiro, esta abordagem unívoca está relacionada a uma certa confusão conceitual entre os temas de identidade nacional e os temas arquitetônicos, estes aparentemente apoiando e fomentando aqueles, num vínculo que é sempre reforçado embora talvez não seja nem necessário, nem indissolúvel, mas cuja presença constante ainda sombreia o campo. Ela impede ou dificulta abordagens multifacéticas – ou que priorizem outros paradigmas que não o da identidade nacional ou o do desenvolvimentismo – que acalentaram as primeiras visões panorâmicas da arquitetura moderna brasileira.</p>
<p style="text-align:justify;">Com vistas a levantar estas questões, dentre outras, propõe-se, com a série <a href="http://mdc.arq.br/tag/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/"><strong>Panoramas da Arquitetura Brasileira</strong></a>, o reconhecimento crítico de algumas das publicações de referência, debatendo as perspectivas delineadas pelos projetos, construções e pesquisas em andamento nesta primeira década do século 21. Inicialmente, a série contará com os aportes de Marlene Milan Acayaba e Sylvia Ficher, Hugo Segawa, Carlos Eduardo Comas, Roberto Montezuma, Renato Anelli, Abílio Guerra, Maria Alice Junqueira Bastos e Ruth Verde Zein. Pretende-se ainda expandir estas colaborações com outros autores igualmente fundamentais que não puderam tomar parte do simpósio temático do ENANPARQ devido a contingências circunstanciais. Espera-se com isso contribuir para uma compreensão ampla e diversa dos processos e discursos formativos de nossa visão historiográfica, abrindo novos caminhos dentro daquilo que se considera arquitetura, e possivelmente iluminando novos campos para o arquiteto – tanto o projetista quanto o pesquisador.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-6251" style="border:0 none;" title="Panorama da Esplanada dos Ministérios, Brasília (Foto: Joana França)" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2011/03/congresso100210_29.jpg?w=700&#038;h=233" alt="" width="700" height="233" /></p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:right;"><strong>Ruth Verde Zein</strong><br />
Arquiteta, com mestrado (1999) e doutorado (2005) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-doutorado (2008) pela FAU-USP. Prêmio Capes 2006 de Teses. É professora e pesquisadora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É autora de, entre outros, Brasil: Arquiteturas após 1950 (com M. A. J. Bastos, Perspectiva, 2010), Sala São Paulo: A Arquitetura da Música (com A. R. Di Marco; Altermarket, 2007), Rosa Kliass: Desenhando Paisagens, Moldando uma Profissão (com R. Kliass, Senac, 2006) e O Lugar da Crítica: Ensaios Oportunos de Arquitetura (Ritter dos Reis/Proeditores, 2002).</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Danilo Matoso Macedo</strong><br />
Arquiteto e Urbanista (UFMG, 1997), Mestre em Arquitetura e Urbanismo (UFMG, 2002), Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (ENAP, 2004), editor da revista <strong>mdc</strong>.</p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:right;"><span style="color:#888888;">Colaboração editorial: Débora Andrade </span></p>
<br />Filed under: <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/danilo-matoso/'>Danilo Matoso</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/ensaio-e-pesquisa/'>Ensaio e pesquisa</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/autores/ruth-verde-zein/'>Ruth Verde Zein</a>, <a href='http://mdc.arq.br/category/serie-panoramas-da-arquitetura-brasileira/'>Série Panoramas da Arquitetura Brasileira</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/revistamdc.wordpress.com/5572/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/revistamdc.wordpress.com/5572/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/revistamdc.wordpress.com/5572/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/revistamdc.wordpress.com/5572/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/revistamdc.wordpress.com/5572/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/revistamdc.wordpress.com/5572/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/revistamdc.wordpress.com/5572/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/revistamdc.wordpress.com/5572/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/revistamdc.wordpress.com/5572/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/revistamdc.wordpress.com/5572/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/revistamdc.wordpress.com/5572/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/revistamdc.wordpress.com/5572/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/revistamdc.wordpress.com/5572/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/revistamdc.wordpress.com/5572/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=5572&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Praça da Soberania: crônica de uma polêmica</title>
		<link>http://mdc.arq.br/2009/10/24/praca-da-soberania-cronica-de-uma-polemica/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 04:43:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editores mdc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Danilo Matoso]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio e pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília]]></category>
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		<category><![CDATA[Praça da Soberania]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre o projeto da Praça da Soberania, de Oscar Niemeyer. Danilo Matoso Macedo [1] Em 9 de janeiro de 2009, em seu escritório de Copacabana, Oscar Niemeyer apresentou o estudo preliminar do projeto para a Praça da Soberania, em Brasília, ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e a seu Secretário de Cultura, Silvestre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mdc.arq.br&amp;blog=5128755&amp;post=3607&amp;subd=revistamdc&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><em>Sobre o projeto da <a title="Ver a Noticia em MDC" href="http://mdc.arq.br/2009/01/10/brasilia-oscar-niemeyer-projeta-nova-praca-na-esplanada-dos-ministerios/" target="_self">Praça da Soberania</a>, de Oscar Niemeyer.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em> </em>Danilo Matoso Macedo</p>
<p><span id="more-3607"></span></p>
<p align="justify"><a name="_ftnref1_9037" href="#_ftn1_9037">[1]</a></p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/01/soberania-perspectiva.jpg"><img class="size-medium wp-image-1602 alignright" style="border:0 none;margin:0 10px;" title="soberania-perspectiva" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/01/soberania-perspectiva.jpg?w=300&#038;h=150" alt="soberania-perspectiva" width="300" height="150" /></a>Em 9 de janeiro de 2009, em seu escritório de Copacabana<em>,</em> Oscar Niemeyer apresentou o estudo preliminar do projeto para a Praça da Soberania, em Brasília, ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e a seu Secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho. À semelhança de outros projetos recentes de Niemeyer, o projeto era marcado pela simplicidade de formas, materializadas em grandes superfícies brancas e aberturas fechadas por vidro preto. Próximo à Plataforma Rodoviária, uma praça cimentada no canteiro central da Esplanada dos Ministérios correspondia ao estacionamento subterrâneo abaixo, destinado a abrigar três mil veículos. Sobre o concreto, um edifício curvo elevado em <em>pilotis</em> – o <em>Memorial dos Presidentes</em>, encomenda do presidente Lula – contraposto por um obelisco inclinado – o <em>Monumento ao Cinqüentenário</em> – de altura comparável aos noventa e dois metros das torres do Congresso Nacional mais adiante.</p>
<p align="justify">Antes mesmo de qualquer consulta aos arquitetos que trabalham no GDF, ou de qualquer estimativa de preço da obra, o governador declarou aos presentes: <em>Vamos fazer! </em>No dia seguinte,<a title="Ler a notícia" href="http://mdc.arq.br/2009/01/10/brasilia-oscar-niemeyer-projeta-nova-praca-na-esplanada-dos-ministerios/"> a reunião foi relatada</a> na capa do <em>Correio Braziliense</em>, <a name="_ftnref2_9037" href="#_ftn2_9037">[2]</a> com a manchete: <em>Para se espantar e curtir</em>. Imediatamente, os arquitetos brasilienses <em>se espantaram</em> e voltaram a <em>curtir</em> a dor de feridas antigas e novas, todas ainda abertas. O <em>espanto</em> ficou por conta do obelisco de mais de cem metros de altura e do edifício curvo, numa área originalmente destinada ao vazio – disposição presente desde o Plano Piloto, e expressamente assim mantida quando do tombamento da cidade pela Unesco em 1987. Já as penas <em>curtidas</em> tinham um duplo viés.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/01/soberania-perspectiva-2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1603" style="border:0 none;margin:0 10px;" title="soberania-perspectiva-2" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/01/soberania-perspectiva-2.jpg?w=300&#038;h=150" alt="soberania-perspectiva-2" width="300" height="150" /></a>De um lado, a iconoclastia tradicional de arquitetos inconformados com as feições recentes das obras de Niemeyer. Para estes colegas – e também para alguns apreciadores das obras complexas, multicoloridas e multiformes das obras anteriores a Brasília, como a Pampulha – a simplicidade recente parece simplismo apenas. E o que os admiradores da nova produção de Niemeyer ainda consideram síntese, os críticos já consideram descuido.</p>
<p align="justify">De outro lado, o descontentamento geral da comunidade de arquitetos projetistas brasilienses devido à realização de mais uma grande obra pública, com contratação de projetos por escritórios privados, sem a realização de concurso de arquitetura. A lista recente não é pequena, e o privilégio da contratação sem concurso não é exclusivo de Oscar Niemeyer: desde a encomenda do projeto urbanístico para o bairro <em>Setor Noroeste</em>,<a name="_ftnref3_9037" href="#_ftn3_9037">[3]</a> bem como para o Parque Burle-Marx<a name="_ftnref4_9037" href="#_ftn4_9037">[4]</a> e a via interbairros, passando pela nova Estação Rodoviária,<a name="_ftnref5_9037" href="#_ftn5_9037">[5]</a> pela sede do Governo do Distrito Federal na Cidade Satélite de Taguatinga,<a name="_ftnref6_9037" href="#_ftn6_9037">[6]</a> pela reforma do Estádio <em>Bezerrão</em>, no Gama,<a name="_ftnref7_9037" href="#_ftn7_9037">[7]</a> e culminando no projeto para o Estádio Mané Garrincha,<a name="_ftnref8_9037" href="#_ftn8_9037">[8]</a> em Brasília, com vistas à Copa do Mundo de Futebol. O monopólio de Niemeyer, de fato, se restringe à Esplanada dos Ministérios e adjacências. É sabido que, eticamente, o arquiteto evitou a contratação particular para a elaboração dos projetos arquitetônicos iniciais quando da construção da capital. Num gesto nobre, Oscar preferiu ser contratado como funcionário da Novacap, recebendo apenas seu salário à época.<a name="_ftnref9_9037" href="#_ftn9_9037">[9]</a></p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/01/soberania-planta.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1604" style="border:0 none;margin:0 10px;" title="soberania-planta" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/01/soberania-planta.jpg?w=300&#038;h=150" alt="soberania-planta" width="300" height="150" /></a>O mesmo não ocorreu quando do retorno do arquiteto do exílio na década de 1970. Sobretudo após o tombamento da cidade, o escritório de Niemeyer passou a ser diretamente contratado para toda e qualquer grande obra pública do Governo Federal, pelo sistema de <em>notória especialização</em>. É um tipo de prática que ocorre em maior ou menor escala em diversas cidades brasileiras, com <em>notórios especialistas </em>locais, nacionais e, mais recentemente, internacionais. No caso do escritório de Niemeyer, o privilégio foi reforçado e garantido por uma portaria do IPHAN, estabelecendo que <em>excepcionalmente, e como disposição naturalmente temporária, serão permitidas, quando aprovadas pelas instâncias legalmente competentes, as propostas para novas edificações encaminhadas pelos autores de Brasília – arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer – com complementações necessárias ao Plano Piloto original.</em><a name="_ftnref10_9037" href="#_ftn10_9037">[10]</a></p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090110-soberania-cb.jpg"><img class="size-medium wp-image-3631 alignright" style="border:0 none;margin-left:0;margin-right:0;" title="Para se espantar e curtir" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090110-soberania-cb.jpg?w=300&#038;h=300" alt="Para se espantar e curtir" width="300" height="300" /></a>O projeto da Praça da Soberania, entretanto, parece ter dado impulso a algum tipo de questionamento destes processos. O Governo do Distrito Federal contratou Oscar Niemeyer para realizar o projeto sem licitação e sem concurso público. O governador aprovou a proposta publicamente, levando a imprensa a uma reunião de trabalho com o arquiteto, em lugar de cercar-se de seus técnicos, e antes mesmo de submeter o projeto ao IPHAN. E a proposta era no coração da cidade, num local importante para a população e sabidamente <em>non-aedificandi</em>. E causou a todos espanto, como queria seu autor.</p>
<p align="justify">A partir da matéria no <em>Correio Braziliense</em>, manifestações de repúdio começaram a circular por telefonemas e e-mails exaltados entre arquitetos ainda durante o final-de-semana. Na segunda-feira, dia 12 de janeiro, foi publicado na <em>revista mdc</em> um texto de Sylvia Ficher – <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/"><em>Oscar Niemeyer e Brasília : criador versus criatura</em></a>.<a name="_ftnref11_9037" href="#_ftn11_9037">[11]</a> Tratava-se de um pequeno desabafo passional da historiadora e professora da UnB, que tocava em diversos pontos nevrálgicos do debate em torno às obras recentes de Niemeyer desde o Panteão da Pátria (1985), passando por um sumário juízo negativo de valor sobre a praça para concentrar seu fogo no ataque ao monopólio de Oscar Niemeyer em Brasília. O texto circulou em diversas rodas por e-mail na internet, tendo sido novamente publicado na <em>Revista da Semana </em>da Editora Abril, no<a title="Ler o artigo" href="http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc244/mc244.asp" target="_blank"> Portal Vitruvius</a><a name="_ftnref12_9037" href="#_ftn12_9037">[12]</a> – o mais popular <em>site</em> de arquitetura do país –, no portal da Universidade de Brasília e em diversos blogs. Em que pese o extenso passado de rigorosas pesquisas de Sylvia Ficher, tratava-se aqui de um artigo de opinião, e não um arrazoado científico. O tom pessoal do artigo causou indignação aos admiradores e colaboradores mais próximos de Oscar Niemeyer. Por outro lado, fosse o texto uma extensa e embasada argumentação técnica, não teria tido o alcance e a popularidade que teve.</p>
<p align="justify">No domingo seguinte, dia 18 de janeiro, o jornalista Elio Gaspari dedicou sua coluna na <em>Folha de S.Paulo</em><a name="_ftnref13_9037" href="#_ftn13_9037">[13]</a> a uma associação entre a condenação de Sylvia Ficher à Praça da Soberania e a sua própria condenação a um texto que Niemeyer publicara naquele mesmo jornal reabilitando historicamente a figura de Joseph Stálin.<a name="_ftnref14_9037" href="#_ftn14_9037">[14]</a> Com a repercussão do ataque de Sylvia à obra de Niemeyer, o desabafo local da pesquisadora começou a ganhar contornos de polêmica nacional.</p>
<p align="justify">No dia 20 de janeiro, o pesquisador e professor da UnB Frederico Holanda enviou à <em>revista mdc</em> um curto artigo também pessoal – <em><a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/20/a-praca-do-espanto/">A praça do espanto</a> -</em>,<a name="_ftnref15_9037" href="#_ftn15_9037">[15]</a> condenando diretamente o projeto para a Praça da Soberania e associando sua aridez à já existente no adjacente Complexo Cultural da República – última grande obra de Niemeyer inaugurada na Capital. A publicação do texto de Holanda na <em>revista mdc</em> foi acompanhada por outro texto do jovem arquiteto e pesquisador Carlos Henrique Magalhães<a name="_ftnref16_9037" href="#_ftn16_9037">[16]</a> intitulado <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/20/pela-soberania-do-vazio/" target="_self"><em>Pela soberania do vazio</em></a>.<a name="_ftnref17_9037" href="#_ftn17_9037">[17]</a> Argumentação mais arrazoada que as anteriores, o texto de Carlos evocava a obra pregressa de Oscar Niemeyer e os princípios norteadores do Plano Piloto de Brasília como base para defender a preservação do vazio acima do gramado da Esplanada – onde Niemeyer pretendia implantar o obelisco e o <em>Memorial dos Presidentes</em>. Ao mesmo tempo, Conceição Freitas publicava em sua coluna no <em>Correio Braziliense</em> o texto <em>Niemeyer versus Niemeyer</em>.<a name="_ftnref18_9037" href="#_ftn18_9037">[18]</a> A jornalista reforçava os argumentos de Sylvia e recuperava – a partir de um comentário na <em>revista mdc</em><a name="_ftnref19_9037" href="#_ftn19_9037">[19]</a> – um <a title="Ler o artigo" href="http://www.nytimes.com/2007/12/26/arts/design/26niem.html?_r=1" target="_blank">texto de Nicolai Ouroussoff</a>,<a name="_ftnref20_9037" href="#_ftn20_9037">[20]</a> escrito em 2007, em que do crítico de arquitetura do New York Times questionava a pertinência da contratação de Niemeyer para reforma e ampliação de suas próprias obras construídas há mais de cinquenta anos.</p>
<p align="justify">No dia seguinte, Sylvia Ficher voltava a se manifestar no texto <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/#comment-106" target="_self"><em>Verso e reverso em Niemeyer</em></a>,<a name="_ftnref21_9037" href="#_ftn21_9037">[21]</a> agora acompanhada do arquiteto Jorge Guilherme Francisconi, ambos membros do Conselho de Planejamento Territorial do DF – Conplan. O artigo, publicado no <em>Correio Braziliense,</em> manifestava que aquele órgão colegiado vinha sendo obrigado a aprovar a execução de projetos de Niemeyer em áreas de impacto, por força dos precedentes estabelecidos e do já mencionado artigo personalista da Portaria 314 do IPHAN. E o Conplan, <em>unanimemente constrangido</em>, enviara ao IPHAN um questionamento sobre a legitimidade do dispositivo legal. Era uma denúncia explícita de uma espécie de <em>venda do direito de construir</em>, que seria operada pelo escritório do arquiteto em Brasília.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090122-soberania-cb.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3634" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="A nova praça para Brasília" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090122-soberania-cb.jpg?w=300&#038;h=120" alt="A nova praça para Brasília" width="300" height="120" /></a>Surpreendentemente, foi o próprio Oscar Niemeyer que se encarregou de elaborar sua primeira defesa, com artigo de sua lavra publicado na quinta-feira, dia 22 de janeiro, no <em>Correio Braziliense</em>. No texto, intitulado simplesmente <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/22/a-nova-praca-para-brasilia/"><em>A nova praça para Brasília</em></a>,<a name="_ftnref22_9037" href="#_ftn22_9037">[22]</a> Oscar Niemeyer justificava sua proposta com base nas grandes reformas urbanas de Paris e Barcelona ocorridas no século XIX, argumentando que mesmo os centros históricos precisam ser alterados. E se Brasília precisava ser modificada, ele possuía o <em>direito e a obrigação </em>de conceber e propor a praça. O texto ainda revelava oposição ao projeto de ninguém menos que a filha de Lucio Costa – a também urbanista Maria Elisa Costa –, por ocupar o vazio da Esplanada dos Ministérios. Por fim, o arquiteto desqualificava seus críticos, ao tratá-los por <em>pessoas até então</em> <em>desconhecidas</em> que <em>se permitiam falar sobre o assunto. </em></p>
<p align="justify">O tom confrontativo – ainda que contraditório – do texto de Niemeyer visava a anular os argumentos seus novos críticos arquitetos, mas acabou por reavivar antigos questionamentos da corporação às suas obras, despertando ainda o antagonismo em especialistas e pesquisadores de outras áreas. A pecha de <em>desconhecidos </em>gerou reações raivosas de moradores da cidade, que passaram a reivindicar em blogs e cartas aos jornais – muitas vezes de modo deselegante – o direito dos <em>desconhecidos</em> a opinar sobre o local em que habitam. Com efeito, no dia seguinte, o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB-DF – enviava uma <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/25/mensagem-ao-arquiteto-oscar-niemeyer/"><em>Mensagem ao arquiteto Oscar Niemeyer</em></a><a name="_ftnref23_9037" href="#_ftn23_9037">[23]</a> cujo tom reverente e introdução elogiosa não impediram a conclusão solicitando o estudo de nova localização para o monumento.</p>
<p align="justify">Em 24 de janeiro, o <em>Correio Braziliense </em>estampou, na mesma página, a carta do IAB e a <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/25/praca-da-soberania/">segunda defesa</a> do projeto da praça,<a name="_ftnref24_9037" href="#_ftn24_9037">[24]</a> desta vez feita pelo arquiteto Glauco Campello – antigo colaborador de Niemeyer, pioneiro da construção de Brasília e ex-presidente do IPHAN. Prudente, Glauco se limitava a uma apologia dos valores plásticos e simbólicos da Praça da Soberania e suas edificações em si, sem mencionar a relação com o entorno urbano ou o processo de contratação do arquiteto. Até então, o <em>Correio Braziliense</em> vinha dando voz ao debate de maneira esparsa. No dia seguinte o jornal iniciaria uma verdadeira campanha em torno do tema, envolvendo definitivamente no debate a população da Capital Federal.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090125-soberania-cb.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3635" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="Praça na Esplanada inflama Brasília" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090125-soberania-cb.jpg?w=240&#038;h=240" alt="Praça na Esplanada inflama Brasília" width="240" height="240" /></a>Com a manchete <em>Praça na esplanada inflama Brasília</em>,<a name="_ftnref25_9037" href="#_ftn25_9037">[25]</a> a polêmica em torno ao projeto foi capa do <em>Correio</em> em sua edição de domingo. Três páginas de matérias, conduzidas por Conceição Freitas, deixavam de lado definitivamente as questões envolvidas em torno à contratação de Oscar Niemeyer e colocavam foco na relação entre a praça e a cidade Patrimônio da Humanidade. As reportagens faziam um apanhado da polêmica,<a name="_ftnref26_9037" href="#_ftn26_9037">[26]</a> um histórico das obras de Niemeyer em Brasília (sessenta e seis ao todo)<a name="_ftnref27_9037" href="#_ftn27_9037">[27]</a> e colhiam declarações de outros dois professores da UnB: Cláudio Queiroz e Frederico Flósculo.<a name="_ftnref28_9037" href="#_ftn28_9037">[28]</a> Enquanto um – ex-colaborador de Oscar Niemeyer na Argélia – assumia a defesa do projeto em todos os sentidos, o outro limitava-se a expressar certa perplexidade em relação ao gesto que ele classifica de <em>contraditório</em> em relação à propostas originais da cidade.</p>
<p align="justify">Também era publicada na íntegra a carta de Maria Elisa Costa mencionada por Niemeyer, manifestando, antes de ser apresentado o projeto,<a name="_ftnref29_9037" href="#_ftn29_9037">[29]</a> sua opinião contrária à localização da praça na Esplanada. Tratava-se de um documento pessoal, em que ela expunha suas preocupações quanto às edificações: o obelisco poderia competir com as torres do Congresso Nacional, e <em>o Memorial dos Presidentes</em> poderia obstruir a visão da rodoviária. A urbanista sugeria ainda ao amigo a alteração da proposta, com o atendimento ao programa do Memorial subsolo e a localização do obelisco no trecho oeste do Eixo Monumental, fora da Esplanada dos Ministérios.</p>
<p align="justify">A guinada do debate para o campo exclusivo do patrimônio histórico e artístico parecia, em princípio, favorecer Oscar Niemeyer. Afinal, o tema da contratação por <em>notória especialização</em> e o monopólio de projetos monumentais caia para segundo plano, e era a própria portaria do IPHAN de regulamentação do tombamento que garantia a exclusividade do arquiteto. Sintomaticamente, dentro no campo do patrimônio, a discussão ganhava contornos personalistas. Tratava-se agora de um <em>projeto de Niemeyer</em> oposto ao <em>projeto de Lucio Costa</em> – como a filha deste encaminha apreensiva. E neste ponto fica exposto o tombamento de Brasília como a preservação de uma idéia<a name="_ftnref30_9037" href="#_ftn30_9037">[30]</a> exclusiva dos dois arquitetos, e não de um construto social concreto – obra coletiva. Aqui, entretanto, a relação entre a produção de Oscar Niemeyer em Brasília e os órgãos de preservação do patrimônio ganharia contornos diferentes. De fato, na reportagem de Conceição Freitas, o superintendente do IPHAN em Brasília, Alfredo Gastal, e a representante da Unesco, Jurema Machado, manifestavam-se contrários ao projeto de Niemeyer argumentando conflito deste com os valores tombados.</p>
<p align="justify">A declaração dos representantes dos órgãos máximos de preservação do patrimônio no Brasil e no mundo alavanca, no dia seguinte, o início de uma investigação do Ministério Público sobre a legalidade do projeto da praça – sob o ponto de vista do tombamento, e não da contratação do projeto sem licitação ou concurso.<a name="_ftnref31_9037" href="#_ftn31_9037">[31]</a> O caráter aparentemente oficial da oposição desses órgãos ao projeto leva à repercussão do caso na imprensa nacional como um problema administrativo. Quando, em 27 de janeiro, a <em>Folha de São Paulo</em> publica sua primeira matéria jornalística sobre o tema, o faz opondo exclusivamente Oscar Niemeyer a Alfredo Gastal.<a name="_ftnref32_9037" href="#_ftn32_9037">[32]</a> Mais uma vez uma discussão que se iniciara como um levante público a um ato do governo local ganha contornos personalistas. A posição de Gastal, em todo caso, apoia-se na mesma portaria 314 do IPHAN, que estabelece: <em>nos terrenos do canteiro central verde são vedadas quaisquer edificações acima do nível do solo existente, garantindo a plena visibilidade ao conjunto monumental.</em><a name="_ftnref33_9037" href="#_ftn33_9037">[33]</a></p>
<p align="justify">O enfoque incompleto da <em>Folha</em> foi reproduzido em diversos jornais no país inteiro, incluindo <em>O Globo</em> – fenômeno passível de aferição pela grafia errada (<em>Gaspal</em>) que a matéria do jornal paulista trazia, e que foi reproduzida nas reportagens em outros veículos. Cabe lembrar, em todo caso, que não se tratava de uma disputa administrativa, mas política. Todas as autoridades em questão haviam se manifestado exclusivamente à imprensa, e não oficialmente. Não havia sido iniciado qualquer projeto de aprovação e nenhuma equipe de técnicos havia sido convocada para emitir parecer arrazoado. E como não existia processo de aprovação do projeto ou ato administrativo motivador, não poderia haver ilegalidade. A discussão entre as autoridades e arquitetos era pautada pelos jornalistas, e não pelos fatos.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090127-soberania-cb.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3636" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="Gastal e Lelé" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090127-soberania-cb.jpg?w=300&#038;h=203" alt="Gastal e Lelé" width="300" height="203" /></a>Se para o restante do Brasil a imprensa pintava o retrato de um querela burocrática, em Brasília, a campanha do <em>Correio </em>ganhava cada vez mais apelo político e popular. O jornal passou a cobrir diariamente o debate, abrindo uma enquete online sobre o projeto, que se manteve sempre com cerca de 75% de reprovação pelos internautas – chegando a mais de quatro mil votos. Pode-se dizer, inclusive, que foi a fome de matérias do <em>Correio</em> – em pleno marasmo de janeiro – que deu novo impulso à discussão. O jornal passou a contatar sistematicamente Oscar Niemeyer, bem como todos os especialistas e autoridades relacionadas ao patrimônio histórico em Brasília, cobrando manifestações e respostas de todos. Pressionado, o arquiteto recorreria ao auxílio de seus ex-colaboradores e amigos, como foi o caso de Cláudio Queiroz e Glauco Campello, e como seria o caso, em seguida, de João Filgueiras Lima – o <em>Lelé</em> – e de Ítalo Campofiorito.</p>
<p align="justify">Lelé publicaria sua defesa na terça-feira seguinte. Seu texto se chamava <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/29/mais-uma-obra-prima/"><em>Mais uma obra prima</em></a>,<a name="_ftnref34_9037" href="#_ftn34_9037">[34]</a> e também refletia cautela por parte do autor ao evitar uma análise da praça e sua relação com a cidade. Lelé se limitava a resumir o currículo profissional de Oscar Niemeyer e as características reconhecidas de sua arquitetura. Ao cerne da questão o arquiteto dedica poucas palavras: “<em>Vemos no projeto dessa praça uma composição ousada e singela de beleza indiscutível, em que predomina seu monumento central triangular ancorado no solo e com sua aresta superior levemente curva, que lhe confere uma surpreendente elegância e leveza.</em>”</p>
<p align="justify">A reação de Lelé dava voz a um grupo numeroso de arquitetos próximos a Niemeyer a quem o caráter passional e pouco argumentativo de textos como o de Sylvia Ficher e Frederico Holanda havia soado simplesmente como <em>falta de respeito</em> ao mestre, que tanto já fizera pela arquitetura brasileira. Agravavam esta impressão negativa os inúmeros comentários de leitores &#8211; a maioria desqualificações sumárias – feitos abaixo dos textos em sites de notícias. Não fosse o histórico cinquentenario<a name="_ftnref35_9037" href="#_ftn35_9037">[35]</a> de Oscar Niemeyer de desqualificação sistemática de qualquer crítico de sua obra, poder-se ia imaginar que também era esta a impressão causada a ele mesmo, e que motivara o adjetivo de <em>desconhecidos</em> aos opositores do projeto.</p>
<p align="justify">Os defensores de Oscar aparentemente não haviam tomado conhecimento de artigos como os de Carlos Henrique Magalhães e de Andrey Schlee. Este último, arquiteto, historiador e diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília – FAU-UnB, publicaria seu primeiro texto sobre o tema – <em><a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/28/de-obeliscos-e-espetos/" target="_self">De obeliscos e espetos</a> – </em>na <em>revista mdc</em> no dia 28 de janeiro.<a name="_ftnref36_9037" href="#_ftn36_9037">[36]</a> Talvez pressentindo que poderia ser enquadrado como <em>desconhecido</em>, o experiente pesquisador e admirador confesso de Oscar Niemeyer precedia sua argumentação propriamente dita por um breve histórico e uma genealogia dos obeliscos na arquitetura universal e na obra do arquiteto. O arrazoado, como o de Magalhães, relembrava os princípios fundamentais do urbanismo da cidade, que nortearam sua construção e motivaram seu tombamento. Para Schlee, definitivamente não poderia ser adotado o argumento de <em>complementação</em> para áreas expressamente <em>non-aedificandi </em>do Plano Piloto tombado.</p>
<p align="justify">Coincidentemente, o também diretor da UnB – do Instituto de Ciências Sociais, Gustavo Lins Ribeiro, se manifestou por escrito no <em>Correio Braziliense</em> no mesmo dia, no ponderado e imparcial texto <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/01/30/cavalos-de-troia/"><em>Cavalos de Tróia</em></a>,<a name="_ftnref37_9037" href="#_ftn37_9037">[37]</a> em que igualmente reforçava os valores originais do Plano Piloto e da Esplanada, a serem preservados.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090128-soberania-cb.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3637" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="Niemeyer na trincheira" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090128-soberania-cb.jpg?w=300&#038;h=300" alt="Niemeyer na trincheira" width="300" height="300" /></a>Esta edição do <em>Correio</em>, por outro lado, parecia dar a entender que Niemeyer não apenas se sentia pessoalmente agredido, como também protegido pelas muralhas de sua história, de sua competência e sobretudo de seus amigos, mas não necessariamente com as armas da razão: <em>Niemeyer na trincheira: “não abro mão”</em>,<a name="_ftnref38_9037" href="#_ftn38_9037">[38]</a> estampava a capa do jornal em letras garrafais. O arquiteto afirmava: <em>Eu me sinto muito apoiado pelos meus amigos, de modo que vou continuar. Estou numa trincheira e não abro mão. Sou um arquiteto, com um trabalho feito.</em><a name="_ftnref39_9037" href="#_ftn39_9037">[39]</a> Realmente, na mesma reportagem, assinada pelo jornalista Raphael Veleda, Cláudio Queiroz vinha mais uma vez em defesa do projeto, agora articulando um discurso sobre a obra propriamente dita. Para Queiroz, a inclinação do obelisco seria suficiente para torná-lo menor que o Congresso Nacional quando visto a partir da Plataforma Rodoviária. Seria um <em>truque arquitetônico, um toque só alcançado por gênios como o Oscar</em>.</p>
<p align="justify">Ironicamente, é nesta matéria que um dos amigos de Niemeyer se manifesta contra o projeto da praça. A crítica vinha do arquiteto Carlos Magalhães,<a name="_ftnref40_9037" href="#_ftn40_9037">[40]</a> representante oficial de Niemeyer em Brasília e, juntamente com Fernando Andrade, um dos responsáveis pelo seu escritório local. Magalhães, talvez justificadamente desejoso de que a polêmica tivesse fim, disparava: <em>O Oscar é muito grande para se submeter a essa bobagem. Ele tem que compreender que Brasília não é mais dele e está se defendendo sozinha. </em>O desenrolar dos fatos nos dias seguintes demonstraria que a apreensão de Magalhães procedia.</p>
<p align="justify">A esta altura do debate, os diversos envolvidos já davam entrevistas a emissoras de rádio e televisão, reforçando seus pontos de vista. Enquanto a professora Sylvia Ficher insistia no telenoticiário local que as obras públicas deveriam ser realizadas por meio de concurso público, Cláudio Queiroz seguia tentando explicar o <em>truque arquitetônico</em> de Oscar. Entretanto, o foco do debate havia sido definitivamente deslocado para a questão do patrimônio histórico e artístico, e a próxima rodada se concentraria no detalhamento deste tema. Os tradicionais defensores e detratores do projeto de Brasília eram unânimes em concordar que a praça não estava de acordo com os princípios fundadores da cidade, conforme tombada pela Unesco em 1987, a divergência passaria a ser agora acerca da propriedade ou não da alteração por um de seus supostos autores.</p>
<p align="justify">A campanha do <em>Correio</em> prosseguia, e no dia seguinte o assunto novamente seria manchete: <em>Debate sobre praça chega ao Planalto.</em><a name="_ftnref41_9037" href="#_ftn41_9037">[41]</a><em> </em>Segundo o jornal, o governador levaria o assunto ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, em reunião entre os dois agendada para o dia 6 de fevereiro – duas semanas em seguida. A discussão político-ideológica esteve sempre margeando o debate sobre a Praça da Soberania. Não apenas o <em>fato político</em> em si de uma obra de vulto como esta junto ao centro de decisões do país, mas também o engajamento político do comunista Niemeyer e sua relação pessoal com dirigentes de ideologia diversa. De fato, conhecedor do <em>capital simbólico</em> de seu afeto, Niemeyer sempre retribuiu com amizade a generosidade dos gestores em convidá-lo a projetar – pelo menos em entrevistas a jornais. Assim, não apenas Juscelino Kubitschek foi seu <em>amigo</em>, mas também o foram o governador de São Paulo, Orestes Quércia – que lhe encomendou o Memorial da América Latina –, e o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz – responsável pela encomenda do Setor Cultural Sul. Agora o governador José Roberto Arruda e o Secretário de Cultura Silvestre Gorgulho eram tratados por <em>amigos </em>nas entrevistas ao <em>Correio. </em>O <em>amigo</em> Arruda entretanto parecia não retribuir a confiança do arquiteto, deixando-o sozinho no debate sobre a Praça.</p>
<p align="justify">Questionado sobre a <em>aprovação instantânea </em>do projeto de Niemeyer no escritório de Copacabana, José Roberto Arruda já declarara em entrevista à Secretaria de Comunicação da UnB, na segunda-feira,<a name="_ftnref42_9037" href="#_ftn42_9037">[42]</a> que o GDF não dispunha de previsão orçamentária para a execução do projeto da Praça da Soberania. Agora desejava compartilhar o ônus político pela obra grandiosa com o presidente Lula – que, segundo Niemeyer, havia encomendado o <em>Memorial dos Presidentes. </em>No dia seguinte, entretanto, o Palácio do Planalto negaria a presença do assunto na pauta da reunião.</p>
<p align="justify">Outro aspecto de fundo político dizia respeito à ideologia do próprio arquiteto, considerado <em>figura histórica</em> do PCB. Niemeyer é de uma geração antiga do <em>Partidão </em>de defesa do comunismo do sentido <em>lato</em>, cujos valores hoje talvez soem ingênuos. Para alguns dessa geração, a construção de monumentos públicos de acesso livre à população é um ato de socialização da construção civil, é a construção de edifícios para o povo.<a name="_ftnref43_9037" href="#_ftn43_9037">[43]</a></p>
<p align="justify">Talvez esta lente seja a única pela qual seja possível compreender não apenas os argumentos vindouros de Niemeyer para justificar a Praça da Soberania, mas também a posição de outros defensores de mesma estirpe, como Frank Svensson, que assim <a title="Ler o comentário" href="http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/#comment-158">comentou o texto</a> de Sylvia Ficher na <em>revista mdc</em>: <em>Para mim a preocupação de fundo de Oscar Niemeyer, arquiteto engajado politicamente, é de como afirmar arquitetonicamente a atualíssima questão da soberania nacional! Para quem não desposa desse engajamento é compreensivel que os valores e critérios de julgamento sejam outros.</em><a name="_ftnref44_9037" href="#_ftn44_9037">[44]</a> Esta <em>afirmação de Soberania</em>, entretanto, manifestada logo após a já mencionada publicação de um texto indulgente a Joseph Stálin, não foi vista com bons olhos não apenas por arquitetos, mas pela população em geral e por jornalistas como Elio Gaspari.</p>
<p align="justify">Para estas pessoas, especialmente sensibilizadas pela força do <em>chavismo</em> na América Latina, a Praça da Soberania era mais uma expressão de totalitarismo – acusação frequentemente feita à Esplanada dos Ministérios e à Praça dos Três Poderes – que um espaço para o povo. Com esse cenário político de fundo compreendem-se os motivos da grande abrangência de uma polêmica, em princípio, arquitetônica: tratava-se tanto de um ato de revolta contra as arbitrariedades do governo populista local, quanto um ato de repúdio político à recente defesa de Stálin feita pelo arquiteto.</p>
<p align="justify">Se nesse dia o viés político da reportagem do <em>Correio</em> parecia desviar o debate para este campo, na mesma página constava um artigo de outro ex-colaborador de Oscar Niemeyer que também frequentara as esferas do patrimônio brasiliense. Nada menos que o redator do decreto de tombamento do Plano Piloto: Ítalo Campofiorito.</p>
<p align="justify">Num breve texto intitulado <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/01/quando-o-novo-nao-desfigura-o-moderno/"><em>Quando o novo não desfigura o moderno</em></a>,<a name="_ftnref45_9037" href="#_ftn45_9037">[45]</a> Ítalo fazia uma repreensão às autoridades do patrimônio que haviam se manifestado a respeito do assunto, argumentando que somente a decisão do Conselho Consultivo do IPHAN – órgão máximo do Instituto – poderia constituir parecer definitivo do mesmo sobre o assunto. Ítalo, entretanto, não se furtava a apresentar um argumento de autoridade no texto – sintonizando-se assim com as demais argumentações em favor da Praça. O arquiteto explicava que na legislação de preservação de Brasília <em>se vedam construções no “canteiro central verde”, na intenção óbvia de evitar futuras edificações espúrias que prejudicassem a integridade visual e artística da Sede do Congresso. Posso testemunhar da intenção, já que a redação em pauta copia a do decreto, que é de minha lavra.</em></p>
<p align="justify">Houvesse sido concluída neste ponto, a polêmica em torno à Praça da Soberania talvez não houvesse afetado a visão que os brasilienses e arquitetos guardavam de Oscar Niemeyer e de seus projetos. O arquiteto se notabiliza há tempos tanto pelo hábito de interferir em espaços cívicos com ousadia quanto pelo absoluto descaso pela preservação de sua própria obra. Ele ainda é Oscar Niemeyer: <em>o mais fecundo inventor de formas de nossa arquitetura, o inesgotável improvisador de soluções, o ‘playboy’ endiabrado</em><a name="_ftnref46_9037" href="#_ftn46_9037">[46]</a><em> </em>com uma experiência profissional inigualável no mundo<em>. </em>Levar o tema da Praça para a discussão nas altas esferas de órgãos de preservação possivelmente implicaria em sua aprovação – se nela se empenhasse o arquiteto tão influente no IPHAN. E com o tempo a população certamente se acostumaria à nova leitura que a Praça da Soberania ofereceria da Esplanada.</p>
<p align="justify">A campanha do <em>Correio Braziliense</em>, entretanto, demandava novas manchetes e mais combustível para a polêmica. No dia seguinte, a manchete do jornal estampava uma frase de Niemeyer: <em>“A briga está boa”</em>.<a name="_ftnref47_9037" href="#_ftn47_9037">[47]</a> O texto publicado nesta edição de 30 de janeiro seria o primeiro de uma série de declarações do arquiteto que refletiam ou uma profunda desarticulação de idéias ou uma intenção clara de alteração no modo de se pensar o patrimônio arquitetônico e urbanístico de Brasília.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090130-soberania-cb.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3641" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="A briga está boa" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090130-soberania-cb.jpg?w=300&#038;h=300" alt="A briga está boa" width="300" height="300" /></a>O título – <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/04/uma-explicacao-necessaria/"><em>Uma explicação necessária</em></a><a name="_ftnref48_9037" href="#_ftn48_9037">[48]</a>- dá a entender que se trata do tradicional texto arrazoado homônimo que acompanhava os projetos de arquitetos da geração de Niemeyer. O arquiteto pouco explica de seu projeto, no entanto. Primeiramente, deixa claro que se trata de uma encomenda do <em>Correio</em>, que insiste para que ele <em>escreva alguma coisa sobre essa celeuma que está ocupando este jornal. </em>Logo, Niemeyer evoca as defesas que solicitara a Ítalo Campofiorito, Lelé e Glauco Campello, e estabelece um <em>diálogo socrático – </em>recurso caro ao arquiteto desde a década de 1970 – como se um amigo lhe pedisse para comentar o Plano Piloto, <em>dividido entre pobres e ricos. Os primeiros em seus apartamentos confortáveis ligados às escolas, ao comércio local, como convém; os outros, mais de três milhões de brasileiros, esquecidos pelas cidades-satélites sem escolas, postos de saúdes e as áreas de recreio indispensáveis.</em></p>
<p align="justify">Era o discurso do comunista que voltava à tona. À primeira vista, a colocação parecia fora de lugar – afinal, Oscar não deixara claro em que a Praça da Soberania contribuiria para a redução das desigualdades. A já mencionada visão<em> popular </em>que Niemeyer tem da construção de monumentos, entretanto, torna coerente o discurso. Em seguida, Oscar se lançava ao auto-elogio ao falar da importância e visibilidade que suas obras têm no exterior. Por fim, Niemeyer afirma ter sugerido ao <em>amigo </em>Silvestre Gorgulho a criação de uma <em>comissão de arquitetos da melhor categoria que se incumbisse dos problemas da arquitetura e do urbanismo desta cidade, encaminhando as soluções que lhes pareçam mais justas e necessárias. </em></p>
<p align="justify">Neste momento, o arquiteto parecia não tomar conhecimento da existência do já mencionado Conplan, órgão encarregado de tratar das questões urbanísticas do Distrito Federal. Embora Sylvia Ficher e Jorge Guilherme Fancisconi dele fizessem parte, era público e notório que se tratava de um colegiado formado majoritariamente de membros do governo, e por <em>representantes da sociedade civil</em> indicados pelo próprio governador, que submetiam suas decisões ao Secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio-Ambiente, a quem cabia acatá-las ou não. Niemeyer parecia ignorar também a sugestão de seu amigo Ítalo Campofiorito, de tratar da querela no Conselho Consultivo do IPHAN. A sugestão de Niemeyer desqualificava não apenas a competência de seus críticos, mas também os órgãos que poderiam jogar a seu favor.</p>
<p align="justify">A mesma página do jornal trazia uma reportagem introduzindo o tema e mencionando cautelosas declarações do ex-presidente do IAB-DF Otto Ribas, para quem o problema não seria a construção da praça, mas do obelisco. Trazia ainda um curto texto do Instituto Histórico e Geográfico do DF – assinado por ninguém menos que o ex-diretor da Novacap, Ernesto Silva. Juntamente a Affonso Heliodoro Santos, o pioneiro ressaltava a contrariedade da proposta de Niemeyer ao Plano Piloto original tombado, motivo pelo qual o IHG-DF era contrário a sua execução.<a name="_ftnref49_9037" href="#_ftn49_9037">[49]</a></p>
<p align="justify">No dia seguinte, sábado, o ritmo frenético do <em>Correio </em>parecia haver esgotado a produção recente de novas manifestações qualificadas sobre a questão da Praça da Soberania. Mas isso não significava o abandono do tema. Ao contrário, a jornalista Graça Ramos oportunamente usou-o para trazer à tona uma antiga proposta do paisagista Roberto Burle-Marx para a Esplanada.<a name="_ftnref50_9037" href="#_ftn50_9037">[50]</a> No projeto, em lugar do gramado constava uma espécie de parque, com lagos, pontes e árvores. Embora se tratasse de proposta evidentemente descabida no contexto atual, Graça Ramos aproveitava o ensejo para relembrar que no ano de 2009 seria celebrado o centenário do paisagista, e que diversos eventos e publicações marcariam a efeméride. A edição do jornal trazia ainda trechos de uma entrevista com Maria Elisa Costa,<a name="_ftnref51_9037" href="#_ftn51_9037">[51]</a> que reforçava os pontos de vista expressados na carta a Oscar, anteriormente publicada. Para a urbanista, o monumento poderia ser implantado em outro lugar, e não na Esplanada. A partir do diagnóstico social de Niemeyer no artigo anterior, ela sugeria Taguatinga – centro demográfico do Distrito Federal – como local apropriado.</p>
<p align="justify">No dia seguinte, Niemeyer publicaria seu terceiro texto sobre a Praça, intitulado pelo jornal de <em><a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/04/contraste-incomodo/">Contraste incômodo</a>.</em><a name="_ftnref52_9037" href="#_ftn52_9037">[52]</a><em> </em>Nele, o arquiteto refutava a possibilidade de realizar o monumento ou a praça em outros lugares e insistia, evocando até mesmo a memória de Juscelino Kubitschek, que a demanda e a decisão de construir eram do governador. Com esta manobra, Niemeyer transferia para Arruda o ônus político e o bônus popular da realização do projeto e da obra. Reforçava ainda o pedido de criação de uma <em>comissão de notáveis</em> para avaliação do desenvolvimento urbano da cidade, com a qual ele daria<em> por bem-sucedida esta luta.</em> Mas Arruda já se havia entrincheirado ele mesmo na evasiva da questão orçamentária, deixando o arquiteto sozinho.<a name="_ftnref53_9037" href="#_ftn53_9037">[53]</a></p>
<p align="justify">O <em>Correio</em> começaria então a dar mostras de incapacidade de gerar matérias sobre o tema no mesmo ritmo que antes. Numa pequena reportagem,<a name="_ftnref54_9037" href="#_ftn54_9037">[54]</a> a jornalista Nahima Maciel extraia de Cláudio Queiroz a declaração talvez mais jocosa de todo o debate, ao sugerir que fosse, de fato, criada a comissão sugerida por Niemeyer, e que seus integrantes fossem Glauco Campello, Ítalo Campofiorito e Lelé. Na mesma página, o advogado Reginaldo de Castro apresentava argumentos jurídicos para demonstrar,<a name="_ftnref55_9037" href="#_ftn55_9037">[55]</a> citando como norma um texto de Glauco Campello, a viabilidade legal da execução da Praça da Soberania, conforme proposta por Niemeyer.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090202-fsp-soberania.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3638" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="Tombamento de Brasília é uma besteira" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090202-fsp-soberania.jpg?w=300&#038;h=246" alt="Tombamento de Brasília é uma besteira" width="300" height="246" /></a>O elemento de choque desta segunda-feira, 2 de fevereiro, entretanto, não estaria no <em>Correio</em>, mas novamente na <em>Folha de S.Paulo</em>. O jornal paulista trazia uma entrevista exclusiva com Oscar Niemeyer, realizada no domingo por Denise Menchen.<a name="_ftnref56_9037" href="#_ftn56_9037">[56]</a> O título atribuía a Niemeyer uma frase não encontrada na entrevista:”<em>Tombamento de Brasília é uma besteira.” </em>O arquiteto colocaria em desfile vários dos temas e máximas recorrentes em seus textos ao longo de mais de setenta anos de carreira, mas sem conseguir concatená-los com a coerência de costume. E iniciaria seu discurso – antes de qualquer pergunta do jornalista – criticando a desigualdade social de Brasília, segundo seu entendimento refletida na exclusão dos pobres do Plano Piloto. Entretanto, quando perguntado sobre a relação da Praça da Soberania com a solução do problema da desigualdade, o arquiteto diria que a ela era <em>indispensável</em>, por faltar a Brasília <em>uma praça importante, como em todas as cidades do mundo existe</em>. Ao ser questionado sobre a alteração no Plano Piloto representada pela obra, o arquiteto afirmava que <em>ali é o lugar certo, não está perturbando nada.</em> Em dois momentos, Niemeyer se justifica pela sua própria importância e pela importância de seus defensores (Italo, Glauco, Lelé, Jayme Zettel). Se a defesa com evasivas e argumentos de autoridade decepcionava, os ataques do arquiteto na entrevista surpreenderiam. Inicialmente, Niemeyer atacava o tombamento da cidade (o mesmo tombamento que lhe garantia a contratação por <em>notória especialização</em>): <em>uma cidade não pode ser tombada porque sempre aparecem modificações.</em> Em seguida, atacaria a Plataforma Rodoviária, projeto de Lucio Costa constante já Plano Piloto original, que articula o cruzamento entre os Eixos Monumental e Rodoviário: <em>a rodoviária não é um prédio importante. O que caracteriza Brasília são os palácios. </em>É desnecessário assinalar que o ataque de Niemeyer à cidade e ao seu tombamento não contariam a seu favor perante a opinião pública. Mais que isso, afirmar que a cidade mais monumental do país carece de uma praça monumental soava no mínimo curioso. Afinal, apenas no Eixo Monumental, há a Praça do Buriti, a praça da Torre de Televisão, as praças elevadas da própria Plataforma Rodoviárias e, evidentemente, a Praça dos Três Poderes. Além disso, Brasília possui praças gigantescas projetadas por Burle-Marx praticamente em desuso, como a Praça de Portugal – junto ao Setor de Embaixadas – e a Praça Duque de Caxias – no Setor Militar Urbano. A entrevista havia, ao fim e ao cabo, encurralado o arquiteto contra seus próprios argumentos.</p>
<p align="justify">Enquanto isso, no mesmo dia, o arquiteto e ex-professor da FAU-UnB, Ricardo Farret, publicava na <em>revista mdc</em> o pequeno texto <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/02/espaco-publico-e-imaginario-social/"><em>Espaço público e imaginário social</em></a>,<a name="_ftnref57_9037" href="#_ftn57_9037">[57]</a> em que comentava o surpreendente desenrolar público do debate, relembrava polêmicas análogas que ele mesmo tivera a oportunidade de travar com Oscar Niemeyer (quando da reforma da Catedral Metropolitana de Brasília), e sobretudo apontava para o fato de que <em>o Governo do Distrito Federal está se especializando em apresentar propostas urbanísticas por meio da imprensa, sem que se saiba as suas razões e grau de prioridades. Estão aí o Plano Lerner, a retomada do Projeto Orla, para citar só dois exemplos.</em> A oportuna lembrança de Farret trazia à tona um dos problemas mais prementes na preservação do Plano Piloto de Brasília: a ausência de um Plano Diretor ou de um Plano de Preservação claro.<a name="_ftnref58_9037" href="#_ftn58_9037">[58]</a></p>
<p align="justify">As respostas à entrevista de Niemeyer começaram a vir à tona no dia 4 de fevereiro. A <em>revista mdc</em> publicou em sua seção <em>Ensaio e Pesquisa </em>o texto de Andrey Schlee <em><a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/04/a-praca-do-maquis/">A praça do ‘maquis’</a>.</em><a name="_ftnref59_9037" href="#_ftn59_9037">[59]</a><em> </em>Tratava-se de um trabalho escrito um ano e meio antes para apresentação em um seminário em que o pesquisador apresentava a Praça dos Três Poderes em seu desenho original de Lucio Costa – como platô construído frente à paisagem natural do cerrado –, bem como as origens deste desenho em fortificações e praças coloniais implantadas à beira do mar. Em seguida, demonstrava como as sucessivas adições de edifícios como o Panteão da Pátria, o anexo do STF e a Procuradoria-Geral da República vinham <em>liquidando com o cerrado e descaracterizando a praça</em>. A publicação do texto pela revista era claramente uma resposta à afirmativa de que a cidade necessitava de uma nova praça. Schlee publicou simultaneamente um novo texto de opinião, intitulado <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/04/nao-se-preocupe-em-entender/"><em>Não se preocupe em entender</em></a>,<a name="_ftnref60_9037" href="#_ftn60_9037">[60]</a> retornando a uma interpretação da Praça da Soberania e do Complexo Cultural da República como expressões de uma arquitetura concebida com <em>nada de detalhes, nada de filigranas</em> por razões puramente plásticas, artísticas. O pesquisador partia de um paralelo com as imagens dos quadros de De Chirico para evidenciar a aridez das plataformas de concreto carentes de paisagismo em Brasília, onde <em>as</em> <em>coisas estão dispensadas de lógica funcional e situadas no mágico sossego de seu isolamento</em>.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090204-cb-01.jpg"><img class="alignright size-large wp-image-3642" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="Niemeyer desiste da praça na Esplanada" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090204-cb-01.jpg?w=291&#038;h=491" alt="Niemeyer desiste da praça na Esplanada" width="291" height="491" /></a>As refinadas críticas de Andrey Schlee infelizmente ficariam apenas como registro histórico. O debate propriamente dito havia sido concluído na edição do <em>Correio Braziliense</em> daquele mesmo dia, com a manchete – sobre uma foto do arquiteto – ocupando toda a primeira página do jornal: <em>Niemeyer desiste da praça na esplanada.</em><a name="_ftnref61_9037" href="#_ftn61_9037">[61]</a> A <em>capitulação</em> foi publicada dentro de uma reportagem de Nahima Maciel,<a name="_ftnref62_9037" href="#_ftn62_9037">[62]</a> com o pequeno texto de Niemeyer intitulado <em><a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/04/decisao/">Decisão</a>.</em><a name="_ftnref63_9037" href="#_ftn63_9037">[63]</a> Nele, o arquiteto reafirmava seus argumentos em favor do projeto e relembrava a <em>solidariedade</em> de seus amigos, como Lelé.<em> </em>Em que pesasse a segurança em suas propostas Niemeyer lera<em> nos jornais que o governador José Roberto Arruda, por falta de verba e de tempo, reconhecia ser agora impossível realizar a construção da praça que tanto desejava. </em>Daí a desistência do debate. Em todo caso, <em>o projeto continuaria a ser desenvolvido normalmente, na esperança, quem sabe, de um dia a sua realização tornar a ser cogitada.</em> Entretanto, as declarações do governador não eram fato novo. Tudo leva a crer que a desistência certamente ocorrera em função da repercussão negativa da entrevista na <em>Folha.</em> Além disso, era um <em>alívio</em> para Niemeyer poder voltar a seus afazeres cotidianos.</p>
<p align="justify">Nos dias que se seguiram, muitos dos que vinham debatendo compartilharam do alívio com o fim do debate, elogiando no <em>Correio</em> a decisão do arquiteto. No dia 5 o jornal fez um apanhado de declarações dos envolvidos na querela.<a name="_ftnref64_9037" href="#_ftn64_9037">[64]</a> No dia seguinte, Maria Elisa Costa ainda reforçaria uma defesa talvez preparada na segunda-feira, afirmando que <em>a Esplanada já tem sua praça:</em> a plataforma Rodoviária.<a name="_ftnref65_9037" href="#_ftn65_9037">[65]</a> Um toque final de humor ainda foi acrescentado com a divulgação,<a name="_ftnref66_9037" href="#_ftn66_9037">[66]</a> no sábado 7 de fevereiro, de que o carnavalesco Joãosinho Trinta havia proposto a Niemeyer a realização de um <a title="Ler a notícia" href="http://mdc.arq.br/2009/02/07/esplanada-em-transe/">carro alegórico da Praça da Soberania</a>, a ser colocado em evolução da Escola de Samba Beija-Flor em 2010. No carro, todos os ex-presidentes ainda vivos seriam convidados a desfilar como destaques.</p>
<p align="justify">No domingo, dia 8 de fevereiro, foram ainda publicados no caderno de cultura do jornal <em>Estado de São Paulo</em> um texto de Hugo Segawa – provavelmente escrito antes do fim da polêmica – intitulado <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/09/por-um-olhar-desimpedido/"><em>Por um olhar desimpedido</em></a>,<a name="_ftnref67_9037" href="#_ftn67_9037">[67]</a> acompanhado por uma <a title="Ler a matéria" href="http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup320118,0.htm">entrevista do diplomata André Corrêa do Lago</a>. O historiador Segawa fazia uma retrospectiva histórica da Esplanada e da Plataforma Rodoviária, retomando seus valores fundamentais, expressados na legislação vigente do patrimônio, concluindo que <em>se a Praça da Soberania viesse a soerguer-se no local originalmente planejado, o viajante não mais vislumbraria o eixo monumental. Veria a fachada envidraçada do Memorial dos Presidentes.</em> A entrevista do diplomata Corrêa do Lago,<a name="_ftnref68_9037" href="#_ftn68_9037">[68]</a> permeada pelo mesmo espírito encomiástico que vinha dominando as matérias realizadas após a <em>decisão</em> de Niemeyer, continha uma sentença premonitória: <em>os gênios jamais jogam a toalha.</em><strong> </strong></p>
<p align="justify">Salvo manifestações esporádicas já fora do calor da disputa, pouco se falaria da Praça da Soberania nos meses seguintes. A pedido dos editores da <em>revista mdc</em>, Cláudio Queiroz escreveria um arrazoado sobre a praça, intitulado <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/02/17/a-praca-da-soberania-assertivas/"><em>Praça da Soberania &#8211; assertivas</em></a>,<a name="_ftnref69_9037" href="#_ftn69_9037">[69]</a> explicando suas declarações feitas em entrevistas durante o debate. Para Queiroz, o projeto era um <em>gesto finalístico </em>destinado a promover <em>a restauração da própria Esplanada e de suas principais visuais</em>, em que a própria verticalidade das torres do Congresso estariam <em>intimidadas, em presença das principais edificações dos setores bancários e hoteleiros</em>. O obelisco cumpriria ainda a função de <em>restaurar</em>, por <em>contraste arquitetônico</em> a <em>volumetria do centro cívico face a linearidade elegante da Rodoviária </em>restabelecendo <em>a totalidade urbana, anteriormente marcante, pela ligação virtual com a Torre de TV, cuja expressão, valor e significado diluíram-se, após a evolução conclusiva dos setores hoteleiros e bancário.</em></p>
<p align="justify">Mas Niemeyer voltara a seus afazeres: realizava novos projetos, acompanhava as obras em andamento – sobretudo as de Niterói – e organizara mais um livro com uma coletânea de seus trabalhos recentes, a ser lançado na galeria de sua filha, Ana Maria, no final de maio. Um pouco antes do lançamento, o arquiteto gentilmente convidou os professores e estudantes da UnB para realizar uma visita às obras de Niterói, onde ele daria uma palestra sobre seu trabalho. O convite, feito por João Filgueiras Lima, foi aceito pelos acadêmicos, que no dia 29 de maio eram recebidos por Niemeyer no <em>Caminho </em>que leva o seu nome na cidade fluminense.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/05/soberania-perspectiva-1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2673" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="Soberania-Perspectiva-1" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/05/soberania-perspectiva-1.jpg?w=300&#038;h=149" alt="Soberania-Perspectiva-1" width="300" height="149" /></a>No final da palestra, Niemeyer apresentou seu projeto para a Praça da Soberania, na verdade nada menos que <a title="Ver a notícia" href="http://mdc.arq.br/2009/05/29/oscar-niemeyer-propoe-segundo-projeto-para-a-praca-da-soberania/">uma nova proposta</a>, também era publicada na edição do Correio Braziliense daquele dia com a manchete <em>Niemeyer muda Praça da Soberania.</em><a name="_ftnref70_9037" href="#_ftn70_9037">[70]</a> No projeto, o obelisco, com a mesma forma mas com cinquenta metros a menos, ficava deslocado do eixo da Esplanada. O <em>Memorial do Cinquentenário</em> e o <em>Memorial dos Presidentes</em> eram deslocados para as laterais do canteiro central dois blocos longitudinais – um curvo, com uma marquise, e outro reto, elevado sobre pilotis. Na mesma semana ainda havia sido lançado o quarto número da revista <em>Nosso Caminho,</em> que Niemeyer e sua esposa vinham editando desde 2008, em que o arquiteto publicava a nova versão do projeto.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/05/soberania-perspectiva-2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2675" style="border:0 none;" title="Soberania-Perspectiva-2" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/05/soberania-perspectiva-2.jpg?w=700" alt="Soberania-Perspectiva-2"   /></a></p>
<p align="justify">No dia seguinte, o <em>Correio Braziliense </em>publicava uma matéria de uma página sobre a visita do grupo da UnB ao Rio no dia da apresentação do projeto.<a name="_ftnref71_9037" href="#_ftn71_9037">[71]</a> Uma foto, de autoria do Secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, mostrava os estudantes e professores em volta do arquiteto, e o texto jornalístico de Diego Amorim e Gizella Rodrigues – com títulos como <em>A praça não interfere no Plano Piloto </em>e <em>Espaço a ser completado</em> – dava a entender que havia consenso sobre o a nova proposta. Aos olhos da opinião pública, o projeto teria obtido a aprovação de alguns de seus maiores críticos: os professores da UnB. Era uma verdadeira <em>ação coordenada</em> de Niemeyer para apresentar e aprovar publicamente seu projeto quatro meses após o fim da polêmica inicial.</p>
<p align="justify"><a href="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090530-soberania-cb.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3639" style="border:0 none;margin-left:10px;margin-right:10px;" title="A praça não interfere no Plano Piloto" src="http://revistamdc.files.wordpress.com/2009/10/090530-soberania-cb.jpg?w=300&#038;h=300" alt="A praça não interfere no Plano Piloto" width="300" height="300" /></a>O texto explicativo que acompanhava o projeto não foi publicado no jornal, embora estivesse exposto na galeria de Ana Maria Niemeyer no Rio de Janeiro. Seu título, não menos afirmativo, era: <em>Uma modificação irrecusável.</em> Nele, o arquiteto explicava como havia alterado o projeto em função das críticas recebidas, conforme ele mesmo dava a entender em sua entrevista no <em>Correio: Encontrei uma forma de conduzir melhor o trabalho. Coincidentemente, alguns pontos correspondem à questão de visibilidade que eles (arquitetos que criticaram o projeto) tanto defenderam.</em>Tudo indicava que o debate seria reacendido, caso o próprio governador José Roberto Arruda não houvesse colocado uma pá de cal no assunto. No dia 31 de maio, domingo, na capa do <em>Correio </em>constava a nota<em>:</em> <em>governador diz que, por falta de recursos, obra não será construída na sua gestão.</em><a name="_ftnref72_9037" href="#_ftn72_9037">[72]</a></p>
<p align="justify">Não obstante, dez dias depois o presidente do IAB-BA, Paulo Ormindo Azevedo – referência nacional na área de patrimônio histórico – publicaria na <em>revista mdc</em> o texto intitulado <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/06/10/niemeyer-nao-dorme-nos-louros/"><em>Niemeyer não dorme nos louros&#8230;</em></a><a name="_ftnref73_9037" href="#_ftn73_9037">[73]</a> Para Azevedo, a reação crítica à proposta de Niemeyer fora<em> movida em grande parte por uma dissimulada “oscar-jeriza”</em>. O arquiteto fazia coro com Cláudio Queiroz, classificando a obra de <em>um </em><em>complemento e uma correção, </em>e traçando um paralelo entre o obelisco do cinqüentenário e o monumento a George Washington, no <em>mall </em>da capital norte-americana. Azevedo desloca ainda o problema da área do patrimônio histórico, afirmando que, <em>se nas décadas de 1940 a 1960 tivéssemos a burocracia preservacionista que temos hoje no plano federal e estadual, não seria construída a Pampulha.</em></p>
<p align="justify">Na semana seguinte, também na <em>revista mdc</em>, o arquiteto e pesquisador da FAU-UnB, Eduardo Rossetti, publicaria na <em>revista mdc</em> o último texto especializado de que temos notícia sobre o assunto, intitulado <a title="Ler o artigo" href="http://mdc.arq.br/2009/06/17/oscar-niemeyer-alem-da-cronica-de-uma-praca-anunciada/"><em>Oscar Niemeyer além da crônica de uma praça anunciada</em></a>.<a name="_ftnref74_9037" href="#_ftn74_9037">[74]</a> Rossetti parte de um breve histórico sobre a polêmica da praça, para concluir que, ao fazer uma nova proposta, o arquiteto simplesmente fizera questão de dar <em>a última palavra</em> sobre o assunto. A partir da praça, era feita então uma avaliação panorâmica da produção recente de Niemeyer, com programas cada vez maiores e mais complexos e soluções mais simples, em que <em>Niemeyer assinala a permanência de suas estratégias projetuais, especulando, depurando, reforçando e ampliando o seu reconhecido repertório formal.</em> Para Rossetti, entretanto, a ênfase na questão formal era um reducionismo em si mesma, concluindo que <em>em meio às decisões excludentes e às subordinações que regem o ato de projetar — ou seja, elaborar a invenção arquitetônica — a forma continua a ser a questão fundamental que Oscar Niemeyer propõe e deixa a todo o campo, para além da crônica de uma praça anunciada, efetivamente</em>.<em> </em></p>
<p align="justify">Os demais polemistas entretanto pareciam ter acompanhado a declaração de Sylvia Ficher sobre o assunto: <em>Não faz mais sentido eu ficar dando opinião, dizendo se o projeto é bom ou ruim, se melhorou ou piorou. Quem tem que decidir se vai ou não fazer é o Iphan e o GDF.</em><a name="_ftnref75_9037" href="#_ftn75_9037">[75]</a><em> </em>De fato, o debate aparentemente retornou para as esferas da arquitetura e da Administração Pública. Até o presente momento, em todo caso, não se tem notícia de qualquer encaminhamento do projeto para avaliação pelos órgãos de patrimônio.</p>
<p align="justify">A rigor, o debate sobre a Praça da Soberania evidenciou o longo caminho a ser percorrido pelo campo arquitetônico brasileiro até que se possa realizar um debate público efetivo sobre seus valores. O primeiro problema foi a dificuldade em definir o que deveria ser discutido. A questão das contratações de projetos de obras públicas sem licitação ou concurso – o cerne da crítica inicial de Sylvia Ficher – parece continuar sendo um tabu no campo da arquitetura.</p>
<p align="justify">Um segundo problema aparente é a incompreensão generalizada em nosso meio sobre os processos de contratação da Administração Pública, e frequentemente em debates sobre o tema os argumentos passam pelo viés do juízo de valor pessoal sobre a qualidade da obra do arquiteto ou dos arquitetos em questão. O personalismo, os privilégios e idolatrias herdados dos oligopólios coloniais parecem persistir entre nós mesmo no trato da coisa pública. E mesmo ao discutir valores que, até por uma questão de autonomia de campo, deveriam ser tratados de maneira sistemática, arrazoada e demorada, os arquitetos e gestores públicos preferem arriscar-se a declarar publicamente suas opiniões particulares imediatas sobre temas em que deveriam se manifestar como técnicos e como administradores do espaço público – mais que como políticos.</p>
<p align="justify">Em todo caso, é através da prática saudável do debate público, como o que teve início na Praça da Soberania – e não das negociatas a portas fechadas – que se pavimenta o caminho necessário para a construção de um campo arquitetônico mais republicano e de arquitetos mais envolvidos com sua própria cidadania que com questões endógenas. Esperamos todos que este tenha sido apenas o início de uma série de discussões que podem passar a ter lugar a cada grande obra pública. Os meios de comunicação estão abertos para isso e a população está desejosa de discutir a construção de suas cidades. Resta saber da disposição dos arquitetos para o debate.</p>
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<hr size="1" /></div>
<h3><strong>notas</strong></h3>
<p align="justify"><a name="_ftn1_9037" href="#_ftnref1_9037">[1]</a> Texto apresentado em setembro de 2009 no 8º Seminário Docomomo Brasil, na mesa <em>Brasília: cidade real, cidade tombada, </em>objetivando realizar uma síntese da polêmica, dando a conhecer ao público nacional o seu desenrolar local.</p>
<p align="justify"><a name="_ftn2_9037" href="#_ftnref2_9037">[2]</a> Miranda, “Novo marco na esplanada.” e Macedo, “Brasília: Oscar Niemeyer projeta nova praça na Esplanada dos Ministérios.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn3_9037" href="#_ftnref3_9037">[3]</a> Mader, “Novo bairro aproveita lições do laboratório &#8211; Entrevista: Paulo Zimbres.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn4_9037" href="#_ftnref4_9037">[4]</a> Mader, “Presente verde.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn5_9037" href="#_ftnref5_9037">[5]</a> Toscano, “Começa em 15 dias obra da nova rodoviária.” e Reis, “Terminal Rodoviário de Brasília.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn6_9037" href="#_ftnref6_9037">[6]</a> Campos, “Complexo substituirá o Buritinga em 2009.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn7_9037" href="#_ftnref7_9037">[7]</a> Naves, “Sinal Verde.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn8_9037" href="#_ftnref8_9037">[8]</a> Correio Braziliense, “A capital do futebol.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn9_9037" href="#_ftnref9_9037">[9]</a> Niemeyer, <em>As curvas do tempo</em>, 111.</p>
<p align="justify"><a name="_ftn10_9037" href="#_ftnref10_9037">[10]</a> IPHAN, <em>Portaria n.314, de 08 de outubro de 1992</em> (Art.8º, §3º)</p>
<p align="justify"><a name="_ftn11_9037" href="#_ftnref11_9037">[11]</a> Ficher, “Oscar Niemeyer e Brasília : criador versus criatura.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn12_9037" href="#_ftnref12_9037">[12]</a> Ficher, “Oscar Niemeyer e Brasília : criador versus criatura.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn13_9037" href="#_ftnref13_9037">[13]</a> Gaspari, “A praça da soberania de Niemeyer.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn14_9037" href="#_ftnref14_9037">[14]</a> Niemeyer, “Quando a verdade se impõe.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn15_9037" href="#_ftnref15_9037">[15]</a> Holanda, “A praça do espanto.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn16_9037" href="#_ftnref16_9037">[16]</a> Magalhães acabara de concluir um mestrado sobre a obra de um dos colaboradores de Niemeyer: o arquiteto Milton Ramos.</p>
<p align="justify"><a name="_ftn17_9037" href="#_ftnref17_9037">[17]</a> Magalhães, “Pela soberania do vazio.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn18_9037" href="#_ftnref18_9037">[18]</a> Freitas, “Niemeyer versus Niemeyer.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn19_9037" href="#_ftnref19_9037">[19]</a> Cf. <a href="http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/#comment-56">http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/#comment-56</a></p>
<p align="justify"><a name="_ftn20_9037" href="#_ftnref20_9037">[20]</a> Ouroussoff, “Even if his own work isn’t broken, a brazilian architect fixes it.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn21_9037" href="#_ftnref21_9037">[21]</a> Francisconi e Ficher, “Verso e reverso em Niemeyer.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn22_9037" href="#_ftnref22_9037">[22]</a> Niemeyer, “A nova praça para Brasília.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn23_9037" href="#_ftnref23_9037">[23]</a> Campos, “Mensagem ao arquiteto Oscar Niemeyer.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn24_9037" href="#_ftnref24_9037">[24]</a> Campello, “Praça da Soberania.” e Campello, “A Praça de Niemeyer em Brasília.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn25_9037" href="#_ftnref25_9037">[25]</a> Correio Braziliense, “Praça na Esplanada inflama Brasília.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn26_9037" href="#_ftnref26_9037">[26]</a> Freitas, “Soberana Brasília.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn27_9037" href="#_ftnref27_9037">[27]</a> Freitas, “Niemeyer, 101 anos, 66 obras.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn28_9037" href="#_ftnref28_9037">[28]</a> Freitas, “Concepções divergentes.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn29_9037" href="#_ftnref29_9037">[29]</a> Costa, “Carta de Maria Elisa Costa a Oscar Niemeyer.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn30_9037" href="#_ftnref30_9037">[30]</a> Para desenvolvimento deste tema, Cf. Pessoa, “Brasília e o tombamento de uma idéia.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn31_9037" href="#_ftnref31_9037">[31]</a> Macedo, “Projeto da Praça da Soberania será investigado pelo Ministério Público.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn32_9037" href="#_ftnref32_9037">[32]</a> Carvalho, “Projeto de praça de Niemeyer para Brasília é ilegal, diz Iphan.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn33_9037" href="#_ftnref33_9037">[33]</a> IPHAN, <em>Portaria n.314, de 08 de outubro de 1992</em> (art.3º, V)</p>
<p align="justify"><a name="_ftn34_9037" href="#_ftnref34_9037">[34]</a> Lima, “Mais uma obra-prima.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn35_9037" href="#_ftnref35_9037">[35]</a> Cf. Niemeyer, “Criticada a arquitetura brasileira : fala Oscar.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn36_9037" href="#_ftnref36_9037">[36]</a> Schlee, “De obeliscos e espetos ou &#8216;Para se espantar e curtir&#8217;.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn37_9037" href="#_ftnref37_9037">[37]</a> Ribeiro, “Cavalos de Tróia.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn38_9037" href="#_ftnref38_9037">[38]</a> Correio Braziliense, “Niemeyer na trincheira.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn39_9037" href="#_ftnref39_9037">[39]</a> Veleda, “Niemeyer assume a defesa do seu projeto.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn40_9037" href="#_ftnref40_9037">[40]</a> Não se confunda Carlos Magalhães, colaborador de Niemeyer desde a década de 1950 com Carlos Henrique Magalhães, o jovem pesquisador a escrever <em>Pela soberania do vazio.</em></p>
<p align="justify"><a name="_ftn41_9037" href="#_ftnref41_9037">[41]</a> Correio Braziliense, “Debate sobre praça chega ao Planalto.” e Veleda, “Arruda quer opinião de Lula sobre a praça.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn42_9037" href="#_ftnref42_9037">[42]</a> Notícia apagada dos arquivos do website.</p>
<p align="justify"><a name="_ftn43_9037" href="#_ftnref43_9037">[43]</a> Para um desenvolvimento desse tema, veja-se a seção <em>Teoria </em>em: Pereira, <em>Arquitetura, texto e contexto</em>, 148-153</p>
<p align="justify"><a name="_ftn44_9037" href="#_ftnref44_9037">[44]</a> Cf. <a href="http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/#comment-158">http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/#comment-158</a></p>
<p align="justify"><a name="_ftn45_9037" href="#_ftnref45_9037">[45]</a> Campofiorito, “Quando o novo não desfigura o moderno.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn46_9037" href="#_ftnref46_9037">[46]</a> Expressão do crítico de arte Mario Pedrosa em: Pedrosa, “O depoimento de Oscar Niemeyer &#8211; II,” 294</p>
<p align="justify"><a name="_ftn47_9037" href="#_ftnref47_9037">[47]</a> Correio Braziliense, “A briga está boa.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn48_9037" href="#_ftnref48_9037">[48]</a> Niemeyer, “Uma explicação necessária.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn49_9037" href="#_ftnref49_9037">[49]</a> Tecles, “Niemeyer contra-ataca.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn50_9037" href="#_ftnref50_9037">[50]</a> Ramos, “Um parque na Esplanada.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn51_9037" href="#_ftnref51_9037">[51]</a> Tecles, “Obelisco em Taguatinga.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn52_9037" href="#_ftnref52_9037">[52]</a> Niemeyer, “Contraste incômodo.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn53_9037" href="#_ftnref53_9037">[53]</a> Arruda, “A boa polêmica.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn54_9037" href="#_ftnref54_9037">[54]</a> Maciel, “Proposta de comissão divide os arquitetos.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn55_9037" href="#_ftnref55_9037">[55]</a> Castro, “Breves notas sobre a Praça da Soberania.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn56_9037" href="#_ftnref56_9037">[56]</a> Menchen e Niemeyer, “Oscar Niemeyer: tombamento de Brasília é uma besteira.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn57_9037" href="#_ftnref57_9037">[57]</a> Farret, “Espaço público e imaginário social « mdc . revista de arquitetura e urbanismo.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn58_9037" href="#_ftnref58_9037">[58]</a> Produto atualmente em elaboração por um escritório gaúcho de planejamento contratado por licitação de técnica e preço pelo GDF.</p>
<p align="justify"><a name="_ftn59_9037" href="#_ftnref59_9037">[59]</a> Schlee, “A praça do maquis.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn60_9037" href="#_ftnref60_9037">[60]</a> Schlee, “Não se preocupe em entender.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn61_9037" href="#_ftnref61_9037">[61]</a> Correio Braziliense, “Niemeyer desiste da praça na Esplanada.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn62_9037" href="#_ftnref62_9037">[62]</a> Maciel, “Niemeyer abre mão da polêmica praça.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn63_9037" href="#_ftnref63_9037">[63]</a> Niemeyer, “Decisão.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn64_9037" href="#_ftnref64_9037">[64]</a> Sallum, “Elogios à decisão de Niemeyer.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn65_9037" href="#_ftnref65_9037">[65]</a> Freitas e Rebello, “A Esplanada já tem sua praça.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn66_9037" href="#_ftnref66_9037">[66]</a> Correio Braziliense, “E a praça de Niemeyer pode parar na Sapucaí&#8230;.” e Macedo, “Esplanada em transe : Praça da Soberania será carro alegórico no carnaval de 2010.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn67_9037" href="#_ftnref67_9037">[67]</a> Segawa, “Por um olhar desimpedido.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn68_9037" href="#_ftnref68_9037">[68]</a> Greenhalg, Gama, e Lago, “Os gênios jamais jogam a toalha &#8211; Estadao.com.br.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn69_9037" href="#_ftnref69_9037">[69]</a> Queiroz, “A Praça da Soberania : assertivas.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn70_9037" href="#_ftnref70_9037">[70]</a> Correio Braziliense, “Niemeyer muda Praça da Soberania.” e Dubeux e Niemeyer, “Uma nova praça &#8211; entrevista.” e Macedo, “Oscar Niemeyer propõe segundo projeto para a Praça da Soberania.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn71_9037" href="#_ftnref71_9037">[71]</a> Rodrigues, “Praça muda, polêmica não.” e Amorim e Rodrigues, “A praça não interfere no Plano Piloto.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn72_9037" href="#_ftnref72_9037">[72]</a> Mader e Borges, “Praça de Niemeyer sai dos planos.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn73_9037" href="#_ftnref73_9037">[73]</a> Azevedo, “Niemeyer não dorme nos louros… « mdc . revista de arquitetura e urbanismo.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn74_9037" href="#_ftnref74_9037">[74]</a> Rossetti, “Oscar Niemeyer além da crônica de uma praça anunciada.”</p>
<p align="justify"><a name="_ftn75_9037" href="#_ftnref75_9037">[75]</a> Rodrigues, “Praça muda, polêmica não.”</p>
<hr size="1" />
<h3><strong>referências bibliográficas</strong></h3>
<p align="justify">Amorim, Diego, e Gizella Rodrigues. “A praça não interfere no Plano Piloto.” <em>Correio Braziliense</em>, Maio 30, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">Arruda, José Roberto. “A boa polêmica.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 1, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">Azevedo, Paulo Ormindo de. “Niemeyer não dorme nos louros… « mdc . revista de arquitetura e urbanismo.” <em>MDC &#8211; Revista de Arquitetura e Urbanismo</em>, Junho 10, 2009. <a href="http://mdc.arq.br/2009/02/02/espaco-publico-e-imaginario-social/">http://mdc.arq.br/2009/06/10/niemeyer-nao-dorme-nos-louros/</a>.</p>
<p align="justify">Brant, Vera. “O humanista Oscar Niemeyer.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 13, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">Buarque, Cristovam. “Nossa praça maior.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 31, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">Campello, Glauco de Oliveira. “A Praça de Niemeyer em Brasília.” <em>MDC &#8211; Revista de Arquitetura e Urbanismo</em>, Janeiro 25, 2009. <a href="http://mdc.arq.br/2009/01/25/praca-da-soberania/">http://mdc.arq.br/2009/01/25/praca-da-soberania/</a>.</p>
<p align="justify">———. “Praça da Soberania.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 24, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">Campofiorito, Italo. “Quando o novo não desfigura o moderno.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 29, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">———. “Quando o novo não desfigura o moderno.” <em>MDC &#8211; Revista de Arquitetura e Urbanismo</em>, Fevereiro 1, 2009. <a href="http://mdc.arq.br/2009/02/01/quando-o-novo-nao-desfigura-o-moderno/">http://mdc.arq.br/2009/02/01/quando-o-novo-nao-desfigura-o-moderno/</a>.</p>
<p align="justify">Campos, Ana Maria. “Antes do obelisco, o Pássaro da Paz.” <em>Correio Braziliense</em>, Março 2, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">———. “Complexo substituirá o Buritinga em 2009.” <em>Correio Braziliense</em>, Novembro 15, 2007, seç. Política.</p>
<p align="justify">Campos, Igor. “Mensagem ao arquiteto Oscar Niemeyer.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 24, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">———. “Mensagem ao arquiteto Oscar Niemeyer « mdc . revista de arquitetura e urbanismo.” <em>MDC &#8211; Revista de Arquitetura e Urbanismo</em>, Janeiro 25, 2009. <a href="http://mdc.arq.br/2009/01/25/mensagem-ao-arquiteto-oscar-niemeyer/">http://mdc.arq.br/2009/01/25/mensagem-ao-arquiteto-oscar-niemeyer/</a>.</p>
<p align="justify">Carvalho, Mario Cesar. “Projeto de praça de Niemeyer para Brasília é ilegal, diz Iphan.” <em>Folha de São Paulo</em>, Janeiro 27, 2009, seç. Cotidiano. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2701200901.htm">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2701200901.htm</a>.</p>
<p align="justify">Castro, Reginaldo de. “Breves notas sobre a Praça da Soberania.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 2, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">Cavalcante, Neusa. “Um amor tardio?.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 31, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">Correio Braziliense. “A briga está boa.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 30, 2009, seç. Capa.</p>
<p align="justify">———. “A capital do futebol.” <em>Correio Braziliense</em>, Junho 1, 2009, seç. Esportes.</p>
<p align="justify">———. “Debate sobre praça chega ao Planalto.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 29, 2009, seç. Capa.</p>
<p align="justify">———. “E a praça de Niemeyer pode parar na Sapucaí&#8230;.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 7, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">———. “Niemeyer desiste da praça na Esplanada.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 4, 2009, seç. Capa.</p>
<p align="justify">———. “Niemeyer muda Praça da Soberania.” <em>Correio Braziliense</em>, Maio 29, 2009, seç. Capa.</p>
<p align="justify">———. “Niemeyer na trincheira : &#8220;não abro mão&#8221;.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 28, 2009, seç. Capa.</p>
<p align="justify">———. “Praça na Esplanada inflama Brasília.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 25, 2009, seç. Capa.</p>
<p align="justify">———. “Uma praça, muitas ideias.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 31, 2009, seç. Capa.</p>
<p align="justify">Costa, Maria Elisa. “Carta de Maria Elisa Costa a Oscar Niemeyer.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 25, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">Dubeux, Ana. “O velho, os jovens e a praça.” <em>Correio Braziliense</em>, Maio 31, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">———. “Uma briga das boas.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 1, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">Dubeux, Ana, e Oscar Niemeyer. “Uma nova praça &#8211; entrevista.” <em>Correio Braziliense</em>, Maio 29, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">Farret, Ricardo. “Espaço público e imaginário social « mdc . revista de arquitetura e urbanismo.” <em>MDC &#8211; Revista de Arquitetura e Urbanismo</em>, Fevereiro 2, 2009. <a href="http://mdc.arq.br/2009/02/02/espaco-publico-e-imaginario-social/">http://mdc.arq.br/2009/02/02/espaco-publico-e-imaginario-social/</a>.</p>
<p align="justify">Ficher, Sylvia. “Oscar Niemeyer e Brasília : criador versus criatura.” <em>Portal Vitruvius &#8211; Minha cidade</em>, 1, 2009.</p>
<p align="justify">———. “Oscar Niemeyer e Brasília : criador versus criatura.” <em>MDC &#8211; Revista de Arquitetura e Urbanismo</em>, Janeiro 12, 2009. <a href="http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/">http://mdc.arq.br/2009/01/12/oscar-niemeyer-e-brasilia-criador-versus-criatura/</a>.</p>
<p align="justify">Francisconi, Jorge Guilherme, e Sylvia Ficher. “Verso e reverso em Niemeyer.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 21, 2009, seç. Opinião.</p>
<p align="justify">Freitas, Conceição. “Caro Oscar.” <em>Correio Braziliense</em>, Maio 30, 2009, seç. Crônica da Cidade.</p>
<p align="justify">———. “Carta ao doutor Oscar.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 6, 2009, seç. Crônica da Cidade.</p>
<p align="justify">———. “Concepções divergentes.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 25, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">———. “Niemeyer versus Niemeyer.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 20, 2009, seç. Crônica da Cidade.</p>
<p align="justify">———. “Niemeyer, 101 anos, 66 obras : Arquiteto tem ainda 39 projetos para a capital federal, cinco dos quais com previsão de construção.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 25, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">———. “Soberana Brasília.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 25, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">Freitas, Conceição, e Pablo Rebello. “A Esplanada já tem sua praça.” <em>Correio Braziliense</em>, Fevereiro 6, 2009, seç. Cidades.</p>
<p align="justify">Gaspari, Elio. “A praça da soberania de Niemeyer.” <em>Folha de São Paulo</em>, Janeiro 18, 2009, seç. Brasil. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1801200908.htm">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1801200908.htm</a>.</p>
<p align="justify">Greenhalg, Laura, Rinaldo Gama, e André Corrêa do Lato Lago. “Os gênios jamais jogam a toalha &#8211; Estadao.com.br.” <em>O Estado de São paulo</em>, Fevereiro 7, 2009, seç. Aliás. <a href="http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup320118,0.htm">http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup320118,0.htm</a>.</p>
<p align="justify">Holanda, Frederico de. “A praça do espanto.” <em>MDC &#8211; Revista de Arquitetura e Urbanismo</em>, Janeiro 20, 2009. <a href="http://mdc.arq.br/2009/01/20/a-praca-do-espanto/">http://mdc.arq.br/2009/01/20/a-praca-do-espanto/</a>.</p>
<p align="justify">IPHAN. <em>Portaria n.314, de 08 de outubro de 1992</em>, 1992. <a href="http://www.iphan.gov.br">http://www.iphan.gov.br</a>.</p>
<p align="justify">Lima, João Filgueiras da Gama. “Mais uma obra-prima.” <em>Correio Braziliense</em>, Janeiro 27, 2009, seç. Cidades.</p>
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