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	<title>Comentários sobre: Pós-mineiridade revisitada: Éolo Maia</title>
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		<title>Por: Hugo Segawa</title>
		<link>http://mdc.arq.br/2007/11/30/pos-mineiridade-revisitada-eolo-maia/#comment-8</link>
		<dc:creator><![CDATA[Hugo Segawa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Apr 2007 02:05:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://mdc.arq.br/?p=435#comment-8</guid>
		<description><![CDATA[&lt;strong&gt;&lt;a&gt;&lt;/a&gt;Impression&#237;sticas impress&#245;es&lt;/strong&gt;
      
       Minha querida colega e amiga Ruth Verde Zein nunca deixa por menos, e por isso h&#225; muito &#233; para mim uma musa da cr&#237;tica de arquitetura.
        Em sua mensagem, &quot;P&#243;s-mineiridade revisitada: muito al&#233;m da cita&#231;&#227;o&quot;, n&#227;o tenho o que discordar de uma s&#233;rie de coloca&#231;&#245;es, nas quais supostamente ela se &quot;defende&quot; de meus coment&#225;rios. Desnecess&#225;ria tanto a &quot;defesa&quot; como a afirma&#231;&#227;o dela, &quot;Mas se algu&#233;m se der ao trabalho de tentar entender (e n&#227;o se limitar a fazer uma leitura impressionista...), acredito que mesmo aquele texto ainda poder&#225; contribuir para a compreens&#227;o de v&#225;rias pautas de interesse acerca da arquitetura brasileira, mineira, daquele preciso momento&quot;. N&#227;o fosse assim, Ruth Verde Zein (e Mauro Neves Nogueira) n&#227;o estariam ocupando boa parte de meu ensaio. O que me impressiona &#233; a pouca lembran&#231;a dessas opini&#245;es nos estudos sobre os mineiros, e meu prop&#243;sito foi chamar a aten&#231;&#227;o da dificuldade e da qualidade das discuss&#245;es da &#233;poca, com as quais pode-se compreender a dimens&#227;o do papel de &#201;olo, Veveco &amp; Cia. na arquitetura brasileira dos anos 1980, como tentei ensaiar, tendo como base cita&#231;&#245;es como documentos para an&#225;lise. Tem raz&#227;o Ruth Verde Zein quando observa que eu me &quot;refugiava no coment&#225;rio hist&#243;rico&quot;, como ainda o fa&#231;o seguindo algo que Marina Waisman sempre recordava, &quot;cr&#237;tica &#233; sentir a fragr&#226;ncia da hist&#243;ria&quot; &#8211; m&#225;xima proveniente de um pensamento de Manfredo Tafuri.

        Em particular, Ruth ficou incomodada com o adjetivo &quot;impression&#237;stico&quot; (que ela leu como &quot;impressionista&quot;) que apliquei ao seu texto, no meu trecho: &quot;O impression&#237;stico ensaio de Ruth Verde Zein em &#039;Acerca da arquitetura mineira&#039; resultava da dificuldade de perceber um estatuto evidente na obra dos arquitetos mineiros, para al&#233;m da falta de defini&#231;&#227;o e clareza de discurso, do &#039;deixar acontecer&#039;, do &#039;ver o que vai dar&#039;, para al&#233;m de uma assumida iconoclastia e um n&#227;o-assumido niilismo frente ao moderno.&quot; Tentei chamar a aten&#231;&#227;o ao desafio de falar sobre o aqui-e-agora sem a evid&#234;ncia clara dos antecedentes, a espessura da Hist&#243;ria. Aquilo que Ruth, em sua mensagem, contextualiza: &quot;Ademais, naquele momento hist&#243;rico dado e datado, como sabemos (e muitos esquecem) n&#227;o era nada f&#225;cil sair da mesmice, e menos f&#225;cil ainda, publicar todo m&#234;s sem escrever abobrinhas. Na &#233;poca Hugo refugiava-se no coment&#225;rio hist&#243;rico; minha ta-refa, mas pol&#234;mica e arriscada, era o samba-do-crioulo-doido do contempor&#226;neo.&quot;

        Desde que comecei a publicar artigos e livros (s&#227;o 26 anos de estrada), percebo a mir&#237;ade de recep&#231;&#245;es que os textos provocam e podem provocar. Mesmo como professor h&#225; um quarto de s&#233;culo, ainda hoje sinto a amplitude e diversidade de interpreta&#231;&#245;es que nossas palavras &#8211; escritas ou faladas &#8211; podem ocasionar. Em fins de outubro passado compartilhei uma discuss&#227;o p&#250;blica no semin&#225;rio sobre Eladio Dieste com o querido, pol&#234;mico e saudoso Carlos Fayet. Ao fim das contas, ele me tascou: &quot;os cr&#237;ticos falam dif&#237;cil, &#233; dif&#237;cil entender...&quot; Mesmo tomando o maior cuidado no uso das palavras, ainda assim muitas vezes fracassamos na nossa comunica&#231;&#227;o. Por pr&#225;tica profissional e acad&#234;mica, e convic&#231;&#227;o intelectual, procuro evitar palavreados e articula&#231;&#245;es intrincados. Pretendo que meus escritos n&#227;o necessitem hermen&#234;utica profunda, e as palavras n&#227;o s&#227;o emprestadas de tratados filos&#243;ficos, mas em sua maioria obedientes &#224;s acep&#231;&#245;es do pai-dos-burros. Devo esclarecer que, ao contr&#225;rio do que Ruth alega, em meu texto n&#227;o comparece em lugar algum o termo &quot;impressionista&quot;, mas sim apenas uma vez a palavra &quot;impression&#237;stico&quot;. Vemos no &lt;em&gt;Houaiss&lt;/em&gt;: &quot;Impression&#237;stico: baseado em, marcado por ou envolvendo impress&#227;o ao contr&#225;rio de fatos precisos ou experi&#234;ncia pregressa.&quot;

        Cordialmente
        Hugo Segawa
        
        ]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a></a>Impression&iacute;sticas impress&otilde;es</strong></p>
<p>       Minha querida colega e amiga Ruth Verde Zein nunca deixa por menos, e por isso h&aacute; muito &eacute; para mim uma musa da cr&iacute;tica de arquitetura.<br />
        Em sua mensagem, &quot;P&oacute;s-mineiridade revisitada: muito al&eacute;m da cita&ccedil;&atilde;o&quot;, n&atilde;o tenho o que discordar de uma s&eacute;rie de coloca&ccedil;&otilde;es, nas quais supostamente ela se &quot;defende&quot; de meus coment&aacute;rios. Desnecess&aacute;ria tanto a &quot;defesa&quot; como a afirma&ccedil;&atilde;o dela, &quot;Mas se algu&eacute;m se der ao trabalho de tentar entender (e n&atilde;o se limitar a fazer uma leitura impressionista&#8230;), acredito que mesmo aquele texto ainda poder&aacute; contribuir para a compreens&atilde;o de v&aacute;rias pautas de interesse acerca da arquitetura brasileira, mineira, daquele preciso momento&quot;. N&atilde;o fosse assim, Ruth Verde Zein (e Mauro Neves Nogueira) n&atilde;o estariam ocupando boa parte de meu ensaio. O que me impressiona &eacute; a pouca lembran&ccedil;a dessas opini&otilde;es nos estudos sobre os mineiros, e meu prop&oacute;sito foi chamar a aten&ccedil;&atilde;o da dificuldade e da qualidade das discuss&otilde;es da &eacute;poca, com as quais pode-se compreender a dimens&atilde;o do papel de &Eacute;olo, Veveco &amp; Cia. na arquitetura brasileira dos anos 1980, como tentei ensaiar, tendo como base cita&ccedil;&otilde;es como documentos para an&aacute;lise. Tem raz&atilde;o Ruth Verde Zein quando observa que eu me &quot;refugiava no coment&aacute;rio hist&oacute;rico&quot;, como ainda o fa&ccedil;o seguindo algo que Marina Waisman sempre recordava, &quot;cr&iacute;tica &eacute; sentir a fragr&acirc;ncia da hist&oacute;ria&quot; &ndash; m&aacute;xima proveniente de um pensamento de Manfredo Tafuri.</p>
<p>        Em particular, Ruth ficou incomodada com o adjetivo &quot;impression&iacute;stico&quot; (que ela leu como &quot;impressionista&quot;) que apliquei ao seu texto, no meu trecho: &quot;O impression&iacute;stico ensaio de Ruth Verde Zein em &#8216;Acerca da arquitetura mineira&#8217; resultava da dificuldade de perceber um estatuto evidente na obra dos arquitetos mineiros, para al&eacute;m da falta de defini&ccedil;&atilde;o e clareza de discurso, do &#8216;deixar acontecer&#8217;, do &#8216;ver o que vai dar&#8217;, para al&eacute;m de uma assumida iconoclastia e um n&atilde;o-assumido niilismo frente ao moderno.&quot; Tentei chamar a aten&ccedil;&atilde;o ao desafio de falar sobre o aqui-e-agora sem a evid&ecirc;ncia clara dos antecedentes, a espessura da Hist&oacute;ria. Aquilo que Ruth, em sua mensagem, contextualiza: &quot;Ademais, naquele momento hist&oacute;rico dado e datado, como sabemos (e muitos esquecem) n&atilde;o era nada f&aacute;cil sair da mesmice, e menos f&aacute;cil ainda, publicar todo m&ecirc;s sem escrever abobrinhas. Na &eacute;poca Hugo refugiava-se no coment&aacute;rio hist&oacute;rico; minha ta-refa, mas pol&ecirc;mica e arriscada, era o samba-do-crioulo-doido do contempor&acirc;neo.&quot;</p>
<p>        Desde que comecei a publicar artigos e livros (s&atilde;o 26 anos de estrada), percebo a mir&iacute;ade de recep&ccedil;&otilde;es que os textos provocam e podem provocar. Mesmo como professor h&aacute; um quarto de s&eacute;culo, ainda hoje sinto a amplitude e diversidade de interpreta&ccedil;&otilde;es que nossas palavras &ndash; escritas ou faladas &ndash; podem ocasionar. Em fins de outubro passado compartilhei uma discuss&atilde;o p&uacute;blica no semin&aacute;rio sobre Eladio Dieste com o querido, pol&ecirc;mico e saudoso Carlos Fayet. Ao fim das contas, ele me tascou: &quot;os cr&iacute;ticos falam dif&iacute;cil, &eacute; dif&iacute;cil entender&#8230;&quot; Mesmo tomando o maior cuidado no uso das palavras, ainda assim muitas vezes fracassamos na nossa comunica&ccedil;&atilde;o. Por pr&aacute;tica profissional e acad&ecirc;mica, e convic&ccedil;&atilde;o intelectual, procuro evitar palavreados e articula&ccedil;&otilde;es intrincados. Pretendo que meus escritos n&atilde;o necessitem hermen&ecirc;utica profunda, e as palavras n&atilde;o s&atilde;o emprestadas de tratados filos&oacute;ficos, mas em sua maioria obedientes &agrave;s acep&ccedil;&otilde;es do pai-dos-burros. Devo esclarecer que, ao contr&aacute;rio do que Ruth alega, em meu texto n&atilde;o comparece em lugar algum o termo &quot;impressionista&quot;, mas sim apenas uma vez a palavra &quot;impression&iacute;stico&quot;. Vemos no <em>Houaiss</em>: &quot;Impression&iacute;stico: baseado em, marcado por ou envolvendo impress&atilde;o ao contr&aacute;rio de fatos precisos ou experi&ecirc;ncia pregressa.&quot;</p>
<p>        Cordialmente<br />
        Hugo Segawa</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Ruth Verde Zein</title>
		<link>http://mdc.arq.br/2007/11/30/pos-mineiridade-revisitada-eolo-maia/#comment-7</link>
		<dc:creator><![CDATA[Ruth Verde Zein]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2007 01:56:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://mdc.arq.br/?p=435#comment-7</guid>
		<description><![CDATA[&lt;strong&gt;&lt;a&gt;&lt;/a&gt;P&#243;s-mineiridade revisitada: muito al&#233;m da cita&#231;&#227;o &lt;/strong&gt;
    
         Prezados colegas 

        J&#225; faz algum tempo que acompanho o trabalho de voc&#234;s. Aprecio e considero important&#237;ssimo &#160;todo e qualquer esfor&#231;o de reflex&#227;o e debate sobre nossa arquitetura - ademais quando, no caso de voc&#234;s, &#233; feito com amor e seriedade. N&#227;o parem! 
        

        Li o texto do caro colega Hugo Segawa, “P&#243;s-Mineiridade revisitada: &#201;olo Maia” logo que foi publicado. Primeiro resolvi bater um papo intern&#233;tico com Hugo, colega de muitos anos de trabalho ombro a ombro na revista Projeto, e com quem me sinto &#224; vontade para bater boca, discordar e at&#233; me zangar – na certeza de que, entre irm&#227;os, as discuss&#245;es s&#227;o coisas passageiras que n&#227;o estragam de jeito algum as boas rela&#231;&#245;es, que seguimos mantendo. Passado mais um tempo, percebo que o assunto segue irresoluto, para mim. Ent&#227;o, resolvi escrever a voc&#234;s, at&#233; para eu me livrar desses pensamentos. 

        
        O fato &#233; que, me incomodou o adjetivo “impressionista” que Hugo atribui a meu texto sobre a arquitetura mineira, publicado na edi&#231;&#227;o 81 da Projeto: d&#225; a entender que se trataria de uma imagem borrada e fora de foco. A n&#227;o ser que “impressionismo” queira &#160;indicar algo mais erudito: um esfor&#231;o de, ao inv&#233;s de buscar meramente reproduzir real, interpret&#225;-lo criativamente. Mas como Hugo tamb&#233;m pensa que minhas considera&#231;&#245;es seriam “cr&#237;pticas” e que as novas gera&#231;&#245;es n&#227;o as poderiam entender, parece que o adjetivo impressionista foi mesmo usado no sentido vulgar e pejorativo. 

        
        Bom, colega Hugo, n&#227;o acredito que as novas gera&#231;&#245;es sejam assim t&#227;o tolas; ao contr&#225;rio: se h&#225; quem aborde tudo superficialmente, h&#225; tamb&#233;m quem queira entender com mais profundidade. Ali&#225;s, sempre houve (ambas as coisas). Mas esse n&#227;o &#233; o ponto. Vamos ao que me incomodou, e que quero comentar com voc&#234;s. 

        
        Meu texto n&#227;o &#233; impressionista. Talvez seja diversionista; talvez seja, melhor ainda, complexo e contradit&#243;rio. N&#227;o se trata de uma an&#225;lise cr&#237;tica de obras: aspira compreender um panorama, mineiro &#233; claro, mas brasileiro tamb&#233;m. Rel&#234;-lo depois de 20 anos, sem conhecer nada do que se passava ent&#227;o (n&#227;o &#233; o caso do Hugo) pode torn&#225;-lo datado (como sugere Hugo). N&#227;o h&#225; como evitar isso. Mas se algu&#233;m se der ao trabalho de tentar entender (e n&#227;o, se limitar a fazer uma leitura impressionista...), acredito que mesmo aquele texto ainda poder&#225; contribuir para a compreens&#227;o de v&#225;rias pautas de interesse acerca da arquitetura brasileira, mineira, daquele preciso momento – e acerca do nosso querido saudoso &#201;olo e demais cavaleiros da t&#225;vola redonda (do bar). Cabe aos que hoje pesquisarem o assunto, ler, estudar e teorizar, preenchendo os claros. Meu texto ent&#227;o, n&#227;o era cabal, pois n&#227;o tinha a pretens&#227;o de ditar verdades - mas tinha a ilus&#227;o de estar a ajudar a esclarecer alguns caminhos, mesmo que fosse apenas nomeando-os, trazendo o debate &#224; luz – talvez, algo mais.
        &lt;!--  D([&quot;mb&quot;,&quot;\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nS&#243; para registrar, &#160;tamb&#233;m escrevi uma introdu&#231;&#227;o ao segundo livro dos 3Arquitetos (1980-85), a convite de &#201;olo, J&#244; e Sylvio. Ali tamb&#233;m n&#227;o comento as obras (Di Filippo havia feito isso recentemente, n&#227;o quis repetir), mas proponho leituras. Avisei os autores que ia fazer uma introdu&#231;&#227;o complexa, e eles n&#227;o me acharam impressionista, acharam instigante: pintaram uma p&#225;gina de verde, outra de rosa, para aumentar a dificuldade da leitura (como me comentou Sylvio...). A gente se divertia como podia: quem n&#227;o quisesse entender, n&#227;o tinha problema, n&#227;o...\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nOs amigos mineiros tinham coragem, propunham e arriscavam: eu prezei e homenageei isso. E esse meu jeito nesses textos, que Hugo tem a impress&#227;o que &#233; vago, de fato era uma recusa a passar senten&#231;a, contra ou a favor. Ademais, naquele momento &#160;hist&#243;rico dado e datado, como sabemos (e muitos esquecem) n&#227;o era nada f&#225;cil sair da mesmice, e menos f&#225;cil ainda, publicar todo m&#234;s sem escrever abobrinhas. Na &#233;poca Hugo refugiava-se no coment&#225;ro hist&#243;rico; minha tarefa, mas pol&#234;mica e arriscada, era o samba-do-crioulo-doido do contempor&#226;neo. Agora que tudo isso virou hist&#243;ria, e pode-se comentar o assunto alinhavando cita&#231;&#245;es, pode parecer que quem vivia a luta era apenas vago. Nem tanto, colega!\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nTermino com algo que escrevi naquela introdu&#231;&#227;o ao 3 Arquitetos. (1985) Achei que era uma boa cita&#231;&#227;o - e o Hugo nem a aproveitou! Acho que ela resume uma resposta sobre esse meu pretenso impressionismo - com a vantagem que j&#225; respondi h&#225; vinte anos:\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n“Entre o empecilho autorit&#225;rio que se declara ser necess&#225;rio varrer, talvez o mais urgente, porque menos epid&#233;rmico, fosse a reflex&#227;o sobre o autoritarismo das respostas autom&#225;ticas, das solu&#231;&#245;es prontas, das verdades estabelecidas como absolutas sobre fr&#225;geis e question&#225;veis bases. Talvez se percebesse a necessidade da contraparte como fundamento indissoci&#225;vel da parte, realidades sempre presentes ao trabalhar, ao inv&#233;s de procurar eliminar a disson&#226;ncia; admitir como princ&#237;pio a relatividade, a diferen&#231;a, a possibilidade, o outro, ‘&quot;,1]  );    //--&gt;

        
        
        S&#243; para registrar, &#160;tamb&#233;m escrevi uma introdu&#231;&#227;o ao segundo livro dos 3Arquitetos (1980-85), a convite de &#201;olo, J&#244; e Sylvio. Ali tamb&#233;m n&#227;o comento as obras (Di Filippo havia feito isso recentemente, n&#227;o quis repetir), mas proponho leituras. Avisei os autores que ia fazer uma introdu&#231;&#227;o complexa, e eles n&#227;o me acharam impressionista, acharam instigante: pintaram uma p&#225;gina de verde, outra de rosa, para aumentar a dificuldade da leitura (como me comentou Sylvio...). A gente se divertia como podia: quem n&#227;o quisesse entender, n&#227;o tinha problema, n&#227;o... 

        
        Os amigos mineiros tinham coragem, propunham e arriscavam: eu prezei e homenageei isso. E esse meu jeito nesses textos, que Hugo tem a impress&#227;o que &#233; vago, de fato era uma recusa a passar senten&#231;a, contra ou a favor. Ademais, naquele momento &#160;hist&#243;rico dado e datado, como sabemos (e muitos esquecem) n&#227;o era nada f&#225;cil sair da mesmice, e menos f&#225;cil ainda, publicar todo m&#234;s sem escrever abobrinhas. Na &#233;poca Hugo refugiava-se no coment&#225;ro hist&#243;rico; minha tarefa, mas pol&#234;mica e arriscada, era o samba-do-crioulo-doido do contempor&#226;neo. Agora que tudo isso virou hist&#243;ria, e pode-se comentar o assunto alinhavando cita&#231;&#245;es, pode parecer que quem vivia a luta era apenas vago. Nem tanto, colega! 

        
        Termino com algo que escrevi naquela introdu&#231;&#227;o ao 3 Arquitetos. (1985) Achei que era uma boa cita&#231;&#227;o - e o Hugo nem a aproveitou! Acho que ela resume uma resposta sobre esse meu pretenso impressionismo - com a vantagem que j&#225; respondi h&#225; vinte anos: 
        
“Entre o empecilho autorit&#225;rio que se declara ser necess&#225;rio varrer, talvez o mais urgente, porque menos epid&#233;rmico, fosse a reflex&#227;o sobre o autoritarismo das respostas autom&#225;ticas, das solu&#231;&#245;es prontas, das verdades estabelecidas como absolutas sobre fr&#225;geis e question&#225;veis bases. Talvez se percebesse a necessidade da contraparte como fundamento indissoci&#225;vel da parte, realidades sempre presentes ao trabalhar, ao inv&#233;s de procurar eliminar a disson&#226;ncia; admitir como princ&#237;pio a relatividade, a diferen&#231;a, a possibilidade, o outro, ‘

&lt;!--  D([&quot;mb&quot;,&quot;\u003ci\&gt;O mist&#233;rio n&#227;o &#233;, pois, o que precisamos suprimir, mas o que precisamos decifrar. N&#227;o pede explica&#231;&#227;o. Convida &#224; inicia&#231;&#227;o&#039;\u003c/i\&gt;*. \u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nUm abra&#231;o\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nRuth Verde Zein\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n*A cita&#231;&#227;o dentro da cita&#231;&#227;o &#233; de Marilena Chau&#237;. Naquele texto tamb&#233;m citava Merleau-Ponty, Klaus Horn e Carlos Drummond de Andrade. N&#227;o sou contra cita&#231;&#245;es... \u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n&#160;\u003c/span\&gt;\u003c/font\&gt;\n\u003c/div\&gt;\n\n\n&quot;,0]  );  D([&quot;mi&quot;,10,2,&quot;110da78d8f2a260e&quot;,0,&quot;0&quot;,&quot;Danilo Matoso Macedo&quot;,&quot;Danilo&quot;,&quot;correio@danilo.arq.br&quot;,[[[&quot;lista&quot;,&quot;exposicao@googlegroups.com&quot;,&quot;110da78d8f2a260e&quot;]  ]  ,[]  ,[]  ]  ,&quot;19 Fev&quot;,[&quot;lista mdc \u003cexposicao@googlegroups.com\&gt;&quot;]  ,[]  ,[]  ,[]  ,&quot;19/02/2007 11:47&quot;,&quot;Fwd: P&#243;s-mineiridade revisitada: muito al&#233;m da cita&#231;&#227;o&quot;,&quot;- Forwarded message - From: Ruth Verde Zein &lt;rvzein@terra.c...&quot;,[]  ,1,,,&quot;19 de Fevereiro de 2007_11:47&quot;,&quot;Em 19/02/07, Danilo Matoso Macedo\u003ccorreio@danilo.arq.br\&gt; escreveu:&quot;,&quot;Em 19/02/07, \u003cb class\u003dgmail_sendername\&gt;Danilo Matoso Macedo\u003c/b\&gt; &lt;correio@danilo.arq.br&gt; escreveu:&quot;,&quot;gmail.com&quot;,,,&quot;&quot;,&quot;&quot;,0,&quot;macedo.06@gmail.com&quot;,&quot;\u003cb43e2d440702190647n3704ae0crc276414f9ede600d@mail.gmail.com\&gt;&quot;,0,,0,&quot;Como resposta a \&quot;P&#243;s-mineiridade revisitada: muito al&#233;m da cita&#231;&#227;o\&quot;&quot;,0]  );    //--&gt;
&lt;em&gt;O mist&#233;rio n&#227;o &#233;, pois, o que precisamos suprimir, mas o que precisamos decifrar. N&#227;o pede explica&#231;&#227;o. Convida &#224; inicia&#231;&#227;o&#039; &lt;/em&gt;*. 

Um abra&#231;o 

Ruth Verde Zein 
Arquiteta FAU-USP (1977), Mestre (2000) e Doutora (2005) pelo PROPAR-UFRGS, Professora na FAU/Universidade Presbiteriana Mackenzie        


*A cita&#231;&#227;o dentro da cita&#231;&#227;o &#233; de Marilena Chau&#237;. Naquele texto tamb&#233;m citava Merleau-Ponty, Klaus Horn e Carlos Drummond de Andrade. N&#227;o sou contra cita&#231;&#245;es... 
        
        ]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a></a>P&oacute;s-mineiridade revisitada: muito al&eacute;m da cita&ccedil;&atilde;o </strong></p>
<p>         Prezados colegas </p>
<p>        J&aacute; faz algum tempo que acompanho o trabalho de voc&ecirc;s. Aprecio e considero important&iacute;ssimo &nbsp;todo e qualquer esfor&ccedil;o de reflex&atilde;o e debate sobre nossa arquitetura &#8211; ademais quando, no caso de voc&ecirc;s, &eacute; feito com amor e seriedade. N&atilde;o parem! </p>
<p>        Li o texto do caro colega Hugo Segawa, “P&oacute;s-Mineiridade revisitada: &Eacute;olo Maia” logo que foi publicado. Primeiro resolvi bater um papo intern&eacute;tico com Hugo, colega de muitos anos de trabalho ombro a ombro na revista Projeto, e com quem me sinto &agrave; vontade para bater boca, discordar e at&eacute; me zangar – na certeza de que, entre irm&atilde;os, as discuss&otilde;es s&atilde;o coisas passageiras que n&atilde;o estragam de jeito algum as boas rela&ccedil;&otilde;es, que seguimos mantendo. Passado mais um tempo, percebo que o assunto segue irresoluto, para mim. Ent&atilde;o, resolvi escrever a voc&ecirc;s, at&eacute; para eu me livrar desses pensamentos. </p>
<p>        O fato &eacute; que, me incomodou o adjetivo “impressionista” que Hugo atribui a meu texto sobre a arquitetura mineira, publicado na edi&ccedil;&atilde;o 81 da Projeto: d&aacute; a entender que se trataria de uma imagem borrada e fora de foco. A n&atilde;o ser que “impressionismo” queira &nbsp;indicar algo mais erudito: um esfor&ccedil;o de, ao inv&eacute;s de buscar meramente reproduzir real, interpret&aacute;-lo criativamente. Mas como Hugo tamb&eacute;m pensa que minhas considera&ccedil;&otilde;es seriam “cr&iacute;pticas” e que as novas gera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o as poderiam entender, parece que o adjetivo impressionista foi mesmo usado no sentido vulgar e pejorativo. </p>
<p>        Bom, colega Hugo, n&atilde;o acredito que as novas gera&ccedil;&otilde;es sejam assim t&atilde;o tolas; ao contr&aacute;rio: se h&aacute; quem aborde tudo superficialmente, h&aacute; tamb&eacute;m quem queira entender com mais profundidade. Ali&aacute;s, sempre houve (ambas as coisas). Mas esse n&atilde;o &eacute; o ponto. Vamos ao que me incomodou, e que quero comentar com voc&ecirc;s. </p>
<p>        Meu texto n&atilde;o &eacute; impressionista. Talvez seja diversionista; talvez seja, melhor ainda, complexo e contradit&oacute;rio. N&atilde;o se trata de uma an&aacute;lise cr&iacute;tica de obras: aspira compreender um panorama, mineiro &eacute; claro, mas brasileiro tamb&eacute;m. Rel&ecirc;-lo depois de 20 anos, sem conhecer nada do que se passava ent&atilde;o (n&atilde;o &eacute; o caso do Hugo) pode torn&aacute;-lo datado (como sugere Hugo). N&atilde;o h&aacute; como evitar isso. Mas se algu&eacute;m se der ao trabalho de tentar entender (e n&atilde;o, se limitar a fazer uma leitura impressionista&#8230;), acredito que mesmo aquele texto ainda poder&aacute; contribuir para a compreens&atilde;o de v&aacute;rias pautas de interesse acerca da arquitetura brasileira, mineira, daquele preciso momento – e acerca do nosso querido saudoso &Eacute;olo e demais cavaleiros da t&aacute;vola redonda (do bar). Cabe aos que hoje pesquisarem o assunto, ler, estudar e teorizar, preenchendo os claros. Meu texto ent&atilde;o, n&atilde;o era cabal, pois n&atilde;o tinha a pretens&atilde;o de ditar verdades &#8211; mas tinha a ilus&atilde;o de estar a ajudar a esclarecer alguns caminhos, mesmo que fosse apenas nomeando-os, trazendo o debate &agrave; luz – talvez, algo mais.<br />
        <!--  D(["mb","\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nS&oacute; para registrar, &nbsp;tamb&eacute;m escrevi uma introdu&ccedil;&atilde;o ao segundo livro dos 3Arquitetos (1980-85), a convite de &Eacute;olo, J&ocirc; e Sylvio. Ali tamb&eacute;m n&atilde;o comento as obras (Di Filippo havia feito isso recentemente, n&atilde;o quis repetir), mas proponho leituras. Avisei os autores que ia fazer uma introdu&ccedil;&atilde;o complexa, e eles n&atilde;o me acharam impressionista, acharam instigante: pintaram uma p&aacute;gina de verde, outra de rosa, para aumentar a dificuldade da leitura (como me comentou Sylvio...). A gente se divertia como podia: quem n&atilde;o quisesse entender, n&atilde;o tinha problema, n&atilde;o...\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nOs amigos mineiros tinham coragem, propunham e arriscavam: eu prezei e homenageei isso. E esse meu jeito nesses textos, que Hugo tem a impress&atilde;o que &eacute; vago, de fato era uma recusa a passar senten&ccedil;a, contra ou a favor. Ademais, naquele momento &nbsp;hist&oacute;rico dado e datado, como sabemos (e muitos esquecem) n&atilde;o era nada f&aacute;cil sair da mesmice, e menos f&aacute;cil ainda, publicar todo m&ecirc;s sem escrever abobrinhas. Na &eacute;poca Hugo refugiava-se no coment&aacute;ro hist&oacute;rico; minha tarefa, mas pol&ecirc;mica e arriscada, era o samba-do-crioulo-doido do contempor&acirc;neo. Agora que tudo isso virou hist&oacute;ria, e pode-se comentar o assunto alinhavando cita&ccedil;&otilde;es, pode parecer que quem vivia a luta era apenas vago. Nem tanto, colega!\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nTermino com algo que escrevi naquela introdu&ccedil;&atilde;o ao 3 Arquitetos. (1985) Achei que era uma boa cita&ccedil;&atilde;o - e o Hugo nem a aproveitou! Acho que ela resume uma resposta sobre esse meu pretenso impressionismo - com a vantagem que j&aacute; respondi h&aacute; vinte anos:\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n“Entre o empecilho autorit&aacute;rio que se declara ser necess&aacute;rio varrer, talvez o mais urgente, porque menos epid&eacute;rmico, fosse a reflex&atilde;o sobre o autoritarismo das respostas autom&aacute;ticas, das solu&ccedil;&otilde;es prontas, das verdades estabelecidas como absolutas sobre fr&aacute;geis e question&aacute;veis bases. Talvez se percebesse a necessidade da contraparte como fundamento indissoci&aacute;vel da parte, realidades sempre presentes ao trabalhar, ao inv&eacute;s de procurar eliminar a disson&acirc;ncia; admitir como princ&iacute;pio a relatividade, a diferen&ccedil;a, a possibilidade, o outro, ‘",1]  );    //--></p>
<p>        S&oacute; para registrar, &nbsp;tamb&eacute;m escrevi uma introdu&ccedil;&atilde;o ao segundo livro dos 3Arquitetos (1980-85), a convite de &Eacute;olo, J&ocirc; e Sylvio. Ali tamb&eacute;m n&atilde;o comento as obras (Di Filippo havia feito isso recentemente, n&atilde;o quis repetir), mas proponho leituras. Avisei os autores que ia fazer uma introdu&ccedil;&atilde;o complexa, e eles n&atilde;o me acharam impressionista, acharam instigante: pintaram uma p&aacute;gina de verde, outra de rosa, para aumentar a dificuldade da leitura (como me comentou Sylvio&#8230;). A gente se divertia como podia: quem n&atilde;o quisesse entender, n&atilde;o tinha problema, n&atilde;o&#8230; </p>
<p>        Os amigos mineiros tinham coragem, propunham e arriscavam: eu prezei e homenageei isso. E esse meu jeito nesses textos, que Hugo tem a impress&atilde;o que &eacute; vago, de fato era uma recusa a passar senten&ccedil;a, contra ou a favor. Ademais, naquele momento &nbsp;hist&oacute;rico dado e datado, como sabemos (e muitos esquecem) n&atilde;o era nada f&aacute;cil sair da mesmice, e menos f&aacute;cil ainda, publicar todo m&ecirc;s sem escrever abobrinhas. Na &eacute;poca Hugo refugiava-se no coment&aacute;ro hist&oacute;rico; minha tarefa, mas pol&ecirc;mica e arriscada, era o samba-do-crioulo-doido do contempor&acirc;neo. Agora que tudo isso virou hist&oacute;ria, e pode-se comentar o assunto alinhavando cita&ccedil;&otilde;es, pode parecer que quem vivia a luta era apenas vago. Nem tanto, colega! </p>
<p>        Termino com algo que escrevi naquela introdu&ccedil;&atilde;o ao 3 Arquitetos. (1985) Achei que era uma boa cita&ccedil;&atilde;o &#8211; e o Hugo nem a aproveitou! Acho que ela resume uma resposta sobre esse meu pretenso impressionismo &#8211; com a vantagem que j&aacute; respondi h&aacute; vinte anos: </p>
<p>“Entre o empecilho autorit&aacute;rio que se declara ser necess&aacute;rio varrer, talvez o mais urgente, porque menos epid&eacute;rmico, fosse a reflex&atilde;o sobre o autoritarismo das respostas autom&aacute;ticas, das solu&ccedil;&otilde;es prontas, das verdades estabelecidas como absolutas sobre fr&aacute;geis e question&aacute;veis bases. Talvez se percebesse a necessidade da contraparte como fundamento indissoci&aacute;vel da parte, realidades sempre presentes ao trabalhar, ao inv&eacute;s de procurar eliminar a disson&acirc;ncia; admitir como princ&iacute;pio a relatividade, a diferen&ccedil;a, a possibilidade, o outro, ‘</p>
<p><!--  D(["mb","\u003ci\&gt;O mist&eacute;rio n&atilde;o &eacute;, pois, o que precisamos suprimir, mas o que precisamos decifrar. N&atilde;o pede explica&ccedil;&atilde;o. Convida &agrave; inicia&ccedil;&atilde;o'\u003c/i\&gt;*. \u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nUm abra&ccedil;o\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\nRuth Verde Zein\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n*A cita&ccedil;&atilde;o dentro da cita&ccedil;&atilde;o &eacute; de Marilena Chau&iacute;. Naquele texto tamb&eacute;m citava Merleau-Ponty, Klaus Horn e Carlos Drummond de Andrade. N&atilde;o sou contra cita&ccedil;&otilde;es... \u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n\u003cbr\&gt;\n&nbsp;\u003c/span\&gt;\u003c/font\&gt;\n\u003c/div\&gt;\n\n\n",0]  );  D(["mi",10,2,"110da78d8f2a260e",0,"0","Danilo Matoso Macedo","Danilo","correio@danilo.arq.br",[[["lista","exposicao@googlegroups.com","110da78d8f2a260e"]  ]  ,[]  ,[]  ]  ,"19 Fev",["lista mdc \u003cexposicao@googlegroups.com\&gt;"]  ,[]  ,[]  ,[]  ,"19/02/2007 11:47","Fwd: P&oacute;s-mineiridade revisitada: muito al&eacute;m da cita&ccedil;&atilde;o","- Forwarded message - From: Ruth Verde Zein &lt;rvzein@terra.c...",[]  ,1,,,"19 de Fevereiro de 2007_11:47","Em 19/02/07, Danilo Matoso Macedo\u003ccorreio@danilo.arq.br\&gt; escreveu:","Em 19/02/07, \u003cb class\u003dgmail_sendername\&gt;Danilo Matoso Macedo\u003c/b\&gt; &lt;correio@danilo.arq.br&gt; escreveu:","gmail.com",,,"","",0,"macedo.06@gmail.com","\u003cb43e2d440702190647n3704ae0crc276414f9ede600d@mail.gmail.com\&gt;",0,,0,"Como resposta a \"P&oacute;s-mineiridade revisitada: muito al&eacute;m da cita&ccedil;&atilde;o\"",0]  );    //--><br />
<em>O mist&eacute;rio n&atilde;o &eacute;, pois, o que precisamos suprimir, mas o que precisamos decifrar. N&atilde;o pede explica&ccedil;&atilde;o. Convida &agrave; inicia&ccedil;&atilde;o&#8217; </em>*. </p>
<p>Um abra&ccedil;o </p>
<p>Ruth Verde Zein<br />
Arquiteta FAU-USP (1977), Mestre (2000) e Doutora (2005) pelo PROPAR-UFRGS, Professora na FAU/Universidade Presbiteriana Mackenzie        </p>
<p>*A cita&ccedil;&atilde;o dentro da cita&ccedil;&atilde;o &eacute; de Marilena Chau&iacute;. Naquele texto tamb&eacute;m citava Merleau-Ponty, Klaus Horn e Carlos Drummond de Andrade. N&atilde;o sou contra cita&ccedil;&otilde;es&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Anna Paula Canez</title>
		<link>http://mdc.arq.br/2007/11/30/pos-mineiridade-revisitada-eolo-maia/#comment-6</link>
		<dc:creator><![CDATA[Anna Paula Canez]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 May 2006 01:52:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://mdc.arq.br/?p=435#comment-6</guid>
		<description><![CDATA[&lt;strong&gt;Tomates com cerveja &lt;/strong&gt;

ou &lt;em&gt;

&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;3 Arquitetos&lt;/em&gt; na FAU UFRGS dos anos 80 &lt;/strong&gt;

Uma vez em Terezina, em junho de 2003, tive a oportunidade de exprimir quanto significou, no contexto brasileiro, a “chacoalhada” que, especialmente os mineiros, deram na arquitetura, nos anos 80. Essa “sacudida” foi tão importante que atingiu em cheio, na época, também a novíssima geração dos gaúchos da qual eu, felizmente, fiz parte. 

Participávamos de importante encontro com palestrantes nacionais e internacionais. Sylvio Podestá era chamado carinhosamente de “embaixador” do evento, denominado FECON. Irreverente e debochado, me tratava por “madame” em referência, penso eu, à mordomia de estar simplesmente no papel de acompanhante do Sergio Marques, que havia sido convidado pelos organizadores do evento para proferir uma palestra. Estava tudo muitíssimo bem; confortavelmente, eu escolhia as apresentações que queria assistir e não tinha compromisso algum, até que, entre um gole e outro de cerveja, sempre estranhamente acompanhados de tomates, o Sylvio começou a dar umas “letrinhas” – vou “sacanear”, dizia ele – te botar na roda. Levei na brincadeira, não percebendo o jeito, no íntimo, sério do Sylvio ser. 

Depois de cinco dias pensando que tinha escapado da maldição, ele realmente “me aprontou”. 

Debate final, auditório lotado – Sylvio Podestá x Ciro Pirondi – os dois às turras, e o Sylvio, sem mais delongas, me convoca para ser a mediadora do debate. Fiquei chateada pela falta de tato daquele mineiro e fui para a mesa, resolvida a contar tudo: tudo que tinha vivido naqueles maravilhosos anos 80. Com isso fiz, conscientemente, meu amigo chorar, e chorei junto, ao lembrar do importante papel que eles, principalmente Éolo Maia, Sylvio Podestá e Maria Josefina representaram para toda uma geração de arquitetos. Irresponsavelmente corajosos, viraram a mesa na década de 80, insuflados pelos ventos pós-modernos que vinham devagarinho, de além mar, principalmente trazidos para as Universidades por seus jovens professores que de lá voltavam pós-graduados. 

Como estudante da FAU UFRGS, tive oportunidade de acompanhar todo o processo de mudança, justamente porque fazia parte daquele meio aberto para reflexão. 

Disputávamos o livro “3 Arquitetos 1980-1985”, organizado pelo trio, pois havia apenas um exemplar na biblioteca. Líamos com veneração os depoimentos de Éolo e Sylvio, que criavam o próprio espaço para divulgar seu trabalho, uns “marqueteiros escrachados”, editando suas próprias publicações ou, merecidamente, com espaço garantido na revista “Projeto”, de cuja equipe participavam Hugo Segawa, Denise Yamashiro, Ruth Zein .... 

Nossos heróis realizavam muitas obras, desenhavam muito, faziam muitas maquetes, escreviam, bebiam, contavam afrontosamente que haviam levado anos para se formarem. Eram marginais da arquitetura, que nós amávamos sem restrição. 

As obras que despertavam nosso interesse tinham um jeito local de se apresentarem. Eu me refiro principalmente àquelas feitas de blocos cerâmicos, escolas nos confins mineiros. O jeito como se expressavam graficamente era demais. Imitávamos (chupávamos) sem dó nem piedade: desenhos à maneira de Aldo Rossi, suaves e fortes ao mesmo tempo – traço fino misturado ao traço expressivo e tudo, evidentemente pintado com lápis de cor. O auge era uma axonométrica explodida. A condição primeira era desenhar muito, tudo à mão – nem imaginávamos que um dia usaríamos o computador, nada de economia de meios – mais, mais e mais eram as palavras de ordem. 

Deu no que deu. Uma saudade infinda de Éolo. Restaram, além dos excessos de toda a ordem, boas e emblemáticas obras, uma reflexão necessária, que corrigiu os disparates modernistas de outra ordem. 

E o Ciro Pirondi? Bem, o Ciro gentilmente me chamava de Aninha, acho que não pôde perceber o que nos comovia: Sylvio e eu, unidos naquele momento por um passado, infelizmente nem tão recente. Chegou a exprimir a inutilidade daquelas idéias, daqueles tempos. Não entendeu quem não viveu. 

Hoje, respiramos, mesmo sem querer, aqueles ventos insuflados pelos nossos heróis mineiros. O Ciro Pirondi, um pouquinho antes, tinha exibido imagens para o atento público de projeto recente de intervenção no edifício Copam de Niemeyer, visivelmente tinha um quê de anos 80, se considerarmos mais a reflexão a respeito do lugar que a forma. 

Em síntese, hoje incorporamos sem dúvida uma ojeriza aos excessos de toda a ordem, um, no mínimo, auscultar atento em relação ao lugar e uma simpatia imensa pelos mineiros, estudantes eternos, até hoje venerados pelo jeito leve de ser. 

A gurizadinha gaúcha, hoje nas escolas de arquitetura, seguidamente chama o Sylvio para participar de seus encontros. 

Que vivam eternamente os mineiros! 

Anna Paula Canez
 Arquiteta e Professora . Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UniRitter .Porto Alegre / RS 

]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Tomates com cerveja </strong></p>
<p>ou <em></p>
<p></em><strong><em>3 Arquitetos</em> na FAU UFRGS dos anos 80 </strong></p>
<p>Uma vez em Terezina, em junho de 2003, tive a oportunidade de exprimir quanto significou, no contexto brasileiro, a “chacoalhada” que, especialmente os mineiros, deram na arquitetura, nos anos 80. Essa “sacudida” foi tão importante que atingiu em cheio, na época, também a novíssima geração dos gaúchos da qual eu, felizmente, fiz parte. </p>
<p>Participávamos de importante encontro com palestrantes nacionais e internacionais. Sylvio Podestá era chamado carinhosamente de “embaixador” do evento, denominado FECON. Irreverente e debochado, me tratava por “madame” em referência, penso eu, à mordomia de estar simplesmente no papel de acompanhante do Sergio Marques, que havia sido convidado pelos organizadores do evento para proferir uma palestra. Estava tudo muitíssimo bem; confortavelmente, eu escolhia as apresentações que queria assistir e não tinha compromisso algum, até que, entre um gole e outro de cerveja, sempre estranhamente acompanhados de tomates, o Sylvio começou a dar umas “letrinhas” – vou “sacanear”, dizia ele – te botar na roda. Levei na brincadeira, não percebendo o jeito, no íntimo, sério do Sylvio ser. </p>
<p>Depois de cinco dias pensando que tinha escapado da maldição, ele realmente “me aprontou”. </p>
<p>Debate final, auditório lotado – Sylvio Podestá x Ciro Pirondi – os dois às turras, e o Sylvio, sem mais delongas, me convoca para ser a mediadora do debate. Fiquei chateada pela falta de tato daquele mineiro e fui para a mesa, resolvida a contar tudo: tudo que tinha vivido naqueles maravilhosos anos 80. Com isso fiz, conscientemente, meu amigo chorar, e chorei junto, ao lembrar do importante papel que eles, principalmente Éolo Maia, Sylvio Podestá e Maria Josefina representaram para toda uma geração de arquitetos. Irresponsavelmente corajosos, viraram a mesa na década de 80, insuflados pelos ventos pós-modernos que vinham devagarinho, de além mar, principalmente trazidos para as Universidades por seus jovens professores que de lá voltavam pós-graduados. </p>
<p>Como estudante da FAU UFRGS, tive oportunidade de acompanhar todo o processo de mudança, justamente porque fazia parte daquele meio aberto para reflexão. </p>
<p>Disputávamos o livro “3 Arquitetos 1980-1985”, organizado pelo trio, pois havia apenas um exemplar na biblioteca. Líamos com veneração os depoimentos de Éolo e Sylvio, que criavam o próprio espaço para divulgar seu trabalho, uns “marqueteiros escrachados”, editando suas próprias publicações ou, merecidamente, com espaço garantido na revista “Projeto”, de cuja equipe participavam Hugo Segawa, Denise Yamashiro, Ruth Zein &#8230;. </p>
<p>Nossos heróis realizavam muitas obras, desenhavam muito, faziam muitas maquetes, escreviam, bebiam, contavam afrontosamente que haviam levado anos para se formarem. Eram marginais da arquitetura, que nós amávamos sem restrição. </p>
<p>As obras que despertavam nosso interesse tinham um jeito local de se apresentarem. Eu me refiro principalmente àquelas feitas de blocos cerâmicos, escolas nos confins mineiros. O jeito como se expressavam graficamente era demais. Imitávamos (chupávamos) sem dó nem piedade: desenhos à maneira de Aldo Rossi, suaves e fortes ao mesmo tempo – traço fino misturado ao traço expressivo e tudo, evidentemente pintado com lápis de cor. O auge era uma axonométrica explodida. A condição primeira era desenhar muito, tudo à mão – nem imaginávamos que um dia usaríamos o computador, nada de economia de meios – mais, mais e mais eram as palavras de ordem. </p>
<p>Deu no que deu. Uma saudade infinda de Éolo. Restaram, além dos excessos de toda a ordem, boas e emblemáticas obras, uma reflexão necessária, que corrigiu os disparates modernistas de outra ordem. </p>
<p>E o Ciro Pirondi? Bem, o Ciro gentilmente me chamava de Aninha, acho que não pôde perceber o que nos comovia: Sylvio e eu, unidos naquele momento por um passado, infelizmente nem tão recente. Chegou a exprimir a inutilidade daquelas idéias, daqueles tempos. Não entendeu quem não viveu. </p>
<p>Hoje, respiramos, mesmo sem querer, aqueles ventos insuflados pelos nossos heróis mineiros. O Ciro Pirondi, um pouquinho antes, tinha exibido imagens para o atento público de projeto recente de intervenção no edifício Copam de Niemeyer, visivelmente tinha um quê de anos 80, se considerarmos mais a reflexão a respeito do lugar que a forma. </p>
<p>Em síntese, hoje incorporamos sem dúvida uma ojeriza aos excessos de toda a ordem, um, no mínimo, auscultar atento em relação ao lugar e uma simpatia imensa pelos mineiros, estudantes eternos, até hoje venerados pelo jeito leve de ser. </p>
<p>A gurizadinha gaúcha, hoje nas escolas de arquitetura, seguidamente chama o Sylvio para participar de seus encontros. </p>
<p>Que vivam eternamente os mineiros! </p>
<p>Anna Paula Canez<br />
 Arquiteta e Professora . Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UniRitter .Porto Alegre / RS</p>
]]></content:encoded>
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